segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Mais uma acha na fogueira centralista do Turismo de Portugal

«Os deputados sociais-democratas eleitos pelo Porto consideraram hoje que o "Red Bull é mais uma acha na fogueira centralista que o Turismo de Portugal tem promovido ao longo dos últimos anos face a Lisboa contra o resto do país". Os deputados do PSD eleitos pelo círculo do Porto entregaram hoje uma pergunta na Assembleia da República, dirigida ao primeiro-ministro sobre a transferência da Red Bull para Lisboa e os critérios do Turismo de Portugal para a distribuição de incentivos próprios. O coordenador deste grupo de deputados, Luís Menezes, disse à Lusa que a "Red Bull decidiu mudar a sua localização do Porto para Lisboa por uma questão comercial, por uma questão de dinheiro e com total conivência do Turismo de Portugal". "Isto é mais um facto a somar a tantos outros demonstrativos da paixão centralista que o Turismo de Portugal tem por Lisboa", acrescentou Luís Menezes. Segundo o deputado, "dos 70 milhões de euros de incentivos próprios que o Turismo de Portugal atribui em 2008 ao país como um todo, 70% foram investidos no distrito de Lisboa, ou seja, 49 milhões de euros". "Desses 49 milhões de euros, 43 milhões de euros foram investidos só na cidade de Lisboa, o que quer dizer que Lisboa teve 64% de todos os incentivos próprios que o Turismo de Portugal atribui em 2008", explicou. Luís Menezes denunciou ainda o facto de "em Lisboa as taxas de participação do Turismo de Portugal nos investimentos são de cerca de 50% enquanto que há distritos como o Porto ou Leiria em que as taxas de comparticipação são de 5%"."É preciso ter descaramento para que, de forma reiterada, continuemos com este tipo de atitudes discriminatórias de Lisboa face ao resto do país", considerou o deputado, que acrescentou ainda que "o Turismo de Portugal deve explicações sérias sobre quais os critérios para a distribuição dos fundos".Luís Menezes justificou o envio da pergunta ao Primeiro-ministro por considerar "que é da maior relevância que o líder da equipa governativa tenha conhecimento desta situação"."Nós vamos esperar por uma resposta muito concreta do Turismo de Portugal e esperamos que essa resposta seja o mais rápida possível porque queremos fazer com que durante o ano de 2010 o Turismo de Portugal paute a sua actuação por uma distribuição mais equitativa de promoção turística das várias zonas do país", salientou. A pergunta hoje entregue pelos deputados sociais-democratas do Porto refere que a "intervenção do Turismo de Portugal foi decisiva para a deslocalização do evento para Lisboa, em desfavor das cidades do Porto e de Vila Nova Gaia e de toda a região Norte do País". "O Governo e o Turismo de Portugal mostraram claramente a sua total indiferença e preocupação por uma saudável distribuição de verbas e eventos de dimensão mediática com elevado retorno turístico, pelas diferentes regiões do país", continua o documento, que acrescenta ainda que "o seu aparente silêncio perante esta situação foi cúmplice de mais uma atitude característica do centralismo há muito reinante no nosso país".»

domingo, 27 de dezembro de 2009

O Mundial dos jovens pasteleiros

«Tentei ontem conhecer o nome do vencedor do Campeonato do Mundo dos Jovens Pasteleiros, mas não o consegui. O site da Associação de Hotelaria e Similares de Portugal (AHRESP) disse-me que eu não tinha permissão para aceder a essa extraordinária informação sobre a prova que decorreu de 31 de Março a 2 de Abril do ano passado em Lisboa.

Apesar de esse magnífico certame ter tido o apoio do Turismo de Portugal no valor de 50 mil euros - tanto como o Fantasporto, e mais do que todo o distrito de Aveiro durante todo o ano de 2008 - não consigo assim dizer aos meus eventuais leitores quem foi esse magnífico vencedor, como não sei se se distinguiu a cozinhar o “Melhor do Mundo” ou rabandas.

Os números que a Câmara do Porto divulgou sobre os apoios dados pela Turismo de Portugal em 2008 são, de facto fantásticos: 61% (43 milhões de euros) foi para o concelho de Lisboa. Concelho, repito, nem sequer é o distrito.

Dizem-me que é por causa das contrapartidas pagas pelo Casino de Lisboa e que isso explica tudo.

Para mim isso não explica nada. Ou então deixem-me fazer um casino no Porto. Melhor ainda: apliquem a essas contrapartidas, o princípio do “spill over” que permite gastar dinheiros europeus em regiões já com nível acima da média europeia, tal como tem acontecido com inúmeros benefícios para Lisboa, e assim as coisas já ficam mais justas.

Agora, quererem convencer-me de que o projecto “Ao domingo o Terreiro do Paço é das pessoas”, que teve direito a nada menos de 600 mil euros, ou esse piramidal projecto de animação dos coretos de Lisboa que mereceu 300 mil euros, são boas aplicações dos dinheiros do Turismo de Portugal, isso não conseguem. Se é a lei que está mal, ela já se devia ter mudado.

Curiosamente Luís Patrão, patrão da Turismo de Portugal, em declarações ao GP, justificou há dias o corte no apoio ao Concurso de Saltos Internacional de Matosinhos com o facto de o dinheiro não estar a servir para a internacionalização da prova, como era suposto. As “Redes pedonais e percursos cicláveis de Lisboa” tiveram direito a 1.1 milhões de euros e já agora, gostava de saber em que é que internacionalizam a nossa querida capital.

Mas por aqui percebe-se bem porque não há Regionalização. Como é que isto iria ser possível num quadro regionalizado? As Regiões teriam muito maior capacidade na barganha por estas verbas e não iria ser fácil ao Estado colocar o dinheiro todo no mesmo cesto. Esta gente, como a que manda no Turismo dito de Portugal, é precisamente a que tem poder e que não é escrutinada. Com a Regionalização seria, fatalmente.

Mas também, no meio disto tudo, gostaria de ter visto uma reunião da Junta Metropolitana do Porto que congregasse os seus municípios numa crítica clara ao que tem sido este regabofe do Turismo de Portugal, ao que foi a história da Red Bull e da sua viagem para Lisboa porque “havia limitações no Porto em Gaia”, como disse o responsável da Red Bull em frente aos autarcas António Costa e Isaltino Morais, sentados lado a lado.»

Artigo publicado no Semanário Grande Porto, da autoria de Manuel Queiróz.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A Luz ao fundo dos túneis

No decorrer desta época futebolística, foram já várias as vezes em que ocorreram graves distúrbios nos túneis dos estádios. Ora, se por um lado é verdade que estes distúrbios ocorreram de Norte a Sul do país, não é menos verdade que todos eles tiveram um denominador comum: o SLB. É claro que, para quem acredita em coincidências, tal facto não deverá passar de um mero acaso, de um pontapé na lógica, de uma excentricidade do destino. No entanto, ninguém que tenha um par de olhos na cara poderá deixar de reconhecer que começa a ser demasiado evidente a existência de uma ligação directa ao clube da Luz.
Depois do Leixões, do Braga e do Olhanense, chegou a vez do FC Porto se ver confrontado com um caso, ocorrido no túnel da Luz após o jogo com o Benfica, que envolveu Sapunaru e Hulk e do qual resultou a suspensão dos dois jogadores, hoje anunciada pela Liga. O árbitro já fez saber através do seu relatório que a situação foi despoletada por uma provocação de um "Steward" aos jogadores portistas, algo que não justifica a reacção dos jogadores mas que explica muita coisa.
Veremos pois no que isto vai dar mas, não sei porquê, estou com a mesma sensação que tive quando o Diabo de Gaia invadiu o terreno de jogo para ir agredir o juiz-de-linha. Algo me diz que o tal "denominador comum" vai passar incólume por mais esta situação, ou não estivesse a decisão nas mãos do digníssimo dr. Ricardo Costa.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Verdades que custam a dizer a uns e que doem a ouvir a outros

1ª Verdade: o Benfica jogou melhor do que o FC Porto e mereceu a vitória no clássico. A equipa da Luz está de parabéns.

2ª Verdade: o Jesualdo Ferreira fez mais uma asneirada das suas ao incluir Guarin e excluir Belluschi. Pior ainda, apostou em Hulk a tempo inteiro em detrimento de Varela, algo que só pode passar pela cabeça de quem não vê os jogos do Porto ou precisa de ir ao oculista. Graças a isto, o Porto passou os 90 minutos a tentar criar uma jogada com cabeça, tronco e membros, sem nunca o conseguir.

3ª Verdade: Lucílio Baptista teve, uma vez mais, influência directa, não apenas no resultado da partida, mas em todo o desenrolar da mesma. O árbitro de Setúbal está cada vez mais conotado com as recentes conquistas do SLB. Podem falar muito do penalty (óbvio e indiscutível, refira-se) que ficou por assinalar contra o Porto na fase final da partida, mas quando um árbitro passa os primeiros 45 minutos a fazer vista grossa ao que se passa na área do Benfica, deixando passar em claro uma rasteira ao Hulk e um corte com o braço de Cardozo, estamos conversados quanto à tendência dos seus critérios.

4ª Verdade: Portugal tem uma comunicação social intelectualmente corrupta e vendida aos interesses do lobby lisboeta. Só assim se compreende que não tenham tido o menor interesse em referir que o golo do Benfica (que acabou por decidir o jogo) nasce de uma jogada que deveria ter sido anulada logo à partida, uma vez que o Urreta está claramente em fora-de-jogo no momento em que recebe o passe do seu companheiro. Os canais televisivos focaram apenas o golo em si, desviando assim as atenções do que se passou antes. É claro que, agora que o mal está feito, de nada adianta referir o erro do árbitro, mas que outras motivações pode ter a imprensa nacional em escamotear a verdade aos olhos do público senão a de induzir em erro a sua opinião e proteger os interesses da equipa beneficiada?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Lucílio Calabote Baptista

Quando o Jorge Sousa foi escolhido para arbitrar o jogo entre o Vitória de Guimarães e o FC Porto, pensei cá com os meus botões: "Pronto, estes gajos estão a preparar o caldinho para sobrar apenas o Lucílio Baptista para o jogo com o Benfica." Pois, cá está ele! Não, não sou bruxo nem tenho um dedo que adivinha. Apenas já levo anos de vida suficientes para saber como se passam as coisas nos meandros do futebol português. E tal como acertei na escolha do árbitro, também não corro demasiados riscos de falhar se disser que o FC Porto vai jogar contra 14 adversários no próximo Domingo. Vai uma aposta?
Mas, sejamos optimistas, nem tudo é mau nesta escolha do árbitro. Desta forma, o SLB poderá organizar uma homenagem antes do jogo para agradecer ao Lucílio Baptista a sua preciosa colaboração na conquista da Carlsberg Cup, o único troféu ganho pelo Benfica na época passada. Não é todos os dias que se tem a oportunidade de homenagear as grandes figuras do clube da Luz e há que agradecer à Comissão de Arbitragem por esta honrosa iniciativa em época natalícia. Em retribuição por este justo acto, o árbitro de Setúbal poderá ir fantasiado de Pai Natal, pois não só as cores estarão a condizer com o ambiente, como ainda poderá surpreender os adeptos da casa oferecendo-lhes os três pontos que leva no saco. Ah, como é lindo o Natal!...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Corrida aérea dos bois vermelhos

Antes de mais devo confessar que, na perspectiva meramente desportiva, tanto me faz como se me deu que a Red Bull Air Race vá para Lisboa, para Marrocos ou para a China. Fui ver a primeira edição da corrida e, muito sinceramente, não fiquei fã, em parte devido às más condições em que me encontrei (digamos que estar de pé durante horas, debaixo de um calor tórrido e com o pescoço dorido de tanto olhar para cima não é uma das minhas formas preferidas de passar um Sábado) mas também porque a corrida, sendo disputada à centésima de segundo, dá pouca margem de manobra para variações, pelo que os pilotos executam as manobras com um automatismo que lhe confere uma monotonia atroz. De qualquer forma, tenho a perfeita noção de que este evento foi uma mais-valia para as cidades do Porto e de Gaia pelos dividendos que dele advieram, pela dinamização comercial do espaço das duas Ribeiras, pela divulgação turística das cidades, etc, etc, etc. Nessa perspectiva, o desvio da Red Bull Air Race para Lisboa é efectivamente um atentado às duas cidades nortenhas e é perfeitamente natural que as suas gentes se sintam insultadas e roubadas na verdadeira acepção da palavra.
Lisboa comportou-se neste caso como um daqueles putos mimados que não podem ver os outros meninos com um brinquedo novo que não tenham de ir logo tentar roubá-lo ou estragá-lo. Havia mesmo necessidade de desviar a Red Bull Air Race para Lisboa? Não há outros eventos interessantes e originais que pudessem trazer para Portugal por iniciativa própria, sem necessidade de ir imitar ou, pior ainda, prejudicar aqueles que tomaram esta iniciativa primeiro?
São estas atitudes vergonhosas que demonstram a falta de respeito que Lisboa tem, não apenas pelas cidades do Porto e de Gaia, mas por todo o resto do país e que põem a nu a política extremamente centralista com que asfixia Portugal.
Os portugueses sempre se orgulharam da coragem demonstrada pelos seus antepassados que partiram à conquista do Mundo. Está na hora de, também nós, honrarmos a nossa identidade. Por um país livre, desenvolvido e justo, REGIONALIZAÇÂO JÁ!

Jesualdo versus Jesus: um duelo privado

Já tinha escrito aqui que a acção do Jorge Jesus tem sido preponderante para o futebol vistoso que o Benfica tem praticado nesta época, visto que o treinador não se cansa de incentivar os seus jogadores a darem o máximo durante os 90 minutos de jogo, exigindo que a equipa marque mais e mais golos. No entanto, por muito que esta filosofia faça as delícias dos adeptos, Jorge Jesus parece esquecer ou desconhecer (provavelmente devido à sua parca experiência em futebol do mais alto nível) que uma época não se decide em meia-dúzia de jogos e os jogadores não são máquinas. Mais tarde ou mais cedo, esta pressão absurda, quase doentia, sobre os jogadores vai acabar por traduzir-se em cansaço físico e em lesões graves que irão afectar a equipa precisamente quando a época entrar na sua fase mais decisiva. Ora, no seguimento desta análise, a jornada anterior ofereceu-nos mais um dado que parece apontar para esta simples conclusão: Jorge Jesus não sabe gerir uma equipa de alta competição.
Sabendo que Álvaro Pereira se encontrava em risco de ficar de fora do confronto com o Benfica caso visse o 5º cartão amarelo no jogo com o Vitória de Setúbal, Jesualdo Ferreira decidiu jogar pelo seguro, não convocando o uruguaio para este jogo. Dessa forma, o treinador portista garantiu inteligentemente a presença do titular da posição de defesa esquerdo no clássico do próximo Domingo. Pelo contrário, Jorge Jesus não deixou de convocar todos os seus principais titulares para o jogo com o Olhanense, incluindo aqueles que se encontravam em risco pelos mesmos motivos. Graças a essa decisão, o Benfica não poderá contar com a prestação de Fábio Coentrão por estar castigado e bem pode agradecer ao jovem árbitro Artur Soares Dias a simpatia de ter poupado David Luiz de idêntico destino quando o defesa encarnado atingiu ostensivamente o seu adversário com a sola da bota numa das muitas quezílias que se verificaram entre os jogadores. O clássico só se joga no próximo Domingo mas, no duelo particular entre os treinadores, o Professor já está a ganhar por 1-0.
Além da questão da má gestão dos castigos, há ainda outro factor a analisar: o Benfica gastou, esta época, muitos milhões de Euros para reforçar o plantel, mas o seu treinador demonstra muita relutância em substituir os habituais titulares por suplentes, deixando passar a ideia de que tem falta de confiança nestes jogadores, o que poderá dar origem a algum desagrado no balneário. Sempre se ouviu dizer que em equipa que ganha não se mexe, mas quando alguns dos titulares estão em risco de ficar de fora de um jogo de elevada importância como é o do próximo Domingo frente ao FC Porto, não se justificaria outra atitude mais arrojada? E se a tudo isto juntarmos o facto do Di Maria ter sido escolhido para ocupar a posição do lesionado Pablo Aimar com o resultado desastroso que se viu, estamos conversados quanto às capacidades de gestão do plantel demonstradas por JJ.
Perante estes dados, rapidamente surgiu quem defendesse que o jogo do Porto com o Vitória de Setúbal seria de um grau de dificuldade mais baixo e, como tal, mais propício a alterações na equipa do que o do Benfica no estádio do Olhanense. No entanto, se analisarmos a situação destas duas equipas na tabela classificativa, verificamos que ambas ocupam precisamente os dois lugares abaixo da linha de água. Não será uma vergonha para o Benfica desculpar-se das más decisões do seu treinador com a justificação de que o jogo com o Olhanense seria muito difícil quando estamos a falar do confronto entre um alegado candidato ao título e um candidato à descida de divisão?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Acordaste agora, Platini?

