sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Um grande jogador, um pequeno homem

Rui Costa refuta a tese de que o Benfica tem sido beneficiado pelas decisões da Comissão Disciplinar da Liga. Segundo afirmou o Director Desportivo encarnado, os benfiquistas também podem entender que (pasme-se!) «o castigo do Javi também é exagerado!»
Como é possível que um antigo jogador da Selecção Nacional, que devia demonstrar respeito e solidariedade para com os colegas de profissão, tenha o descaramento de comparar os castigos absurdos de vários meses de suspensão aplicados ao Vandinho, Hulk e Sapunaru (que resultam na impossibilidade de jogar mais de 20 jogos!) com o castigo de dois jogos aplicado ao Javi Garcia?
Rui Costa já havia ficado muito mal na fotografia quando as imagens de vídeo-vigilância, recentemente publicadas no YouTube, denunciaram que o dirigente encarnado assistiu, impavidamente e de mãos nos bolsos, às agressões e insultos dirigidos por funcionários do Benfica a elementos da comitiva portista, no final do Benfica-Porto da época passada. Perante isto, as palavras agora proferidas sobre os castigos aplicados aos jogadores do Braga e do FC Porto e a patética comparação com o caso do Javi Garcia acaba por constituir a machadada final na credibilidade deste indivíduo que tem vindo a perder, aos olhos da opinião pública, toda o respeito e admiração conquistados na sua longa carreira como jogador. Rui Costa foi de facto um grande jogador, mas demonstra que está muito longe de ser um grande homem.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Liga Real

No programa Tempo Extra, o jornalista Rui Santos apresentou uma análise sobre os erros de arbitragem que, na sua opinião, tiveram interferência directa nos resultados dos jogos de futebol, condicionando assim a posição actual do Porto, Benfica, Sporting e Braga na tabela classificativa. A conclusão retirada por Rui Santos dessa análise, a que chamou Liga Real, foi o seguinte:
Atente-se para o facto desta análise ter sido efectuada antes do jogo Leixões-FC Porto, no qual o árbitro Bruno Paixão teve interferência directa no resultado final ao fazer vista grossa a uma grande penalidade evidente a favor dos portistas. Há que ter em atenção também que esta análise baseou-se apenas nos lances de penalti mal assinalados ou não assinalados, e os golos mal anulados. Não foi tido em consideração, por exemplo, o golo do Benfica frente ao Porto na Luz que foi claramente precedido de um fora-de-jogo não assinalado pelo árbitro e que acabou por valer os 3 pontos para os encarnados.
A influência dos erros de arbitragem na classificação do campeonato, aliada aos castigos altamente suspeitos aplicados a jogadores do Braga e do Porto originados por situações dúbias ocorridas nos túneis dos estádios, permite concluir que este campeonato tem sido escandalosamente influenciado por questões externas às quatro linhas. É portanto com total legitimidade que os adeptos, não apenas do FC Porto mas de todos os clubes, manifestem a sua revolta perante os atropelos sistemáticos que a verdade desportiva tem sofrido em nome de interesses obscuros.

O terrorismo em Portugal

O julgamento de elementos do núcleo duro da claque não legalizada do Benfica No Name Boys inicia-se na próxima terça feira, na 5.ª Vara Criminal de Lisboa, com 38 arguidos, dos quais três se encontram em prisão preventiva.
Num julgamento com 16 processos conexos, os arguidos estão indiciados de associação criminosa, tráfico de estupefacientes, posse de armas, incêndio, venda ilegal de ingressos para eventos desportivos, dano com violência, roubo qualificado, ofensa à integridade física e arremesso de objectos.
De acordo com o despacho de acusação a que a agência Lusa teve acesso, de 18 de Maio de 2009, os acusados praticaram crimes "minuciosamente planeados e executados com superioridade numérica e mediante a utilização de meios especialmente perigosos", em nome dos No Name Boys, que se auto-denominavam "Braço Armado do Benfica".
O Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa considerou que os No Name Boys agiam "motivados por ódio e intuitos de destruição, sem motivação relevante, contra elementos das claques" do Sporting e do FC Porto.
Alguns dos arguidos são acusados de acções violentas contra elementos afectos à claque do Sporting Juve Leo, tendo um sofrido "socos, pontapés e facadas" e ainda foi queimado "com uma tocha".
Nas buscas realizadas a residências de elementos do núcleo duro dos No Name Boys, as autoridades encontraram uma lista de "namoradas, cônjuges e restantes familiares" dos elementos daquela claque do Sporting, "alargando o leque de potenciais alvos e formas de pressão".
"Estas acções, extremamente metódicas e cirúrgicas, revelam personalidades mal formadas, com elevada ausência de responsabilização, desconformes às regras desportivas e à convivência democrática", lê-se no despacho, que sublinha o "ódio patológico e irracional contra os adeptos dos clubes rivais".
A violência era exercida igualmente contra "agentes da Polícia que sabiam em serviço" e "terceiros que circulavam na via pública e que eram abordados, agredidos e roubados de forma indiscriminada".
"Os arguidos agiam sempre livre e conscientemente, sabendo que as suas condutas eram proibidas e punidas por lei", refere-se no despacho, que menciona o episódio em que os No Name Boys incendiaram o autocarro em que viajou a claque Super Dragões, de apoio ao FC Porto.
O incidente ocorreu a 21 de Junho de 2008 e o autocarro que transportou os Super Dragões para o jogo de hóquei em patins entre Benfica e FC Porto foi consumido pelo fogo, nas imediações do Estádio da Luz.
"Ao colocarem tochas no interior do veículo, sabiam que originavam um incêndio relevante e que ao impedirem a abertura das portas da viatura em chamas - com um ocupante no seu interior - lhe causavam perigo para a vida", refere-se no documento.
Uma viatura da Polícia acorreu ao local e os agentes foram "ameaçados por cerca de 100 elementos afectos aos No Name Boys, que arremessaram garrafas" contra o automóvel e remeteram em direcção do carro "um 'very light', com a clara intenção de os atingir".
Os actos de violência do núcleo duro dos No Name Boys foram investigados pela 3.ª Esquadra de Investigação Criminal da PSP a partir de 2008.
No final desse ano, mais de 30 pessoas foram detidas no âmbito da "Operação Fair Play", que permitiu a apreensão de armas brancas e de guerra, material pirotécnico e droga.
O relatório da Polícia foi concluído a 14 de Abril de 2009, com um total de 53 indiciados, número que foi reduzido para 38 no despacho de acusação do DIAP.

