quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Jesualdo versus Jesus: um duelo privado

Já tinha escrito aqui que a acção do Jorge Jesus tem sido preponderante para o futebol vistoso que o Benfica tem praticado nesta época, visto que o treinador não se cansa de incentivar os seus jogadores a darem o máximo durante os 90 minutos de jogo, exigindo que a equipa marque mais e mais golos. No entanto, por muito que esta filosofia faça as delícias dos adeptos, Jorge Jesus parece esquecer ou desconhecer (provavelmente devido à sua parca experiência em futebol do mais alto nível) que uma época não se decide em meia-dúzia de jogos e os jogadores não são máquinas. Mais tarde ou mais cedo, esta pressão absurda, quase doentia, sobre os jogadores vai acabar por traduzir-se em cansaço físico e em lesões graves que irão afectar a equipa precisamente quando a época entrar na sua fase mais decisiva. Ora, no seguimento desta análise, a jornada anterior ofereceu-nos mais um dado que parece apontar para esta simples conclusão: Jorge Jesus não sabe gerir uma equipa de alta competição.
Sabendo que Álvaro Pereira se encontrava em risco de ficar de fora do confronto com o Benfica caso visse o 5º cartão amarelo no jogo com o Vitória de Setúbal, Jesualdo Ferreira decidiu jogar pelo seguro, não convocando o uruguaio para este jogo. Dessa forma, o treinador portista garantiu inteligentemente a presença do titular da posição de defesa esquerdo no clássico do próximo Domingo. Pelo contrário, Jorge Jesus não deixou de convocar todos os seus principais titulares para o jogo com o Olhanense, incluindo aqueles que se encontravam em risco pelos mesmos motivos. Graças a essa decisão, o Benfica não poderá contar com a prestação de Fábio Coentrão por estar castigado e bem pode agradecer ao jovem árbitro Artur Soares Dias a simpatia de ter poupado David Luiz de idêntico destino quando o defesa encarnado atingiu ostensivamente o seu adversário com a sola da bota numa das muitas quezílias que se verificaram entre os jogadores. O clássico só se joga no próximo Domingo mas, no duelo particular entre os treinadores, o Professor já está a ganhar por 1-0.
Além da questão da má gestão dos castigos, há ainda outro factor a analisar: o Benfica gastou, esta época, muitos milhões de Euros para reforçar o plantel, mas o seu treinador demonstra muita relutância em substituir os habituais titulares por suplentes, deixando passar a ideia de que tem falta de confiança nestes jogadores, o que poderá dar origem a algum desagrado no balneário. Sempre se ouviu dizer que em equipa que ganha não se mexe, mas quando alguns dos titulares estão em risco de ficar de fora de um jogo de elevada importância como é o do próximo Domingo frente ao FC Porto, não se justificaria outra atitude mais arrojada? E se a tudo isto juntarmos o facto do Di Maria ter sido escolhido para ocupar a posição do lesionado Pablo Aimar com o resultado desastroso que se viu, estamos conversados quanto às capacidades de gestão do plantel demonstradas por JJ.
Perante estes dados, rapidamente surgiu quem defendesse que o jogo do Porto com o Vitória de Setúbal seria de um grau de dificuldade mais baixo e, como tal, mais propício a alterações na equipa do que o do Benfica no estádio do Olhanense. No entanto, se analisarmos a situação destas duas equipas na tabela classificativa, verificamos que ambas ocupam precisamente os dois lugares abaixo da linha de água. Não será uma vergonha para o Benfica desculpar-se das más decisões do seu treinador com a justificação de que o jogo com o Olhanense seria muito difícil quando estamos a falar do confronto entre um alegado candidato ao título e um candidato à descida de divisão?

1 comentário:

  1. Acho que perdeu uma excelente ocasião de estar quieto para não dizer calado, atendendo ao resultado no campo.
    Os Benfiquistas agradecem as suas recomendações exalando "superioridade Portista", a qual dentro do campo dispensa comentários....

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