Quando o Michel Platini veio a público chamar batoteiro ao FC Porto, muita gente percebeu que o presidente da UEFA estava a meter-se por um mau caminho. Quem faz acusações precipitadas e sem fundamento arrisca-se a ver-se posteriormente na contingência de ter de se retratar caso se venha a provar a inocência do visado. O encerramento do processo Apito Dourado com o desfecho que se viu (nunca a expressão "a montanha pariu um rato" se aplicou de forma tão apropriada como neste caso) e a decisão do TAS claramente favorável aos azuis e brancos deixaram Platini numa posição muito delicada perante a opinião pública, pelo que já estava a tardar uma declaração sua sobre esta questão.
Hoje, o presidente da UEFA veio finalmente a público afirmar que agora tem a certeza de que o FC Porto não é batoteiro. Pois, até aí já nós tínhamos chegado há muito tempo! Vistas bem as coisas, batoteiro é mesmo o sr. Platini que difamou o nome do FC Porto e pretendeu impedi-lo de participar na Liga dos Campeões sem nada que o justificasse. Resta-lhe apenas a desculpa de ter sido vítima da máfia que originou esse processo obsceno a que chamaram Apito Dourado, mas nem isso justifica tamanha falta de responsabilidade e de bom senso de quem ocupa o mais alto cargo do futebol europeu.
Esta declaração do presidente da UEFA é mais uma contribuição para que fique reposta a verdade, mas nem assim conseguirá ressarcir o Dragão (e, porque não dizer mesmo, Portugal) do prejuízo em termos de imagem internacional causado por este processo vergonhoso, originado pela frustração e inveja de gente medíocre e pobre de espírito que, perante a incapacidade de obter resultados desportivos que sustentem os epítetos grandiosos com que tanto gostam de propagandear os seus clubes, recorrem a esta verdadeira política de guerrilha para denegrir o mérito dos clubes alheios. É necessário e impreterível que o FC Porto avance, o mais breve quanto possível, com um processo na Justiça contra essa escumalha, exigindo a reposição da verdade e o esclarecimento público da difamação de que foi alvo, assim como a devida indemnização de todos os danos patrimoniais e morais.

domingo, 22 de novembro de 2009

Benfiquismo: o cancro da sociedade portuguesa

Eu simpatizo com o SL Benfica enquanto instituição desportiva pelo seu longo historial em prol do desporto português, respeito o clube pela boa imagem de Portugal que transmitiu além fronteiras nos seus tempos áureos e admiro-o pelo que fez em benefício de muitas gerações de jovens desportistas. Digo isto com a mesma frontalidade com que assumo a minha mais completa repulsa por esse verdadeiro cancro da sociedade portuguesa que é o benfiquismo.
A esmagadora maioria dos benfiquistas são pessoas que nasceram em cidades de menor dimensão ou em vilas e aldeias de Portugal e que, por uma questão de vergonha ou de falta de orgulho no pouco que possuem, optam pelo caminho fácil de se dizerem adeptos do Benfica, convencidos de que isso lhes atribui um estatuto superior de forma cómoda e sem esforço. Ser benfiquista representa assim a intenção medíocre de lucrar sem trabalho, a auto-promoção social à custa dos louros alheios, a incompetência e a preguiça para lutar pelo desenvolvimento e crescimento daquilo que é verdadeiramente seu. Não admira, portanto, que os benfiquistas sejam, entre os adeptos dos três clubes grandes, aqueles que mais uso fazem de epítetos extraordinários e espampanantes com que se referem ao seu clube: o “Glorioso”, “o Colosso”, o “Maior do Mundo”, o "Clube dos 6 milhões", etc. Tudo isto faz parte do show-off montado em torno do Benfica, um cenário de grandeza fictícia que serve para alimentar os egos dos benfiquistas na sua pretensão de se auto-promoverem à custa do clube lisboeta.
Também não admira que os benfiquistas reajam de forma tão agressiva, por vezes fanática, sempre que o Benfica é criticado ou alvo de uma qualquer acusação, por mais fundamentada e legítima que esta seja. Na verdade, não é o facto do clube em si ser atacado que origina essa reacção intempestiva e desmesurada, pois a sua relação com o clube é extremamente distante. É, isso sim, o facto de sentirem que a crítica ou a acusação põe em causa a sua própria imagem enquanto benfiquistas, essa imagem que adoptaram para auto-promoção, transformando assim aquilo que não deveria passar de um assunto do foro futebolístico numa questão pessoal, um ataque à sua própria pessoa.
Na sua esmagadora maioria, os benfiquistas vivem a centenas de quilómetros de Lisboa e passam as suas vidas sem nunca porem os pés no Estádio da Luz, algo que contraria frontalmente aquilo que se entende por ser adepto. No entanto, o distanciamento que se verifica entre os benfiquistas e o Benfica não é apenas geográfico mas também cultural, pois estas pessoas pouco ou nada se identificam com a cultura lisboeta: não gostam de touradas, não ouvem fado, não comem caracóis, não falam com a efeminada pronúncia alfacinha, não festejam o Santo António, não chamam “bica” ao café expresso, etc, etc, etc. Assim, para justificar a sua improvável ligação a um clube de Lisboa, adoptam muitas vezes justificações filosóficas do tipo "existe uma mística que ninguém consegue explicar…", o que não passa, no fundo, de uma desculpa esfarrapada para justificar algo que não têm coragem nem interesse em reconhecer: a sua falta de capacidade para lutar por aquilo que é verdadeiramente seu.
É evidente que esta estratégia de auto-promoção fácil nem sempre funciona como se espera, principalmente porque existem outros portugueses que não se deixam enveredar por este “carneirismo” e que teimam em defender e desenvolver os clubes das suas próprias cidades, impedindo assim que o Benfica consiga concretizar as conquistas desportivas que permitiriam fundamentar os epítetos e a imagem de grandeza fictícia criada em torno de si. Além disso, apesar do show-off que tanto gostam de alimentar, os benfiquistas mais jovens nunca viram o Benfica vencer nenhuma competição internacional, nunca sentiram a emoção de festejar nas ruas da sua cidade a conquista de uma Liga dos Campeões Europeus, não conhecem o orgulho de ver o seu clube atingir o topo do futebol mundial ganhando uma Taça Intercontinental. Os feitos gloriosos do passado longínquo são-lhes transmitidos por relatos na terceira pessoa e por imagens a preto e branco. Pelo contrário, os adeptos rivais da mesma idade já festejaram, por esta altura das suas vidas, vários troféus internacionais. Este facto choca frontalmente com a sua versão de “Glorioso”, “Colosso” e “Maior do Mundo”, suscitando invejas, frustrações e ódios que, por sua vez, originam a segunda influência mais nefasta do benfiquismo na sociedade portuguesa: a desvalorização do mérito alheio e a responsabilização de terceiros pelos erros próprios em absurdas e infantis teorias de conspiração.
No início da época passada, os benfiquistas tentaram roubar ao FC Porto o lugar na Liga dos Campeões à custa de um estratagema de secretaria que, mais do prejudicar o clube azul e branco, veio denegrir a imagem de Portugal aos olhos da Europa. Também o fim do processo Apito Dourado, com os resultados que se conhecem, veio demonstrar que o mesmo não passou de mais uma estratégia obscena e desesperada para roubar ao FC Porto aquilo que conquistou com inteiro mérito. Estes são dois dos melhores exemplos da frustração a que o benfiquismo chegou na sua ânsia de destruir aqueles contra quem não tem argumentos para vencer de forma limpa e ilustram a política de terra queimada adoptada, em extremo desespero, pelos benfiquistas: se não podemos conquistar, destruímos tudo. É óbvio que esta política só terá sucesso enquanto a imprensa lisboeta, impregnada de jornalistas intelectualmente corruptos, continuar a dar-lhe cobertura, numa descarada inversão dos valores de ética e isenção jornalísticos que lhes são exigidos, muitas vezes hipocritamente justificada com as alegadas necessidades de sobrevivência financeira. E claro, enquanto as autoridades lisboetas continuarem a esbanjar milhões de euros que são de todos nós em processos estéreis que apenas servem para alimentar o ego e esconder a frustração de alguns.
Qualquer pessoa que goste de futebol sabe que os campeonatos de Espanha e de Inglaterra são os maiores e mais competitivos da Europa. Quem acompanha estes campeonatos com certeza já constatou que, em qualquer dos jogos realizados, os estádios estão cheios de adeptos que apoiam a equipa que joga em casa, mesmo quando esta recebe a visita de clubes de maior dimensão. Isto acontece porque, nestes países, a população goza de um forte espírito bairrista ou mesmo regionalista, o que permite que cada clube beneficie do apoio incondicional da população da cidade ou região que representa, tornando-se assim mais competitivo e financeiramente mais estável. Ninguém duvida que o Barcelona não seria o colosso que é se não fosse pelo poder mobilizador que possui como bandeira da Catalunha. Ninguém duvida que o Manchester United nunca seria o que é se as suas gentes optassem por apoiar as equipas de Londres. Ora, esta situação não acontece em Portugal porque, graças aos interesses de Lisboa, generalizou-se, junto da população, a ideia pré-concebida de que o bairrismo e o regionalismo são coisas negativas prejudiciais aos país. Assim, apesar de existirem alguns clubes de carácter claramente regionalista (como são os casos do FC Porto e do V. Guimarães), a maioria dos portugueses enveredou pelo benfiquismo, o que contribuiu para a derrocada completa da competitividade do campeonato português. De facto, não faz sentido absolutamente nenhum que um país pequeno, com apenas 10 milhões de habitantes, tenha 3 milhões de seguidores do mesmo clube (e não os 6 milhões que algum pateta se lembrou de inventar e que muita gente ignorante assumiu como realidade). Nem faz sentido que vastas regiões do país com importância económica e política (como são os casos de Trás-os-Montes, Algarve e Alentejo) não possuam presentemente nenhum clube representativo na Primeira Liga, salvo a honrosa excepção do Olhanense que subiu de Divisão este ano. Se isto acontece é porque algo está muito errado em Portugal.

Crónica de uma polémica anunciada

Por muito mau que fosse o terreno de jogo na Bósnia, pretender, de alguma forma, comparar esse relvado com esta espécie de pantanal onde a FPF pretendia realizar o jogo entre a UD Oliveirense e o FC Porto para a Taça de Portugal só pode ser uma brincadeira de mau gosto ou uma demonstração de completa desonestidade. De facto, basta observar as imagens televisivas para perceber que o relvado bósnio era um verdadeiro tapete verde quando comparado com aquela massa disforme de cor acastanhada em que a chuva transformou o relvado do Estádio Carlos Osório. Não obstante este facto, a verdade é que a FPF protestou veementemente a decisão da FIFA de permitir a realização do jogo Bósnia-Portugal num relvado em más condições mas, poucos dias depois, pretendeu realizar um jogo da Taça de Portugal noutro relvado que estava visivelmente em muito pior estado que o da Bósnia, o que é totalmente incompreensível e inaceitável. E já agora acrescente-se que também não se compreende que a maioria dos portugueses tenha concordado com a posição da FPF em relação ao jogo do play-off para o Mundial e agora venha tomar uma posição completamente contrária em relação ao jogo da Taça de Portugal. Mudaram de ideias sobre o assunto dos relvados só porque agora é o FC Porto a protestar? A isso, na minha terra, chama-se hipocrisia. E se a isto juntarmos o facto dos Pescadores da Costa da Caparica irem receber o Sporting em casa emprestada, mais precisamente no Estádio do Restelo, sem que tal facto tenha motivado qualquer reacção de protesto destes pseudo-defensores da verdade desportiva, então estamos conversados quanto aos verdadeiros motivos que movem esta gente.
Além do relvado, a FPF protestou também pelo facto da FIFA ter permitido que o estádio bósnio enchesse muito acima da sua capacidade máxima. Não se compreende que agora venha alegar que estavam reunidas todas as condições de segurança quando era do conhecimento público que o clube de Oliveira de Azeméis tinha mandado retirar as cadeiras para duplicar a capacidade do estádio. E, acrescente-se mais uma vez, também não se compreende a mudança de opinião do público sobre esse assunto em tão poucos dias, em mais uma evidente demonstração de hipocrisia e incongruência que só vem reforçar a triste e medíocre imagem do povo português.
Qualquer pessoa com um par de olhos na cara e dois dedos de testa percebe que todo este imbróglio devia ter sido evitado pela FPF e que tal só aconteceu graças à incompetência de quem dirige o futebol português. Se existe alguém que merece ser criticado, esse é, obviamente, a FPF, e nunca os clubes intervenientes que acabaram por ser as principais vítimas desta situação. A tentativa forçada de lançar as culpas para cima do FC Porto quando este, com toda a legitimidade e de forma atempada, se preocupou em chamar a atenção das entidades responsáveis para problemas que eram visíveis e óbvios aos olhos de toda a gente, não passa de uma manobra de diversão tão óbvia e descarada que só convence as mentes mais simplórias. Infelizmente, em Portugal parecem existir seis milhões destas.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O campeão das simulações

Quando o Benfica conseguiu vencer em Paços de Ferreira sem que o árbitro do encontro, João Ferreira, tenha inventado o penalty da praxe a seu favor, eu levantei aqui no blog uma questão: será que a tradição já não é o que era ou o milagre deveu-se apenas ao facto de Aimar não ter jogado?
Ontem, no jogo Benfica-Nacional, o Aimar voltou ao activo e as dúvidas dissiparam-se:

Jorge Coroado - «Não houve qualquer grande penalidade cometida por Felipe Lopes. O campeão das simulações ludibriou mais uma vez o oficial de jogo.»

