quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Corrida aérea dos bois vermelhos

Antes de mais devo confessar que, na perspectiva meramente desportiva, tanto me faz como se me deu que a Red Bull Air Race vá para Lisboa, para Marrocos ou para a China. Fui ver a primeira edição da corrida e, muito sinceramente, não fiquei fã, em parte devido às más condições em que me encontrei (digamos que estar de pé durante horas, debaixo de um calor tórrido e com o pescoço dorido de tanto olhar para cima não é uma das minhas formas preferidas de passar um Sábado) mas também porque a corrida, sendo disputada à centésima de segundo, dá pouca margem de manobra para variações, pelo que os pilotos executam as manobras com um automatismo que lhe confere uma monotonia atroz. De qualquer forma, tenho a perfeita noção de que este evento foi uma mais-valia para as cidades do Porto e de Gaia pelos dividendos que dele advieram, pela dinamização comercial do espaço das duas Ribeiras, pela divulgação turística das cidades, etc, etc, etc. Nessa perspectiva, o desvio da Red Bull Air Race para Lisboa é efectivamente um atentado às duas cidades nortenhas e é perfeitamente natural que as suas gentes se sintam insultadas e roubadas na verdadeira acepção da palavra.
Lisboa comportou-se neste caso como um daqueles putos mimados que não podem ver os outros meninos com um brinquedo novo que não tenham de ir logo tentar roubá-lo ou estragá-lo. Havia mesmo necessidade de desviar a Red Bull Air Race para Lisboa? Não há outros eventos interessantes e originais que pudessem trazer para Portugal por iniciativa própria, sem necessidade de ir imitar ou, pior ainda, prejudicar aqueles que tomaram esta iniciativa primeiro?
São estas atitudes vergonhosas que demonstram a falta de respeito que Lisboa tem, não apenas pelas cidades do Porto e de Gaia, mas por todo o resto do país e que põem a nu a política extremamente centralista com que asfixia Portugal.
Os portugueses sempre se orgulharam da coragem demonstrada pelos seus antepassados que partiram à conquista do Mundo. Está na hora de, também nós, honrarmos a nossa identidade. Por um país livre, desenvolvido e justo, REGIONALIZAÇÂO JÁ!

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