segunda-feira, 5 de abril de 2010

A parábola do maluco

A determinada altura da entrevista concedida à RTP, a jornalista Judite de Sousa confrontou Pinto da Costa com a seguinte questão: "Considera que o Apito Dourado denegriu a sua imagem?". Bem ao seu jeito, o presidente do FC Porto respondeu à pergunta com uma interessante parábola:

«Havia um homem que tinha um problema mental e por isso todos o conheciam como "o maluco". Um dia, esse homem foi internado num hospital psiquiátrico, recebeu tratamento e, ao fim de algum tempo, recebeu alta dos médicos por estar curado. No entanto, quando regressou à sua terra, toda a gente continuou a chamar-lhe maluco porque era assim que estavam habituados. Quando lhe perguntaram se ele não sentia tristeza por continuarem a tratá-lo como um maluco, ele respondeu: "Eu fui internado, recebi tratamento e fiquei curado. Não sei se muitos daqueles que me chamam maluco teriam a mesma sorte se tivessem sido internados como eu fui."»

Doa a quem doer, a verdade é que Pinto da Costa foi sujeito a uma série de investigações que puseram às claras as suas actividades enquanto dirigente e devassaram a sua vida privada. Mesmo assim, quando muitos, ingénua e precipitadamente, já anteviam a sua derrocada, o presidente portista sobreviveu praticamente incólume a todos os ataques, sem que a justiça civil tenha encontrado qualquer fundamento que justificasse uma condenação. De nada valeram os milhões de euros que o Ministério Público insistiu em desbaratar em consecutivos e inconsequentes processos e recursos, de nada valeram os super-esforços das super-equipas que, munidas de livros e testemunhos pouco credíveis, tudo fizeram para encontrar uma ponta do novelo por onde pegar, de nada valeram as escutas telefónicas escolhidas a dedo que nada provaram aos olhos dos juízes. Perante esta realidade, os portugueses têm duas opções: ou enveredam pela atitude hipócrita (e ridícula!) de pôr em causa a seriedade e integridade moral do sistema judicial português baseando-se num intrincado enredo de interesses obscuros que visaram salvar Pinto da Costa de todas as acusações que contra si foram levantadas, ou começam a abrir os olhos e a perceber que já está na hora de deixarem de ser ingénuos e subservientes aos interesses de Lisboa.
Já Adolf Hitler afirmava que o segredo de bem liderar consiste em focar as atenções do povo num único inimigo e providenciar para que nada desvie essas atenções. Ora, salvaguardando qualquer tipo de comparação entre os acontecimentos no que respeita à sua gravidade, proporções e consequências, não deixa de se verificar aqui uma certa analogia no que concerne à intencionalidade com que uma intelectualmente corrupta imprensa lisboeta, vendida aos interesses da Capital, elege sistematicamente Pinto da Costa como o bode expiatório de tudo o que de mal se passa no futebol português e não mede esforços para reforçar essa ideia aos olhos do público, escamoteando ou branqueando outros actos tão ou mais merecedores de condenação que envolvem outros emblemas.
Não consta na Bíblia que São Pedro, São João ou qualquer outro dos santos católicos praticasse futebol e muito menos fossem presidentes de clubes. Ao que tudo indica, santidade e futebol são conceitos que não combinam e, como tal, ninguém acredita (nem espera) que Pinto da Costa seja um santo. Mas daí a considerá-lo como o único responsável por tudo o que de mal se passa no futebol português vai uma longa distância! De facto, ao longo da sua longa carreira como dirigente desportivo, muitas foram as vezes que Pinto da Costa foi acusado de ter impedido, por meios ilícitos, os clubes rivais de vencerem o campeonato (mesmo quando eram por demais visíveis as limitações e fragilidades dessas equipas). Pois eu pergunto: alguém tem memória de, em alguma dessas vezes, o normal desenrolar do campeonato ter sido influenciado de forma tão óbvia e tão directa por factores externos às quatro linhas, tal como aconteceu esta época em que os castigos impostos pela Comissão Disciplinar da Liga impediram ilegitimamente duas equipas de usufruírem dos seus jogadores durante grande parte da competição? Alguma vez os clubes lisboetas viram algum dos seus jogadores ser suspenso por tão grande número de jogos, com o evidente prejuízo desportivo (e financeiro) que daí adveio? Elucidam-me se estiver errado, mas eu não me recordo de uma situação semelhante e, perante isto, é legítimo questionar: será que aqueles que persistem em chamar criminoso a quem já foi ilibado na justiça teriam a mesma sorte se fossem alvo de uma investigação por parte das autoridades?

8 comentários:

  1. Meu caro, nestas coisas de castigos, o F.C.Porto é sempre pioneiro: Virgílio, porque lesionou um jogador do Benfica, foi castigado e só voltou a jogar quando o jogador regressou da lesão; depois foi Paulinho Santos; na época passada o único simulador foi Lisandro; agora, temos o castigo de Hulk. É, nós somos uns diabos e eles uns anjinhos!

    Um abraço

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  2. Há muito que sigo este blog e gosto muito do que nele é escrito.

    Criei um há pouco tempo. http://turma-azul-branca.blogspot.com/

    Espero que, se tiver disponibilidade, passe por lá.

    Obrigado e continuação de bom trabalho!