Notícia publicada no jornal O Jogo.

Apesar desta notícia não o referir, recorde-se que as armas brancas e de guerra, material pirotécnico e droga que a Polícia apreendeu foi, em grande parte, encontrada nas instalações do Estádio da Luz.

Campeonato das toupeiras e dos túneis

Rui Moreira foi um dos cerca de 250 adeptos do FC Porto presentes na Vigília pela Verdade Desportiva que decorreu em frente à sede da Liga. O Presidente da Associação Comercial do Porto afirmou que "este é o campeonato das toupeiras e dos túneis que andam a estragar os relvados". O comentador televisivo elogiou a adesão dos adeptos portistas na luta contra as injustiças e reforçou que "O que estão a fazer ao FC Porto é indigno."
O responsável pela ACP não deixou de dirigir também uma palavra de apoio ao Boavista, acusando a Comissão Disciplinar de "tudo ter feito para extinguir o Boavista". "O que fizeram foi uma condenação sumária à morte".

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Receita para manipular um campeonato em 10 passos - por Luís Filipe Vieira

Ingredientes:

10 a 15 stewards frescos;
2 ou 3 jogadores adversários;
Cerveja ou vinho tinto; 
1 túnel de um estádio;
1 colher de chá de provocações;
1 chávena de ânimos facilmente exaltáveis;
1 Comissão Disciplinar cúmplice;
Sal e especiarias QB.

Preparação:

1) Junte num alguidar os 10 a 15 stewards frescos e mexa-os bem;
2) Tempere-os a seu gosto e deixe-os marinar em cerveja ou vinho tinto durante algumas horas;
3) Envolva-os em coletes reflectores amarelos ou cor-de-laranja comprados numa loja dos chineses;
4) Junte os stewards e os jogadores adversários no túnel do estádio;
5) Aqueça os ânimos em lume brando juntando duas ou três provocações aos jogadores adversários;
6) Vá aumentando a temperatura durante alguns minutos juntando as restantes provocações até os ânimos atingirem a ebulição;
7) Deixe ferver até os jogadores adversários reagirem com um soco ou um pontapé;
8) Desligue o lume e faça-se de vítima;
9) Tempere o prato com muito piri-piri e imagens manipuladas de vídeo-vigilância;
10) Sirva o prato à mesa da Comissão Disciplinar cúmplice.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Vigília pela verdade desportiva

Irá realizar-se na próxima terça-feira, dia 23 de Fevereiro, a partir das 18 horas, uma VIGÍLIA PELA VERDADE DESPORTIVA junto à sede da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
Pretende-se com esta iniciativa juntar, não apenas os adeptos do FC Porto, mas todos aqueles que pretendam manifestar, de forma pacífica e ordeira, a sua revolta pela forma como a Liga Portuguesa tem sido completamente manipulada por factores externos aos campos de futebol.

A sede da LPFP situa-se na Rua da Constituição, nº 2555, Porto.


Ver mapa maior
Entrando na cidade do Porto pela Ponte da Arrábida na auto-estrada A1, poderá chegar lá da seguinte forma:
  • seguir pela continuação da A1 para a Via de Cintura Interna e sair para Boavista-Estádio;
  • seguir em frente na rotunda;
  • depois de cruzar com o viaduto, virar na primeira rua à esquerda (depois da bomba de gasolina);
  • virar à esquerda nos segundos semáforos;
  • virar à esquerda nos primeiros semáforos;
  • a LPFP está localizada no cruzamento com a primeira rua à esquerda.
Quem tiver GPS poderá chegar lá introduzindo as seguintes coordenadas N41º 09’ 52’’ e W8º 37’ 41’’

Está na hora de dizer BASTA! Apoie e divulgue esta iniciativa!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Comunicado da FC Porto – Futebol, SAD

Na sequência dos castigos hoje aplicados pela CD aos jogadores Hulk e Sapunaru, a SAD do FC Porto publicou um comunicado no seu site que aqui transcrevo:

«Após visionamento da lauta conferência de Imprensa do presidente da Comissão Disciplinar da LPFP, vem a Administração da FC Porto – Futebol, SAD salientar o seguinte:

1 – O show off televisivo promovido, uma vez mais a expensas exclusivas do FC Porto, é um procedimento folclórico. Regista-se que só quando a CD da LPFP emite acórdãos que envolvam directa ou indirectamente o clube, sinta a necessidade de prestar contas ao mundo do futebol. Sigmund Freud já explicava esta expiação no início do século passado;

2 – No decorrer desse circo mediático, o presidente da CD da LPFP sublinhou o seu dever de neutralidade, desdizendo a parcialidade apregoada em entrevista recente ao jornal Record, escudando-se em regulamentos e esquecendo a boa ou má fé de quem tem o dever de os interpretar;

3 – O seu discurso, aparentemente sério e objectivo, não ilude a sua antiga atracção pelas câmaras. Apesar da verborreia elaborada, o essencial ficou por abordar: o que é um interveniente no jogo? E porque não comentou o parecer, junto aos autos, de reputado especialista em Direito Desportivo, Prof. Dr. Leal Amado, nem a opinião escrita e falada do Dr. José Manuel Meirim, que asseveram que os Assistentes de Recinto Desportivo não são intervenientes no jogo;

