segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Vai-te rindo, Capela!

Tenho muito respeito pelos clubes pequenos, fundamentalmente pelos sacrifícios que muitas vezes fazem para subsistir num futebol global cada vez mais elitista, mas o Grupo Desportivo de Chaves terá de perdoar a minha sinceridade quando afirmo que quem ganhou esta eliminatória da Taça de Portugal foi claramente um energúmeno chamado João Capela. Foi ele quem, à custa de uma arbitragem deplorável, conseguiu arrastar o empate a zero ao longo dos 120 minutos, permitindo assim à equipa flaviense levar a melhor na lotaria dos pontapés da marca de grande penalidade.

É verdade que, como já muito se disse, o Porto falha demasiado na finalização e que, se convertesse em golos um terço das oportunidades que cria, ganharia os jogos facilmente mesmo sendo prejudicado pelas arbitragens, mas essa é, obviamente, uma falsa questão. Já se sabe que, quando as equipas estão bem, os erros grosseiros de arbitragem passam praticamente despercebidos. É quando as equipas atravessam os piores momentos e quando os jogos são mais difíceis que as decisões dos juízes ganham peso, pois basta um erro grosseiro para condicionar o desfecho das partidas. 

Em Chaves, não foi apenas a um erro grosseiro de João Capela que se assistiu, mas a um chorrilho de asneiras verdadeiramente inadmissíveis, dignas de um árbitro amador. Se a opinião dos milhares de adeptos que assistiram ao jogo não fosse suficiente para comprovar isso, basta ler a análise e apreciação global dos elementos do Tribunal d'O JOGO para esclarecer qualquer dúvida sobre o roubo de capela a que se assistiu. Dos seis lances polémicos em análise, quatro  reúnem a unanimidade do painel, todos eles em prejuízo do FC Porto, incluindo dois dos três penalties que o Dragões reclamam não assinalados a seu favor:   

Os árbitros em Portugal queixam-se de que são frequentemente vítimas de acusações e suspeições gratuitas, mas a verdade é que esta reclamação não passa, na generalidade dos casos, de uma forma hipócrita de obter imunidade a qualquer crítica e, pior, total impunidade face ao crimes de viciação da verdade desportiva que muitas vezes cometem. João Capela é um dos maiores exemplos de árbitros que beneficiam de uma protecção inadmissível, pois não obstante o vasto rol de polémicas e escândalos que protagonizou ao longo dos seus vários anos de carreira, consegue não só escapar ileso a qualquer castigo, como ainda obter classificações elevadas que nada condizem com as suas vergonhosas prestações dentro dos campos. Tudo isto ganha contornos ainda mais suspeitos se atendermos ao facto de ostentar as insígnias da FIFA, pois esta condição deveria ser, à partida, uma garantia de competência, isenção e experiência, o que na prática não acontece, bem pelo contrário. 

O estatuto de árbitro internacional deve representar, acima de tudo, maior responsabilização e exigência. Como tal, João Capela não tem o direito de protagonizar arbitragens como a de Chaves, onde, uma vez mais, ignorou os regulamentos, inverteu o espírito do jogo e viciou a verdade desportiva. É inacreditável que este farsante continue à solta nos campos de futebol e ainda seja elevado à categoria de internacional. É uma vergonha para a arbitragem portuguesa porem inaptos deste nível tão rasteiro com o apito na boca e ainda fazerem deles a elite, a nata da arbitragem portuguesa.

Tal como Jorge Coroado afirma na sua apreciação, passar o jogo a mostrar os dentes com um sorriso irónico, típico de um puto que sabe que está a fazer uma asneira grossa, não é sinal de sabedoria. Melhor do que ninguém, Capela sabe o que anda a fazer no futebol e a quem anda a tentar agradar, mas, como diz o provérbio, quem se mete por maus caminhos arrisca-se a maus encontros.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Na dúvida, prejudica-se o Porto


Na linha do que vem acontecendo praticamente em todas as jornadas, o FC Porto saiu do clássico do passado domingo com razões objectivas de queixa contra o árbitro. Artur Soares Dias cometeu erros que podem ter tido influência directa no resultado, erros esses que, se tivessem acontecido em prejuízo do clube do regime, teriam motivado uma reacção bem mais agressiva da parte dos rivais e da imprensa da capital. Infelizmente, graças a uma postura de quase total passividade (excepção feita ao Dragões Diário, que fez uma tímida referência à questão da dualidade de critérios) a SAD portista vai deixando caminho livre para o constante branqueamento de uma situação que está a deixar os portistas (e não só) à beira de um ataque de nervos.