Rosa Santos - «Não há falta de Felipe Lopes, mas antes simulação de Aimar, a quem devia ser exibido o cartão amarelo.»

António Rola - «Lance de difícil julgamento. Felipe Lopes coloca a perna esquerda à frente de Aimar, mas, na minha opinião, é Aimar que provoca o contacto, não havendo falta para grande penalidade.»

Entretanto, frente ao Nacional o Benfica viu aumentar o número de penalties assinalados a seu favor para 7, mais do dobro dos que foram assinalados a favor dos portistas (3). Nada haveria a dizer se todos eles tivessem sido bem assinalados, mas depois do que se viu em Leiria e ontem na Luz, é caso para dizer que, se isto continuar, mais vale entregar já o título ao SLB e acabar de vez com esta palhaçada.

Dar o litro... até dar o berro

Este é um filme já muitas vezes visto nas últimas décadas: o Benfica entra bem no campeonato, impulsionado, em grande parte, pelo entusiasmo irrealista criado pelos seus dirigentes, a euforia desmedida alimentada pela corrupta imprensa lisboeta e a crença precipitada dos seus adeptos de que "este ano é que vai ser". Depois, a equipa começa a sentir os primeiros desaires e a excitação colectiva transforma-se rapidamente num descontrolo emocional, um estado geral de pânico e intolerância agravado por muitos anos sem ganhar nada de jeito.
Este ano, não há dúvidas de que a equipa encarnada está a praticar um futebol vistoso e espectacular que se tem traduzido em goleadas consecutivas. A acção do Jorge Jesus tem sido preponderante, visto que o treinador não se cansa de incentivar os seus jogadores a darem o litro durante os 90 minutos que duram os jogos, exigindo que a equipa marque mais e mais golos, para delírio dos benfiquistas. O que Jorge Jesus parece esquecer ou desconhecer, provavelmente devido à sua parca experiência em futebol do mais alto nível, é que uma época não se decide em meia-dúzia de jogos e os jogadores não são máquinas. Mais tarde ou mais cedo, esta pressão absurda, quase doentia, sobre os jogadores vai acabar por traduzir-se em cansaço físico e em lesões graves que irão afectar a equipa precisamente quando a época entrar na sua fase mais decisiva. Nessa altura, como sempre acontece, os benfiquistas vão descer à terra e assumirão aquela que é a sua típica atitude: despejar a sua raiva sobre o FC Porto e acusar os árbitros de serem os culpados pelas derrotas. É triste que anos e anos de erros crassos não lhes sirvam de lição.

Duas verdades incómodas

Por muito que custe aos portistas admitir, o Benfica está, de facto, a praticar um futebol espectacular e merece estar na liderança do campeonato.

Por muito que custe aos benfiquistas admitir, esta é a primeira vez nos últimos 10 anos em que o Benfica merece, de facto, estar na liderança do campeonato.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Os desesperados

Os Dragões já se habituaram a ser alvo de todo o tipo de ataques que os rivais inventam no sentido de disfarçar a frustração e o desespero motivados por várias décadas de hegemonia azul e branca. Durante muitos anos, a arbitragem e o célebre “sistema” estiveram sempre na ordem do dia, servindo como justificação para os insucessos e encobrimento para toda a mediocridade e incompetência que grassava para as bandas de Lisboa, mas a derrocada final do processo Apito Dourado, com a ilibação total de Pinto da Costa e do FC Porto, abalou a credibilidade desse argumento. No entanto, o desespero faz milagres e não tardou que esta gente inventasse outro pretexto para pôr em causa a justiça das conquistas do FC Porto que tanto prurido lhes causa. A questão dos jogadores emprestados pelos azuis e brancos aos clubes pequenos tornou-se agora na tábua de salvação a que milhões de desesperados se agarram na tentativa de manter a flutuar a pouca fé que ainda resta nos seus patéticos clubes. Do que esta pobre gente se esquece é que esse argumento só faria sentido se acreditássemos na suspeição por si levantada sobre o profissionalismo, a força de carácter e a honestidade dos jogadores emprestados. Ora, as imagens televisivas e a crítica futebolística têm sido mais do que suficientes para contrapor a falácia a que esta gente recorre para alimentar essa suspeição, pois as excelentes exibições protagonizadas pelos jogadores emprestados frente ao FC Porto não deixam margem para dúvidas sobre a seriedade dos mesmos.
Contra todas as evidências, existem pessoas que insistem em fazer prevalecer as suas teorias da conspiração, dando mostras de uma mentalidade doentia que nem o fanatismo clubístico permite justificar. Desta forma, não admira que, antes do jogo que o FC Porto realizou com o Braga, muitos energúmenos tivessem enchido os sites dos jornais desportivos on-line com as mais diversas acusações e suspeições sobre a equipa orientada por Domingos Paciência. A verdade é que, uma vez mais, esta escumalha foi completamente humilhada pela vitória e exibição convincente da equipa minhota, mas nem esta bofetada de luva branca foi suficiente para os fazer corar de vergonha. Bastaram apenas duas semanas para que a mesma alimária voltasse ao ataque, desta vez contra o Olhanense, equipa orientada pelo histórico capitão Jorge Costa. A exibição excepcional dos jogadores emprestados pelo FC Porto, dos quais se destacaram Ukra e Castro, não deixou margem para dúvidas quanto à entrega e seriedade destes jovens, nem tão-pouco do seu treinador que procurou jogar de igual para igual frente aos tetra-campeões nacionais, fazendo uso de todas as armas de que dispunha.
Perante a podridão intelectual demonstrada por esta ralé e a facilidade irresponsável e infantil com que levantam suspeições gratuitas pondo em causa a hombridade de profissionais com provas dadas, seria interessante verificar a verborreia que não iriam vomitar caso fosse o FC Porto a marcar golos nos primeiros dez minutos de jogo, tal como aconteceu com o Benfica por três vezes em apenas sete jornadas. Não é difícil de adivinhar que, nesse caso, tal seria encarado como uma prova evidente das alegadas facilidades de que o FC Porto beneficia.
Veremos agora quem será a próxima equipa a ser acusada de facilitar a vida aos Dragões. Será o Vitória de Setúbal que fez a vida negra ao Benfica, perdendo apenas por…8-1?

Atestado de incompetência

No final do clássico do Dragão, Jesualdo Ferreira teceu algumas considerações que deveriam ter sido alvo de maior atenção e análise. Infelizmente, tais considerações passaram praticamente despercebidas uma vez que a comunicação social preferiu direccionar os microfones para Paulo Bento que, dando largas ao mau perder habitual, foi fazendo as delícias da imprensa que teve assim polémica para encher os seus programas e páginas de jornais durante uma semana.
Quando lhe perguntaram porque tinha decidido colocar Hulk a jogar do lado direito do ataque, o treinador portista respondeu que sabia que daquele lado iria estar Grimi, um defesa que apresentava pouco ritmo e que teria muitas dificuldades para travar o avançado brasileiro. Esta afirmação, não só demonstra que o senhor professor fez o trabalho de casa, analisando os pontos fracos do adversário e movendo as peças do seu xadrez de forma a retirar proveito dessas fraquezas, como constitui um verdadeiro atestado de incompetência para o treinador do Sporting. De facto, qualquer pessoa que tenha assistido ao jogo percebeu que Hulk entrou pelo lado esquerdo da defesa sportinguista como quis e bem lhe apeteceu, já que Grimi se mostrou incapaz de travar as suas investidas. Foi desse lado que surgiram os lances de maior perigo para a baliza leonina, incluindo o livre que deu origem ao golo do Porto e o penalty que originou a expulsão do Polga. E por falar em Polga, escreveu-se muito sobre os erros que cometeu, mas esqueceram-se de dizer que o central procurou sempre apagar os incêndios provocados pelo Hulk graças à impotência de Grimi. Ora, o que fez Paulo Bento perante isto? Nada! O treinador sportinguista foi incapaz de prever, antes da partida, as dificuldades que o defesa esquerdo iria ter com o Hulk pela frente e, já no decorrer do jogo, não teve capacidade para alterar a sua equipa de forma a contrariar as evidências. Limitou-se a passar os noventa minutos a esbracejar e a protestar por tudo e por nada e não se coibiu, no final, de atirar as culpas da derrota para cima do árbitro. Tudo isto, obviamente, com a cumplicidade da comunicação social que foi incapaz de o confrontar com os seus próprios erros, preferindo dar-lhe tempo de antena para despejar o seu fel e desviar as atenções para uma questão que nem sequer é da sua competência comentar.

Que Deus nos dê paciência

Não há dúvidas nenhumas de que a escolha de Duarte Gomes para arbitrar o clássico do Dragão entre o Porto e o Sporting foi um erro monumental de quem dá mostras de não ter sensibilidade absolutamente nenhuma para as questões do futebol. Com uma grande dose de boa vontade, talvez possamos acreditar que Vítor Pereira teve apenas a intenção de separar as águas e demonstrar a sua total confiança nas capacidades do árbitro, provando assim que o contencioso existente entre o clube leonino e Duarte Gomes não teria qualquer influência no decorrer da partida. Mas, sabendo de antemão que todos os árbitros cometem erros e que o jogo em questão não seria fácil de gerir (um clássico nunca o é), e se aliarmos isso ao facto do passado do Sporting estar pejado de litígios com o sector da arbitragem muitas vezes alimentados por uma doentia mania de perseguição, não era difícil antever que esta escolha tinha tudo para acabar em mais uma bronca à boa maneira portuguesa. Posto isto, se Paulo Bento tivesse proferido antes do jogo algum comentário sobre a insensatez da escolha do árbitro, todos nós nos veríamos na obrigação de lhe dar razão. O problema é que o treinador leonino "fechou-se em copas" e toda a gente percebeu que ele só estava a aguardar o final do jogo para partir a loiça agarrando-se a um qualquer pretexto. A intenção de Paulo Bento era tão previsível que perdeu o efeito surpresa e fez com que muita gente se limitasse a dar um enorme bocejo enquanto assistia às imagens do treinador a invadir o terreno de jogo com dois dedos em riste para ir berrar aos ouvidos do árbitro que o coitadinho do Miguel Veloso só tinha feito duas faltas. Ridículo!
Não creio que exista nenhum estudo científico que comprove a minha teoria, mas ainda assim eu arrisco-me a afirmar que não deve existir ninguém à face da Terra que goste de perder. O que poderá existir, isso sim, são algumas (poucas) pessoas capazes de disfarçar o mal-estar que a derrota lhes provoca e outras (ainda em menor número) capazes de lidar com o insucesso, retirando dele ilações que lhes permita corrigir os erros e fortalecerem-se. Mas mesmo assumindo que o mau perder faz parte da essência humana, esse facto não pode servir como justificação para o descontrolo emocional e a insubordinação de que algumas pessoas dão mostras de padecer. Paulo Bento é um treinador jovem e ambicioso que, com toda a legitimidade, alimentou sonhos e traçou projectos para o seu futuro. Infelizmente para ele, não tem conseguido conquistar os resultados que tanto ambiciona e que lhe poderiam servir de trampolim para subir na carreira. Os constantes insucessos estão, cada vez mais, a apoderar-se do seu discernimento e bom-senso, de tal forma que já nem consegue disfarçar o desespero que o invade no momento da derrota.
Apesar da sua gravidade, as cenas lamentáveis que protagonizou e as declarações que proferiu no final do jogo do Dragão já não espantam ninguém e acabam por transformar Paulo Bento numa versão moderna da história do Pedro e do Lobo em que o menino, de tantas vezes protestar sem razão, perdeu a credibilidade perante o público. O castigo de doze dias de suspensão aplicado pela Liga é obviamente escasso, principalmente se considerarmos que se trata de uma reincidência em comportamento anti-desportivo, mas, paradoxalmente, a benevolência do castigo acaba por ridicularizar ainda mais a já depauperada imagem do treinador leonino, pois retira-lhe importância e gravidade. Faz lembrar um menino atrasado mental que parte o prato pela quinquagésima vez e a mãe, compassivamente, se limita a chamar-lhe a atenção, sabendo que só com muita paciência conseguirá lidar com as limitações intelectuais da criança.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

E ao sétimo dia, deu-se o milagre!

Parece que o Benfica conseguiu vencer em Paços de Ferreira sem que o árbitro do encontro, João Ferreira, tenha inventado o penalty da praxe a seu favor. Será que a tradição já não é o que era ou o milagre deveu-se apenas ao facto de Aimar não ter jogado?

domingo, 20 de setembro de 2009

Vaca de uns, galo de outros

Muitas vezes, os golos mais bonitos, os que levantam multidões nos estádios e ficam na memória dos adeptos, são aqueles que os seus autores não tinham intenção de marcar. Alan pode passar os próximos dez anos da sua vida a tentar repetir o golo que marcou ontem ao FC Porto e, provavelmente, nunca o conseguirá. Aquilo que não deveria passar de mais um centro para a área, previsível e inconsequente como foram todos os outros que fez durante a partida, transformou-se, graças à intervenção do acaso, num belo presente para o jogador aniversariante e para os adeptos do Braga. Se se tratasse de bilhar às três tabelas, estaríamos perante uma jogada de campeão, mas, tratando-se de futebol, não passou daquilo que, no calão popular, se designa… uma grande vaca. Uma vaca que, graças ao histerismo que provocou na classe jornalística alfacinha, se arrisca a ser eleito como o golo da semana ou até mesmo da época. Nada a que não estejamos habituados, vindo de quem vem. Resta agora ver se a vaca do Braga vai continuar a dar leite ou se se esgotou nos jogos com o FC Porto e o Sporting.

Lei e seus derivados

Não, não se trata de um erro de escrita nem me estou a referir ao leite, à manteiga e ao iogurte. Refiro-me exactamente à lei do futebol e às derivações da sua interpretação e aplicação em função dos critérios dos árbitros. Talvez seja um exagero falar em perseguição, da mesma forma que é uma ingenuidade continuar a falar-se em coincidência, mas a verdade é que, chamem-lhe como quiserem, os factos falam por si: há jogadores que são alvo de critérios de arbitragem especiais.
Ontem, na partida frente ao Braga, Pedro Proença conseguiu, mais uma vez, reinventar as leis do futebol. Numa jogada perfeitamente banal ocorrida a meio-campo em que Hulk se limitou a saltar para evitar o contacto com um adversário que lhe fez uma entrada de carrinho, o árbitro interrompeu o jogo para mostrar o cartão amarelo ao brasileiro por… simulação. Já sabíamos de antemão que Hulk não tem o direito de reclamar pelas sucessivas entradas que sofre dos seus adversários. O que ainda desconhecíamos era que estava proibido de se desviar delas.
Se o lance tivesse acontecido dentro da área do Braga e o avançado portista manifestasse a intenção de enganar o árbitro simulando penalty, a acção disciplinar seria irrepreensível, mas, nas circunstâncias em que a jogada se deu, o critério disciplinar de Proença é, no mínimo, forçado. Fosse esta severidade aplicada em todos os jogos e a todos os jogadores de igual forma e raras seriam as partidas que acabariam sem expulsões. Felizmente para o futebol, tal disparate não acontece porque estes excessos de zelo têm destinatários concretos e bem definidos, não constituindo prática geral.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sim, é sempre preciso esperar mais de Hulk, mas...

