terça-feira, 17 de agosto de 2010

O Tribunal do Paraty

O Tribunal do Jogo é uma rúbrica do jornal O Jogo na qual três ex-árbitros fazem a análise das arbitragens dos principais jogos de cada jornada. O actual painel é constituído por Jorge Coroado, Pedro Henriques e Paulo Paraty.
Os elementos do painel entram muitas vezes em discordância devido às diferentes interpretações que fazem dos lances, algo que, em certa medida, pode ser considerado normal, principalmente quando estamos na presença de casos de arbitragem duvidosos ou de difícil análise através dos meios audio-visuais disponíveis. No entanto, para quem acompanha assiduamente o Tribunal do Jogo, não é difícil aperceber-se da tendência sistemática de alguns dos elementos do painel para proteger determinados clubes, nalguns casos manifestada de forma flagrante, o que não pode ser encarado como normal nem aceitável numa rúbrica desta natureza. 

Um dos exemplos mais evidentes de falta de rigor e de isenção verificou-se exactamente esta semana e foi protagonizado por Paulo Paraty. No dia 7 de Agosto, a respeito do jogo da Supertaça disputada entre o FC Porto e o SL Benfica, o ex-árbitro já havia denotado falta de bom-senso quando procurou branquear a arbitragem de João Ferreira comparando-a (pasme-se!) com uma arbitragem "à inglesa":

«O árbitro fez bem a gestão do jogo. Demonstrou domínio, controlo e capacidade de liderança suficiente para que o jogo chegasse ao fim com equipas completas. Para quem gosta de arbitragens à inglesa, João Ferreira esteve bem.»

Ora, quem acompanha o futebol inglês sabe que as arbitragens caracterizam-se, de facto, por um critério largo, permitindo o contacto corpo a corpo mas nunca ultrapassando os limites da dureza e muito menos da violência. Como tal, pretender comparar a complacência demonstrada por João Ferreira para com as entradas violentas e agressões protagonizadas pelos jogadores do SL Benfica com uma arbitragem "à inglesa" só pode ser uma piada de muito mau gosto.
Como se isto não bastasse, Paulo Paraty chegou mesmo ao cúmulo de tentar justificar o patético critério disciplinar de João Ferreira com argumentos que roçam o ridículo. Leia-se, por exemplo, o que escreveu sobre o lance em que Aimar atingiu Belluschi com o pé em riste:

«Aimar tinha acabado de ver um cartão amarelo, por isso aceito a decisão do árbitro; teve e tinha de aguardar algumas faltas.»

Repare-se que Paulo Paraty não nega que o lance justificava a amostragem do 2º cartão amarelo e consequente expulsão de Aimar. Ele limita-se a defender a ideia de que o árbitro não deveria mostrar o segundo amarelo pelo simples facto do jogador ter visto um cartão amarelo poucos minutos antes. Ora, se esta ideia já parece descabida à partida por falta de fundamento técnico que a suporte, mais ridícula se torna quando comparada à opinião manifestada a 15 de Agosto a respeito da expulsão do jogador da Académica, Addy, no Estádio da Luz:

«Addy tinha acabado de ver cartão amarelo e comete uma falta que, pela sua imprudência, justifica a acção disciplinar. Muito bem o assistente ao chamar a atenção do árbitro.»

Então, onde está a tal "gestão do jogo" que o árbitro deve fazer??? Onde estão as tais "faltas que o árbitro deve aguardar" antes de mostrar o 2º cartão amarelo??? Agora já não há problema em expulsar um jogador com dois cartões amarelos mostrados no espaço de apenas um minuto??? O Addy foi imprudente e o Aimar não foi???

Como facilmente se constata, os critérios do sr. Paulo Paraty mudaram de forma radical no espaço de apenas uma semana em função da cor das camisolas dos jogadores envolvidos. Com esta atitude, reveladora de uma flagrante falta de isenção, o ex-árbitro descredibiliza-se a si próprio, mas, pior do que isso, desprestigia o próprio jornal que publica as suas opiniões, algo que deveria motivar a preocupação da sua Direcção.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Laurentino Dias: qual é a verdade desportiva que pretende?

