terça-feira, 18 de agosto de 2009

O campeonato da vergonha - Parte II

Há cinco épocas atrás, os portugueses assistiram incrédulos ao desenrolar de um dos campeonatos de futebol mais viciados de que há memória no nosso país. O “campeonato da vergonha”, como muitos lhe chamaram, envolveu todo o tipo de artimanhas para levar o SL Benfica ao título, desde a inscrição irregular de jogadores na Liga graças à preciosa colaboração de “cunhas” leais à causa benfiquista, passando por vários processos sumaríssimos aplicados a dedo aos jogadores do FC Porto e por uma sequência de arbitragens escandalosas (quem não se recorda ainda da célebre “piscinada do Karadas”, um dos penalties mais patéticos a que alguma vez tivemos a oportunidade de assistir e que mereceu um lugar de honra no anedotário dos erros de arbitragem), culminando naquela que foi a maior obscenidade ocorrida em Portugal desde a célebre arbitragem de Inocêncio Calabote: o jogo realizado no Algarve entre o SLB e o Estoril-Praia que, apesar de todos os contornos de suspeição que o rodearam, das denúncias públicas do treinador estorilista sobre os jantares realizados no Sapo e da prestação de informações falsas à CMVM por parte do José Veiga relativamente aos 37% de acções da SAD estorilista que detinha, nunca foi alvo de qualquer investigação por parte das autoridades portuguesas. A bem da nação, os portugueses tiveram de calar a revolta e assistir impotentes a esta pouca-vergonha, mas não a esqueceram.
No início desta época, quando se tornou público o investimento astronómico que o SL Benfica efectuou em jogadores, hipotecando de uma assentada só os lucros de publicidade referentes à próxima década, tornou-se imediatamente óbvio que a conquista do título de campeão, mais do que uma ambição ou desejo, se tornou numa questão de vida ou morte para o clube da Luz. Perante isto, paira no subconsciente das pessoas o receio de que este campeonato se venha a tornar numa sequela daquele filme de terror a que todos assistimos há cinco anos atrás e que uma vez mais os interesses privados do Benfica (e de tudo o que orbita em torno do clube) se venham a sobrepor, de forma descarada e despudorada, a todos os valores morais, éticos e desportivos que devem reger a competição.
Não é de estranhar, portanto, que esta decisão da CD da Liga de punir o Hulk com dois jogos de suspensão, surgida na sequência de uma arbitragem medíocre e incompetente, e ainda por cima originada por uma alteração do relatório do árbitro efectuada à revelia dos delegados de jogo, venha suscitar fortes suspeições sobre a transparência deste processo. Nada que pudesse constituir surpresa no nosso país, tão criativos somos na invenção dos mais inusitados casos futebolísticos, não fosse o facto de estarmos ainda na primeira jornada e ninguém esperar que a pouca-vergonha pudesse começar tão cedo.

2 comentários:

  1. Pois, foi o Vieira que comprou o arbitro... deve ter aprendido com o pintinho. triste gente... só me fazem rir ....

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  2. O Vieira não precisa de aprender com ninguém, já tem a escola toda. Já se esqueceram que foi apanhado nas escutas do Apito Dourado a encomendar árbitros ao presidente da liga?

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