domingo, 23 de maio de 2010

O fantoche

Há uma frase curiosa (cuja autoria não sei precisar) que diz o seguinte: "Mais vale ficar calado e parecer um idiota, do que abrir a boca e acabar com todas as dúvidas". Hermínio Loureiro desconhece esta frase e, como tal, abriu a boca e acabou com todas as dúvidas que, sobre ele, ainda poderiam persistir.
Hermínio Loureiro remeteu-se ao silêncio desde que se demitiu do cargo de presidente da Liga, permitindo assim que o público especulasse sobre os verdadeiros motivos que o levaram a tomar tal decisão. Na falta de dados concretos, muitos foram os que, ingenuamente, quiseram acreditar que o ex-presidente abandonou o cargo pela insuportável vergonha que deveria ter sentido pela inqualificável actuação da sua Comissão Disciplinar, presidida por Ricardo Costa, que, de forma despudorada e descarada, manipulou objectivamente a verdade desportiva deste campeonato, contrariando assim todos os valores que Hermínio Loureiro dizia defender desde o início do seu mandato. Puro engano! Na entrevista dada esta semana à comunicação social, Hermínio Loureiro foi desfiando um chorrilho de bestialidades que vieram simplesmente pôr a nu a hipocrisia e a má fé com que pretende disfarçar o escândalo em que se viu envolvido. Sobre essa entrevista, quero aqui deixar algumas considerações:

1) É vergonhoso que o ex-presidente da LPFP pretenda agora justificar a sua demissão alegando que ficou "chocado" com a decisão do CJ da FPF de revogar os castigos aplicados a Hulk e Sapunaru. Se este indivíduo fosse sério, com certeza respeitaria a decisão do órgão que (por acaso) é superior hierárquico à entidade a que ele próprio presidia, e questionaria, isso sim, os critérios em que a própria CD teria suportado a aplicação, em primeira mão, desses absurdos castigos, tão díspares, não só em relação à decisão do CJ, mas em relação a tudo o que até hoje se viu em Portugal.

2) O ex-presidente pretende, desonestamente, descredibilizar a decisão do CJ alegando que os stewards não são público, mas finge que não sabe que o próprio CJ, através do seu acórdão, esclareceu que não concorda com essa alegação. Simplesmente optou por essa solução por ser aquela cuja moldura penal acarretava menor gravidade para os arguidos, uma vez que a alternativa prevista nos regulamentos (que considerava os stewards como intervenientes no jogo) não era, igualmente, aplicável. Por outras palavras, na obrigação de escolher entre duas alternativas não aplicáveis, o CJ optou pela mais razoável, enquanto que a CD optou pela mais grave contrariando assim os mais básicos princípios da justiça. Mas, sobre isso, Hermínio Loureiro parece pouco preocupado.

3) O presidente demissionário mostra-se agora agastado com o teor da conversa telefónica que teve com Pinto da Costa quando o CJ decidiu revogar os castigos impostos aos jogadores do FC Porto pela Liga, mas, por muito que o discurso do presidente portista lhe possa ter desagradado, há duas coisas que Hermínio Loureiro já deveria ter percebido: primeira, que quem não se sente não é filho de boa gente. Como tal, Pinto da Costa tem todo o direito de manifestar a sua revolta e indignação pelos graves prejuízos que a Liga causou aos Dragões ao longo da época. Os "cortes" (forma metafórica utilizada para aludir à linguagem grosseira) do discurso do presidente portista são poucos em relação ao que muitos milhões de portugueses lhe gostariam de dizer e que ele merecia ouvir pela sua miserável prestação enquanto presidente da Liga; segunda, que tem sorte de se ver protegido pelo poder político que impede que esta vergonha seja devidamente investigada porque, de outro modo, iria ouvir um outro discurso, bem mais desagradável para os seus ouvidos, mas proferido por um juiz. E sem "cortes"!

4) O mundo do futebol consegue ser verdadeiramente irónico. Hermínio Loureiro assumiu a presidência da LPFP fazendo-se rodear de uma imagem de seriedade, isenção e honestidade acima de qualquer suspeita. Acabou por tornar-se um fantoche nas mãos do poder instalado e, no final, saiu sem honra nem glória, ficando para sempre ligado a um dos campeonatos mais viciados e manipulados por manobras de bastidor da história do futebol português. Gente desta não faz falta nem deixa saudades, excepto, obviamente, para aqueles que saíram beneficiados pelo viciamento das regras da competição e pela despudorada manipulação da verdade desportiva a que fomos assistindo ao longo da época.

