sexta-feira, 31 de julho de 2009

Goodbye, mister Robson

Partiu hoje um grande senhor do futebol, deixando-nos um legado de vitórias e bons momentos que nunca esqueceremos. Até sempre, Bobby Robson! Obrigado por tudo!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Grande Bruno!

Bruno Alves recebeu o prémio de "Futebolista do Ano" atribuído pelo Clube Nacional de Imprensa Desportiva (CNID). Com 27 anos de idade, o nosso defesa central vê as suas magníficas exibições ao serviço do clube e da Selecção Nacional serem reconhecidas pelos jornalistas desportivos. Imagino que, para muita gente mesquinha que não se cansa de manifestar a sua frustração inventando motivos para criticar o jogador, este prémio é mais um sapo que terão de engolir. É a vida.
Ainda a propósito de defesas centrais, vem hoje publicada num jornal desportivo uma afirmação muito interessante de Pantaleo Corvino, director desportivo da Fiorentina. O dirigente "viola" revelou que o clube de Florença está mesmo interessado em Luisão, mas lá foi explicando que a oferta é de apenas 5 milhões de euros, enquanto que o Benfica pede exactamente o dobro. E acrescenta: «Os clubes estão a pedir valores que não correspondem ao real valor técnico dos jogadores.» Ai Corvino, Corvino, vê-se mesmo que não percebes nada de futebol... Depois dessa, só te falta dizer que o Mantorras não vale os 18 milhões...

Já vem tarde e a más horas!

