sábado, 1 de agosto de 2009

Reflexões

No final da participação do FC Porto na Peace Cup e a uma semana do início da nova época, há várias conclusões a retirar que julgo que Jesualdo não deixará passar em claro:

1) É escusado pensar que Mariano Gonzalez conseguirá alguma vez fazer o papel de Lisandro, nem tão-pouco de Lucho. O argentino é trabalhador e empenhado, disso ninguém duvida, mas o seu estilo trapalhão dificilmente conseguirá fazer dele uma referência no ataque e muito menos um playmaker. Não me arriscaria a afirmar que se trata de um jogador a dispensar, mas tem que ser encarado como uma solução de segunda linha.
2) A equipa está demasiadamente dependente de Hulk, o que é perigoso. A procura de um sistema alternativo que permita utilizar Falcão como ponta-de-lança em detrimento do habitual 4-3-3 com Hulk a comandar o centro do ataque tem-se revelado infrutífera. Talvez seja preferível abdicar definitivamente de outra solução táctica, optando por manter o sistema em que a equipa já se encontra entrosada, encontrando apenas jogadores com características semelhantes às de Hulk para alternar com este sempre que esteja lesionado, cansado ou, simplesmente, desinspirado. Nesse sentido, a aposta na contratação de um avançado como Falcão terá sido um fracasso pois, tanto ele como Farias, já deram mostras de que não têm qualidades para esse efeito.
3) Nenhum dos avançados apresenta características de cabeceador, pelo que todos os centros por alto para a área adversária não permitem retirar qualquer vantagem. Mesmo os centrais de maior estatura, como Bruno Alves e Rolando, raramente conseguem cabecear à baliza com perigo. Perante este facto, ou se encontra um avançado com melhor capacidade concretizadora de cabeça, ou teremos de optar sempre por outras soluções tais como o passe curto ou os centros tensos para a entrada da baliza ou da área, onde apareçam jogadores a rematar.
4) A exemplo do que acontece na Liga portuguesa sempre que defronta equipas mais fracas e que praticam um futebol fechado e defensivo, o Porto teve muitas dificuldades em penetrar na defesa bem organizada e sólida do Besiktas e do Aston Villa. Nestes casos, a insistência em jogadas pelo centro do campo ou os remates de longa distância acabam por dar vantagem à defesa. Na falta de uma alternativa que permita aproveitar os centros aéreos, seria preferível alargar a frente de ataque fazendo avançar dois extremos bem afastados, que iriam à linha de fundo e flectiriam para dentro provocando a abertura de espaços no centro da área para a penetração do avançado centro. A lesão do Cristián Rodriguez impediu a sua utilização a 100% nos jogos de preparação, mas acredito que a recuperação da boa forma física irá permitir a aplicação desta táctica com sucesso visto que o uruguaio é exímio neste tipo de jogo. Mas... e do outro lado quem faz esse papel?
5) Há jogadores que, por muito que se esforcem, não me conseguem convencer. Guarín é um desses casos, Farias é outro. O colombiano é um elemento que tem vindo a apresentar uma certa melhoria e que oferece alguma força e solidez defensiva, mas não demonstra possuir qualidade para representar o Porto. Já o argentino está muito longe das expectativas que se criaram em torno dele e a sua presença na equipa deixou de fazer sentido com a vinda de Falcao. Tal como Mariano, não me arriscaria a afirmar que estes são jogadores a dispensar, mas tratam-se claramente de duas soluções de recurso.
6) Apesar dos dois golos sofridos frente ao Aston Villa (o 1º deles em posição irregular, segundo me pareceu), a defesa portista apresenta-se como o melhor sector desta equipa. Para isso contribui imenso o facto de Bruno Alves ter permanecido no clube e, assim sendo, esperamos que o fim da época de transferências chegue rapidamente e que não nos traga nenhuma notícia desagradável. Já bastaram as saídas do Lucho e do Lisandro para afectar os nervos dos adeptos azuis-e-brancos. Mais um abalo destes e não haverá coração que aguente.

1 comentário:

  1. Concordo com algumas "reflexões" ...outras nem tanto. Se Mariano não substitui o Lisandro(dificilmente há um jogador que o faça) a verdade é que é aquele jeito trapalhão que muitas vezes surte efeito.
    Acho que é cedo, para adjectivar Falcão. No início de uma época assistimos sempre a uma equipa pouco coesa, ainda em baixo de forma, ainda "em aquecimento!"
    O Guarin , sim, concordo que não tem lugar, mas vá lá saber-se porquê Jesualdo vai apostando nele. Provavelmente sabe coisas que nós não sabemos...
    Saudações portistas e bem vindo há blogosfera azul e branca!

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