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  3. A parabola até tinha algum fundamento no caso visado se a justiça qual hospital curasse, a questão é que a justiça tem os buracos suficientes para os os corruptos como o PC se escaparem.
    Qualquer pessoa inteligente observa que o futebol é apenas uma área onde tal acontece, basta também ve os casos de politicos e gestores financeiros. A tudo isto acresce aquela velha máxima de que quem tem dinheiro e poder espaca ou tem penas bastante atenuadas na justiça portuguesa. Aliás é só o que o PC e respectivos esbirros advogam, porque as evidências estão aí para quem quiser ver. Ou será que também não registaram a reacção palerma de saloio provinciano e analfabeto que o PC deu perante a pergunta da jornalista relativa às escutas?
    Foi ... deprimente, patetica, ridicula, ... enfim uma assunção de culpa por parte de alguém encurralado.
    Mas cada qual só vê o que quer!

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  4. "A parabola até tinha algum fundamento no caso visado se a justiça qual hospital curasse, a questão é que a justiça tem os buracos suficientes para os os corruptos como o PC se escaparem."

    Neste aspecto eu até poderia concordar consigo, não fosse a pequena diferença de, no caso do Pinto da Costa, o Ministério Público não ter descansado enquanto não desbaratou milhões de euros em infindáveis e inconsequentes processos e recursos que terminaram numa rotunda nulidade, enquanto que Filipe Vieira e outros corruptos como ele continuam a agir com total impunidade julgando-se acima da lei, beneficiando da protecção do poder político. Nenhum cidadão que se preze pode aceitar esta diferença de critérios por parte das autoridades ao mais alto nível, e aqui é que reside a verdadeira questão.
    Quanto à questão das escutas, até pode ser verdade que Pinto da Costa se sentiu pouco à-vontade quando se falou nelas, mas ninguém pode dizer como se sentiria o presidente do Benfica se fossem publicadas as conversas que mantém ao telemóvel, sabe-se lá com quem. É a tal história do maluco: será que Vieira teria alta se fosse internado no hospício? Não se sabe, não é? Nem se saberá, enquanto as autoridades de Lisboa continuarem a fazer vista grossa a toda a podridão que envolve o futebol português e a assobiar para o ar perante as manobras de manipulação da verdade desportiva a que todos assistimos esta época em prol do Sport Lisboa e Benfica.

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  5. O puerto é o maiore caragoooo hera o que abia de faltare o maiore é o Braga que até está á vossa frente tansos

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  6. Não sei o que vos move mas decerto não é a racionalidade. Mas é isso que o futebol neste país de caca permite. Andais há vinte e tal anos a ganhar, e no mínimo, com muitas dúvidas sobre a forma como o tendes conseguido mas que interessa isso? Vocês são perfeitos. Sois os mais sérios. Os que ganham contra tudo e contra todos. Os que lutam contra o centralismo deste país! Os que têm todos os órgãos do futebol contra si! Os que só perdem porque há túneis! Os únicos que têm um presidente apanhado em escutas que comprometem a sua seriedade porque, obviamente, foi o único que foi investigado pelas autoridades, corruptas, deste país!

    Enfim, não há nada a fazer! A não ser eliminar o clube do povo deste país. Talvez aí, Portugal se aproximasse dos seus parceiros da UE. Distribuía-se os seus adeptos pelos outros clubes e todos ficavam a ganhar. Acabava-se também com a alienação que há 106 anos nos impede de sermos um país desenvolvido. Claro que neste caso não sei qual seria o vosso ódio de estimação - talvez o Real Madrid e os castelhanos!

    Acreditam mesmo nisto? Não serão vocês os alienados?

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  7. "Vocês são perfeitos."

    Não, nós não somos perfeitos. Mas enquanto nós, nas nossas imperfeições, somos alvo de escutas telefónicas, profundas investigações, infindáveis processos e infrutíferos recursos por parte do Ministério Público, outros há que, não sendo também perfeitos, agem com total impunidade aos olhos das autoridades. E isso, digam lá o que disserem, revolta qualquer cidadão que se considere digno.

    "Os que só perdem porque há túneis!"

    O FC Porto não perdeu porque há túneis, mas qualquer pessoa séria tem de reconhecer que a actuação da CD da Liga teve interferência directa no normal desenrolar da competição. E isso, doa a quem doer, devia ser investigado.

    "Os únicos que têm um presidente apanhado em escutas que comprometem a sua seriedade porque, obviamente, foi o único que foi investigado pelas autoridades, corruptas, deste país!"

    Toda a gente sabe que o Vieira também foi apanhado nas escutas a encomendar árbitros ao Major Valentim, o que representa, no mínimo, tráfico de influências. Toda a gente sabe que o José Veiga era simultâneamente dirigente do Benfica e do Estoril-Praia. Toda a gente sabe! Por que motivo as autoridades não abriram sequer um processo de investigação sobre esses casos?

    "Enfim, não há nada a fazer! A não ser eliminar o clube do povo deste país."

    Portugal deve ser o único país da Europa onde existe um "clube do povo". Resquícios do fascismo.

    "Distribuía-se os seus adeptos pelos outros clubes e todos ficavam a ganhar."

    Com certeza. É o que se passa em todos os países que possuem um campeonato de futebol competitivo.

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  8. AH AH AH AH AH! Que miúdo complexado! Calma, jovem... depois do acne vais ver que tudo passa! Que fanático! Loooooool!

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