Frente ao Chelsea, Hulk fez um jogo muito apagado e, tal como já havia acontecido com o Manchester, saiu de Inglaterra debaixo de fortes críticas. É verdade que o brasileiro não conseguiu, uma vez mais, corresponder totalmente às expectativas criadas em torno de si em jogos internacionais e que esta foi mais uma oportunidade desperdiçada para mostrar todas as suas capacidades na maior montra de futebol mundial, mas existem atenuantes que é preciso saber analisar e compreender. A crítica precipitada, feita de cabeça quente, pode ser tão destrutiva e prejudicial quanto injusta, logo, há que saber reflectir antes de falar.
Em primeiro lugar, os ingleses não andam a dormir. É preciso assumir que, do outro lado da barricada, está uma equipa com elevada experiência em competições internacionais, recheada de jogadores de alto nível e que faz o trabalho de casa antes dos jogos, logo, era previsível que o Chelsea iria dedicar a Hulk uma marcação rigorosa e apertada. Retirar espaço ao jogador mais criativo e desequilibrador da equipa portista é meio caminho andado para anular as investidas do ataque azul e branco. Esta situação acontece com Hulk como acontecerá, por exemplo, com Cristiano Ronaldo quando o Real Madrid enfrentar equipas do seu nível. A diferença é que, numa constelação de estrelas como é a de Madrid, se um dos galácticos for anulado existirá sempre outro para brilhar na sua vez, enquanto que no FC Porto não existe nenhum jogador com as características de Hulk que permita compensar a sua menor produtividade quando é anulado pelo adversário. Por outras palavras, não são raras as vezes em que Hulk tem de carregar o piano sozinho e é injusto que o critiquem quando lhe falham as pernas ao subir umas escadas mais íngremes.
Em segundo lugar, há que assumir de uma vez por todas que o Hulk não consegue produzir futebol com a mesma eficácia quando joga no centro do terreno e aqui a responsabilidade é do Jesualdo Ferreira. A verdadeira força do Hulk reside na sua velocidade e capacidade de explosão, pelo que ele tem de jogar de frente para a baliza adversária, de forma a receber os passes rasgados para a sua frente e embalar em corrida. Esta situação só é possível se Hulk jogar pelas alas porque, estando no centro do terreno, ele tem de se posicionar de costas para a baliza adversária, o que lhe retira espaço de manobra e prende-o nos movimentos, tornando-o presa fácil para os defesas. Nesta perspectiva, é legítimo criticar o treinador portista por ter tomado tardiamente a decisão de fazer entrar Falcao para o eixo do ataque, em detrimento de Mariano González que (esse sim!) fez uma paupérrima exibição.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Primeiro o STA, depois o TACL

Depois de, em Novembro de 2008, o Supremo Tribunal Administrativo (STA) ter considerado ilegal a utilização de escutas telefónicas no processo Apito Final, eis que o Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa (TACL) vem agora reiterar essa decisão, anulando definitivamente o acórdão do Conselho de Justiça da Federação que condenou o presidente da União de Leiria com base nesse meio de prova. No entanto, apesar dos tribunais serem claros e inequívocos sobre esta questão, o presidente da Comissão Disciplinar da Liga violou a decisão do STA insistindo na ideia de que a ilegalidade da utilização das escutas em nada interfere na condenação de Pinto da Costa uma vez que tal decisão foi fundamentada noutros meios de prova. Depreende-se que a prova a que Ricardo Costa se refere é o depoimento de Carolina Salgado e, como tal, não é difícil prever que a CD recusar-se-á a rever o seu acórdão pelo menos até que seja resolvido o processo que decorre ainda em tribunal e no qual a ex-companheira de Pinto da Costa é acusada de ter cometido perjúrio.
Ricardo Costa mantém-se assim firmemente agarrado à única tábua de salvação que lhe resta, mesmo depois dos tribunais civis o terem deixaram completamente isolado perante a ilibação de Pinto da Costa em todos os processos. Tal atitude poderá ser encarada à partida como uma demonstração de força de carácter, mas não esconde um facto inegável e grave: independentemente da legitimidade que possa ter para manter a condenação do presidente portista, o presidente da CD utilizou meios de prova ilegais no decorrer dos processos, o que põe em causa a sua credibilidade e idoneidade. De facto, não se esperava que um juiz cometesse o erro crasso de utilizar meios ilegais para condenar um cidadão. Se o fez, é do mais elementar bom senso que explique porque o fez. O problema é que, contrariando a sua atitude inicial em que surgiu na comunicação social rodeado de pompa e circunstância para explicar ao povo o papel preponderante que teve na condenação dos arguidos, o digníssimo doutor parece agora pouco interessado em expor-se publicamente, deixando assim aberto o caminho para a especulação e a suspeição. Sendo assim, nada nos impede de pensar que a insistência na condenação do FC Porto e do seu presidente em nada se deve às suas fortes convicções, mas sim ao receio de que a anulação desse acórdão abra as portas a um processo de indemnização por danos morais e patrimoniais desastroso para os cofres da Liga. Estaremos a ser injustos ao não reconhecer as nobres intenções do dr. Ricardo Costa? Talvez. Mas não esqueçamos que é ele próprio quem nos dá a legitimidade para o fazer com o seu silêncio.

O arcanjoão Gabriel

Nenhuma outra figura bíblica consegue reunir em torno de si tanta devoção de cristãos e muçulmanos da forma consensual como o arcanjo Gabriel faz. Segundo a Bíblia, foi Gabriel quem apareceu perante a Virgem Maria para lhe anunciar que seria mãe de Jesus, da mesma forma que, segundo o Corão, surgiu perante Maomé para lhe entregar uma mensagem de Deus revelando-lhe as suas obrigações como profeta.
Infelizmente, nem todos os “Gabriéis” possuem a mesma capacidade de reunir em si o consenso Universal e alguns há que, quando abrem a boca, conseguem proferir bestialidades de extrema gravidade, capazes de gerar o ódio e a discórdia entre os mais pacatos cidadãos.
João Gabriel tinha o dever e a obrigação de medir as suas palavras de cada vez que vem a público, no papel de director de comunicação do Benfica, comentar qualquer assunto (quanto mais não fosse pelo facto de ter sido assessor de Jorge Sampaio na Presidência da República, com todo o prestígio e responsabilidade cívica que tal cargo lhe confere). Lamentavelmente, o antigo jornalista dá mostras de ter mandado às malvas toda a dignidade no momento em que vestiu o fato de director encarnado e não perde uma oportunidade para incendiar a opinião pública com as suas inusitadas opiniões.
Na época passada, quando o Benfica conquistou a Taça da Liga beneficiando da preciosa colaboração do árbitro Lucílio Baptista, João Gabriel cobriu-se de ridículo (e consigo o clube que representa) ao aparecer na TV acusando os sportinguistas de má-fé. De acordo com a sua teoria, o Sporting nada tinha a reclamar, pelo que a revolta manifestada pelos Leões se devia, única e exclusivamente, à intenção de coagir os árbitros a decidir em seu favor em futuros lances duvidosos. Nem mesmo as imagens televisivas, cuja clareza não deixava qualquer margem para dúvida sobre a crassidade do erro de Lucílio Baptista, foram capazes de suavizar o tom crítico e acusador com que o director encarnado se dirigiu aos vizinhos da 2ª Circular. Fossem os papeis invertidos e eu queria ver o que não especularia Gabriel sobre as intenções do árbitro...
Já esta semana, perante as notícias que davam conta da suspensão de um delegado por ter falsificado o relatório do jogo Benfica-Nacional escamoteando do mesmo as cenas deploráveis que aconteceram no túnel da Luz, João Gabriel voltou ao ataque, disparando contra tudo e todos. Nem Jesualdo Ferreira e o FC Porto escaparam à sua fúria devastadora. A Liga foi acusada de agir sem provas que justificassem o castigo aplicado ao seu delegado e os Dragões foram acusados de terem protagonizado, no passado, cenas semelhantes às ocorridas no túnel da Luz. O mais ridículo de tudo isto é que João Gabriel se esquece que existem de facto imagens vídeo, cedidas pelo próprio Benfica, que comprovam o acto ilícito do delegado, para além do testemunho de várias pessoas presentes no local por altura dos acontecimentos. Além disso, esquece-se também que, no passado, o seu clube e respectivos dirigentes estiveram sempre na vanguarda daqueles que, incansavelmente, criticavam e acusavam o FC Porto pelos alegados incidentes ocorridos no túnel das Antas. É caso para dizer: olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço.
Sempre que o Benfica se vê envolvido em escândalos, João Gabriel possui imaginação (e despudor) de sobra para inventar os mais variados pretextos na tentativa de justificar o injustificável. Num clube que não se cansa de propagandear a sua alegada preocupação com a verdade desportiva e a transparência no futebol, é caricato que um dos seus directores dê mostras tão evidentes de falta de honestidade e de capacidade para assumir os seus próprios erros. Mais grave do que isso, é essa atitude recorrente de criar guerras desnecessárias com os clubes rivais à custa de acusações hipócritas e despropositadas sempre que se vê em situação delicada, incendiando assim os ânimos daqueles que não têm a firmeza moral suficiente para perceberem que tal não passa de uma deplorável estratégia para desviar as atenções.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Senhoras e senhores, eis o grupo D

Já são conhecidos os grupos da próxima edição da Liga dos Campeões. Assim, o sorteio ditou que, para além do FC Porto, o grupo D fosse constituído por Chelsea, de Inglaterra, Atlético de Madrid, de Espanha, e APOEL, de Chipre.

Chelsea FC – Na minha opinião, a pior coisa que podia acontecer ao FC Porto neste sorteio era sair-lhe uma equipa inglesa. Pois ela aí está, só para chatear.
O Chelsea é uma das principais equipas inglesas e está a fazer um excelente início de campeonato. Tendo obtido três vitórias nos três primeiros jogos da Premier League, os londrinos seguem em 2º lugar da Liga, tendo os mesmos pontos que o Tottenham, primeiro classificado.
Trata-se de uma equipa fortíssima, muito bem orientada pelo técnico italiano Carlo Ancelotti. Do seu plantel, para além dos nossos conhecidos Deco, Ricardo Carvalho e Bosingwa, destacam-se os nomes de Didier Drogba e Nicolas Anelka, uma dupla demolidora que dará muito trabalho a Bruno Alves e companhia. Esperam-se momentos difíceis em Stamford Bridge, mas com certeza os azuis e brancos não deixarão de pagar na mesma moeda e talvez no final do jogo do Dragão alguns ingleses se queiram atirar abaixo da... Freixo Bridge.

Club Atlético de Madrid – Os “colchoneros” são a segunda principal equipa da capital espanhola, apenas ensombrada pelo vizinho e eterno rival Real Madrid.
O facto de o FC Porto ter eliminado os madrilenos na época passada pode ser um factor negativo neste novo confronto. Apesar de considerar que esta equipa continua ao alcance dos portistas, não se pode permitir excessos de confiança, pois é um dado adquirido que o poderoso Atlético vai querer vingar a eliminação da edição anterior da Liga dos Campeões às mãos de Hulk e companhia. Perspectivam-se, portanto, dois jogos extremamente duros no Dragão e no Vicente Calderón.
No seu plantel jogam os nossos conhecidos Simão Sabrosa e Paulo Assunção, a quem, para os portistas, será sempre um prazer derrotar.
A título de curiosidade, refira-se que a alcunha “colchoneros” advém do facto das camisolas do Atlético, brancas com riscas verticais vermelhas, se assemelharem ao tecido com que antigamente eram forrados os colchões. Pode ser que o Porto lhes faça a cama outra vez...

O APOEL FC – Sedeado em Nicosia, o APOEL é um dos principais clubes de Chipre. Apesar do seu humilde palmarés ser completamente nulo em termos internacionais, trata-se de uma equipa com algum historial de participações em competições europeias e constitui, no seu reduto, um adversário valoroso e complicado. Não se prevêem que ofereça grandes dificuldades a qualquer um dos outros elementos do grupo, mas… cuidado! Já dizia Napoleão que o caminho mais curto para a derrota é desvalorizar o adversário.
Como curiosidade, refira-se que APOEL é o acrónimo de Athlitikos Podosfairikos Omilos Ellinon Lefkosias, o que significa Athletic Football Club of Greeks of Nicosia. Fazendo juz ao nome, vão-se ver gregos no Dragão...

Blockbuster made in Portugal

Primeiro ponto: não sou advogado do diabo nem ponho as mãos no lume por ninguém. No entanto, desde há muito aprendi a desconfiar do que é dito sobre determinadas figuras públicas que, pelo amor e pelo ódio que suscitam, constituem um alvo preferencial de certa imprensa tendenciosa e sensacionalista. Não me refiro, neste caso, a artistas famosos ou estrelas de cinema, mas sim a um dirigente de um clube de futebol que não pode dar um flato como qualquer outro mortal sem que alguém o venha acusar de querer matar meio mundo por intoxicação com gás Sarin.
No início desta semana, fomos confrontados com as notícias sobre coisas gravíssimas que se teriam passado à porta do tribunal de S. João Novo. Segundo rezam as crónicas, o motorista de Pinto da Costa teria saído do estacionamento a grande velocidade e atropelado um jornalista do JN que, atingido numa perna, caiu e bateu com a cabeça num veículo estacionado, rolando depois pela rua de paralelo. As manifestações de revolta não se fizeram esperar e os jornais não se fizeram rogados em utilizar as mais extraordinárias expressões para relatar o caso, havendo mesmo quem substituísse a palavra “atropelamento” por “abalroamento”, dando assim mais ênfase e dramatismo ao quadro. De facto, ao ler os artigos publicados em alguns jornais, uma pessoa não deixará de imaginar uma cena de um filme à boa moda de Hollywood, em que um veículo dirigido por um terrorista tresloucado se lança sobre a multidão em pânico e atinge violentamente um inocente cidadão que dá duas voltas no ar antes de cair desamparado no chão, mergulhado numa poça de sangue. A tragédia, o horror, o drama… o disparate!
É claro que qualquer pessoa de bom-senso se apercebeu imediatamente que algo não batia certo nesta história e não foi preciso esperar muito tempo para perceber que as coisas não aconteceram da forma rocambolesca que a imprensa procurou transmitir. O problema não está tanto nas coisas que foram ditas (ainda que se tenham dito algumas falsidades, ou, como agora se diz para não ferir susceptibilidades, inverdades), mas na forma como foram ditas. Houve claramente a intenção de manipular a opinião pública, levando as pessoas a acreditar que um acidente meramente casual poderia ser, afinal, um acto criminoso premeditado.
É verdade que o carro passou muito perto das pessoas, mas a rua é tão estreita que é impossível não o fazer; é verdade que existiu um toque do espelho retrovisor no jornalista, mas foi este que se lançou para junto do carro na tentativa de fotografar o presidente portista à saída do tribunal; é verdade que o jornalista ficou ferido, mas sem a gravidade que quiseram divulgar; é verdade que o veículo não parou, mas seguia devagar e a travar; é verdade que o agente da polícia mandou parar, mas fê-lo batendo com a mão no tejadilho, sem que os ocupantes do veículo se pudessem aperceber da intencionalidade desse acto.
Infelizmente, ainda existe em Portugal muita gente pobre de espírito que não consegue discernir um gato de uma lebre e que come qualquer porcaria que lhes ponham no prato. Obviamente, são esses que alimentam este tipo de imprensa e que justificam que se continue a destruir florestas para obter o papel em que se escreve esta verborreia. Refira-se, a título de exemplo, o comentário de um cidadão anónimo, publicado na versão on-line do jornal O Público, que manifestava a sua indignação e revolta pelo facto do agente policial presente no local não ter usado a sua arma para deter o veículo disparando para os pneus. Numa coisa este indivíduo tem razão: qualquer filme de acção que se preze tem que ter uma boa cena de tiroteio, sob pena de desapontar os espectadores e tornar-se num fracasso de bilheteira. O problema que este cidadão dá mostras de não compreender é que os valores que devem reger uma sociedade livre e democrática estão muito distantes desse mundo de ficção em que a comunicação social fez mergulhar a sua consciência da realidade.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Kléber: um jogador problemático?

