terça-feira, 27 de abril de 2010

A via pretoriana

Quando o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol decidiu revogar os castigos aplicados a Hulk e Sapunaru pela Comissão Disciplinar da Liga, reduzindo as suspensões aplicadas de 4 e 6 meses para 3 e 4 jogos respectivamente, Ricardo Costa deu uma entrevista à SIC Notícias na qual, com um discurso pautado pela prepotência e auto-comiseração, procurou passar para o público uma imagem de seriedade acima de qualquer suspeita, enquanto foi levantando dúvidas sobre a seriedade da decisão do órgão de recurso. O presidente da CD chegou mesmo ao cúmulo de insinuar a existência de um movimento com o objectivo de decapitar a CD, uma acusação gravíssima que, como era de prever, não foi capaz de esclarecer devidamente.
Um dos momentos mais caricatos dessa entrevista aconteceu quando Ricardo Costa se lamentou pelo facto do seu acórdão ter quarenta páginas, enquanto que o acórdão do CJ ter apenas...quatro! De facto, é deveras curioso que o órgão de justiça da Federação tenha necessitado apenas de quatro miseráveis folhas de papel para desmontar por completo a elaborada fundamentação jurídica com que Ricardo Costa procurou justificar os absurdos castigos aplicados aos jogadores portistas. É caso para dizer que, das duas uma: ou o CJ preza pela preservação da natureza e está empenhado em poupar papel, ou os argumentos de Ricardo Costa são tão frágeis que se desmontam em poucas palavras.
Mais recentemente, o CJ da FPF decidiu (mais uma vez) dar razão ao recurso apresentado por Pinto da Costa na sequência da suspensão de três meses imposta pela CD. Talvez pela postura arrogante e pela falta de respeito demonstrada anteriormente por Ricardo Costa, o CJ decidiu elaborar desta vez um extenso acórdão de mais de vinte páginas no qual, não só esclarece minuciosamente os fundamentos da sua decisão, como tece duras acusações e críticas à actuação da CD. Desse acórdão, destaco aqui algumas frases que me parecem elucidativas:

"O que a Comissão Disciplinar pretende é amordaçar o arguido."

"O castigo de três meses, fundamentado em declarações do presidente Pinto da Costa, traduz-se numa grosseira violação dos mais elementares direitos constitucionais e de liberdade de expressão."

"A suspensão de exercício de funções não se confunde com uma condenação ao silêncio, muito menos ao total silêncio, em qualquer das outras vertentes que, como profissional e cidadão, constituem a vida do arguido."

"Trata-se de uma lei da rolha criada por via pretoriana."

"A CD persistiu numa interpretação maximalista do conteúdo da pena de suspensão (...) que viola os princípios básicos do Direito Processual e do Direito Penal."


Numa altura em que o país celebra, com pompa e circunstância, os 36 anos sobre a Revolução dos Cravos que, supostamente, instaurou a Democracia em Portugal, não deixa de ser lamentável que ainda persistam determinadas figuras públicas que, beneficiando do poder institucional que lhes foi atribuído, vão impondo a lei da rolha e violando os mais elementares direitos constitucionais e de liberdade de expressão. Mas mais lamentável ainda é que as autoridades persistam numa postura verdadeiramente autista, fingindo que não vêem tão evidentes atentados à Democracia que vão sendo perpetrados à descarada em nome de interesses obscuros.
Apesar da gravidade destas afirmações, a corrupta comunicação social lisboeta, que anteriormente proporcionou a Ricardo Costa todo o tempo de antena de que este necessitou para espalhar a sua doutrina, mostra-se agora pouco interessada em divulgar as duras acusações e críticas, havendo mesmo jornais que se limitam a noticiar a decisão sem sequer referir (e muito menos disponibilizar ao público) o acórdão do CJ. Fica a dúvida se esta atitude se prende com a intenção de proteger o seu "menino bonito" ou se estarão apenas a guardar este trunfo na manga para o jogar mais tarde, não vá o digníssimo presidente da CD, na busca do protagonismo que dá mostras de tanto ambicionar, lembrar-se de virar os seus canhões para outros clubes sediados mais a Sul.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Só lhe falta chorar...