O Conselho de Disciplina da FPF decidiu hoje aplicar uma pena de suspensão de um mês a Paulo Bento, na sequência das declarações após o Sporting-FC Porto da Taça de Portugal da época passada, o que impedirá o treinador leonino de se sentar no banco nos dois primeiros jogos da próxima Liga. Obviamente que não tardaram reacções intempestivas e revoltadas dos adeptos do clube leonino, mas a verdade é que este castigo peca apenas por vir tarde e ser escasso, perante a gravidade e a persistência das atitudes e afirmações irresponsáveis que Paulo Bento não se cansa de assumir.
Como todos se recordam, no final do jogo da Taça de Portugal em que o FC Porto eliminou o Sporting em Alvalade, o treinador Paulo Bento deu mostras de uma tremenda falta de fair-play e de mau perder desatando a disparar em todas as direcções. O treinador leonino, ainda de cabeça quente e sem ver as imagens televisivas (como o bom senso exigia), queixou-se veementemente da arbitragem do Bruno Paixão, chegando mesmo ao cúmulo de proferir declarações irresponsáveis e condenáveis como aquela de que o Sporting deveria criar mau ambiente para os árbitros em Alvalade, o que foi entendido por muitos como um convite à violência. A verdade é que uma posterior análise das imagens dos lances polémicos veio comprovar que o Paulo Bento não tinha razão, pois verificou-se que ambas as equipas tinham igualmente razões de queixa da arbitragem e que, feitas bem as contas, o Porto até teria sido o mais prejudicado no que diz respeito ao número de penalties que passaram em claro aos olhos do árbitro.
Todos nós somos humanos e, nesse sentido, é compreensível que uma pessoa diga, no final de um jogo emotivo como aquele, coisas da boca para fora das quais se venha posteriormente a arrepender. O que já não se pode compreender nem aceitar é que o treinador leonino, mesmo depois de ter visto os lances e as análises dos casos com a cabeça fria, tenha vindo novamente, poucos dias antes do jogo de Guimarães, insistir na ideia de que a sua equipa tinha sido escandalosamente prejudicada no jogo da Taça. Ficou assim demonstrado que o Paulo Bento não é apenas uma pessoa com dificuldades para conter as suas emoções, mas também uma pessoa que leva o seu mau perder ao extremo, tornando-se desonesto e negando as evidências que as imagens televisivas documentam.
No final do jogo de Guimarães, o mau carácter do Paulo Bento tornou-se novamente visível aos olhos de todos aqueles que assistiram, incrédulos, a mais um conjunto de bestialidades proferidas sem nexo nem fundamento. Uma vez mais, as imagens televisivas e a análise a frio dos casos polémicos vieram comprovar que o treinador leonino não tinha razão nas queixas, senão repare-se: não existiu nenhum analista que considerasse errada a decisão de anular o golo do Sporting, nem que considerasse terem sido mal mostrados os cartões amarelos aos jogadores do Sporting. Pelo contrário, há quem defenda mesmo que Derlei deveria ter visto o cartão amarelo numa simulação grosseira de penalty e que deveria ter visto o vermelho directo numa entrada violenta sobre o adversário. Para quem acha que foi prejudicado, não está nada mal, não senhor...
É claro que o fanatismo pode levar alguns adeptos sportinguistas a deixar-se levar pelas atitudes e declarações incendiárias do seu treinador, e estes não se farão rogados em encontrar, no meio futebolístico e jornalístico, inúmeros fantasmas que, de facto, perseguem o Sporting e que estarão na origem de tudo o que de mal lhe acontece. Mas também existirão muitas pessoas que já perceberam que o Sporting tem muito a perder com este treinador.
Na realidade, o Sporting não conseguiu atingir nenhum dos objectivos delineados para a época passada e o Paulo Bento tem responsabilidades directas. O treinador não pode pretender passar ao lado da situação, refugiando-se constantemente nessa figura de vítima e justificando a sua própria incompetência com referências à incompetência dos outros.
Houve casos concretos em que o Sporting foi prejudicado e teve indiscutíveis motivos de queixa? Houve, sim senhor! Na final da Taça da Liga, por exemplo, Lucílio Batista teve influência directa no desfecho da partida, mas essa competição é claramente um objectivo secundário. Nas restantes competições, o Sporting falhou redondamente e não tem quaisquer razões de queixa, ao contrário daquilo que Paulo Bento alega, numa clara tentativa de sacudir a água do capote.
Doa a quem doer, custe o que custar, a verdade é que o Sporting perdeu o campeonato por culpa própria. Falhou em alturas cruciais (como sempre acontece...) e nunca conseguiu superiorizar-se ao campeão, pois perdeu em Alvalade e empatou no Dragão. Tentar inventar ou descortinar erros para justificar estes resultados não passa de uma demonstração grosseira de mau desportivismo.
Também foi eliminado da Taça de Portugal porque teve azar nos penalties. Não me venham com histórias! A arbitragem do Bruno Paixão foi efectivamente deplorável e vergonhosa mas, tal como foi amplamente analisado pela crítica e as imagens televisivas comprovam, ambas as equipas tiveram igualmente razões de queixa. O Paulo Bento, demonstrando mau perder e uma total falta de fair-play, foi incapaz de reconhecer o mérito do adversário e procurou, mais uma vez, justificar a derrota com os erros de arbitragem, esquecendo-se de que também contra ele ficaram por marcar TRÊS penalties!
A eliminação da Liga dos Campeões e a paupérrima imagem deixada aquém e além fronteiras foi a cereja em cima do bolo. A equipa conseguiu transformar um motivo de orgulho (a passagem aos oitavos de final pela primeira vez na sua história) num verdadeiro pesadelo ao deixar-se esmagar, sem apelo nem agravo, pelo Bayern com um total de 12-1 (DOZE A UM, para quem ainda não percebeu!) na eliminatória. Talvez haja sportinguistas cuja clubite impeça de ver a realidade e que não entendam a gravidade desta situação, mas não existirá nenhum português que, naquele momento, não se tenha sentido envergonhado.
Esta época futebolística também já começou mal para os Leões com o empate caseiro frente ao Twente que obriga o Sporting a vencer na Holanda. Ora, que faz Paulo Bento quando erra? Pede desculpa aos adeptos pela triste figura que faz? Reconhece a sua responsabilidade? Reconhece a sua incompetência? Paulo Bento diz arrogantemente que tem o direito de criticar os árbitros, mas falar dos outros é fácil, esconder-se na incompetência alheia é desonesto. Quando lhe compete a ele próprio assumir os seus erros, cala-se, acobarda-se! É este tipo de pessoas que os adeptos pretendem assumir como exemplo para os seus filhos? É isto que querem para o Sporting e para o futebol português? Podem dizer o que quiserem mas, para mim, Paulo Bento não vale NADA, nem como treinador, nem como pessoa.