4 – Dissipada esta cortina de fumo, que esconde a questão basilar, resta perguntar ao presidente da CD da LPFP se os maqueiros, os bombeiros, os apanha-bolas, os jornalistas e, até, os vendedores de gelados e de algodão doce, são igualmente intervenientes no jogo, tal como os treinadores, adjuntos, médicos e dirigentes;

5 – Se convocou a Comunicação Social para dizer ao país aquilo que toda a gente já sabia - os atletas do FC Porto reagiram como qualquer bom chefe de família, depois de verbalmente provocados e fisicamente empurrados como gado, por seguranças privados travestidos com um colete -, mais valia que tivesse trancado a vaidade no gabinete, cingindo-se ao recato de um julgador;

6 – Se esta moda pega…;

7 – A louvada autonomia e celeridade apenas serve para mascarar a evidência, sancionada por todos os especialistas em direito: os ARD não são intervenientes no jogo, com reflexos abissais na moldura disciplinar acabada de aplicar;

8 – A consequência prática deste malabarismo é transformar uma moldura penal de um a quatro jogos em degredo desportivo (quatro e seis meses);

9 – A verdade desportiva também não passou por aqui…;

10 – Obviamente, os jogadores Givanildo Vieira de Sousa (Hulk) e Cristian Ionut Sapunaru vão recorrer ao Conselho de Justiça da FPF para reparação de tão grosseira leviandade;

11 – Quanto ao «rebuçado» do Helton, o futebol português, estamos certos, não o vai desembrulhar…

Porto, 19 de Fevereiro de 2010

O Conselho de Administração da FC Porto – Futebol, SAD»

Quem vai à guerra, dá e leva!

A Comissão Disciplinar da Liga de Clubes anunciou esta tarde os castigos de Hulk e Sapunaru sobre os incidentes ocorridos no túnel da Luz, após o jogo frente ao Benfica. O avançado brasileiro foi suspenso por quatro meses (ou seja, estará mais dois meses afastado dos relvados) e multado em 2250 euros. Já o romeno foi punido com seis meses de suspensão e uma multa de 4750 euros.
Se, no caso de Sapunaru, os seis meses de suspensão estão dentro do previsto em função das penas impostas pelos regulamentos (ou, mais correctamente falando, pela forma como a CD interpreta os regulamentos), já o castigo de Hulk surpreendeu por se encontrar abaixo do que se esperava. O presidente da CD, Ricardo Costa, fez questão de esclarecer em conferência de imprensa que a pena foi abaixo do limite mínimo porque "a CD entendeu levar a cabo uma atenuação especial de pena para os dois jogadores uma vez que houve um quadro geral de provocação no final do jogo. Este quadro resulta de uma conjugação de actos, que não assentou nem em insultos nem em agressões por parte dos assistentes de recinto desportivo, mas numa discussão verbal.".
Com certeza ninguém acredita que o "quadro geral de provocação" a que Ricardo Costa se refere aconteceu por iniciativa da Prosegur, empresa de segurança a que pertencem os agentes envolvidos nos incidentes. Também ninguém poderá acreditar que os mesmos agentes agiram de sua livre e espontânea vontade quando assumiram uma conduta "negligente, excessiva e inadequada". É óbvio que tudo isto teve origem num esquema premeditado e montado pelo clube da Luz com o objectivo específico de criar no túnel toda uma atmosfera hostil de confrontação verbal e física com os elementos do FC Porto, passível de originar incidentes graves que culminassem em castigos para a equipa visitante. Por outras palavras, tratou-se de uma armadilha bem montada.
Por muito que o Benfica pretenda agora desviar as atenções fingindo que não passa de um mero observador neste processo, a multa aplicada ao clube da Luz e a forma frontal com que o acórdão da CD se refere ao "quadro geral de provocação" fez cair a sua máscara de seriedade. O SLB criou uma guerra de túneis da qual saiu vencedor na primeira batalha, mas está aberto um precedente perigoso que, com toda a certeza, terá novos desenvolvimentos brevemente e fará ainda mais vítimas. Não nos esqueçamos que a equipa lisboeta ainda terá de visitar o Dragão esta época e já se prevê que o FC Porto se irá preparar para oferecer aos visitantes um pouco do seu próprio veneno. Com toda a legitimidade, digam lá o que quiserem! Veremos o que dirão nessa altura todos aqueles que, hipocritamente, se divertem agora com os castigos aplicados aos jogadores portistas e, principalmente, as autoridades que assobiam para o ar fingindo que não vêem a gravidade do que se passa no futebol português.
Sempre se ouviu dizer que quem vai à guerra, dá e leva. Depois não digam que não estavam avisados.

Falta de seriedade e de vergonha na cara

Tal como eu referi aqui anteriormente num texto intitulado "Atentado à ética jornalística e aos princípios da Democracia", o jornal A Bola publicou, no dia 3 de Janeiro de 2010, um artigo sobre os incidentes ocorridos no túnel da Luz após o jogo SL Benfica-FC Porto no qual afirmou o seguinte:

"Depois de rodearem os restantes stewards, Hulk e Sapunaru envolveram-se com o coordenador e se as investidas de Hulk não deixaram rasto líquido, já o mesmo não pode dizer-se da acção de Sapunaru que, com um soco de esquerda, abriu a testa do funcionário da PROSEGUR. Para acabar esta cena, Helton também chegou a vias de facto, aplicando, à frente de mais de uma dezena de testemunhas, um pontapé no baixo ventre ao coordenador dos stewards."