Muito se tem falado nas últimas semanas sobre o interesse do FC Porto na contratação de Kléber, avançado de 26 anos que joga actualmente no Cruzeiro. Ainda hoje, a imprensa noticia o envio de um elemento do departamento jurídico da SAD portista ao Brasil para retomar as negociações naquela que deverá constituir a cartada final dos azuis e brancos, o tudo ou nada, na tentativa de trazer o brasileiro para Portugal.
Mesmo tendo já jogado na Europa (mais precisamente no Dínamo de Kiev), Kléber é um jogador pouco conhecido entre nós. No entanto, é muito admirado no Brasil onde é idolatrado pelos adeptos do Cruzeiro e do Palmeiras (a quem estava emprestado pelo clube ucraniano) que não lhe poupam elogios. A Internet está recheada de vídeos que comprovam a qualidade técnica indiscutível do avançado, bem como a raça que deposita em todas as disputas de bola. Não há dúvidas de que, pelo que nos é dado a ver, Kléber demonstra ser um jogador “à Porto” e tem tudo para constituir um valioso reforço para a equipa. Contudo, não há bela sem senão. Kléber tem sido também notado pelo seu mau temperamento dentro e fora do campo. Já foi expulso num jogo por agredir um adversário e até num treino se envolveu em discussões com os colegas que valeram uma repreensão do próprio clube.
Sabemos que Jesualdo Ferreira acredita nas suas capacidades pedagógicas e de liderança. Várias vezes o treinador portista tem feito alusão ao tratamento a que Hulk tem sido sujeito no sentido de aprender a controlar as suas emoções. Talvez por isso, Jesualdo acredita que será capaz de efectuar um trabalho semelhante com Kléber, no sentido de retirar deste jogador o melhor que ele tem para oferecer sem permitir que o seu mau-génio interfira no rendimento individual e colectivo. O problema é que, ao contrário de Hulk que tem ainda muita margem de progressão, a idade de Kléber não deixa grandes expectativas quanto aos resultados do tratamento. Lá diz o povo que “burro velho não aprende línguas” e “pau que nasce torto, tarde ou nunca se indireita”.
Eu próprio afirmei, num dos comentários que escrevi ainda na pré-época, que considerava vantajoso para o FC Porto apostar preferencialmente na contratação de um jogador com características semelhantes às de Hulk de forma a que a equipa pudesse ter uma alternativa ao brasileiro sem necessidade de alterar o seu sistema táctico. Nesse sentido, o interesse no Kléber vem ao encontro da minha análise pois é óbvio que as características deste jogador se assemelham muito mais às de Hulk do que às de Falcao. No entanto, mesmo confiando na sagacidade da SAD para efectuar bons negócios e no talento de Jesualdo para a formação de jogadores, não posso deixar de reconhecer que, neste caso, sinto alguma apreensão. Independentemente das mais-valias futebolísticas que lhe são reconhecidas, não irá o FC Porto arrepender-se de contratar Kléber? Com Farias e Falcao no ataque, valerá mesmo a pena correr este risco, ainda para mais quando as verbas envolvidas no negócio parecem ser pouco interessantes?
Deixo-vos um vídeo sobre uma reportagem realizada quando o jogador ainda jogava no Palmeiras para que nos ajude a reflectir sobre esta questão:

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Os tasqueiros do costume

Depois de o FC Porto ter manifestado publicamente a sua revolta pela atitude exageradamente permissiva dos árbitros para com o jogo duro de que Hulk é alvo constantemente por parte dos seus adversários (e perante a legitimidade dos argumentos apresentados que não deixaram margem para qualquer contestação, pelo menos, de quem de bom senso), outra coisa não seria de esperar da corrupta comunicação social lisboeta que não fosse a tentativa de inverter a situação através da criação de polémicas estéreis e gratuitas com as quais procuram transformar as vítimas em réus e os réus em vítimas. O objectivo é o mesmo de sempre: pressionar os árbitros de forma a sentirem-se constrangidos de errar favoravelmente ao FC Porto. De facto, um árbitro sabe que, se cometer um erro em prejuízo dos azuis e brancos, a imprensa tratará de o apoiar e até mesmo de abafar os seus erros, mas se, pelo contrário, decidir favoravelmente aos dragões (mesmo que consciente da legitimidade da sua decisão), os mesmos jornais não deixarão de escalpelizar os lances até à exaustão.
Ontem, no jogo FC Porto-Nacional, o árbitro João Ferreira assinalou uma grande penalidade favorável aos Dragões que, à partida, não deveria suscitar qualquer dúvida. Se Cléber fosse guarda-redes, estaria de parabéns pela grande defesa que protagonizou ao desviar com o braço um remate perigoso de Mariano que seguia na direcção da baliza, mas, sendo defesa, é óbvio que cometeu uma falta grosseira merecedora de cartão vermelho. No entanto, como as coisas em Portugal não se regem pelo bom-senso e pela honestidade mas sim pelos joguinhos de interesses instalados, o lance serviu imediatamente de mote para o reacender da polémica, rapidamente surgindo os pseudo-entendidos em futebol que conseguiram descobrir as mais variadas justificações para considerar errada a decisão de João Ferreira.
Nós sabemos que, na visão distorcida de um fanático, um remate desferido a 2 metros de distância pode ser interpretado como “à queima-roupa” e a acção do defesa de se lançar para a frente do remate com as pernas e os braços abertos nada terá a ver com a intenção de cortar a bola mas sim com uma tentativa inocente de levantar voo. Dessa gente, tudo se espera. O que não se pode aceitar é que profissionais da comunicação social recorram ao mesmo tipo de argumentos, dignos de uma discussão entre tasqueiros encharcados em carrascão, para manipular a opinião pública, desvirtuando aquilo que as imagens documentam e que as regras do futebol exigem. Nesse sentido, atente-se à opinião de três ex-árbitros que, contrariando as crónicas destes especialistas da treta, à pergunta se a decisão de assinalar a grande penalidade favorável ao FC Porto é correcta, responderam o seguinte:

Jorge Coroado - «Objectiva e claramente, sim. Cléber desviou a trajectória da bola com o braço direito quando esta se dirigia para a baliza. O castigo máximo justificou-se e o jogador deveria ter visto o cartão vermelho imediatamente.»

Rosa Santos - «Cléber joga-se ostensivamente para a frente e estende o braço direito, acabando por jogar a bola com ele. Como tal, a decisão foi acertada e o jogador do Nacional merecia ter visto o cartão vermelho directo.»

António Rola - «É um lance de difícil julgamento. A partir do momento em que interpreta que o jogador jogou intencionalmente a bola, desviando-a da baliza, actuou em conformidade. Dou o benefício da dúvida em relação à sua decisão.»

É claro que, tal como aconteceu na semana passada em que Jorge Coroado foi peremptório em considerar errada a expulsão de Hulk, também aqui não deixarão de surgir aqueles que, na incapacidade de reconhecer o tolhimento que a sua própria cegueira clubística lhes causa na análise dos lances, não deixarão de levantar suspeições gratuitas contra os autores destas análises para descredibilizar as suas opiniões. E a propósito de Hulk, ainda há tempo para recordar os mais esquecidos de que o Porto já entrou para este jogo prejudicado pelas arbitragens ainda antes do apito inicial. Recorde-se que os azuis e brancos foram impedidos de jogar com o Hulk graças à punição de que foi alvo em virtude de uma arbitragem inqualificável de Carlos Xistra na primeira jornada. Compare-se esse caso com o de outros jogadores de um certo clube da capital que deveriam ter sido expulsos na mesma jornada (e não foram!) e retire-se as devidas ilações sobre quem é que, na verdade, tem motivos para se sentir prejudicado.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Muito bem, Sr. Professor!

Antes de Jesualdo Ferreira proceder à antevisão do jogo com o Nacional, o FC Porto exibiu uma compilação em vídeo com várias faltas sofridas pelo avançado em jogos apitados por Carlos Xistra. Chama-se a atenção de que as imagens podem ferir a susceptibilidade dos mais sensíveis:



Sobre esse assunto, que ainda vai dar muito que falar por motivos óbvios, o treinador azul e branco proferiu algumas afirmações merecedoras de reflexão:

«Se o que o futebol português pretende é ter jogos e jogadores com maior qualidade, não pode permitir que esses estejam incapacitados de fazer o seu jogo e que ainda sejam punidos.»

«Num quadro de leis que existem, estas têm de ser aplicadas. Não há é coragem para aplicá-las.»

«O F.C. Porto preocupa-se, a nível interno e internacional, em ser a equipa que faz menos faltas durante o jogo, com menos cartões amarelos. E se nos preocupamos com isso, por que é que é fácil fazer um jogo em que nada disto é importante, e passa a ser importante apenas travar, de qualquer maneira, os jogadores com maior qualidade? E mesmo travar aqueles que nem têm tanta qualidade, através da falta constante, para parar o jogo?»

«Vamos analisar o número de faltas que existe em Portugal. 50, 46 ou 39 faltas numa partida? Isto é jogo? Tem de haver ideias definidas, pelos responsáveis pela organização do jogo, pela direcção dos encontros que tem a ver com todos os treinadores, pela própria mentalização dos jogadores e, por fim, por quem regula o jogo. E actuar em consonância!»

Boas notícias

Hulk renovou o contrato com o FC Porto por mais dois anos e passou a ter uma cláusula de rescisão de 100 milhões de euros, tornando-se assim no jogador da história do futebol português com a cláusula de rescisão mais alta de sempre.
Recorde-se que o brasileiro foi contratado em 2008 ao Tokyo Verdi, do Japão, tendo o FC Porto pago cinco milhões por metade do passe do atleta.
Numa altura em que o jogador se encontra debaixo de fogo graças à sua expulsão no jogo com o Paços de Ferreira, o clube deu-lhe uma demonstração cabal de confiança e blindou a sua ligação ao Dragão, assegurando que o avançado não sairá do FC Porto sem o consentimento (e as devidas contrapartidas financeiras) dos portistas.
Depois de uma pré-época cheia de desapontamentos graças às saídas de Lisandro e Lucho, esta constitui uma excelente notícia para os adeptos. Já agora... de quanto será a cláusula de rescisão do Carlos Xistra com o futebol português?...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A opinião de Jorge Coroado

Ainda a propósito da expulsão do Hulk, convém ler a opinião do antigo árbitro Jorge Coroado, publicada hoje no jornal O Jogo:

«Lançado em velocidade na perseguição da bola, já próximo da linha de baliza dos visitados, tendo um adversário pela frente, Hulk, em gesto comummente considerado de "tesoura", projectou-se com ambos os pés ladeando o atleta pacense e, sem neste tocar, com o esquerdo conseguiu jogar o esférico não evitando, no entanto, que o mesmo saísse do terreno pela linha de cabeceira. Sabedor que o portista já tinha sido advertido com cartão amarelo, o atleta da casa teatralizou a queda simulando ter sido atingido e derrubado pelo poço de força azul e branco, deixando-se cair no solo contorcendo-se com dores. Porque compreensivelmente atrasado relativamente à jogada, o árbitro entendeu como passível de comportamento antidesportivo a atitude do jogador portista exibindo-lhe pela segunda vez o cartão amarelo e correspondente cartão vermelho. Errou. Hulk não havia feito fosse o que fosse que justificasse intervenção do árbitro senão para assinalar pontapé de baliza.»

É claro que os donos da "verdade" que não se cansaram de escrever nos últimos dias em tudo quanto é jornal que o Hulk foi bem expulso, não perderam tempo a levantar as suspeições do costume sobre a isenção do analista e do jornal em que escreve para descredibilizar a sua opinião. Quando as pessoas não têm carácter para assumir que estão erradas e reconhecer que a sua própria visão do lance foi tolhida pela clubite aguda, qualquer argumento falacioso serve para disfarçar a sua desonestidade.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O campeonato da vergonha - Parte II

Há cinco épocas atrás, os portugueses assistiram incrédulos ao desenrolar de um dos campeonatos de futebol mais viciados de que há memória no nosso país. O “campeonato da vergonha”, como muitos lhe chamaram, envolveu todo o tipo de artimanhas para levar o SL Benfica ao título, desde a inscrição irregular de jogadores na Liga graças à preciosa colaboração de “cunhas” leais à causa benfiquista, passando por vários processos sumaríssimos aplicados a dedo aos jogadores do FC Porto e por uma sequência de arbitragens escandalosas (quem não se recorda ainda da célebre “piscinada do Karadas”, um dos penalties mais patéticos a que alguma vez tivemos a oportunidade de assistir e que mereceu um lugar de honra no anedotário dos erros de arbitragem), culminando naquela que foi a maior obscenidade ocorrida em Portugal desde a célebre arbitragem de Inocêncio Calabote: o jogo realizado no Algarve entre o SLB e o Estoril-Praia que, apesar de todos os contornos de suspeição que o rodearam, das denúncias públicas do treinador estorilista sobre os jantares realizados no Sapo e da prestação de informações falsas à CMVM por parte do José Veiga relativamente aos 37% de acções da SAD estorilista que detinha, nunca foi alvo de qualquer investigação por parte das autoridades portuguesas. A bem da nação, os portugueses tiveram de calar a revolta e assistir impotentes a esta pouca-vergonha, mas não a esqueceram.
No início desta época, quando se tornou público o investimento astronómico que o SL Benfica efectuou em jogadores, hipotecando de uma assentada só os lucros de publicidade referentes à próxima década, tornou-se imediatamente óbvio que a conquista do título de campeão, mais do que uma ambição ou desejo, se tornou numa questão de vida ou morte para o clube da Luz. Perante isto, paira no subconsciente das pessoas o receio de que este campeonato se venha a tornar numa sequela daquele filme de terror a que todos assistimos há cinco anos atrás e que uma vez mais os interesses privados do Benfica (e de tudo o que orbita em torno do clube) se venham a sobrepor, de forma descarada e despudorada, a todos os valores morais, éticos e desportivos que devem reger a competição.
Não é de estranhar, portanto, que esta decisão da CD da Liga de punir o Hulk com dois jogos de suspensão, surgida na sequência de uma arbitragem medíocre e incompetente, e ainda por cima originada por uma alteração do relatório do árbitro efectuada à revelia dos delegados de jogo, venha suscitar fortes suspeições sobre a transparência deste processo. Nada que pudesse constituir surpresa no nosso país, tão criativos somos na invenção dos mais inusitados casos futebolísticos, não fosse o facto de estarmos ainda na primeira jornada e ninguém esperar que a pouca-vergonha pudesse começar tão cedo.

