terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O FC Porto está de luto

Faleceu hoje, vítima de AVC, um dos maiores portistas que eu tive a honra de conhecer. Pôncio Monteiro era sócio nº 1332, foi vice-presidente do clube em 1982 e 1991, e integrava actualmente o Conselho Superior do FC Porto. Representou e defendeu as cores do clube em vários programas de televisão, sempre com firmeza e devoção mesmo em condições adversas como foi o tristemente célebre "Donos da Bola". 
Aqui deixo, neste momento de tristeza e pesar, as minhas sinceras condolências à família enlutada, bem como a toda a família portista. 

domingo, 19 de dezembro de 2010

O túnel dos horrores

Tal como já vem sendo habitual, o Benfica voltou a ser notícia devido a desacatos ocorridos no túnel do Estádio da Luz. Neste caso, ao contrário das situações anteriores, os lamentáveis incidentes não envolvem jogadores, treinadores ou dirigentes de equipas adversárias a quem os encarnados possam imputar responsabilidades, mas apenas pessoas ligadas directamente ao Benfica, nomeadamente elementos da segurança privada, que terão agredido Juan Bernabé, dono da águia Vitória, e Domingos Soares Oliveira, que terá ainda ameaçado o espanhol. Na sequência desta agressão, Juan Bernabé acusa o chefe da segurança, Rui Pereira, de lhe ter criado problemas desde o primeiro momento em que começou a trabalhar no clube, chegando mesmo a afirmar que "é muito desagradável lidar com porrada e pessoas que me proíbem de realizar o meu trabalho", o que espelha bem o clima de terror que se faz sentir dentro das instalações da Luz, não apenas para os visitantes, mas também para os próprios funcionários do clube.
Como todos, com certeza, se recordarão, os seguranças do SLB já foram protagonistas de outros lamentáveis episódios de violência, também eles ocorridos no mesmo túnel. Em Agosto de 2008, um elemento do staff portista foi agredido a pontapé, um gesto que, inexplicavelmente, não justificou a abertura de qualquer processo por parte da Comissão Disciplinar da Liga, na altura presidida por Ricardo Costa, apesar de ter sido gravado pelas câmaras de vídeo-vigilância e de constar no relatório da PSP. Já na época passada, os mesmos seguranças ter-se-ão envolvido numa troca de insultos com os jogadores do FC Porto, da qual resultou uma alegada agressão que motivou a posterior aplicação de suspensões a Hulk e Sapunaru. Também Juan Bernabé já havia sentido na pele a "simpatia" dos stewards do SLB quando, em Outubro de 2010, foi agredido por quatro elementos da segurança encarnada.
A sucessão de incidentes graves envolvendo sempre os mesmos protagonistas são já mais do que suficientes para se perceber que estamos na presença de gente muito perigosa e violenta. Inexplicavelmente, as autoridades de Lisboa persistem numa postura de total alheamento, recusando-se a abrir um processo de investigação que permita apurar quem são os responsáveis pelos actos criminosos a que, ano após ano, se vai assistindo no túnel da Luz. E é neste clima de total impunidade que os dirigentes encarnados vão sacudindo a água do capote, emitindo para o exterior comunicados dúbios que mais não são do que patéticas manobras de desvio da atenção do público. Atente-se, por exemplo, à deplorável postura de João Gabriel que, a propósito da agressão a Juan Bernabé, se limitou a afirmar que "ninguém está acima da instituição", como se tal facto pudesse justificar a violência a que se assistiu. É caso para dizer: acima da instituição talvez ninguém esteja, mas parece óbvio que há gente na instituição que está acima da lei.

P.S. - Irá o Benfica pedir uma nova audiência ao Ministro da Administração Interna para manifestar a sua preocupação com a crescente violência nos estádios?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Bíblia do FC Porto

Há quem diga que Pinto da Costa é o Papa do futebol português. Se o é ou não, eu não sei, mas de uma coisa tenho a certeza: o FC Porto é, sem dúvida, uma religião. E como qualquer religião precisa de uma Bíblia, eis que será lançada hoje a Bíblia do FC Porto, um livro de João Pedro Bandeira com prefácio de Júlio Magalhães, que nos fala das equipas, dos muitos títulos ganhos e dos treinadores que levaram o clube à glória.Quem sabe uma boa proposta para pôr no sapatinho neste Natal. 

O Dragão soma e segue

O FC Porto despachou esta noite o CSKA de Sofia por 3-1, fechando com chave de ouro a fase de grupos da Liga Europa. Os Dragões somaram cinco vitórias e um empate nos seis jogos que disputou nesta fase, terminando em primeiro lugar do grupo com 16 pontos.
Veremos agora o que o sorteio nos reserva para a próxima fase da competição, sabendo que encontraremos pela frente equipas eliminadas da Liga dos Campeões. Nada que possa fazer tremer os azuis-e-brancos, já que a equipa demonstrou que possui valor para encarar, com total confiança, desafios bem mais aliciantes do que os que a Liga Europa lhe proporcionou até ao momento.
Deste jogo, em que os portistas apresentaram uma equipa com muitas opções de 2ª linha, há a realçar a excelente prestação de James Rodrigues, que marcou um belo golo e protagonizou alguns dos melhores momentos da partida. A aposta de André Villas-Boas neste miúdo parece começar a dar frutos e, sabendo que as competições europeias constituem sempre uma boa montra, não tenhamos dúvidas de que, a partir desta noite, o nome de James Rodrigues começará a ser falado em muitos países europeus.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Hugo Almeida no FC Porto?

Os jornais desportivos têm dado conta do alegado interesse do Besiktas na contratação de Hugo Almeida, mas o jogador já veio comunicar que tais notícias não têm qualquer fundamento. Entretanto, um passarinho já veio dizer ao meu ouvido que o internacional português alugou uma casa na cidade do Porto. Será por gostar do nosso vinho?...

Um cretino é um cretino


Recentemente, quando Jorge Jesus se encontrou debaixo de uma forte contestação motivada pelos maus resultados da sua equipa, André Villas-Boas saiu a terreiro em defesa do seu colega de profissão, afirmando que o treinador do Benfica estava a ser alvo de críticas injustas tendo em conta o trabalho que desenvolveu num passado bem recente. Penso que esta postura digna do treinador portista, que soube colocar de parte a rivalidade desportiva em nome dos interesses da sua classe, devia ter merecido de Jorge Jesus o devido reconhecimento, mas, lamentavelmente, o treinador benfiquista não tardou a vir demonstrar que, tal como alguém já disse anteriormente, não passa de um cretino. De facto, para salvar a pele perante os adeptos do SLB e aliviar a pressão que sobre ele tem vindo a ser exercida, o treinador encarnado não teve qualquer pudor em vir queixar-se de uma alegada dualidade de critérios dos árbitros ao assinalarem os penalties em favor do FC Porto e SL Benfica, refugiando-se no velho discurso bolorento das arbitragens, numa demonstração de total desrespeito pelo excelente trabalho que o jovem treinador portista tem vindo a desenvolver ao comando da equipa azul-e-branca. 
Lá diz o povo que as atitudes ficam com quem as toma e, dessa forma, as pessoas saberão reconhecer a diferença de carácter dos dois treinadores. Mas não deixa de ser lamentável que, enquanto uns procuram dignificar o futebol português com bons exemplos de profissionalismo, outros insistam nas mesmas atitudes medíocres e imbecis de sempre.

sábado, 11 de dezembro de 2010

FC Porto 4 - 0 Juventude de Évora

Num jogo agradável que, como se previa, decorreu de feição ao FC Porto, quero apenas destacar três dados que me pareceram importantes:

 1) O regresso de Álvaro Pereira - O defesa esquerdo encontrava-se lesionado e a sua ausência fez-se notar nos últimos jogos realizados pela equipa portista pois as alternativas disponíveis não se mostraram convincentes. Felizmente, a recuperação do Uruguaio foi muito mais rápida do que se previa e saúda-se o seu regresso à competição, coroado com uma boa exibição, ainda que, aparentemente, não esteja a 100%.

2) Titularidade de James Rodriguez - Muito de disse sobre o potencial deste miúdo, mas a verdade é que o colombiano pouco se tem visto no decorrer da época. As oportunidades não têm sido muitas e o jovem quis aproveitar este jogo para mostrar serviço. Protagonizou uma boa exibição e esteve muito perto de marcar um golo que, por pouco, não aconteceu.

3)  Primeiro golo de Moutinho - Apesar das magníficas exibições de João Moutinho, o médio portista ainda não tinha feito o gosto ao pé desde que começou a envergar a camisola azul-e-branca. A "malapata" foi quebrada esta noite com um belo golo que, esperamos, seja o primeiro de muitos.

Será desta???

O presidente do Benfica publicou hoje uma carta dirigida aos adeptos do clube da Luz na qual afirma que «a única coisa que espera é que os critérios sejam iguais.» Será desta que os jogadores encarnados vão começar a ver o cartão vermelho quando agridem os seus adversários?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Melhor defesa da Europa

O FC Porto, não só continua a ser a única equipa invicta da Europa, como é também a que possui a defesa menos batida. Na prática, os Dragões ainda não perderam nenhum dos 23 jogos oficiais realizados esta época e sofreram apenas 5 golos nos 13 jogos do campeonato, um dado ainda mais notável tendo em conta que o golo sofrido em Alvalade foi irregular e, como tal, deveria ter sido invalidado. Ainda assim, os resultados traduzem-se na extraordinária média de 0,3 golos sofridos por jogo. Nada mal! Nada mal, mesmo!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Porto de guerra

Ontem, ao final da tarde, saí de casa para ir ao café ver o jogo do FC Porto (na verdade, não tenho SporTV em casa e recuso-me a pagar a exorbitância que me é exigida para a ter. Ainda mais quando se trata de jogos de equipas portuguesas nas competições internacionais que deveriam ser encarados como de interesse nacional e, como tal, transmitidos em canal aberto). Levava o meu sobretudo, cachecol e luvas pois, apesar de serem ainda 18h, a temperatura rondava já uns 5ºC. Estava frio, mas, ainda assim, muito menos frio do que aquele que se fazia sentir em Viena àquela mesma hora.
Não consigo sequer imaginar o sacrifício que os jogadores fazem quando jogam 90 minutos naquelas condições climatéricas, debaixo de um nevão e com os pés mergulhados em água gélida. Muitos dirão, no conforto dos seus lares, que eles não fazem mais do que a sua obrigação tendo em conta os chorudos salários que auferem, mas há limites para aquilo que o ser humano consegue suportar, limites esses que só com muito esforço, vontade e dedicação a uma causa se consegue ultrapassar.
A forma como os jogadores do FC Porto se entregaram à luta naquele terreno impraticável e naquelas difíceis condições, dando a volta a um resultado desfavorável, demonstra, acima de tudo, que esta equipa possui níveis físicos e anímicos muito elevados, que a tornam num osso muito duro de roer para qualquer adversário e em qualquer estádio. Se a isto juntarmos o facto deste jogo nem ser de extrema importância dada a posição privilegiada que o Porto ocupava no grupo de apuramento, maior ênfase terá de ser dado ao trabalho da equipa técnica que, obviamente, será o maior responsável pela motivação dos jogadores e, consequentemente, pelos excelentes resultados que, até ao momento, têm sido conquistados por este grupo de trabalho.
Ontem escreveu-se mais uma página no já longo livro de glória dos Dragões. Esta, obviamente, sem a importância daquela inesquecível vitória sobre o Bayern de Munique, mas ainda assim saborosa para todos os portistas (e, por que não dizer, para todos os portugueses) que não deixaram de sentir uma emoção especial ao reviver momentos de indescritível alegria vividos neste mesmo estádio, que para nós será sempre do Prater independentemente do que lhe queiram chamar. E para que o quadro estivesse ainda mais completo, não faltaram lá os campeões europeus de 1987, heróis de tantas e tantas pessoas da minha geração, reunidos pela mão de um presidente inigualável. Obrigado, Pinto da Costa.

