quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Senhoras e senhores, eis o grupo D

Já são conhecidos os grupos da próxima edição da Liga dos Campeões. Assim, o sorteio ditou que, para além do FC Porto, o grupo D fosse constituído por Chelsea, de Inglaterra, Atlético de Madrid, de Espanha, e APOEL, de Chipre.

Chelsea FC – Na minha opinião, a pior coisa que podia acontecer ao FC Porto neste sorteio era sair-lhe uma equipa inglesa. Pois ela aí está, só para chatear.
O Chelsea é uma das principais equipas inglesas e está a fazer um excelente início de campeonato. Tendo obtido três vitórias nos três primeiros jogos da Premier League, os londrinos seguem em 2º lugar da Liga, tendo os mesmos pontos que o Tottenham, primeiro classificado.
Trata-se de uma equipa fortíssima, muito bem orientada pelo técnico italiano Carlo Ancelotti. Do seu plantel, para além dos nossos conhecidos Deco, Ricardo Carvalho e Bosingwa, destacam-se os nomes de Didier Drogba e Nicolas Anelka, uma dupla demolidora que dará muito trabalho a Bruno Alves e companhia. Esperam-se momentos difíceis em Stamford Bridge, mas com certeza os azuis e brancos não deixarão de pagar na mesma moeda e talvez no final do jogo do Dragão alguns ingleses se queiram atirar abaixo da... Freixo Bridge.

Club Atlético de Madrid – Os “colchoneros” são a segunda principal equipa da capital espanhola, apenas ensombrada pelo vizinho e eterno rival Real Madrid.
O facto de o FC Porto ter eliminado os madrilenos na época passada pode ser um factor negativo neste novo confronto. Apesar de considerar que esta equipa continua ao alcance dos portistas, não se pode permitir excessos de confiança, pois é um dado adquirido que o poderoso Atlético vai querer vingar a eliminação da edição anterior da Liga dos Campeões às mãos de Hulk e companhia. Perspectivam-se, portanto, dois jogos extremamente duros no Dragão e no Vicente Calderón.
No seu plantel jogam os nossos conhecidos Simão Sabrosa e Paulo Assunção, a quem, para os portistas, será sempre um prazer derrotar.
A título de curiosidade, refira-se que a alcunha “colchoneros” advém do facto das camisolas do Atlético, brancas com riscas verticais vermelhas, se assemelharem ao tecido com que antigamente eram forrados os colchões. Pode ser que o Porto lhes faça a cama outra vez...

O APOEL FC – Sedeado em Nicosia, o APOEL é um dos principais clubes de Chipre. Apesar do seu humilde palmarés ser completamente nulo em termos internacionais, trata-se de uma equipa com algum historial de participações em competições europeias e constitui, no seu reduto, um adversário valoroso e complicado. Não se prevêem que ofereça grandes dificuldades a qualquer um dos outros elementos do grupo, mas… cuidado! Já dizia Napoleão que o caminho mais curto para a derrota é desvalorizar o adversário.
Como curiosidade, refira-se que APOEL é o acrónimo de Athlitikos Podosfairikos Omilos Ellinon Lefkosias, o que significa Athletic Football Club of Greeks of Nicosia. Fazendo juz ao nome, vão-se ver gregos no Dragão...

Blockbuster made in Portugal

Primeiro ponto: não sou advogado do diabo nem ponho as mãos no lume por ninguém. No entanto, desde há muito aprendi a desconfiar do que é dito sobre determinadas figuras públicas que, pelo amor e pelo ódio que suscitam, constituem um alvo preferencial de certa imprensa tendenciosa e sensacionalista. Não me refiro, neste caso, a artistas famosos ou estrelas de cinema, mas sim a um dirigente de um clube de futebol que não pode dar um flato como qualquer outro mortal sem que alguém o venha acusar de querer matar meio mundo por intoxicação com gás Sarin.
No início desta semana, fomos confrontados com as notícias sobre coisas gravíssimas que se teriam passado à porta do tribunal de S. João Novo. Segundo rezam as crónicas, o motorista de Pinto da Costa teria saído do estacionamento a grande velocidade e atropelado um jornalista do JN que, atingido numa perna, caiu e bateu com a cabeça num veículo estacionado, rolando depois pela rua de paralelo. As manifestações de revolta não se fizeram esperar e os jornais não se fizeram rogados em utilizar as mais extraordinárias expressões para relatar o caso, havendo mesmo quem substituísse a palavra “atropelamento” por “abalroamento”, dando assim mais ênfase e dramatismo ao quadro. De facto, ao ler os artigos publicados em alguns jornais, uma pessoa não deixará de imaginar uma cena de um filme à boa moda de Hollywood, em que um veículo dirigido por um terrorista tresloucado se lança sobre a multidão em pânico e atinge violentamente um inocente cidadão que dá duas voltas no ar antes de cair desamparado no chão, mergulhado numa poça de sangue. A tragédia, o horror, o drama… o disparate!
É claro que qualquer pessoa de bom-senso se apercebeu imediatamente que algo não batia certo nesta história e não foi preciso esperar muito tempo para perceber que as coisas não aconteceram da forma rocambolesca que a imprensa procurou transmitir. O problema não está tanto nas coisas que foram ditas (ainda que se tenham dito algumas falsidades, ou, como agora se diz para não ferir susceptibilidades, inverdades), mas na forma como foram ditas. Houve claramente a intenção de manipular a opinião pública, levando as pessoas a acreditar que um acidente meramente casual poderia ser, afinal, um acto criminoso premeditado.
É verdade que o carro passou muito perto das pessoas, mas a rua é tão estreita que é impossível não o fazer; é verdade que existiu um toque do espelho retrovisor no jornalista, mas foi este que se lançou para junto do carro na tentativa de fotografar o presidente portista à saída do tribunal; é verdade que o jornalista ficou ferido, mas sem a gravidade que quiseram divulgar; é verdade que o veículo não parou, mas seguia devagar e a travar; é verdade que o agente da polícia mandou parar, mas fê-lo batendo com a mão no tejadilho, sem que os ocupantes do veículo se pudessem aperceber da intencionalidade desse acto.
Infelizmente, ainda existe em Portugal muita gente pobre de espírito que não consegue discernir um gato de uma lebre e que come qualquer porcaria que lhes ponham no prato. Obviamente, são esses que alimentam este tipo de imprensa e que justificam que se continue a destruir florestas para obter o papel em que se escreve esta verborreia. Refira-se, a título de exemplo, o comentário de um cidadão anónimo, publicado na versão on-line do jornal O Público, que manifestava a sua indignação e revolta pelo facto do agente policial presente no local não ter usado a sua arma para deter o veículo disparando para os pneus. Numa coisa este indivíduo tem razão: qualquer filme de acção que se preze tem que ter uma boa cena de tiroteio, sob pena de desapontar os espectadores e tornar-se num fracasso de bilheteira. O problema que este cidadão dá mostras de não compreender é que os valores que devem reger uma sociedade livre e democrática estão muito distantes desse mundo de ficção em que a comunicação social fez mergulhar a sua consciência da realidade.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Kléber: um jogador problemático?

Muito se tem falado nas últimas semanas sobre o interesse do FC Porto na contratação de Kléber, avançado de 26 anos que joga actualmente no Cruzeiro. Ainda hoje, a imprensa noticia o envio de um elemento do departamento jurídico da SAD portista ao Brasil para retomar as negociações naquela que deverá constituir a cartada final dos azuis e brancos, o tudo ou nada, na tentativa de trazer o brasileiro para Portugal.
Mesmo tendo já jogado na Europa (mais precisamente no Dínamo de Kiev), Kléber é um jogador pouco conhecido entre nós. No entanto, é muito admirado no Brasil onde é idolatrado pelos adeptos do Cruzeiro e do Palmeiras (a quem estava emprestado pelo clube ucraniano) que não lhe poupam elogios. A Internet está recheada de vídeos que comprovam a qualidade técnica indiscutível do avançado, bem como a raça que deposita em todas as disputas de bola. Não há dúvidas de que, pelo que nos é dado a ver, Kléber demonstra ser um jogador “à Porto” e tem tudo para constituir um valioso reforço para a equipa. Contudo, não há bela sem senão. Kléber tem sido também notado pelo seu mau temperamento dentro e fora do campo. Já foi expulso num jogo por agredir um adversário e até num treino se envolveu em discussões com os colegas que valeram uma repreensão do próprio clube.
Sabemos que Jesualdo Ferreira acredita nas suas capacidades pedagógicas e de liderança. Várias vezes o treinador portista tem feito alusão ao tratamento a que Hulk tem sido sujeito no sentido de aprender a controlar as suas emoções. Talvez por isso, Jesualdo acredita que será capaz de efectuar um trabalho semelhante com Kléber, no sentido de retirar deste jogador o melhor que ele tem para oferecer sem permitir que o seu mau-génio interfira no rendimento individual e colectivo. O problema é que, ao contrário de Hulk que tem ainda muita margem de progressão, a idade de Kléber não deixa grandes expectativas quanto aos resultados do tratamento. Lá diz o povo que “burro velho não aprende línguas” e “pau que nasce torto, tarde ou nunca se indireita”.
Eu próprio afirmei, num dos comentários que escrevi ainda na pré-época, que considerava vantajoso para o FC Porto apostar preferencialmente na contratação de um jogador com características semelhantes às de Hulk de forma a que a equipa pudesse ter uma alternativa ao brasileiro sem necessidade de alterar o seu sistema táctico. Nesse sentido, o interesse no Kléber vem ao encontro da minha análise pois é óbvio que as características deste jogador se assemelham muito mais às de Hulk do que às de Falcao. No entanto, mesmo confiando na sagacidade da SAD para efectuar bons negócios e no talento de Jesualdo para a formação de jogadores, não posso deixar de reconhecer que, neste caso, sinto alguma apreensão. Independentemente das mais-valias futebolísticas que lhe são reconhecidas, não irá o FC Porto arrepender-se de contratar Kléber? Com Farias e Falcao no ataque, valerá mesmo a pena correr este risco, ainda para mais quando as verbas envolvidas no negócio parecem ser pouco interessantes?
Deixo-vos um vídeo sobre uma reportagem realizada quando o jogador ainda jogava no Palmeiras para que nos ajude a reflectir sobre esta questão:

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Os tasqueiros do costume

Depois de o FC Porto ter manifestado publicamente a sua revolta pela atitude exageradamente permissiva dos árbitros para com o jogo duro de que Hulk é alvo constantemente por parte dos seus adversários (e perante a legitimidade dos argumentos apresentados que não deixaram margem para qualquer contestação, pelo menos, de quem de bom senso), outra coisa não seria de esperar da corrupta comunicação social lisboeta que não fosse a tentativa de inverter a situação através da criação de polémicas estéreis e gratuitas com as quais procuram transformar as vítimas em réus e os réus em vítimas. O objectivo é o mesmo de sempre: pressionar os árbitros de forma a sentirem-se constrangidos de errar favoravelmente ao FC Porto. De facto, um árbitro sabe que, se cometer um erro em prejuízo dos azuis e brancos, a imprensa tratará de o apoiar e até mesmo de abafar os seus erros, mas se, pelo contrário, decidir favoravelmente aos dragões (mesmo que consciente da legitimidade da sua decisão), os mesmos jornais não deixarão de escalpelizar os lances até à exaustão.
Ontem, no jogo FC Porto-Nacional, o árbitro João Ferreira assinalou uma grande penalidade favorável aos Dragões que, à partida, não deveria suscitar qualquer dúvida. Se Cléber fosse guarda-redes, estaria de parabéns pela grande defesa que protagonizou ao desviar com o braço um remate perigoso de Mariano que seguia na direcção da baliza, mas, sendo defesa, é óbvio que cometeu uma falta grosseira merecedora de cartão vermelho. No entanto, como as coisas em Portugal não se regem pelo bom-senso e pela honestidade mas sim pelos joguinhos de interesses instalados, o lance serviu imediatamente de mote para o reacender da polémica, rapidamente surgindo os pseudo-entendidos em futebol que conseguiram descobrir as mais variadas justificações para considerar errada a decisão de João Ferreira.
Nós sabemos que, na visão distorcida de um fanático, um remate desferido a 2 metros de distância pode ser interpretado como “à queima-roupa” e a acção do defesa de se lançar para a frente do remate com as pernas e os braços abertos nada terá a ver com a intenção de cortar a bola mas sim com uma tentativa inocente de levantar voo. Dessa gente, tudo se espera. O que não se pode aceitar é que profissionais da comunicação social recorram ao mesmo tipo de argumentos, dignos de uma discussão entre tasqueiros encharcados em carrascão, para manipular a opinião pública, desvirtuando aquilo que as imagens documentam e que as regras do futebol exigem. Nesse sentido, atente-se à opinião de três ex-árbitros que, contrariando as crónicas destes especialistas da treta, à pergunta se a decisão de assinalar a grande penalidade favorável ao FC Porto é correcta, responderam o seguinte:

Jorge Coroado - «Objectiva e claramente, sim. Cléber desviou a trajectória da bola com o braço direito quando esta se dirigia para a baliza. O castigo máximo justificou-se e o jogador deveria ter visto o cartão vermelho imediatamente.»