Estamos nas meias... e de rastos!

E eis que, ao 6º jogo de preparação, o Porto... empatou. Frente ao Besiktas, Jesualdo Ferreira aproveitou para experimentar outras soluções, colocando Beto na baliza (em detrimento do Helton que havia jogado contra o Lyon), Miguel Lopes à direita da defesa, Guarin no centro e Farias no ataque. A equipa apresentou-se assim mais reforçada no meio-campo e sem extremos, num sistema que mais se aproxima do 4-4-2 do que do habitual 4-3-3.
À primeira vista e a julgar pelo fraco jogo a que assistimos, a alteração táctica não parece ter trazido grandes vantagens, mas se nos abstrairmos do resultado e analisarmos os factos do jogo com mais atenção talvez nos apercebamos que esta solução não é totalmente desprovida de interesse. Pelo menos, não a podemos rejeitar já, visto que o jogo foi, em muitos aspectos, atípico.
Na verdade, não era preciso estar muito atento para perceber que Raul Meireles não estava nos seus melhores dias, Belluschi apenas a espaços confirmou alguns dos atributos que demonstrou nos jogos anteriores e Guarin é lento nas transições e raramente faz um passe para diante. Além disso, Farias passou praticamente ao lado da partida deixando que Hulk, uma vez mais, assumisse as despesas do ataque praticamente sozinho e carregasse o piano (leia-se, a equipa) às costas. Se a tudo isto juntarmos um ambiente desolador nas bancadas, um calor insuportável, um relvado que mais parecia um areal e um árbitro sem categoria que conseguiu fazer vista grossa a dois penalties evidentes sobre Hulk, então é óbvio que, desta forma, não há tácticas que funcionem, nem análises que consigam ser objectivas.
Uma palavra também para Miguel Lopes e Falcao. O jovem defesa direito demonstrou muito nervosismo e, talvez por isso, cometeu muito erros posicionais, deixando-se antecipar ou ultrapassar pelos adversários. Foi várias vezes obrigado a recorrer a faltas duras para corrigir os lapsos e, se não se tratasse de um jogo amigável, talvez não tivesse acabado a partida. Atendendo a que tem apenas 22 anos, tem ainda muita margem de progressão, o que significa que poderá vir a tornar-se num grande defesa direito, coisa que, para já, não é. Já Falcao esteve claramente abaixo do que o vimos fazer frente ao Lyon e não acredito que seja apenas a questão da mudança de táctica que esteve na origem dessa redução de rendimento. Penso que os treinos realizados a um ritmo muito elevado e com uma componente física muito forte que Jesualdo tem ministrado aos jogadores podem estar a causar algum cansaço, mas esse é um sacrifício necessário para que os atletas adquiram rapidamente o pico de forma antes do início das competições “a doer”. De qualquer forma, já todos percebemos que o colombiano é um avançado muito mais móvel do que se dizia, que gosta de servir os colegas e protege muito bem a bola de costas para a baliza. Conseguiu fazer, no cômputo dos 50 minutos que jogou nas duas partidas, mais do que o Farias no triplo do tempo, o que só por si diz tudo… de ambos.
No final, o jogo valeu por constituir mais um ensaio de dificuldade acrescida, mas acima de tudo pela passagem às meias-finais da prova (mais o prémio financeiro correspondente, ou seja, 500 mil euros). O próximo jogo realiza-se na sexta-feira, dia 31/07, e é contra os ingleses do Aston Villa que, na fase de grupos, perderam por 1-0 contra o Málaga e derrotaram os mexicanos do Atlante por 3-1.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A ala uruguaia