Depois do treinador do Vitória de Setúbal ter vindo a público, logo após o final do jogo com o FC Porto, reconhecer que o lance que envolveu Falcao e Bruno Ribeiro não era merecedor de sanção disciplinar, é agora a vez do próprio jogador sadino vir dizer que o Falcao não teve intenção de o atingir e acrescenta:

«Se dependesse de mim, dizia que o amarelo a Falcao devia ser retirado. Vai ser um grande jogo e os grandes jogadores, como é o caso do Falcao, merecem estar nesses momentos. Até para benefício do espectáculo. Mas não posso fazer nada»

A atitude aparentemente altruísta agora assumida pelo jogador do Vitória de Setúbal não disfarça a sua hipocrisia, pois as imagens documentam que Bruno Ribeiro forçou a amostragem do cartão amarelo a Falcao ao lançar-se para o chão agarrado à cara, teatralizando uma agressão. Este comportamento condenável acabou por causar prejuízos óbvios ao seu colega de profissão que se vê assim afastado do próximo jogo e da possibilidade de lutar pelo título de melhor marcador da Liga Portuguesa em pé de igualdade com o seu directo opositor, Óscar Cardozo, o que constitui mais um atentado à verdade desportiva do campeonato, já de si tão massacrada pela sequência de situações, no mínimo suspeitas, ocorridas ao longo da época.

domingo, 25 de abril de 2010

Caso de polícia

O Benfica está a um ponto de se sagrar campeão mas, quem pensava que já tinha assistido a toda a podridão, toda a batotice que o lobby lisboeta se predispôs a fazer esta época para levar o clube da Luz ao título, desenganou-se ontem ao assistir ao jogo entre o Vitória de Setúbal e o FC Porto. O desespero é tal que esta gente não desarma, não facilita, não corre riscos. A obscenidade, a pouca vergonha, a manipulação da verdade desportiva irá continuar até ao último segundo, até que não existam quaisquer hipóteses matemáticas de o Benfica ver escapar o ambicionado troféu.
Era sabido que Falcao se encontrava em risco de ver o quinto amarelo. Perante este cenário, já se adivinhava que o árbitro Pedro Henriques não deixaria escapar a mais pequena oportunidade para punir disciplinarmente o avançado portista, impedindo-o assim de defrontar o Benfica no Dragão. Restava-nos a esperança de que o bom senso e a consciência imperasse, ou, na falta destes, que o jogador portista fosse mais inteligente do que o árbitro e soubesse escapar a este jogo do gato e do rato que todos sabíamos que iria acontecer. Infelizmente, a falta de vergonha acabou por deitar por terra qualquer tentativa de fuga e o "rato" viu-se encurralado numa armadilha montada a três: o árbitro, que não perdeu a oportunidade de sacar do cartão; o árbitro-auxiliar, que não viu a falta cometida sobre Falcao mas não perdeu tempo a assinalar uma pretensa falta do colombiano; e o jogador do Vitória que, não obstante ter feito falta sobre o adversário, não teve qualquer pudor em lançar-se para o solo agarrado à cara, numa patética simulação de agressão.
A opinião de Jorge Coroado ilustra bem a falaciosa decisão de Pedro Henriques:

«O cartão amarelo é um absurdo, sem razão de ser. Considerando falta, por eventual bofetada, a sanção correcta seria o vermelho e nunca o amarelo. Mas, e curiosamente, quem merecia ser punido seria o jogador do Setúbal que lhe pontapeou a perna direita, cujo desequilíbrio levou Falcao a acertar na cara de Bruno Ribeiro.»

