segunda-feira, 29 de março de 2010

As frases da semana

«No Benfica também foi marcante, mas depois saí como traidor. No FC Porto foi uma loucura, o melhor clube onde estive.» - Jankauskas, antigo jogador do Benfica e do FC Porto.

«Eles fazem-se de vítimas mas têm um comportamento incrível, não só hoje, como em todos os jogos. O Benfica é a equipa que mais insulta jogadores.» - Mossoró, jogador do SC Braga.

sábado, 27 de março de 2010

Duas perguntas que irão ficar sem resposta...

A Comissão Disciplinar decidiu não pedir a revogação da decisão de Conselho de Justiça que diminuiu o castigo de Hulk e Sapunaru para três e quatro jogos de castigo, respectivamente. Segundo a imprensa, o plenário de juízes da Liga considera que não houve erro grosseiro na aplicação das normas regulamentares, mas sim uma diferente leitura do que é um Steward. Ora, perante isto, eu pergunto:

1) Se a CD reconhece que a interpretação dos Stewards como "público" é aceitável ao ponto de não recorrer da decisão do CJ, por que motivo não optou por esta leitura dos regulamentos aquando da sua própria decisão, uma vez que esta implicava uma moldura penal muito inferior à que aplicou? Recorde-se que o próprio presidente da CD, aquando da conferência de imprensa em que comunicou os castigos de Hulk e Sapunaru, assumiu publicamente o seu desacordo com a moldura penal que considerava excessiva. Está provado agora que Ricardo Costa foi hipócrita pois, se realmente discordava da moldura penal aplicada, tinha outra opção igualmente válida ao seu dispor que não quis considerar. Porquê?

2) Se o CJ justificou a sua decisão com base na análise de outros regulamentos desportivos, designadamente o espanhol, o francês e o da própria FIFA, por que motivo a CD não fez o mesmo?

sexta-feira, 26 de março de 2010

Carta à FC Porto, Futebol SAD

Comunico a todos os leitores deste blogue que enviei esta manhã uma carta à FC Porto, Futebol SAD, na qual manifesto a minha revolta sobre o caso dos castigos aplicados a Hulk e Sapunaru pela Comissão Disciplinar da Liga e exijo que o FC Porto esgote todas as possibilidades legais que estiverem ao seu alcance, tanto a nível nacional como internacional, para que o clube e seus jogadores sejam ressarcidos de todos os prejuízos desportivos e financeiros causados pela CD. Na mesma carta comunico ainda que, caso se verifique que a SAD não actue com a veemência e firmeza que a gravidade deste caso justifica e que são, com toda a legitimidade, exigidas pelos sócios do clube, procederei imediatamente à anulação da minha assinatura de sócio e deixarei de prestar o meu apoio à continuidade desta Direcção que passarei a considerar inapta na defesa dos interesses do FC Porto e seus atletas.
Posto isto, apelo a todos os sócios, adeptos e simpatizantes do FC Porto que adoptem uma postura semelhante, não deixando de manifestar a sua revolta e indignação pelas incidências deste caso e exigindo da parte da SAD azul e branca a tomada de uma posição firma e veemente.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Comunicado do Conselho de Administração da SAD do SC Braga

Na sequência da Deliberação do Conselho de Justiça de negar provimento ao recurso interposto das decisões da Comissão Disciplinar da LPFP, em consequência das ocorrências do jogo disputado entre SC Braga – SL Benfica, no dia 31 de Outubro de 2009, no Estádio AXA, vem o SC Braga comunicar o seguinte:

1. A deliberação do CJ da FPF, de negar provimento ao recurso interposto das decisões da CD da LPFP aos castigos aplicados aos atletas Vandinho e Mossoró, são o reflexo da actual situação em que se encontra o dirigismo das instituições desportivas em Portugal e muito em particular no campo da justiça desportiva.

2. A suspensão por três meses de um atleta por uma suposta tentativa de agressão, tendo por base uma acusação apresentada pelo alegado ofendido, quando resulta claramente de imagens divulgadas publicamente (e que podem ser visionadas no site oficial do SC Braga) que esse alegado ofendido foi quem na verdade agrediu o atleta acusado, só pode envergonhar todos que deliberaram nesta irracional decisão.

3. A suspensão do atleta Vandinho vai para além do limite da inteligibilidade, apenas se compreendendo pelo incómodo que o SC Braga vem causando com a sua posição na tabela classificativa. Porém, apesar das adversidades criadas, a resposta do SC Braga continuou a ser dada dentro do campo e assim vai continuar.

4. Ninguém precisa de ser especialista em direito para concluir que esta decisão é injusta. O SC Braga acredita que os jogos ganham-se dentro de campo e não nos gabinetes da LPFP, mas os indícios são demasiados óbvios para haver dúvidas sobre a natureza da presente decisão e dos interesses que a mesma serve.

