terça-feira, 11 de agosto de 2009

Árbitros, façam o vosso trabalho!

Jorge Sousa foi considerado o melhor árbitro da época passada, mas a sua prestação na Supertaça não o prestigia. Tecnicamente, o árbitro esteve bem, mas a nível disciplinar já não se pode dizer o mesmo.
O mal de Jorge Sousa é o mesmo que afecta a maioria dos árbitros portugueses: estão de tal forma pressionados a não errar em favor do FC Porto que se mostram incapazes de agir disciplinarmente, com a firmeza que lhes é exigida, mesmo perante lances evidentes de pura violência. Hulk, por ser o jogador mais talentoso e desequilibrador da equipa, é aquele que mais sofre na pele esta dura realidade. O avançado portista acabou o jogo lesionado em virtude de uma das várias faltas duras que sofreu durante a partida. Dessas faltas, o árbitro assinalou cinco, mas outras passaram em claro e outras ainda foram mesmo assinaladas ao contrário. Exemplo paradigmático disso é o lance ocorrido ainda na primeira parte do jogo, em plena área do Paços de Ferreira, em que Hulk se antecipa a um defesa pacence e é pontapeado por este que, na tentativa de cortar a bola, lhe acerta em cheio na perna. A ser assinalada falta, só podia ser penalty, mas o árbitro preferiu inventar uma falta do avançado portista. Resumindo: perdeu-se uma oportunidade de golo para os azuis e brancos, o Hulk ficou com mais uma mazela nas pernas e a imprensa tratou de ignorar o lance.
No dia seguinte ao jogo foram vários os jornais que publicaram análises sobre a arbitragem de Jorge Sousa. Algumas destas análises, feitas por antigos árbitros e, como tal, consideradas como merecedoras de maior credibilidade, foram peremptórias e unânimes em afirmar que o único erro grave de Jorge Sousa foi não ter mostrado o cartão vermelho ao jogador do Paços de Ferreira, Leonel Olímpio, quando este atingiu Raul Meireles, aos 55 minutos de jogo. De facto, as imagens televisivas não enganam: o jogador do Paços, sem qualquer hipótese nem intenção de jogar a bola, atingiu Raul Meireles nos tornozelos, uma entrada violenta que é punível com expulsão. Jorge Sousa viu o lance mas, inexplicavelmente, mostrou apenas o amarelo. As opiniões já não são unânimes, contudo, sobre um outro lance, ocorrido aos 72 minutos, quando outro jogador pacence, Ozéia, igualmente sem qualquer hipótese nem intenção de jogar a bola, atingiu Hulk com um pontapé na coxa (o tal que lhe provocou a lesão) quando este o ultrapassou em corrida. Mais uma vez, o recurso à violência colheu frutos: perdeu-se uma jogada de perigo, o Hulk sofreu mais uma mazela e o Ozéias viu um simples cartão amarelo.
Caso o árbitro tivesse feito prevalecer as leis do jogo nestas duas situações expulsando os jogadores do Paços de Ferreira, provavelmente estaria hoje debaixo de fogo da imprensa lisboeta que não perderia esta oportunidade soberana para levantar a suspeição sobre a sua actuação. Em vez disso, Jorge Sousa preferiu jogar à defesa e contemporizou com a violência, conseguindo assim passar incólume aos olhos da crítica que, na falta da vítima do costume, se viu obrigada a desviar as suas atenções para o guarda-redes pacence que, não obstante ter protagonizado uma mão cheia de defesas de grande qualidade, se tornou automaticamente no alvo da suspeição ao cometer uma tremenda azelhice no lance do golo do Farías. E não tardaram as edições matinais dos três diários desportivos que, em grandes parangonas, recalcavam o erro de Cássio nas suas primeiras páginas: "Farias aproveita erro de Cássio", dizia o Record; "Superioridade portista começou a ser traduzida no marcador com erro de Cássio", disse A Bola; "Farías aproveita erro de Cássio", escreveu também O Jogo... E sobre a lesão do Hulk? Pois...
Hoje, Hulk deu uma entrevista aos jornais em que afirma o seguinte: «Não fico chateado por levar porrada, porque os defesas estão a fazer o trabalho deles. Só peço aos árbitros que marquem as faltas e que façam também o trabalho deles». Talvez o Hulk, na sua humildade (a mesma humildade com que recusa ser considerado a vedeta da equipa mesmo depois do Maradona o ter reconhecido como uma das revelações internacionais do ano), não se sinta chateado com a situação, mas eu e muitas outras pessoas que começam a sentir-se fartas e revoltadas com esta vergonha, fazemos nossas as suas palavras. Eu apenas acrescentaria: Árbitros, deixem de ser cobardes e façam o vosso trabalho!

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