domingo, 20 de setembro de 2009

Lei e seus derivados

Não, não se trata de um erro de escrita nem me estou a referir ao leite, à manteiga e ao iogurte. Refiro-me exactamente à lei do futebol e às derivações da sua interpretação e aplicação em função dos critérios dos árbitros. Talvez seja um exagero falar em perseguição, da mesma forma que é uma ingenuidade continuar a falar-se em coincidência, mas a verdade é que, chamem-lhe como quiserem, os factos falam por si: há jogadores que são alvo de critérios de arbitragem especiais.
Ontem, na partida frente ao Braga, Pedro Proença conseguiu, mais uma vez, reinventar as leis do futebol. Numa jogada perfeitamente banal ocorrida a meio-campo em que Hulk se limitou a saltar para evitar o contacto com um adversário que lhe fez uma entrada de carrinho, o árbitro interrompeu o jogo para mostrar o cartão amarelo ao brasileiro por… simulação. Já sabíamos de antemão que Hulk não tem o direito de reclamar pelas sucessivas entradas que sofre dos seus adversários. O que ainda desconhecíamos era que estava proibido de se desviar delas.
Se o lance tivesse acontecido dentro da área do Braga e o avançado portista manifestasse a intenção de enganar o árbitro simulando penalty, a acção disciplinar seria irrepreensível, mas, nas circunstâncias em que a jogada se deu, o critério disciplinar de Proença é, no mínimo, forçado. Fosse esta severidade aplicada em todos os jogos e a todos os jogadores de igual forma e raras seriam as partidas que acabariam sem expulsões. Felizmente para o futebol, tal disparate não acontece porque estes excessos de zelo têm destinatários concretos e bem definidos, não constituindo prática geral.

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