P.S.- Como já se adivinhava, a intelectualmente corrupta imprensa lisboeta mostrou-se incapaz de atribuir a esta vitória do FC Porto a devida atenção e destaque, preferindo persistir na sua habitual campanha de propaganda sobre o Benfica a quem insistem em colocar no topo não obstante a mediocridade das suas exibições que tanta vergonha nos tem feito passar aos olhos da Europa. E, na falta de melhores notícias, lá voltaram eles ao folclore da contratação de paletes de jogadores que, supostamente, interessam ao clube da Luz. Pois é como vos digo: Portugal nunca será um país verdadeiramente livre e democrático, nem terá uma sociedade justa e equilibrada, enquanto não se der um 25 de Abril na comunicação social. Haja a coragem de o fazer, em nome do futuro do país.

domingo, 28 de novembro de 2010

As "bocas" do sr. Costa Ramos

É extremamente grave quando determinadas pessoas, que ocupam lugares de elevada responsabilidade na manutenção da ordem pública, se mostram incapazes de separar as suas opiniões pessoais daquelas que são as suas competências, contribuindo assim, elas próprias, para o aumento da crispação que um jogo de alto risco, por si só, já envolve.
Quando o subcomissário da PSP de Lisboa afirmou, no habitual “briefing” realizado antes do clássico de Alvalade, que não haveria contemplações com maçãs nem bolas de golfe, mas que «a claque que vem do Norte é pródiga na utilização de bolas de golfe», não era, com certeza, o agente de autoridade a falar, mas sim o cidadão Costa Ramos que, por ser provavelmente adepto de um clube de Lisboa, parece ter-se esquecido da farda e da patente que ostenta.
Quis o destino, na sua infinita e refinada ironia, que os maiores desacatos da noite tenham sido protagonizados, não pela "claque que veio do Norte", mas sim pela claque de Lisboa (na qual, quem sabe, figuram familiares ou vizinhos do senhor Costa Ramos), que terá motivado o atraso no início do jogo graças ao lançamento de inúmeras maçãs para o interior do campo.
Esperemos que este infeliz episódio tenha servido de lição ao subcomissário da PSP de Lisboa e que, no próximo jogo de risco, se preocupe mais com o desempenho das suas funções e nos poupe das suas "bocas" desnecessárias.

Jogo sujo

A questão é simples: se a arbitragem a que se assistiu em Alvalade tivesse acontecido num campeonato a sério (por exemplo, no clássico espanhol que se irá disputar amanhã entre o Barcelona e o Real Madrid), este árbitro não voltaria a dirigir nenhum jogo nas próximas semanas. Infelizmente, a exemplo do que sempre acontece em Portugal quando estão em jogo os interesses dos principais clubes da Capital, a escandalosa actuação de Jorge Sousa será, uma vez mais, branqueada pela imprensa lisboeta e a Liga fechará os olhos a este despudorado e ostensivo atentado à verdade desportiva.
Jorge Sousa protagonizou um conjunto de erros graves, todos eles em favor da equipa da casa, com os quais, não só teve influência directa no resultado da partida, como ainda condicionou o simples desenrolar da mesma. As imagens são indesmentíveis: Valdés encontrava-se claramente adiantado quando Rui Patrício lhe enviou a bola, ficando ainda a dúvida se o jogador sportinguista não terá ajeitado o esférico com a mão antes de rematar à baliza de Helton. Um golo irregular que o árbitro não invalidou como devia e que acabou por pesar no resultado final. Depois disso, uma entrada violenta de Maniche sobre Moutinho passou impune aos olhos do árbitro que (pasme-se!) nem falta considerou, uma complacência que, incompreensivelmente, Jorge Sousa não demonstrou para com os jogadores azuis-e-brancos, principalmente quando, posteriormente, expulsou Maicon num lance patético. Na realidade, o defesa portista nem falta cometeu sobre Liedson, mas mesmo que a falta existisse, o avançado brasileiro não detinha a posse da bola nem se dirigia com perigo para a baliza de Helton, pelo que nunca seria caso para cartão vermelho directo.
Enfim, para a História ficará um empate entre as duas equipas que, dadas as circunstâncias, acaba por agradar a todos: aos da casa, pela conquista de um precioso ponto frente ao líder do campeonato; ao FC Porto, porque constitui um mal menor tendo em conta as adversidades contra as quais se viu forçado a lutar. Algo que, no entanto, não nos deverá fazer ignorar e muito menos esquecer o que se passou.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Os melhores clubes da década

Segundo a tabela da IFFHS (Federação Internacional de História e Estatística), o Barcelona é o melhor clube da última década. Apesar disso, é o futebol inglês que domina claramente a classificação, colocando três clubes (Manchester United, Liverpool e Arsenal) nos lugares imediatamente a seguir.
O F.C. Porto ocupa apenas a 14ª posição da tabela, o que não deixa de ser surpreendente se atendermos ao facto de os Dragões terem conquistado, há menos de dez anos atrás, uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões. Ainda assim, é destacadamente o melhor clube português da década, já que o segundo melhor clube nacional, o Sporting, surge apenas na 26ª posição.
Na lista dos 850 clubes contabilizados pela IFFHS podemos encontrar ainda algumas curiosidades. Por exemplo, o facto de o Boavista surgir na 5ª posição dos melhores clubes portugueses, apesar do clube do Bessa já não militar sequer nas principais ligas nacionais.

A lista da IFFHS

1. Barcelona, 2.459,0
2. Manchester United, 2.436,0
3. Liverpool, 2.362,0
4. Arsenal, 2.348,0
5. Inter Milão, 2.275,0
6. Milan, 2.237,0
7. Bayern Munique, 2.231,0
8. Real Madrid, 2.168,0
9. Chelsea, 2.165,0
10. Roma, 1.959,0
...
14. F.C. Porto, 1.802
...
26. Sporting, 1.467
43. Benfica, 1.321,5
89. Sp. Braga, 906,5
141. Boavista, 656
145. Marítimo, 645,5
198. U. Leiria, 525,5
211. V. Guimarães, 497
224. Belenenses, 482,5
243. Nacional, 463,5
254. V. Setúbal, 456,0
259. P. Ferreira, 447,5
332 Académica, 360,5
459. Gil Vicente, 261,5
468. Beira Mar, 254,5
481. Rio Ave, 246
488. Naval, 243,5
501. E. Amadora, 232
601. Leixões, 161
612. Moreirense, 158
775. Alverca, 97,5
791. Varzim, 92
826. Santa Clara, 81

terça-feira, 23 de novembro de 2010

RTPodridão

Nos últimos tempos, tem-se falado muito na aplicação das novas tecnologias ao futebol, no sentido de reduzir, ou mesmo anular, os erros de arbitragem. A verdade é que os factos demonstram que a tecnologia só será capaz de acabar definitivamente com as polémicas em torno das arbitragens no dia em que forem criados métodos que possibilitem a tomada de decisões completamente independentes da interpretação humana (tal como a "bola inteligente", por exemplo, munida de um chip que detectará se a bola ultrapassou completamente a linha de golo), o que não acontece com a simples utilização do vídeo. Na verdade, a análise dos lances estará sempre dependente dos critérios de quem a faz, independentemente da evidência das faltas cometidas ou da clareza das imagens televisivas que as comprova.

Vem isto a propósito do jogo realizado entre o FC Porto e o Moreirense, a contar para a Taça de Portugal, no qual aconteceram dois lances polémicos: no primeiro, uma grande-penalidade reclamada pelos portistas, numa carga sobre o Hulk que o árbitro não assinalou; no segundo, um golo anulado ao Moreirense por fora-de-jogo do avançado. Ora, beneficiando da possibilidade de utilizar as imagens televisivas para analisar os referidos lances, os jornalistas da RTP não se fizeram rogados em proferir a sua sentença e, em pleno Telejornal, fizeram saber o público de que, não só os azuis-e-brancos não tinham razões para reclamar a grande-penalidade, como tinham sido beneficiados pela anulação indevida do golo do Moreirense. Infelizmente para estes senhores, a tecnologia é um pau de dois bicos e, se por um lado lhes serve para propagandear a sua verdade distorcida, também serve para que o comum dos mortais possa confirmar os lances pelos seus próprios olhos.
Relativamente ao penalty não assinalado, parece-me óbvio que os jornalistas da RTP devem ter-se enganado nas gravações e analisado outro jogo qualquer que não o FC Porto-Moreirense. A carga do defesa sobre o Hulk é tão evidente, mas tão evidente, que não poderá oferecer dúvidas a qualquer pessoa que goste e perceba minimamente de futebol, pelo que a simples tentativa de branquear o erro do árbitro alegando que o defesa se limitou a executar uma carga de ombro ou, pior ainda, a ganhar a posição, só pode ser encarado como uma piada de muito mau gosto, ou uma demonstração cabal de completa desonestidade. E para que não fiquem dúvidas, aqui ficam as opiniões de dois ex-árbitros que constituem actualmente o Tribunal do Jogo, peremptórias na constatação do erro de Paulo Baptista:

