quarta-feira, 24 de março de 2010

Prós e contras desta época futebolística

Nos últimos sete anos, o FC Porto foi seis vezes campeão, pelo que não admira que os seu adeptos tenham apagado, quase por completo, a palavra "derrota" do seu dicionário. Infelizmente, não existe no Mundo nenhuma equipa que tenha a capacidade (e muito menos a obrigação) de ganhar sempre e, por muito que isso nos custe, era uma questão de tempo até que os Dragões experimentassem novamente o sabor amargo do insucesso. Já antes aconteceu e com certeza voltará a acontecer. O futebol é assim e, no dia em que deixar de o ser, perderá a graça e o interesse.
Um dos aspectos que, na minha perspectiva, sempre marcou a diferença entre o FC Porto e os seus arqui-rivais, é o facto deste clube possuir a capacidade de encarar frontalmente as suas falhas e de aprender com os seus próprios erros. Nesse sentido, mesmo tendo em consideração que a época ainda não terminou e que ainda existe a possibilidade de conquistar a Taça de Portugal, parece-me legítimo que se avance desde já com uma análise de alguns aspectos positivos e negativos desta época, na tentativa de encontrar respostas para os problemas:

1) O treinador
  
Nunca tive a memória curta e abomino a ingratidão. Por esse motivo, não me esqueço de que Jesualdo Ferreira foi co-responsável pela conquista de três ligas consecutivas, o que, diga-se em abono da verdade, é sempre um feito digno de registo. No entanto, não posso deixar de pensar que teria sido preferível que o Professor tivesse terminado o contrato no final da época passada, altura em que sairia do clube pela porta grande. Agora, arrisca-se a sair pela porta das traseiras, sem honra nem glória, vendo a sua boa obra construída nos últimos anos manchada pelo descalabro dos resultados e pela pobreza das exibições.
Não é comum no FC Porto que os treinadores permaneçam mais do que duas épocas consecutivas e penso que a explicação para esta política do clube (ou do seu presidente, se preferirem) reside no facto de os profissionais, seja em que ramo for, perderem um pouco da sua ambição quando finalmente atingem os seus objectivos pessoais. No caso de Jesualdo Ferreira, é natural que exista agora algum desgaste, o que se reflecte no fraco incentivo dado aos seus jogadores durante os jogos e no espírito passivo demonstrado perante os fracos resultados da equipa.
Está portanto na hora de trocar de timoneiro. Se a equipa se tivesse sagrado campeã, acredito que Domingos Paciência ou Jorge Costa, duas grandes figuras do clube e indefectíveis portistas, poderiam beneficiar de uma oportunidade para demonstrar as suas qualidades como treinadores. No entanto, atendendo a que a equipa irá necessitar de ser reconstruída praticamente do zero, tenho sérias dúvidas de que estes jovens estejam já aptos para assumirem o leme desta nau na difícil empreitada que se avizinha. Espera-se pois que a SAD tenha o bom-senso de contratar alguém que possua a experiência necessária para recolocar o FC Porto no trilho das vitórias.