Dos três lances polémicos ocorridos na área do Benfica, todos eles susceptíveis de grande penalidade, Artur Soares Dias não marcou nenhum. Esta estatística deveria ser, por si só, motivadora de estranheza, pois não é normal que, perante um considerável número de lances duvidosos, um árbitro decida 100% a favor de uma das equipas. Se acrescentarmos a isto o facto do FC Porto jogar em casa e sabendo-se que a pressão do público exerce normalmente algum efeito sobre as decisões dos árbitros, a postura de Artur Soares Dias assume contornos ainda mais suspeitos.

Atente-se agora à questão dos critérios: se no caso da queda do Otávio e do puxão da camisola ao André Silva a questão da intensidade ainda poderá de alguma forma justificar as decisões do árbitro, já na falta assinalada ao Felipe aos 25 minutos de jogo ficou bem patente uma linha de orientação que tem sido comum a todos os árbitros: na dúvida, prejudica-se o Porto! É que, para além do toque de Felipe na bola ser absolutamente casual (como reconhecem unanimemente os analistas de arbitragem), é Mitroglou quem corta primeiro o centro com o braço, logo, a ser assinalada alguma falta, teria obviamente de ser penalty contra o Benfica. Artur Soares Dias podia ter optado simplesmente por deixar seguir o jogo, considerando que a carambola que a bola fez entre os braços dos dois jogadores foi casual, mas em vez disso optou pela mais ridícula e inexplicável das decisões: ignorou a falta do jogador benfiquista e assinalou falta contra os Dragões, anulando assim um lance de golo feito. 

O que mais revolta nesta postura de constante prejuízo do FC Porto é a sua previsibilidade. Já não estamos aqui a falar de casos isolados, mas da repetição sistemática dos erros de arbitragem, sempre a fazer pender os pratos da balança para o mesmo lado, o que denuncia uma gravíssima padronização comportamental dos árbitros. Parece estar instituído que, em caso de dúvida, os juízes decidam contra o FC Porto, o que, obviamente, se traduz numa clara viciação da verdade desportiva. A brutal diferença de nível verificada no futebol praticado pelo Porto e pelo Benfica neste confronto directo demonstrou de forma clara e inequívoca que o fosso de 5 pontos que se mantém entre o primeiro e o segundo classificados não reflecte o  verdadeiro valor das equipas, sendo antes fruto da interferência directa das arbitragens nos resultados de vários jogos e, consequentemente, na classificação da Liga.  

Parece-me evidente que enquanto as autoridades não actuarem com firmeza na clarificação de casos como o dos presentes aos árbitros e outras manigâncias que vão acontecendo com total impunidade nos meandros do futebol, dificilmente se conseguirá limpar a cabeça dos árbitros, libertando-os das pressões e coacções que, consciente ou inconscientemente, os conduzem ao atropelo dos valores de isenção e idoneidade que deveriam orientar a sua função. Parece-me também claro que  a implementação de meios audiovisuais na arbitragem contribuiria para reduzir os comportamentos de viciação da verdade desportiva a que temos assistido dentro dos campos, pois retiraria aos árbitros uma grande parte do seu poder decisório.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Voucher para o título

Se a análise da imprensa portuguesa a este clássico fosse isenta, séria e verdadeiramente livre de influências e interesses, os títulos dos jornais amanhã diriam algo como isto: EQUIPA BANAL ARRANCA UM PONTO NO DRAGÃO SEM SABER LER NEM ESCREVER!

É inacreditável que uma equipa como o Benfica, que é "só" o tri-campeão nacional, que beneficiava de uma vantagem confortável de 5 pontos (e, como tal, sabia que podia encarar o jogo com toda a segurança sem correr o risco de perder a liderança na classificação) e que, em caso de vitória, aumentaria a vantagem para 8 pontos (o que praticamente decidiria a questão do título a seu favor quando ainda estão por disputar muitas jornadas) tenha vindo ao Dragão jogar como uma equipazeca qualquer do fundo da tabela: sem ambição, sem chama, sem carácter, sem nível. O empate arrancado pelo Benfica no Dragão é muito mais do que simplesmente lisonjeiro, é um presente de Natal antecipado!

A táctica de estacionar o autocarro em frente da baliza, pontapear a bola de qualquer forma para a frente à espera do erro do adversário e queimar tempo até mais não poder enquanto o resultado se manteve em 0-0, pode até aceitar-se em equipas de fracos recursos, mas nunca no Benfica. A paupérrima imagem deixada pelos lisboetas esta noite no Dragão devia envergonhar qualquer adepto encarnado que se preze e revoltar qualquer portista. De facto, permitir o empate nos últimos segundos de jogo, depois de 90 minutos de um domínio avassalador frente a um adversário claramente inferior e praticamente reduzido a um mero espectador, é um voucher para o título oferecido aos lisboetas e um atestado de menoridade que o FC Porto passou a si próprio. Este era um jogo para o Benfica sair do Dragão vergado por uma derrota de 3-0, não com um empate a uma bola!