Hora, na conferência de imprensa dada pela CD da Liga, Ricardo Costa abordou a questão do guarda-redes portista para esclarecer o seguinte:

"Instaurou-se um processo de inquérito e face à inexistência de prova testemunhal ou documental que a provassem foi arquivado. Havia sim uma prova testemunhal que Helton fez parte do grupo de apaziguadores, no qual estavam também o médico do FC Porto Nelson Puga e o director-desportivo do Benfica Rui Costa, entre outros"

Esta afirmação de Ricardo Costa vem comprovar aquilo que as imagens das câmaras de vídeo-vigilância já antes haviam demonstrado, ou seja, não só o Helton não agrediu qualquer segurança, como ainda tentou apaziguar os ânimos, uma situação completamente contrária à que A Bola descreveu. Perante estes dados, seria expectável que este jornal se retratasse e apresentasse um pedido de desculpas, não apenas ao FC Porto e ao seu jogador que foi vítima de calúnia, mas também aos seus leitores por ter prestado um mau serviço público. No entanto, poucos minutos após o término da conferência de imprensa de Ricardo Costa, o jornal publicou um artigo no qual, com total despudor, insiste na mentira descarada de que os factos comprovam a sua versão dos acontecimentos:

"Confirma-se assim aquilo que A BOLA sempre noticiou, ou seja, houve mais jogadores do FC Porto envolvidos nos incidentes para além de Hulk e Sapunaru."

Não é preciso ser muito inteligente para perceber que esta frase denuncia uma tentativa desesperada de dar a volta à questão, uma vez que nunca se pôs em dúvida que tenha havido mais jogadores do FC Porto envolvidos nos incidentes. O problema é que a A Bola acusou frontalmente Helton (e outros jogadores, designadamente Fucile e Rodriguez) de ter agredido os seguranças, o que, como está mais do que comprovado, é mentira!
Se tivéssemos em Portugal um jornalismo digno, responsável, competente e acima de tudo isento, não só os responsáveis d'A Bola assumiriam a falsidade das notícias por si publicadas retratando-se perante o público, como ainda veríamos outros órgãos de comunicação social condenarem este verdadeiro atentado à ética e aos mais básicos princípios da Democracia.  Infelizmente, este jornal parece ser dirigido por gente sem seriedade e sem qualquer pingo de vergonha na cara e, mesmo perante as evidências, continua a insistir na sua versão distorcida dos factos, num autêntico insulto à inteligência dos portugueses.
Todos sabemos perfeitamente qual é a cor clubística deste jornal e qual é o público a quem estas pseudo-notícias são dirigidas. Mas se é assim tão óbvia a distorção que este jornal faz da informação em nome de interesses específicos, atropelando de forma ostensiva os mais básicos princípios da Democracia, não se compreende que as autoridades responsáveis pela defesa e aplicação das leis que regem o jornalismo em Portugal continuem a pactuar com esta vergonha, aceitando este jornal como um órgão de comunicação social legítimo com todos os direitos que isso lhe confere, algo que este pasquim há muito tempo demonstrou não ser merecedor.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Gatuno Paixão

Nem sempre as equipas praticam bom futebol. Nem sempre têm a sorte do jogo do seu lado. Nem sempre os seus avançados estão inspirados. Nem sempre as coisas correm bem. Mas mesmo quando as equipas jogam mal, o azar lhes bate à porta e os avançados falham golos de baliza aberta, por vezes basta um simples lance, um momento isolado de inspiração individual, para a equipa marcar aquele golo que faz toda a diferença.
Hoje, no Estádio do Mar, o FC Porto tentou de todas as formas conquistar a vitória que lhe permitiria continuar a lutar pelo título. Atacou muito, rematou muito, obteve muitos cantos, acertou na barra, mas não chegava ao golo. Até que aos 57 minutos de jogo, Rúben Micael dirigia-se para a baliza do Leixões quando foi claramente rasteirado. Quando tudo o mais corria mal, este lance podia ter feito toda a diferença mas, infelizmente, não fez porque Bruno Paixão decidiu não assinalar a grande-penalidade como era da sua competência e obrigação, apesar do derrube ter ocorrido mesmo nas suas barbas. Não sei se o árbitro não assinalou o penalti porque não quis, porque é desonesto, porque é cobarde, ou, simplesmente, por não passar de mais um fantoche nas mãos do Lobby Lisboeta que não descansa nem desarma na sua cruzada para destruir todos aqueles que ainda possam pôr em risco a caminhada do Benfica rumo ao título. O que é certo é que esta decisão pode ter tido influência, não apenas no resultado do jogo, mas no desfecho de um campeonato cada vez mais viciado e desprovido de credibilidade.
Está mais do que visto que as faixas de campeão já estão encomendadas para as bandas da Luz (aliás, como se adivinhava desde o início do campeonato), mas se há coisa com que esta maldita gente pode contar é com a histórica teimosia do povo portuense de nunca se render enquanto o sangue lhe correr nas veias.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Hermínio Loureiro debaixo de fogo

Joaquim Evangelista decidiu finalmente pronunciar-se sobre o caso do túnel da Luz, que resultou na prisão, perdão, suspensão preventiva de Hulk e Sapunaru. O presidente do Sindicato de Jogadores afirmou o seguinte:

«Acho que o presidente da Liga é inteligente, compreende esta mensagem e acho que lhe ficava bem pronunciar sobre o assunto. No futebol português, estamos habituados ao silêncio de alguns dirigentes sobre temas nucleares. A morosidade do processo está a causar danos graves no futebol português, numa altura em que a crispação é tão grande.»

E acrescentou ainda:

«Foi ele próprio (Hermínio Loureiro) que no início do mandato como presidente da Liga disse que o que mais importava era os jogadores, os treinadores e os árbitros. Neste caso, tem que se lembrar dos jogadores.»

