sexta-feira, 30 de julho de 2010

Apito Dourado: paz à sua alma!

Quem se responsabiliza agora por todos os prejuízos causados aos clubes por este processo vergonhoso?

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Bom gosto e inovação

Há cerca de um ano atrás, escrevi aqui um texto onde dei conta do meu desagrado em relação aos equipamentos do FC Porto. Hoje, pelo contrário, quero aqui deixar um apontamento muito positivo sobre os novos equipamentos propostos pela Nike para esta época.
As camisolas são modernas e arrojadas e o facto de serem produzidas com materiais reciclados, mais concretamente com garrafas de plástico, confere-lhes uma nova dimensão: a da responsabilidade ambiental que todos nós devemos enaltecer e fomentar. O lema "Coração com razão" bordado no interior do símbolo do clube é também um elemento enriquecedor que transmite, a todos aqueles que envergam esta nobre camisola, um sentimento de responsabilidade e orgulho.

Roberto - a comédia

No início de cada época, quando os clubes investem largas quantias na contratação de novos jogadores, é natural que os adeptos criem fortes expectativas sobre o valor desses reforços. Tais expectativas são por vezes tão irrealistas e desmesuradas que se transformam rapidamente numa fonte de pressão e desconforto para os jogadores, o que (como se já não bastassem as naturais dificuldades de adaptação iniciais) acabam por constituir uma dificuldade acrescida para quem acaba de ingressar num novo clube. Por esse motivo, não admira que já todos os clubes tenham tido a experiência de contratar jogadores que, não obstante o seu real valor (por vezes demonstrado posteriormente ao serviço de outros clubes), acabam por ser postos de lado logo à partida, simplesmente por não serem capazes de satisfazer de imediato as expectativas que em torno deles são criadas.
Só o tempo dirá se Roberto, o guarda-redes do Benfica recentemente comprado ao Atlético de Madrid, foi ou não uma boa aposta de Jesus, mas a verdade é que arrisca-se a tornar-se, desde já, numa das principais figuras desta época... e não pelos melhores motivos. De facto, o jovem espanhol começa a levar demasiado tempo para demonstrar que constitui um verdadeiro reforço da equipa e a sua ainda curta carreira no futebol português ficou já marcada por dois ou três episódios hilariantes (na gíria futebolística designados por "frangos") que em nada abonam sobre o seu valor. E se isto seria por si só suficiente para abalar as tais expectativas dos adeptos de que falei no início deste texto, pior se torna a situação de Roberto por carregar dois pesados fardos sobre os ombros: o primeiro, pelo facto de estar a substituir Quim, um guarda-redes que, não sendo perfeito, conquistou a simpatia da generalidade dos adeptos benfiquistas; o segundo, pelo facto de ter custado ao clube a módica quantia de 8,5 milhões de euros, uma fortuna se atendermos aos tempos de crise que a economia mundial atravessa.
Todos estes factores somados transformaram Roberto no principal protagonista de uma comédia que vai conhecendo, dia após dia, novos episódios e que está a deixar os dirigentes encarnados à beira de um ataque de nervos. O mais recente (e lamentável) episódio ocorreu quando dois jornalistas e um comentador da SporTV se envolveram numa conversa em "off" nos momentos que antecederem o jogo entre o Benfica e o Sunderland, conversa essa que não era suposto ser ouvida pelo público mas que, vá lá saber-se como, chegou aos ouvidos do presidente do Benfica. Nos minutos que durou a dita conversa, os referidos profissionais da SporTV trocaram várias chalaças sobre o novo guarda-redes do Benfica, fazendo (como não poderia deixar de ser) alusão directa aos frangos pelos quais o mesmo começa a ser conhecido. Para além de Roberto, também o treinador Jorge Jesus foi visado nos trocadilhos, ainda que menos cáusticos neste caso, tal como se pode confirmar a seguir:



Na sequência do sucedido, o Benfica não perdeu tempo a publicar no seu site oficial um comunicado, no qual, em jeito acusatório, critica o comportamento dos profissionais da SporTV e exige ao canal televisivo um pedido formal de desculpas. Ora, é precisamente esse comunicado que merece aqui alguns comentários:

1) Por muito que isso possa incomodar os dirigentes do Benfica, Portugal passou a ser, desde o dia 25 de Abril de 1974, um país democrático onde todos os cidadãos sem excepção (incluindo os jornalistas) são livres de terem a sua opinião pessoal no que se refere aos mais variados temas, incluindo política, religião e desporto.
2) Visto que a conversa foi mantida em "off", a mesma assume um carácter privado, não podendo ser encarada como atentatória dos princípios de isenção e idoneidade jornalística exigíveis aos profissionais da comunicação social na prática da actividade jornalística. Pelo mesmo motivo, a SporTV não poderá também ser responsabilizada pelo conteúdo das conversas que os seus profissionais mantêm em privado, incluindo aquelas que possam ocorrer (como foi o caso) em ambiente profissional. Nesse sentido, respondeu muitíssimo bem o canal de Joaquim Oliveira, lamentando o sucedido mas não assumindo a responsabilidade pelo mesmo.
3) A imputação das responsabilidades à SporTV e a exigência de um pedido formal de desculpas soa assim como uma patética chantagem psicológica com o objectivo de subalternizar o canal televisivo aos interesses do clube, bem como uma tentativa desesperada de silenciar todos aqueles que criticam a sua política de contratações.
4) A haver um verdadeiro culpado pelo clima de maledicência que se instalou em torno do clube da Luz, esse é, sem dúvida, o seu presidente, por ser o principal responsável na contratação de Roberto. Vistas as coisas por este prisma, deveria ser Filipe Vieira o primeiro a pedir desculpas ao Benfica.
5) Será que todos nós devemos um pedido de desculpas ao Benfica por fazermos humor em torno dos "frangos" de Roberto?
6) Será que alguma vez o Benfica pedirá desculpa pelas chalaças que os seus próprios adeptos fazem sobre as contratações falhadas e as fífias dos guarda-redes dos outros clubes?
7) Se os dirigentes benfiquistas se preocupam verdadeiramente com a isenção e a idoneidade jornalística, é de todo conveniente que não percam tanto tempo com as opiniões privadas dos jornalistas, mas antes com as posições frontalmente assumidas por um determinado sector da comunicação social claramente identificado com a cor encarnada, essas sim atentatórias dos mais básicos princípios do jornalismo. Por exemplo, o facto de uma determinada jornalista, bem conhecida pelo benfiquismo primário que transparece em tudo o que escreve, ter acumulado funções de funcionária do clube da Luz e de comentadora num jornal desportivo (também ele conotado com o Benfica), não constituirá maior motivo de preocupação e de indignação do que uma simples conversa em "off"?
8) Não fica bem a um clube publicar um comunicado que começa por afirmar que "Fomos surpreendidos, durante a manhã desta quarta-feira, com comentários depreciativos..." e logo a seguir acrescentar que "É uma situação que se lamenta mas que não surpreende." Transmite um certo... amadorismo.

Finalmente, Walter

A contratação do avançado brasileiro Walter transformou-se, ao longo das últimas semanas, numa daquelas telenovelas mexicanas dobradas em português do Brasil cujo enredo se vai penosamente arrastando numa infindável sucessão de avanços e recuos. Ninguém duvidava que o desfecho desta história fosse, obviamente, o da assinatura do contrato com o FC Porto (tal como veio efectivamente a acontecer), mas, uma vez que o jogador já se encontrava na Invicta há mais de dez dias, seria de esperar que o acordo entre as partes tivesse sido atingido há muito mais tempo.
Sabendo que está para breve o primeiro jogo oficial da nova época, não se entende que o clube tenha permitido que o avançado se tenha mantido tanto tempo sem jogar, prejudicando assim a sua integração na equipa que necessita urgentemente de um companheiro para Falcao no sector atacante. Se juntarmos este caso ao de Kléber, que se presta também a transformar-se num infindável imbróglio jurídico, começam a ser novelas a mais para um clube que sempre nos habituou a uma organização exemplar, uma gestão irrepreensível e uma capacidade negocial notável. Será esta época uma excepção à regra ou os tempos mudaram lá para as bandas do Dragão?

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Dino Supremo

Portugal não saiu da África do Sul de mãos a abanar. Ganhamos a Taça? Claro que não. O Cristiano Ronaldo ganhou o prémio de melhor jogador? Nem por sombras. O Hugo Almeida ou o Liedson ganharam o prémio de melhores marcadores? Longe disso. O Eduardo foi eleito o melhor guarda-redes? Nem isso, sequer. Mas foi um português que foi considerado o FIFA's World Cup 2010 Best Supporter numa votação realizada no FIFA.com. É esta a nossa sina: não ganhamos nada, mas somos vistos como... os maiores cromos.

Alguma vez será a nossa vez?