13 comentários:

  1. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

    ResponderEliminar
  2. "há duas coisas que Hermínio Loureiro já deveria ter percebido: primeira," só se fala com o Papa para lhe pedir conselhos matrimoniais. Segunda, se não quer tratar de "escolher e combinar prostitutas a gosto", está na presidência da Liga para quê? Ainda bem que a nossa justiça é rápida, isenta e incorruptível, senão ias ver a porradinha que levavas, assim armado em Bexiga.
    ... Só não percebo como é que o "engenheiro máximo" deixou o gajo tomar conta daquilo: deve ter sido por andar distraído com aquela cena da Mena. Espero que as férias com a Nanda não o distraiam agora, senão começo a desconfiar que ele afinal está mesmo a ficar cota.

    ResponderEliminar
  3. "dedique-se a escrever as fórmulas branqueadoras do Presto."

    Mais uma vez, o Marinho presenteia-nos com um comentário escrito à pressa, sem nexo nem conteúdo, desprovido de ligação ao tema em análise e cujo objectivo é desviar a conversa com um ataque directo e pessoal ao autor do blogue.
    Eu já o avisei que se acabou a minha tolerância para este tipo de atitudes, mas, pelos vistos, não fez caso do que eu lhe disse. Depois não venha hipocritamente acusar-me de falta de espírito democrático.

    ResponderEliminar
  4. "Valentim ou Pinto da Costa nunca lhe disseram para controlar o que Ricardo Costa (presidente da Comissão Disciplinar da Liga) andava a fazer?
    - A única pessoa que me falou do Ricardo Costa foi o Adelino Caldeira, vice-presidente do FC Porto, a 3 de Setembro de 2008 num almoço no restaurante Lusíadas, em Matosinhos. Ele foi clarinho e apreciei a frontalidade. Disse-me: ‘Meu caro, ou você corre com o Ricardo Costa e tem a vida facilitada ou vamos fazer-lhe a vida negra’. Certo é que não mudei a orientação de total autonomia que dei desde o início à Comissão Disciplinar. Desde esse dia que percebi que me iam fazer a vida negra e fizeram."
    Hermínio Loureiro, in http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Desporto/Interior.aspx?content_id=173455

    Para o anónimo que me pediu: "(...)refresca-me lá a memória quanto aos 6 ou 7 que têm para nos recordar." Não sei se estou a respeitar a ordem alfabética, mas... Adelino Caldeira soa-lhe bem, para início de conversa?

    ResponderEliminar
  5. A única coisa que se me soi comentar neste post é esta: a frase que refere no início é de Mark Twain. Teve muitas e boas esse rapaz. Aconselho-o a consultar, mas para já deixo-lhe esta de graca:

    Denial ain't just a river in Egypt.

    ResponderEliminar
  6. Meu caro, deixei este comentário no blog do Hermínio, como é óbvio, ele não vai publicar:«Quanto mais abre a boca, mais mostra o seu verdadeiro carácter: cínico, hipócrita, saloio, alguém que busca popularidade fácil e sabe que ela vem sem trabalho. Basta dizer mal do F.C.Porto e do seu Líder. Coitado do triste!
    Um anão, por mais que se ponha em bicos de pés, nunca deixará de ser um anão.

    Quanto às suas palavras nunca aparecerem com cortes, é apenas por uma circunstância: você nunca foi escutado. Tivesse tido, tanto tempo como PC, O telefone sob escuta, não sei se você poderia dizer o mesmo. Tenho muitas dúvidas. O que o fez mudar e andar de braço dado com o Benfica, depois de Vieira ter dito de si o que Momé não disse do toucinho?»

    Ah, louvo a tua paciência para Marinhos, será o Neves, e afins.

    Um abraço

    ResponderEliminar
  7. Em tudo na vida é importante horizontes alargados e tentar perceber porque os factos acontecem.
    Em 1º lugar não há duvida que os castigados mereciam castigo. Quer pela mais elementar regra da civilização e educação, quer pela desproporção com que reagiram a provocações, não têm desculpa. Qaundo se reage na mesma moeda perde-se a razão, no cao em apreço,perdeu-se a razão e tudo o que havia para perder.
    O grande "erro" de Herminio foi não se ter submetido à criminalidade do PC
    Em 2º lugar, vir dar como correcta e certa a decisa do CJ da FPF em detrimento da decisão do CD da Liga é ser no minimo ... palerma. Ambas as entidades revelaram as fragilidades das decisões que tomaram, alegando recursos possiveis nas mesmas: o CD da liga considerou os seguranças como agentes desportivos e o CJ da FPF como publico. Embora ambas dubias, não há duvida que a decisão do CD da Liga se aproxima mais da realidade. NO limite os seguranças ao exercerem funções, estão mais próximos de agentes do evento que vigiam do que de publico, porque como publico não tem semelhanças nenhumas quando estão a exercer as funções que lhes competem.
    Em 3º, o que o CJ da FPF tem é mais poder que o CD da Liga, e assim sendo é a sua decisão que prevalece, mas daí a ser a correcta vai uma grande distância.
    Por fim, não deixa de ser estranho que o representante do julgado saiba primeiro das decisões que o presidente da liga. Portanto chamar fantoche ao Herminio Loureiro só porque a decisão não vos agrada, carece de total credibilidade e levar à conclusão que fantoche é quem assim pensa. Até porque acha o ultimo facto relato muito natural.
    Também não sei onde está o fantoche, porque o Hermimio acusou um Vice-presidente do FCP de o ameaçar, nomeando-o, e até agora ninguém desmentiu. Afinal falou verdade, mais uma contra o FCP, e então é fantoche.
    O unico fantoche no meio de tudo isto é o autor do blogue dos ideias de PC. Posso chamar-lhe fantoche, afinal não foi nada que tivesse feito, certo?