Laurentino Dias veio a público esta semana afirmar que espera que o novo campeonato seja um exemplo de desportivismo e de verdade desportiva. Existe nas suas palavras um reconhecimento implícito de que as coisas não estão bem no futebol português, pois, se a verdade desportiva fosse um dado adquirido, a mesma seria assumida por todos com naturalidade, não sendo necessário vir o Secretário de Estado do Desporto falar agora no assunto. No entanto, Laurentino Dias e seus pares têm finalmente de compreender que não é com meros processos de intenção que o futebol português irá melhorar, mas sim com uma acção firme, justa, isenta e idónea das autoridades.
Eu costumo dizer (em jeito de brincadeira mas muito a sério) que em Portugal os assaltantes de bancos não necessitam de usar capuzes, passa-montanhas ou meias de lycra enfiadas na cabeça para esconder a sua identidade. Basta-lhes vestir uma camisola do Benfica para que, imediatamente, beneficiem da passividade das autoridades, tal é o clima de impunidade que se verifica no nosso país em torno de tudo o que envolva interesses do clube da Luz.
Depois de tudo o que se assistiu ao longo da época passada, marcada por uma sucessão de decisões da Comissão Disciplinar que interferiram directamente com o livre desenrolar do campeonato, a arbitragem de João Ferreira na Supertaça vem suscitar novos e legítimos receios para o campeonato que agora se inicia, constituindo mais um exemplo flagrante do nível chocante de corrupção que o nosso país atingiu, quer pela actuação facciosa do juiz no decorrer da partida, quer pela inoperância da FPF perante a agressão do árbitro a um jogador, quer ainda pelo branqueamento obsceno de que beneficiou por parte da comunicação social lisboeta.
O Youtube não serve apenas para publicar as escutas telefónicas que interessam ao lobby lisboeta. Também permite divulgar resumos de imagens como este, que denunciam o que se passa realmente no futebol português. 
Dr. Laurentino Dias, as imagens falam por si e só não as vê quem não quer. Depois não diga que não estava avisado.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O senhor oficial do exército vermelho

Todos nós que acompanhamos o desporto e, em particular, o futebol, já vimos jogadores serem expulsos pelos mais variados motivos. Ao ver as imagens do árbitro João Ferreira a apertar a cara de Álvaro Pereira com a mão, pergunto-me quantos jogadores não terão já sido expulsos por muito menos.
Como é possível que esta situação passe completamente impune aos olhos das entidades que regem o futebol em Portugal? Que autoridade terá este senhor para impor a disciplina dentro dos campos se é ele próprio quem dá mostras de não saber controlar-se? Que tipo de comunicação social temos nós em Portugal, que branqueia um acto destes?

