terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Atentado à ética jornalística e aos princípios da Democracia

No dia 3 de Janeiro de 2010, o jornal A Bola publicou um vasto artigo sobre os incidentes ocorridos no túnel da Luz após o jogo SL Benfica-FC Porto realizado a 20 de Dezembro de 2009. Nesse mesmo artigo, A Bola afirmou o seguinte:

"Depois de rodearem os restantes stewards, Hulk e Sapunaru envolveram-se com o coordenador e se as investidas de Hulk não deixaram rasto líquido, já o mesmo não pode dizer-se da acção de Sapunaru que, com um soco de esquerda, abriu a testa do funcionário da PROSEGUR. Para acabar esta cena, Helton também chegou a vias de facto, aplicando, à frente de mais de uma dezena de testemunhas, um pontapé no baixo ventre ao coordenador dos stewards."
"Mas não foram só Hulk, Sapunaru e Helton a envolverem-se na zaragata do túnel. Também os uruguaios Fucile e Cristian Rodriguez viram a sua acção registada para a posteridade na terceira parte do clássico de 20 de Dezembro.
O envolvimento dos uruguaios não foi com o coordenador dos stewards, que esteve no olho do furacão com Hulk, Sapunaru e Helton, mas sim com um dos seus subordinados. A BOLA sabe que as imagens mostram claramente os internacionais celestes (e também Sapunaru) a puxar um dos stewards de colete amarelo, atingindo-o de seguida com vários socos. São imagens claras e inequívocas, até porque os dois sul-americanos ainda tinham o equipamento, com nome e número nas costas, vestido."

Lá diz o povo que mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo e, mais uma vez, tal se comprovou. As imagens vindas recentemente a público, captadas pelas câmaras de vigilância instaladas no túnel, não confirmam a existência de qualquer agressão perpetrada por Helton, Rodriguez e Fucile, o que contraria frontalmente a notícia d'A Bola! Mais, a determinada altura pode ver-se mesmo que Helton procura afastar os seus companheiros dos "stewards" numa atitude pacificadora e não agressiva como quer fazer crer o jornal A Bola.
Recorde-se que, na sequência desta notícia, o plantel do FC Porto decidiu não prestar declarações à Comunicação Social sempre que estivessem presentes jornalistas d'A Bola. No seguimento dessa decisão, Vítor Serpa, director do jornal, publicou um esclarecimento em que, a determinada altura, diz o seguinte:

"Não fizemos qualquer tipo de juízo de valor. Sabemos que a CD da Liga vai ver as imagens e existe também uma queixa feita na Polícia, que decorrerá no âmbito da justiça que não será a desportiva. Não dissemos se as pessoas são culpadas, se foram agressoras ou não. Apenas damos conta de que essa situação é real."

Eu não sei o que Vítor Serva entende por "não dissemos se as pessoas foram agressoras ou não", mas parece-me que as afirmações "aplicando um pontapé no baixo ventre" e "atingindo-o de seguida com vários socos" significam uma acusação frontal e explícita! Perante isto, torna-se evidente aos olhos de qualquer pessoa com dois dedos de testa que o jornal A Bola entrou imediatamente em clara contradição a partir do momento em que se viu confrontada com as falsidades da notícia por si publicada.
Mais grave do que a notícia em si, é a má fé demonstrada pela Bola ao insistir agora na ideia de que as imagens comprovam os factos por si divulgados. O jornal alega que a notícia original se limitava a dar conta do envolvimento dos jogadores portistas nos incidentes e, nesse sentido, as imagens comprovam claramente esse facto. Até aqui nada a opor, visto que toda a equipa do FC Porto esteve envolvida no sururu. O problema (e aqui é que A Bola demonstra toda a sua hipocrisia e má-fé) é que as tais imagens "claras e inequívocas" afinal não o são, não comprovando minimamente as alegadas agressões do Helton, Rodriguez e Fucile que A Bola pretendia denunciar e ver punidas pela Comissão Disciplinar.
É sabido que existe muita gente em Portugal que, cega pelo fanatismo clubístico, aceita incondicionalmente qualquer falácia que lhe seja impingida por determinada imprensa vendida aos interesses benfiquistas. Como tal, não admira que A Bola, ao ver-se confrontada com a suas próprias contradições, procure manter a credibilidade junto dos seus fiéis seguidores, nem que para tal tenha de recorrer a artimanhas e mentiras que não enganam ninguém (excepto quem quer ser enganado, obviamente). Felizmente para esse jornal, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social e as autoridades de uma forma geral demonstram pouco interesse em investigar e punir estas situações perfeitamente obscenas, mesmo que a publicação de falsas notícias e a manipulação da opinião pública através da viciação dos factos constitua um atentado à ética jornalística e aos mais básicos princípios da Democracia. Não fosse por isso e há muito que A Bola seria obrigada a responder pelos seus actos perante a Justiça.

1 comentário:

  1. Apesar de muito acusada pelo FCP a BOLA não viu qualquer acção judicial contra si própria, viu-se foi impedida de aceder ao estádio do FCP. Uma vez mais a justiça pelas próprias mãos, nós e que somos os maiiores.
    Ao que parece a BOLA vao actuar judicialmente em sede própria, logo se vê o que vai acontecer!

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