O que neste momento é verdade...

Um dia, Pimenta Machado, antigo presidente do Vitória de Guimarães, proferiu uma frase que expressa, como nenhuma outra, a realidade futebolística nacional: «No futebol português, o que hoje é verdade, amanhã já não é!» Hoje, no entanto, se eu tivesse de sintetizar o futebol português numa frase, seria ainda mais radical: «O que neste momento é verdade, daqui a uns minutos já não é!»
Ontem, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional conseguiu realizar a proeza de alterar, em poucas horas, a informação constante no seu site oficial, nada mais, nada menos, do que 4 (quatro!) vezes! Isto porque, aparentemente, nem a própria LPFP conseguiu compreender à primeira tentativa (nem à segunda, nem à terceira) se o Hulk tinha sido expulso por acumulação de amarelos ou por vermelho directo.
De facto, toda a gente que assistiu ao jogo viu o Carlos Xistra mostrar o 2º amarelo ao brasileiro e indicar-lhe a saída, mas (lá está novamente a questão, o que neste momento é verdade, daqui a uns minutos já não é) afinal o árbitro registou no relatório que considerou o cartão como vermelho directo devido às palavras injuriosas proferidas pelo jogador. O que o senhor albicastrense se esqueceu é que é da sua obrigação comunicar essa decisão aos capitães das equipas e aos delegados dos clubes, daí que ninguém pode confirmar quando foi que Sua Excelência mudou de ideias.
Ainda a procissão vai no adro e já está lançada a polémica e a dúvida quanto à transparência de todo este processo, tudo por causa da actuação de um árbitro que se convenceu de que fazer vista grossa às faltas sucessivas sofridas pelo Hulk seria a melhor forma de passar despercebido aos olhos da crítica.
Mesmo correndo o risco de parecer ingénuo, eu acredito que Carlos Xistra não tenha nenhuma questão pessoal contra o Hulk ou o FC Porto. O problema dele é o mesmo que afecta todos os outros árbitros: o medo de errar em favorecimento dos azuis e brancos e a pressão que sofrem da comunicação social lisboeta que nada lhes perdoa, impedem-nos de ajuizar de forma isenta e idónea.
Infelizmente para Carlos Xistra, este imbróglio que criou ainda vai dar muito que falar e a sua actuação não será esquecida tão cedo. É verdade que, como se tem visto, a imprensa tratou imediatamente de o proteger e até de desviar as atenções com questões paralelas, mas, sinceramente, não teria sido melhor para o futebol português e para todos os portugueses (incluindo o próprio Carlos Xistra) se o árbitro tivesse evitado esta vergonha começando por assinalar as faltas como é da sua competência?

Aceitam-se apostas

David Luiz, jogador do Benfica, provocou um penalty ao cortar um lance de perigo com a mão, o que permitiu ao Marítimo adiantar-se no marcador. No entanto, o jogador defende-se afirmando que nem se lembra de ter tocado a bola com a mão. Felizmente existem imagens televisivas que comprovam, indubitavelmente, a irregularidade cometida pelo jogador benfiquista e que demonstram que o brasileiro sofre de graves problemas de falta de memória. Muito provavelmente, David Luiz também não se lembrará de ter atingido violentamente um adversário com uma cotovelada na cara, mas também aí as imagens traem-no. Ora, considerando que estes dois lances não mereceram qualquer punição disciplinar por parte do árbitro (o que, a acontecer, ditaria inevitavelmente a sua expulsão visto que o jogador já tinha visto um amarelo), é legítimo concluir que os ares da Luz andam a afectar muita gente. Nuns casos, provocando falta de memória, noutros, falta de visão.
Não é difícil constatar que as actuações de Carlos Xistra no Paços de Ferreira-FC Porto e de Artur Soares Dias no Benfica-Marítimo demonstram uma gritante discrepância de critérios disciplinares. De facto, se Carlos Xistra tivesse usado a mesma complacência que Soares Dias usou, Hulk nunca teria visto um amarelo simplesmente por protestar, ou, pelo contrário, se Soares Dias tivesse aplicado aos jogadores do SLB a mesma severidade que Xistra usou com Hulk, David Luiz tinha ido tomar banho muito mais cedo e o Cardozo fazia-lhe companhia.
Infelizmente, as coisas não aconteceram dessa forma e Hulk ficará privado de jogar nas próximas jornadas, enquanto que David Luiz estará apto para nos oferecer mais alguns lances de porrada, dos quais, convenientemente, não se recordará depois. Isto, obviamente, com a preciosa colaboração da Comissão Disciplinar da Liga, sempre diligente e célere na aplicação dos seus famosos processos sumaríssimos com base em imagens televisivas, excepto quando os jogadores implicados vestem de vermelho. Aceitam-se apostas sobre o primeiro jogador que virá a ser alvo desta inusitada ferramenta disciplinar nesta época. Palpita-me que vestirá de azul e branco e que se chamará Hulk…

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Fedelhices

Talvez Carlos Xistra tenha saído da Mata Real satisfeito com a sua prestação e mais ficará quando sentir o calor humano de seis milhões de adeptos de um determinado clube lisboeta que, com certeza, não deixarão de prestar a devida homenagem ao árbitro de Castelo Branco pelos bons serviços prestados. No entanto, quando um árbitro entra em campo com o objectivo concreto de perseguir um determinado jogador, passando por cima dos mais básicos princípios da isenção e da idoneidade que lhe são exigidos, e ainda por cima o faz de forma tão flagrante e ostensiva, outra coisa não pode esperar de todos aqueles que defendem a verdade desportiva e o espectáculo futebolístico que não seja um claro e veemente repúdio.
Poderíamos falar aqui da quantidade de faltas que o Hulk sofreu e que passaram em claro aos olhos de Carlos Xistra. Também poderíamos falar da igual quantidade de faltas ridículas assinaladas pelo mesmo em lances banais em que o avançado portista se limitou a disputar a bola com os adversários. Mas basta analisar a amostragem do primeiro cartão amarelo num lance perfeitamente inócuo em que o jogador se limitou a rir de mais uma decisão desastrada do árbitro e comparar essa decisão patética com a quantidade de vezes que os jogadores do Paços de Ferreira se deram ao luxo de contestar, por gestos e palavras, sem que tais atitudes tenham merecido qualquer acção disciplinar por parte do árbitro, para entender o despudor a que conseguiu chegar Carlos Xistra. Depois, claro, bastou esperar por uma oportunidade para exibir o segundo cartão amarelo e correspondente vermelho, aproveitando a ingenuidade do jogador que ainda não compreendeu que, na mediocridade do futebol português, não há compreensão nem tolerância para a sua genialidade. No fundo, um desfecho que qualquer pessoa que assistia ao jogo já adivinhava, tão óbvia e descarada era a atitude persecutória do árbitro para com o jogador.
Hulk ainda é jovem e tem muito para aprender. Comporta-se como um fedelho que ainda não conseguiu dominar a revolta que sente perante as injustiças e que pensa que pode mudar o Mundo sozinho. Carlos Xistra também é jovem e tem também muito para aprender. Comporta-se como um fedelho que ainda não conseguiu dominar o medo de contrariar os interesses daqueles que detêm o poder nos escaninhos do futebol. A diferença entre ambos é que o futebol português precisa urgentemente da espectacularidade e genialidade de fedelhos como o Hulk, mas, decididamente, não precisa absolutamente nada da mediocridade e incompetência de fedelhos como Carlos Xistra.

domingo, 16 de agosto de 2009

Arquivo do melhor e do pior de 2010

Semana de 19 de Dezembro a 25 de Dezembro de 2010
  
O melhor

André Villas-Boas - O FC Porto bateu o Paços de Ferreira por 3-0 naquele que foi o seu último jogo da Liga Portuguesa realizado em 2010. Graças a este resultado, os Dragões garantiram o confortável avanço de 8 pontos sobre o 2º classificado e terminaram o ano sem qualquer derrota, quer nas competições nacionais, quer na Liga Europa. Um feito só por si notável, mas ainda mais extraordinário tendo em conta que se trata de um caso único entre todas as equipas que militam nos principais campeonatos europeus. O mérito, obviamente, não será apenas do treinador, mas André Villas-Boas merece ver reconhecido o magnífico trabalho que tem vindo a desenvolver ao comando da equipa. 


O pior

Túnel da Luz - A agressão dos seguranças do SLB a Juan Bernabé, dono da águia Vitória, é apenas mais um caso grave a juntar a muitos outros que aconteceram no túnel do Estádio da Luz. Este incidente, bem como o testemunho da vítima, vieram, uma vez mais, pôr a nu o clima de terror que se vive no interior das instalações da Luz em virtude da violência protagonizada pelos stewards encarnados. Entretanto, beneficiando da passividade das autoridades de Lisboa que persistem numa postura de total alheamento, os dirigentes encarnados vão sacudindo a água do capote, limitando-se a emitir para o exterior comunicados dúbios que, na prática, não passam de fait-divers com o objectivo de desviar as atenções do público destes graves acontecimentos que se vão sucedendo, à vista de todos, com total impunidade.
 
Semana de 28 de Novembro a 4 de Dezembro de 2010
  
O melhor

Invencibilidade do FC Porto - Já não é apenas a muy nobre e sempre leal cidade do Porto que se pode orgulhar de ser invicta. Também a sua principal equipa o é no futebol europeu. Após as derrotas do Real Madrid e do Manchester United, o FC Porto passou a ser a única equipa da Europa que ainda não experimentou o sabor amargo da derrota na corrente temporada. Notável!

Semana de 7 a 13 de Novembro de 2010
  
O melhor

O espírito do Dragão - Acho que nunca tive tanta dificuldade em escolher o melhor da semana como desta vez. Primeiro pensei em distinguir Falcão pelos dois magníficos golos que marcou, um deles num espectacular remate de calcanhar, mas depois pensei que tal seria injusto para Hulk que, não só marcou também dois golos, como protagonizou uma das melhores exibições que já o vimos fazer até hoje. Depois pensei em distinguir André Villas-Boas pela irrepreensível lição de táctica que deu ao seu adversário, mas isso seria injusto para Pinto da Costa, um presidente sagaz como nenhum outro, que teve a coragem de apostar num jovem ainda sem provas dadas. E Varela? E Moutinho? E Belluschi? Enfim, os destaques pela positiva foram tantos que, finalmente, me decidi por distinguir todo o FC Porto. Afinal, quem poderá negar que, depois desta noite memorável e deste resultado histórico, todo o clube está de parabéns?


 Semana de 26 de Setembro a 2 de Outubro de 2010
  
O melhor


FC Porto - O Dragão festejou ontem o seu 117º aniversário. Completaram-se assim 117 anos de glória desportiva e benemérita graças ao trabalho de muita gente que dedicou a sua vida, alma e coração à construção deste grandioso clube e a quem, neste momento de festa, recordamos com admiração e saudade. 117 anos de sonho, de paixão e de sede de conquista reflectidos no brilho dos inúmeros troféus conquistados. A cada ano que passa, a cada grito que se dá, cada golo que se festeja, cada batida acelerada do coração quando a emoção aperta, o orgulho de ser portista é maior! Longa vida ao Dragão! Viva o FC Porto!

 O pior

Vitor Pereira - A propósito das duras críticas que lhe foram dirigidas durante as últimas semanas originadas pela má arbitragem no jogo Guimarães-Benfica, Olegário Benquerença afirmou que, no mundo da arbitragem, só se aguenta quem tiver um carácter forte. Nesse sentido, o presidente da Comissão de Arbitragem demonstrou não tê-lo ao vir imediatamente a público comentar as arbitragens quando estão apenas decorridas cinco jornadas do campeonato. Por muito que Vítor Pereira procure agora lavar a face alegando que, de agora em diante, irá adoptar o mesmo critério e a mesma postura a cada cinco jornadas, toda a gente percebeu que o seu acto se deveu unicamente à pressão exercida pelo SL Benfica. Por esse motivo, o balanço da arbitragem, que deveria constituir uma salvaguarda da transparência e da verdade desportiva, transformou-se rapidamente numa lamentável demonstração de subserviência a um clube e numa inaceitável forma encapotada de pressão sobre os árbitros. 



 Semana de 20 de Junho a 26 de Junho de 2010
  
O melhor

Portugal - Novamente! A Portugal bastaria esperar que a Costa do Marfim não conseguisse infligir à Coreia do Norte uma goleada por mais de seis golos para garantir automaticamente a passagem aos oitavos de final. No entanto, a equipa entrou na partida com o Brasil decidida a não arriscar nada, impondo um empate a zero aos brasileiros e conquistando assim, com inteiro mérito, o segundo lugar do grupo. A seguir vêm os jogos de "mata-mata" e o primeiro adversário é de peso: nada mais, nada menos que a campeã europeia, Espanha. A história pende a nosso favor nos últimos 30 anos, mas...

O pior

Incidentes no Parque das Nações -Sinceramente, ainda não consegui entender qual foi a origem dos incidentes que ocorreram no Parque das Nações logo após o final do jogo entre Portugal e o Brasil e que envolveram adeptos de ambas as selecções, mas não creio sequer que tal seja o mais importante nesta questão. Gostaria apenas de perceber como foi possível as pessoas transformarem aquela que deveria ter sido uma festa para todos (em virtude do apuramento das duas equipas para os oitavos de final) numa cena lamentável de violência gratuita. É caso para perguntar o que acontecerá no caso destas selecções se voltarem a defrontar, por exemplo, na final do campeonato do Mundo.


Semana de 20 de Junho a 26 de Junho de 2010

O melhor

Portugal - Obviamente! É verdade que a Coreia do Norte ocupa apenas 105ª posição no ranking da FIFA, mas não será menos verdade que teve valor suficiente para garantir um lugar no Campeonato do Mundo da África do Sul e fez a vida negra ao Brasil na primeira jornada, perdendo pela margem mínima. Há muito tempo que os portugueses mereciam uma exibição e um resultado moralizador como este, que abre boas perspectivas para o apuramento da nossa selecção para os oitavos de final.


Semana de 13 de Junho a 19 de Junho de 2010

O pior

Deco - O luso-brasileiro é, indiscutivelmente, um jogador de qualidade muito acima da média e uma mais-valia para a Selecção Nacional. No entanto, mesmo os melhores jogadores têm de compreender que o seu papel na equipa não se restringe simplesmente a jogar bem e que deles se espera e exige uma postura a todos os níveis exemplar. Deco pode discordar das opções do seleccionador e até manifestar o seu desagrado junto deste, mas a postura que assumiu ao ser substituído e, principalmente, as declarações que proferiu publicamente no final do jogo não dão uma boa imagem da equipa nem reflectem, para o exterior, um bom ambiente no balneário. Ainda há dois jogos decisivos para Portugal e muita coisa pode acontecer. Obviamente, os erros cometidos e as discordâncias devem ser debatidas, mas não na praça pública.


Semana de 22 de Maio a 29 de Maio de 2010

O melhor

José Mourinho - A lista de treinadores que, até hoje, conquistaram duas vezes a Liga dos Campeões é muito pequena. A lista daqueles que a conquistaram em dois clubes distintos, ainda mais pequena é. José Mourinho é, inegavelmente, um dos maiores treinadores do mundo e o maior embaixador actual do futebol português no estrangeiro. Merece, neste momento de glória, que lhe seja prestada a devida homenagem. É destes exemplos de verdadeiro sucesso, competência e esforço que Portugal precisa.