Há poucos anos atrás, a selecção espanhola estava muito longe do actual patamar de excelência que conseguiu conquistar com inteiro mérito. Os espanhóis viviam mesmo uma enorme frustração por não conseguirem ver a sua selecção chegar a uma final europeia, de tal forma que havia mesmo, no país vizinho, quem defendesse a ideia de que existia uma maldição dos quartos-de-final, já que nunca conseguiam ultrapassar essa eliminatória em nenhuma das competições em que participassem, fosse no Campeonato Europeu, fosse no Campeonato do Mundo. A verdade é que, em poucos anos, a selecção espanhola sofreu uma reviravolta gigantesca e os frutos do seu trabalho estão à vista de todos.
Não é preciso ser grande conhecedor do futebol espanhol para perceber que o sucesso da selecção vizinha não é alheio ao facto da equipa nacional apresentar a espinha dorsal do FC Barcelona. De facto, dos vinte e três jogadores seleccionados por Vicente del Bosque, sete jogam no clube catalão: Gerard Piqué, Carles Puyol, Andrés Iniesta, Xavi Hernández, Víctor Valdés, Sergio Busquets e Pedro. Nesta perspectiva, nenhum de nós, portugueses, deixará de se sentir também frustrado ao perceber que Portugal desperdiçou uma oportunidade soberana (talvez única) de atingir finalmente o nível mais elevado do futebol europeu ao perder com a Grécia naquela triste final do Campeonato Europeu de 2004, realizado no nosso próprio país. Um campeonato no qual, por motivos que ainda escapam à compreensão de qualquer mortal, se desaproveitou a espinha dorsal de um clube que tinha sido "apenas" campeão europeu.
O principal adversário de Portugal sempre foi, é e será, a sua própria mesquinhez, e enquanto não se mudarem as mentalidades, enquanto os interesses do próprio país estiverem dependentes dos joguinhos de bastidores e das influências mesquinhas de lobbies que se movem nos meandros dos centros de decisão, dificilmente poderemos almejar outro destino que não seja o da mediocridade. Eu acredito que Carlos Queiroz é o homem certo para proceder a essa mudança e, como tal, continuarei a apoia-lo e a depositar nele a minha confiança. Resta saber se lhe darão tempo, apoio e tranquilidade para que possa pôr em prática as suas ideias.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Stewards (só agora!) passaram a agentes desportivos

A Liga de clubes aprovou nesta quarta-feira em Assembleia Geral várias alterações aos regulamentos e acordou a definição dos stewards como agentes desportivos. Sobre este assunto, aqui ficam alguns comentários:


1) O facto de só agora a LPFP ter alterado os regulamentos no sentido de clarificar o estatuto dos stewards vem dar razão ao FC Porto na posição que sempre assumiu relativamente a esta questão. Na verdade, até uma criança compreende que, se os regulamentos fossem, anteriormente, claros quanto à classificação dos assistentes de recinto desportivo como agentes desportivos, não seria necessário vir agora a Liga alterar absolutamente nada.

2) Esta alteração de regulamentos é um reconhecimento implícito de que Ricardo Costa aplicou os castigos a Hulk e Sapunaru com base numa interpretação viciada pois, na altura em que a decisão foi tomada, não existia nada que suportasse juridicamente a ideia de que os stewards deveriam ser considerados agentes desportivos.

3) Tal como defende num comunicado publicado no seu site oficial, o FC Porto foi quem manteve maior coerência no seu discurso ao longo de todo este processo. O clube azul e branco nunca alegou que os seus jogadores não deveriam ser punidos, mas sim que a aplicação dos castigos deveria ser feita em função daquilo que está escrito, preto no branco, nos regulamentos e não nas deambulações filosóficas do presidente da CD que se julga no direito de interpretar as leis a seu bel-prazer e de inventar critérios sabe-se lá com que intencionalidade.

4) Se por um lado é verdade que é desajustado considerar os stewards como "público", não será menos verdade que considerá-los "intervenientes no jogo" roça o ridículo (tal como fez Ricardo Costa para justificar a sua opção de aplicar castigos absurdos aos jogadores portistas). Como tal, perante a ambiguidade dos regulamentos e na falta de um estatuto bem definido sobre o papel dos assistentes de recinto desportivo, mandava o bom-senso e os mais básicos princípios da justiça que a CD arquivasse o processo, deixando que o caso seguisse o seu curso normal na justiça civil.

5) Ninguém tem dúvidas nesta altura que a suspensão de Hulk e Sapunaru, aliada à suspensão de Vandinho, constituiu uma vergonhosa e despudorada manobra de manipulação da verdade desportiva e de ingerência no livre desenrolar do campeonato por parte de Ricardo Costa que teve assim influência directa na competição, retirando-lhe credibilidade.