quinta-feira, 25 de março de 2010

APITO ENCARNADO, JÁ!

Ao longo dos últimos meses, foram muitas as vezes que dei voz, neste blogue, à indignação e à revolta que os adeptos do FC Porto sentiam por verem a Comissão Disciplinar da Liga aplicar castigos aos jogadores portistas com base numa clara e indiscutível distorção dos regulamentos desportivos. Hoje, o Conselho de Justiça da Federação veio provar que a razão estava do nosso lado!
A decisão de reduzir as penas aplicadas ao Hulk e Sapunaru só podem causar espanto a todos aqueles que, cegos pelo fanatismo clubístico ou munidos de uma lamentável má-fé, não quiseram ver esta evidência: os Stewards não são, nunca foram e nunca serão agentes desportivos e muito menos intervenientes no jogo! Como tal, a absurda moldura penal aplicada nos casos em questão constituiu, ela própria, um inqualificável acto de manipulação da verdade desportiva por ter afastado os jogadores portistas dos campos de futebol durante um período muito superior ao previsto nos regulamentos, com os consequentes prejuízos que daí advieram para os atletas e para o clube.
Afirmar agora que o FC Porto perdeu o campeonato devido ao afastamento dos seus jogadores durante grande parte da competição é, evidentemente, uma conjectura extremamente forçada, pois é impossível nesta altura quantificar os prejuízos desportivos causados por esta actuação verdadeiramente criminosa da CD. No entanto, há que ter em consideração que não é apenas o 1º lugar que dá acesso à Liga dos Campeões, uma competição que, como se sabe, permite aos clubes o encaixe de verbas milionárias pelo simples facto de nela participarem. Como tal, é legítimo questionar se o FC Porto não teria, no mínimo, conquistado o acesso à Liga dos Campeões, caso não tivesse sido indevidamente impedido de jogar com todos os jogadores de que dispunha no seu plantel. Nesta perspectiva, torna-se evidente que os prejuízos causados aos Dragões podem ter ultrapassado, em muito, a mera vertente desportiva. Além disso, é sabido que o FC Porto alimentava muitas expectativas numa futura venda de Hulk e é indiscutível que os vários meses de paragem do jogador causaram a desvalorização da sua cotação no mercado.
Quem é que agora se responsabilizará por estes prejuízos financeiros causados ao FC Porto e aos seus atletas? Ninguém acredita que o Dr. Ricardo Costa, que se fez rodear de toda a pompa e circunstância quando veio para a comunicação social apregoar ao povo as suas decisões, terá a dignidade, a honestidade e a nobreza de carácter para assumir a responsabilidade pelos seus próprios actos, pagando do seu próprio bolso as eventuais indemnizações a que os Dragões tenham direito. Como tal, não é difícil prever que será o povo português a suportar os custos deste crime, perpetrado por gente sem vergonha em nome de interesses obscuros que as autoridades insistem em não clarificar.
Há pouco tempo atrás, o presidente do FC Porto pediu a Laurentino Dias que realizasse um processo de investigação sobre a podridão a que se assistia no futebol português. Em resposta, o secretário de Estado afirmou que não fazia comentários sobre esse assunto e muita gente regozijou-se com a sua inércia. O resultado está bem à vista de todos! Não são precisas agora quaisquer escutas telefónicas para perceber que algo de muito podre aconteceu na liga, nem são precisos livros para denunciar aquilo a que todos fomos assistindo ao longo destes últimos meses. Se as autoridades precisam de testemunhas para abrir finalmente um processo Apito Encarnado, basta escolherem ao acaso um nome da lista telefónica, pois todos os portugueses foram espectadores neste triste e lamentável espectáculo de manipulação ostensiva da verdade desportiva. As autoridades não podem nem têm agora justificação para continuarem a assumir uma postura cobarde e subserviente, sempre que estão em causa interesses do Benfica! 
Veremos agora como este escândalo irá evoluir nos próximos tempos. A primeira cabeça já rolou com a demissão do presidente da LPFP, uma decisão que o Benfica lamenta (por que será???) e que pode ser interpretada como uma assunção de culpa. Mas não se pense que este caso será resolvido (e muito menos esquecido!) com simples demissões. O que se passou foi demasiado grave e ostensivo para que se possa permitir que passe impune. Em nome dos seus próprios interesses mas também em nome da verdade desportiva e do futebol português, o  FC Porto deverá levar o caso até às últimas consequências, custe o que custar, doa a quem doer! Começando pela impugnação do campeonato e recorrendo às instâncias internacionais, designadamente a UEFA e o TAS, não podemos descansar enquanto os responsáveis por esta obscenidade não forem chamados a responder perante a justiça.

