quinta-feira, 30 de julho de 2009

Já vem tarde e a más horas!

O Conselho de Disciplina da FPF decidiu hoje aplicar uma pena de suspensão de um mês a Paulo Bento, na sequência das declarações após o Sporting-FC Porto da Taça de Portugal da época passada, o que impedirá o treinador leonino de se sentar no banco nos dois primeiros jogos da próxima Liga. Obviamente que não tardaram reacções intempestivas e revoltadas dos adeptos do clube leonino, mas a verdade é que este castigo peca apenas por vir tarde e ser escasso, perante a gravidade e a persistência das atitudes e afirmações irresponsáveis que Paulo Bento não se cansa de assumir.
Como todos se recordam, no final do jogo da Taça de Portugal em que o FC Porto eliminou o Sporting em Alvalade, o treinador Paulo Bento deu mostras de uma tremenda falta de fair-play e de mau perder desatando a disparar em todas as direcções. O treinador leonino, ainda de cabeça quente e sem ver as imagens televisivas (como o bom senso exigia), queixou-se veementemente da arbitragem do Bruno Paixão, chegando mesmo ao cúmulo de proferir declarações irresponsáveis e condenáveis como aquela de que o Sporting deveria criar mau ambiente para os árbitros em Alvalade, o que foi entendido por muitos como um convite à violência. A verdade é que uma posterior análise das imagens dos lances polémicos veio comprovar que o Paulo Bento não tinha razão, pois verificou-se que ambas as equipas tinham igualmente razões de queixa da arbitragem e que, feitas bem as contas, o Porto até teria sido o mais prejudicado no que diz respeito ao número de penalties que passaram em claro aos olhos do árbitro.
Todos nós somos humanos e, nesse sentido, é compreensível que uma pessoa diga, no final de um jogo emotivo como aquele, coisas da boca para fora das quais se venha posteriormente a arrepender. O que já não se pode compreender nem aceitar é que o treinador leonino, mesmo depois de ter visto os lances e as análises dos casos com a cabeça fria, tenha vindo novamente, poucos dias antes do jogo de Guimarães, insistir na ideia de que a sua equipa tinha sido escandalosamente prejudicada no jogo da Taça. Ficou assim demonstrado que o Paulo Bento não é apenas uma pessoa com dificuldades para conter as suas emoções, mas também uma pessoa que leva o seu mau perder ao extremo, tornando-se desonesto e negando as evidências que as imagens televisivas documentam.
No final do jogo de Guimarães, o mau carácter do Paulo Bento tornou-se novamente visível aos olhos de todos aqueles que assistiram, incrédulos, a mais um conjunto de bestialidades proferidas sem nexo nem fundamento. Uma vez mais, as imagens televisivas e a análise a frio dos casos polémicos vieram comprovar que o treinador leonino não tinha razão nas queixas, senão repare-se: não existiu nenhum analista que considerasse errada a decisão de anular o golo do Sporting, nem que considerasse terem sido mal mostrados os cartões amarelos aos jogadores do Sporting. Pelo contrário, há quem defenda mesmo que Derlei deveria ter visto o cartão amarelo numa simulação grosseira de penalty e que deveria ter visto o vermelho directo numa entrada violenta sobre o adversário. Para quem acha que foi prejudicado, não está nada mal, não senhor...
É claro que o fanatismo pode levar alguns adeptos sportinguistas a deixar-se levar pelas atitudes e declarações incendiárias do seu treinador, e estes não se farão rogados em encontrar, no meio futebolístico e jornalístico, inúmeros fantasmas que, de facto, perseguem o Sporting e que estarão na origem de tudo o que de mal lhe acontece. Mas também existirão muitas pessoas que já perceberam que o Sporting tem muito a perder com este treinador.
Na realidade, o Sporting não conseguiu atingir nenhum dos objectivos delineados para a época passada e o Paulo Bento tem responsabilidades directas. O treinador não pode pretender passar ao lado da situação, refugiando-se constantemente nessa figura de vítima e justificando a sua própria incompetência com referências à incompetência dos outros.
Houve casos concretos em que o Sporting foi prejudicado e teve indiscutíveis motivos de queixa? Houve, sim senhor! Na final da Taça da Liga, por exemplo, Lucílio Batista teve influência directa no desfecho da partida, mas essa competição é claramente um objectivo secundário. Nas restantes competições, o Sporting falhou redondamente e não tem quaisquer razões de queixa, ao contrário daquilo que Paulo Bento alega, numa clara tentativa de sacudir a água do capote.
Doa a quem doer, custe o que custar, a verdade é que o Sporting perdeu o campeonato por culpa própria. Falhou em alturas cruciais (como sempre acontece...) e nunca conseguiu superiorizar-se ao campeão, pois perdeu em Alvalade e empatou no Dragão. Tentar inventar ou descortinar erros para justificar estes resultados não passa de uma demonstração grosseira de mau desportivismo.
Também foi eliminado da Taça de Portugal porque teve azar nos penalties. Não me venham com histórias! A arbitragem do Bruno Paixão foi efectivamente deplorável e vergonhosa mas, tal como foi amplamente analisado pela crítica e as imagens televisivas comprovam, ambas as equipas tiveram igualmente razões de queixa. O Paulo Bento, demonstrando mau perder e uma total falta de fair-play, foi incapaz de reconhecer o mérito do adversário e procurou, mais uma vez, justificar a derrota com os erros de arbitragem, esquecendo-se de que também contra ele ficaram por marcar TRÊS penalties!
A eliminação da Liga dos Campeões e a paupérrima imagem deixada aquém e além fronteiras foi a cereja em cima do bolo. A equipa conseguiu transformar um motivo de orgulho (a passagem aos oitavos de final pela primeira vez na sua história) num verdadeiro pesadelo ao deixar-se esmagar, sem apelo nem agravo, pelo Bayern com um total de 12-1 (DOZE A UM, para quem ainda não percebeu!) na eliminatória. Talvez haja sportinguistas cuja clubite impeça de ver a realidade e que não entendam a gravidade desta situação, mas não existirá nenhum português que, naquele momento, não se tenha sentido envergonhado.
Esta época futebolística também já começou mal para os Leões com o empate caseiro frente ao Twente que obriga o Sporting a vencer na Holanda. Ora, que faz Paulo Bento quando erra? Pede desculpa aos adeptos pela triste figura que faz? Reconhece a sua responsabilidade? Reconhece a sua incompetência? Paulo Bento diz arrogantemente que tem o direito de criticar os árbitros, mas falar dos outros é fácil, esconder-se na incompetência alheia é desonesto. Quando lhe compete a ele próprio assumir os seus erros, cala-se, acobarda-se! É este tipo de pessoas que os adeptos pretendem assumir como exemplo para os seus filhos? É isto que querem para o Sporting e para o futebol português? Podem dizer o que quiserem mas, para mim, Paulo Bento não vale NADA, nem como treinador, nem como pessoa.

Sem comentários:

Enviar um comentário