Jorge Coroado

«Pintassilgo, qual passarão, empurrou Hulk. Mesmo que tivesse carregado, tinha-o feito ilegalmente, pois a carga não pode ser feita com violência ou com força bruta» 


Pedro Henriques

«Pintassilgo fez obstrução com contacto físico, desinteressando-se da bola e jogando apenas o jogador (Hulk). Infracção passível de grande penalidade
 
Se o lance do penalty não oferece qualquer dúvida, o mesmo já não se poderia dizer do golo anulado ao Moreirense, no qual só com o recurso às imagens se poderia aferir sobre a posição do avançado no momento em que é efectuado o primeiro remate à baliza do Porto. Ora, também aqui os jornalistas da RTP levavam vantagem pela facilidade que têm em recorrer ao vídeo, mas nem assim o bom-senso e a razão conseguiram imperar. De facto, se recorrermos às imagens disponíveis na Internet e tivermos o cuidado de parar o vídeo exactamente no momento em que é executado o primeiro remate, verifica-se que Antchouet se encontra com os pés alinhados com os de Maicon, mas o seu corpo já se encontra inclinado para a frente:
 
 Por muito milimétrico que este adiantamento possa parecer, a verdade é que ele existe, pelo que, no mínimo, deveria ser dado o benefício da dúvida ao fiscal-de-linha que, como as imagens também comprovam, se encontrava em excelente posição para apreciar o lance. Assim não fizeram os jornalistas da RTP que tentaram, uma vez mais, manipular a opinião pública com uma análise viciada dos factos, tal como vem sendo habitual desde há muito tempo. Ou não fossem estes os mesmos que nos tentaram impingir a falácia de que este corte de Saviola com os dois braços em plena área do Benfica não passou da legítima e legal intenção de proteger a face num remate à queima-roupa:
 
Pensará esta gente que os portugueses são todos parvos? 

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Cristiano e... Moutinho, os melhores segundo a MARCA

De uma forma geral, a imprensa espanhola rendeu-se à exibição de Portugal e reconhece a justiça da vitória portuguesa. O jornal MARCA destaca ainda Cristiano Ronaldo (Real Madrid) e João Moutinho (FC Porto) como os melhores jogadores em campo:

"Lo mejor: La velocidad portuguesa
La selección de Paulo Bento fue rápida y precisa. Cristiano fue una pesadilla para España. Moutinho dirigió las embestidas".

Ai, ai, ai, ai, canta y no llores...

É verdade que se tratou de um jogo amigável, mas nem por isso esta goleada imposta pela Selecção Nacional à sua congénere espanhola deixará de ser histórica. Já o seria pelo simples facto de que nunca, até agora, Portugal tinha ganho por números tão expressivos, mas mais histórica se torna se pensarmos que esta Espanha não é uma Espanha qualquer. Esta é a que ostenta, simultâneamente, os títulos de campeão do Mundo e da Europa, o que diz muito sobre o seu valor.
Este resultado e, principalmente, esta excelente exibição enchem-nos de orgulho e abrem muito boas perspectivas para os próximos compromissos da nossa Selecção, mas deixam também algumas perguntas no ar: será que esta equipa, com todo o potencial que ontem demonstrou, não poderia ter ido muito mais longe no Campeonato do Mundo? Se estes jogadores portugueses, com toda a experiência que possuem, tivessem demonstrado o mesmo querer e a mesma entrega que ontem demonstraram, teríamos sido eliminados nos oitavos-de-final? Se este Cristiano Ronaldo tivesse protagonizado na África do Sul exibições como a que ontem nos ofereceu, não teríamos tido condições para chegar, no mínimo, às meias-finais?
É legítimo que muitos considerem que esta goleada se deve em grande parte a Paulo Bento que, indiscutivelmente, conseguiu incutir na equipa níveis elevados de confiança e motivação que Carlos Queiroz foi incapaz de alcançar. Mas será legítimo afirmar que esta quase milagrosa mudança de atitude da equipa será unicamente fruto da influência de um só homem? Recorde-se que não estamos aqui a falar de uma equipa de miúdos, mas sim de jogadores com uma vastíssima experiência de futebol do mais alto nível, jogado nos melhores campeonatos europeus, para quem o simples facto de representar o seu país deveria constituir motivação suficiente para darem o seu melhor. E se considerarmos que um Campeonato do Mundo constitui a maior montra de futebol mundial ao nível de Selecções, tal facto deveria funcionar como um factor de motivação extra. Como podemos então admitir que atletas de tão elevado nível justifiquem as suas próprias más exibições com a falta de motivação incutida pelo seu Seleccionador? Como podemos aceitar que se desresponsabilize constantemente os jogadores, principalmente aqueles que assumem maior protagonismo, menosprezando assim a sua influência no jogo da equipa? É óbvio que o Seleccionador terá sempre responsabilidade nos bons e nos maus resultados, mas nunca poderá ser encarado como o único culpado quando as coisas correm mal. E enquanto esta filosofia não for alterada, enquanto os níveis de exigência não forem estendidos a todos os intervenientes, incluindo jogadores e dirigentes, Portugal arrisca-se a ver a sua Selecção alternar radicalmente os seus níveis exibicionais entre o óptimo e o péssimo.

P.S. - Rui Santos escreveu hoje no Record o seguinte: "Quando os jogadores querem, até o treinador é bestial". Esperemos pois que os jogadores continuem a querer. 

domingo, 14 de novembro de 2010

Nova aventura dos cinco

No dia 5/5/2005, Filipe Vieira, Rui Costa, David Luiz, Luisão e Roberto meteram-se os cinco num Renault 5 de cinco portas e foram passear até ao Porto. Como o Renault 5 tinha uma avaria na 5ª velocidade e não andava a mais de 55km/h, demoraram cinco horas só para chegar a Cinco Fontes. Foi então que um dos cinco reparou que já eram 5h da tarde e, como ainda não tinham almoçado, estacionaram o Renault 5 na rua das Cinco Casas em frente à casa 5 e entraram no restaurante "As 5 quinas". Pediram cinco cervejas e cinco bifanas, mas o empregado disse-lhes que as bifanas se tinham esgotado havia 5 minutos e que já só havia frango assado. Decidiram então beber as cinco cervejas acompanhadas com cinco tremoços e, como já era tarde, meteram 5 euros de gasolina e regressaram a Lisboa com cinco frangos na bagagem.

sábado, 13 de novembro de 2010

Desejo um bom Natal para todos vós :)))

Há quem só vá ao YouTube para ouvir escutas telefónicas. Nós vamos para recordar momentos de festa como este:

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Ratos fedorentos

José Diogo Quintela e Ricardo Araújo Pereira são dois conhecidos humoristas do grupo Gato Fedorento a quem o jornal A BOLA, num laivo de estupidez, decidiu dar o privilégio de publicar as suas opiniões. E assim, ao longo de várias semanas, estes "gatos" lá se foram entretendo a desenrolar um chorrilho de insinuações, acusações e até insultos, disfarçados de graçolas, cujo alvo preferencial era o FC Porto e seu presidente (ou não fossem Diogo Quintela e Ricardo Pereira adeptos incondicionais do Sporting e do Benfica, respectivamente), para grande gáudio dos leitores do referido jornal que, como se sabe, são maioritariamente (senão exclusivamente) afectos ao clube da Luz.
Acontece que, no mesmo jornal, escreve também artigos de opinião Miguel Sousa Tavares, reputado escritor e autor de obras como Equador, cujas ligações ao clube azul-e-branco são sobejamente conhecidas. Ora, lá diz o povo que nunca se deve discutir com um idiota, porque este arrasta-nos para o seu nível e vence-nos por experiência, pelo que Sousa Tavares cometeu o erro de se envolver em discussão directa, não com um, mas com os dois idiotas, e aprendeu, da pior maneira, que não se deve menosprezar a sabedoria popular. De facto, aquilo que inicialmente não passou de uma "troca de galhardetes" sem grande significado, foi gradualmente atingindo proporções inaceitáveis e ultrapassando o âmbito futebolístico, chegando mesmo a discutir-se (pasme-se!) questões relacionadas com o programa "Gato Fedorento esmiúça os sufrágios" e a Constituição Americana. A confusão chegou a um nível tal que a própria edição do jornal decidiu intervir, apelando aos intervenientes que se abstraíssem da troca de mensagens directas entre si e se concentrassem unicamente no futebol. No entanto, estes apelos de nada valeram, pelo que a edição se viu mesmo obrigada a cortar uma parte do artigo de opinião escrito por Diogo Quintela que era expressamente dirigida a Sousa Tavares. Tal acto não caiu bem junto dos dois humoristas que abandonaram prontamente o jornal, um por se dizer vítima de censura, o outro por solidariedade para com o amigo. E como a estupidez é contagiante, rapidamente se gerou uma onda de indignação no seio das hostes benfiquistas que assumem este caso como uma traição d'A BOLA ao seu clube, originando-se assim mais uma polémica estéril e gratuita que muito jeito vem dar numa altura em que convém distrair as atenções do povo da paupérrima exibição do SLB e consequente goleada sofrida no Dragão. 
É óbvio que, para aqueles que vivem o futebol com espírito de guerrilha, para aqueles que fazem da provocação e do insulto uma forma de estar no desporto, este ambiente de constante agressão verbal funciona como um escape para a frustração causada pelo insucesso desportivo das suas equipas. Não é de admirar, portanto, que esta gente reaja agora com uma birrinha infantil, comportando-se como uma criança a quem o pai lhe tirou a pistola de água com que ela se divertia a molestar os meninos a quem o Pai Natal ofereceu brinquedos mais bonitos. Mas, para aqueles que gostam verdadeiramente de futebol, aqueles que só se sentem realizados com as vitórias da sua equipa dentro das quatro-linhas, este tipo de confrontos verbais não passam de manifestações irracionais de clubite aguda que não trazem absolutamente nada de bom ao futebol português e que só servem para incendiar os ânimos dos adeptos. 
Quanto aos "gatos", lamenta-se que tenham abandonado o barco como ratos, fingindo que não entendem o que esteve na base da decisão do jornal. Foram eles mesmos que sempre alegaram que todos os visados pelas suas sátiras humorísticas tinham de ter poder de encaixe para aceitar as críticas, mas, afinal, parece que, eles próprios, não possuem suficiente poder de encaixe para aceitar a crítica daqueles que já estavam saturados dos seus abusos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Imprensa nacional vs. Imprensa estrangeira