Cristian Rodriguez esteve afastado dos jogos da pré-época devido a lesão e tem treinado condicionado, mas hoje regressou aos treinos sem limitações e não podia desejar melhor: marcou 4 golos nas "peladinhas" realizadas já com vista à preparação do jogo com o Besiktas.
Já anteriormente escrevi aqui no blog que considero que, até ao momento, Álvaro Pereira ainda não demonstrou que sabe atacar melhor do que Cissokho, mas considero que esse facto pode ser devido à falta de entrosamento do novo defesa com os colegas mais avançados e pelo receio de deixar descompensado o seu sector defensivo, uma situação que é perfeitamente aceitável se atendermos a que a equipa ainda necessita de mais tempo para mecanizar os movimentos e as transições ofensivas. Nesse sentido, estou com uma certa curiosidade em ver como se irão encaixar os dois uruguaios na ala esquerda, Pereira e Rodriguez. Não sei se o segundo já se encontrará nas melhores condições para jogar com os turcos apesar dos golos marcados no treino, mas gostava que Jesualdo experimentasse esta dupla brevemente.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Peace Cup 2009

A filosofia do FC Porto é inequívoca: qualquer competição em que participe é para ganhar! É nesta base que todos nós, portistas, aprendemos desde sempre a assentar a nossa perspectiva do futebol e da própria vida e é neste sentido que esperamos que a participação do FC Porto na Peace Cup se traduza na conquista do troféu.
Esta competição reúne várias equipas de renome internacional, entre as quais se destacam os nomes do Real Madrid, Sevilha, Juventus, Lyon e, obviamente, FC Porto. Pela qualidade dos participantes, é uma prova que irá constituir um exigente desafio e, consequentemente, um excelente teste às capacidades da nova equipa com que o nosso clube irá tentar conquistar o tão desejado Penta-campeonato.
Não quero deixar, no entanto, de fazer dois comentários em jeito de crítica: primeiro, pela fraca adesão do público espanhol. Não obstante a publicidade realizada em torno do evento, as bancadas dos estádios têm apresentado um aspecto desolador. Segundo, para as arbitragens. É natural que os árbitros não tenham a intenção de estragar o espectáculo desatando a puxar dos cartões por tudo e por nada em jogos amigáveis, ainda para mais quando se trata de uma competição com um nome tão filantrópico. Isso não significa, contudo, que tenham a obrigação de fechar os olhos a tudo o que ultrapassa os limites da virilidade, uma situação a que os organizadores deveriam estar atentos em defesa da integridade física dos jogadores, pois seria de todo lamentável que o início da próxima época fosse prejudicado por lesões perfeitamente evitáveis.

FC Porto 2-0 Lyon

Não nos deixemos cair na tentação de entrar em euforias precipitadas nem festejos imprudentes de pré-época como geralmente acontece com certos clubes sedeados a mais baixas latitudes. É evidente que os resultados são importantes e a obtenção da 5ª vitória consecutiva em outros tantos jogos de preparação (principalmente quando se trata de uma competição bem mais apetecível e competitiva como é a Peace Cup) é um sinal evidente de que a equipa não perdeu a garra e a vontade de vencer, mas isso, por si só, não significa tudo. Aquilo que se viu até ao momento é apenas uma amostra do que a equipa pode e deve fazer e temos que ter a consciência de que ainda há muito trabalho pela frente.
Apesar do excelente resultado e da boa exibição, fica a ideia de que a equipa estará, este ano, mais dependente do Hulk. Ora, visto que esta época os nossos adversários já estarão avisados sobre os estragos que o brasileiro pode causar, é de esperar que os defesas recorram a todo o tipo de subterfúgios para o impedir de jogar, o que, tendo em conta o que ocorreu na época passada e atendendo à passividade demonstrada pelos árbitros para com as entradas duras de que é alvo, pode bem passar por causar lesões graves que o afastem por períodos prolongados. Obviamente, será necessário criar alternativas que passam pela utilização de outros avançados, designadamente Falcao a ponta de lança, num sistema táctico semelhante ao utilizado ontem, frente ao Lyon, no último período da partida e que produziu efeitos muito positivos. Nos 30 minutos em que esteve em campo, o colombiano teve vários apontamentos de classe, quer na procura do golo, quer nas assistências para os companheiros pois foi dele que partiu o passe para o segundo golo de Hulk. Falcao poderia mesmo ter marcado, não fosse o árbitro da partida ter assinalado falta numa jogada em que o avançado se preparava para correr isolado para a baliza, uma decisão disparatada já que foi o defesa que o tentou agarrar e, vendo-se ultrapassado, se deixou cair.
No cômputo geral, gostei do jogo mas não consigo libertar-me desta costela portista que me leva a sentir-me sempre insatisfeito e a exigir cada vez mais e melhor. Acredito que o FC Porto tem capacidades para conquistar o troféu (e o prémio financeiro correspondente) e isso passa por ganhar todos os jogos não obstante o prestígio e valor dos adversários, o que nos deixaria, aí sim, com legítimas expectativas para a conquista do tão desejado Penta.
O freguês que se segue é o Besiktas da Turquia, que empatou no primeiro jogo com o Lyon a uma bola.