    ResponderEliminar
  8. "Em 1º lugar não há duvida que os castigados mereciam castigo."

    Obviamente que sim. Mas cada crime tem uma punição adequada e proporcional à sua gravidade. Não se espera que um homem que rouba uma carteira fique impune aos olhos da lei, mas também não se espera que um tribunal o condene a prisão perpétua.
    Um jurista como Ricardo Costa, que aplica a leis com base numa interpretação forçada (para não dizer mesmo viciada) dos regulamentos e desproporcionada em relação a tudo o que até hoje se viu em Portugal, não faz justiça. Comete, isso sim, ele próprio, um atropelo aos mais básicos princípios da mesma.
    Atente-se à seguinte acusação proferida pelo CJ no seu acórdão e dirigida ao órgão presidido por Ricardo Costa, que vai exactamente ao encontro da minha opinião:

    "A CD persistiu numa interpretação maximalista do conteúdo da pena de suspensão (...) que viola os princípios básicos do Direito Processual e do Direito Penal."

    Mais explícito do que isto é impossível.

    "O grande "erro" de Herminio foi não se ter submetido à criminalidade do PC"

    Tal como afirmei antes, Hermínio Loureiro chegou ao futebol fazendo-se rodear de uma imagem de isenção, idoneidade e honestidade, mas acabou por deixar-se transformar num fantoche do lobby encarnado ao permitir que um simples caso de agressão a um steward se transformasse numa ferramenta de viciação do livre desenrolar do campeonato e uma manipulação ostensiva da verdade desportiva.

    "Em 2º lugar, vir dar como correcta e certa a decisa do CJ da FPF em detrimento da decisão do CD da Liga é ser no minimo ... palerma."

    Você, como simples adepto, tem o direito de ter essa opinião. O presidente da LPFP, não tem.
    Recorde-se que Hermínio Loureiro alegou, inúmeras vezes, que tinha o objectivo de credibilizar o futebol português. No entanto, deu um tiro no próprio pé ao recusar-se a aceitar a decisão do CJ que é "apenas" o órgão de recurso da CD. Ao pôr em causa a decisão do seu superior hierárquico, o presidente da LPFP acabou por fomentar, ele próprio, a suspeição. Com que intenção o fez? Que motivações o moveu? Era isso que as autoridades deveriam investigar.

    ResponderEliminar
  9. “Embora ambas dubias, não há duvida que a decisão do CD da Liga se aproxima mais da realidade.”

    A lei não pode ser aplicada por "aproximações à realidade". Ou é, ou não é, e neste caso, não era.
    A análise do regulamento permite constatar que a função dos stewards não está contemplada. Trata-se de um erro de omissão que dificilmente teria sido motivo de interesse público, não fosse o caso dos incidentes do túnel da Luz. Ora, não existindo na lei absolutamente nada que identifique os stewards como "agentes desportivos" e muito menos como "intervenientes no jogo", e não sendo moralmente admissível que as agressões passassem impunes, mandavam os mais básicos princípios da justiça que o julgador optasse pela moldura penal de menor gravidade para os arguidos, o que corresponderia, neste caso, à suspensão por 3 ou 4 jogos, equivalente a "agressão a um elemento do público".

    “No limite os seguranças ao exercerem funções, estão mais próximos de agentes do evento que vigiam do que de publico”

    Certo. Mas Hermínio Loureiro demonstra má fé quando coloca a decisão do CJ em causa com base na alegação de que os stewards não são público (uma atitude que só é compreensível pela tentativa de mover a opinião pública a seu favor), pois ele sabe perfeitamente que o CJ , através do seu acórdão, deixou bem explícito que a designação dos stewards como público não é adequada, mas que optou por essa solução por ser aquela que permitia a aplicação de uma pena equilibrada, razoável e de bom senso.