Tal como se esperava, o clássico do passado Domingo suscitou inúmeras reacções e análises, um pouco por todo o lado. No entanto, a diferença de atitudes manifestadas pela imprensa na abordagem do jogo é notória quando comparamos a perspectiva nacional com a estrangeira.
Na imprensa portuguesa, continuamos a verificar a existência de uma (quase) total subserviência aos interesses encarnados, postura essa bem patente na forma como o resultado desnivelado do jogo é encarado pelos media, não como fruto da superioridade azul-e-branca, mas quase exclusivamente por demérito dos encarnados. Nalguns jornais, já bem conhecidos de todos nós pela sua falta de isenção crónica, o caso assume mesmo contornos ridículos, sendo manifesta a intenção de isentar o FC Porto de toda e qualquer responsabilidade na derrota do SLB (Veja-se, a título de exemplo, a crónica de Vítor Serpa, director do jornal A Bola, na qual consegue fazer uma pretensa análise ao jogo sem nunca referir a superioridade demonstrada pelo FC Porto e o excelente futebol por este praticado, numa demonstração cabal do péssima qualidade do jornalismo praticado). Os jogadores encarnados, que, na sua maioria, protagonizaram uma exibição deplorável, são praticamente ilibados de qualquer culpa, sendo antes apontado o treinador benfiquista, Jorge Jesus, como o único responsável pelo desaire. A própria Direcção encarnada, que até ao momento foi incapaz de proferir a mais pequena declaração de admissão de culpas ou responsabilidades, adoptando uma postura de completo distanciamento face ao descalabro da equipa, passa também ao lado de qualquer condenação.
Já a imprensa estrangeira adopta uma postura bem distinta, demonstrando que Portugal é, de facto, um país cada vez mais ultrapassado e isolado na sua mentalidade tacanha. Os jornais espanhóis e italianos preferem realçar os aspectos positivos do jogo, não poupando os elogios a quem efectivamente os merece. Hulk, Falcão, Varela, Moutinho e André Villas-Boas são merecedores de amplos destaques em jornais como A Marca, o As ou o Corriere de la Sera, o que demonstra que o futebol portista continua a chamar as atenções dos adeptos além-fronteiras, mesmo encontrando-se fora da Liga dos Campeões. A propósito, a rádio espanhola Cadena Ser chegou mesmo a afirmar que é uma pena este Porto não estar na principal competição internacional da UEFA. E é uma pena, acrescentaria eu, que outros, menos categorizados, ocupem o seu lugar.

Nota: Um dia depois de eu ter escrito este texto, André Villas-Boas deu uma entrevista à comunicação social na qual faz precisamente referência aos aspectos que eu aqui abordei.

Jesus crucificado

Não era preciso ser perito em futebol (nem tão pouco adivinho) para antever que o Benfica teria muitas dificuldades para manter, na corrente época, o êxito que teve na época passada. Com isto não me estou a referir apenas ao facto do clube da Luz não ter conseguido manter determinados elementos em altos cargos da Liga, dos quais se destaca o ex-presidente da Comissão Disciplinar, Ricardo Costa, cujos serviços foram preponderantes na caminhada dos encarnados rumo ao título. Refiro-me, isso sim, ao facto da contratação dos melhores jogadores do seu plantel só ter sido possível graças à forte comparticipação de investidores privados que, como se previa, forçaram a venda desses mesmos jogadores imediatamente após a conquista do campeonato, no sentido de retirar o máximo proveito da sua valorização. Ora, parece-me evidente que não terá sido por vontade de Jorge Jesus que Di Maria e Ramirez, duas pedras fundamentais no xadrez da equipa, foram vendidos. Nem terá sido por indicação de JJ que a SAD benfiquista decidiu desbaratar milhões de euros na contratação de jogadores de qualidade duvidosa, dos quais Roberto é apenas um exemplo. Nem tão pouco será por sua culpa que vários jogadores demonstram um claro desinteresse pelo jogo, provavelmente por terem visto defraudadas as suas expectativas de saírem para clubes de maior dimensão. Por todos estes motivos, é óbvio que o descalabro que se abateu sobre o Benfica no Dragão, reflectido numa exibição deplorável e numa goleada histórica, nunca poderia ser atribuído, única e exclusivamente, a uma má estratégia do treinador, mas antes a todo um conjunto de erros que já vinham de trás e que passam, entre outros factores, por um mau planeamento da época e uma má gestão de recursos humanos. Obviamente, a constatação de tal evidência implica o imputar de responsabilidades à Direcção e o assumir da incompetência por parte de todo o conjunto de pessoas que constituem o clube, algo que a intelectualmente corrupta imprensa lisboeta, vendida aos interesses encarnados, não pretende que aconteça. Assim, na falta de erros de arbitragem que permitam desviar as atenções do povo (aquela que foi a estratégia adoptada ao longo das primeiras jornadas) e perante a crónica incapacidade de reconhecer o devido valor ao FC Porto, restou-lhes a alternativa de eleger JJ como o bode expiatório da desgraça benfiquista, transformando assim, num ápice, um treinador que diziam ser bestial e que levou o SLB à conquista do desejado título, numa besta incompetente. E enquanto os jornais vão procurando motivos para crucificar Jesus (havendo mesmo aqueles que já falam em despedimento, vá-se lá saber com que fundamento legal), ninguém tem coragem para reservar mais duas cruzes para Filipe Vieira e Rui Costa que, até ao momento, não tiveram sequer a dignidade de proferir uma só palavra.
Não quer isto dizer que JJ esteja isento de culpas no mau momento que o Benfica atravessa. É óbvio que o treinador falhou na forma como preparou a equipa para o confronto com o FC Porto, um facto que se tornou cada vez mais evidente com o decorrer do jogo e com o avolumar do resultado. A colocação de David Luiz na posição de lateral esquerdo pode ser explicada pelo facto de ser reconhecida a aptidão do jogador encarnado para travar os adversários fazendo uso de todo o tipo de recursos (algo que Hulk pôde confirmar logo nos instantes iniciais da partida quando o seu conterrâneo o atingiu com a mão na cara), mas a velocidade e garra que o Incrível imprimiu ao jogo fez desmoronar a estratégia do adversário, deixando JJ numa posição delicada perante a crítica. No entanto, este erro de análise do treinador benfiquista, por muito crasso que possa ter sido, não explica tudo, ao contrário do que a imprensa pretende fazer crer. Se por um lado é verdade que o corredor direito da defesa encarnada foi uma auto-estrada para os avançados azuis-e-brancos (o que explica a goleada sofrida) não é menos verdade que os visitantes foram incapazes de construir uma jogada de ataque com cabeça, tronco e membros, tendo saído do Dragão sem um único golo marcado e com apenas duas ou três verdadeiras oportunidades de golo criadas. Ora, que eu saiba, os médios e avançados jogaram nas mesmas posições a que estão habituados, pelo que a sua inoperância não se explica com erros do treinador, mas sim com uma evidente falta de soluções do plantel encarnado para fazer frente a um adversário que é claramente superior, por muito que isso custe a admitir à imprensa avençada do regime.

Ora dá cá um e a seguir dá outro...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Erro crasso

A Direcção benfiquista cometeu um clamoroso erro: apelou aos seus adeptos para que não assistissem aos jogos da sua equipa fora de casa, mas comprou bilhetes para o Dragão, apoiando assim directamente a deslocação das claques encarnadas à casa do FC Porto. Se tivessem procedido exactamente ao contrário, sempre teriam poupado os seus adeptos da vergonha de verem a sua equipa ser esmagada pelo FC Porto. Enfim, não acertam uma!

Um, dois, três, quatro, cinco!

Depois de 15 dias vividos a milhares de quilómetros de Portugal, num país onde a actualidade da pátria-mãe me chegava apenas através da internet já que as notícias do nosso país não mereciam a mais pequena atenção dos canais televisivos e jornais estrangeiros, eis-me finalmente de volta a casa. E recepção mais calorosa não poderia ter senão assistir ao verdadeiro massacre futebolístico protagonizado pelo meu clube sobre o seu arqui-inimigo lisboeta, materializado numa mão cheia de golos que foram, ainda assim, escassos para expressar a superioridade absoluta do Dragão sobre a Águia ao longo dos 90 minutos que durou a contenda.
A diferença de valor verificada entre o FC Porto e o Benfica é abismal e assume contornos de escândalo, principalmente se atendermos ao facto de estarem em confronto as duas equipas que ocupam, actualmente, os dois lugares cimeiros da Liga Portuguesa. Do lado azul-e-branco assistiu-se a uma exibição sólida, convincente, raçuda, confiante. Do lado encarnado, uma triste imagem de um campeão descrente, dormente, descoordenado, confuso, enfim, patético.
Com esta goleada à moda antiga, incontestável e indiscutível quanto à sua justiça, o FC Porto aumentou para 10 pontos a vantagem sobre o mais directo oponente e demonstrou o porquê de ser o mais sério (senão o único) candidato à vitória no campeonato português na sua versão 2009-2010. Acendem-se assim nos corações portistas as legítimas aspirações de verem a sua equipa reconquistar o título de campeão que só as artimanhas de secretaria e as jogadas extra-futebol verificadas na época passada conseguiram retirar ao Dragão. Mas, mais do que isso, estes cinco golos funcionaram como cinco dedos de uma mão que se abateu, impiedosamente, sobre a face daqueles que, nas últimas semanas, procuraram, uma vez mais, interferir no normal desenrolar da competição, recorrendo aos mais variados expedientes de pressão sobre as arbitragens e chantagem sobre os clubes adversários, com a clara intenção de manipular a verdade desportiva em favor dos seus interesses mesquinhos. Para esses, a devida resposta foi dada esta noite dentro das quatro-linhas. Esmagadora, como só o colossal FC Porto sabe e pode fazer.

P.S. - Fiquei muito satisfeito por saber que a equipa lisboeta chegou ao Porto praticamente sem incidentes. Não quero sequer imaginar a tragédia que se abateria sobre este país se os encarnados fossem alvo de apedrejamentos como os azuis-e-brancos sempre sofrem quando se deslocam a Lisboa, se o seu autocarro fosse incendiado tal como aconteceu com o autocarro da claque portista na capital, ou se o carro particular de Filipe Vieira fosse apedrejado como aconteceu com o de Pinto da Costa. Imagino que, na próxima vez, viriam em chaimites, patrocinadas pelo povo português com o aval do digníssimo Ministro da Administração Interna.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O galo e o abutre

Numa quinta, havia um galo que era tido como um macho de grande capacidade procriadora, não havendo, no galinheiro, galinha que lhe escapasse. E como as galinhas não chegavam para satisfazer o seu apetite sexual voraz, o galo aviava também os outros animais da quinta, incluindo as coelhas, as porcas e até as vacas. Desde que fosse fêmea, tudo lhe servia. Um dia, o dono da quinta encontrou o galo deitado no chão, aparentemente inanimado, e sobre ele voavam já, em círculos, vários abutres. Então comentou: "Pobre galo, levava uma vida sexual tão activa que acabou por rebentar". Foi então que o galo abriu um olho, olhou para o homem e disse: "Ssssshhhh! Deixa-os pousar..."