Rosa Santos - «Cléber joga-se ostensivamente para a frente e estende o braço direito, acabando por jogar a bola com ele. Como tal, a decisão foi acertada e o jogador do Nacional merecia ter visto o cartão vermelho directo.»

António Rola - «É um lance de difícil julgamento. A partir do momento em que interpreta que o jogador jogou intencionalmente a bola, desviando-a da baliza, actuou em conformidade. Dou o benefício da dúvida em relação à sua decisão.»

É claro que, tal como aconteceu na semana passada em que Jorge Coroado foi peremptório em considerar errada a expulsão de Hulk, também aqui não deixarão de surgir aqueles que, na incapacidade de reconhecer o tolhimento que a sua própria cegueira clubística lhes causa na análise dos lances, não deixarão de levantar suspeições gratuitas contra os autores destas análises para descredibilizar as suas opiniões. E a propósito de Hulk, ainda há tempo para recordar os mais esquecidos de que o Porto já entrou para este jogo prejudicado pelas arbitragens ainda antes do apito inicial. Recorde-se que os azuis e brancos foram impedidos de jogar com o Hulk graças à punição de que foi alvo em virtude de uma arbitragem inqualificável de Carlos Xistra na primeira jornada. Compare-se esse caso com o de outros jogadores de um certo clube da capital que deveriam ter sido expulsos na mesma jornada (e não foram!) e retire-se as devidas ilações sobre quem é que, na verdade, tem motivos para se sentir prejudicado.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Muito bem, Sr. Professor!

Antes de Jesualdo Ferreira proceder à antevisão do jogo com o Nacional, o FC Porto exibiu uma compilação em vídeo com várias faltas sofridas pelo avançado em jogos apitados por Carlos Xistra. Chama-se a atenção de que as imagens podem ferir a susceptibilidade dos mais sensíveis:



Sobre esse assunto, que ainda vai dar muito que falar por motivos óbvios, o treinador azul e branco proferiu algumas afirmações merecedoras de reflexão:

«Se o que o futebol português pretende é ter jogos e jogadores com maior qualidade, não pode permitir que esses estejam incapacitados de fazer o seu jogo e que ainda sejam punidos.»

«Num quadro de leis que existem, estas têm de ser aplicadas. Não há é coragem para aplicá-las.»

«O F.C. Porto preocupa-se, a nível interno e internacional, em ser a equipa que faz menos faltas durante o jogo, com menos cartões amarelos. E se nos preocupamos com isso, por que é que é fácil fazer um jogo em que nada disto é importante, e passa a ser importante apenas travar, de qualquer maneira, os jogadores com maior qualidade? E mesmo travar aqueles que nem têm tanta qualidade, através da falta constante, para parar o jogo?»

«Vamos analisar o número de faltas que existe em Portugal. 50, 46 ou 39 faltas numa partida? Isto é jogo? Tem de haver ideias definidas, pelos responsáveis pela organização do jogo, pela direcção dos encontros que tem a ver com todos os treinadores, pela própria mentalização dos jogadores e, por fim, por quem regula o jogo. E actuar em consonância!»

Boas notícias

Hulk renovou o contrato com o FC Porto por mais dois anos e passou a ter uma cláusula de rescisão de 100 milhões de euros, tornando-se assim no jogador da história do futebol português com a cláusula de rescisão mais alta de sempre.
Recorde-se que o brasileiro foi contratado em 2008 ao Tokyo Verdi, do Japão, tendo o FC Porto pago cinco milhões por metade do passe do atleta.
Numa altura em que o jogador se encontra debaixo de fogo graças à sua expulsão no jogo com o Paços de Ferreira, o clube deu-lhe uma demonstração cabal de confiança e blindou a sua ligação ao Dragão, assegurando que o avançado não sairá do FC Porto sem o consentimento (e as devidas contrapartidas financeiras) dos portistas.
Depois de uma pré-época cheia de desapontamentos graças às saídas de Lisandro e Lucho, esta constitui uma excelente notícia para os adeptos. Já agora... de quanto será a cláusula de rescisão do Carlos Xistra com o futebol português?...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A opinião de Jorge Coroado

Ainda a propósito da expulsão do Hulk, convém ler a opinião do antigo árbitro Jorge Coroado, publicada hoje no jornal O Jogo:

«Lançado em velocidade na perseguição da bola, já próximo da linha de baliza dos visitados, tendo um adversário pela frente, Hulk, em gesto comummente considerado de "tesoura", projectou-se com ambos os pés ladeando o atleta pacense e, sem neste tocar, com o esquerdo conseguiu jogar o esférico não evitando, no entanto, que o mesmo saísse do terreno pela linha de cabeceira. Sabedor que o portista já tinha sido advertido com cartão amarelo, o atleta da casa teatralizou a queda simulando ter sido atingido e derrubado pelo poço de força azul e branco, deixando-se cair no solo contorcendo-se com dores. Porque compreensivelmente atrasado relativamente à jogada, o árbitro entendeu como passível de comportamento antidesportivo a atitude do jogador portista exibindo-lhe pela segunda vez o cartão amarelo e correspondente cartão vermelho. Errou. Hulk não havia feito fosse o que fosse que justificasse intervenção do árbitro senão para assinalar pontapé de baliza.»

É claro que os donos da "verdade" que não se cansaram de escrever nos últimos dias em tudo quanto é jornal que o Hulk foi bem expulso, não perderam tempo a levantar as suspeições do costume sobre a isenção do analista e do jornal em que escreve para descredibilizar a sua opinião. Quando as pessoas não têm carácter para assumir que estão erradas e reconhecer que a sua própria visão do lance foi tolhida pela clubite aguda, qualquer argumento falacioso serve para disfarçar a sua desonestidade.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O campeonato da vergonha - Parte II

Há cinco épocas atrás, os portugueses assistiram incrédulos ao desenrolar de um dos campeonatos de futebol mais viciados de que há memória no nosso país. O “campeonato da vergonha”, como muitos lhe chamaram, envolveu todo o tipo de artimanhas para levar o SL Benfica ao título, desde a inscrição irregular de jogadores na Liga graças à preciosa colaboração de “cunhas” leais à causa benfiquista, passando por vários processos sumaríssimos aplicados a dedo aos jogadores do FC Porto e por uma sequência de arbitragens escandalosas (quem não se recorda ainda da célebre “piscinada do Karadas”, um dos penalties mais patéticos a que alguma vez tivemos a oportunidade de assistir e que mereceu um lugar de honra no anedotário dos erros de arbitragem), culminando naquela que foi a maior obscenidade ocorrida em Portugal desde a célebre arbitragem de Inocêncio Calabote: o jogo realizado no Algarve entre o SLB e o Estoril-Praia que, apesar de todos os contornos de suspeição que o rodearam, das denúncias públicas do treinador estorilista sobre os jantares realizados no Sapo e da prestação de informações falsas à CMVM por parte do José Veiga relativamente aos 37% de acções da SAD estorilista que detinha, nunca foi alvo de qualquer investigação por parte das autoridades portuguesas. A bem da nação, os portugueses tiveram de calar a revolta e assistir impotentes a esta pouca-vergonha, mas não a esqueceram.
No início desta época, quando se tornou público o investimento astronómico que o SL Benfica efectuou em jogadores, hipotecando de uma assentada só os lucros de publicidade referentes à próxima década, tornou-se imediatamente óbvio que a conquista do título de campeão, mais do que uma ambição ou desejo, se tornou numa questão de vida ou morte para o clube da Luz. Perante isto, paira no subconsciente das pessoas o receio de que este campeonato se venha a tornar numa sequela daquele filme de terror a que todos assistimos há cinco anos atrás e que uma vez mais os interesses privados do Benfica (e de tudo o que orbita em torno do clube) se venham a sobrepor, de forma descarada e despudorada, a todos os valores morais, éticos e desportivos que devem reger a competição.
Não é de estranhar, portanto, que esta decisão da CD da Liga de punir o Hulk com dois jogos de suspensão, surgida na sequência de uma arbitragem medíocre e incompetente, e ainda por cima originada por uma alteração do relatório do árbitro efectuada à revelia dos delegados de jogo, venha suscitar fortes suspeições sobre a transparência deste processo. Nada que pudesse constituir surpresa no nosso país, tão criativos somos na invenção dos mais inusitados casos futebolísticos, não fosse o facto de estarmos ainda na primeira jornada e ninguém esperar que a pouca-vergonha pudesse começar tão cedo.

O que neste momento é verdade...

Um dia, Pimenta Machado, antigo presidente do Vitória de Guimarães, proferiu uma frase que expressa, como nenhuma outra, a realidade futebolística nacional: «No futebol português, o que hoje é verdade, amanhã já não é!» Hoje, no entanto, se eu tivesse de sintetizar o futebol português numa frase, seria ainda mais radical: «O que neste momento é verdade, daqui a uns minutos já não é!»
Ontem, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional conseguiu realizar a proeza de alterar, em poucas horas, a informação constante no seu site oficial, nada mais, nada menos, do que 4 (quatro!) vezes! Isto porque, aparentemente, nem a própria LPFP conseguiu compreender à primeira tentativa (nem à segunda, nem à terceira) se o Hulk tinha sido expulso por acumulação de amarelos ou por vermelho directo.
De facto, toda a gente que assistiu ao jogo viu o Carlos Xistra mostrar o 2º amarelo ao brasileiro e indicar-lhe a saída, mas (lá está novamente a questão, o que neste momento é verdade, daqui a uns minutos já não é) afinal o árbitro registou no relatório que considerou o cartão como vermelho directo devido às palavras injuriosas proferidas pelo jogador. O que o senhor albicastrense se esqueceu é que é da sua obrigação comunicar essa decisão aos capitães das equipas e aos delegados dos clubes, daí que ninguém pode confirmar quando foi que Sua Excelência mudou de ideias.
Ainda a procissão vai no adro e já está lançada a polémica e a dúvida quanto à transparência de todo este processo, tudo por causa da actuação de um árbitro que se convenceu de que fazer vista grossa às faltas sucessivas sofridas pelo Hulk seria a melhor forma de passar despercebido aos olhos da crítica.
Mesmo correndo o risco de parecer ingénuo, eu acredito que Carlos Xistra não tenha nenhuma questão pessoal contra o Hulk ou o FC Porto. O problema dele é o mesmo que afecta todos os outros árbitros: o medo de errar em favorecimento dos azuis e brancos e a pressão que sofrem da comunicação social lisboeta que nada lhes perdoa, impedem-nos de ajuizar de forma isenta e idónea.
Infelizmente para Carlos Xistra, este imbróglio que criou ainda vai dar muito que falar e a sua actuação não será esquecida tão cedo. É verdade que, como se tem visto, a imprensa tratou imediatamente de o proteger e até de desviar as atenções com questões paralelas, mas, sinceramente, não teria sido melhor para o futebol português e para todos os portugueses (incluindo o próprio Carlos Xistra) se o árbitro tivesse evitado esta vergonha começando por assinalar as faltas como é da sua competência?