3 comentários:

  1. tudo correcto, vamos todos para a uniaõ

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  2. Que os desportistas em geral e os portistas em particular estejam contentes pela decisão agora tomada, é perfeitamente normal, mas que tal conduza à parvoíce e estupidez normalmente patentes nas posições tomadas neste blogue é que não se compreende. Afinal a decisão agora tomada também ela pode ser objecto recurso junto das entidades a que o autor do blogue pretende recorrer. Ambas as decisões pecam pela falta de objectividade com que a lei as enquadra. Se é discutível os seguranças não fazerem parte do jogo (agentes desportivos), não é menos discutível serem considerados publico. Ambos os órgãos que tomaram as decisões opostas entre si tiveram o cuidado de revelar essa dificuldade de enquadramento. Ninguém põe em questão o tempo excessivo de avaliação do caso bem como a discussão em torno do tempo de interdição de jogar. Uma agressão é sempre uma agressão seja a quem for, mas tem de haver leis claras e objectivas que definam penas.
    É patético pensar que o FCP estaria melhor só pela presença dos dois jogadores em questão, este ano não há dúvida que até à data quem praticou melhor futebol foram o Braga e o Benfica. A exponenciação do ridículo do post é ainda patente quando se acusa o Benfica do ocorrido quando a dúbia lei que castigou o FCP teve origem no FCP. E quanto a indemnizações, de certeza que tudo fica como está, porque as decisões foram baseadas em leis mal concebidas. Muito para além do foro desportivo, o mundo está cheio de efeitos colaterais de decisões judiciais similares.
    Não é preciso ser inteligente para ver que o enfraquecimento do FCP esta época pelos mais variados motivos favoreceu todos os seus adversários da liga de futebol e não só o Benfica que até pode nem ser campeão, tendo o Braga também boas probabilidades de o ser.
    E será tanto mais verdade que o FCP apesar da propaganda não se vai mexer muito, que o presidente que se demitiu já prometeu divulgar informações quando houver condições para o efeito. Dizer que é uma assunção de culpa o Benfica ter lamentado a sua saída também pode conduzir a outra especulação: que o FCP (sabe-se lá como) se mexeu junto do CJ da Federação. A tradição do FCP nessa pratica até já é conhecida internacionalmente. E quanto a demissões também o contestado Ricardo Costa e o presidente da comissão da arbitragem se quiseram demitir.
    Só espero que o regozijo do FCP não se traduza ma impunidade tão ambicionada pelos seus adeptos relativamente a comportamentos que adeptos e alguns jogadores tiveram na final da taça da Liga. Ou será que alguém consegue defender o comportamento do Bruno Alves e do Raul Meireles durante o jogo, a que o árbitro (portista claro) foi subserviente?

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  3. Claro que agora é que foi justo! O CJ é que sabe tudo, é que analisa bem! Tal como analisou bem no outro caso, em que o presidente queria expulsar os que se lhe opunham... Esta decisão é, no mínimo, ridícula! Assim como a postura deste (e de outros) portistas. Não criticam a atitude de andar aos pontapés às pessoas, voltam a agarrar-se à terminologia! Sejam honestos... mas isso, para vocês, é quase impossível, não é? Tristes!

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