Evangelista tem, obviamente, toda a razão e legitimidade para criticar Hermínio Loureiro que, com o seu silêncio cúmplice, vai pactuando com este escândalo. Mas também o presidente do sindicato dos jogadores deveria ver-se ao espelho pois, se nuns casos é muito lesto a pronunciar-se na defesa dos interesses dos jogadores, noutros casos parece deixar-se afectar por uma indolência inexplicável. Neste caso em particular, foram precisos dois meses (e onze jogos) de suspensão dos jogadores do FC Porto para que, finalmente, se ouvisse alguma reacção da parte do Sindicato. É caso para dizer: com um Sindicato destes, quem precisa de inimigos?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A revolta de Fernando Nobre

O presidente da AMI, Fernando Nobre, criticou hoje a posição das associações patronais que se têm manifestado contra aumentos no salário mínimo nacional. Na sua intervenção no III Congresso Nacional de Economistas, Nobre considerou "completamente intolerável" que exista quem viva "com pensões de 300 ou menos euros por mês", e questionou toda a plateia se "acham que algum de nós viveria com 450 euros por mês?"
Numa intervenção que arrancou aplausos aos vários economistas presentes, Fernando Nobre disse que não podia tolerar "que exista quem viva com 450 euros por mês", apontando que se sente envergonhado com "as nossas reformas".
"Os números dizem 18% de pobres... Não me venham com isso. Não entram nestes números quem recebe os subsídios de inserção, complementos de reforça e todos outros. Garanto que em Portugal temos uma pobreza estruturada acima dos 40%, é outra coisa que me envergonha..." disse ainda.
"Quando oiço o patronato a dizer que o salário minimo não pode subir.... algum de nós viveria com 450 euros por mês? Há que redistribuir, diminuir as diferenças. Há 100 jovens licenciados a sair do país por mês, enfrentamos uma nova onda emigratória que é tabu falar. Muitos jovens perderam a esperança e estão à procura de novos horizontes... e com razão", salientou Fernando Nobre.
O presidente da AMI, visivelmente emocionado com o apelo que tenta lançar aos economistas presentes no Funchal, pediu mesmo que "pensem mais do que dois minutos em tudo isto". Para Fernando Nobre "não é justo que alguém chegue à sua empresa e duplique o seu próprio salário ao mesmo tempo que faz uma redução de pessoal. Nada mais vai ficar na mesma", criticou, garantindo que "a sociedade não vai aceitar que tudo fique na mesma".
No final da sua intervenção, Fernando Nobre apontou baterias a uma pequena parte da plateia, composta por jovens estudantes, citando para isso Sophia de Mello Breyner. "Nada é mais triste que um ser humano mais acomodado", citou, virando-se depois para os jovens e desafiando-os: "Não se deixem acomodar. Sejam críticos, exigentes. A vossa geração será a primeira com menos do que os vossos pais".
Fernando Nobre ainda atacou todos aqueles que "acumulam reformas que podem chegar aos 20 mil euros quanto outros vivem com pensões de 130, 150 ou 200 euros... Não é um Estado viável! Sejamos mais humanos, inteligentes e sensíveis".

A cena do gajo que ressuscitou

Pela experiência de vida que possuo e pelo conhecimento que tenho de Portugal, já poucas coisas me chocam verdadeiramente neste pobre país. No entanto, tenho de reconhecer que, por vezes, ainda há situações que me surpreendem ou causam alguma estranheza. Talvez devido à minha formação académica científica e à minha vocação de engenheiro, tenho a tendência de racionalizar em demasia as minhas análises, o que nem sempre é o melhor caminho na busca de explicações quando abordamos questões futebolísticas onde os mais profundos instintos irracionais do ser humano vêm ao de cima. Vem isto ainda a propósito da publicação no YouTube das escutas telefónicas conexas ao Apito Dourado, sobre as quais se tem feito um enorme alarido que eu, pura e simplesmente, não consigo entender. De facto, tenho sido muitas vezes confrontado neste blogue por vários benfiquistas que me acusam de não dar a devida importância às referidas escutas. Ora, como eu já aqui expliquei inúmeras vezes, a minha atitude aparentemente desinteressada sobre o assunto não se prende com uma eventual tentativa de desvalorização do mesmo, mas apenas com o facto de considerar que a colocação das escutas no YouTube não veio alterar absolutamente nada num processo que já foi investigado, julgado e arquivado.
Ao contrário daquilo que muitas pessoas alegam demonstrando uma total ignorância sobre o assunto, estas escutas telefónicas não foram retiradas dos processos de justiça civil que decorreram nos tribunais. No entanto, a maioria dos processos em que as escutas foram utilizadas como meio de prova foi arquivada ainda na fase de instrução e um deles, conhecido por “Caso do Envelope” (o único que foi a julgamento), culminou na ilibação do Pinto da Costa pelo facto dos tribunais terem considerado que as escutas eram inconclusivas quanto à existência de qualquer acto ilícito de corrupção de árbitros ou manipulação de resultados. No processo que ficou conhecido como "Caso da Fruta", ainda na fase de instrução o juiz Artur Ribeiro decidiu não pronunciar os arguidos tendo considerado que "só ficcionando ou conjecturando" se poderia aceitar os termos da acusação formulada pelo Ministério Público, isto porque as escutas não continham absolutamente nada de incriminatório. Como facilmente se constata, a opinião manifestada pelos juízes nos acórdãos dos tribunais contraria frontalmente todos aqueles que, movidos pelo fanatismo doentio, conseguem descortinar nas escutas mil e um motivos para condenar Pinto da Costa. Felizmente para todos nós, Portugal já não se rege pelo sistema legal da Idade Média que foi responsável pela condenação de muitas pessoas à morte na fogueira, acusadas de bruxaria por multidões histéricas que juravam a pés juntos tê-las visto a voar montadas numa vassoura.
O único processo em que as escutas foram efectivamente retiradas por ordem do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa (TACL) foi o Apito Final, instaurado pela Comissão Disciplinar da Liga, por se tratar de um processo de índole disciplinar. No entanto, a ordem do TACL não produziu qualquer efeito prático porque o presidente da CD, Dr. Ricardo Costa, recusou-se a alterar a sua decisão, alegando que a condenação do FC Porto (perda de 6 pontos) e do seu presidente (suspensão de 2 anos) tinha sido originada, não pelas escutas, mas outros meios de prova. Ou seja, até aqui as escutas foram desvalorizadas. Quanto aos outros meios de prova, Ricardo Costa refere-se com certeza ao testemunho de Carolina Salgado que, como todos sabemos, tem vindo a ser desmontado pelos tribunais civis. Ironicamente, a prova de que Carolina Salgado cometeu perjúrio em tribunal adveio exactamente da análise das escutas telefónicas que muita gente ingénua acreditou que serviriam para condenar Pinto da Costa. É caso para dizer: saiu o tiro pela culatra! Veremos pois como irá terminar o processo que decorre em tribunal contra a Carolina Salgado, pois, se ficar comprovado que a principal testemunha em que se baseia o Apito Final mentiu em tribunal, tal representará, não apenas a estocada final num processo já de si moribundo, mas também o descrédito do sistema de justiça desportiva que construiu toda a acusação com base no depoimento de uma testemunha parcial e pouco credível.
Além de tudo isto, a colocação das escutas no YouTube não veio trazer nenhum dado novo ao que já se sabia e que foi amplamente discutido na praça pública. Na verdade, os conteúdos dessas escutas já eram do conhecimento público uma vez que as suas transcrições foram publicadas por vários órgãos de comunicação social e encontravam-se disponíveis em inúmeros sites. Reconheço que ler os textos é muito diferente de ouvir a voz dos intervenientes e, nesse sentido, existe aqui alguma novidade, mas tal não veio aumentar nem diminuir a gravidade do conteúdo das escutas, tratando-se pois de uma falsa questão. Parece-me evidente que a maioria das pessoas que até agora se manifestavam a respeito das ditas escutas nem sequer se haviam dado ao trabalho de ler as suas transcrições, adoptando aquela atitude tão tipicamente portuguesa de falar sem saber exactamente de quê, baseando-se apenas no que ouviram dizer. Esta situação não causa surpresa pois, se tivermos em consideração a elevada taxa de analfabetismo que se verifica na sociedade portuguesa e a cada vez maior aversão dos jovens à leitura, é natural que muitas pessoas só tenham tido a noção do conteúdo das escutas quando tiveram acesso à versão audível das mesmas, o que explica o alarido que agora fazem sobre este assunto uma vez que, para elas, tal constitui novidade. Imagino que, se um dia destes, alguém se lembrar de colocar na Internet uma versão falada da Bíblia, iremos ouvir muitos ignorantes a dizer: “Já foste ao YouTube ver aquela cena do gajo que ressuscitou?”