    "os seguranças ao exercerem funções, estão mais próximos de agentes do evento que vigiam do que de publico"

    Pois. Mas, em primeiro lugar, "agentes do evento" é algo que não consta no regulamento. Consta, isso sim, "agentes desportivos", mas na lista de agentes desportivos prevista no regulamento, não existe qualquer referência aos stewards, o que os elimina dessa classe; em segundo lugar, se por um lado é verdade que a função dos stewards os distancia do público, não é menos verdade que os distancia dos "intervenientes no jogo", tal como Ricardo Costa decidiu classificá-los. Ou será que os stewards agora marcam golos e eu não sei?

    ResponderEliminar
  10. “Em 3º, o que o CJ da FPF tem é mais poder”

    Não se trata aqui de "ter mais poder". O CJ é, simplesmente, o órgão de recuso da CD e, como tal, é a este que compete decidir os processos sobre os quais é apresentado um recurso devidamente fundamentado. É o mesmo que um supremo tribunal em relação a um tribunal de primeira instância, por exemplo.

    "Por fim, não deixa de ser estranho que o representante do julgado saiba primeiro das decisões que o presidente da liga."

    Está enganado. Pode parecer estranho para quem não conhece o funcionamento do sistema jurídico, mas não é.
    Num processo jurídico (ou, como neste caso, disciplinar), o maior interessado é o arguido. É este quem tem conhecimento da decisão do órgão de recurso em primeira mão e só depois os demais intervenientes. Ora, atendendo a que Hermínio Loureiro não tinha qualquer intervenção nas funções da CD nem era parte interessada no processo, é perfeitamente natural que a notícia só lhe tenha chegado aos ouvidos depois de ter sido comunicada a Pinto da Costa pelos próprios jogadores (ou seus advogados).

    "Posso chamar-lhe fantoche, afinal não foi nada que tivesse feito, certo?"

    Se você se chamar Hermínio Loureiro, tem o direito de me responder à letra. Se não for o caso, então não lhe reconheço autoridade para me chamar coisa nenhuma, visto que eu a si também não o fiz.

    ResponderEliminar
  11. Concordo em absoluto consigo meu caro "O Porto é o Maior" e gostei da sua forma de apresentar as questões...Se o anónimo é o Hermínio, mais uma vez demonstra a sua cobardia...
    Gostei daquela em que ele dizia "ter um lugar garantido na Política", pois candidatar-se à Câmara de Oliveira de Azeméis era "coisa de somenos"...Pois deve ter, mas quem lhe garante esse tacho?...O FCPorto não é, concerteza, será alguém ligado a um Clube de Lisboa(?), é mais provável...

    ResponderEliminar
  12. "A lei não pode ser aplicada por "aproximações à realidade". Ou é, ou não é, e neste caso, não era."
    Pois, pois, a questão é que acabou por ser aplicada em qualquer dos casos por aproximação, uma vez que ambos os orgão decisores reconheceram a fragilidade das decisões que tomaram, ou seja, reconheceram perfeitamente que podia haver, legitamamente, interpretações diferentes. No seu ego portista a Federação esteve melhor que Liga, eu compreendo, mas daí a classificar essa decisão como certa e a outra como errada, ou vice-versa, é pura demagogia.
    Mas o tempo falará por si, se é verdade o que diz, as indemnizações que o mundo portista vai pedir, irão ser pagas, na óptica de compensar a ausência na liga dos campeões.
    O tempo dirá!
    Na vossa comparação que os motoristas de ambulância e porteiros de hospitais não são agentes de saúde, concordará que de certeza que não são pacientes. Portanto estão mais próximos de agentes da saúde do que de pacientes, a não ser que estejam doentes.
    Como tal resta-me, se quiser ser coerente, lembrar-lhe o uso de um colete da próxima vez que for ver o seu amado FCP.

    "Mas cada crime tem uma punição adequada e proporcional à sua gravidade."

    Essa é para rir. Então e a sabedoria no exercicio do direito que atropela essa regra todos os dias, colocando pessoas na prisão por crimes menos graves do que os praticados por alguns que estão em liberdade? Não me diga que não conhece nenhum caso desses.

    Quanto às alegadas suspeições que você acusa de criar. Parece-me que ele depois do almoço em Matosinhos com o vosso vice-presidente não tinha suspeições, mas certezas.

    Já agora, concorda com o acto do seu vice-presidente?

    ResponderEliminar
  13. O que aconteceu no túnel da Luz não deveria ter sido pura e simplesmente punido à luz dos regulamentos existentes. O que deveria ter acontecido era uma queixa crime por parte dos que se sentiram ofendidos ou agredidos.
    Mas a Liga quis ser mais papista que o Papa e criou uma confusão que só a colocou mal.
    Em vez de se demitir o senhor Hermínio deveria ter pugnado por mudar os regulamentos, mas provavelmente dá muito jeito manter toda esta confusão...E em vez de atender os telefonemas que detesta, faça como eu, desligue-os!
    Mas escutou quem não queria porquê, por respeito, servilismo, ou por má consciência?

    ResponderEliminar