5. Na sequência do referido jogo SC Braga x SL Benfica – que certamente foi de digestão bem difícil para alguns organismos da Liga – o SC Braga foi alvo de uma vergonhosa campanha levada a cabo pela CD da LPFP, ao “melhor” estilo inquisitório, que faria certamente a PIDE parecer meninos de coro. Para além de vários jogadores do SC Braga serem alvos de processos pelos casos mais ridículos, há ainda um sem número de processos instaurados na sequência do referido jogo:

- Foi punido o SC Braga pelas situações de confusão geradas no túnel (aos atletas do SL Benfica nada aconteceu, e certamente que não foram os jogadores do SC Braga que se empurraram mutuamente…);

- Foi punido o SC Braga por efectuar um comunicado a mostrar-se indignado com a difusão das imagens do túnel (o SLB também falou mas mais uma vez...nada);

- Foi acusado o Presidente do SC Braga pela CD por difundir uma carta aberta aos sócios a pedir o apoio dos mesmos (aguardamos a condenação);

- Foi acusado o Presidente do SC Braga por se encontrar numa zona de acesso aos escritórios da Administração da SAD (curiosamente, também estavam no mesmo local o Presidente do SLB, com outros elementos da direcção e da segurança privada do SLB, que naturalmente não foram acusados de nada);

- Etc, etc, etc…

6. VERGONHOSO! ULTRAJANTE! São tudo adjectivos que pecam por escassos face ao vil ataque que o SC Braga tem sido alvo por parte da CD da LPFP, em processos que se sucedem e mais não visam do que tentar destabilizar ou enfraquecer o SC Braga. É inqualificável a perseguição que tem sido feita ao SC Braga com a constante instauração de processos e com o uso de dois pesos e duas medidas por parte da CD, que tantas vezes fecha os olhos a agressões claras de atletas a colegas de profissão, mas que pune os atletas do SC Braga sem qualquer tipo de factos que fundamentem as decisões.

7. O SC Braga estranha ainda que, em face da demissão do presidente da Liga, outros não lhe sigam o caminho, nomeadamente, o presidente da CD. Será que ainda tem uma missão a cumprir? Será que ainda não chega de prejudicar o futebol português e, no caso particular, o SC Braga? Será que não chega de protagonismo desmesurado e vaidades pessoais? Ou será que não se demite porque não o deixam?

8. O SC Braga não teme os processos que lhe vão ser movidos pela CD face ao presente comunicado. Nem a CD nem nenhum órgão da LPFP têm o poder de calar o SC Braga - podem tentar, mas não vão conseguir!

9. Este é um clube de Guerreiros, do Minho, fiéis aos seus valores, aos seus princípios, na defesa dos quais lutaremos até morrer, e apesar das injustiças e contrariedades, este espírito vai continuar a guiar os nossos atletas e os nossos adeptos nos confrontos que se aproximam.

Braga, 25 de Março de 2010

O Conselho de Administração da SAD do SC Braga

Comunicado da FC Porto – Futebol, SAD

Tendo em apreço uma notificação do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de futebol recebida esta quarta-feira, vem a Administração da FC Porto – Futebol, SAD comunicar o seguinte:

1 – O CJ da FPF decidiu convolar as penas de quatro e seis meses aplicadas a Hulk e Sapunaru, pela Comissão Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, em consequência das ocorrências no túnel do Estádio da Luz, após o Benfica-FC Porto de 20 de Dezembro de 2009;

2 – Depois de analisar o recurso apresentado pelos atletas do FC Porto, o CJ decidiu punir Hulk com suspensão de três jogos e multa de 2.500 Euros e Sapunaru com suspensão de quatro jogos e multa de 4.500;

3 – Ao contrário da CD da LPFP, o CJ da FPF concluiu que a conduta de Hulk e Sapunaru «integra, por violação do disposto no art. 18º, nº 4 do RC, a infracção disciplinar grave» punível «pelo art. 120º, j) do RC da LPFP com suspensão de 1 a 4 jogos e multa de 750 a 3750 Euros»;

4 – Fica assim desmontada mais uma habilidade despudorada perpetrada pela CD da LPFP e exibida em praça pública por uma lamentável sede de protagonismo. Resta saber se o «acto de contrição» que agora se impõe terá o mesmo exibicionismo mediático;

5 – Desde a suspensão imposta pela CD da Liga a Hulk e Sapunaru passaram 17 jogos das competições nacionais e mais de três meses. Como teria sido o desempenho do FC Porto nestes compromissos, caso os dois atletas estivessem, como deviam ter estado, disponíveis e quais os reflexos desta aberração na classificação da Liga 2009/10? Será que a verdade desportiva foi defendida?;

6 – Fica novamente comprovada a perseguição da CD da LPFP ao FC Porto e a cegueira persecutória de Ricardo Costa, ratificada, ao melhor estilo de Pôncio Pilatos, pelo presidente da LPFP, Hermínio Loureiro. Recorde-se que, ainda recentemente, o mesmo Hermínio Loureiro afirmou que o seu papel se limitou a criar condições para que os órgãos da LPFP funcionem. Nem que seja sem rigor, de forma grosseira e com arbitrariedade…;

7 – Este, de resto, será o facto mais marcante do mandato dos actuais órgãos dirigentes da LPFP. O futebol não esquecerá o péssimo serviço que lhe prestaram nesta matéria e, por conseguinte, só lhes resta uma saída: Obviamente, demitam-se!;

8 – A FC Porto – Futebol, SAD já deu instruções aos seus advogados para intentarem as competentes acções de responsabilização e indemnização, quer dos membros da CD da LPFP, quer da própria instituição.