No final do jogo Guimarães-Porto, André Villas-Boas cometeu o erro de reclamar da arbitragem de Carlos Xistra com base em vários erros cometidos pelo juiz da partida, entre os quais uma alegada grande-penalidade que as imagens acabariam por demonstrar que não existiu. Consequentemente, a intelectualmente corrupta imprensa lisboeta tratou de branquear os lances em que o treinador portista teria razão (designadamente as faltas sobre jogadores portistas merecedoras de acção disciplinar que o árbitro, simplesmente, ignorou, e os fora de jogo mal tirados aos avançados azuis-e-brancos) para se debruçar apenas sobre o penalty inexistente, deixando assim Villas-Boas numa posição fragilizada aos olhos do público. Ora, qual abutre voando em círculos sobre o moribundo esperando o seu último suspiro para lhe cravar as garras, logo o presidente do Benfica se aproveitou do mote lançado pelos seus apaniguados para criticar o jovem treinador, chamando-lhe ridículo. No entanto, demonstrando uma força de carácter e uma clarividência pouco vista no nosso futebol, Villas-Boas soube esperar o momento certo para reconhecer o seu erro conforme tinha prometido e respondeu ao presidente encarnado com elevação, aconselhando-o a olhar mais para os seus próprios botões, algo que o presidente encarnado, efectivamente, dá mostras de não saber ou querer fazer.

Meninos e meninas, bem vindos ao Circo!

Todos nós sabemos que o futebol é um terreno fértil em situações insólitas, mas o facto da Direcção do Benfica ter andado, nas últimas semanas, a apelar aos adeptos benfiquistas para não apoiarem a sua própria equipa nos jogos fora, para vir agora, ela própria, pedir 2500 bilhetes para o clássico do Dragão, ultrapassa os limites do razoável, caindo, com estrondo, no domínio do ridículo. A situação é de tal forma absurda que me leva mesmo a questionar se os dirigentes encarnados agirão de acordo com uma estratégia delineada em função dos interesses do clube, ou se navegam simplesmente ao sabor dos delírios microcéfalos do seu presidente. Seja lá qual for o caso, parecem empenhados em transformar o futebol num triste e lamentável espectáculo circense.
Lá diz o povo que à mulher de César não basta ser séria, tem de parece-lo. Neste sentido, por muito que a Direcção benfiquista tente disfarçar os seus actos com uma pretensa capa de moralismo, arvorando-se em paladina na luta pela verdade desportiva, a triste realidade é que as suas constantes contradições e incoerências, para além da hipocrisia e desonestidade dos seus argumentos, desmascaram os seus verdadeiros objectivos: a hegemonia do futebol português à custa da chantagem e da coação.
Nesta altura do campeonato, só alguém estupidamente ingénuo poderá continuar a acreditar na boa-fé desta gente e, pior ainda, dar ouvidos aos seus apelos. Resta-nos esperar que, para além do bom-senso e da inteligência, impere também a coragem entre os portugueses para combater tão vil atentado aos interesses do futebol nacional.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Apito Encarnado

Quantas mais conversas deste teor e envolvendo os mesmos protagonistas não terão sido escutadas no âmbito do processo Apito Dourado? Por que motivo as autoridades abafaram o caso, não dando abertura a nenhum processo de investigação? Não estamos aqui na presença de um crime de tráfico de influências? Será que, se as autoridades tivessem investigado, teríamos assistido à arbitragem inqualificável de João Ferreira na Supertaça? E por que motivo é que esta escuta não aparece agora publicada no YouTube? Afinal, o objectivo da divulgação das escutas não é que haja justiça, verdade e transparência?

sábado, 9 de outubro de 2010

Um critério sem critério

A primeira vinda a público de Vítor Pereira para proceder à análise dos casos de arbitragem quando estavam decorridas apenas cinco jornadas, constituiu uma inesperada rotura com aquela que foi a política da CA nos últimos anos. Tal facto gerou mal-estar e suspeição, dada a coincidência desta súbita mudança ter acontecido apenas dois dias depois do SLB ter publicado um lamentável comunicado onde lançou duras críticas e graves acusações à arbitragem. O presidente da CA insistiu, no entanto, que tal não passou de mera casualidade, já que esta mudança de política estaria já prevista desde o início da presente época. Ficamos pois na expectativa de ver se Vítor Pereira iria fazer uma nova análise das arbitragens no final das jornadas 10, 15, 20, etc, mantendo assim um critério coerente.
Ora, não foi preciso esperar tanto tempo para percebermos que, afinal, a nova política não passava de uma treta inventada à pressa para disfarçar aquilo que todos suspeitavam. De facto, o próprio Vítor Pereira tratou de vir agora afirmar que esta nova "estratégia comunicacional" não implica que seja feita uma nova intervenção à 10º jornada, tanto podendo ser na 10ª como na 15ª". Ou no dia de São Nunca à tarde, acrescentaria eu...
Fica assim demonstrado que a patética análise da 5ª jornada não obedeceu a nenhum critério previamente concebido, sendo antes causada pela forte pressão exercida pelo Benfica. Curiosamente, Vítor Pereira tem ainda o descaramento de acrescentar que não anda a reboque de ninguém, algo que, depois desta inqualificável demonstração de cobardia e subserviência para com o clube encarnado, já ninguém poderá acreditar.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Zangam-se as comadres...

Filipe Vieira acusou Pinto de Sousa de jantar com árbitros e Pinto de Sousa respondeu acusando Vieira de jantar com... Pinto de Sousa. Resumindo: o Vieira cuspiu no prato que lhe deu de comer.

Cuidado com a instituição!

Desde o início desta época, o presidente do Benfica ainda não parou de queixar-se de alegados prejuízos de arbitragem que terão afastado o clube da Luz do topo da tabela classificativa. No entanto, este vídeo mostra-nos uma excelente compilação de lances que demonstram bem que a realidade é muito diferente do que o Vieira diz.
Eis aquilo que realmente se passa no futebol português:



Nota: chama-se a atenção para o facto de nenhuma das entradas violentas e agressões que vemos neste vídeo ter sido punida com cartão vermelho, apesar das imagens ilustrarem a violência dos lances.   

Ignorância, inconsciência e irresponsabilidade

Graças à ignorância, inconsciência e irresponsabilidade cívica dos seus dirigentes, há muito tempo que o Benfica deixou de ser parte da solução dos problemas do futebol português, passando a constituir, ele próprio, um problema acrescido. Esta realidade tornou-se mais uma vez evidente quando, a respeito da violência que se tem verificado nas deslocações do Benfica ao Norte do país, Luís Filipe Vieira proferiu, na entrevista dada à Antena 1, afirmações incendiárias e provocatórias cujas consequências poderão trazer, a breve prazo, um agravamento do grave clima de crispação já existente.
Com o habitual pedantismo e arrogância que o caracteriza, típicos de um novo-rico que julga que é dono e senhor de tudo o que o rodeia, e sabendo-se protegido pelo poder político que lhe garante total impunidade independentemente da gravidade dos actos que comete, o presidente do Benfica veio afirmar que pedia a Deus que não lhe apedrejassem o autocarro, pois quem o fizer poderá ter uma surpresa.
Não sabemos que surpresa será essa a que Vieira se refere uma vez que o presidente encarnado não quis esclarecer a sua misteriosa afirmação, mas, atendendo ao tom de ameaça, imagina-se que dali não sairá boa coisa. Se a esta atitude ameaçadora juntarmos os recentes apelos à guerra e ao levantamento armado contra os adeptos azuis-e-brancos proferidos na BenficaTV, estamos conversados quanto à visão doentia que esta gente tem, não só do futebol, como da sociedade em geral. E é este tipo de pessoas a quem o Ministro da Administração Interna recebe no seu gabinete, sob o pretexto da luta contra a violência...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Não fez mossa, mas arranhou a pintura

Caso o FC Porto não tivesse protagonizado esta época um dos melhores arranques de campeonato dos últimos anos, provavelmente o empate conseguido em Guimarães seria considerado um excelente resultado. A questão é que a equipa atingiu a velocidade de cruzeiro ao derrotar todos os adversários que defrontou desde que a época começou, pelo que empatar com o Vitória foi como chocar contra uma parede. Neste caso, não fez mossa, mas arranhou a pintura.
A verdade é que, independentemente deste resultado e da exibição menos colorida, o FC Porto prossegue destacado na liderança. Com toda a justiça, diga-se. Obviamente, ninguém gosta de perder pontos e este empate deixa na boca um certo sabor amargo por vir interromper uma série de onze vitórias consecutivas, mas não deslustra o excelente trabalho desenvolvido até ao momento. Por vezes, até é bom que estas coisas aconteçam para que se volte a pousar os pés no chão e se perceba que nem tudo serão facilidades até ao final do campeonato. A equipa necessita de rotação e alguns jogadores (como Álvaro Pereira, por exemplo) começam a dar sinais de necessitar de uma pausa. Outros ainda não conseguiram atingir os níveis físicos e psicológicos que lhes são reconhecidos (como é o caso de Fucile). Nesse sentido, a interrupção da prova devido aos compromissos das Selecções poderá ser positiva, por um lado, ou extremamente negativa, por outro. Tudo depende do esforço a que estarão sujeitos todos os jogadores convocados do nosso plantel e do trabalho da equipa técnica na recuperação dos índices máximos. Não percamos, portanto, os próximos episódios desta emocionante série que promete manter os espectadores colados ao ecrã até ao final.

O putativo sr. Delgado

O empate do FC Porto em Guimarães causou grande excitação por todo o país, a ponto de alguma imprensa lisboeta ter perdido o discernimento e desatado a proferir todo o género de dislates. Por exemplo, graças a este jogo, o jornal A Bola conseguiu descobrir que o FCP não é, afinal, invencível. De facto, na perspectiva de que no futebol não existem equipas invencíveis, não podemos deixar de concordar com tal afirmação. No entanto, também não podemos deixar de chamar a atenção ao putativo sr. Delgado que não é com um simples empate que se demonstra tal evidência.