Aceitam-se apostas

David Luiz, jogador do Benfica, provocou um penalty ao cortar um lance de perigo com a mão, o que permitiu ao Marítimo adiantar-se no marcador. No entanto, o jogador defende-se afirmando que nem se lembra de ter tocado a bola com a mão. Felizmente existem imagens televisivas que comprovam, indubitavelmente, a irregularidade cometida pelo jogador benfiquista e que demonstram que o brasileiro sofre de graves problemas de falta de memória. Muito provavelmente, David Luiz também não se lembrará de ter atingido violentamente um adversário com uma cotovelada na cara, mas também aí as imagens traem-no. Ora, considerando que estes dois lances não mereceram qualquer punição disciplinar por parte do árbitro (o que, a acontecer, ditaria inevitavelmente a sua expulsão visto que o jogador já tinha visto um amarelo), é legítimo concluir que os ares da Luz andam a afectar muita gente. Nuns casos, provocando falta de memória, noutros, falta de visão.
Não é difícil constatar que as actuações de Carlos Xistra no Paços de Ferreira-FC Porto e de Artur Soares Dias no Benfica-Marítimo demonstram uma gritante discrepância de critérios disciplinares. De facto, se Carlos Xistra tivesse usado a mesma complacência que Soares Dias usou, Hulk nunca teria visto um amarelo simplesmente por protestar, ou, pelo contrário, se Soares Dias tivesse aplicado aos jogadores do SLB a mesma severidade que Xistra usou com Hulk, David Luiz tinha ido tomar banho muito mais cedo e o Cardozo fazia-lhe companhia.
Infelizmente, as coisas não aconteceram dessa forma e Hulk ficará privado de jogar nas próximas jornadas, enquanto que David Luiz estará apto para nos oferecer mais alguns lances de porrada, dos quais, convenientemente, não se recordará depois. Isto, obviamente, com a preciosa colaboração da Comissão Disciplinar da Liga, sempre diligente e célere na aplicação dos seus famosos processos sumaríssimos com base em imagens televisivas, excepto quando os jogadores implicados vestem de vermelho. Aceitam-se apostas sobre o primeiro jogador que virá a ser alvo desta inusitada ferramenta disciplinar nesta época. Palpita-me que vestirá de azul e branco e que se chamará Hulk…

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Fedelhices

Talvez Carlos Xistra tenha saído da Mata Real satisfeito com a sua prestação e mais ficará quando sentir o calor humano de seis milhões de adeptos de um determinado clube lisboeta que, com certeza, não deixarão de prestar a devida homenagem ao árbitro de Castelo Branco pelos bons serviços prestados. No entanto, quando um árbitro entra em campo com o objectivo concreto de perseguir um determinado jogador, passando por cima dos mais básicos princípios da isenção e da idoneidade que lhe são exigidos, e ainda por cima o faz de forma tão flagrante e ostensiva, outra coisa não pode esperar de todos aqueles que defendem a verdade desportiva e o espectáculo futebolístico que não seja um claro e veemente repúdio.
Poderíamos falar aqui da quantidade de faltas que o Hulk sofreu e que passaram em claro aos olhos de Carlos Xistra. Também poderíamos falar da igual quantidade de faltas ridículas assinaladas pelo mesmo em lances banais em que o avançado portista se limitou a disputar a bola com os adversários. Mas basta analisar a amostragem do primeiro cartão amarelo num lance perfeitamente inócuo em que o jogador se limitou a rir de mais uma decisão desastrada do árbitro e comparar essa decisão patética com a quantidade de vezes que os jogadores do Paços de Ferreira se deram ao luxo de contestar, por gestos e palavras, sem que tais atitudes tenham merecido qualquer acção disciplinar por parte do árbitro, para entender o despudor a que conseguiu chegar Carlos Xistra. Depois, claro, bastou esperar por uma oportunidade para exibir o segundo cartão amarelo e correspondente vermelho, aproveitando a ingenuidade do jogador que ainda não compreendeu que, na mediocridade do futebol português, não há compreensão nem tolerância para a sua genialidade. No fundo, um desfecho que qualquer pessoa que assistia ao jogo já adivinhava, tão óbvia e descarada era a atitude persecutória do árbitro para com o jogador.
Hulk ainda é jovem e tem muito para aprender. Comporta-se como um fedelho que ainda não conseguiu dominar a revolta que sente perante as injustiças e que pensa que pode mudar o Mundo sozinho. Carlos Xistra também é jovem e tem também muito para aprender. Comporta-se como um fedelho que ainda não conseguiu dominar o medo de contrariar os interesses daqueles que detêm o poder nos escaninhos do futebol. A diferença entre ambos é que o futebol português precisa urgentemente da espectacularidade e genialidade de fedelhos como o Hulk, mas, decididamente, não precisa absolutamente nada da mediocridade e incompetência de fedelhos como Carlos Xistra.

domingo, 16 de agosto de 2009

Arquivo do melhor e do pior de 2010

Semana de 19 de Dezembro a 25 de Dezembro de 2010
  
O melhor

André Villas-Boas - O FC Porto bateu o Paços de Ferreira por 3-0 naquele que foi o seu último jogo da Liga Portuguesa realizado em 2010. Graças a este resultado, os Dragões garantiram o confortável avanço de 8 pontos sobre o 2º classificado e terminaram o ano sem qualquer derrota, quer nas competições nacionais, quer na Liga Europa. Um feito só por si notável, mas ainda mais extraordinário tendo em conta que se trata de um caso único entre todas as equipas que militam nos principais campeonatos europeus. O mérito, obviamente, não será apenas do treinador, mas André Villas-Boas merece ver reconhecido o magnífico trabalho que tem vindo a desenvolver ao comando da equipa. 


O pior

Túnel da Luz - A agressão dos seguranças do SLB a Juan Bernabé, dono da águia Vitória, é apenas mais um caso grave a juntar a muitos outros que aconteceram no túnel do Estádio da Luz. Este incidente, bem como o testemunho da vítima, vieram, uma vez mais, pôr a nu o clima de terror que se vive no interior das instalações da Luz em virtude da violência protagonizada pelos stewards encarnados. Entretanto, beneficiando da passividade das autoridades de Lisboa que persistem numa postura de total alheamento, os dirigentes encarnados vão sacudindo a água do capote, limitando-se a emitir para o exterior comunicados dúbios que, na prática, não passam de fait-divers com o objectivo de desviar as atenções do público destes graves acontecimentos que se vão sucedendo, à vista de todos, com total impunidade.
 
Semana de 28 de Novembro a 4 de Dezembro de 2010
  
O melhor

Invencibilidade do FC Porto - Já não é apenas a muy nobre e sempre leal cidade do Porto que se pode orgulhar de ser invicta. Também a sua principal equipa o é no futebol europeu. Após as derrotas do Real Madrid e do Manchester United, o FC Porto passou a ser a única equipa da Europa que ainda não experimentou o sabor amargo da derrota na corrente temporada. Notável!

Semana de 7 a 13 de Novembro de 2010
  
O melhor

O espírito do Dragão - Acho que nunca tive tanta dificuldade em escolher o melhor da semana como desta vez. Primeiro pensei em distinguir Falcão pelos dois magníficos golos que marcou, um deles num espectacular remate de calcanhar, mas depois pensei que tal seria injusto para Hulk que, não só marcou também dois golos, como protagonizou uma das melhores exibições que já o vimos fazer até hoje. Depois pensei em distinguir André Villas-Boas pela irrepreensível lição de táctica que deu ao seu adversário, mas isso seria injusto para Pinto da Costa, um presidente sagaz como nenhum outro, que teve a coragem de apostar num jovem ainda sem provas dadas. E Varela? E Moutinho? E Belluschi? Enfim, os destaques pela positiva foram tantos que, finalmente, me decidi por distinguir todo o FC Porto. Afinal, quem poderá negar que, depois desta noite memorável e deste resultado histórico, todo o clube está de parabéns?


 Semana de 26 de Setembro a 2 de Outubro de 2010
  
O melhor


FC Porto - O Dragão festejou ontem o seu 117º aniversário. Completaram-se assim 117 anos de glória desportiva e benemérita graças ao trabalho de muita gente que dedicou a sua vida, alma e coração à construção deste grandioso clube e a quem, neste momento de festa, recordamos com admiração e saudade. 117 anos de sonho, de paixão e de sede de conquista reflectidos no brilho dos inúmeros troféus conquistados. A cada ano que passa, a cada grito que se dá, cada golo que se festeja, cada batida acelerada do coração quando a emoção aperta, o orgulho de ser portista é maior! Longa vida ao Dragão! Viva o FC Porto!

 O pior

Vitor Pereira - A propósito das duras críticas que lhe foram dirigidas durante as últimas semanas originadas pela má arbitragem no jogo Guimarães-Benfica, Olegário Benquerença afirmou que, no mundo da arbitragem, só se aguenta quem tiver um carácter forte. Nesse sentido, o presidente da Comissão de Arbitragem demonstrou não tê-lo ao vir imediatamente a público comentar as arbitragens quando estão apenas decorridas cinco jornadas do campeonato. Por muito que Vítor Pereira procure agora lavar a face alegando que, de agora em diante, irá adoptar o mesmo critério e a mesma postura a cada cinco jornadas, toda a gente percebeu que o seu acto se deveu unicamente à pressão exercida pelo SL Benfica. Por esse motivo, o balanço da arbitragem, que deveria constituir uma salvaguarda da transparência e da verdade desportiva, transformou-se rapidamente numa lamentável demonstração de subserviência a um clube e numa inaceitável forma encapotada de pressão sobre os árbitros. 



 Semana de 20 de Junho a 26 de Junho de 2010
  
O melhor

Portugal - Novamente! A Portugal bastaria esperar que a Costa do Marfim não conseguisse infligir à Coreia do Norte uma goleada por mais de seis golos para garantir automaticamente a passagem aos oitavos de final. No entanto, a equipa entrou na partida com o Brasil decidida a não arriscar nada, impondo um empate a zero aos brasileiros e conquistando assim, com inteiro mérito, o segundo lugar do grupo. A seguir vêm os jogos de "mata-mata" e o primeiro adversário é de peso: nada mais, nada menos que a campeã europeia, Espanha. A história pende a nosso favor nos últimos 30 anos, mas...

O pior

Incidentes no Parque das Nações -Sinceramente, ainda não consegui entender qual foi a origem dos incidentes que ocorreram no Parque das Nações logo após o final do jogo entre Portugal e o Brasil e que envolveram adeptos de ambas as selecções, mas não creio sequer que tal seja o mais importante nesta questão. Gostaria apenas de perceber como foi possível as pessoas transformarem aquela que deveria ter sido uma festa para todos (em virtude do apuramento das duas equipas para os oitavos de final) numa cena lamentável de violência gratuita. É caso para perguntar o que acontecerá no caso destas selecções se voltarem a defrontar, por exemplo, na final do campeonato do Mundo.