Porto, 24 de Março de 2010

O Conselho de Administração da FC Porto – Futebol, SAD

APITO ENCARNADO, JÁ!

Ao longo dos últimos meses, foram muitas as vezes que dei voz, neste blogue, à indignação e à revolta que os adeptos do FC Porto sentiam por verem a Comissão Disciplinar da Liga aplicar castigos aos jogadores portistas com base numa clara e indiscutível distorção dos regulamentos desportivos. Hoje, o Conselho de Justiça da Federação veio provar que a razão estava do nosso lado!
A decisão de reduzir as penas aplicadas ao Hulk e Sapunaru só podem causar espanto a todos aqueles que, cegos pelo fanatismo clubístico ou munidos de uma lamentável má-fé, não quiseram ver esta evidência: os Stewards não são, nunca foram e nunca serão agentes desportivos e muito menos intervenientes no jogo! Como tal, a absurda moldura penal aplicada nos casos em questão constituiu, ela própria, um inqualificável acto de manipulação da verdade desportiva por ter afastado os jogadores portistas dos campos de futebol durante um período muito superior ao previsto nos regulamentos, com os consequentes prejuízos que daí advieram para os atletas e para o clube.
Afirmar agora que o FC Porto perdeu o campeonato devido ao afastamento dos seus jogadores durante grande parte da competição é, evidentemente, uma conjectura extremamente forçada, pois é impossível nesta altura quantificar os prejuízos desportivos causados por esta actuação verdadeiramente criminosa da CD. No entanto, há que ter em consideração que não é apenas o 1º lugar que dá acesso à Liga dos Campeões, uma competição que, como se sabe, permite aos clubes o encaixe de verbas milionárias pelo simples facto de nela participarem. Como tal, é legítimo questionar se o FC Porto não teria, no mínimo, conquistado o acesso à Liga dos Campeões, caso não tivesse sido indevidamente impedido de jogar com todos os jogadores de que dispunha no seu plantel. Nesta perspectiva, torna-se evidente que os prejuízos causados aos Dragões podem ter ultrapassado, em muito, a mera vertente desportiva. Além disso, é sabido que o FC Porto alimentava muitas expectativas numa futura venda de Hulk e é indiscutível que os vários meses de paragem do jogador causaram a desvalorização da sua cotação no mercado.
Quem é que agora se responsabilizará por estes prejuízos financeiros causados ao FC Porto e aos seus atletas? Ninguém acredita que o Dr. Ricardo Costa, que se fez rodear de toda a pompa e circunstância quando veio para a comunicação social apregoar ao povo as suas decisões, terá a dignidade, a honestidade e a nobreza de carácter para assumir a responsabilidade pelos seus próprios actos, pagando do seu próprio bolso as eventuais indemnizações a que os Dragões tenham direito. Como tal, não é difícil prever que será o povo português a suportar os custos deste crime, perpetrado por gente sem vergonha em nome de interesses obscuros que as autoridades insistem em não clarificar.
Há pouco tempo atrás, o presidente do FC Porto pediu a Laurentino Dias que realizasse um processo de investigação sobre a podridão a que se assistia no futebol português. Em resposta, o secretário de Estado afirmou que não fazia comentários sobre esse assunto e muita gente regozijou-se com a sua inércia. O resultado está bem à vista de todos! Não são precisas agora quaisquer escutas telefónicas para perceber que algo de muito podre aconteceu na liga, nem são precisos livros para denunciar aquilo a que todos fomos assistindo ao longo destes últimos meses. Se as autoridades precisam de testemunhas para abrir finalmente um processo Apito Encarnado, basta escolherem ao acaso um nome da lista telefónica, pois todos os portugueses foram espectadores neste triste e lamentável espectáculo de manipulação ostensiva da verdade desportiva. As autoridades não podem nem têm agora justificação para continuarem a assumir uma postura cobarde e subserviente, sempre que estão em causa interesses do Benfica! 
Veremos agora como este escândalo irá evoluir nos próximos tempos. A primeira cabeça já rolou com a demissão do presidente da LPFP, uma decisão que o Benfica lamenta (por que será???) e que pode ser interpretada como uma assunção de culpa. Mas não se pense que este caso será resolvido (e muito menos esquecido!) com simples demissões. O que se passou foi demasiado grave e ostensivo para que se possa permitir que passe impune. Em nome dos seus próprios interesses mas também em nome da verdade desportiva e do futebol português, o  FC Porto deverá levar o caso até às últimas consequências, custe o que custar, doa a quem doer! Começando pela impugnação do campeonato e recorrendo às instâncias internacionais, designadamente a UEFA e o TAS, não podemos descansar enquanto os responsáveis por esta obscenidade não forem chamados a responder perante a justiça.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Prós e contras desta época futebolística