Varela, Pereira e Belluschi

Alguns dos receios iniciais motivados pela saída de três dos principais titulares do plantel, Lucho, Lisandro e Cissokho, começam pouco a pouco a dissipar-se à medida que vemos a equipa evoluir e nos vamos apercebendo das capacidades dos novos jogadores recém chegados.
Silvestre Varela é um jogador bem conhecido de todos nós pelas presenças nas selecções jovens e do qual já existiam indicações de possuir uma boa qualidade técnica e poder físico. Não constitui surpresa, portanto, que o avançado tenha vindo a demonstrar que é uma mais-valia para a equipa, pontuando as suas exibições com bons pormenores e reforçando a boa impressão que já tinha deixado nos jogos anteriores, ainda que, frente ao Lyon, tenha estado alguns furos abaixo do que já provou ser capaz de fazer.
Já o Álvaro Pereira tem sido para mim uma belíssima surpresa. O uruguaio tinha sobre os ombros o peso de fazer esquecer Cissokho o mais rapidamente possível e todos nós sabíamos o quanto isso seria difícil visto que o francês tinha vindo resolver, com inteiro sucesso, uma séria e prolongada lacuna da equipa que era a posição de lateral esquerdo. A verdade é que o defesa tem dado provas de que não deve absolutamente nada ao seu antecessor. Ou quase nada. Apesar de ter defendido o contrário numa entrevista dada a um jornal, não concordo que o jogador seja tão ofensivo como Cissokho, o que pode ser devido a alguma falta de entrosamento com os colegas mais avançados e com algum receio de deixar o sector recuado descompensado, o que é perfeitamente natural nesta fase. Ainda assim, é extremamente seguro a defender, rápido, possante e joga limpo. Um grande reforço para a próxima época, sem dúvida.
Por fim, uma última palavra para um jogador que acaba por ser mais uma demonstração cabal de como as coisas funcionam no FC Porto: sai um jogador extraordinário, Lucho González, e entra outro jogador extraordinário, Belluschi. O tempo dirá se estou a ser precipitado na análise mas, pelo que me foi dado a ver até ao momento, tudo indica que Belluschi é a grande contratação desta época. Veremos se tenho ou não razão.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Justiça salomónica ou cobardia crónica?

27 de Junho de 2009 é uma data que irá ficar registada na memória dos adeptos do futebol e da qual ainda muito se irá falar. Não pelos melhores motivos, infelizmente, mas sim porque nela ocorreu um dos episódios mais vergonhosos a que pudemos assistir numa partida de futebol realizada em Portugal nas últimas décadas. Mais grave do que isto, só mesmo se recordarmos o assassinato de um adepto em pleno Estádio Nacional durante o desenrolar da final da Taça de Portugal. Coincidência ou não, dois acontecimentos distantes no tempo mas protagonizados pelos mesmos intervenientes.