Na próxima jornada, o Benfica terá uma vez mais, a exemplo do que ocorreu durante toda a época graças aos vergonhosos castigos impostos a Hulk, Sapunaru e Vandinho, a vida facilitada na sua deslocação ao Dragão. No final, a intelectualmente corrupta comunicação social lisboeta tratará de enaltecer o "brilhante futebol praticado pelos encarnados" e a "justiça do campeonato conquistado", branqueando ou escamoteando aos olhos do povo a forma fraudulenta como toda a competição foi escandalosa e descaradamente manipulada por manobras de bastidor.
As autoridades possuem os meios para averiguar o que se passa no futebol português. Os meios existem, falta apenas a coragem e a vontade política para acabar definitivamente com esta palhaçada a que todos nós vamos assistindo semanalmente. Trinta e seis anos depois da Revolução dos Cravos, será pedir demasiado que a justiça comece finalmente a agir com o mesmo peso e a mesma medida para todos, ou será necessária outra revolução para que possamos ter uma verdadeira Democracia em Portugal?

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Uma injecção de 10 milhões

No início do corrente ano, foi tornada pública uma investigação levada a cabo pela PJ sobre determinados "negócios" realizados entre o SL Benfica e a Câmara Municipal de Lisboa que permitiram ao clube da Luz encaixar nada mais nada menos que 65 milhões de euros sem mexer uma palha. Entre esses "negócios" inclui-se a aquisição ao Benfica de terrenos por quantias astronómicas, terrenos esses que haviam sido anteriormente cedidos ao clube pela própria CML para a construção de infra-estruturas desportivas que nunca chegaram a ser realizadas. Apesar da PJ ter concluído que o Município, na altura presidido por Santana Lopes, instrumentalizou a EPUL - Empresa Pública de Urbanização de Lisboa - para financiar o Benfica, o autarca não foi processado, o mesmo não acontecendo com Carmona Rodrigues, vice-presidente da CML, que foi constituído arguido.
Ficamos agora a saber que a EPUL fechou as contas de 2009 em situação de falência técnica pelo terceiro ano consecutivo, tendo necessitado de uma injecção de 10 milhões de euros para garantir o equilíbrio financeiro. Segundo o jornal Público, na auditoria externa efectuada à EPUL pela consultora PricewaterhouseCoopers apuraram-se algumas transacções cujos efeitos económico-financeiros nocivos para a empresa rondam os 61 milhões, conforme revela o relatório e contas do ano passado.
Como é possível que uma empresa pública que se encontra em falência técnica pelo terceiro ano consecutivo se dê ao luxo de desbaratar milhões de euros na compra de terrenos que já pertenciam anteriormente à CML? Como é possível que as autoridades não percebam que algo de muito podre se passa quando a empresa compra terrenos por somas astronómicas e não constrói um único dos 151 apartamentos a que se tinha proposto? Não é difícil de adivinhar que, quando o Benfica precisar de dinheiro para reforçar novamente o plantel, os mesmos terrenos que foram comprados para a construção dos tais apartamentos (que nunca foram construídos) irão ser novamente cedidos ao clube para a construção de novos equipamentos desportivos (que também nunca serão construídos), para depois serem novamente comprados pela EPUL por somas avultadas, e assim por diante, num processo fraudulento infindável que vai acontecendo à descarada graças à passividade das autoridades de Lisboa e à subserviência cúmplice da nação benfiquista que, inebriada pela conquista do campeonato dos túneis, vai aplaudindo esta vergonha. E depois somos todos nós a pagar as injecções!

A funcionária loura e bonitinha

Depois do presidente portista ter sido apanhado nas escutas telefónicas conexas ao processo Apito Dourado pretensamente a falar de prostitutas cujos serviços seriam, alegadamente, oferecidos aos árbitros em troca de favorecimentos desportivos, é comum vermos os seus inimigos referirem-se ao FC Porto como o “clube da fruta”, o “clube do café com leite”, etc. A verdade é que não é necessário muito esforço para encontrar na Internet vários testemunhos de gente relacionada com o mundo do futebol que comprovam que a oferta de favores de profissionais do sexo aos senhores do apito é prática generalizada no futebol, não sendo exclusiva de nenhum clube em particular nem tão pouco do nosso país.
Já era bem conhecida de todos nós uma célebre entrevista dada pelo antigo árbitro britânico Howard King a um jornal inglês na qual confessa ter recebido ofertas de prostitutas de vários clubes europeus, incluindo Barcelona, Ajax, PSV, Hamburgo, Bayern, Sporting e Benfica. A determinada altura da sua entrevista, o sr. King afirma mesmo que uma das mais escandalosas propostas que recebeu verificou-se em Lisboa, em 1984, antes de um importante encontro entre o Sporting e o Dínamo de Minsk, e relata o que sucedeu:

«Nessa noite levaram-me a um clube, em Lisboa, onde se encontravam muitas raparigas das mais belas e bonitas. O fulano que me acompanhava disse: "Escolha!". Eu respondi que não compreendia o que aquilo significava, mas ele esclareceu. E eu, claro, escolhi uma loira, alta, a mais bela mulher que vi em toda a minha vida.» E não hesita em acrescentar: «As coisas em Lisboa eram boas em demasia!»

O sr. King regressou a Portugal em 1992 para dirigir o Benfica-Sparta de Praga e, a propósito dessa vinda, recorda o seguinte:

«O valor dos presentes que me enviaram excedeu em muito o limite de 40 libras (cerca de 10 contos) a que estamos autorizados. Fui almoçar com o delegado da UEFA a esse encontro, que era, simultaneamente o presidente do Comité de Arbitragem da UEFA, que ao ver as prendas que eu recebera disse imediatamente: " Você está a colocar-se em situação dificil!" Claro que concordei, mas a arbitragem no dia seguinte não deu margens para reparos. Não lhe falei, no entanto, na rapariga que esteve comigo na noite anterior. Ela não me pediu dinheiro e eu, como é natural, nada lhe ofereci.»

Ora, não é apenas Howard King que tem motivos para recordar com saudade as visitas à capital portuguesa. A propósito da recente eliminatória da Liga Europa disputada entre o Benfica e o Marselha, António Boronha , antigo presidente do Farense e ex-vice presidente da FPF, publicou no seu blogue um texto intitulado "Estórias da bola quarenta e um", no qual relata um curioso episódio vivido na primeira pessoa. Os factos reportam-se a um outro Benfica-Marselha, ocorrido em 1990, que ficou célebre pelo golo marcado com a mão de Vata que valeria a vitória na partida e o apuramento para a final da Liga dos Campeões. Diz o antigo dirigente o seguinte:

«Fui convidado para assistir ao prélio, acompanhado de um v/p do meu clube, Luís Baptista (mais tarde presidente da arbitragem), no camarote presidencial do Benfica. Remeteram-nos para a zona dos não afectos às cores da casa onde desfrutei da companhia do então presidente do Sporting, José de Sousa Cintra, e meia dúzia de pessoas ligadas ao Marselha. (…)
Festejei, moderadamente, o golo de Vata no meio da enorme euforia que se vivia naquelas paragens, excepção feita aos “franciús” e...ao Zé Sousa Cintra que arrepanhava os (poucos) cabelos que tinha, perguntando-se “como é que tinha sido possível tamanha injustiça?!!!»


A parte mais interessante vem a seguir:

Teminado o jogo, eu e o Luís resolvemos ir à “baixa” comer qualquer coisa
tendo durante o percurso ouvido no rádio do carro que o golo do Benfica tinha
sido marcado com a mão. (…)
Terminado o repasto, zarpámos para “lavar a vista” e beber um “whisquinho” no (onde é que poderia ser?) “Elefante Branco”. E quem lá estava, para além de uma enorme multidão? A equipa de arbitragem chefiada por Langenhove, César Correia e Alder Dante, que os acompanhavam, e dois funcionários do Benfica, sendo um deles...loura e bonitinha...»