Semana de 20 de Junho a 26 de Junho de 2010

O melhor

Portugal - Obviamente! É verdade que a Coreia do Norte ocupa apenas 105ª posição no ranking da FIFA, mas não será menos verdade que teve valor suficiente para garantir um lugar no Campeonato do Mundo da África do Sul e fez a vida negra ao Brasil na primeira jornada, perdendo pela margem mínima. Há muito tempo que os portugueses mereciam uma exibição e um resultado moralizador como este, que abre boas perspectivas para o apuramento da nossa selecção para os oitavos de final.


Semana de 13 de Junho a 19 de Junho de 2010

O pior

Deco - O luso-brasileiro é, indiscutivelmente, um jogador de qualidade muito acima da média e uma mais-valia para a Selecção Nacional. No entanto, mesmo os melhores jogadores têm de compreender que o seu papel na equipa não se restringe simplesmente a jogar bem e que deles se espera e exige uma postura a todos os níveis exemplar. Deco pode discordar das opções do seleccionador e até manifestar o seu desagrado junto deste, mas a postura que assumiu ao ser substituído e, principalmente, as declarações que proferiu publicamente no final do jogo não dão uma boa imagem da equipa nem reflectem, para o exterior, um bom ambiente no balneário. Ainda há dois jogos decisivos para Portugal e muita coisa pode acontecer. Obviamente, os erros cometidos e as discordâncias devem ser debatidas, mas não na praça pública.


Semana de 22 de Maio a 29 de Maio de 2010

O melhor

José Mourinho - A lista de treinadores que, até hoje, conquistaram duas vezes a Liga dos Campeões é muito pequena. A lista daqueles que a conquistaram em dois clubes distintos, ainda mais pequena é. José Mourinho é, inegavelmente, um dos maiores treinadores do mundo e o maior embaixador actual do futebol português no estrangeiro. Merece, neste momento de glória, que lhe seja prestada a devida homenagem. É destes exemplos de verdadeiro sucesso, competência e esforço que Portugal precisa.

O pior

Selecção Nacional - Numa altura em que nos encontramos apenas a pouco mais de 20 dias do início do Campeonato do Mundo da África do Sul, é legítimo que se fale aqui da Selecção Nacional. É verdade que o grupo de jogadores escolhidos por Calos Queirós para representar Portugal neste evento só ficou completo a meio da semana transacta, o que deixou poucos dias para a preparação do encontro amigável com Cabo Verde. É também verdade que, como afirmou Cristiano Ronaldo, nenhum dos jogadores tem interesse em dar o seu máximo em jogos de preparação, havendo o receio de contrair lesões graves que os afastem do Mundial. No entanto, estes factores não justificam a exibição confrangedora da Selecção Nacional e a diferença de nível entre as duas equipas exigia um resultado bem mais animador do que o 0-0 que se verificou no final da partida. Esperemos que o próximo jogo, frente aos Camarões, permita corrigir os erros, alicerçar as tácticas e, principalmente, elevar o ânimo.


Semana de 9 de Maio a 15 de Maio de 2010

O melhor

Domingos Paciência - Na época passada, Jorge Jesus, então treinador do SC Braga, afirmou que o clube arsenalista só conseguiria ser campeão na Playstation. Esta época, foi a vez do seu sucessor, Domingos Paciência, manifestar uma opinião semelhante, queixando-se das desigualdades que se verificaram ao longo do campeonato e que impediram a sua equipa de atingir o primeiro lugar. É um facto que existiu uma diferença abismal entre os orçamentos do Braga e o dos seus adversários directos na luta pelo título. É um facto que o Braga não possui a influência de que os seus rivais beneficiam nos órgãos de justiça da Liga, com as consequências que todos conhecemos. É um facto que o Braga não tem o peso institucional dos seus rivais que pesa, entre outras coisas, nas decisões dos árbitros, nem tão pouco a protecção da comunicação social da capital. Mas mesmo com todas estas desigualdades, os arsenalistas mantiveram-se firmes na luta pelo título, acreditando até ao último minuto na conquista de um campeonato que podia (e devia) ter tido outra História. Domingos Paciência efectuou um trabalho excepcional e está francamente de parabéns.

O pior

Pedro Henriques - Numa altura em que se avizinha um confronto directo entre o Porto e o Benfica que se espera “quente” em virtude dos conflitos originados pelos incidentes do túnel da Luz, esperava-se bom senso e sentido de responsabilidade da parte dos árbitros e demais intervenientes no futebol, no sentido de pôr um pouco de água na fervura e serenar os ânimos já de si bastante exaltados. A verdade é que Pedro Henriques acabou por vir deitar mais uma acha para a fogueira e atiçar o lume ao mostrar um cartão amarelo injustificado a Falcao que afastará o avançado do clássico de Domingo. Uma decisão polémica que vem aquecer ainda mais os ânimos e levantar novas dúvidas sobre a verdade desportiva de um campeonato extremamente condicionado por factores extra-quatro linhas.


Semana de 18 de Abril a 24 de Abril de 2010

O melhor

Pinto da Costa - Odiado por uns, adorado por outros, é indiscutivelmente o maior presidente da história do futebol português e um dos maiores e mais prestigiados dirigentes futebolísticos mundiais. Pinto da Costa recandidatou-se esta semana ao cargo de presidente do FC Porto (o seu 12º mandato consecutivo), o que lhe permitirá atingir as três décadas na liderança do clube. O dirigente portista encontra-se assim muito próximo de atingir a distinta marca de Santiago Bernabéu, que ocupou a presidência do Real Madrid durante 35 anos.

O pior

FPF - Antes do início do jogo com o V. Guimarães, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol entregou ao capitão Bruno Alves a taça pela conquista do campeonato na época passada. Acredito que o facto da entrega do troféu ter acontecido exactamente no dia em que o FC Porto perdeu matematicamente a possibilidade de revalidar o título não terá passado de uma infeliz coincidência, mas este desagradável acaso veio manchar ainda mais um acto que já estava suficientemente ridicularizado pelo inexplicável atraso. De facto, não se compreende que só à 27ª jornada a FPF se tenha dignado a entregar a taça ao clube campeão da época anterior, retirando assim significado ao acto. Veremos se, na próxima época, se irá repetir este lamentável e patético incidente.


Semana de 4 de Abril a 10 de Abril de 2010

O melhor

Hulk - Tal como afirmou Pinto da Costa na entrevista dada à RTP na passada semana, um jogador não faz uma equipa, mas ninguém tem dúvidas de que o Barcelona sem Messi não é o mesmo Barcelona e que o Real Madrid sem Cristiano Ronaldo não é o mesmo Real Madrid. Frente ao Marítimo, num jogo a contar para a Liga Portuguesa, Hulk protagonizou mais uma excelente exibição, coroada com um belo golo (o segundo em jogos consecutivos). O “Incrível” parece assim apostado em demonstrar que o FC Porto sem Hulk não é o mesmo FC Porto. Perante isto, é legítimo questionar: até onde poderia ter chegado o FC Porto esta época se Hulk não tivesse sido ilegitimamente impedido de jogar durante uma grande parte da liga?


Semana de 21 de Março a 27 de Março de 2010

Hulk - Depois de se ver afastado dos relvados nacionais durante uns longos 17 jogos em virtude de um castigo vergonhoso imposto pela CD da Liga, Hulk voltou hoje ao activo no embate com o Belenenses. Aos 83 minutos de jogo, pegou na bola no lado direito do ataque azul e branco e concentrou toda a sua ira pela injustiça de que foi alvo num portentoso remate que só parou no fundo da baliza da equipa de Belém. Este magnífico golo, daqueles que levantam um estádio, foi mais do que um grande momento de futebol: foi uma mensagem para os dirigentes do futebol português, para que compreendam que o lugar dos grandes jogadores é nos campos e que é por eles que o público enche os estádios. Não pelos doutorzinhos de fato e gravata que, sentados nas suas secretárias na Liga, manipulam as leis a seu bel-prazer, em nome dos interesses mesquinhos de lobbies privados.

O pior

Laurentino Dias - Quando o presidente do FC Porto instou Laurentino Dias a levantar um processo de investigação sobre a podridão a que todos assistimos no futebol português, o Secretário de Estado limitou-se a responder que… não comentava. Pois o resultado da sua inépcia está bem à vista de todos! Independentemente do resultado final da liga (que, em virtude das circunstâncias em que a mesma se tem desenrolado, já se adivinhava desde o início) e da justiça que o vencedor possa ter no âmbito desportivo, é indesmentível que a credibilidade e transparência da competição ficará gravemente e irreversivelmente afectada graças à influência directa que os castigos aplicados pela CD a Hulk, Sapunaru e Vandinho tiveram no normal desenrolar da mesma. A demissão de Hermínio Loureiro é mais do que o simples assumir de responsabilidades: é a admissão de que algo de muito podre se passa no seio da Liga de Clubes. Perante isto, o Governo não pode continuar a assobiar para o ar, fingindo que nada vê e nada ouve, sob pena de se tornar, aos olhos do povo, cúmplice de todas as manobras obscuras que vão sendo produzidas nos bastidores do futebol com o objectivo de manipular a verdade desportiva. Sendo as evidências deste caso bem conhecidas do público em geral, não são necessárias escutas telefónicas nem tão pouco livros publicados por alternadeiras para que as autoridades encontrem fundamentos para a abertura de um processo de investigação. Só não o farão se não quiserem!


Semana de 14 de Fevereiro a 20 de Fevereiro de 2010

O melhor

Plantel do FC Porto - Numa altura em que o FC Porto sofreu mais um violento ataque originado pelo órgão presidido por Ricardo Costa e a verdade desportiva da presente Liga Portuguesa ficou definitivamente ferida de morte na sequência dos inusitados castigos aplicados a Hulk e Sapunaru originados por uma interpretação viciada dos regulamentos desportivos, tornava-se necessário que os Dragões tocassem a reunir. Esse grito de alerta foi dado pela voz do Nuno Espírito Santo que, de uma forma calma e firme, manifestou a revolta e indignação que todos nós estamos a sentir neste momento. Somos Porto e estamos unidos. Não se esqueçam disso.

O pior

Hermínio Loureiro - O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional afirmou publicamente que lamenta o clima de suspeição que se vive no futebol português e que é importante que a verdade desportiva prevaleça em todas as circunstâncias. É pena que Hermínio Loureiro não seja suficientemente esperto para compreender que ele próprio foi parte desse problema e não solução, ao manter-se calado como um rato durante o longo período que a CD demorou a decidir sobre os castigos a aplicar a Hulk e Sapunaru. Veremos agora que resultado terá o recurso que o FC Porto pretende apresentar no Conselho de Justiça da Federação. Caso a FPF conclua que as punições aos jogadores portistas foram efectivamente originadas por uma interpretação viciada dos regulamentos tal como defendem os Dragões, o clima de suspeição dará lugar a um clima de certeza: a de que nunca existirá verdade desportiva enquanto o órgão a que preside Hermínio Loureiro não sofrer uma valente vassourada. A começar pelo presidente.


