sexta-feira, 23 de abril de 2010

A funcionária loura e bonitinha

Depois do presidente portista ter sido apanhado nas escutas telefónicas conexas ao processo Apito Dourado pretensamente a falar de prostitutas cujos serviços seriam, alegadamente, oferecidos aos árbitros em troca de favorecimentos desportivos, é comum vermos os seus inimigos referirem-se ao FC Porto como o “clube da fruta”, o “clube do café com leite”, etc. A verdade é que não é necessário muito esforço para encontrar na Internet vários testemunhos de gente relacionada com o mundo do futebol que comprovam que a oferta de favores de profissionais do sexo aos senhores do apito é prática generalizada no futebol, não sendo exclusiva de nenhum clube em particular nem tão pouco do nosso país.
Já era bem conhecida de todos nós uma célebre entrevista dada pelo antigo árbitro britânico Howard King a um jornal inglês na qual confessa ter recebido ofertas de prostitutas de vários clubes europeus, incluindo Barcelona, Ajax, PSV, Hamburgo, Bayern, Sporting e Benfica. A determinada altura da sua entrevista, o sr. King afirma mesmo que uma das mais escandalosas propostas que recebeu verificou-se em Lisboa, em 1984, antes de um importante encontro entre o Sporting e o Dínamo de Minsk, e relata o que sucedeu:

«Nessa noite levaram-me a um clube, em Lisboa, onde se encontravam muitas raparigas das mais belas e bonitas. O fulano que me acompanhava disse: "Escolha!". Eu respondi que não compreendia o que aquilo significava, mas ele esclareceu. E eu, claro, escolhi uma loira, alta, a mais bela mulher que vi em toda a minha vida.» E não hesita em acrescentar: «As coisas em Lisboa eram boas em demasia!»

O sr. King regressou a Portugal em 1992 para dirigir o Benfica-Sparta de Praga e, a propósito dessa vinda, recorda o seguinte:

«O valor dos presentes que me enviaram excedeu em muito o limite de 40 libras (cerca de 10 contos) a que estamos autorizados. Fui almoçar com o delegado da UEFA a esse encontro, que era, simultaneamente o presidente do Comité de Arbitragem da UEFA, que ao ver as prendas que eu recebera disse imediatamente: " Você está a colocar-se em situação dificil!" Claro que concordei, mas a arbitragem no dia seguinte não deu margens para reparos. Não lhe falei, no entanto, na rapariga que esteve comigo na noite anterior. Ela não me pediu dinheiro e eu, como é natural, nada lhe ofereci.»

Ora, não é apenas Howard King que tem motivos para recordar com saudade as visitas à capital portuguesa. A propósito da recente eliminatória da Liga Europa disputada entre o Benfica e o Marselha, António Boronha , antigo presidente do Farense e ex-vice presidente da FPF, publicou no seu blogue um texto intitulado "Estórias da bola quarenta e um", no qual relata um curioso episódio vivido na primeira pessoa. Os factos reportam-se a um outro Benfica-Marselha, ocorrido em 1990, que ficou célebre pelo golo marcado com a mão de Vata que valeria a vitória na partida e o apuramento para a final da Liga dos Campeões. Diz o antigo dirigente o seguinte:

«Fui convidado para assistir ao prélio, acompanhado de um v/p do meu clube, Luís Baptista (mais tarde presidente da arbitragem), no camarote presidencial do Benfica. Remeteram-nos para a zona dos não afectos às cores da casa onde desfrutei da companhia do então presidente do Sporting, José de Sousa Cintra, e meia dúzia de pessoas ligadas ao Marselha. (…)
Festejei, moderadamente, o golo de Vata no meio da enorme euforia que se vivia naquelas paragens, excepção feita aos “franciús” e...ao Zé Sousa Cintra que arrepanhava os (poucos) cabelos que tinha, perguntando-se “como é que tinha sido possível tamanha injustiça?!!!»


A parte mais interessante vem a seguir:

Teminado o jogo, eu e o Luís resolvemos ir à “baixa” comer qualquer coisa
tendo durante o percurso ouvido no rádio do carro que o golo do Benfica tinha
sido marcado com a mão. (…)
Terminado o repasto, zarpámos para “lavar a vista” e beber um “whisquinho” no (onde é que poderia ser?) “Elefante Branco”. E quem lá estava, para além de uma enorme multidão? A equipa de arbitragem chefiada por Langenhove, César Correia e Alder Dante, que os acompanhavam, e dois funcionários do Benfica, sendo um deles...loura e bonitinha...»


Não é difícil perceber que esta funcionária do Benfica, loura e bonitinha como descreve António Boronha, devia ser uma das "relações púbicas", perdão, "relações públicas" do clube da Luz, responsáveis por assegurar o bem-estar dos árbitros estrangeiros durante as suas estadias no nosso país. E também não é difícil perceber que o árbitro Van Langenhove e seus colegas de equipa terão levado, tal como Howard King, boas recordações de Lisboa. Mas isto, obviamente, são testemunhos que não interessa divulgar aos paladinos da verdade desportiva da nossa capital do império ultramarino.

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