Nos últimos sete anos, o FC Porto foi seis vezes campeão, pelo que não admira que os seu adeptos tenham apagado, quase por completo, a palavra "derrota" do seu dicionário. Infelizmente, não existe no Mundo nenhuma equipa que tenha a capacidade (e muito menos a obrigação) de ganhar sempre e, por muito que isso nos custe, era uma questão de tempo até que os Dragões experimentassem novamente o sabor amargo do insucesso. Já antes aconteceu e com certeza voltará a acontecer. O futebol é assim e, no dia em que deixar de o ser, perderá a graça e o interesse.
Um dos aspectos que, na minha perspectiva, sempre marcou a diferença entre o FC Porto e os seus arqui-rivais, é o facto deste clube possuir a capacidade de encarar frontalmente as suas falhas e de aprender com os seus próprios erros. Nesse sentido, mesmo tendo em consideração que a época ainda não terminou e que ainda existe a possibilidade de conquistar a Taça de Portugal, parece-me legítimo que se avance desde já com uma análise de alguns aspectos positivos e negativos desta época, na tentativa de encontrar respostas para os problemas:

1) O treinador
  
Nunca tive a memória curta e abomino a ingratidão. Por esse motivo, não me esqueço de que Jesualdo Ferreira foi co-responsável pela conquista de três ligas consecutivas, o que, diga-se em abono da verdade, é sempre um feito digno de registo. No entanto, não posso deixar de pensar que teria sido preferível que o Professor tivesse terminado o contrato no final da época passada, altura em que sairia do clube pela porta grande. Agora, arrisca-se a sair pela porta das traseiras, sem honra nem glória, vendo a sua boa obra construída nos últimos anos manchada pelo descalabro dos resultados e pela pobreza das exibições.
Não é comum no FC Porto que os treinadores permaneçam mais do que duas épocas consecutivas e penso que a explicação para esta política do clube (ou do seu presidente, se preferirem) reside no facto de os profissionais, seja em que ramo for, perderem um pouco da sua ambição quando finalmente atingem os seus objectivos pessoais. No caso de Jesualdo Ferreira, é natural que exista agora algum desgaste, o que se reflecte no fraco incentivo dado aos seus jogadores durante os jogos e no espírito passivo demonstrado perante os fracos resultados da equipa.
Está portanto na hora de trocar de timoneiro. Se a equipa se tivesse sagrado campeã, acredito que Domingos Paciência ou Jorge Costa, duas grandes figuras do clube e indefectíveis portistas, poderiam beneficiar de uma oportunidade para demonstrar as suas qualidades como treinadores. No entanto, atendendo a que a equipa irá necessitar de ser reconstruída praticamente do zero, tenho sérias dúvidas de que estes jovens estejam já aptos para assumirem o leme desta nau na difícil empreitada que se avizinha. Espera-se pois que a SAD tenha o bom-senso de contratar alguém que possua a experiência necessária para recolocar o FC Porto no trilho das vitórias.

2) Os reforços

Todos nós sabemos que o futebol português é pobre e que (quase) todos os clubes portugueses necessitam de vender jogadores para manter o equilíbrio financeiro. Esta é uma realidade a que o FC Porto não escapa mas com a qual tem sabido lidar de forma exímia graças à perspicácia e sagacidade negocial do seu presidente. Infelizmente, também aqui, naquele que tem sido o ponto mais forte do clube nos últimos anos, foram cometidos erros graves. A venda de Lucho González e Lisandro Lopez, a dupla argentina que constituiu a pedra basilar da equipa nas últimas épocas, constituiu um golpe fatal que os reforços contratados no início desta época não conseguiram disfarçar e muito menos colmatar.
É sabido que a SAD portista tem apostado muito no mercado argentino, justificando essa aposta na técnica e raça dos jogadores desse país sul-americano. Porém, se por um lado é verdade que o país das pampas tem oferecido ao futebol português alguns jogadores de elevada qualidade, não é menos verdade que Tomás Costa, Mariano González e Ernesto Farias ficaram muito aquém das expectativas (Isto já para não falar em Prediger e Valeri, dois jogadores sobre quem eu nem consigo construir qualquer opinião, tão raras foram as vezes em que os vi em acção). Com alguma boa vontade, podemos aceitar que Fernando Belluschi se destaca da mediania geral da armada argentina, mas nem assim disfarça algumas limitações que o deixam a anos-luz de distância do seu antecessor, Lucho González. Ora, perante isto, é inevitável que se coloque a questão: pela relação qualidade/preço que apresentam, valerá verdadeiramente a pena persistir nesta aposta no mercado argentino? Na minha opinião, sim. Mas não, obviamente, com os critérios de escolha a que temos assistido, que parecem privilegiar a quantidade em vez da qualidade .
Naturalmente, nem todos os reforços desta época foram apostas falhadas. Por exemplo, a saída de Cissokho foi bem colmatada com a contratação do uruguaio Álvaro Pereira, Falcão tem demonstrado ser um avançado muito eficaz e Varela foi, na minha opinião, a melhor contratação da época. Mas nem mesmo estes jogadores conseguem equilibrar o prato da balança no que concerne a bons e maus negócios pois, para além dos já referidos Prediger e Valeri, podemos acrescentar sem grande esforço mais dois ou três nomes à lista negra. Assim, não há equipa que resista, nem orçamento que aguente.