Semana de 7 de Fevereiro a 13 de Fevereiro de 2010

O melhor

Mariano González - Todos nós vivemos situações que, apesar de nos parecerem insignificantes na altura, acabam por alterar a nossa filosofia de vida ou a nossa perspectiva do futuro. Por vezes, um simples elogio ou uma crítica, uma promoção ou um acidente, um beijo ou uma bofetada, podem ser o suficiente para despoletar em nós uma mudança significativa de atitude na nossa vida familiar ou profissional. Para bem ou para mal. No caso de Mariano González, a atribuição da braçadeira de capitão parece ter funcionado como um gatilho que fez o avançado argentino disparar para as boas exibições. Depois do magnífico golo apontado frente ao Sporting, Mariano ofereceu-nos mais um momento fantástico de futebol ao marcar o golo que valeria a vitória sobre a Académica e o consequente apuramento para a final da Taça da Liga. Se me dissessem, no início da época, que Mariano González iria merecer dois "Melhor da semana" consecutivos, provavelmente eu não acreditaria, mas estes dois golos de superior qualidade, a coroar duas exibições de se lhe tirar o chapéu, justificam plenamente este reconhecimento.

O pior

Ricardo Costa - Contando com o jogo com a Académica para a Taça da Liga, Hulk e Sapunaru foram já impedidos de jogar em onze partidas oficiais. ONZE! Se atendermos a que o Pepe, por ter agredido um adversário no decorrer de um jogo, num momento de completo desvario emocional, foi suspenso por dez jogos, não é difícil perceber que a dimensão do castigo imposto aos jogadores portistas é, por si só, exagerado. Mas mesmo admitindo que o castigo fosse justo, qualquer entidade responsável pela aplicação da Justiça perde completamente a credibilidade quando deixa arrastar por tempo indefinido a decisão de um castigo a aplicar aos jogadores, sabendo que tal atitude está a criar graves prejuízos a um clube e a condicionar directamente o normal desenrolar do campeonato. Por muito boa vontade que pudéssemos ter e por muito forte que fosse a nossa intenção de ainda acreditar na competência, idoneidade e isenção do presidente da Comissão Disciplinar da Liga, ninguém pode deixar de pensar, perante as evidências, que algo de muito errado se passa no futebol português. E o que é mais grave é que o escândalo está para durar, uma vez que as autoridades insistem numa atitude de total alheamento, fingindo que nada vêem e nada ouvem.


Semana de 31 de Janeiro a 6 de Fevereiro de 2010

O melhor

Mariano González - O jogador argentino nunca conseguiu convencer verdadeiramente os adeptos portistas do seu real valor e é alvo de críticas frequentes. A verdade é que, sempre que a sua continuidade na equipa é posta em causa, Mariano tira um coelho da cartola e cala (pelo menos, temporariamente) os seu detractores. Não me posso esquecer do momento fantástico que vivi com o golo marcado em Old Traford frente ao Manchester United nos últimos minutos da partida e, por mais anos que viva, também não me esquecerei do magnífico golo apontado ao Sporting nesta eliminatória da Taça de Portugal. Não sei se a braçadeira de capitão lhe deu o alento que lhe faltava para assumir as suas capacidades, mas uma coisa é certa: se Mariano continuar a protagonizar exibições como aquela que nos ofereceu frente ao Sporting, tem lugar assegurado na equipa.

Semana de 24 de Janeiro a 30 de Janeiro de 2010

O melhor
 
SC Braga - Numa altura em que o futebol português se encontra bipolarizado em torno dos dois clubes mais representativos das duas maiores cidades do país, FC Porto e SL Benfica, torna-se cada vez mais difícil que um clube de menor dimensão consiga intrometer-se na luta pelo título de campeão nacional. Com a vitória frente ao Sporting, o Braga fez o pleno frente aos “grandes” e tirou todas as dúvidas que ainda poderiam persistir sobre o seu valor. Se atendermos à diferença de orçamentos entre o clube minhoto e os adversários com quem mantém o braço de ferro na disputa pelo título, ninguém pode deixar de reconhecer que este Super-Braga merece o respeito e a admiração de todos aqueles que gostam verdadeiramente de futebol.

Semana de 17 de Janeiro a 23 de Janeiro de 2010

O melhor

Beto - Não é bom sinal para uma equipa quando o seu guarda-redes se torna a figura principal de um jogo mas, mais grave do que isso, é quando dois guarda-redes da mesma equipa se tornam figuras principais de dois jogos separados por poucos dias. No entanto, o mérito deve ser dado a quem o merece. Frente ao Leiria, Helton foi o herói da noite ao defender um penalty no último minuto que valeu a vitória ao FC Porto. Ontem, frente ao Belenenses, Beto foi também o herói da noite, ao defender cinco dos penalties no desempate por pontapés da marca de grande penalidade, permitindo assim ao FC Porto vencer a eliminatória da Taça de Portugal.

Semana de 10 de Janeiro a 16 de Janeiro de 2010

O melhor

Helton - Frente ao Leiria, Helton começou por oferecer ao adversário a possibilidade de chegar ao empate a uma bola com um golo muito facilitado. No entanto, o guarda-redes portista redimiu-se desse erro já em tempo de descontos, defendendo o penalty marcado por Ronny (com um remate que atingiu os 124km/h) que, a ser convertido, representaria a perda de mais dois pontos preciosos para a perseguição ao 1º lugar do campeonato. Helton foi o dragão que aqueceu esta fria noite com a sua chama.

 Semana de 3 de Janeiro a 9 de Janeiro de 2010

 O melhor

José Maria Pedroto - Hoje, dia 7 de Janeiro de 2010, completam-se 25 anos sobre o desaparecimento de uma das figuras mais carismáticas e marcantes do futebol português: José Maria Pedroto, também conhecido por “Zé do Boné”. Nascido em 1928, jogou no Leixões, Lusitano de Vila Real de Santo António, Belenenses e FC Porto. Como treinador, orientou a Académica, Leixões, Varzim, V. Setúbal, Boavista, V. Guimarães e claro, o FC Porto, equipa que levou à conquista do campeonato e à final da Taça das Taças que os Dragões perderam com a Juventus. O seu conhecimento da realidade futebolística nacional e a sua visão de futuro ficaram bem patentes nas afirmações que proferiu e que se enquadram perfeitamente na actualidade. Dessas frases célebres, destaco uma que me parece especialmente importante: «É tempo de acabar com a centralização de todos os poderes da capital». É incrível como, 25 anos volvidos após a sua morte, nada pareça ter mudado neste jardim à beira mar plantado.

 Semana de 20 de Dezembro a 26 de Dezembro de 2009

 O pior



Comunicação Social – Contra factos não há argumentos. As imagens são claras e inequívocas. A jogada que deu origem ao golo do Benfica devia ter sido anulada à partida, visto que foi precedida de um evidente fora-de-jogo de Urreta que o juiz-de-linha, bem posicionado e sem qualquer obstáculo que impedisse a sua visão, não assinalou.  É incompreensível que a Comunicação Social não tenha tido o menor interesse em referir este facto. Os canais televisivos focaram apenas o golo em si e a posição (legal) do Saviola, desviando assim as atenções do que se passou antes. Que outras motivações pode ter a imprensa nacional em escamotear a verdade aos olhos do público senão a de induzir em erro a sua opinião e proteger os interesses da equipa beneficiada?


Semana de 4 de Outubro a 10 de Outubro de 2009

O melhor

Radamel Falcao – A continuar assim, o avançado colombiano arrisca-se seriamente a tornar-se figura assídua do Melhor da Semana. Depois de ter brindado a assistência do Dragão com um fantástico golo de calcanhar frente ao Atlético de Madrid que nos fez recordar com saudade aquela noite maravilhosa de Viena, Falcao marcou mais dois golos ao Olhanense, contribuindo de forma decisiva para a vitória sobre os algarvios. Aparentando um carácter humilde e discreto, o jogador já conquistou a simpatia dos adeptos que muito apreciam e agradecem a sua capacidade goleadora.

O pior

Vítor Pereira – É difícil compreender a escolha de Duarte Gomes para arbitrar o clássico do Dragão entre o FC Porto e o Sporting quando era do conhecimento público que o clube leonino mantinha um diferendo com esse árbitro. Mesmo acreditando que o presidente da Comissão de Arbitragem não teve a intenção de afrontar ninguém, seria de esperar mais bom-senso por parte de quem gere a arbitragem em Portugal, pois já se adivinhava que tal escolha iria servir de pretexto para a criação de mais uma polémica gratuita e estéril à boa maneira portuguesa.

Semana de 13 de Setembro a 19 de Setembro de 2009

O melhor

Fredy Guarín - Frente ao Chelsea, o jogador colombiano não se intimidou perante os adversários e protagonizou a melhor exibição que o vi fazer desde que chegou ao Porto. Muito seguro a defender, deu solidez ao meio-campo e apoiou o ataque, tendo mesmo efectuado alguns remates perigosos à baliza que, apenas por manifesta infelicidade e pela qualidade do guarda-redes adversário, não se traduziram em golo. Eu arriscar-me-ia a afirmar que Guarín foi o melhor jogador em campo nesta chuvosa e fria noite de Londres.

O pior

Jesualdo Ferreira - É verdade que o Chelsea é uma equipa poderosa e não se esperava que o FC Porto tivesse um jogo fácil em Londres, mas a experiência de Jesualdo Ferreira já lhe devia ter ensinado que entrar em campo com uma equipa montada para empatar raramente dá bons resultados. Não se compreende que Falcao tenha sido relegado para o banco depois de ter marcado quatro golos em outras tantas jornadas da Liga portuguesa, nem se entende porque motivo é que Varela só entrou em campo depois da equipa estar em desvantagem no marcador, principalmente quando se via que Hulk estava ser alvo de marcação cerrada e que Mariano não dava uma para a caixa. Não temos pretensões de pôr em causa os conhecimentos técnico/tácticos de Jesualdo Ferreira amplamente comprovados na sua já longa carreira, nem temos o direito de ser injustos esquecendo tudo o que já fez por esta equipa e por este clube, mas não são raras as vezes em que o treinador portista é acusado de falta de coragem nos confrontos europeus e começa a ser notório que essas acusações não são totalmente desprovidas de lógica. Apesar da exibição positiva que o FC Porto protagonizou, não podemos deixar de lamentar mais uma derrota em Inglaterra e de sentir um certo amargo de boca quando verificamos que a equipa portista tinha todas as condições para fazer história em Londres, aproveitando a ausência de Drogba, Deco e Bosingwa.


Semana de 6 de Setembro a 12 de Setembro de 2009

O melhor

Álvaro Pereira - No início da época, o defesa esquerdo carregava sobre os seus ombros o peso de ter de fazer os portistas esquecerem Cissoko o mais rapidamente possível. Álvaro Pereira, não só conseguiu realizar esse feito em poucas jornadas, como tem vindo a dar mostras de ser, em certos aspectos, melhor ainda que o seu antecessor. No jogo com o Leixões, o uruguaio esteve nas principais jogadas do desafio e participou em três dos lances de golo dos Dragões, tendo sido considerado, aos olhos da crítica, o melhor jogador em campo. Foi em Inglaterra, mais precisamente no jogo com o Manchester United, que Cissoko chamou a atenção da Europa, o que lhe valeu uma transferência para França por uma verba até então inimaginável. Sabendo que a Liga dos Campeões é uma grande montra internacional de jogadores e que o jogo com o Chelsea está à porta, Álvaro Pereira poderá bem ser o próximo jogador a valorizar-se de forma extraordinária caso aproveite esta oportunidade soberana para protagonizar, perante os londrinos, mais uma excelente exibição como as que nos tem sabido oferecer na Liga portuguesa.