Ontem, na antevisão ao jogo, quando confrontado com o mau momento de forma evidenciado por Herrena nas últimas partidas, Nuno Espírito Santo afirmou que não concorda com essa visão e que até considera que o jogador tem vindo a assinar boas exibições. Por ser fiel às suas ideias ou por mera teimosia, o treinador deixou Herrera entrar em jogo a poucos minutos do final da partida, depois deste ter visto praticamente todo o jogo no banco. O resultado desta decisão não podia ser mais desastroso: na primeira vez que tocou no esférico, o mexicano quis ganhar um lançamento pontapeando a bola contra as pernas do adversário e acabou por conceder infantilmente o canto que originou o golo do empate. Estão ambos de parabéns, portanto...

Apesar do empate, sai reforçada deste jogo a seguinte ideia: o Benfica é um líder sem categoria absolutamente nenhuma e sem qualquer justiça, cuja vantagem pontual é fruto, não de uma verdadeira superioridade desportiva, mas sim da intervenção directa das arbitragens. Resta saber até que ponto o FC Porto saberá retirar deste frustrante resultado as devidas ilações e, principalmente, a galvanização necessária para continuar a lutar pelo 1º lugar, com a convicção de que, em circunstâncias normais, sem erros próprios e alheios, tem muito mais condições para ser um justo campeão do que os seus rivais da Luz.

sábado, 1 de outubro de 2016

Modo Jorge Jesus ON

"El Sportchén empatchó a los oitchentcha e oitcho minutchos! Putcha que parió!"

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Vira o disco e toca a mesma

Em Leicester, frente ao até aqui inimaginável campeão inglês, o Porto teve duas partes bem distintas: na primeira, não jogou absolutamente nada; na segunda, jogou absolutamente mal. O futebol praticado parece uma daquelas versões renovadas de velhas canções pimba que já eram más no original e piores ficaram depois de arranjadas. E se dos artistas pouco se poderia esperar - já que são praticamente os mesmos das épocas anteriores - já do maestro esperava-se muito, mas muito mais. Infelizmente, Espírito Santo e Lopetegui parecem ter sido colegas de escola e partilhado a mesma carteira. O mesmo jogo pastoso, sem imaginação, sem acutilância, sem objectividade, sem mecanismos, disfarçado por um falso domínio territorial alicerçado na táctica do passe para o lado e para trás.  
Afirmar que o Porto falhou apenas na finalização - como fez o treinador portista após o jogo - quando facilmente se percebe que a equipa foi incapaz de criar situações de perigo junto da baliza adversária, é cair no ridículo. Na verdade, exceptuando o remate ao poste de Corona, só com muita boa vontade se consegue encontrar lances em número suficiente para sustentar a tese da falta de sorte ou de pontaria. Rematar de longe e para a bancada pode até servir para embelezar a estatística do jogo, mas - peço antecipadamente desculpa pela expressão que vou usar, mas não encontro outra melhor - não vale a ponta de um corno!

O pior de tudo é que os portistas começam a dar mostras daquele síndrome dos marinheiros que, quando chegam ao porto após meses de abstinência sexual por falta de mulheres a bordo dos navios, qualquer avantesma lhes parece uma sereia. A crise de futebol é de tal ordem que ver a equipa correr e rematar, mesmo que atabalhoadamente e sem qualquer efeito prático em termos de resultados, já se afigura como um sinal, ainda que pálido, de que alguma coisa se conseguirá retirar desta equipa. Reconheço que, até há pouco tempo, eu também quis fazer parte desse grupo de marujos excitados a calcorrear as docas em busca de animação, mas começo a perder a paciência e o poder de encaixe para tanta fealdade.

Hoje, ainda no rescaldo da derrota em Inglaterra e na véspera da deslocação à Madeira para defrontar o Nacional, vem Marcano afirmar que é preciso dar "um murro na mesa". Ora, um dos grandes inconvenientes de se dar muitos murros nas mesas é, inevitavelmente, alguma coisa acabar por partir: ou a mesa, ou a mão. A repetição sistemática de chavões do tipo "Somos Porto", "Estamos aqui para ganhar", "Vamos dar um murro na mesa", "Temos fome de vitórias", blá, blá blá, assume-se como um mero discurso demagógico quando, na prática, não se encontram acções e reacções que lhe confiram sustentação. E de demagogia, meus caros, já estamos todos fartinhos até à ponta dos cabelos...