2) Os reforços

Todos nós sabemos que o futebol português é pobre e que (quase) todos os clubes portugueses necessitam de vender jogadores para manter o equilíbrio financeiro. Esta é uma realidade a que o FC Porto não escapa mas com a qual tem sabido lidar de forma exímia graças à perspicácia e sagacidade negocial do seu presidente. Infelizmente, também aqui, naquele que tem sido o ponto mais forte do clube nos últimos anos, foram cometidos erros graves. A venda de Lucho González e Lisandro Lopez, a dupla argentina que constituiu a pedra basilar da equipa nas últimas épocas, constituiu um golpe fatal que os reforços contratados no início desta época não conseguiram disfarçar e muito menos colmatar.
É sabido que a SAD portista tem apostado muito no mercado argentino, justificando essa aposta na técnica e raça dos jogadores desse país sul-americano. Porém, se por um lado é verdade que o país das pampas tem oferecido ao futebol português alguns jogadores de elevada qualidade, não é menos verdade que Tomás Costa, Mariano González e Ernesto Farias ficaram muito aquém das expectativas (Isto já para não falar em Prediger e Valeri, dois jogadores sobre quem eu nem consigo construir qualquer opinião, tão raras foram as vezes em que os vi em acção). Com alguma boa vontade, podemos aceitar que Fernando Belluschi se destaca da mediania geral da armada argentina, mas nem assim disfarça algumas limitações que o deixam a anos-luz de distância do seu antecessor, Lucho González. Ora, perante isto, é inevitável que se coloque a questão: pela relação qualidade/preço que apresentam, valerá verdadeiramente a pena persistir nesta aposta no mercado argentino? Na minha opinião, sim. Mas não, obviamente, com os critérios de escolha a que temos assistido, que parecem privilegiar a quantidade em vez da qualidade .
Naturalmente, nem todos os reforços desta época foram apostas falhadas. Por exemplo, a saída de Cissokho foi bem colmatada com a contratação do uruguaio Álvaro Pereira, Falcão tem demonstrado ser um avançado muito eficaz e Varela foi, na minha opinião, a melhor contratação da época. Mas nem mesmo estes jogadores conseguem equilibrar o prato da balança no que concerne a bons e maus negócios pois, para além dos já referidos Prediger e Valeri, podemos acrescentar sem grande esforço mais dois ou três nomes à lista negra. Assim, não há equipa que resista, nem orçamento que aguente.

3) A política financeira

Quando afirmei atrás que "quase" todos os clubes portugueses necessitam de vender jogadores para manter o equilíbrio financeiro, estava obviamente a ressalvar a única excepção a esta regra: o Benfica. De facto, os portugueses ainda estão a tentar compreender onde foi que um clube, que não venceu nenhuma competição financeiramente rentável e que não conseguiu vender nenhum dos seus jogadores por valores expressivos, conseguiu descortinar os muitos milhões de euros que investiu em reforços para esta época e que lhe permitiram esmagar a concorrência quase por completo. É óbvio que este mistério não deverá estar alheio às investigações levadas a cabo pela PJ e que dão conta da existência de engenhosas negociatas de permutas de terrenos que permitiram ao clube da Luz encaixar qualquer coisa como 65 milhões de euros de mão beijada, nem tão pouco ao facto dos encarnados terem desbaratado, de uma assentada só, os patrocínios da Coca-Cola previstos para os próximos dez anos. Há, no entanto, quem adiante uma explicação mais simples: o fundo de investimento do Benfica! Ora, também aqui a questão se envolve num manto de neblina densa, tão densa que eu, por muita investigação que tenha procurado fazer, ainda não consegui esclarecer completamente os fundamentos desta milagrosa solução financeira. Pelo pouco que me foi dado a conhecer, concluí que foi criado um fundo em que investiram várias empresas, com o qual foram adquiridos os passes de alguns jogadores que jogam actualmente na equipa do Benfica. O mais interessante de tudo isto é que os jogadores foram adquiridos ao próprio Benfica e novamente emprestados ao clube, não pelo valor de mercado que actualmente possuem, mas pelo valor que supostamente irão ter no futuro depois de serem valorizados pela sua participação nas competições internas e externas.
Na prática, este fundo não passa de um adiantamento por conta, mas ninguém pode deixar de reconhecer que se trata de uma ideia verdadeiramente revolucionária. De facto, quem não gostaria de poder vender o seu carro, não pelo seu actual valor de mercado, mas sim pelo valor que supostamente terá daqui a 100 anos quando for considerado uma relíquia automóvel e, ainda por cima, continuar a usufruir do carro como se fosse seu? Partindo do pressuposto de que existem investidores interessados em adiantar o dinheiro nessas condições mesmo correndo o risco do carro não durar mais do que uns meses, é óbvio que ninguém pensaria duas vezes em fazê-lo.
Numa altura em que Fernando Gomes renunciou ao cargo de responsável pelo sector financeiro e o FC Porto se presta a perder aquele que tem sido a sua principal fonte de rendimento, ou seja, a participação assídua na Liga dos Campeões, em virtude do 3º lugar que ocupa na liga, é natural que exista entre os adeptos alguma apreensão sobre aquela que será a política financeira a adoptar pelo clube para as próximas épocas. Os olhos estão postos em Angelino Ferreira, um homem da casa de quem muito se espera.