Obrigado Benquerido

Não creio que haja muito a dizer sobre a justeza do cartão vermelho mostrado por Olegário Benquerença a João Pereira em virtude da entrada duríssima que o jogador do Sporting protagonizou sobre um adversário no jogo das meias-finais da Taça da Liga frente ao Benfica. Também não haverá nada a dizer sobre a suspensão de dois jogos imposta pela CD na sequência desse lance, um castigo que me parece normal. Recorde-se, no entanto, que Olegário Benquerença demonstrou uma atitude completamente distinta no jogo Benfica-Nacional, também a contar para a Taça da Liga, quando puniu o Luisão com um simples cartão amarelo depois do jogador benfiquista agredir a pontapé um adversário que se encontrava no chão. Perante isto, a questão que se levanta é esta: que motivações poderão levar um árbitro experiente, detentor da insígnia da FIFA e convocado para o Mundial da África do Sul, a tomar decisões tão distintas perante dois casos igualmente graves? Com que critério expulsa, sem apelo nem agravo, um jogador que tem uma entrada dura no decorrer de um jogo e condescende com outro que, alheando-se completamente da bola, agride intencionalmente um adversário?
Atendendo a que as suspensões originadas por cartões vermelhos mostrados na Taça da Liga são cumpridas nos jogos do campeonato, o Sporting ver-se-á assim impedido de contar com a participação de João Pereira nos próximos dois jogos. O mesmo não aconteceu com o Benfica, uma vez que, graças à estranha complacência de Obrigado Benquerido, perdão, Olegário Benquerença, Luisão passou completamente ao lado de qualquer punição disciplinar.

P.S. - Entretanto, Hulk e Sapunaru já levam onze jogos sem jogar por se terem envolvido em incidentes com "elementos da segurança" da Luz. Dá gosto ver a justiça desportiva a actuar no nosso país...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Lutar como? Só se for na Playstation!

É muito interessante relembrar agora as declarações de Jorge Jesus quando era treinador do SC Braga, proferidas há cerca de um ano atrás, logo após o jogo entre o Benfica e o clube minhoto disputado no Estádio da Luz:
Eu gostava que alguém tivesse a coragem de confrontar o actual treinador do Benfica com estas declarações do antigo treinador do Braga. Afinal, o que teria dito Jorge Jesus, quando era treinador do SC Braga, se visse a CD da Liga suspender um jogador seu por 3 meses devido a uma alegada tentativa de agressão que as imagens não comprovam? E o que pensará ele sobre isso agora? Será que a mudança de "trincheira" fez Jesus mudar de opinião sobre a impossibilidade do Braga lutar contra os "grandes" do futebol português ou manterá a coerência sobre o que disse anteriormente, considerando que os minhotos lutam contra forças superiores?

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A palavra sagrada de Vieira

Luís Filipe Vieira mostrou-se hoje muito crítico em relação a José Eduardo Bettencourt, devido à polémica gerada em torno da cedência de bilhetes para o encontro da Taça da Liga. O presidente do Benfica alega que o seu homólogo leonino faltou à promessa de ceder aos encarnados 30% dos bilhetes disponíveis para o jogo e afirmou que, para ele, "a palavra é sagrada". De facto, o historial de Filipe Vieira como presidente do Benfica está pejado de exemplos que comprovam a sua maneira de estar na vida e no desporto, senão vejamos:

26-06-2009: "Vamos ganhar dois ou três campeonatos seguidos".

Ninguém pode dizer que Vieira estava a mentir pois ele não disse que esses dois ou três campeonatos seriam ganhos já.

19-05-07: "O Benfica não vai participar na Taça da Liga".

De facto, o Benfica não participou na Taça da Liga. Agora chama-se Lucílio Cup.

