terça-feira, 27 de outubro de 2009

O campeão das simulações

Quando o Benfica conseguiu vencer em Paços de Ferreira sem que o árbitro do encontro, João Ferreira, tenha inventado o penalty da praxe a seu favor, eu levantei aqui no blog uma questão: será que a tradição já não é o que era ou o milagre deveu-se apenas ao facto de Aimar não ter jogado?
Ontem, no jogo Benfica-Nacional, o Aimar voltou ao activo e as dúvidas dissiparam-se:

Jorge Coroado - «Não houve qualquer grande penalidade cometida por Felipe Lopes. O campeão das simulações ludibriou mais uma vez o oficial de jogo.»

Rosa Santos - «Não há falta de Felipe Lopes, mas antes simulação de Aimar, a quem devia ser exibido o cartão amarelo.»

António Rola - «Lance de difícil julgamento. Felipe Lopes coloca a perna esquerda à frente de Aimar, mas, na minha opinião, é Aimar que provoca o contacto, não havendo falta para grande penalidade.»

Entretanto, frente ao Nacional o Benfica viu aumentar o número de penalties assinalados a seu favor para 7, mais do dobro dos que foram assinalados a favor dos portistas (3). Nada haveria a dizer se todos eles tivessem sido bem assinalados, mas depois do que se viu em Leiria e ontem na Luz, é caso para dizer que, se isto continuar, mais vale entregar já o título ao SLB e acabar de vez com esta palhaçada.

Dar o litro... até dar o berro

Este é um filme já muitas vezes visto nas últimas décadas: o Benfica entra bem no campeonato, impulsionado, em grande parte, pelo entusiasmo irrealista criado pelos seus dirigentes, a euforia desmedida alimentada pela corrupta imprensa lisboeta e a crença precipitada dos seus adeptos de que "este ano é que vai ser". Depois, a equipa começa a sentir os primeiros desaires e a excitação colectiva transforma-se rapidamente num descontrolo emocional, um estado geral de pânico e intolerância agravado por muitos anos sem ganhar nada de jeito.
Este ano, não há dúvidas de que a equipa encarnada está a praticar um futebol vistoso e espectacular que se tem traduzido em goleadas consecutivas. A acção do Jorge Jesus tem sido preponderante, visto que o treinador não se cansa de incentivar os seus jogadores a darem o litro durante os 90 minutos que duram os jogos, exigindo que a equipa marque mais e mais golos, para delírio dos benfiquistas. O que Jorge Jesus parece esquecer ou desconhecer, provavelmente devido à sua parca experiência em futebol do mais alto nível, é que uma época não se decide em meia-dúzia de jogos e os jogadores não são máquinas. Mais tarde ou mais cedo, esta pressão absurda, quase doentia, sobre os jogadores vai acabar por traduzir-se em cansaço físico e em lesões graves que irão afectar a equipa precisamente quando a época entrar na sua fase mais decisiva. Nessa altura, como sempre acontece, os benfiquistas vão descer à terra e assumirão aquela que é a sua típica atitude: despejar a sua raiva sobre o FC Porto e acusar os árbitros de serem os culpados pelas derrotas. É triste que anos e anos de erros crassos não lhes sirvam de lição.

Duas verdades incómodas

Por muito que custe aos portistas admitir, o Benfica está, de facto, a praticar um futebol espectacular e merece estar na liderança do campeonato.

Por muito que custe aos benfiquistas admitir, esta é a primeira vez nos últimos 10 anos em que o Benfica merece, de facto, estar na liderança do campeonato.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Os desesperados