Visão de águia

Como, com certeza, já repararam, o vídeo que ilustrava o texto intitulado "Que bem prega Frei Tomás" deixou de estar disponível no YouTube por, alegadamente, violar os termos de utilização. Ora, sabendo que o YouTube só retira os vídeos publicados se receber alguma denúncia, adivinha-se que alguém, muito preocupado com a salvaguarda dos ditos termos, se tenha apressado a informar a empresa de que o vídeo em questão fazia parte das imagens recolhidas por uma estação de televisão a quem pertencem os direitos de transmissão. Se calhar, é a mesma pessoa que publicou as escutas telefónicas conexas ao Apito Dourado e que estavam (ou deviam estar) em segredo de justiça. É bom saber que existem pessoas com esta visão de águia, sempre atentos e prontos a intervir na defesa dos direitos dos cidadãos...

domingo, 26 de setembro de 2010

Nota 20!

No início da corrente época, foram muitas as dúvidas que assolaram as mentes dos adeptos azuis-e-brancos quando o FC Porto decidiu apostar na contratação de André Villas-Boas para ocupar o cargo de treinador. Neste momento, decorridas que estão apenas seis jornadas do campeonato, eu arriscar-me-ia a dizer que não deverá existir nenhum portista que não se encontre já rendido às qualidades demonstradas pelo jovem treinador, quer como profissional, quer como ser humano. Tal facto não retira razão àqueles que, cautelosamente, afirmam ser ainda demasiado cedo para retirar completas ilações, já que a procissão ainda vai no adro e tudo pode acontecer. No entanto, naquela que é a questão fulcral, nem mesmo os mais cépticos deixarão de reconhecer que o arranque da temporada ultrapassou as melhores expectativas e que o novo treinador tem estado acima das exigências.
Desde logo se adivinhou que João Moutinho seria um reforço extremamente importante para o meio-campo, mas as dúvidas persistiam sobre o rendimento dos restantes elementos desse sector onde apenas Fernando parecia ter conquistado a plena confiança dos sócios. Belluschi, por exemplo, apesar de ter merecido a confiança de Jesualdo Ferreira em inúmeros jogos da época passada, demorava a explodir e Rúben Micael, um jogador de valor inquestionável, viu-se prejudicado pelas lesões que sofreu. Estas dúvidas, agravadas pela saída de Raul Meireles e a entrada do ilustre desconhecido Souza, ensombravam as perspectivas para a nova época, mas as primeiras jornadas vieram demonstrar que os receios eram completamente infundados.
O meio-campo do FC Porto joga agora como um relógio suiço. A cada tic-tac há um passe preciso, uma finta criativa, um lance rasgado a abrir espaços nas defesas contrárias para as entradas dos avançados, dos quais se destacam Varela e o inevitável Hulk. Mas mais do que o recorte técnico, a beleza do futebol praticado e o empenho demonstrado em cada lance disputado, há nesta equipa algo que há muito tempo não se via no futebol do Dragão: Alegria! Garra! Confiança! E é aqui, neste aspecto tão importante para a conquista das vitórias, que mais se nota o perfume do jovem Villas-Boas. Está de parabéns, o nosso miúdo!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Cobardia e subserviência

Em Portugal, muitas foram as vezes que dirigentes, treinadores e jogadores foram alvo de castigos, multas ou suspensões, motivadas por declarações, por vezes proferidas a quente no final dos jogos, consideradas ofensivas ou mesmo insultuosas para os árbitros ou entidades responsáveis pelo futebol português. Perante isto, já seria de todo incompreensível que a direcção do SL Benfica se tenha dado ao luxo de publicar uma declaração a todos os níveis vergonhosa e condenável, na qual não se limita a pôr em causa a competência de um árbitro (que, curiosamente, tanto os beneficiou num passado recente) mas a levantar todo o tipo de suspeições contra a própria estrutura da arbitragem portuguesa e, não obstante esse facto, consiga sair de tudo isto airosamente sem ser alvo da mais pequena sanção disciplinar. Mas o que dizer quando um dos principais visados das críticas, nada mais, nada menos que o próprio presidente da Comissão de Arbitragem (CA), a quem o Benfica acusa frontalmente de conspirar contra o clube encarnado, vem imediatamente a público dar razão àqueles que tanto o criticaram?
Na época passada, foi preciso esperar até à 10ª jornada para vermos Vítor Pereira fazer um balanço das arbitragens e nem a ocorrência de casos verdadeiramente inusitados e espantosos como, por exemplo, o facto de o Benfica ter beneficiado de 17 (dezassete!) jogos em vantagem numérica sobre os seus adversários ou a obscena suspensão de Hulk por 3 meses, posteriormente convertida em 3 jogos, motivaram qualquer comentário de sua parte. Já esta época, foram precisas apenas 5 jornadas para que o presidente dos árbitros tenha sentido a necessidade de vir a público reconhecer a existência de erros que prejudicaram o Benfica, o que levanta sérias questões:

1) Por que motivo terá Victor Pereira esquecido de que o jogo da Supertaça também faz parte da corrente época, não tendo a vergonhosa arbitragem de João Ferreira, marcada pela complacência com que permitiu aos jogadores encarnados todo o tipo de entradas violentas e agressões sem a devida amostragem do cartão vermelho, merecido qualquer análise?

2) A periodicidade de 5 jornadas agora adoptada será mantida daqui para a frente, ou seja, teremos novos balanços sobre a arbitragem à 10ª, 15ª, 20ª jornadas e por aí adiante, ou este tratou-se de um caso isolado motivado pela pressão exercida pelo Benfica sobre o presidente dos árbitros?

3) Se, futuramente, outros clubes vierem a ter também motivos de reclamação sobre as arbitragens, será que Vítor Pereira demonstrará a mesma coragem para reconhecer-lhes a razão publicamente, ou irá assobiar para o ar, fingindo que nada vê, tal como aconteceu no decorrer da época passada?

4) Se outros clubes, dirigentes ou treinadores, dirigirem críticas aos árbitros e estruturas de arbitragem, pondo em causa a sua isenção e idoneidade com a mesma dureza usada pelo Benfica no seu comunicado, será que Vítor Pereira irá agir de forma igualmente condescendente ou manifestar-se-á, nessa altura, muito ofendido na sua dignidade?

Tal como afirmou André Villas-Boas, a resposta forçada de Vítor Pereira ao comunicado do Benfica abre graves precedentes, mas não só, transmite para o público uma imagem de cobardia e subserviência da CA para com o clube da capital. Aquilo que o presidente dos árbitros pretendia que fosse encarado como uma prova de transparência e verdade desportiva transformou-se assim num motivo acrescido de suspeição e de receio perfeitamente fundamentado, ficando a dúvida se a subserviência demonstrada pela CA não se irá manifestar futuramente de outras formas menos inócuas para a verdade desportiva. Por exemplo, através de outros 17 jogos em vantagem numérica...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Que bem prega Frei Tomás

Todos os que acompanham o futebol português se recordarão, com certeza, da tristemente célebre final da Taça da Liga, disputada entre o Benfica e o Sporting, em que Lucílio Baptista assinalou um penalty perfeitamente anedótico contra os de Alvalade, num lance ocorrido fora da área e em que o defesa leonino se limitou a jogar a bola com o peito. Esse erro acabaria por influenciar directamente o desfecho do jogo (de tal forma que essa competição passou a ser conhecida por muitos como "Lucílio Cup"), o que motivou veementes protestos por parte dos jogadores, técnicos e dirigentes sportinguistas. No entanto, a revolta leonina, por mais legítima que fosse, não só não fez qualquer mossa nos festejos encarnados, como ainda motivou comentários jocosos e duras críticas por parte dos dirigentes do clube da Luz, numa demonstração de total desprezo pelo verdadeiro atentado contra a verdade desportiva a que todo o país assistiu. Nesse sentido, vale a pena recordar a conferência de imprensa dada por João Gabriel, na qual profere algumas frases que aqui transcrevo por achar interessantes, principalmente quando inseridas no contexto actual:

«O Benfica acompanhou sem surpresa, mas com muita paciência, toda a campanha que foi montada desde sábado à noite pela direcção do Sporting, cujo único objectivo é o de condicionar o desempenho de quem tem responsabilidades na arbitragem até ao fim do campeonato.»

«Há uma fronteira clara entre a frustração de uma derrota e a total falta de fair-play e o tremendo mau-perder.»



Compare-se agora a atitude dos dirigentes benfiquistas com o comunicado recentemente publicado e conclua-se quanto à credibilidade e autoridade moral desta gente na questão da verdade desportiva.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Personas ingratas

No decorrer da época transacta, devido à sequência de casos polémicos ocorridos nos túneis de vários estádios do país, o presidente do FC Porto instou o Secretário de Estado do Desporto a instaurar um processo de investigação ao que se estava a passar no futebol português. Como resposta, Pinto da Costa obteve de Laurentino Dias um mero encolher de ombros e um simples "Não faço comentários". Graças ao seu silêncio e passividade, para não falar mesmo em falta de coragem para actuar sabendo que estavam em causa interesses supremos do todo-poderoso clube lisboeta, Laurentino Dias tornou-se cúmplice do viciamento da verdade desportiva que tornou a Liga Portuguesa 2009-2010 numa das mais polémicas de sempre na história do futebol português, de tal forma que será sempre recordada como "o Campeonato dos Túneis".
Laurentino Dias merecia que o SLB lhe mandasse construir uma estátua e a colocasse à entrada do Estádio da Luz, ao lado da de Eusébio e de Ricardo Costa, numa justa homenagem pelos bons serviços que cada um, na sua respectiva área de actuação, prestou ao clube. Infelizmente, hoje em dia a sociedade tem vindo a perder, cada vez mais, os valores cívicos e morais, pelo que o Secretário de Estado, não só não viu reconhecida a sua meritória contribuição para a conquista do título, como ainda (pasme-se!) foi considerado persona non grata na Luz. Já não há gratidão.

Verdade desportiva à moda de Lisboa

Vários órgãos de comunicação social já esclareceram o público das graves consequências que a desistência de uma competição organizada pela LPFP acarreta para um clube. Perante isto, não é difícil de prever que a ameaça dos dirigentes do Benfica de abandonarem a Taça da Liga não terá qualquer desenvolvimento prático, não passando de mais uma vergonhosa forma de pressão exercida pelo clube lisboeta sobre a entidade que rege a principal competição futebolística nacional no sentido de daí retirar dividendos desportivos.
De qualquer forma, considerando que o SLB justificou a sua ameaça com a alegada defesa da verdade desportiva, é legítimo perguntar se o clube da Luz pondera agora abandonar a Liga dos Campeões em virtude do árbitro não ter assinalado um penalty escandaloso a favor do Hapoel Tel Aviv quando o resultado se encontrava ainda em 0-0. Ou será que o conceito de verdade desportiva que consta no dicionário dos dirigentes encarnados muda conforme os árbitros erram a favor ou contra o Benfica?