3) A política financeira

Quando afirmei atrás que "quase" todos os clubes portugueses necessitam de vender jogadores para manter o equilíbrio financeiro, estava obviamente a ressalvar a única excepção a esta regra: o Benfica. De facto, os portugueses ainda estão a tentar compreender onde foi que um clube, que não venceu nenhuma competição financeiramente rentável e que não conseguiu vender nenhum dos seus jogadores por valores expressivos, conseguiu descortinar os muitos milhões de euros que investiu em reforços para esta época e que lhe permitiram esmagar a concorrência quase por completo. É óbvio que este mistério não deverá estar alheio às investigações levadas a cabo pela PJ e que dão conta da existência de engenhosas negociatas de permutas de terrenos que permitiram ao clube da Luz encaixar qualquer coisa como 65 milhões de euros de mão beijada, nem tão pouco ao facto dos encarnados terem desbaratado, de uma assentada só, os patrocínios da Coca-Cola previstos para os próximos dez anos. Há, no entanto, quem adiante uma explicação mais simples: o fundo de investimento do Benfica! Ora, também aqui a questão se envolve num manto de neblina densa, tão densa que eu, por muita investigação que tenha procurado fazer, ainda não consegui esclarecer completamente os fundamentos desta milagrosa solução financeira. Pelo pouco que me foi dado a conhecer, concluí que foi criado um fundo em que investiram várias empresas, com o qual foram adquiridos os passes de alguns jogadores que jogam actualmente na equipa do Benfica. O mais interessante de tudo isto é que os jogadores foram adquiridos ao próprio Benfica e novamente emprestados ao clube, não pelo valor de mercado que actualmente possuem, mas pelo valor que supostamente irão ter no futuro depois de serem valorizados pela sua participação nas competições internas e externas.
Na prática, este fundo não passa de um adiantamento por conta, mas ninguém pode deixar de reconhecer que se trata de uma ideia verdadeiramente revolucionária. De facto, quem não gostaria de poder vender o seu carro, não pelo seu actual valor de mercado, mas sim pelo valor que supostamente terá daqui a 100 anos quando for considerado uma relíquia automóvel e, ainda por cima, continuar a usufruir do carro como se fosse seu? Partindo do pressuposto de que existem investidores interessados em adiantar o dinheiro nessas condições mesmo correndo o risco do carro não durar mais do que uns meses, é óbvio que ninguém pensaria duas vezes em fazê-lo.
Numa altura em que Fernando Gomes renunciou ao cargo de responsável pelo sector financeiro e o FC Porto se presta a perder aquele que tem sido a sua principal fonte de rendimento, ou seja, a participação assídua na Liga dos Campeões, em virtude do 3º lugar que ocupa na liga, é natural que exista entre os adeptos alguma apreensão sobre aquela que será a política financeira a adoptar pelo clube para as próximas épocas. Os olhos estão postos em Angelino Ferreira, um homem da casa de quem muito se espera.

4) O poder político

Independentemente dos erros cometidos, ninguém pode deixar de reconhecer que as suspensões de Hulk e Sapunaru durante grande parte da época tiveram influência directa no desenrolar das várias competições em que o FC Porto esteve envolvido (principalmente o primeiro pela reconhecida importância que assume no jogo da equipa). Essas suspensões, originadas por uma interpretação falaciosa dos regulamentos, constituíram mais um ataque movido contra o Porto por um indivíduo que, de forma completamente despudorada e gozando de total impunidade, não perde uma oportunidade para influenciar o normal desenrolar da Liga Portuguesa, em sucessivos e descarados atropelos da verdade desportiva que as autoridades, aparentemente afectadas por um inexplicável ataque de inépcia, fazem questão de não querer ver. Ora, perante esta obscenidade, seria suposto que o FC Porto reagisse veementemente, procurando readquirir no seio da LPFP o poder que lhe permitisse combater os seus inimigos políticos. Como tal, não se compreende que a SAD tenha vindo demarcar-se das próximas eleições para a presidência da Liga, adoptando assim uma posição de distanciamento que irá dar espaço aos seus inimigos para estenderem ainda mais os seus tentáculos no seio da entidade que gere a principal competição futebolística nacional. Não nos admiremos, portanto, se continuarmos a assistir nos próximos tempos às mediáticas dissertações do Dr. Ricardo Costa que, apoiado pela corrupta comunicação social lisboeta, vai fazendo dos portugueses parvos, impingindo-lhes as ideias mirabolantes com que justifica as suas inusitadas decisões, como por exemplo, aquela fantástica teoria de que os Stewards são intervenientes no jogo.