Os Dragões já se habituaram a ser alvo de todo o tipo de ataques que os rivais inventam no sentido de disfarçar a frustração e o desespero motivados por várias décadas de hegemonia azul e branca. Durante muitos anos, a arbitragem e o célebre “sistema” estiveram sempre na ordem do dia, servindo como justificação para os insucessos e encobrimento para toda a mediocridade e incompetência que grassava para as bandas de Lisboa, mas a derrocada final do processo Apito Dourado, com a ilibação total de Pinto da Costa e do FC Porto, abalou a credibilidade desse argumento. No entanto, o desespero faz milagres e não tardou que esta gente inventasse outro pretexto para pôr em causa a justiça das conquistas do FC Porto que tanto prurido lhes causa. A questão dos jogadores emprestados pelos azuis e brancos aos clubes pequenos tornou-se agora na tábua de salvação a que milhões de desesperados se agarram na tentativa de manter a flutuar a pouca fé que ainda resta nos seus patéticos clubes. Do que esta pobre gente se esquece é que esse argumento só faria sentido se acreditássemos na suspeição por si levantada sobre o profissionalismo, a força de carácter e a honestidade dos jogadores emprestados. Ora, as imagens televisivas e a crítica futebolística têm sido mais do que suficientes para contrapor a falácia a que esta gente recorre para alimentar essa suspeição, pois as excelentes exibições protagonizadas pelos jogadores emprestados frente ao FC Porto não deixam margem para dúvidas sobre a seriedade dos mesmos.
Contra todas as evidências, existem pessoas que insistem em fazer prevalecer as suas teorias da conspiração, dando mostras de uma mentalidade doentia que nem o fanatismo clubístico permite justificar. Desta forma, não admira que, antes do jogo que o FC Porto realizou com o Braga, muitos energúmenos tivessem enchido os sites dos jornais desportivos on-line com as mais diversas acusações e suspeições sobre a equipa orientada por Domingos Paciência. A verdade é que, uma vez mais, esta escumalha foi completamente humilhada pela vitória e exibição convincente da equipa minhota, mas nem esta bofetada de luva branca foi suficiente para os fazer corar de vergonha. Bastaram apenas duas semanas para que a mesma alimária voltasse ao ataque, desta vez contra o Olhanense, equipa orientada pelo histórico capitão Jorge Costa. A exibição excepcional dos jogadores emprestados pelo FC Porto, dos quais se destacaram Ukra e Castro, não deixou margem para dúvidas quanto à entrega e seriedade destes jovens, nem tão-pouco do seu treinador que procurou jogar de igual para igual frente aos tetra-campeões nacionais, fazendo uso de todas as armas de que dispunha.
Perante a podridão intelectual demonstrada por esta ralé e a facilidade irresponsável e infantil com que levantam suspeições gratuitas pondo em causa a hombridade de profissionais com provas dadas, seria interessante verificar a verborreia que não iriam vomitar caso fosse o FC Porto a marcar golos nos primeiros dez minutos de jogo, tal como aconteceu com o Benfica por três vezes em apenas sete jornadas. Não é difícil de adivinhar que, nesse caso, tal seria encarado como uma prova evidente das alegadas facilidades de que o FC Porto beneficia.
Veremos agora quem será a próxima equipa a ser acusada de facilitar a vida aos Dragões. Será o Vitória de Setúbal que fez a vida negra ao Benfica, perdendo apenas por…8-1?

Atestado de incompetência

No final do clássico do Dragão, Jesualdo Ferreira teceu algumas considerações que deveriam ter sido alvo de maior atenção e análise. Infelizmente, tais considerações passaram praticamente despercebidas uma vez que a comunicação social preferiu direccionar os microfones para Paulo Bento que, dando largas ao mau perder habitual, foi fazendo as delícias da imprensa que teve assim polémica para encher os seus programas e páginas de jornais durante uma semana.
Quando lhe perguntaram porque tinha decidido colocar Hulk a jogar do lado direito do ataque, o treinador portista respondeu que sabia que daquele lado iria estar Grimi, um defesa que apresentava pouco ritmo e que teria muitas dificuldades para travar o avançado brasileiro. Esta afirmação, não só demonstra que o senhor professor fez o trabalho de casa, analisando os pontos fracos do adversário e movendo as peças do seu xadrez de forma a retirar proveito dessas fraquezas, como constitui um verdadeiro atestado de incompetência para o treinador do Sporting. De facto, qualquer pessoa que tenha assistido ao jogo percebeu que Hulk entrou pelo lado esquerdo da defesa sportinguista como quis e bem lhe apeteceu, já que Grimi se mostrou incapaz de travar as suas investidas. Foi desse lado que surgiram os lances de maior perigo para a baliza leonina, incluindo o livre que deu origem ao golo do Porto e o penalty que originou a expulsão do Polga. E por falar em Polga, escreveu-se muito sobre os erros que cometeu, mas esqueceram-se de dizer que o central procurou sempre apagar os incêndios provocados pelo Hulk graças à impotência de Grimi. Ora, o que fez Paulo Bento perante isto? Nada! O treinador sportinguista foi incapaz de prever, antes da partida, as dificuldades que o defesa esquerdo iria ter com o Hulk pela frente e, já no decorrer do jogo, não teve capacidade para alterar a sua equipa de forma a contrariar as evidências. Limitou-se a passar os noventa minutos a esbracejar e a protestar por tudo e por nada e não se coibiu, no final, de atirar as culpas da derrota para cima do árbitro. Tudo isto, obviamente, com a cumplicidade da comunicação social que foi incapaz de o confrontar com os seus próprios erros, preferindo dar-lhe tempo de antena para despejar o seu fel e desviar as atenções para uma questão que nem sequer é da sua competência comentar.