4) O poder político

Independentemente dos erros cometidos, ninguém pode deixar de reconhecer que as suspensões de Hulk e Sapunaru durante grande parte da época tiveram influência directa no desenrolar das várias competições em que o FC Porto esteve envolvido (principalmente o primeiro pela reconhecida importância que assume no jogo da equipa). Essas suspensões, originadas por uma interpretação falaciosa dos regulamentos, constituíram mais um ataque movido contra o Porto por um indivíduo que, de forma completamente despudorada e gozando de total impunidade, não perde uma oportunidade para influenciar o normal desenrolar da Liga Portuguesa, em sucessivos e descarados atropelos da verdade desportiva que as autoridades, aparentemente afectadas por um inexplicável ataque de inépcia, fazem questão de não querer ver. Ora, perante esta obscenidade, seria suposto que o FC Porto reagisse veementemente, procurando readquirir no seio da LPFP o poder que lhe permitisse combater os seus inimigos políticos. Como tal, não se compreende que a SAD tenha vindo demarcar-se das próximas eleições para a presidência da Liga, adoptando assim uma posição de distanciamento que irá dar espaço aos seus inimigos para estenderem ainda mais os seus tentáculos no seio da entidade que gere a principal competição futebolística nacional. Não nos admiremos, portanto, se continuarmos a assistir nos próximos tempos às mediáticas dissertações do Dr. Ricardo Costa que, apoiado pela corrupta comunicação social lisboeta, vai fazendo dos portugueses parvos, impingindo-lhes as ideias mirabolantes com que justifica as suas inusitadas decisões, como por exemplo, aquela fantástica teoria de que os Stewards são intervenientes no jogo.

2 comentários:

  1. Coitadinho do FCP!

    Já cá faltavam as lamentações e os ataques à condição financeira do SLB! Os seus rendimentos foram afectados pela gestão financeira do Benfica? Não me parece.

    Mas pela boca morre o peixe. Sempre quero ver qual vai a estratégia financeira do FCP nos próximos anos sem competições europeias oriundas de alguns cmapeonatos que nunca devia ter ganho. Atenção, eu disse alguns, porque houve os que indiscutivelmente não ofereceram quaisquer duvidas.

    Se calhar também vai fazer um fundo de investimento, opção que o Sporting também já publicitou.

    E quanto as injustiças aí está a final da Liga para o calar. Quer melhor? Árbitro portuense que se engasgou quando devia ter apitado as faltas, mais propriamente as agressões do Bruno Alves e Raul Meireles. Deviam ter tomado banho mais cedo porque já cheiravam mal dentro de campo. Se a actuação do SLB fosse igual à do FCP, até onde é que já teriam ido os protestos e lamentações. Já para não falar na actuação dos adeptos portistas, sempre no seu melhor. Apesar de se falar nos adeptos de ambos os clubes, e ambos terem pago multas,não há dúvida que esse campeonato é do FCP.

    Mas não há dúvida, pela boca morre o peixe, o cartoon é exemplo disso, afinal quem marca golos ma prória baliza é o ... FCP, à laia de aviário. Obviamente que acontece a qualquer guarda-redes, é preciso é não dizer, dessa água não beberei.

    E se o Bruno Alves e o Raul Meireles não tiverem sumarissimo, onde é que está o favorecimento do Benfica aqui tantas vezes apregoado. Se calhar o CD da Liga não é assim tão parcial como se aqui quis fazer crer. Aguardemos. O FCP tem é de respeitar as regras, eu sei que não está habituado a isso. O lema é, fazer o que se quer, quando se quer, onde se quer.

    Se quer dar um ar de justiça e imparcialidade é altura de mudar, em função da final da Liga, o cartoon, bem como o melhor e o pior da semana.

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  2. Os portistas já podem estar descansados!

    A era da máfia e da corrupção vai voltar e o PC, enquanto a natureza não se encarregar dele, vai continuar a senda criminosa que tem trilhado nos ultimos 30 anos!

    O polvo continua activo!

    A impunidade que os jogadores do fcp até ao momento, depois do jogo da final da taça da liga é o mais terrível prenuncio desse facto.

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