domingo, 14 de março de 2010

Não há túnel, mas há Paulo Baptista

Ao longo desta edição da Liga, os portugueses foram assistindo a uma série de tristes episódios ocorridos nos túneis de vários estádios do país que acabaram por ter influência directa no normal desenrolar do campeonato graças à actuação inqualificável de uma Comissão Disciplinar que, beneficiando de uma total impunidade, foi impondo os seus critérios absurdos na aplicação dos castigos aos jogadores, escudando-se numa despudorada manipulação dos regulamentos desportivos. Mais do que a intervenção das autoridades, tal situação deveria merecer o repúdio e a condenação por parte de todos aqueles que se dizem defensores da verdade desportiva e da transparência no futebol, independentemente da sua afiliação clubística. Infelizmente, para além da massa adepta encarnada que, tolhida no seu bom-senso e na razão por um clubismo obcecado, apoia qualquer iniciativa que vise levar o clube da Luz ao título (por mais atentatória que esta seja aos princípios e valores de que se diz defensora), existe em Portugal uma mentalidade enraizada de subserviência patética ao poder instalado da capital que leva a que uma grande parte da população portuguesa actue de forma tolerante, ou até mesmo pactuante, com esta obscenidade. No entanto, por muito que a máquina propagandista lisboeta se desdobre em esforços para branquear esta situação vergonhosa em nome de interesses mesquinhos, muitos são os que, um pouco por todo o lado, vão manifestando a sua indignação e revolta, e mantêm viva a luta pela verdade e transparência do futebol português. É o caso de Manuel Machado, que tem ainda bem presentes na memória as incidências vividas nas duas últimas deslocações à Luz e que, na antevisão do confronto com o Benfica, proferiu uma série de afirmações que merecem reflexão:

«Desejo que não se repitam os erros de arbitragem registados nos dois jogos anteriores perante este mesmo adversário, no Estádio da Luz, e que acabaram por desequilibrar ainda mais o desenrolar do jogo»

«O Benfica é favorito, mas não há equipas imbatíveis. Perante o nosso público, na nossa casa, sem anormalidades, acredito que será possível ganhar»

«Não há túnel, não haverá dedos na cara do Ruben Micael, até porque ele já cá não está, nem palmadas nos braços do Cléber. As coisas estão menos desniveladas»

Recorde-se que, na última deslocação do Nacional à Luz, Manuel Machado e o actual jogador do FC Porto Rúben Micael (então ao serviço dos insulares) denunciaram a existência de incidentes graves no túnel do estádio, alegadamente protagonizados por Rui Costa e Jorge Jesus, incidentes esses que, não obstante a existência de imagens de vídeo-vigilância e relatórios da PSP que os confirmam, não mereceram da CD a abertura de qualquer processo de investigação (uma atitude semelhante à que já antes o órgão presidido por Ricardo Costa havia assumido relativamente aos incidentes ocorridos no final do Benfica-Porto da época passada, em que as imagens divulgadas no YouTube comprovam a agressão de um funcionário do Benfica a um elemento da comitiva azul-e-branca). Foi também na Luz, mas no jogo a contar para a Taça da Liga, que Luisão agrediu a pontapé um jogador do Nacional que se encontrava no chão, tendo o árbitro Olegário Benquerença punido o defesa encarnado com um simples cartão amarelo, poupando-o assim à expulsão e consequente suspensão.
Estejamos portanto atentos ao que agora se irá passar na Choupana, neste jogo arbitrado por Paulo Baptista.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Xico-espertismo à portuguesa

Segundo os jornais de hoje, duas jornalistas do semanário Sol, Ana Paula Azevedo e Felícia Cabrita, foram constituídas arguidas pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) no âmbito de um inquérito da Procuradoria-geral da República. Recorde-se que o jornal Sol divulgou escutas do processo "Face Oculta" que estariam sob segredo de justiça, revelando um alegado plano do Governo para controlar a comunicação social.
Perante isto, eu pergunto: por que motivo não existiu a mesma preocupação da Procuradoria-geral da República em abrir um inquérito sobre os jornalistas que divulgaram as escutas telefónicas conexas ao Apito Dourado que se encontravam também sob segredo de justiça? Recorde-se que vários órgãos de comunicação social publicaram essas escutas escudando-se no facto das mesmas terem sido, algumas horas antes, disponibilizadas no YouTube por um anónimo. Ora, se isso serve como desculpa, então sugiro às jornalistas do Sol que, da próxima vez que quiserem publicar algo que esteja sob segredo de justiça, publiquem primeiro no YouTube sob uma falsa identidade, uma vez que isso lhes atribui automaticamente legitimidade para fazerem depois o que quiserem. É o chamado xico-espertismo à portuguesa com o qual as autoridades ainda não aprenderam a lidar.

Esta noite, os benfiquistas poderão dormir descansados.

