sábado, 1 de agosto de 2009

FC Porto 1-2 Aston Villa

Os torneios de pré-época do género da Peace Cup, apetecíveis por porem em jogo algum prestígio e muito dinheiro, acabam por se tornar num pau de dois bicos para as equipas que neles participam. Por um lado, estes torneios devem servir como um laboratório de testes onde os treinadores têm a possibilidade de fazer experiências com a equipa, testar diferentes sistemas tácticos e analisar o rendimento dos jogadores no sentido de preparar a época que se avizinha. Por outro lado, os jogos aqui já não são propriamente “a feijões” e é inevitável que prevaleça algum desapontamento quando as coisas não correm bem e a equipa acaba eliminada prematuramente, desapontamento esse que, se não for bem gerido, pode ter repercussões graves. Seja como for, no futebol há que assumir riscos e, como disse Jesualdo recentemente, só os cagões é que viram as costas.
Já aqui tinha escrito que o Porto tinha a necessidade de testar um sistema táctico alternativo ao habitual 4-3-3 com Falcão a assumir o papel de ponta-de-lança, mas esta opção, testada nos períodos finais dos jogos realizados frente ao Lyon e Besiktas, não estava a produzir os resultados desejados. Desta vez, o treinador decidiu arriscar utilizando esse mesmo sistema logo de início frente ao Aston Villa e, consequência disso, vimos o FC Porto oferecer literalmente 45 minutos de avanço ao adversário.
Não chegam os dedos das duas mãos para contar o número de passes falhados e jogadas perdidas de forma displicente, o que começa a ser demonstrativo que a equipa não sabe ou não consegue jogar desta forma. Por exemplo, Raul Meireles tentou aplicar várias vezes os seus passes rasgados, mas esquece-se que, não estando Hulk em campo, não há ninguém na frente de ataque que consiga corresponder em velocidade às suas solicitações. Outro aspecto notório é que nenhum dos avançados apresenta características de cabeceador, o que significa que os vários pontapés de canto e livres, dos quais resultem centros para a área adversária, não produzem absolutamente nada. Ao contrário do que deveria acontecer, conquistar um canto não representa vantagem nenhuma para a equipa, significando antes, em termos práticos, perder a bola para o adversário.
A segunda parte iniciou-se com três alterações numa assentada só. Entraram Hulk, Belluschi e Tomás Costa, saíram Varela, Guarín e Raul Meireles. O estilo de jogo mudou radicalmente, mas nem assim com resultados práticos. Aumentou a pressão sobre os adversários e a acutilância no ataque, mas as tentativas de criar perigo junto à baliza adversária chocavam sistematicamente na defesa bem estruturada dos ingleses e num guarda-redes inspirado, bem como no nervosismo e precipitação dos nossos próprios jogadores que sentiam a pressão de virar um resultado desfavorável de 2-0 em apenas 45 minutos. Nem a expulsão do Heskey abalou a confiança da equipa inglesa que, só no final, já em tempo de descontos, sofreu um revés ao ver o árbitro assinalar penalty numa falta cometida sobre Hulk dentro da área.
O Porto acaba por perder pela margem mínima mas é eliminado da competição nas meias-finais. Talvez o resultado tivesse sido outro no caso da equipa inicial ser aquela que entrou para a segunda parte, mas é natural e compreensível que Jesualdo quisesse testar outras soluções. Afinal, se não o fizer agora, quando fará?

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