Chantagem e coação

Numa altura em que os clubes se encontram empenhados em credibilizar o futebol, aumentar a espectacularidade e melhorar as condições dos estádios no sentido de levar mais público a assistir aos jogos ao vivo, eis que o Benfica, numa demonstração de total alheamento e desprezo para com os interesses do futebol português em geral, vem apelar aos adeptos encarnados para que não apoiem a sua equipa fora de casa. Obviamente, qualquer pessoa entende a importância do apoio das claques para o sucesso desportivo da equipa, pelo que este apelo do Benfica, que à primeira vista pode ser interpretado como um tiro no próprio pé, só é compreensível se o clube pretender retirar desta situação quaisquer benefícios que se sobreponham ao prejuízo causado pela falta de apoio das claques. Resta saber que benefícios serão esses que justificam tal desiderato, e é aqui que a porca torce o rabo.
Todos sabemos que as receitas de bilheteira são cruciais para a sobrevivência financeira dos clubes de menor dimensão. Nessa perspectiva, a ameaça do Benfica de deixar de levar os seus adeptos aos jogos realizados nos estádios alheios poderá obrigar esses clubes a aceitarem as condições impostas pelo SLB, sabe-se lá com que intenção e em que moldes. Estamos, portanto, na presença de uma forma encapotada de chantagem ou mesmo de coação. De facto, quando o campeonato entrar na sua fase decisiva em que dois ou mais clubes lutam ombro a ombro pela conquista do título, quem nos garante que os clubes de menor dimensão não facilitarão a tarefa frente ao Benfica, receando as represálias financeiras do clube da Luz?

Os incendiários

O Verão avança a passos largos para o seu final mas continua a haver pirómanos que insistem em atear fogos um pouco por todo o lado. Nalguns casos, os incendiários não têm como alvo as matas e florestas de Portugal, mas sim os ânimos dos adeptos do futebol, numa demonstração de inconsciência e de irresponsabilidade, principalmente quando nos encontramos nas vésperas de jogos importantes para a classificação das equipas na tabela classificativa e, nalguns casos, decisivos para a continuidade de alguns clubes na luta pelo título de campeão nacional.

Na sequência da arbitragem de Olegário Benquerença no jogo disputado no passado fim-de-semana entre o SLB e o Vitória de Guimarães, no qual os lisboetas foram objectivamente prejudicados graças à não marcação de uma grande penalidade a seu favor, a direcção do clube da Luz decidiu desatar a disparar em todas as direcções. Disparar e disparatar, entenda-se, já que o comunicado publicado pelo clube, não só constitui um dos mais flagrantes exemplos de hipocrisia, desonestidade e má-fé que tivemos a oportunidade de ler nos últimos tempos, como se baseia em argumentos facilmente desmontáveis.

Na época passada, o FC Porto viu-se indevidamente impedido de jogar com Hulk em 18 partidas oficiais graças à suspensão imposta ao jogador pela CD presidida por Ricardo Costa, um castigo posteriormente reduzido pelo CJ da FPF para apenas 3 jogos. Os azuis e brancos foram assim prejudicados em 15 (quinze!) jogos, mas tal facto não foi suficiente para motivar qualquer protesto por parte do Benfica em nome da verdade desportiva que tanto alegam defender, nem tão pouco ensombrou os efusivos festejos da conquista do título no final da época que ocorreram como se tudo se tivesse passado de forma limpa e transparente. Agora, bastou que estivessem decorridas apenas quatro jornadas e se tivessem verificado alguns casos polémicos para que a direcção encarnada viesse a terreiro armar mais uma peixeirada no futebol português. Tal disparidade de critérios e atitudes deixa a descoberto a hipocrisia, desonestidade e má-fé das intenções que movem os dirigentes encarnados, cujo mote parece ser apenas este: enquanto o Benfica for beneficiado, existe verdade desportiva; se o Benfica não for beneficiado, só existe corrupção. Enfim, nem uma criança conseguiria ser mais pateta.

Já seria por si só ridículo assistirmos aos queixumes de um clube que ostenta presentemente um título de campeão nacional conquistado numa época marcada por todo um conjunto de estratagemas de secretaria que influenciaram directamente o livre desenrolar da competição, viciando, ostensiva e descaradamente, a sua verdade desportiva. Mas o caso toma contornos ainda mais patéticos quando somos obrigados a recuar aos tempos da ditadura para encontrar um campeonato em que a equipa vencedora beneficiou igualmente de mais de um terço da competição jogando em vantagem numérica sobre os seus adversários, um facto que revela claramente o critério protector assumido pela arbitragem portuguesa em relação ao Benfica e as facilidades encontradas pelo clube da Luz na sua caminhada rumo ao título. Vistas as coisas por este prisma, o SLB seria a última equipa com legitimidade moral para se queixar de prejuízos e perseguições, mas é evidente que a hipocrisia e a imoralidade falaram mais alto do que a razão na hora de escrever o referido comunicado.

O Benfica soma actualmente três derrotas em quatro jogos do campeonato, o que lhe vai valendo o desprestigiante 13º posto na classificação. Se somarmos a derrota na Supertaça frente ao FC Porto (aquele que é considerado o primeiro jogo oficial da época) e a derrota frente aos ingleses do Tottenham na Eusébio Cup, então o saldo aumenta para cinco derrotas em seis jogos. Estes resultados traduzem-se no pior início de época da história do clube, o qual não será obviamente alheio ao mau planeamento do plantel, já que os jogadores recentemente contratados ainda não deram quaisquer sinais de constituírem verdadeiros reforços para a equipa, capazes de colmatar as saídas de jogadores fundamentais como foram DiMaria e Ramirez na época passada. Ora, atendendo a que o Benfica não teve qualquer motivo de reclamação das arbitragens da esmagadora maioria destes jogos (bem pelo contrário, se atendermos à miserável arbitragem de João Ferreira no jogo da Supertaça que permitiu ao SLB apresentar-se na 1ª jornada na sua máxima força, não obstante o lamentável espectáculo de pancadaria e violência que os seus jogadores protagonizaram em Aveiro), o comunicado agora publicado não passará de uma vergonhosa tentativa de esconder o Sol com a peneira, procurando desviar as atenções dos adeptos mais simplórios daqueles que são os verdadeiros motivos da crise encarnada.

Não foram com certeza os árbitros os responsáveis pelas contratações falhadas nem tão pouco pela insistência na convocação do guarda-redes Roberto, contratado pela módica quantia de 8,5 milhões de euros, que se apresenta como um factor de destabilização acrescido para a equipa graças aos golos fáceis que sofreu nas primeiras jornadas. Nessa perspectiva, concordo plenamente com Luís Filipe Vieira quando afirma que alguém anda a brincar com o Benfica. O que ele pretende escamotear aos olhos dos sócios, é que é ele próprio o principal brincalhão.

domingo, 12 de setembro de 2010

António Salvador

A crítica é praticamente unânime em considerar o jogo realizado ontem no Dragão entre o FC Porto e o SC Braga como o melhor das últimas épocas e um dos melhores de sempre no futebol português e a verdade é que tem motivos concretos para tal. As duas equipas, lideradas por dois dos mais jovens e promissores treinadores portugueses da actualidade, protagonizaram uma magnífica exibição e forneceram todos os condimentos necessários para uma grande partida de futebol: golos espectaculares, emoção a rodo, incerteza no resultado, garra e ambição. Se fosse necessário propor um jogo para a propaganda do futebol português além-fronteiras, este seria, sem dúvida, um sério candidato.
A qualidade do futebol praticado por ambas as equipas em confronto veio dissipar qualquer dúvida sobre a justiça da posição que ocupam na tabela classificativa e demonstrar aquilo que a Liga Portuguesa necessita para atingir o nível das melhores ligas europeias: competitividade! Nesse capítulo, é de realçar o excelente trabalho do presidente arsenalista, António Salvador, que, graças a uma política financeira rigorosa e à aposta em jogadores e treinadores jovens e ambiciosos, tem conseguido conquistar a simpatia e apoio de uma massa associativa cada vez maior e elevar o clube a patamares nacionais e internacionais nunca antes conseguidos. Sem dúvida, um exemplo a seguir por muitos outros clubes.

Super-Dragão!

O FC Porto e o SC Braga protagonizaram no Dragão um grande jogo de futebol que vem dissipar qualquer dúvida sobre o motivo destas duas equipas ocuparem os lugares cimeiros da classificação. A vitória dos azuis e brancos (a quarta em quatro jogos) é incontestável dada a qualidade do futebol praticado e lança a equipa para um primeiro lugar cada vez mais isolado. Hulk foi, na minha opinião, o homem do jogo, com mais uma exibição de encher o olho, no seguimento de outras que nos tem oferecido esta época, mas é de realçar também o excelente contributo de Belluschi, Álvaro Pereira e Varela que foram verdadeiramente imparáveis esta noite.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O Tribunal do Paraty

O Tribunal do Jogo é uma rúbrica do jornal O Jogo na qual três ex-árbitros fazem a análise das arbitragens dos principais jogos de cada jornada. O actual painel é constituído por Jorge Coroado, Pedro Henriques e Paulo Paraty.
Os elementos do painel entram muitas vezes em discordância devido às diferentes interpretações que fazem dos lances, algo que, em certa medida, pode ser considerado normal, principalmente quando estamos na presença de casos de arbitragem duvidosos ou de difícil análise através dos meios audio-visuais disponíveis. No entanto, para quem acompanha assiduamente o Tribunal do Jogo, não é difícil aperceber-se da tendência sistemática de alguns dos elementos do painel para proteger determinados clubes, nalguns casos manifestada de forma flagrante, o que não pode ser encarado como normal nem aceitável numa rúbrica desta natureza. 

Um dos exemplos mais evidentes de falta de rigor e de isenção verificou-se exactamente esta semana e foi protagonizado por Paulo Paraty. No dia 7 de Agosto, a respeito do jogo da Supertaça disputada entre o FC Porto e o SL Benfica, o ex-árbitro já havia denotado falta de bom-senso quando procurou branquear a arbitragem de João Ferreira comparando-a (pasme-se!) com uma arbitragem "à inglesa":

«O árbitro fez bem a gestão do jogo. Demonstrou domínio, controlo e capacidade de liderança suficiente para que o jogo chegasse ao fim com equipas completas. Para quem gosta de arbitragens à inglesa, João Ferreira esteve bem.»