Antes de mais devo dizer que sei perfeitamente o que os miúdos sentem quando encaram uma partida decisiva como aquela que se realizou (ou deveria ter realizado) naquele dia em Alcochete. Sei porque também já fui miúdo e porque conheço miúdos que jogam futebol. Apesar de não conhecer nenhum daqueles jogadores, acredito mesmo que alguns deles nem sequer conseguiram dormir na noite que antecedeu o encontro, com o entusiasmo, o nervosismo, a alegria e a expectativa de participar num jogo de atribuição do título de campeões nacionais. Imagino também a tristeza e o desgosto que devem ter sentido quando o mesmo foi literalmente transformado numa “intifada” pelas claques das duas equipas que, sem nada que aparentemente o justificasse para além do fanatismo clubístico doentio, se envolveram numa autêntica guerra de pedras. Para esses miúdos, das duas equipas sem distinção, aqui fica o meu abraço de solidariedade e o desejo de que consigam ultrapassar rapidamente este lamentável acidente de percurso nas suas carreiras.

Quanto ao resto, dizem os testemunhos (e os relatórios da Polícia confirmam) que a claque benfiquista foi recebida à pedrada por elementos da claque sportinguista ainda fora da Academia e que respondeu na mesma moeda. Se tal for verdade, então aceita-se e justifica-se a decisão do Conselho de Disciplina da FPF de punir ambos os clubes. Mas, atenção! As claques até se poderiam ter envolvido em confrontos na Estação de Santa Apolónia ou no Colombo, o que seria igualmente grave mas não prejudicaria directamente o normal desenrolar de uma partida que, até determinado momento, estava a decorrer de forma pacífica! Uma coisa é as claques envolverem-se em incidentes, outra, bem mais grave, é provocarem a interrupção de um jogo, principalmente quando sabem que essa interrupção pode levar ao desfecho a que agora assistimos: a entrega do título de campeão por decreto. As imagens disponíveis demonstram que os incidentes que levaram à interrupção da partida se deram apenas quando a claque do SLB chegou próximo do campo de futebol e começou a apedrejar a assistência, logo, não se compreende que a Federação tenha aplicado punições idênticas aos dois clubes originando assim esta inacreditável inversão da verdade desportiva.

Fica no ar a ideia de que esta decisão aparentemente equitativa e equilibrada não passa, na verdade, de uma forma cobarde de disfarçar a incompetência daqueles que deviam fazer cumprir os regulamentos com isenção mas que não conseguem libertar-se do medo de tomar decisões impopulares para determinados clubes e quadrantes da sociedade. Se este fosse um caso isolado ainda poderíamos dar o benefício da dúvida, mas todos sabemos que isto vem na sequência de outros actos graves em que as autoridades e as entidades responsáveis do futebol tiveram a mesmíssima atitude irresponsável. Basta recuar à época passada para recordar aquele triste episódio em que um adepto afecto ao SLB invadiu o terreno de jogo, em pleno Estádio da Luz, para ir apertar o pescoço ao juiz-de-linha. Ainda hoje, vários meses passados, estamos à espera para saber qual será a punição aplicada ao clube do adepto infractor, o mesmo cujos dirigentes demonstraram uma completa falta de pudor ao virem agora lançar as culpas para cima do Sporting por alegada má organização e afirmar que o campo de treinos de Alcochete não tinha condições para a realização de jogos deste nível. Por essa ordem de ideias, o Estádio da Luz também não tinha, mas nessa altura ninguém os ouviu a dizer nada.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

E se falássemos de concorrência desleal?