João Ferreira: a face visível do Apito Encarnado

A justíssima e indiscutível vitória do FC Porto sobre o Benfica em Aveiro representa muito mais do que a simples conquista de um troféu. Foi, acima de tudo, uma vitória da humildade sobre a soberba, do profissionalismo sobre a máfia, do desporto sobre a violência gratuita.
Quando o presidente do SLB foi apanhado nas escutas telefónicas conexas ao processo Apito Dourado a encomendar o árbitro para um jogo das meias-finais da Taça de Portugal e, do extenso menu de árbitros que lhe foi disponibilizado pelo Major Valentim Loureiro, se decidiu convictamente pelo nome de João Ferreira, todos percebemos que alguma motivação existiria por detrás dessa escolha. No passado sábado, a arbitragem de João Ferreira na Supertaça deixou bem evidentes aos olhos do público os motivos de tão elevada estima e consideração por parte do dirigente benfiquista. Tivesse o Ministério Público a decência de mandar investigar as ligações entre o clube da Luz e o árbitro de Setúbal e, provavelmente, este seria agora bem mais comedido na forma como transparece o seu proteccionismo aos jogadores encarnados. O Ministério Público não o fez, por motivos que a razão desconhece, e as consequências estão à vista, reflectidas em mais uma escandalosa arbitragem que seria motivo de acção por parte das autoridades de qualquer país civilizado mas que, pela acção branqueadora da corrupta comunicação social lisboeta, vendida aos interesses da capital, não terá quaisquer repercussões em Portugal.
O país assistiu a uma partida que tinha todos os condimentos para ser um grande hino ao futebol, mas que rapidamente se transformou num triste e lamentável espectáculo de pancadaria graças à complacência de um árbitro que, não só pactuou com a violência, como contribuiu para ela. Ninguém acredita que, se as entradas violentas e as agressões a que se assistiu tivessem os protagonistas invertidos, João Ferreira adoptaria a postura conivente que evidenciou para com os jogadores encarnados. Da mesma forma, também ninguém acredita que, se fosse a um jogador encarnado que João Ferreira tivesse apertado a cara, a imprensa lisboeta assobiaria para o ar como agora faz. Mas, estando em causa os interesses do principal clube de Lisboa, basta passar os olhos pelas páginas dos principais jornais desportivos da capital para se ficar com a ideia de que nada de grave se passou. Nem o Omo lavaria mais branco...
Apenas uma das equipas pretendeu jogar futebol e ganhar o jogo: a do FC Porto. Contrariando as expectativas de todos aqueles que já prognosticavam a goleada, convencidos de que a tão propalada supremacia encarnada iria fazer mais uma vítima, o FC Porto apresentou-se superior ao longo de praticamente toda a partida. Com um futebol rápido jogado pelas alas, fazendo uso da velocidade de Hulk e da técnica excepcional de Varela, foram os azuis e brancos que impuseram o seu domínio no jogo, reflectido nas estatísticas pelo maior número de remates e de ataques com perigo para a baliza adversária. O resultado de 2-0 é escasso para exprimir tão óbvia superioridade azul e branca, e só não se registaram outros números bem mais expressivos porque o árbitro insistiu em manter o equilíbrio no jogo, fazendo vista grossa a vários lances em que os jogadores encarnados deveriam ter ido tomar banho mais cedo.
Do outro lado... bem, do outro lado esteve um conjunto de jogadores a que só por mero formalismo se deverá chamar equipa, sem fio de jogo, sem ritmo competitivo, sem ideias nem tácticas definidas, uma espécie de "tudo ao molho e fé em Deus", ou melhor dizendo, fé na capacidade desequilibradora de alguns jogadores realmente acima da média como Fábio Coentrão (quanto mais não seja pela sua capacidade de arrancar penalties ao mais ligeiro toque graças a formosos mergulhos para a piscina). A sobranceria de quem pensava que este jogo seriam "favas contadas" e a frustração de se verem manietados pela superioridade do adversário reflectiram-se rapidamente numa sucessão de entradas violentas e agressões que justificariam a amostragem de cartões vermelhos a 4 (QUATRO!) jogadores encarnados. A este respeito, deixo aqui a opinião do antigo árbitro Jorge Coroado, para que não se pense que a minha leitura dos lances é apenas fruto de paixões clubísticas:

«César Peixoto foi objectivo e deliberado na conduta violenta protagonizada sobre Varela não uma, mas sim duas vezes. Impunha-se livre directo e a exibição do cartão vermelho. As regras são claras.»
«Cardozo, com o cotovelo esquerdo, atingiu Sapunaru no rosto. A forma como o fez terá induzido o árbitro para uma situação casual, mas justificava livre directo e cartão vermelho
«David Luiz foi claramente determinado no modo como pisou a perna de Sapunaru. A exibição do cartão amarelo foi pouco e tratou-se de cortesia do árbitro
«A entrada de Carlos Martins foi semelhante à de César Peixoto sobre Varela, logo, devidamente enquadrada, deveria ser punida com cartão vermelho directo
Veremos se as "cortesias dos árbitros" a que se refere Jorge Coroado não se irão estender ao campeonato que se avizinha, mas a impunidade e o branqueamento de que beneficiou a arbitragem de João Ferreira causa muita apreensão e o receio de que a verdade desportiva seja uma vez mais defraudada numa reedição do Campeonato dos Túneis.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Boa sorte e obrigado, Bruno

Já era do conhecimento geral que Bruno Alves pretendia sair do FC Porto. Consciente da importância do capitão portista no plantel azul e branco, Pinto da Costa foi protelando a inevitável saída, mas a pressão exercida, principalmente pelo pai do jogador, junto dos dirigentes do clube estava a tornar-se incómoda, para não dizer mesmo insuportável. Hoje, a SAD azul e branca comunicou oficialmente a transferência de Bruno Alves para o Zenit St. Petersburg por 22 milhões de euros.
É compreensível que os jogadores (como quaisquer outros profissionais) desejem subir na carreira e obter contratos de elevado valor, no sentido de garantir o seu futuro económico, mas quando um jogador aceita transferir-se para um clube de dimensão e projecção internacional inferiores, tendo apenas como base da sua decisão o aumento dos salários, é legítimo duvidar se não estará a mudar de cavalo para burro. Ainda assim, por tudo o que fez pela equipa, aqui ficam o meus sinceros desejos de felicidades e o meu agradecimento a Bruno Alves.
Para os cofres do FC Porto, os 22 milhões de euros envolvidos constituem, a meu ver, um bom negócio. No entanto, tal como já referi aqui nas minhas análises à pré-época, torna-se agora imperioso encontrar um central de qualidade e experiência comprovadas, sob pena de deixar a defesa extremamente fragilizada.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Terceira análise da pré-época: o treinador

