segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Fedelhices

Talvez Carlos Xistra tenha saído da Mata Real satisfeito com a sua prestação e mais ficará quando sentir o calor humano de seis milhões de adeptos de um determinado clube lisboeta que, com certeza, não deixarão de prestar a devida homenagem ao árbitro de Castelo Branco pelos bons serviços prestados. No entanto, quando um árbitro entra em campo com o objectivo concreto de perseguir um determinado jogador, passando por cima dos mais básicos princípios da isenção e da idoneidade que lhe são exigidos, e ainda por cima o faz de forma tão flagrante e ostensiva, outra coisa não pode esperar de todos aqueles que defendem a verdade desportiva e o espectáculo futebolístico que não seja um claro e veemente repúdio.
Poderíamos falar aqui da quantidade de faltas que o Hulk sofreu e que passaram em claro aos olhos de Carlos Xistra. Também poderíamos falar da igual quantidade de faltas ridículas assinaladas pelo mesmo em lances banais em que o avançado portista se limitou a disputar a bola com os adversários. Mas basta analisar a amostragem do primeiro cartão amarelo num lance perfeitamente inócuo em que o jogador se limitou a rir de mais uma decisão desastrada do árbitro e comparar essa decisão patética com a quantidade de vezes que os jogadores do Paços de Ferreira se deram ao luxo de contestar, por gestos e palavras, sem que tais atitudes tenham merecido qualquer acção disciplinar por parte do árbitro, para entender o despudor a que conseguiu chegar Carlos Xistra. Depois, claro, bastou esperar por uma oportunidade para exibir o segundo cartão amarelo e correspondente vermelho, aproveitando a ingenuidade do jogador que ainda não compreendeu que, na mediocridade do futebol português, não há compreensão nem tolerância para a sua genialidade. No fundo, um desfecho que qualquer pessoa que assistia ao jogo já adivinhava, tão óbvia e descarada era a atitude persecutória do árbitro para com o jogador.
Hulk ainda é jovem e tem muito para aprender. Comporta-se como um fedelho que ainda não conseguiu dominar a revolta que sente perante as injustiças e que pensa que pode mudar o Mundo sozinho. Carlos Xistra também é jovem e tem também muito para aprender. Comporta-se como um fedelho que ainda não conseguiu dominar o medo de contrariar os interesses daqueles que detêm o poder nos escaninhos do futebol. A diferença entre ambos é que o futebol português precisa urgentemente da espectacularidade e genialidade de fedelhos como o Hulk, mas, decididamente, não precisa absolutamente nada da mediocridade e incompetência de fedelhos como Carlos Xistra.

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