terça-feira, 27 de outubro de 2009

Dar o litro... até dar o berro

Este é um filme já muitas vezes visto nas últimas décadas: o Benfica entra bem no campeonato, impulsionado, em grande parte, pelo entusiasmo irrealista criado pelos seus dirigentes, a euforia desmedida alimentada pela corrupta imprensa lisboeta e a crença precipitada dos seus adeptos de que "este ano é que vai ser". Depois, a equipa começa a sentir os primeiros desaires e a excitação colectiva transforma-se rapidamente num descontrolo emocional, um estado geral de pânico e intolerância agravado por muitos anos sem ganhar nada de jeito.
Este ano, não há dúvidas de que a equipa encarnada está a praticar um futebol vistoso e espectacular que se tem traduzido em goleadas consecutivas. A acção do Jorge Jesus tem sido preponderante, visto que o treinador não se cansa de incentivar os seus jogadores a darem o litro durante os 90 minutos que duram os jogos, exigindo que a equipa marque mais e mais golos, para delírio dos benfiquistas. O que Jorge Jesus parece esquecer ou desconhecer, provavelmente devido à sua parca experiência em futebol do mais alto nível, é que uma época não se decide em meia-dúzia de jogos e os jogadores não são máquinas. Mais tarde ou mais cedo, esta pressão absurda, quase doentia, sobre os jogadores vai acabar por traduzir-se em cansaço físico e em lesões graves que irão afectar a equipa precisamente quando a época entrar na sua fase mais decisiva. Nessa altura, como sempre acontece, os benfiquistas vão descer à terra e assumirão aquela que é a sua típica atitude: despejar a sua raiva sobre o FC Porto e acusar os árbitros de serem os culpados pelas derrotas. É triste que anos e anos de erros crassos não lhes sirvam de lição.

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