Sinceramente, não me agradaram absolutamente nada as declarações de Villas-Boas no final dos jogos de Paris. Não sou daqueles que acha que existem assuntos "tabu" no futebol e aceito que um treinador refira todos os aspectos que considera importantes, mas não concordo que determinados argumentos sirvam de pretexto para deixar de falar naquilo que é verdadeiramente importante.
Todos nós vimos que o árbitro foi demasiado... francês. Pactuou com o jogo viril dos jogadores do Bordéus evitando agir disciplinarmente, assinalou faltas e faltinhas ao FC Porto em tudo quanto era lance dividido e, por fim, validou o golo do empate dos franceses fazendo vista grossa a uma falta evidente de Ciani que, descaradamente, foi empurrando tudo o que lhe apareceu à frente, incluindo Sapunaru (No outro jogo realizado neste Domingo, também os italianos da Roma manifestaram a sua revolta com o árbitro que permitiu o golo do empate do PSG sete minutos depois do tempo regulamentar, golo esse que valeria a conquista do torneio para a equipa de Bordéus. Nada que não se esperasse...). No entanto, justificar as derrotas e as más exibições com o árbitro, o estado da relva e o calor, soa a desculpa esfarrapada. Interessa agora reflectir sobre o que está mal na equipa e corrigir os erros e é apenas nisso que se exige que Villas-Boas se concentre nesta altura.
Por outro lado, tal como já afirmei aqui antes, não tenho a intenção de fazer (nem concordo que se façam) quaisquer comparações entre Villas-Boas e Mourinho. Quero, no entanto, recordar a todos aqueles que, precipitadamente, já se prestam a exigir a saída do treinador portista devido aos maus resultados da pré-época, que o Special One foi demitido do Benfica ao fim de cerca de três meses por ter sido considerado incompetente, tendo mais tarde ingressado no FC Porto onde conquistou nada mais nada menos do que a Taça UEFA e a Liga dos Campeões. Isto significa que, independentemente de termos o direito de exigir o máximo do nosso treinador e jogadores, é necessário termos a consciência de que para tudo é preciso tempo e ninguém consegue construir uma casa em poucos dias. Por favor, não queiramos implementar no FC Porto a mesma filosofia dos nossos rivais que, motivados pelo desespero de querer ganhar a qualquer custo e pela impaciência de quem já não consegue encarar o futebol como um desporto, vão dando sucessivos tiros no pé, destruindo aquilo que de bom se procura construir.
No próximo sábado teremos o primeiro grande teste à equipa de Villas-Boas. Saibamos apoiar o FC Porto como sempre fazemos e acreditar no valor e competência dos nossos profissionais. No final tiraremos as devidas ilações.

Segunda análise da pré-época - os reforços

Eu arriscar-me-ia a afirmar que o maior reforço do FC Porto para a nova época é... Varela. Sim, eu sei que Varela já fazia parte do plantel na época passada, mas, como se recordam, esteve lesionado durante grande parte da temporada e a sua falta fez-se notar seriamente. O seu regresso à equipa é pois de saudar, pela qualidade que possui e pela importância que assume no sector atacante. No torneio de Paris, protagonizou uma boa exibição e demonstrou que continua a merecer, indiscutivelmente, a titularidade.

Ukra é já nosso conhecido. É um jogador "à Porto", jovem, irreverente, lutador e possuidor de uma boa técnica. Deposito nele fortes expectativas e antevejo um futuro promissor.

Na mesma linha de Ukra está Castro, um jovem em quem o FC Porto parece querer apostar fortemente. Quando se pensava que iria ser novamente emprestado, eis que Villas-Boas o integra no plantel e coloca a jogar no torneio de Paris, tendo rubricado boas exibições. Conhecido pelo seu espírito lutador e capacidade de entrega, conquistou a simpatia dos adeptos ao demonstrar o seu orgulho quando envergou a braçadeira de capitão. Mas só isso não chega...

James Rodriguez é um jogador muito jovem que dizem ser um fenómeno. O pouco que vi dele até agora não me permite retirar ilações, portanto, prefiro aguardar por novos dados antes de tecer qualquer comentário.