29-04-2006: "Depois do Verão, seremos o maior clube do mundo."

Só depois do Verão, porque entretanto foram de férias para o Algarve... e ainda não voltaram.

02-06-2005: "Se o Benfica não tiver 300 mil sócios até Outubro, demito-me!"

Outubro do ano de 2525, entenda-se.

19-04-2003: "Dentro de 3 anos o Benfica será o maior do mundo."

Só estão com um atraso de 4 anos.

19-04-2003: "O Benfica será mais forte que o Real Madrid."

No futebol ainda não é, mas no que diz respeito ao passivo do clube, já anda lá perto.

Como se vê, não há dúvidas de que a palavra do presidente do Benfica é mesmo, mesmo sagrada. É sagradinha!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Que tesourinho tão deprimente!

Na passada segunda-feira, véspera do jogo FC Porto-Sporting CP a contar para a Taça de Portugal, o jornal A Bola publicou um texto da autoria de José Diogo Quintela intitulado "Esperemos que esta Taça não leve fruta". Neste texto, supostamente de teor humorístico, o elemento dos Gato Fedorento vai desenrolando uma série de acusações e insinuações alusivas ao processo Apito Dourado disfarçadas de graçolas, chegando ao cúmulo de chamar mentiroso ao FC Porto com todas as letras. Este artigo vem na mesma linha de outros artigos de opinião escritos por outros elementos do mesmo grupo, geralmente publicados no jornais A Bola e Record, em que o FC Porto e o seu presidente são alvo de contínuos insultos.
Ninguém duvida de que os Gato Fedorento já perceberam que, neste país 3º mundista onde Lisboa dita as leis a seu bel-prazer e faz gato-sapato de tudo o que existe para além das sete colinas, enxovalhar o FC Porto na praça pública é meio caminho andado para ter sucesso (ou não fosse a esmagadora maioria dos portugueses adepta dos dois clubes grandes da Capital, sempre ávidos de motivos para denegrir as vitórias daqueles que não têm capacidade para derrotar pela via desportiva). Como tal, admite-se que a insistência neste tipo de sátiras permanentemente dirigidas ao clube azul e branco, mais do que uma obsessão originada pela clubite doentia, seja uma estratégia para manter viva a carreira do grupo que tem vindo a perder interesse junto do grande público. No entanto, o que é demais enjoa e compreende-se que os adeptos portistas comecem a ficar fartos de ser alvo contínuo destas atitudes de intenção duvidosa.
Seria muito mais saudável e democrático se os Gato Fedorento tivessem a mesma postura para com todos os clubes (ou, pelo menos, para com os três grandes), mas tal não parece ser a sua intenção, o que, de certa forma, se compreende. De facto, todos sabemos que satirizar o Benfica ou o seu presidente representaria um risco enorme para o futuro do grupo, não só porque o público benfiquista não perdoaria esse ultraje, mas também porque José Diogo Quintela e Companhia arriscar-se-iam a receber a visita de um certo segurança privado que teria muito gosto em explicar-lhes, com duas ou três bofetadas, o erro de brincar publicamente com os podres do clube da Luz.
Assim sendo, enquanto não houver uma lei neste país que nos proteja verdadeiramente da estupidez e imbecilidade daqueles que, alegadamente em nome da liberdade de expressão, nos vão insultando, lá teremos nós, portistas, de continuar a engolir este sapo fedorento. Mas, apesar do nojo que isto nos mete, numa coisa temos de dar a mão à palmatória: José Diogo Quintela tinha realmente motivos para temer que a Taça tivesse muita fruta. De facto, a Taça trouxe cinco laranjas doces para o Dragão e um grande melão para Alvalade. Bom proveito, José Diogo! Mas cuidado, não te vás engasgar com os caroços...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Sai mais um "fait-divers" quentinho à moda de Lisboa

Sempre pensei que, no futebol do mais alto nível, os jogadores entram em campo com a intenção de dar o seu melhor para ganhar todos os jogos. Como tal, não consigo entender o que o presidente do Benfica quis dizer quando afirmou que alguém, alegadamente ligado ao SC Braga, tentou adulterar a verdade desportiva ao oferecer 50000 euros a três jogadores do Leixões para ganharem o jogo frente ao clube da Luz. Pagar para perder, isso sim, é defraudar aquele que é o principal objectivo no desporto. Agora... pagar para ganhar??? Perante isto, é caso para perguntar: então, se ninguém oferecer um "bónus" que incentive os jogadores do Leixões a darem o seu melhor frente ao Benfica, eles esforçam-se menos??? Consta que os jogadores não aceitaram a oferta, será por isso que se deixaram golear por 5-0???
Não é preciso ser muito inteligente para perceber que esta história estava muito mal contada e fazia prever que algo mais grave se estava a preparar para breve. O alvo? O SC Braga, obviamente. 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Aleluia!

A Comissão Disciplinar da Liga decidiu, finalmente, instaurar um processo sumaríssimo a um jogador benfiquista, no caso Javi García, e avança com uma proposta de dois jogos de suspensão. Este processo vem na sequência de um lance ocorrido no jogo SL Benfica-V. Guimarães a contar para a Liga Portuguesa. Ainda antes do intervalo e numa altura em que as equipas se encontravam empatadas a um golo, o Javi Garcia agrediu Valdomiro com uma patada. O lance ocorreu dentro da área do Benfica e com o jogo a decorrer, pelo que se justificava a amostragem do cartão vermelho  ao jogador encarnado e a marcação de um penalty contra os da casa, mas tal não aconteceu visto que o árbitro nada assinalou.
As imagens demonstram claramente a violência e a intencionalidade da agressão de Javi Garcia:
 
Recorde-se que esta não é a primeira vez que Javi Garcia protagoniza cenas de violência na presente Liga. No jogo com o Nacional da Madeira, o jogador encarnado agrediu Amuneke com uma cotovelada na cara quando o jogo se encontrava já parado devido a uma outra agressão de Luisão a um adversário que o árbitro, Olegário Benquerença, puniu apenas com um cartão amarelo.
Também no jogo com o Braga, Javi Garcia atingiu Meyong na cabeça propositadamente com o pé, quando o jogador arsenalista se encontrava no chão após ter sofrido uma falta.
 