Semana de 30 de Agosto a 5 de Setembro de 2009

O melhor

Ernesto Farías - Durante esta semana, foram vários os jornais que deram conta da alegada intenção do FC Porto de incluir o passe de Farías no negócio da transferência do Kléber, no sentido de baixar o valor exigido pelo Cruzeiro. Não sei se tais notícias têm algum fundamento (como é hábito, os contornos dos negócios efectuados pelo clube azul e branco nunca são tornados públicos antes de serem finalizados com sucesso) mas, se tal é verdade, fico satisfeito pelo facto do negócio não se ter concretizado. É um facto que Farías é um jogador que não consegue reunir consenso em torno de si, o que não abona muito em seu favor. Há adeptos que o consideram um bom avançado, há outros que o consideram demasiado perdulário. A verdade é que o argentino deu esta semana uma resposta muito positiva às notícias sobre a sua possível dispensa, não só afirmando que estava de alma e coração no FC Porto, mas também marcando um bonito golo poucos minutos depois de ter entrado em jogo frente à Naval, o que comprova a sua vontade de se afirmar nesta equipa. Por vezes, os jogadores necessitam de um “abanão” para perceberem que não têm o lugar assegurado num plantel competitivo como é o do FC Porto. Esperemos que estas notícias tenham servido como um estímulo e que Farías nos proporcione muitos mais golos como este.

O pior

O crime em nome do futebol - Começam a ser excessivamente recorrentes as notícias de assaltos a estações de serviço protagonizados por elementos da claque portista. Podíamos falar aqui do verdadeiro atentado terrorista que estes actos criminosos constituem à luz da Constituição, mas tal seria uma pura perda de tempo porque já muito foi dito sobre o assunto e é óbvio que estes pervertidos continuam a não querer compreender o significado de lei, liberdade ou democracia. O que é difícil de entender é que esta gente tenha perdido completamente a consciência de que ultrapassou todos os limites do aceitável e que já nem o facto desta situação estar a colocar a imagem do próprio clube que alegam defender na lama sirva para travar ou conter as suas acções. Não se pode generalizar alegando que todos os elementos das claques são culpados, nem particularizar afirmando que apenas esta ou aquela claque procede desta forma. Infelizmente, existem muitos elementos das claques que não se revêem nestes delitos mas são impotentes para os evitar e a história recente do futebol português está repleta de casos que comprovam que este cancro está longe de ser exclusivo de uma qualquer cor clubística. O que é fundamental é alertar as consciências de todos os cidadãos e pedir-lhes que, de forma clara e inequívoca, condenem estes actos criminosos cometidos em nome do futebol e rejeitem qualquer tipo de transigência para com os seus perpetradores independentemente da cor que vestem.


Semana de 23 a 29 de Agosto de 2009

O melhor

Cristian Rodríguez - O avançado do FC Porto está de volta ao activo depois de um longo período de afastamento devido a uma lesão contraída ao serviço da selecção do seu país. Recorde-se que Rodríguez ainda participou na Peace Cup mas ressentiu-se da lesão, não tendo jogado na primeira jornada da Liga frente ao Paços de Ferreira. No jogo com o Nacional, o uruguaio entrou já numa fase avançada da partida (67´) em substituição de Varela, trazendo mais frescura, velocidade e acutilância ao ataque azul e branco nos minutos finais. Apesar de ser notório que o jogador ainda se encontra longe da sua melhor forma, os adeptos festejaram efusivamente o golo marcado aos 86 minutos e saudaram o regresso de um dos seus melhores extremos.

O pior

A violência no futebol – No final da partida realizada entre o Vitória de Guimarães e o Benfica, as forças policiais viram-se forçadas a intervir quando as claques dos dois clubes se envolveram em graves confrontações. Ainda no decorrer do jogo, as autoridades já haviam actuado para impedir os distúrbios junto da bancada onde se encontrava a claque visitante, uma vez que alguns adeptos benfiquistas “festejaram” o golo de Cardozo partindo e arremessando cadeiras para o relvado, mas foi já no exterior do estádio D. Afonso Henriques que a violência se instalou. É lamentável constatar que, em pleno século XXI, ainda existam pessoas que fazem do futebol um pretexto para dar largas aos seus instintos animais. Parece que a humanidade, em vez de evoluir, se encontra a regressar às suas origens símias. É óbvio que as entidades responsáveis têm soluções para acabar definitivamente com estas macaquices. Por exemplo, criando “listas negras” (a exemplo do que acontece no combate ao hooliganismo) em que os autores de actos de violência são impedidos de frequentar os estádios de futebol. Obviamente, para a implementação de soluções deste género é preciso, acima de tudo, vontade política e coragem, dois factores que não parecem existir em Portugal.


Semana de 16 a 22 de Agosto de 2009

O melhor

Radamel Falcao – No seu primeiro jogo oficial realizado com a camisola do FC Porto, o avançado colombiano recentemente contratado mostrou qualidades ao marcar um bonito golo que permitiu à equipa chegar ao empate, conquistando assim o primeiro ponto da Liga. Naturalmente, o resultado foi escasso para as ambições do clube, mas Falcao demonstrou que Jesualdo Ferreira pode contar com ele como alternativa a Hulk quando as coisas correm mal ao avançado brasileiro.

O pior

Filipe Anunciação – Aos 25 minutos do jogo disputado entre o FC Porto e o Paços de Ferreira, Hulk seguia com a bola dominada quando, num gesto sem qualquer intencionalidade aparente, toca de raspão na face e no peito de Filipe Anunciação. Prontamente, o jogador pacence deixou-se cair simulando ter sido agredido, agarrado à cara e contorcendo-se em esgares de dor, obviamente com a intenção de enganar o árbitro e levá-lo a expulsar o avançado portista que já tinha visto um cartão amarelo numa situação anterior. Carlos Xistra, mesmo em cima do lance, permitiu que o teatro do jogador pacence passasse impune a nível disciplinar e (pasme-se!) ainda assinalou falta contra o FC Porto, uma intervenção contraditória e inexplicável que só veio pôr a nu a confusão de ideias que grassam na cabeça do árbitro de Castelo Branco no momento de tomar as decisões. Com alguma boa vontade, até conseguimos entender que um jogador se sirva de algumas manhas para enganar os árbitros. Quem nunca pecou neste capítulo que atire a primeira pedra. O que não se pode entender nem aceitar é que o mesmo jogador tenha vindo, já no final da partida, alegar perante a comunicação social que Hulk deveria ter sido efectivamente expulso por tê-lo agredido. Talvez o Filipe Anunciação desconheça que em Portugal existe uma coisa chamada televisão, ou então pense que os portugueses são todos ingénuos ou parvos. Felizmente para ele, os árbitros estão mais preocupados em perseguir os bons jogadores do que em punir as atitudes deploráveis de jogadores sem categoria e a Comissão Disciplinar só se serve das imagens televisivas para aplicar os seus célebres processos sumaríssimos em função de critérios duvidosos. Fosse o Fair-play e o Respeito a ditar as leis no futebol e Filipe Anunciação veria o próximo jogo da sua equipa sentado na bancada.


Semana de 9 a 15 de Agosto de 2009

O melhor

Bruno Alves - Depois de muito se ter dito quanto a uma possível saída do central azul e branco para um clube estrangeiro, a verdade é que Bruno Alves continua de dragão ao peito e protagonizou, no jogo da Supertaça, mais uma excelente exibição, coroada com um magnífico golo marcado de cabeça na sequência de um pontapé de canto. Não gosto de usurpar o que não me pertence, mas quase me arriscaria a dedicar este grande golo a todos aqueles que, durante semanas, alimentaram a novela da transferência do Bruno Alves, obviamente desejosos de deixar de assistir a estes belos momentos que o central, uma vez mais, nos ofereceu com a camisola azul e branca vestida.

O pior

Cristiano Ronaldo – O sucesso tem destas coisas. Quanto mais sobe um jogador, maior é a desilusão que provoca nos adeptos quando estes se apercebem de que o seu ídolo não tem capacidade para estar à altura das exigências e das expectativas criadas sobre si. O melhor jogador do Mundo parece esquecer-se rapidamente do título que ostenta sempre que se avizinham jogos da Selecção Nacional. Ou isso, ou ainda não compreendeu a responsabilidade que tal distinção lhe confere, a par com o protagonismo de que tanto gosta. De facto, não só nos tem oferecido exibições paupérrimas com a camisola das quinas, como agora padece de súbitos e inesperados sintomas gripais que o impedem de representar o país. É compreensível que um jogo amigável com o Liechtenstein se afigure pouco motivador aos olhos de um jogador de topo mundial. Também se aceita que o clube que pagou uma fortuna pela sua contratação não se sinta muito interessado em cedê-lo para uma partida dessa natureza. Mas, que diabo, qual é o português que não encontraria força suficiente para ultrapassar todas as adversidades se tivesse a oportunidade de jogar na sua selecção, mesmo num jogo a feijões?


Semana de 2 a 8 de Agosto de 2009

O melhor

Tristan Gommendy - O piloto do FC Porto venceu a segunda corrida da jornada de Donington Park da Superleague Formula, realizada no domingo passado. Depois de ter terminado em 8º lugar na prova da manhã, o monolugar azul e branco terminou a prova da tarde em 1º lugar. Os degraus mais baixos do pódio foram ocupados pelo Sporting e o Basileia, que obtiveram a 2ª e a 3ª posição, respectivamente.

O pior

César Peixoto - O jogador do Sporting de Braga revelou uma inaceitável falta de profissionalismo ao recusar jogar pelo seu clube no jogo particular realizado no passado sábado em Vieira do Minho. Na base deste procedimento (que valeu ao jogador um processo disciplinar) estará o alegado interesse manifestado pelo Benfica na sua contratação, tendo César Peixoto permitido que a pressão exercida pelo clube da Luz, à revelia do clube com quem tem contrato, influenciasse a sua conduta profissional.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Árbitros, façam o vosso trabalho!