A Comissão Disciplinar, presidida por Ricardo Costa, decidiu arquivar o processo de inquérito «Apito Encarnado», que havia sido aberto na sequência das declarações do presidente do FC Porto, Pinto da Costa, que, em Janeiro, sugeriu uma investigação «ao que se está a passar no futebol português». No seu acórdão, a CD justifica esta decisão alegando que o dirigente portista não concretizou as afirmações publicamente proferidas, pelo que não puderam ser realizadas quaisquer outras diligências probatórias por falta de indícios. Ora, sobre esta questão, há vários aspectos a salientar :

1) O processo Apito Dourado foi da responsabilidade do Ministério Público e não da Comissão Disciplinar.

2) Foi a Laurentino Dias, Secretário de Estado do Desporto, que Pinto da Costa sugeriu que se realizasse uma investigação ao futebol português, e não ao Ricardo Costa. Como tal, não interessa absolutamente nada que o presidente da CD arquive o processo que ele próprio criou sem que ninguém lhe tivesse pedido nada. Interessa, isso sim, que o Ministério Público avance com uma investigação séria.

3) A haver uma investigação Apito Encarnado, Ricardo Costa e restantes elementos da sua Comissão Disciplinar deveriam ser os primeiros a ser interrogados, precisamente por serem a face mais visível da máfia que tem vindo a viciar, graças a inusitadas e inacreditáveis manobras de secretaria, a verdade desportiva do campeonato de futebol. Como tal, não se esperava outra coisa deste órgão de pseudo-justiça desportiva que não o rápido arquivamento de um processo que, na prática, não terá passado de um fait-diver criado com o objectivo de passar para o público uma falsa imagem de preocupação com o apuramento da verdade e, simultâneamente, retirar espaço para que outras entidades avancem com uma investigação séria.

4) Sendo Ricardo Costa o principal alvo das acusações do FC Porto, não admira que Pinto da Costa não tenha aberto o jogo. No entanto, o presidente portista sabe muito mais do que deu a entender e não deixará de denunciar o que sabe no local próprio e na altura própria. Só é necessário que o Ministério Público comece a comportar-se como se espera e exige: com o mesmo peso e a mesma medida para todos.

quinta-feira, 4 de março de 2010

"Sapunarulk", elegia pela justiça e proporcionalidade perdidas

Magnífico artigo de opinião de Manuel da Costa Andrade, professor da Faculdade de Direito de Coimbra publicado no jornal Público:

«Positivamente, Hamlet tinha razão: há mesmo mais coisas, muito mais coisas, no céu e na terra do que nós podemos sonhar na nossa filosofia. Quem poderia ter antecipado nas suas locubrações filosóficas a possibilidade de ver um dia o que, entre o espanto e a galhofa, a generosa prodigalidade da Comissão Disciplinar (CD) da Liga Portuguesa de Futebol acaba de nos oferecer? O espectáculo de um Julgador que vem anunciar a sentença, proclamando que a profere e subscreve, embora consciente da sua injustiça e desproporcionalidade. E, por causa disso, inconstitucional, certo como é que o princípio de proporcionalidade configura, por imperativo constitucional, um axioma irredutível de toda a lei, ergo de toda a sentença. Dito noutros termos, a proporcionalidade configura uma dimensão ou categoria transcendental de todo o direito, maxime do direito sancionatório, punitivo e repressivo, que, de forma mais drástica, se projecta em compressão dos direitos fundamentais.

Manifestamente, não é fácil descortinar o que mais admirar nesta CD: se a monstruosidade - por injustiça e desproporcionalidade - da decisão; se o quadro cénico com que foi servida. Com o seu criador a desdobrar-se num arremedo de Jano. Com um rosto banhado de narcisismo e inebriado pela felicidade de mais um momentoso momento de "justiça desportiva"; e, com outro rosto, vestido de amofinada carpideira a riscar o ar com os gritos de quem sente na alma os golpes da injustiça e desproporcionalidade.

Numa primeira observação, importa sublinhar que a injustiça e a desproporcionalidade não decorrem da lei - concretamente do Regulamento Disciplinar da Liga -, devendo levar-se exclusivamente à conta do seu intérprete. Não estão na law in book, resultam da law in action, isto é, são obra do arbítrio de quem lê, treslê e aplica a lei. Em boa verdade, a lei não impõe, sequer sugere, que seguranças privados sejam "intervenientes no jogo": nem faria sentido que o dissesse, já que eles não intervêm no jogo, na diversidade de planos, funções e papéis em que este se desdobra. Os seguranças privados não integram o universo daqueles que contribuem para a densidade agónica própria da competição desportiva no contexto da sociedade moderna, em relação à qual cumpre insupríveis e relevantes funções e serviços: desde uma função de catarse e evasão, até uma função de identidade, coesão e memória comuns. O "interveniente no jogo" mantém uma relação dinâmica de interacção, física ou simbólica, de cumplicidade ou de conflitualidade, com os "outros significantes" do jogo: companheiros de equipa, adversários, árbitro, treinador, banco, etc. No mais generoso dos limites, pode falar-se de interacção simbólica com o público e, sobretudo, com as "claques".