Não é difícil perceber que esta funcionária do Benfica, loura e bonitinha como descreve António Boronha, devia ser uma das "relações púbicas", perdão, "relações públicas" do clube da Luz, responsáveis por assegurar o bem-estar dos árbitros estrangeiros durante as suas estadias no nosso país. E também não é difícil perceber que o árbitro Van Langenhove e seus colegas de equipa terão levado, tal como Howard King, boas recordações de Lisboa. Mas isto, obviamente, são testemunhos que não interessa divulgar aos paladinos da verdade desportiva da nossa capital do império ultramarino.

terça-feira, 6 de abril de 2010

O caminho de Gelsenkirchen

Há momentos na vida que nunca se esquecem, que nunca se apagam da nossa memória, que vivem connosco e constituem parte da nossa própria essência até à hora da nossa morte. Momentos que nos fazem sentir um arrepio na pele, um suspiro de saudade, uma lágrima de alegria de cada vez que nos recordamos deles. Momentos que nos fazem sentir a honra de sermos vivos e termos assistido, com os nossos próprios olhos, a esse simples acto de fazer História. Para todos os portistas que, como eu, viveram a emoção da conquista da Liga dos Campeões, aqui fica este vídeo, para que nunca deixem de acreditar no poder do Dragão e na grandeza das suas conquistas:

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A parábola do maluco

A determinada altura da entrevista concedida à RTP, a jornalista Judite de Sousa confrontou Pinto da Costa com a seguinte questão: "Considera que o Apito Dourado denegriu a sua imagem?". Bem ao seu jeito, o presidente do FC Porto respondeu à pergunta com uma interessante parábola:

«Havia um homem que tinha um problema mental e por isso todos o conheciam como "o maluco". Um dia, esse homem foi internado num hospital psiquiátrico, recebeu tratamento e, ao fim de algum tempo, recebeu alta dos médicos por estar curado. No entanto, quando regressou à sua terra, toda a gente continuou a chamar-lhe maluco porque era assim que estavam habituados. Quando lhe perguntaram se ele não sentia tristeza por continuarem a tratá-lo como um maluco, ele respondeu: "Eu fui internado, recebi tratamento e fiquei curado. Não sei se muitos daqueles que me chamam maluco teriam a mesma sorte se tivessem sido internados como eu fui."»

Doa a quem doer, a verdade é que Pinto da Costa foi sujeito a uma série de investigações que puseram às claras as suas actividades enquanto dirigente e devassaram a sua vida privada. Mesmo assim, quando muitos, ingénua e precipitadamente, já anteviam a sua derrocada, o presidente portista sobreviveu praticamente incólume a todos os ataques, sem que a justiça civil tenha encontrado qualquer fundamento que justificasse uma condenação. De nada valeram os milhões de euros que o Ministério Público insistiu em desbaratar em consecutivos e inconsequentes processos e recursos, de nada valeram os super-esforços das super-equipas que, munidas de livros e testemunhos pouco credíveis, tudo fizeram para encontrar uma ponta do novelo por onde pegar, de nada valeram as escutas telefónicas escolhidas a dedo que nada provaram aos olhos dos juízes. Perante esta realidade, os portugueses têm duas opções: ou enveredam pela atitude hipócrita (e ridícula!) de pôr em causa a seriedade e integridade moral do sistema judicial português baseando-se num intrincado enredo de interesses obscuros que visaram salvar Pinto da Costa de todas as acusações que contra si foram levantadas, ou começam a abrir os olhos e a perceber que já está na hora de deixarem de ser ingénuos e subservientes aos interesses de Lisboa.
Já Adolf Hitler afirmava que o segredo de bem liderar consiste em focar as atenções do povo num único inimigo e providenciar para que nada desvie essas atenções. Ora, salvaguardando qualquer tipo de comparação entre os acontecimentos no que respeita à sua gravidade, proporções e consequências, não deixa de se verificar aqui uma certa analogia no que concerne à intencionalidade com que uma intelectualmente corrupta imprensa lisboeta, vendida aos interesses da Capital, elege sistematicamente Pinto da Costa como o bode expiatório de tudo o que de mal se passa no futebol português e não mede esforços para reforçar essa ideia aos olhos do público, escamoteando ou branqueando outros actos tão ou mais merecedores de condenação que envolvem outros emblemas.
Não consta na Bíblia que São Pedro, São João ou qualquer outro dos santos católicos praticasse futebol e muito menos fossem presidentes de clubes. Ao que tudo indica, santidade e futebol são conceitos que não combinam e, como tal, ninguém acredita (nem espera) que Pinto da Costa seja um santo. Mas daí a considerá-lo como o único responsável por tudo o que de mal se passa no futebol português vai uma longa distância! De facto, ao longo da sua longa carreira como dirigente desportivo, muitas foram as vezes que Pinto da Costa foi acusado de ter impedido, por meios ilícitos, os clubes rivais de vencerem o campeonato (mesmo quando eram por demais visíveis as limitações e fragilidades dessas equipas). Pois eu pergunto: alguém tem memória de, em alguma dessas vezes, o normal desenrolar do campeonato ter sido influenciado de forma tão óbvia e tão directa por factores externos às quatro linhas, tal como aconteceu esta época em que os castigos impostos pela Comissão Disciplinar da Liga impediram ilegitimamente duas equipas de usufruírem dos seus jogadores durante grande parte da competição? Alguma vez os clubes lisboetas viram algum dos seus jogadores ser suspenso por tão grande número de jogos, com o evidente prejuízo desportivo (e financeiro) que daí adveio? Elucidam-me se estiver errado, mas eu não me recordo de uma situação semelhante e, perante isto, é legítimo questionar: será que aqueles que persistem em chamar criminoso a quem já foi ilibado na justiça teriam a mesma sorte se fossem alvo de uma investigação por parte das autoridades?

