segunda-feira, 12 de julho de 2010

Alguma vez será a nossa vez?

Há poucos anos atrás, a selecção espanhola estava muito longe do actual patamar de excelência que conseguiu conquistar com inteiro mérito. Os espanhóis viviam mesmo uma enorme frustração por não conseguirem ver a sua selecção chegar a uma final europeia, de tal forma que havia mesmo, no país vizinho, quem defendesse a ideia de que existia uma maldição dos quartos-de-final, já que nunca conseguiam ultrapassar essa eliminatória em nenhuma das competições em que participassem, fosse no Campeonato Europeu, fosse no Campeonato do Mundo. A verdade é que, em poucos anos, a selecção espanhola sofreu uma reviravolta gigantesca e os frutos do seu trabalho estão à vista de todos.
Não é preciso ser grande conhecedor do futebol espanhol para perceber que o sucesso da selecção vizinha não é alheio ao facto da equipa nacional apresentar a espinha dorsal do FC Barcelona. De facto, dos vinte e três jogadores seleccionados por Vicente del Bosque, sete jogam no clube catalão: Gerard Piqué, Carles Puyol, Andrés Iniesta, Xavi Hernández, Víctor Valdés, Sergio Busquets e Pedro. Nesta perspectiva, nenhum de nós, portugueses, deixará de se sentir também frustrado ao perceber que Portugal desperdiçou uma oportunidade soberana (talvez única) de atingir finalmente o nível mais elevado do futebol europeu ao perder com a Grécia naquela triste final do Campeonato Europeu de 2004, realizado no nosso próprio país. Um campeonato no qual, por motivos que ainda escapam à compreensão de qualquer mortal, se desaproveitou a espinha dorsal de um clube que tinha sido "apenas" campeão europeu.
O principal adversário de Portugal sempre foi, é e será, a sua própria mesquinhez, e enquanto não se mudarem as mentalidades, enquanto os interesses do próprio país estiverem dependentes dos joguinhos de bastidores e das influências mesquinhas de lobbies que se movem nos meandros dos centros de decisão, dificilmente poderemos almejar outro destino que não seja o da mediocridade. Eu acredito que Carlos Queiroz é o homem certo para proceder a essa mudança e, como tal, continuarei a apoia-lo e a depositar nele a minha confiança. Resta saber se lhe darão tempo, apoio e tranquilidade para que possa pôr em prática as suas ideias.

4 comentários:

  1. como dizia o outro:
    É já a seguir!!!

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  2. ..."Eu acredito que Carlos Queiroz é o homem certo para proceder a essa mudança e, como tal, continuarei a apoia-lo e a depositar nele a minha confiança"...

    Mas convenhamos que meteu água nas substituições e metodologia de jogo a que procedeu na equipa das quinas durante qualificação e agora já na África do Sul. Além disso o discurso, que emprega, não me parece o discurso ambicioso de há anos atrás quando levou os "miúdos" a serem campeões.

    Estes de agora são "galos" com esporas e há que ter pulso para os segurar.
    Hummmm! Não me parece que vá longe (só no ordenado é que vai à frente). Vamos esperar pelo Europeu.
    Oxalá me engane mas a ladaínha vai continuar a ser a mesma um empate (mesmo com os outros em cadeiras de rodas) com uma equipa de menor valia vai ser um brilharete!

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  3. O trabalho do seleccionador será sempre alvo de contestação, independentemente daquilo que ele possa fazer, para bem ou para mal. Repare, por exemplo, no que aconteceu quando Carlos Queiroz tornou pública a lista de jogadores seleccionados para o Mundial. O facto de Quim não constar na lista gerou uma onda de contestação, principalmente da parte dos adeptos do Benfica que viram nisso uma afronta ao clube da Luz. A verdade é que, depois das excelentes exibições do guarda-redes do Braga a que assistimos, não existe ninguém que possa pôr em causa a ida de Eduardo à África do Sul em detrimento de Quim. Onde estão agora os contestatários? Calaram-se, obviamente.
    Da mesma forma, no que se refere às substituições, é óbvio que nem sempre poderemos estar de acordo com elas, mas parece-me que esse argumento serve muitas vezes de falso pretexto para criticar o seleccionador. Por exemplo, no jogo com a Espanha ninguém concordou com a saída de Hugo Almeida, mas a verdade é que Portugal não passou a jogar com 10 jogadores a partir desse momento. Danny havia dado bons sinais nos jogos de preparação, de tal forma que muitos jornalistas defenderam a ideia de que a posição de extremo esquerdo deveria ser dele, em detrimento de Simão Sabrosa. Se Danny tivesse marcado dois golos e eliminássemos a Espanha, Queiroz seria bestial, mas como o jogador não fez mais do que todos os seus companheiros haviam feito até ali (ou seja, nada!) o Queiroz é uma besta. Pois eu pergunto: e quem é que nos garante que Hugo Almeida teria feito alguma coisa se não tivesse sido substituído, quando na verdade não fez nada enquanto esteve em campo? Pelo menos Queiroz tentou alterar alguma coisa, coisa que muitos outros que tanto criticam as suas decisões provavelmente não teriam coragem de fazer.

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  4. Os problemas da selecção devem passar por uma análise mais ampla e não por questões de pormenor. Relembre-se do que disse Maradona quando um jornalista lhe perguntou o que teria feito se estivesse no lugar de Queiroz quando Cristiano Ronaldo lhe disse "assim não ganhamos". O seleccionador argentino respondeu que chamava o David Coperfield para fazer um truque de magia e explicou: o Cristiano Ronaldo é um dos melhores jogadores do mundo e tem a obrigação de criar, dentro do campo, soluções para o jogo da equipa. Se ele, que está dentro do campo, não consegue fazê-lo, o que poderá fazer o seleccionador sentado no banco?
    Mesmo tendo em consideração que as palavras de Maradona podem traduzir alguma solidariedade para com o papel do seleccionador nacional, não podemos deixar de lhe reconhecer alguma razão. Portugal tem alguns dos melhores jogadores do mundo, que jogam nos melhores clubes e nos melhores campeonatos. São jogadores que possuem uma enorme experiência de futebol jogado ao mais alto nível nos grandes palcos europeus. E no entanto, quando se juntam numa equipa, estes mesmo jogadores não conseguem fazer absolutamente nada. Não me tentem convencer de que a culpa é do seleccionador nacional.
    Durante uma década, tivemos uma "geração de ouro" de quem se esperava muito. A verdade é que os anos foram passando e jogadores como Figo, Rui Costa e companhia acabaram as suas brilhantes carreiras sem terem produzido nada ao nível da selecção. A montanha pariu um rato. Cristiano Ronaldo, Deco, Ricardo Carvalho e muitos outros seguirão pelo mesmo caminho e, de rato em rato, iremos andando sem chegar ao cume da montanha.
    Alguma coisa errada existe com a estrutura da selecção nacional, com a sua filosofia, com a mentalidade instituída, e de nada vale andarmos constantemente a mudar de seleccionador porque já está comprovado, por factos, que não é esse o caminho certo.

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