Ora, quem acompanha o futebol inglês sabe que as arbitragens caracterizam-se, de facto, por um critério largo, permitindo o contacto corpo a corpo mas nunca ultrapassando os limites da dureza e muito menos da violência. Como tal, pretender comparar a complacência demonstrada por João Ferreira para com as entradas violentas e agressões protagonizadas pelos jogadores do SL Benfica com uma arbitragem "à inglesa" só pode ser uma piada de muito mau gosto.
Como se isto não bastasse, Paulo Paraty chegou mesmo ao cúmulo de tentar justificar o patético critério disciplinar de João Ferreira com argumentos que roçam o ridículo. Leia-se, por exemplo, o que escreveu sobre o lance em que Aimar atingiu Belluschi com o pé em riste:

«Aimar tinha acabado de ver um cartão amarelo, por isso aceito a decisão do árbitro; teve e tinha de aguardar algumas faltas.»

Repare-se que Paulo Paraty não nega que o lance justificava a amostragem do 2º cartão amarelo e consequente expulsão de Aimar. Ele limita-se a defender a ideia de que o árbitro não deveria mostrar o segundo amarelo pelo simples facto do jogador ter visto um cartão amarelo poucos minutos antes. Ora, se esta ideia já parece descabida à partida por falta de fundamento técnico que a suporte, mais ridícula se torna quando comparada à opinião manifestada a 15 de Agosto a respeito da expulsão do jogador da Académica, Addy, no Estádio da Luz:

«Addy tinha acabado de ver cartão amarelo e comete uma falta que, pela sua imprudência, justifica a acção disciplinar. Muito bem o assistente ao chamar a atenção do árbitro.»

Então, onde está a tal "gestão do jogo" que o árbitro deve fazer??? Onde estão as tais "faltas que o árbitro deve aguardar" antes de mostrar o 2º cartão amarelo??? Agora já não há problema em expulsar um jogador com dois cartões amarelos mostrados no espaço de apenas um minuto??? O Addy foi imprudente e o Aimar não foi???

Como facilmente se constata, os critérios do sr. Paulo Paraty mudaram de forma radical no espaço de apenas uma semana em função da cor das camisolas dos jogadores envolvidos. Com esta atitude, reveladora de uma flagrante falta de isenção, o ex-árbitro descredibiliza-se a si próprio, mas, pior do que isso, desprestigia o próprio jornal que publica as suas opiniões, algo que deveria motivar a preocupação da sua Direcção.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Laurentino Dias: qual é a verdade desportiva que pretende?

Laurentino Dias veio a público esta semana afirmar que espera que o novo campeonato seja um exemplo de desportivismo e de verdade desportiva. Existe nas suas palavras um reconhecimento implícito de que as coisas não estão bem no futebol português, pois, se a verdade desportiva fosse um dado adquirido, a mesma seria assumida por todos com naturalidade, não sendo necessário vir o Secretário de Estado do Desporto falar agora no assunto. No entanto, Laurentino Dias e seus pares têm finalmente de compreender que não é com meros processos de intenção que o futebol português irá melhorar, mas sim com uma acção firme, justa, isenta e idónea das autoridades.
Eu costumo dizer (em jeito de brincadeira mas muito a sério) que em Portugal os assaltantes de bancos não necessitam de usar capuzes, passa-montanhas ou meias de lycra enfiadas na cabeça para esconder a sua identidade. Basta-lhes vestir uma camisola do Benfica para que, imediatamente, beneficiem da passividade das autoridades, tal é o clima de impunidade que se verifica no nosso país em torno de tudo o que envolva interesses do clube da Luz.
Depois de tudo o que se assistiu ao longo da época passada, marcada por uma sucessão de decisões da Comissão Disciplinar que interferiram directamente com o livre desenrolar do campeonato, a arbitragem de João Ferreira na Supertaça vem suscitar novos e legítimos receios para o campeonato que agora se inicia, constituindo mais um exemplo flagrante do nível chocante de corrupção que o nosso país atingiu, quer pela actuação facciosa do juiz no decorrer da partida, quer pela inoperância da FPF perante a agressão do árbitro a um jogador, quer ainda pelo branqueamento obsceno de que beneficiou por parte da comunicação social lisboeta.
O Youtube não serve apenas para publicar as escutas telefónicas que interessam ao lobby lisboeta. Também permite divulgar resumos de imagens como este, que denunciam o que se passa realmente no futebol português. 
Dr. Laurentino Dias, as imagens falam por si e só não as vê quem não quer. Depois não diga que não estava avisado.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O senhor oficial do exército vermelho

Todos nós que acompanhamos o desporto e, em particular, o futebol, já vimos jogadores serem expulsos pelos mais variados motivos. Ao ver as imagens do árbitro João Ferreira a apertar a cara de Álvaro Pereira com a mão, pergunto-me quantos jogadores não terão já sido expulsos por muito menos.
Como é possível que esta situação passe completamente impune aos olhos das entidades que regem o futebol em Portugal? Que autoridade terá este senhor para impor a disciplina dentro dos campos se é ele próprio quem dá mostras de não saber controlar-se? Que tipo de comunicação social temos nós em Portugal, que branqueia um acto destes?

João Ferreira: a face visível do Apito Encarnado

A justíssima e indiscutível vitória do FC Porto sobre o Benfica em Aveiro representa muito mais do que a simples conquista de um troféu. Foi, acima de tudo, uma vitória da humildade sobre a soberba, do profissionalismo sobre a máfia, do desporto sobre a violência gratuita.
Quando o presidente do SLB foi apanhado nas escutas telefónicas conexas ao processo Apito Dourado a encomendar o árbitro para um jogo das meias-finais da Taça de Portugal e, do extenso menu de árbitros que lhe foi disponibilizado pelo Major Valentim Loureiro, se decidiu convictamente pelo nome de João Ferreira, todos percebemos que alguma motivação existiria por detrás dessa escolha. No passado sábado, a arbitragem de João Ferreira na Supertaça deixou bem evidentes aos olhos do público os motivos de tão elevada estima e consideração por parte do dirigente benfiquista. Tivesse o Ministério Público a decência de mandar investigar as ligações entre o clube da Luz e o árbitro de Setúbal e, provavelmente, este seria agora bem mais comedido na forma como transparece o seu proteccionismo aos jogadores encarnados. O Ministério Público não o fez, por motivos que a razão desconhece, e as consequências estão à vista, reflectidas em mais uma escandalosa arbitragem que seria motivo de acção por parte das autoridades de qualquer país civilizado mas que, pela acção branqueadora da corrupta comunicação social lisboeta, vendida aos interesses da capital, não terá quaisquer repercussões em Portugal.
O país assistiu a uma partida que tinha todos os condimentos para ser um grande hino ao futebol, mas que rapidamente se transformou num triste e lamentável espectáculo de pancadaria graças à complacência de um árbitro que, não só pactuou com a violência, como contribuiu para ela. Ninguém acredita que, se as entradas violentas e as agressões a que se assistiu tivessem os protagonistas invertidos, João Ferreira adoptaria a postura conivente que evidenciou para com os jogadores encarnados. Da mesma forma, também ninguém acredita que, se fosse a um jogador encarnado que João Ferreira tivesse apertado a cara, a imprensa lisboeta assobiaria para o ar como agora faz. Mas, estando em causa os interesses do principal clube de Lisboa, basta passar os olhos pelas páginas dos principais jornais desportivos da capital para se ficar com a ideia de que nada de grave se passou. Nem o Omo lavaria mais branco...
Apenas uma das equipas pretendeu jogar futebol e ganhar o jogo: a do FC Porto. Contrariando as expectativas de todos aqueles que já prognosticavam a goleada, convencidos de que a tão propalada supremacia encarnada iria fazer mais uma vítima, o FC Porto apresentou-se superior ao longo de praticamente toda a partida. Com um futebol rápido jogado pelas alas, fazendo uso da velocidade de Hulk e da técnica excepcional de Varela, foram os azuis e brancos que impuseram o seu domínio no jogo, reflectido nas estatísticas pelo maior número de remates e de ataques com perigo para a baliza adversária. O resultado de 2-0 é escasso para exprimir tão óbvia superioridade azul e branca, e só não se registaram outros números bem mais expressivos porque o árbitro insistiu em manter o equilíbrio no jogo, fazendo vista grossa a vários lances em que os jogadores encarnados deveriam ter ido tomar banho mais cedo.
Do outro lado... bem, do outro lado esteve um conjunto de jogadores a que só por mero formalismo se deverá chamar equipa, sem fio de jogo, sem ritmo competitivo, sem ideias nem tácticas definidas, uma espécie de "tudo ao molho e fé em Deus", ou melhor dizendo, fé na capacidade desequilibradora de alguns jogadores realmente acima da média como Fábio Coentrão (quanto mais não seja pela sua capacidade de arrancar penalties ao mais ligeiro toque graças a formosos mergulhos para a piscina). A sobranceria de quem pensava que este jogo seriam "favas contadas" e a frustração de se verem manietados pela superioridade do adversário reflectiram-se rapidamente numa sucessão de entradas violentas e agressões que justificariam a amostragem de cartões vermelhos a 4 (QUATRO!) jogadores encarnados. A este respeito, deixo aqui a opinião do antigo árbitro Jorge Coroado, para que não se pense que a minha leitura dos lances é apenas fruto de paixões clubísticas:

«César Peixoto foi objectivo e deliberado na conduta violenta protagonizada sobre Varela não uma, mas sim duas vezes. Impunha-se livre directo e a exibição do cartão vermelho. As regras são claras.»
«Cardozo, com o cotovelo esquerdo, atingiu Sapunaru no rosto. A forma como o fez terá induzido o árbitro para uma situação casual, mas justificava livre directo e cartão vermelho
«David Luiz foi claramente determinado no modo como pisou a perna de Sapunaru. A exibição do cartão amarelo foi pouco e tratou-se de cortesia do árbitro
«A entrada de Carlos Martins foi semelhante à de César Peixoto sobre Varela, logo, devidamente enquadrada, deveria ser punida com cartão vermelho directo
Veremos se as "cortesias dos árbitros" a que se refere Jorge Coroado não se irão estender ao campeonato que se avizinha, mas a impunidade e o branqueamento de que beneficiou a arbitragem de João Ferreira causa muita apreensão e o receio de que a verdade desportiva seja uma vez mais defraudada numa reedição do Campeonato dos Túneis.