O pior

Selecção Nacional - Numa altura em que nos encontramos apenas a pouco mais de 20 dias do início do Campeonato do Mundo da África do Sul, é legítimo que se fale aqui da Selecção Nacional. É verdade que o grupo de jogadores escolhidos por Calos Queirós para representar Portugal neste evento só ficou completo a meio da semana transacta, o que deixou poucos dias para a preparação do encontro amigável com Cabo Verde. É também verdade que, como afirmou Cristiano Ronaldo, nenhum dos jogadores tem interesse em dar o seu máximo em jogos de preparação, havendo o receio de contrair lesões graves que os afastem do Mundial. No entanto, estes factores não justificam a exibição confrangedora da Selecção Nacional e a diferença de nível entre as duas equipas exigia um resultado bem mais animador do que o 0-0 que se verificou no final da partida. Esperemos que o próximo jogo, frente aos Camarões, permita corrigir os erros, alicerçar as tácticas e, principalmente, elevar o ânimo.


Semana de 9 de Maio a 15 de Maio de 2010

O melhor

Domingos Paciência - Na época passada, Jorge Jesus, então treinador do SC Braga, afirmou que o clube arsenalista só conseguiria ser campeão na Playstation. Esta época, foi a vez do seu sucessor, Domingos Paciência, manifestar uma opinião semelhante, queixando-se das desigualdades que se verificaram ao longo do campeonato e que impediram a sua equipa de atingir o primeiro lugar. É um facto que existiu uma diferença abismal entre os orçamentos do Braga e o dos seus adversários directos na luta pelo título. É um facto que o Braga não possui a influência de que os seus rivais beneficiam nos órgãos de justiça da Liga, com as consequências que todos conhecemos. É um facto que o Braga não tem o peso institucional dos seus rivais que pesa, entre outras coisas, nas decisões dos árbitros, nem tão pouco a protecção da comunicação social da capital. Mas mesmo com todas estas desigualdades, os arsenalistas mantiveram-se firmes na luta pelo título, acreditando até ao último minuto na conquista de um campeonato que podia (e devia) ter tido outra História. Domingos Paciência efectuou um trabalho excepcional e está francamente de parabéns.

O pior

Pedro Henriques - Numa altura em que se avizinha um confronto directo entre o Porto e o Benfica que se espera “quente” em virtude dos conflitos originados pelos incidentes do túnel da Luz, esperava-se bom senso e sentido de responsabilidade da parte dos árbitros e demais intervenientes no futebol, no sentido de pôr um pouco de água na fervura e serenar os ânimos já de si bastante exaltados. A verdade é que Pedro Henriques acabou por vir deitar mais uma acha para a fogueira e atiçar o lume ao mostrar um cartão amarelo injustificado a Falcao que afastará o avançado do clássico de Domingo. Uma decisão polémica que vem aquecer ainda mais os ânimos e levantar novas dúvidas sobre a verdade desportiva de um campeonato extremamente condicionado por factores extra-quatro linhas.


Semana de 18 de Abril a 24 de Abril de 2010

O melhor

Pinto da Costa - Odiado por uns, adorado por outros, é indiscutivelmente o maior presidente da história do futebol português e um dos maiores e mais prestigiados dirigentes futebolísticos mundiais. Pinto da Costa recandidatou-se esta semana ao cargo de presidente do FC Porto (o seu 12º mandato consecutivo), o que lhe permitirá atingir as três décadas na liderança do clube. O dirigente portista encontra-se assim muito próximo de atingir a distinta marca de Santiago Bernabéu, que ocupou a presidência do Real Madrid durante 35 anos.

O pior

FPF - Antes do início do jogo com o V. Guimarães, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol entregou ao capitão Bruno Alves a taça pela conquista do campeonato na época passada. Acredito que o facto da entrega do troféu ter acontecido exactamente no dia em que o FC Porto perdeu matematicamente a possibilidade de revalidar o título não terá passado de uma infeliz coincidência, mas este desagradável acaso veio manchar ainda mais um acto que já estava suficientemente ridicularizado pelo inexplicável atraso. De facto, não se compreende que só à 27ª jornada a FPF se tenha dignado a entregar a taça ao clube campeão da época anterior, retirando assim significado ao acto. Veremos se, na próxima época, se irá repetir este lamentável e patético incidente.


Semana de 4 de Abril a 10 de Abril de 2010

O melhor

Hulk - Tal como afirmou Pinto da Costa na entrevista dada à RTP na passada semana, um jogador não faz uma equipa, mas ninguém tem dúvidas de que o Barcelona sem Messi não é o mesmo Barcelona e que o Real Madrid sem Cristiano Ronaldo não é o mesmo Real Madrid. Frente ao Marítimo, num jogo a contar para a Liga Portuguesa, Hulk protagonizou mais uma excelente exibição, coroada com um belo golo (o segundo em jogos consecutivos). O “Incrível” parece assim apostado em demonstrar que o FC Porto sem Hulk não é o mesmo FC Porto. Perante isto, é legítimo questionar: até onde poderia ter chegado o FC Porto esta época se Hulk não tivesse sido ilegitimamente impedido de jogar durante uma grande parte da liga?


Semana de 21 de Março a 27 de Março de 2010

Hulk - Depois de se ver afastado dos relvados nacionais durante uns longos 17 jogos em virtude de um castigo vergonhoso imposto pela CD da Liga, Hulk voltou hoje ao activo no embate com o Belenenses. Aos 83 minutos de jogo, pegou na bola no lado direito do ataque azul e branco e concentrou toda a sua ira pela injustiça de que foi alvo num portentoso remate que só parou no fundo da baliza da equipa de Belém. Este magnífico golo, daqueles que levantam um estádio, foi mais do que um grande momento de futebol: foi uma mensagem para os dirigentes do futebol português, para que compreendam que o lugar dos grandes jogadores é nos campos e que é por eles que o público enche os estádios. Não pelos doutorzinhos de fato e gravata que, sentados nas suas secretárias na Liga, manipulam as leis a seu bel-prazer, em nome dos interesses mesquinhos de lobbies privados.

O pior

Laurentino Dias - Quando o presidente do FC Porto instou Laurentino Dias a levantar um processo de investigação sobre a podridão a que todos assistimos no futebol português, o Secretário de Estado limitou-se a responder que… não comentava. Pois o resultado da sua inépcia está bem à vista de todos! Independentemente do resultado final da liga (que, em virtude das circunstâncias em que a mesma se tem desenrolado, já se adivinhava desde o início) e da justiça que o vencedor possa ter no âmbito desportivo, é indesmentível que a credibilidade e transparência da competição ficará gravemente e irreversivelmente afectada graças à influência directa que os castigos aplicados pela CD a Hulk, Sapunaru e Vandinho tiveram no normal desenrolar da mesma. A demissão de Hermínio Loureiro é mais do que o simples assumir de responsabilidades: é a admissão de que algo de muito podre se passa no seio da Liga de Clubes. Perante isto, o Governo não pode continuar a assobiar para o ar, fingindo que nada vê e nada ouve, sob pena de se tornar, aos olhos do povo, cúmplice de todas as manobras obscuras que vão sendo produzidas nos bastidores do futebol com o objectivo de manipular a verdade desportiva. Sendo as evidências deste caso bem conhecidas do público em geral, não são necessárias escutas telefónicas nem tão pouco livros publicados por alternadeiras para que as autoridades encontrem fundamentos para a abertura de um processo de investigação. Só não o farão se não quiserem!


Semana de 14 de Fevereiro a 20 de Fevereiro de 2010

O melhor

Plantel do FC Porto - Numa altura em que o FC Porto sofreu mais um violento ataque originado pelo órgão presidido por Ricardo Costa e a verdade desportiva da presente Liga Portuguesa ficou definitivamente ferida de morte na sequência dos inusitados castigos aplicados a Hulk e Sapunaru originados por uma interpretação viciada dos regulamentos desportivos, tornava-se necessário que os Dragões tocassem a reunir. Esse grito de alerta foi dado pela voz do Nuno Espírito Santo que, de uma forma calma e firme, manifestou a revolta e indignação que todos nós estamos a sentir neste momento. Somos Porto e estamos unidos. Não se esqueçam disso.

O pior

Hermínio Loureiro - O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional afirmou publicamente que lamenta o clima de suspeição que se vive no futebol português e que é importante que a verdade desportiva prevaleça em todas as circunstâncias. É pena que Hermínio Loureiro não seja suficientemente esperto para compreender que ele próprio foi parte desse problema e não solução, ao manter-se calado como um rato durante o longo período que a CD demorou a decidir sobre os castigos a aplicar a Hulk e Sapunaru. Veremos agora que resultado terá o recurso que o FC Porto pretende apresentar no Conselho de Justiça da Federação. Caso a FPF conclua que as punições aos jogadores portistas foram efectivamente originadas por uma interpretação viciada dos regulamentos tal como defendem os Dragões, o clima de suspeição dará lugar a um clima de certeza: a de que nunca existirá verdade desportiva enquanto o órgão a que preside Hermínio Loureiro não sofrer uma valente vassourada. A começar pelo presidente.


Semana de 7 de Fevereiro a 13 de Fevereiro de 2010

O melhor

Mariano González - Todos nós vivemos situações que, apesar de nos parecerem insignificantes na altura, acabam por alterar a nossa filosofia de vida ou a nossa perspectiva do futuro. Por vezes, um simples elogio ou uma crítica, uma promoção ou um acidente, um beijo ou uma bofetada, podem ser o suficiente para despoletar em nós uma mudança significativa de atitude na nossa vida familiar ou profissional. Para bem ou para mal. No caso de Mariano González, a atribuição da braçadeira de capitão parece ter funcionado como um gatilho que fez o avançado argentino disparar para as boas exibições. Depois do magnífico golo apontado frente ao Sporting, Mariano ofereceu-nos mais um momento fantástico de futebol ao marcar o golo que valeria a vitória sobre a Académica e o consequente apuramento para a final da Taça da Liga. Se me dissessem, no início da época, que Mariano González iria merecer dois "Melhor da semana" consecutivos, provavelmente eu não acreditaria, mas estes dois golos de superior qualidade, a coroar duas exibições de se lhe tirar o chapéu, justificam plenamente este reconhecimento.

O pior

Ricardo Costa - Contando com o jogo com a Académica para a Taça da Liga, Hulk e Sapunaru foram já impedidos de jogar em onze partidas oficiais. ONZE! Se atendermos a que o Pepe, por ter agredido um adversário no decorrer de um jogo, num momento de completo desvario emocional, foi suspenso por dez jogos, não é difícil perceber que a dimensão do castigo imposto aos jogadores portistas é, por si só, exagerado. Mas mesmo admitindo que o castigo fosse justo, qualquer entidade responsável pela aplicação da Justiça perde completamente a credibilidade quando deixa arrastar por tempo indefinido a decisão de um castigo a aplicar aos jogadores, sabendo que tal atitude está a criar graves prejuízos a um clube e a condicionar directamente o normal desenrolar do campeonato. Por muito boa vontade que pudéssemos ter e por muito forte que fosse a nossa intenção de ainda acreditar na competência, idoneidade e isenção do presidente da Comissão Disciplinar da Liga, ninguém pode deixar de pensar, perante as evidências, que algo de muito errado se passa no futebol português. E o que é mais grave é que o escândalo está para durar, uma vez que as autoridades insistem numa atitude de total alheamento, fingindo que nada vêem e nada ouvem.


Semana de 31 de Janeiro a 6 de Fevereiro de 2010

O melhor

Mariano González - O jogador argentino nunca conseguiu convencer verdadeiramente os adeptos portistas do seu real valor e é alvo de críticas frequentes. A verdade é que, sempre que a sua continuidade na equipa é posta em causa, Mariano tira um coelho da cartola e cala (pelo menos, temporariamente) os seu detractores. Não me posso esquecer do momento fantástico que vivi com o golo marcado em Old Traford frente ao Manchester United nos últimos minutos da partida e, por mais anos que viva, também não me esquecerei do magnífico golo apontado ao Sporting nesta eliminatória da Taça de Portugal. Não sei se a braçadeira de capitão lhe deu o alento que lhe faltava para assumir as suas capacidades, mas uma coisa é certa: se Mariano continuar a protagonizar exibições como aquela que nos ofereceu frente ao Sporting, tem lugar assegurado na equipa.

Semana de 24 de Janeiro a 30 de Janeiro de 2010

O melhor
 
SC Braga - Numa altura em que o futebol português se encontra bipolarizado em torno dos dois clubes mais representativos das duas maiores cidades do país, FC Porto e SL Benfica, torna-se cada vez mais difícil que um clube de menor dimensão consiga intrometer-se na luta pelo título de campeão nacional. Com a vitória frente ao Sporting, o Braga fez o pleno frente aos “grandes” e tirou todas as dúvidas que ainda poderiam persistir sobre o seu valor. Se atendermos à diferença de orçamentos entre o clube minhoto e os adversários com quem mantém o braço de ferro na disputa pelo título, ninguém pode deixar de reconhecer que este Super-Braga merece o respeito e a admiração de todos aqueles que gostam verdadeiramente de futebol.

Semana de 17 de Janeiro a 23 de Janeiro de 2010

O melhor

Beto - Não é bom sinal para uma equipa quando o seu guarda-redes se torna a figura principal de um jogo mas, mais grave do que isso, é quando dois guarda-redes da mesma equipa se tornam figuras principais de dois jogos separados por poucos dias. No entanto, o mérito deve ser dado a quem o merece. Frente ao Leiria, Helton foi o herói da noite ao defender um penalty no último minuto que valeu a vitória ao FC Porto. Ontem, frente ao Belenenses, Beto foi também o herói da noite, ao defender cinco dos penalties no desempate por pontapés da marca de grande penalidade, permitindo assim ao FC Porto vencer a eliminatória da Taça de Portugal.

Semana de 10 de Janeiro a 16 de Janeiro de 2010

O melhor

Helton - Frente ao Leiria, Helton começou por oferecer ao adversário a possibilidade de chegar ao empate a uma bola com um golo muito facilitado. No entanto, o guarda-redes portista redimiu-se desse erro já em tempo de descontos, defendendo o penalty marcado por Ronny (com um remate que atingiu os 124km/h) que, a ser convertido, representaria a perda de mais dois pontos preciosos para a perseguição ao 1º lugar do campeonato. Helton foi o dragão que aqueceu esta fria noite com a sua chama.

 Semana de 3 de Janeiro a 9 de Janeiro de 2010

 O melhor

José Maria Pedroto - Hoje, dia 7 de Janeiro de 2010, completam-se 25 anos sobre o desaparecimento de uma das figuras mais carismáticas e marcantes do futebol português: José Maria Pedroto, também conhecido por “Zé do Boné”. Nascido em 1928, jogou no Leixões, Lusitano de Vila Real de Santo António, Belenenses e FC Porto. Como treinador, orientou a Académica, Leixões, Varzim, V. Setúbal, Boavista, V. Guimarães e claro, o FC Porto, equipa que levou à conquista do campeonato e à final da Taça das Taças que os Dragões perderam com a Juventus. O seu conhecimento da realidade futebolística nacional e a sua visão de futuro ficaram bem patentes nas afirmações que proferiu e que se enquadram perfeitamente na actualidade. Dessas frases célebres, destaco uma que me parece especialmente importante: «É tempo de acabar com a centralização de todos os poderes da capital». É incrível como, 25 anos volvidos após a sua morte, nada pareça ter mudado neste jardim à beira mar plantado.