De acordo com os dados divulgados pela comunicação social, o FC Porto era, até há dois dias atrás, o clube português que mais dinheiro gastou em contratações para a próxima época. De facto, os Dragões gastaram até ao momento cerca de 17,8 milhões de euros em reforços, sendo Falcao, Valeri, Álvaro Pereira e Belluschi os principais investimentos, correspondendo estes a cerca de 14,53 milhões. No entanto, com a contratação de Javi Garcia, o Benfica ultrapassou o Porto, tendo até agora feito um investimento de 23 milhões em reforços. Ramires custou 7,5 milhões, Javi Garcia 7 milhões, Saviola 5 milhões, Patric 2 milhões e Shaffer 1,5 milhões. Nas contas dos portistas faltará acrescentar ainda o Prediger, assim como nos encarnados falta acrescentar o Weldon. Pelos valores avançados pela imprensa, podemos antever que a diferença de gastos dos dois rivais no final da pré-época não deverá ser muito significativa. Refira-se ainda, por curiosidade, que o Sporting gastou apenas 3,5 milhões em Matias Fernandez.
Aquilo que marca realmente a diferença entre os clubes são os rendimentos originados pela venda de jogadores. O F.C. Porto é destacadamente o clube português que mais dinheiro encaixou neste mercado de transferências e é aliás o terceiro posicionado a nível mundial tendo até agora arrecadado 65,8 milhões de euros (24 milhões de Lisandro, 18 de Lucho, 15 de Cissokho, 5 de Ibson, 3,5 de Paulo Machado e 300 mil euros de Vieirinha). Só dois clubes conseguiram fazer melhor do que o F.C. Porto: o Manchester United com 103,1 milhões de euros (94 de Ronaldo, 4 de Campbell, 2,75 de Manucho e 2,25 de Lee Martin) e o Milan, com 80 milhões de euros arrecadados (65 milhões de Kaká e 15 milhões de Goucurff). Já o Benfica conseguiu apenas o encaixe de 2,5 milhões de euros com a transferência de Katsouranis para o Panathinaikos. Contas feitas, podemos facilmente deduzir que o FC Porto fechará a pré-época com um lucro de cerca de 40 milhões de euros, enquanto que o SLB terá um prejuízo de cerca de… 20 milhões! Perante isto, é óbvio que o presidente do Sporting tinha toda a legitimidade para questionar de onde vem o dinheiro com que os clubes rivais reforçam os seus planteis. A diferença, que com certeza José Eduardo Bettencourt já compreendeu, é que no Porto a origem desse dinheiro está bem à vista e implica sacrifícios para a estabilidade do plantel que, de ano para ano, vê sair os seus jogadores principais, enquanto que na Luz o dinheiro parece vir comodamente de alguma árvore das patacas que eles lá têm plantada no quintal. Tantas vezes ouvimos falar de transparência e de verdade desportiva... E se falássemos também de concorrência desleal?

terça-feira, 21 de julho de 2009

Os novos equipamentos

Lá diz o povo na sua infinita sabedoria que “quem ama o feio, bonito lhe parece”. Para mim, a exemplo do que acontece com qualquer portista convicto, a camisola do FC Porto será sempre a mais bela do Mundo, bastando para tal que seja azul e branca e tenha no peito o símbolo do clube. No entanto, talvez porque este ano criei demasiadas expectativas em relação aos novos equipamentos, não posso deixar de reconhecer que fiquei um pouco desapontado. Sinceramente, prefiro as riscas azuis mais finas, não só porque acho que conferem mais elegância ao equipamento, mas também porque estas riscas grossas, vistas a uma certa distância, fazem parecer que os jogadores trazem um colete azul vestido sobre um pólo branco. Já o equipamento cor-de-laranja é demasiado vistoso e espampanante para meu gosto. Os números em azul vivo sobre o laranja quase florescente fogem muito às cores principais do clube, retirando-lhe identidade.
Uma coisa é certa: o novo equipamento principal faz lembrar o que a equipa usou quando conquistou a Taça dos Campeões Europeus em Viena, em 1987. Tal facto, que à partida poderia ser visto como negativo por reflectir um estilo rectro e ultrapassado, acaba por ser a mais-valia deste equipamento pois nenhum portista deixará de sentir um arrepio na espinha ao relembrar aquela noite mágica em que, transportados pelo toque de calcanhar de Madjer, nos sentimos elevar aos confins da Galáxia. Só por isso, a camisola tem toda a minha aprovação e espero que ela, uma vez mais, ajude a equipa a fazer História.

Sai mais um sapo para a mesa quatro!