Jorge Sousa foi considerado o melhor árbitro da época passada, mas a sua prestação na Supertaça não o prestigia. Tecnicamente, o árbitro esteve bem, mas a nível disciplinar já não se pode dizer o mesmo.
O mal de Jorge Sousa é o mesmo que afecta a maioria dos árbitros portugueses: estão de tal forma pressionados a não errar em favor do FC Porto que se mostram incapazes de agir disciplinarmente, com a firmeza que lhes é exigida, mesmo perante lances evidentes de pura violência. Hulk, por ser o jogador mais talentoso e desequilibrador da equipa, é aquele que mais sofre na pele esta dura realidade. O avançado portista acabou o jogo lesionado em virtude de uma das várias faltas duras que sofreu durante a partida. Dessas faltas, o árbitro assinalou cinco, mas outras passaram em claro e outras ainda foram mesmo assinaladas ao contrário. Exemplo paradigmático disso é o lance ocorrido ainda na primeira parte do jogo, em plena área do Paços de Ferreira, em que Hulk se antecipa a um defesa pacence e é pontapeado por este que, na tentativa de cortar a bola, lhe acerta em cheio na perna. A ser assinalada falta, só podia ser penalty, mas o árbitro preferiu inventar uma falta do avançado portista. Resumindo: perdeu-se uma oportunidade de golo para os azuis e brancos, o Hulk ficou com mais uma mazela nas pernas e a imprensa tratou de ignorar o lance.
No dia seguinte ao jogo foram vários os jornais que publicaram análises sobre a arbitragem de Jorge Sousa. Algumas destas análises, feitas por antigos árbitros e, como tal, consideradas como merecedoras de maior credibilidade, foram peremptórias e unânimes em afirmar que o único erro grave de Jorge Sousa foi não ter mostrado o cartão vermelho ao jogador do Paços de Ferreira, Leonel Olímpio, quando este atingiu Raul Meireles, aos 55 minutos de jogo. De facto, as imagens televisivas não enganam: o jogador do Paços, sem qualquer hipótese nem intenção de jogar a bola, atingiu Raul Meireles nos tornozelos, uma entrada violenta que é punível com expulsão. Jorge Sousa viu o lance mas, inexplicavelmente, mostrou apenas o amarelo. As opiniões já não são unânimes, contudo, sobre um outro lance, ocorrido aos 72 minutos, quando outro jogador pacence, Ozéia, igualmente sem qualquer hipótese nem intenção de jogar a bola, atingiu Hulk com um pontapé na coxa (o tal que lhe provocou a lesão) quando este o ultrapassou em corrida. Mais uma vez, o recurso à violência colheu frutos: perdeu-se uma jogada de perigo, o Hulk sofreu mais uma mazela e o Ozéias viu um simples cartão amarelo.
Caso o árbitro tivesse feito prevalecer as leis do jogo nestas duas situações expulsando os jogadores do Paços de Ferreira, provavelmente estaria hoje debaixo de fogo da imprensa lisboeta que não perderia esta oportunidade soberana para levantar a suspeição sobre a sua actuação. Em vez disso, Jorge Sousa preferiu jogar à defesa e contemporizou com a violência, conseguindo assim passar incólume aos olhos da crítica que, na falta da vítima do costume, se viu obrigada a desviar as suas atenções para o guarda-redes pacence que, não obstante ter protagonizado uma mão cheia de defesas de grande qualidade, se tornou automaticamente no alvo da suspeição ao cometer uma tremenda azelhice no lance do golo do Farías. E não tardaram as edições matinais dos três diários desportivos que, em grandes parangonas, recalcavam o erro de Cássio nas suas primeiras páginas: "Farias aproveita erro de Cássio", dizia o Record; "Superioridade portista começou a ser traduzida no marcador com erro de Cássio", disse A Bola; "Farías aproveita erro de Cássio", escreveu também O Jogo... E sobre a lesão do Hulk? Pois...
Hoje, Hulk deu uma entrevista aos jornais em que afirma o seguinte: «Não fico chateado por levar porrada, porque os defesas estão a fazer o trabalho deles. Só peço aos árbitros que marquem as faltas e que façam também o trabalho deles». Talvez o Hulk, na sua humildade (a mesma humildade com que recusa ser considerado a vedeta da equipa mesmo depois do Maradona o ter reconhecido como uma das revelações internacionais do ano), não se sinta chateado com a situação, mas eu e muitas outras pessoas que começam a sentir-se fartas e revoltadas com esta vergonha, fazemos nossas as suas palavras. Eu apenas acrescentaria: Árbitros, deixem de ser cobardes e façam o vosso trabalho!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

E com esta são dezasseis

O FC Porto derrotou o Paços de Ferreira por 2-0 e conquistou a 16ª Supertaça Cândido de Oliveira da sua história que conta com 25 presenças em finais desta competição.
O Dragão é o clube com mais Supertaças conquistadas, seguido de muito longe pelo Sporting, com 7 troféus ganhos em 8 presenças. O Benfica ganhou apenas 4 troféus em 14 (catorze!) presenças, o Boavista ganhou 3 troféus em 4 presenças, e o Vitória de Guimarães ganhou 1 troféu em 1 presença.
Refira-se ainda a título de curiosidade que o Porto e o Benfica já se defrontaram por dez vezes na Supertaça, tendo o Dragão obtido nove vitórias e apenas uma derrota, o que atesta bem a hegemonia que os azuis e brancos detêm nesta competição.

domingo, 9 de agosto de 2009

Agora é a doer!

Realiza-se hoje o primeiro troféu oficial da época. Frente a frente estarão o vencedor da Liga Portuguesa, FC Porto, e o finalista vencido da Taça de Portugal, Paços de Ferreira.
A partir de agora, começa a competição a sério! Acabaram-se as brincadeiras da silly-season, o circo mediático em torno das contratações de novos jogadores, as experiências com tácticas de 4-3-3 em quadrado, 4-4-2 em círculo e 3-4-3 em losango, as invenções com extremos a fazer de ponta-de-lança e pontas-de-lança a fazer de parvos, as Taças Amizade, Taças da Paz, Taças Eusébio, Taças da Treta. Agora, meus amigos, dirigentes, técnicos, jogadores, médicos, tratadores de relva e todos os demais que constituem essa grande máquina que é o Dragão, o objectivo das nossas vidas, o centro das nossas atenções, a fonte da nossa inspiração é só um e chama-se PENTA! Vamos a ele!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A machadada (quase) final!

A UEFA notificou ontem as partes envolvidas no processo aberto pelo Apito Final de que a investigação foi encerrada, uma decisão que surge após a reanálise do processo pelo Comité de Controlo e Disciplina e que garante a presença do FC Porto na Liga dos Campeões.
Este desfecho era esperado desde que o TAS deu razão ao FC Porto, referindo não ter ficado com certezas sobre os actos ilícitos de que o clube era acusado. O Comité de Controlo e Disciplina anunciou por isso que «o FC Porto está admitido a participar nas competições de clubes da UEFA na época 2009/10» e que «a investigação aberta contra o FC Porto devido ao caso Apito Dourado está fechada e retirada da lista de processos».
Apesar desta decisão ser ainda passível de recurso para o Comité de Apelo da UEFA, ela constitui mais uma machadada nas pretensões daqueles que, de uma forma infame, mesquinha e desonrada, tentaram roubar, à custa de expedientes de secretaria, o lugar na Liga dos Campeões que pertencia, por inteiro mérito, ao FC Porto. Fica assim praticamente reposta a verdade desportiva, mas nem mesmo esta decisão da UEFA conseguirá ressarcir o Dragão (e, porque não dizer mesmo, Portugal) do prejuízo em termos de imagem internacional causado por este processo obsceno, originado pela frustração e inveja de gente medíocre e pobre de espírito que, perante a incapacidade de obter resultados desportivos que sustentem os epítetos grandiosos com que tanto gostam de propagandear os seus clubes, recorrem a esta verdadeira política de terra queimada para denegrir o mérito dos clubes alheios. É necessário e impreterível que o FC Porto avance, o mais breve quanto possível, com um processo na Justiça contra essa escumalha, exigindo a reposição da verdade e o esclarecimento público da difamação de que foi alvo, assim como a devida indemnização de todos os danos patrimoniais e morais.
Esta decisão da UEFA, em conjunto com o veredicto do TAS, vem reforçar as decisões dos tribunais portugueses que, munidos de todos os meios de prova disponíveis, ilibaram, completa e irrefutavelmente, o FC Porto, bem como o seu presidente, Pinto da Costa, de todas as acusações que lhes foram imputadas no âmbito do processo Apito Dourado.
Fica assim cada vez mais isolada, e como tal, susceptível de dúvida quanto à sua isenção e idoneidade, a única condenação originada pelo processo Apito Dourado, ditada pela Comissão Disciplinar da Liga, presidida por Ricardo Costa, e mais tarde confirmada pelo Conselho de Justiça da FPF numa das mais inusitadas e patéticas reuniões de que há memória em Portugal.
A juntar a este dado, há ainda o facto do Supremo Tribunal Administrativo ter decretado recentemente que a utilização das escutas telefónicas num processo de índole disciplinar como o Apito Dourado é ilegal, uma decisão que, no entanto, não surtiu qualquer efeito prático visto que, tal como se apressou Ricardo Costa a declarar à comunicação social, a condenação não se baseou apenas nas escutas telefónicas mas também noutros meios de prova. Ora, perante o arquivamento consecutivo dos vários processos extraídos do Apito Dourado por parte das instâncias judiciais nacionais e internacionais, é pertinente questionar que meios de prova extraordinários serão esses a que a CD da Liga terá tido acesso e que, pelos vistos, só a ela convenceram. Perante isto, ninguém duvida que Ricardo Costa teria muito a explicar aos portugueses sobre a sua actuação em todo este processo, mas, contrariamente à apetência de exposição mediática que demonstrou inicialmente, o digníssimo doutor parece agora desinteressado em prestar declarações públicas sobre esta questão. Enfim, talvez esteja de férias.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Pura obscenidade

O Sporting de Braga divulgou, através do seu site oficial, um comunicado no qual refere que foi instaurado um processo disciplinar a César Peixoto, jogador do clube minhoto que, segundo a imprensa, é pretendido pelo Benfica. Em causa está a recusa do jogador bracarense em participar num jogo particular realizado no sábado passado. Conforme se lê no mesmo comunicado, “o passado recente demonstra que poderemos estar novamente perante uma estratégia de pressão sobre o Sporting de Braga SAD e o seu atleta”, uma alusão indirecta à contratação do ex-treinador bracarense, Jorge Jesus, pelo Benfica.
De facto, já a ida do Jorge Jesus para a Luz ficou ensombrada pelos processos pouco ortodoxos usados pelo presidente do SLB que procurou, à revelia do Sporting de Braga, convencer o treinador a mudar-se para Lisboa. Agora é a transferência do César Peixoto a gerar polémica pelos mesmos motivos, o que vem demonstrar que estes processos obscuros utilizados pelo dirigente do SLB não são meros casos isolados ditados pelo distanciamento existente entre as Direcções dos dois clubes, mas sim uma estratégia concreta adoptada com o objectivo de contratar treinadores e jogadores de outros clubes em condições vantajosas, passando por cima dos interesses desses mesmos clubes detentores dos direitos desportivos. E, consequentemente, passando por cima também dos mais básicos valores da ética e da moralidade.
Todas estas polémicas em que o Benfica se vê envolvido constantemente graças ao comportamento do seu presidente, bem como os litígios que o mesmo provoca com os demais clubes portugueses, são muito pouco abonatórias para a imagem de um clube que se diz defensor da verdade e da transparência. Infelizmente, o recente processo eleitoral, também ele envolto em suspeição graças a uma série de condicionalismos impostos pelo mesmo dirigente (em conjunto com o surgimento inesperado de um candidato-fantoche que mais não foi do que uma estratégia fraudulenta para reunir os adeptos em torno de uma causa fictícia) induziu os sócios do SLB a apoiarem e reelegerem a mesma Direcção, dando assim continuidade a estas e outras situações deploráveis pelo menos por mais quatro anos. Isto, obviamente, enquanto as autoridades não ganharem coragem e decência para acabar definitivamente com esta obscenidade.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Até a jogar na praia?!!...

O FC Porto conquistou ontem os "Jogos Santa Casa Beach Soccer" ao vencer na final o Benfica por 1-0. Neste torneio de futebol de praia, realizado em Altura, o Real Madrid conquistou o terceiro lugar após ter batido o Valência por 4-2.
Nós, adeptos portistas, já nos fomos habituando ao longo das últimas décadas às mil e uma desculpas esfarrapadas que os benfiquistas inventam para justificar as suas derrotas perante o FC Porto, mas temos que reconhecer que, neste caso, eles até têm um bom motivo para se queixarem. É que o campo tinha muita areia!...

sábado, 1 de agosto de 2009

"Como hipotecar o futuro de um clube", por Luís Filipe Vieira

Escrevi recentemente um comentário intitulado “E se falássemos de concorrência desleal?” em que levantei a dúvida sobre a origem da quantia exorbitante de dinheiro que o SLB gastou em jogadores para a próxima época, comentário esse que foi publicado com destaque no site MaisFutebol e que me valeu, de forma quase instantânea, uma série de insultos por parte de vários adeptos benfiquistas furibundos. Ora, no seguimento dessa questão, não deixa de ser interessante ler agora um artigo publicado no semanário SOL, assinado pelos jornalistas Graça Rosendo e Nuno Escobar de Lima e que diz o seguinte:

“O SL Benfica não vai receber um tostão do contrato de publicidade assinado com a Sagres, que devia ser pago em prestações anuais até 2020. Esta quantia, que ascende a mais de 43 milhões de euros, encontra-se já cativa e irá direitinha para o BES, para liquidação de dívidas, não passando sequer pelo clube. Isto mesmo consta de 4 cartas assinadas por Luís Filipe Vieira e dirigidas ao presidente da Central de Cervejas, Alberto da Ponte, a que o SOL teve acesso.
Fonte oficial do clube da Luz considerou esta situação «normal», pois «o Benfica tem contas naquele banco». Mas a verdade é que os mais de 40 milhões que o Benfica deveria receber ao longo dos próximos 10 anos já estão gastos.”