O catálogo poderia alongar-se. Mas será forçoso parar. E parar a partir do momento em que, à margem de toda a dúvida, deixa de subsistir aquela teia de relação e interacção. Como sucede com os seguranças privados de um clube. Que, no contexto do jogo, não interagem nem física nem simbolicamente com os outros "intervenientes". Em definitivo, eles não pertencem - nem como protagonistas, nem como actores secundários, nem sequer como figurantes anónimos - ao drama do jogo, a que são inteiramente alheios. Pela mesma razão que os seguranças do hospital não são "intervenientes no acto médico"; como os seguranças da CD (se os há) não são - sorte a deles! - "intervenientes nos seus desvarios justiceiros".

Sendo claro que a lei não impõe a classificação dos seguranças como "intervenientes no jogo", quid inde se, apesar de tudo, a mesma lei deixasse subsistir alguma sombra de dúvida? Ela só poderia ser superada a favor da interpretação mais restritiva, a única consonante com a justiça e a proporcionalidade. Isto, em consonância com os desígnios de fundo da própria Constituição em matéria de processos sancionatórios. Mesmo que para tanto fosse indispensável lançar mão de mecanismos de interpretação e aplicação restritivas da lei. Para lograr uma interpretação consonante com as exigências de proporcionalidade.

Não é no quadro normativo, global e sistematicamente considerado, ao dispor da CD, que radicam as razões da injustiça e da desproporcionalidade. Também não podem buscar-se em limitações ou deficiências de cariz intelectual da mesma CD, certo como é que ela não deixa de representar, anunciar e denunciar a injustiça e a desproporcionalidade. Só podem imputar-se a deficiências ou vícios da vontade. A CD decidiu assim porque quis. Sabia que proferia uma decisão injusta e desproporcionada, e foi isso que dolosamente fez.

Podia ao menos poupar a cena lastimável daquele espectáculo de derramar lágrimas de proporcionalidade sobre a desproporcionalidade da sua criatura. Depois de tripudiar sobre a lei e as virtualidades de justiça e de proporcionalidade que a mesma lei alberga na sua letra, no seu espírito, no seu sistema e no seu horizonte constitucional, restava o gesto digno de ser autêntica e crescidinha. E querer o que verdadeiramente queria. Silenciando os indecorosos clamores de carpideira menor.

Um silêncio que teria uma vantagem inestimável. Não acordaria o panglóssico presidente da Liga do seu sonho de acreditar que deixa atrás de si um futebol credibilizado. Um dia esse sonho há-de converter-se em pesadelo. Será no dia em que as intempéries vindas dos tribunais desabarem sobre as primícias acrisoladas da credibilização devidas à sua CD. Até lá, há direito ao sonho. De mais a mais, quando o pesadelo chegar, já lá estarão outros a enfrentá-lo.»

terça-feira, 2 de março de 2010

Ainda não acabou!

Aquela coisa patética que jogou em Alvalade com as camisolas do FC Porto vestidas não pode ser a equipa que, recentemente, despachou o Sporting da Taça de Portugal com uma goleada de 5-2. Aquela coisa absurda que sofreu três golos sem resposta não pode ser a mesma equipa que derrotou copiosamente o Braga por 5-1. Aquela coisa amorfa que fez um único remate à baliza adversária em 90 minutos de jogo não pode ser a mesma equipa que bateu o Arsenal por 2-1 na Liga dos Campeões. Infelizmente, para pesadelo de todos os portistas, aquela coisa é!
O FC Porto desta época tem esta particularidade: é capaz de passar do 8 ao 80 e vice-versa em pouco tempo e é esta irregularidade exibicional confrangedora que justifica a posição medíocre que ocupa na tabela classificativa a nove jornadas do fim do campeonato. O problema é que, quer se queira quer não, esta irregularidade está directamente relacionada com o cansaço inerente a uma longa época jogada em todas as frentes, com a necessidade de rodar o plantel e com a falta de soluções (ou alternativas) para determinadas posições do terreno. Nessa perspectiva, se por um lado é verdade que o plantel apresenta, desde o início, lacunas que a SAD foi incapaz de colmatar na reabertura do mercado, não será menos verdade que a equipa foi privada de utilizar um jogador cuja importância é sobejamente reconhecida em qualquer altura do campeonato, mas que se torna ainda mais evidente quando a equipa denota falta de frescura física. E isso, doa a quem doer, não poderá ser esquecido e muito menos passar em claro.
Nenhum adepto portista está habituado a perder nem atira a toalha ao chão antes de extinguir toda e qualquer hipótese de chegar à vitória. O campeonato ainda não acabou!

Contra factos não há argumentos

O Sporting está de parabéns. Foi, indiscutivelmente, a melhor equipa em campo. Os leões demonstraram mais garra, mais empenho, mais vontade de ganhar e mais espírito colectivo, pelo que não há absolutamente nada a apontar nesta goleada imposta ao FC Porto. Veremos se repetirá esta magnífica exibição frente aos vizinhos da 2ª Circular quando se deslocar à Luz.