Que Deus nos dê paciência

Não há dúvidas nenhumas de que a escolha de Duarte Gomes para arbitrar o clássico do Dragão entre o Porto e o Sporting foi um erro monumental de quem dá mostras de não ter sensibilidade absolutamente nenhuma para as questões do futebol. Com uma grande dose de boa vontade, talvez possamos acreditar que Vítor Pereira teve apenas a intenção de separar as águas e demonstrar a sua total confiança nas capacidades do árbitro, provando assim que o contencioso existente entre o clube leonino e Duarte Gomes não teria qualquer influência no decorrer da partida. Mas, sabendo de antemão que todos os árbitros cometem erros e que o jogo em questão não seria fácil de gerir (um clássico nunca o é), e se aliarmos isso ao facto do passado do Sporting estar pejado de litígios com o sector da arbitragem muitas vezes alimentados por uma doentia mania de perseguição, não era difícil antever que esta escolha tinha tudo para acabar em mais uma bronca à boa maneira portuguesa. Posto isto, se Paulo Bento tivesse proferido antes do jogo algum comentário sobre a insensatez da escolha do árbitro, todos nós nos veríamos na obrigação de lhe dar razão. O problema é que o treinador leonino "fechou-se em copas" e toda a gente percebeu que ele só estava a aguardar o final do jogo para partir a loiça agarrando-se a um qualquer pretexto. A intenção de Paulo Bento era tão previsível que perdeu o efeito surpresa e fez com que muita gente se limitasse a dar um enorme bocejo enquanto assistia às imagens do treinador a invadir o terreno de jogo com dois dedos em riste para ir berrar aos ouvidos do árbitro que o coitadinho do Miguel Veloso só tinha feito duas faltas. Ridículo!
Não creio que exista nenhum estudo científico que comprove a minha teoria, mas ainda assim eu arrisco-me a afirmar que não deve existir ninguém à face da Terra que goste de perder. O que poderá existir, isso sim, são algumas (poucas) pessoas capazes de disfarçar o mal-estar que a derrota lhes provoca e outras (ainda em menor número) capazes de lidar com o insucesso, retirando dele ilações que lhes permita corrigir os erros e fortalecerem-se. Mas mesmo assumindo que o mau perder faz parte da essência humana, esse facto não pode servir como justificação para o descontrolo emocional e a insubordinação de que algumas pessoas dão mostras de padecer. Paulo Bento é um treinador jovem e ambicioso que, com toda a legitimidade, alimentou sonhos e traçou projectos para o seu futuro. Infelizmente para ele, não tem conseguido conquistar os resultados que tanto ambiciona e que lhe poderiam servir de trampolim para subir na carreira. Os constantes insucessos estão, cada vez mais, a apoderar-se do seu discernimento e bom-senso, de tal forma que já nem consegue disfarçar o desespero que o invade no momento da derrota.
Apesar da sua gravidade, as cenas lamentáveis que protagonizou e as declarações que proferiu no final do jogo do Dragão já não espantam ninguém e acabam por transformar Paulo Bento numa versão moderna da história do Pedro e do Lobo em que o menino, de tantas vezes protestar sem razão, perdeu a credibilidade perante o público. O castigo de doze dias de suspensão aplicado pela Liga é obviamente escasso, principalmente se considerarmos que se trata de uma reincidência em comportamento anti-desportivo, mas, paradoxalmente, a benevolência do castigo acaba por ridicularizar ainda mais a já depauperada imagem do treinador leonino, pois retira-lhe importância e gravidade. Faz lembrar um menino atrasado mental que parte o prato pela quinquagésima vez e a mãe, compassivamente, se limita a chamar-lhe a atenção, sabendo que só com muita paciência conseguirá lidar com as limitações intelectuais da criança.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

E ao sétimo dia, deu-se o milagre!

Parece que o Benfica conseguiu vencer em Paços de Ferreira sem que o árbitro do encontro, João Ferreira, tenha inventado o penalty da praxe a seu favor. Será que a tradição já não é o que era ou o milagre deveu-se apenas ao facto de Aimar não ter jogado?