Vem hoje publicada nos jornais desportivos uma notícia que dá conta do alegado interesse do FC Porto na contratação de Sebastián Prediger, um médio argentino de 22 anos que alinha no Colón e que é apresentado como uma alternativa a Fernando, o único médio defensivo que o Porto possui actualmente no seu plantel. Sinceramente, não pretendo fazer grandes comentários sobre esta notícia, não só porque não conheço o jogador em causa, mas também porque aprendi a desconfiar das notícias publicadas em certos jornais lisboetas, principalmente quando estes se preocupam em começar o artigo salientando que o jogador chegou a estar apontado ao Benfica mas que este se… desinteressou.
É compreensível que, numa altura em que o campeonato está parado e os motivos de interesse escasseiam, os diários desportivos tenham a necessidade de criar notícias para encher as primeiras páginas e é por esse motivo que, todos os anos, assistimos a um verdadeiro circo mediático em torno das dezenas de alegadas contratações que o clube da Luz está interessado em fazer para a próxima época. Na verdade, se contabilizássemos a quantidade de jogadores que os jornais afirmaram que o SLB pretendia contratar durante este mês, verificaríamos que esse número seria suficiente para formar uma equipa nova, para além daquela que já existe. Perante este cenário, não é de admirar que, sempre que o FC Porto ou outro clube contrate um desses jogadores disponíveis no mercado, muitos benfiquistas se convençam de que foram roubados. Ora, se há dom que os benfiquistas possuem é precisamente a capacidade de reinventar o que já estava inventado e, nesse sentido, há que reconhecer que o conceito de que algo pode ser roubado a alguém quando, na realidade, esse alguém nada possui, é inovador.
A história do Prediger está, obviamente, muito mal contada, tal como estavam, antes dessa, as do Álvaro Pereira e do Falcão. Recorde-se que, ao chegar a Portugal, o colombiano afirmou mesmo que nunca teve qualquer contacto directo com os dirigentes encarnados, isto apesar da imprensa lisboeta ter andado a alimentar durante vários dias uma verdadeira novela em torno da ida iminente do jogador para a Luz. Portanto, não é difícil perceber que tudo isto não passou de mais uma salva de tiros de pólvora seca da comunicação social.
Ao afirmar que o SLB desistiu da contratação de Falcão e Prediger, os jornais tentam matar três coelhos com uma cajadada só: primeiro, porque mantêm a coerência relativamente à versão de que o Benfica foi o primeiro a interessar-se pelos jogadores, evitando assim cair no descrédito como órgãos informativos; segundo, porque defendem a imagem dos dirigentes encarnados, impedindo que os adeptos percebam que o seu clube não tem poder negocial para suportar um braço de ferro com os rivais; terceiro, porque, discretamente, insinuam que o Porto anda a apanhar os restos do Benfica, transformando aquilo que poderia ser interpretado como uma derrota negocial numa vitória moral. E este, há que reconhecer também, constitui outro dos grandes dons dos benfiquistas: transformar as derrotas em vitórias morais.
Infelizmente, é este circo que a imprensa lisboeta tem para nos oferecer todos os anos por altura da pré-época e não nos resta outra alternativa que não seja encolher os ombros e esboçar um sorriso de complacência para com a pobreza de espírito.
Entretanto, esperemos calmamente pelo resultado das contratações efectuadas. Se, como é costume acontecer no FC Porto, os novos jogadores vierem a corresponder às elevadas expectativas dos adeptos, as vitórias morais da pré-época dos nossos rivais não tardarão a transformar-se em mais um sapo que terão de engolir. E com este serão cinco seguidos… não irão causar uma indigestão?

P.S.- Depois de eu escrever este comentário, a comunicação social noticiou a contratação do Javi Garcia pelo SLB pela “módica” quantia de 7 milhões de euros. Resumindo: não quiseram gastar 6 milhões na contratação definitiva do Reyes, um jogador com provas dadas no clube e acarinhado pelos adeptos, para irem agora gastar 7 milhões num sub-21 que os adeptos do Real Madrid não se cansam de criticar. E o Porto é que anda a apanhar os restos dos outros?!!...