terça-feira, 18 de agosto de 2009

O que neste momento é verdade...

Um dia, Pimenta Machado, antigo presidente do Vitória de Guimarães, proferiu uma frase que expressa, como nenhuma outra, a realidade futebolística nacional: «No futebol português, o que hoje é verdade, amanhã já não é!» Hoje, no entanto, se eu tivesse de sintetizar o futebol português numa frase, seria ainda mais radical: «O que neste momento é verdade, daqui a uns minutos já não é!»
Ontem, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional conseguiu realizar a proeza de alterar, em poucas horas, a informação constante no seu site oficial, nada mais, nada menos, do que 4 (quatro!) vezes! Isto porque, aparentemente, nem a própria LPFP conseguiu compreender à primeira tentativa (nem à segunda, nem à terceira) se o Hulk tinha sido expulso por acumulação de amarelos ou por vermelho directo.
De facto, toda a gente que assistiu ao jogo viu o Carlos Xistra mostrar o 2º amarelo ao brasileiro e indicar-lhe a saída, mas (lá está novamente a questão, o que neste momento é verdade, daqui a uns minutos já não é) afinal o árbitro registou no relatório que considerou o cartão como vermelho directo devido às palavras injuriosas proferidas pelo jogador. O que o senhor albicastrense se esqueceu é que é da sua obrigação comunicar essa decisão aos capitães das equipas e aos delegados dos clubes, daí que ninguém pode confirmar quando foi que Sua Excelência mudou de ideias.
Ainda a procissão vai no adro e já está lançada a polémica e a dúvida quanto à transparência de todo este processo, tudo por causa da actuação de um árbitro que se convenceu de que fazer vista grossa às faltas sucessivas sofridas pelo Hulk seria a melhor forma de passar despercebido aos olhos da crítica.
Mesmo correndo o risco de parecer ingénuo, eu acredito que Carlos Xistra não tenha nenhuma questão pessoal contra o Hulk ou o FC Porto. O problema dele é o mesmo que afecta todos os outros árbitros: o medo de errar em favorecimento dos azuis e brancos e a pressão que sofrem da comunicação social lisboeta que nada lhes perdoa, impedem-nos de ajuizar de forma isenta e idónea.
Infelizmente para Carlos Xistra, este imbróglio que criou ainda vai dar muito que falar e a sua actuação não será esquecida tão cedo. É verdade que, como se tem visto, a imprensa tratou imediatamente de o proteger e até de desviar as atenções com questões paralelas, mas, sinceramente, não teria sido melhor para o futebol português e para todos os portugueses (incluindo o próprio Carlos Xistra) se o árbitro tivesse evitado esta vergonha começando por assinalar as faltas como é da sua competência?

1 comentário:

  1. épá... um post onde não se fala do Glorioso ?!?!
    tão a perder qualidades.... á, mas deixam a "farpa" para Lisboa... já tou + descansado

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