A suspensão aplicada a Javi Garcia peca, não apenas por ser tardia, mas por ser escassa, dado o número de agressões que o jogador benfiquista protagonizou anteriormente e que passaram totalmente em claro. No entanto, este processo sumaríssimo aparece nesta altura de uma forma imprevista e estranha. De facto, já ninguém acreditava que a CD iria aplicar algum processo deste tipo no decorrer da presente época, o que deixa no ar a ideia de que esta decisão não será alheia ao facto de a CD ter divulgado simultaneamente os castigos aplicados na sequência dos incidentes ocorridos no túnel do Estádio de Braga após o jogo com o Benfica, castigos esses que, curiosamente, só aconteceram para jogadores do SC Braga. Assim vai a Justiça desportiva no nosso país e assim continuará enquanto for presidida por um indivíduo chamado Ricardo Costa.

Atentado à ética jornalística e aos princípios da Democracia

No dia 3 de Janeiro de 2010, o jornal A Bola publicou um vasto artigo sobre os incidentes ocorridos no túnel da Luz após o jogo SL Benfica-FC Porto realizado a 20 de Dezembro de 2009. Nesse mesmo artigo, A Bola afirmou o seguinte:

"Depois de rodearem os restantes stewards, Hulk e Sapunaru envolveram-se com o coordenador e se as investidas de Hulk não deixaram rasto líquido, já o mesmo não pode dizer-se da acção de Sapunaru que, com um soco de esquerda, abriu a testa do funcionário da PROSEGUR. Para acabar esta cena, Helton também chegou a vias de facto, aplicando, à frente de mais de uma dezena de testemunhas, um pontapé no baixo ventre ao coordenador dos stewards."
"Mas não foram só Hulk, Sapunaru e Helton a envolverem-se na zaragata do túnel. Também os uruguaios Fucile e Cristian Rodriguez viram a sua acção registada para a posteridade na terceira parte do clássico de 20 de Dezembro.
O envolvimento dos uruguaios não foi com o coordenador dos stewards, que esteve no olho do furacão com Hulk, Sapunaru e Helton, mas sim com um dos seus subordinados. A BOLA sabe que as imagens mostram claramente os internacionais celestes (e também Sapunaru) a puxar um dos stewards de colete amarelo, atingindo-o de seguida com vários socos. São imagens claras e inequívocas, até porque os dois sul-americanos ainda tinham o equipamento, com nome e número nas costas, vestido."

Lá diz o povo que mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo e, mais uma vez, tal se comprovou. As imagens vindas recentemente a público, captadas pelas câmaras de vigilância instaladas no túnel, não confirmam a existência de qualquer agressão perpetrada por Helton, Rodriguez e Fucile, o que contraria frontalmente a notícia d'A Bola! Mais, a determinada altura pode ver-se mesmo que Helton procura afastar os seus companheiros dos "stewards" numa atitude pacificadora e não agressiva como quer fazer crer o jornal A Bola.
Recorde-se que, na sequência desta notícia, o plantel do FC Porto decidiu não prestar declarações à Comunicação Social sempre que estivessem presentes jornalistas d'A Bola. No seguimento dessa decisão, Vítor Serpa, director do jornal, publicou um esclarecimento em que, a determinada altura, diz o seguinte:

"Não fizemos qualquer tipo de juízo de valor. Sabemos que a CD da Liga vai ver as imagens e existe também uma queixa feita na Polícia, que decorrerá no âmbito da justiça que não será a desportiva. Não dissemos se as pessoas são culpadas, se foram agressoras ou não. Apenas damos conta de que essa situação é real."

Eu não sei o que Vítor Serva entende por "não dissemos se as pessoas foram agressoras ou não", mas parece-me que as afirmações "aplicando um pontapé no baixo ventre" e "atingindo-o de seguida com vários socos" significam uma acusação frontal e explícita! Perante isto, torna-se evidente aos olhos de qualquer pessoa com dois dedos de testa que o jornal A Bola entrou imediatamente em clara contradição a partir do momento em que se viu confrontada com as falsidades da notícia por si publicada.
Mais grave do que a notícia em si, é a má fé demonstrada pela Bola ao insistir agora na ideia de que as imagens comprovam os factos por si divulgados. O jornal alega que a notícia original se limitava a dar conta do envolvimento dos jogadores portistas nos incidentes e, nesse sentido, as imagens comprovam claramente esse facto. Até aqui nada a opor, visto que toda a equipa do FC Porto esteve envolvida no sururu. O problema (e aqui é que A Bola demonstra toda a sua hipocrisia e má-fé) é que as tais imagens "claras e inequívocas" afinal não o são, não comprovando minimamente as alegadas agressões do Helton, Rodriguez e Fucile que A Bola pretendia denunciar e ver punidas pela Comissão Disciplinar.
É sabido que existe muita gente em Portugal que, cega pelo fanatismo clubístico, aceita incondicionalmente qualquer falácia que lhe seja impingida por determinada imprensa vendida aos interesses benfiquistas. Como tal, não admira que A Bola, ao ver-se confrontada com a suas próprias contradições, procure manter a credibilidade junto dos seus fiéis seguidores, nem que para tal tenha de recorrer a artimanhas e mentiras que não enganam ninguém (excepto quem quer ser enganado, obviamente). Felizmente para esse jornal, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social e as autoridades de uma forma geral demonstram pouco interesse em investigar e punir estas situações perfeitamente obscenas, mesmo que a publicação de falsas notícias e a manipulação da opinião pública através da viciação dos factos constitua um atentado à ética jornalística e aos mais básicos princípios da Democracia. Não fosse por isso e há muito que A Bola seria obrigada a responder pelos seus actos perante a Justiça.