domingo, 4 de abril de 2010

Pinto da Costa goleia Vieira

Há 5 anos atrás, quando o Benfica conquistou o seu último campeonato e a super-equipa de Maria José Morgado entrou em cena no processo Apito Dourado, muitos foram aqueles que, inebriados por essas efémeras vitórias (como o tempo veio demonstrar), já conjecturavam sobre o fim de Pinto da Costa. A verdade é que o presidente portista respondeu a todos os ataques e adversidades com a mesma postura de sucesso com que conquistou os inúmeros títulos que soma na sua longa carreira de dirigente desportivo. Nos últimos quatro anos, o FC Porto ganhou outros tantos campeonatos, duas Taças de Portugal e duas Supertaças, num total de oito títulos. Nada mal para quem já estava acabado!
Na passada semana, Portugal assistiu a um clássico Porto-Benfica que decorreu de uma forma nunca antes vista no nosso país. Este embate entre os dois principais clubes portugueses não foi jogado dentro das quatro linhas mas sim nas... televisões. No mesmo dia e à mesma hora, Pinto da Costa e Filipe Vieira foram entrevistados em canais televisivos distintos, o primeiro na RTP e o segundo na SIC. Ora, independentemente daquilo que foi proferido pelos presidentes nas respectivas entrevistas, há um facto que não passou despercebido: a entrevista de Pinto da Costa à RTP foi vista por cerca de um milhão e 200 mil pessoas (em média) com um share de 32,2 por cento, enquanto que o presidente do Benfica foi visto por menos de 800 mil pessoas (em média) e teve um share médio de apenas 19,8 por cento. De acordo com estes valores, a entrevista de Pinto da Costa foi o terceiro programa mais visto do dia, atrás das novelas «Mar de Paixão» e «Meu Amor». Já o presidente do Benfica ficou em... oitavo do dia. É caso para dizer que Pinto da Costa deu uma goleada à moda antiga ao seu rival. Quem é que estava acabado, afinal?

Falcão voa mais alto

Falcão marcou dois golos frente ao Marítimo e passou a liderar a lista de melhores marcadores da Liga Sagres. O avançado colombiano contabiliza já 20 golos só nesta competição, mais um do que Cardozo e mais oito do que Liedson que seguem na 2ª e 3ª posições, respectivamente.
Falcão encontra-se apenas a 4 golos de atingir o total obtido por Lisandro Lopez que se sagrou melhor marcador da liga 07/08, dispondo ainda de cinco jornadas para conseguir esse objectivo.