segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Os tasqueiros do costume

Depois de o FC Porto ter manifestado publicamente a sua revolta pela atitude exageradamente permissiva dos árbitros para com o jogo duro de que Hulk é alvo constantemente por parte dos seus adversários (e perante a legitimidade dos argumentos apresentados que não deixaram margem para qualquer contestação, pelo menos, de quem de bom senso), outra coisa não seria de esperar da corrupta comunicação social lisboeta que não fosse a tentativa de inverter a situação através da criação de polémicas estéreis e gratuitas com as quais procuram transformar as vítimas em réus e os réus em vítimas. O objectivo é o mesmo de sempre: pressionar os árbitros de forma a sentirem-se constrangidos de errar favoravelmente ao FC Porto. De facto, um árbitro sabe que, se cometer um erro em prejuízo dos azuis e brancos, a imprensa tratará de o apoiar e até mesmo de abafar os seus erros, mas se, pelo contrário, decidir favoravelmente aos dragões (mesmo que consciente da legitimidade da sua decisão), os mesmos jornais não deixarão de escalpelizar os lances até à exaustão.
Ontem, no jogo FC Porto-Nacional, o árbitro João Ferreira assinalou uma grande penalidade favorável aos Dragões que, à partida, não deveria suscitar qualquer dúvida. Se Cléber fosse guarda-redes, estaria de parabéns pela grande defesa que protagonizou ao desviar com o braço um remate perigoso de Mariano que seguia na direcção da baliza, mas, sendo defesa, é óbvio que cometeu uma falta grosseira merecedora de cartão vermelho. No entanto, como as coisas em Portugal não se regem pelo bom-senso e pela honestidade mas sim pelos joguinhos de interesses instalados, o lance serviu imediatamente de mote para o reacender da polémica, rapidamente surgindo os pseudo-entendidos em futebol que conseguiram descobrir as mais variadas justificações para considerar errada a decisão de João Ferreira.
Nós sabemos que, na visão distorcida de um fanático, um remate desferido a 2 metros de distância pode ser interpretado como “à queima-roupa” e a acção do defesa de se lançar para a frente do remate com as pernas e os braços abertos nada terá a ver com a intenção de cortar a bola mas sim com uma tentativa inocente de levantar voo. Dessa gente, tudo se espera. O que não se pode aceitar é que profissionais da comunicação social recorram ao mesmo tipo de argumentos, dignos de uma discussão entre tasqueiros encharcados em carrascão, para manipular a opinião pública, desvirtuando aquilo que as imagens documentam e que as regras do futebol exigem. Nesse sentido, atente-se à opinião de três ex-árbitros que, contrariando as crónicas destes especialistas da treta, à pergunta se a decisão de assinalar a grande penalidade favorável ao FC Porto é correcta, responderam o seguinte:

Jorge Coroado - «Objectiva e claramente, sim. Cléber desviou a trajectória da bola com o braço direito quando esta se dirigia para a baliza. O castigo máximo justificou-se e o jogador deveria ter visto o cartão vermelho imediatamente.»

Rosa Santos - «Cléber joga-se ostensivamente para a frente e estende o braço direito, acabando por jogar a bola com ele. Como tal, a decisão foi acertada e o jogador do Nacional merecia ter visto o cartão vermelho directo.»

António Rola - «É um lance de difícil julgamento. A partir do momento em que interpreta que o jogador jogou intencionalmente a bola, desviando-a da baliza, actuou em conformidade. Dou o benefício da dúvida em relação à sua decisão.»

É claro que, tal como aconteceu na semana passada em que Jorge Coroado foi peremptório em considerar errada a expulsão de Hulk, também aqui não deixarão de surgir aqueles que, na incapacidade de reconhecer o tolhimento que a sua própria cegueira clubística lhes causa na análise dos lances, não deixarão de levantar suspeições gratuitas contra os autores destas análises para descredibilizar as suas opiniões. E a propósito de Hulk, ainda há tempo para recordar os mais esquecidos de que o Porto já entrou para este jogo prejudicado pelas arbitragens ainda antes do apito inicial. Recorde-se que os azuis e brancos foram impedidos de jogar com o Hulk graças à punição de que foi alvo em virtude de uma arbitragem inqualificável de Carlos Xistra na primeira jornada. Compare-se esse caso com o de outros jogadores de um certo clube da capital que deveriam ter sido expulsos na mesma jornada (e não foram!) e retire-se as devidas ilações sobre quem é que, na verdade, tem motivos para se sentir prejudicado.

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