 Semana de 20 de Dezembro a 26 de Dezembro de 2009

 O pior



Comunicação Social – Contra factos não há argumentos. As imagens são claras e inequívocas. A jogada que deu origem ao golo do Benfica devia ter sido anulada à partida, visto que foi precedida de um evidente fora-de-jogo de Urreta que o juiz-de-linha, bem posicionado e sem qualquer obstáculo que impedisse a sua visão, não assinalou.  É incompreensível que a Comunicação Social não tenha tido o menor interesse em referir este facto. Os canais televisivos focaram apenas o golo em si e a posição (legal) do Saviola, desviando assim as atenções do que se passou antes. Que outras motivações pode ter a imprensa nacional em escamotear a verdade aos olhos do público senão a de induzir em erro a sua opinião e proteger os interesses da equipa beneficiada?


Semana de 4 de Outubro a 10 de Outubro de 2009

O melhor

Radamel Falcao – A continuar assim, o avançado colombiano arrisca-se seriamente a tornar-se figura assídua do Melhor da Semana. Depois de ter brindado a assistência do Dragão com um fantástico golo de calcanhar frente ao Atlético de Madrid que nos fez recordar com saudade aquela noite maravilhosa de Viena, Falcao marcou mais dois golos ao Olhanense, contribuindo de forma decisiva para a vitória sobre os algarvios. Aparentando um carácter humilde e discreto, o jogador já conquistou a simpatia dos adeptos que muito apreciam e agradecem a sua capacidade goleadora.

O pior

Vítor Pereira – É difícil compreender a escolha de Duarte Gomes para arbitrar o clássico do Dragão entre o FC Porto e o Sporting quando era do conhecimento público que o clube leonino mantinha um diferendo com esse árbitro. Mesmo acreditando que o presidente da Comissão de Arbitragem não teve a intenção de afrontar ninguém, seria de esperar mais bom-senso por parte de quem gere a arbitragem em Portugal, pois já se adivinhava que tal escolha iria servir de pretexto para a criação de mais uma polémica gratuita e estéril à boa maneira portuguesa.

Semana de 13 de Setembro a 19 de Setembro de 2009

O melhor

Fredy Guarín - Frente ao Chelsea, o jogador colombiano não se intimidou perante os adversários e protagonizou a melhor exibição que o vi fazer desde que chegou ao Porto. Muito seguro a defender, deu solidez ao meio-campo e apoiou o ataque, tendo mesmo efectuado alguns remates perigosos à baliza que, apenas por manifesta infelicidade e pela qualidade do guarda-redes adversário, não se traduziram em golo. Eu arriscar-me-ia a afirmar que Guarín foi o melhor jogador em campo nesta chuvosa e fria noite de Londres.

O pior

Jesualdo Ferreira - É verdade que o Chelsea é uma equipa poderosa e não se esperava que o FC Porto tivesse um jogo fácil em Londres, mas a experiência de Jesualdo Ferreira já lhe devia ter ensinado que entrar em campo com uma equipa montada para empatar raramente dá bons resultados. Não se compreende que Falcao tenha sido relegado para o banco depois de ter marcado quatro golos em outras tantas jornadas da Liga portuguesa, nem se entende porque motivo é que Varela só entrou em campo depois da equipa estar em desvantagem no marcador, principalmente quando se via que Hulk estava ser alvo de marcação cerrada e que Mariano não dava uma para a caixa. Não temos pretensões de pôr em causa os conhecimentos técnico/tácticos de Jesualdo Ferreira amplamente comprovados na sua já longa carreira, nem temos o direito de ser injustos esquecendo tudo o que já fez por esta equipa e por este clube, mas não são raras as vezes em que o treinador portista é acusado de falta de coragem nos confrontos europeus e começa a ser notório que essas acusações não são totalmente desprovidas de lógica. Apesar da exibição positiva que o FC Porto protagonizou, não podemos deixar de lamentar mais uma derrota em Inglaterra e de sentir um certo amargo de boca quando verificamos que a equipa portista tinha todas as condições para fazer história em Londres, aproveitando a ausência de Drogba, Deco e Bosingwa.


Semana de 6 de Setembro a 12 de Setembro de 2009

O melhor

Álvaro Pereira - No início da época, o defesa esquerdo carregava sobre os seus ombros o peso de ter de fazer os portistas esquecerem Cissoko o mais rapidamente possível. Álvaro Pereira, não só conseguiu realizar esse feito em poucas jornadas, como tem vindo a dar mostras de ser, em certos aspectos, melhor ainda que o seu antecessor. No jogo com o Leixões, o uruguaio esteve nas principais jogadas do desafio e participou em três dos lances de golo dos Dragões, tendo sido considerado, aos olhos da crítica, o melhor jogador em campo. Foi em Inglaterra, mais precisamente no jogo com o Manchester United, que Cissoko chamou a atenção da Europa, o que lhe valeu uma transferência para França por uma verba até então inimaginável. Sabendo que a Liga dos Campeões é uma grande montra internacional de jogadores e que o jogo com o Chelsea está à porta, Álvaro Pereira poderá bem ser o próximo jogador a valorizar-se de forma extraordinária caso aproveite esta oportunidade soberana para protagonizar, perante os londrinos, mais uma excelente exibição como as que nos tem sabido oferecer na Liga portuguesa.

Semana de 30 de Agosto a 5 de Setembro de 2009

O melhor

Ernesto Farías - Durante esta semana, foram vários os jornais que deram conta da alegada intenção do FC Porto de incluir o passe de Farías no negócio da transferência do Kléber, no sentido de baixar o valor exigido pelo Cruzeiro. Não sei se tais notícias têm algum fundamento (como é hábito, os contornos dos negócios efectuados pelo clube azul e branco nunca são tornados públicos antes de serem finalizados com sucesso) mas, se tal é verdade, fico satisfeito pelo facto do negócio não se ter concretizado. É um facto que Farías é um jogador que não consegue reunir consenso em torno de si, o que não abona muito em seu favor. Há adeptos que o consideram um bom avançado, há outros que o consideram demasiado perdulário. A verdade é que o argentino deu esta semana uma resposta muito positiva às notícias sobre a sua possível dispensa, não só afirmando que estava de alma e coração no FC Porto, mas também marcando um bonito golo poucos minutos depois de ter entrado em jogo frente à Naval, o que comprova a sua vontade de se afirmar nesta equipa. Por vezes, os jogadores necessitam de um “abanão” para perceberem que não têm o lugar assegurado num plantel competitivo como é o do FC Porto. Esperemos que estas notícias tenham servido como um estímulo e que Farías nos proporcione muitos mais golos como este.

O pior

O crime em nome do futebol - Começam a ser excessivamente recorrentes as notícias de assaltos a estações de serviço protagonizados por elementos da claque portista. Podíamos falar aqui do verdadeiro atentado terrorista que estes actos criminosos constituem à luz da Constituição, mas tal seria uma pura perda de tempo porque já muito foi dito sobre o assunto e é óbvio que estes pervertidos continuam a não querer compreender o significado de lei, liberdade ou democracia. O que é difícil de entender é que esta gente tenha perdido completamente a consciência de que ultrapassou todos os limites do aceitável e que já nem o facto desta situação estar a colocar a imagem do próprio clube que alegam defender na lama sirva para travar ou conter as suas acções. Não se pode generalizar alegando que todos os elementos das claques são culpados, nem particularizar afirmando que apenas esta ou aquela claque procede desta forma. Infelizmente, existem muitos elementos das claques que não se revêem nestes delitos mas são impotentes para os evitar e a história recente do futebol português está repleta de casos que comprovam que este cancro está longe de ser exclusivo de uma qualquer cor clubística. O que é fundamental é alertar as consciências de todos os cidadãos e pedir-lhes que, de forma clara e inequívoca, condenem estes actos criminosos cometidos em nome do futebol e rejeitem qualquer tipo de transigência para com os seus perpetradores independentemente da cor que vestem.


Semana de 23 a 29 de Agosto de 2009

O melhor

Cristian Rodríguez - O avançado do FC Porto está de volta ao activo depois de um longo período de afastamento devido a uma lesão contraída ao serviço da selecção do seu país. Recorde-se que Rodríguez ainda participou na Peace Cup mas ressentiu-se da lesão, não tendo jogado na primeira jornada da Liga frente ao Paços de Ferreira. No jogo com o Nacional, o uruguaio entrou já numa fase avançada da partida (67´) em substituição de Varela, trazendo mais frescura, velocidade e acutilância ao ataque azul e branco nos minutos finais. Apesar de ser notório que o jogador ainda se encontra longe da sua melhor forma, os adeptos festejaram efusivamente o golo marcado aos 86 minutos e saudaram o regresso de um dos seus melhores extremos.

O pior

A violência no futebol – No final da partida realizada entre o Vitória de Guimarães e o Benfica, as forças policiais viram-se forçadas a intervir quando as claques dos dois clubes se envolveram em graves confrontações. Ainda no decorrer do jogo, as autoridades já haviam actuado para impedir os distúrbios junto da bancada onde se encontrava a claque visitante, uma vez que alguns adeptos benfiquistas “festejaram” o golo de Cardozo partindo e arremessando cadeiras para o relvado, mas foi já no exterior do estádio D. Afonso Henriques que a violência se instalou. É lamentável constatar que, em pleno século XXI, ainda existam pessoas que fazem do futebol um pretexto para dar largas aos seus instintos animais. Parece que a humanidade, em vez de evoluir, se encontra a regressar às suas origens símias. É óbvio que as entidades responsáveis têm soluções para acabar definitivamente com estas macaquices. Por exemplo, criando “listas negras” (a exemplo do que acontece no combate ao hooliganismo) em que os autores de actos de violência são impedidos de frequentar os estádios de futebol. Obviamente, para a implementação de soluções deste género é preciso, acima de tudo, vontade política e coragem, dois factores que não parecem existir em Portugal.


Semana de 16 a 22 de Agosto de 2009

O melhor

Radamel Falcao – No seu primeiro jogo oficial realizado com a camisola do FC Porto, o avançado colombiano recentemente contratado mostrou qualidades ao marcar um bonito golo que permitiu à equipa chegar ao empate, conquistando assim o primeiro ponto da Liga. Naturalmente, o resultado foi escasso para as ambições do clube, mas Falcao demonstrou que Jesualdo Ferreira pode contar com ele como alternativa a Hulk quando as coisas correm mal ao avançado brasileiro.

O pior

Filipe Anunciação – Aos 25 minutos do jogo disputado entre o FC Porto e o Paços de Ferreira, Hulk seguia com a bola dominada quando, num gesto sem qualquer intencionalidade aparente, toca de raspão na face e no peito de Filipe Anunciação. Prontamente, o jogador pacence deixou-se cair simulando ter sido agredido, agarrado à cara e contorcendo-se em esgares de dor, obviamente com a intenção de enganar o árbitro e levá-lo a expulsar o avançado portista que já tinha visto um cartão amarelo numa situação anterior. Carlos Xistra, mesmo em cima do lance, permitiu que o teatro do jogador pacence passasse impune a nível disciplinar e (pasme-se!) ainda assinalou falta contra o FC Porto, uma intervenção contraditória e inexplicável que só veio pôr a nu a confusão de ideias que grassam na cabeça do árbitro de Castelo Branco no momento de tomar as decisões. Com alguma boa vontade, até conseguimos entender que um jogador se sirva de algumas manhas para enganar os árbitros. Quem nunca pecou neste capítulo que atire a primeira pedra. O que não se pode entender nem aceitar é que o mesmo jogador tenha vindo, já no final da partida, alegar perante a comunicação social que Hulk deveria ter sido efectivamente expulso por tê-lo agredido. Talvez o Filipe Anunciação desconheça que em Portugal existe uma coisa chamada televisão, ou então pense que os portugueses são todos ingénuos ou parvos. Felizmente para ele, os árbitros estão mais preocupados em perseguir os bons jogadores do que em punir as atitudes deploráveis de jogadores sem categoria e a Comissão Disciplinar só se serve das imagens televisivas para aplicar os seus célebres processos sumaríssimos em função de critérios duvidosos. Fosse o Fair-play e o Respeito a ditar as leis no futebol e Filipe Anunciação veria o próximo jogo da sua equipa sentado na bancada.


Semana de 9 a 15 de Agosto de 2009

O melhor

Bruno Alves - Depois de muito se ter dito quanto a uma possível saída do central azul e branco para um clube estrangeiro, a verdade é que Bruno Alves continua de dragão ao peito e protagonizou, no jogo da Supertaça, mais uma excelente exibição, coroada com um magnífico golo marcado de cabeça na sequência de um pontapé de canto. Não gosto de usurpar o que não me pertence, mas quase me arriscaria a dedicar este grande golo a todos aqueles que, durante semanas, alimentaram a novela da transferência do Bruno Alves, obviamente desejosos de deixar de assistir a estes belos momentos que o central, uma vez mais, nos ofereceu com a camisola azul e branca vestida.

O pior

Cristiano Ronaldo – O sucesso tem destas coisas. Quanto mais sobe um jogador, maior é a desilusão que provoca nos adeptos quando estes se apercebem de que o seu ídolo não tem capacidade para estar à altura das exigências e das expectativas criadas sobre si. O melhor jogador do Mundo parece esquecer-se rapidamente do título que ostenta sempre que se avizinham jogos da Selecção Nacional. Ou isso, ou ainda não compreendeu a responsabilidade que tal distinção lhe confere, a par com o protagonismo de que tanto gosta. De facto, não só nos tem oferecido exibições paupérrimas com a camisola das quinas, como agora padece de súbitos e inesperados sintomas gripais que o impedem de representar o país. É compreensível que um jogo amigável com o Liechtenstein se afigure pouco motivador aos olhos de um jogador de topo mundial. Também se aceita que o clube que pagou uma fortuna pela sua contratação não se sinta muito interessado em cedê-lo para uma partida dessa natureza. Mas, que diabo, qual é o português que não encontraria força suficiente para ultrapassar todas as adversidades se tivesse a oportunidade de jogar na sua selecção, mesmo num jogo a feijões?


Semana de 2 a 8 de Agosto de 2009

O melhor

Tristan Gommendy - O piloto do FC Porto venceu a segunda corrida da jornada de Donington Park da Superleague Formula, realizada no domingo passado. Depois de ter terminado em 8º lugar na prova da manhã, o monolugar azul e branco terminou a prova da tarde em 1º lugar. Os degraus mais baixos do pódio foram ocupados pelo Sporting e o Basileia, que obtiveram a 2ª e a 3ª posição, respectivamente.

O pior

César Peixoto - O jogador do Sporting de Braga revelou uma inaceitável falta de profissionalismo ao recusar jogar pelo seu clube no jogo particular realizado no passado sábado em Vieira do Minho. Na base deste procedimento (que valeu ao jogador um processo disciplinar) estará o alegado interesse manifestado pelo Benfica na sua contratação, tendo César Peixoto permitido que a pressão exercida pelo clube da Luz, à revelia do clube com quem tem contrato, influenciasse a sua conduta profissional.