Tenho que dar a mão à palmatória e reconhecer que fui injusto pois está aqui explicada a origem dos 24 milhões de euros que o Benfica utilizou na compra dos reforços. Afinal, o clube da Luz não possui uma árvore das patacas no quintal como eu supunha, mas sim um contrato de sonho com a Sagres que permitiu ao presidente encarnado estourar, de uma só vez, os 43 milhões de euros que o clube deveria receber faseadamente nos próximos 10 anos. Perante isto, não admira que José Veiga tenha afirmado que «comparado com Vieira, Vale e Azevedo é um aprendiz». Ele lá sabe a que se refere pois conhece-os bem.

Centro de estágio com telhados de vidro

Muitas vezes ouvimos os nossos adversários acusarem o FC Porto de manter alegadas relações promíscuas com o poder político. O Centro de Treinos e Formação Desportiva Olival-Crestuma é um argumento muitas vezes utilizado para justificar essa acusação pelo facto dessas instalações desportivas serem utilizadas pelo FC Porto para realizar os treinos dos seus atletas mas não pertencerem ao clube, sendo antes alugadas ao Município de Gaia. A verdade é que, concorde-se ou não com essa situação (e eu reconheço que é uma questão controversa), ela é absolutamente transparente e nada tem de ilegal. O mesmo já não se pode dizer daqueles que tanto nos criticam, sempre armados em paladinos da transparência e da verdade mas que têm muito a esconder, conforme atesta o seguinte artigo publicado na edição de hoje do semanário SOL e assinado pela jornalista Graça Rosendo:

"Centro de estágio do Benfica em situação ilegal.

Fonte da Câmara confirmou ao SOL que o projecto relativo ao centro de estágios do Benfica nunca chegou a ser formalmente aprovado e o respectivo processo administrativo dado por concluído.
«Esse processo encontra-se ainda na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa, a aguardar parecer», disse a mesma fonte, salientando: «A Câmara não pode licenciar uma coisa sem saber se todos os requisitos previstos na lei estão cumpridos».
O centro desportivo do Benfica no Seixal encontra-se situado numa zona próxima do rio, onde qualquer construção exige parecer prévio favorável da CCDR. Ora, é precisamente este que ainda falta para que a autarquia do Seixal possa decidir sobre a atribuição da licença de utilização. Uma situação que o clube da Luz, confrontado pelo SOL , não quis comentar.
A nova instalação de treinos e formação do Benfica, construída com apoio financeiro da Euroárea, foi inaugurada em Setembro de 2006, com a presença do presidente do clube, Luís Filipe Vieira, do secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, dos presidentes da autarquia do Seixal e da Caixa Geral de Depósitos – que patrocina o centro de estágio – e de um dirigente da Federação Portuguesa de Futebol, além de várias figuras de relevo do Benfica.
Inicialmente previsto custar 12,9 milhões de euros, quando foi projectado pela primeira vez, o custo final deste centro acabou por ultrapassar os 15 milhões, após a renegociação feita por Vieira, que lhe acrescentou novos projectos especiais.
Este centro, que reúne condições de excelência para o treino e a formação das equipas desportivas do Benfica, continua até hoje envolto em polémica. Uma das empresas que participou na sua construção – a Britalar, pertencente ao presidente do Sporting de Braga – reclama do clube da Luz o pagamento de uma dívida de 1,6 milhões de euros, queixa que acabou no tribunal. A última sessão deste julgamento esteve marcada para o início do mês de Junho."

A confirmar-se a veracidade de tudo o que aqui é denunciado, trata-se de uma situação extremamente grave. E o mais caricato da questão é que a inauguração do centro de estágio contou com a presença de um elemento do Governo, o que vem pôr a nu a promiscuidade (essa sim, descaradamente existente!) entre o clube da Luz e o poder político. E perante coisas destas, ainda anda o Rui Rio preocupado com o que o povo poderá dizer sobre as festas do FC Porto em frente à Câmara do Porto???...

Reflexões

No final da participação do FC Porto na Peace Cup e a uma semana do início da nova época, há várias conclusões a retirar que julgo que Jesualdo não deixará passar em claro:

1) É escusado pensar que Mariano Gonzalez conseguirá alguma vez fazer o papel de Lisandro, nem tão-pouco de Lucho. O argentino é trabalhador e empenhado, disso ninguém duvida, mas o seu estilo trapalhão dificilmente conseguirá fazer dele uma referência no ataque e muito menos um playmaker. Não me arriscaria a afirmar que se trata de um jogador a dispensar, mas tem que ser encarado como uma solução de segunda linha.
2) A equipa está demasiadamente dependente de Hulk, o que é perigoso. A procura de um sistema alternativo que permita utilizar Falcão como ponta-de-lança em detrimento do habitual 4-3-3 com Hulk a comandar o centro do ataque tem-se revelado infrutífera. Talvez seja preferível abdicar definitivamente de outra solução táctica, optando por manter o sistema em que a equipa já se encontra entrosada, encontrando apenas jogadores com características semelhantes às de Hulk para alternar com este sempre que esteja lesionado, cansado ou, simplesmente, desinspirado. Nesse sentido, a aposta na contratação de um avançado como Falcão terá sido um fracasso pois, tanto ele como Farias, já deram mostras de que não têm qualidades para esse efeito.
3) Nenhum dos avançados apresenta características de cabeceador, pelo que todos os centros por alto para a área adversária não permitem retirar qualquer vantagem. Mesmo os centrais de maior estatura, como Bruno Alves e Rolando, raramente conseguem cabecear à baliza com perigo. Perante este facto, ou se encontra um avançado com melhor capacidade concretizadora de cabeça, ou teremos de optar sempre por outras soluções tais como o passe curto ou os centros tensos para a entrada da baliza ou da área, onde apareçam jogadores a rematar.
4) A exemplo do que acontece na Liga portuguesa sempre que defronta equipas mais fracas e que praticam um futebol fechado e defensivo, o Porto teve muitas dificuldades em penetrar na defesa bem organizada e sólida do Besiktas e do Aston Villa. Nestes casos, a insistência em jogadas pelo centro do campo ou os remates de longa distância acabam por dar vantagem à defesa. Na falta de uma alternativa que permita aproveitar os centros aéreos, seria preferível alargar a frente de ataque fazendo avançar dois extremos bem afastados, que iriam à linha de fundo e flectiriam para dentro provocando a abertura de espaços no centro da área para a penetração do avançado centro. A lesão do Cristián Rodriguez impediu a sua utilização a 100% nos jogos de preparação, mas acredito que a recuperação da boa forma física irá permitir a aplicação desta táctica com sucesso visto que o uruguaio é exímio neste tipo de jogo. Mas... e do outro lado quem faz esse papel?
5) Há jogadores que, por muito que se esforcem, não me conseguem convencer. Guarín é um desses casos, Farias é outro. O colombiano é um elemento que tem vindo a apresentar uma certa melhoria e que oferece alguma força e solidez defensiva, mas não demonstra possuir qualidade para representar o Porto. Já o argentino está muito longe das expectativas que se criaram em torno dele e a sua presença na equipa deixou de fazer sentido com a vinda de Falcao. Tal como Mariano, não me arriscaria a afirmar que estes são jogadores a dispensar, mas tratam-se claramente de duas soluções de recurso.
6) Apesar dos dois golos sofridos frente ao Aston Villa (o 1º deles em posição irregular, segundo me pareceu), a defesa portista apresenta-se como o melhor sector desta equipa. Para isso contribui imenso o facto de Bruno Alves ter permanecido no clube e, assim sendo, esperamos que o fim da época de transferências chegue rapidamente e que não nos traga nenhuma notícia desagradável. Já bastaram as saídas do Lucho e do Lisandro para afectar os nervos dos adeptos azuis-e-brancos. Mais um abalo destes e não haverá coração que aguente.

FC Porto 1-2 Aston Villa

Os torneios de pré-época do género da Peace Cup, apetecíveis por porem em jogo algum prestígio e muito dinheiro, acabam por se tornar num pau de dois bicos para as equipas que neles participam. Por um lado, estes torneios devem servir como um laboratório de testes onde os treinadores têm a possibilidade de fazer experiências com a equipa, testar diferentes sistemas tácticos e analisar o rendimento dos jogadores no sentido de preparar a época que se avizinha. Por outro lado, os jogos aqui já não são propriamente “a feijões” e é inevitável que prevaleça algum desapontamento quando as coisas não correm bem e a equipa acaba eliminada prematuramente, desapontamento esse que, se não for bem gerido, pode ter repercussões graves. Seja como for, no futebol há que assumir riscos e, como disse Jesualdo recentemente, só os cagões é que viram as costas.
Já aqui tinha escrito que o Porto tinha a necessidade de testar um sistema táctico alternativo ao habitual 4-3-3 com Falcão a assumir o papel de ponta-de-lança, mas esta opção, testada nos períodos finais dos jogos realizados frente ao Lyon e Besiktas, não estava a produzir os resultados desejados. Desta vez, o treinador decidiu arriscar utilizando esse mesmo sistema logo de início frente ao Aston Villa e, consequência disso, vimos o FC Porto oferecer literalmente 45 minutos de avanço ao adversário.
Não chegam os dedos das duas mãos para contar o número de passes falhados e jogadas perdidas de forma displicente, o que começa a ser demonstrativo que a equipa não sabe ou não consegue jogar desta forma. Por exemplo, Raul Meireles tentou aplicar várias vezes os seus passes rasgados, mas esquece-se que, não estando Hulk em campo, não há ninguém na frente de ataque que consiga corresponder em velocidade às suas solicitações. Outro aspecto notório é que nenhum dos avançados apresenta características de cabeceador, o que significa que os vários pontapés de canto e livres, dos quais resultem centros para a área adversária, não produzem absolutamente nada. Ao contrário do que deveria acontecer, conquistar um canto não representa vantagem nenhuma para a equipa, significando antes, em termos práticos, perder a bola para o adversário.
A segunda parte iniciou-se com três alterações numa assentada só. Entraram Hulk, Belluschi e Tomás Costa, saíram Varela, Guarín e Raul Meireles. O estilo de jogo mudou radicalmente, mas nem assim com resultados práticos. Aumentou a pressão sobre os adversários e a acutilância no ataque, mas as tentativas de criar perigo junto à baliza adversária chocavam sistematicamente na defesa bem estruturada dos ingleses e num guarda-redes inspirado, bem como no nervosismo e precipitação dos nossos próprios jogadores que sentiam a pressão de virar um resultado desfavorável de 2-0 em apenas 45 minutos. Nem a expulsão do Heskey abalou a confiança da equipa inglesa que, só no final, já em tempo de descontos, sofreu um revés ao ver o árbitro assinalar penalty numa falta cometida sobre Hulk dentro da área.
O Porto acaba por perder pela margem mínima mas é eliminado da competição nas meias-finais. Talvez o resultado tivesse sido outro no caso da equipa inicial ser aquela que entrou para a segunda parte, mas é natural e compreensível que Jesualdo quisesse testar outras soluções. Afinal, se não o fizer agora, quando fará?