Walter esteve no Porto durante vários dias antes de, finalmente, ter assinado contrato. Esse período de espera atrasou a sua integração na equipa, pelo que se admite que os jogos que realizou em Paris não tenham sido representativos do seu real valor. Marcou um bom golo frente ao Bordéus aparecendo de rompante na zona do ponta-de-lança para rematar de primeira. Deixou a imagem de um jogador fisicamente muito forte, lutador e empenhado, que não desiste de nenhuma bola. Diz-se que tem alguma fragilidade mental devido a problemas familiares, mas esperemos que encontre a paz e a estabilidade necessárias para que os mesmos não afectem o seu rendimento.

Sereno cometeu erros suficientes para deixar muitas dúvidas no espírito dos adeptos. Foi responsável pelo segundo golo do Bordéus ao tentar fintar o adversário numa zona proibida e demonstrou muitas dificuldades no jogo aéreo. Não me parece que seja o central que o Porto necessita para suprir uma eventual saída de Bruno Alves.

Souza deixou bons sinais na generalidade dos jogos em que participou, mas também cometeu alguns erros que não abonam muito em seu favor. Veremos do que será capaz.

Propositadamente, deixei João Moutinho para o fim. O ex-capitão do Sporting protagonizou a mais cara e polémica transferência do futebol português ao deixar Alvalade para rumar ao Dragão. Apesar do negócio ter sido do interesse de ambas as partes, não caiu bem aos adeptos leoninos que, em parte influenciados pelas lamentáveis declarações do seu presidente, quiseram transformar o jogador no único culpado de um divórcio que se arrastava à muito tempo.
João Moutinho é um jogador acima da média em quem Pinto da Costa confia e acredita. Obviamente, também os adeptos portistas acreditam que será uma mais-valia para a equipa, capaz de contribuir para a reconquista do campeonato nacional. Valor não lhe falta, veremos se se adapta bem à nova realidade.

Primeira análise da pré-época - sistemas tácticos

O futebol praticado pela equipa portista nesta pré-época tem-se caracterizado por uma mediania confrangedora e se nos primeiros jogos essa realidade era justificada (com toda a legitimidade) pela entrada de muitas caras novas na equipa e disfarçada pelos resultados (duas vitórias sobre o Ajax e Sampdória são sempre resultados positivos, mesmo que pela margem mínima), a desastrosa participação no torneio de Paris, que se saldou em duas derrotas noutros tantos jogos, veio pôr a nu fragilidades preocupantes.

Por aquilo que me foi dado a perceber nos jogos a que assisti, Villas-Boas está a implementar na equipa dois sistemas tácticos com características claramente distintas. O primeiro sistema assenta num 4-3-3 clássico, com o meio-campo a ser formado por três jogadores criativos (João Moutinho, Rúben Micael, Souza ou Belluschi), Falcao no centro do ataque e dois extremos de raiz (Varela, Cristian Rodriguez ou Ukra) bem abertos sobre as alas. Este sistema será, talvez, aquele que mais se irá utilizar no decorrer do campeonato, mas denuncia uma lacuna óbvia do plantel que o próprio treinador já referiu: com a saída de Farias, o FC Porto não tem, neste momento, nenhum avançado com características de ponta-de-lança que seja alternativa a Falcao. Ora, visto que o colombiano parece não ter regressado completamente de férias (pelo menos no que concerne à parte mental), esta deficiência da equipa tornou-se ainda mais evidente em Paris, traduzindo-se num paupérrimo aproveitamento das oportunidades de golo.
O segundo sistema assenta num 4-3-3 em losango, com um trinco (Fernando ou Castro) a fechar o sector defensivo, dois médios de carácter defensivo no meio-campo e três avançados com velocidade e poder explosivo (Hulk, James Rodriguez e Walter) para aproveitarem os passes em profundidade. Esta táctica exige um entrosamento entre os jogadores muito grande pois, no momento em que os passes são efectuados, os avançados já têm de estar em movimento. Ora, visto que a equipa ainda se encontra em fase de construção, muitas jogadas acabam perdidas com a bola a sair directamente pela linha de fundo ou nas mãos do guarda-redes adversário. Parece-me pois que será necessário aguardar algum tempo até que a equipa adquira o entrosamento e os automatismos necessários para tirar partido deste sistema. O problema é que a época começa oficialmente em menos de uma semana...

Além das dificuldades inerentes à implementação destes sistemas, os jogos de Paris fizeram transparecer óbvios problemas ao nível da defesa, fundamentalmente nas jogadas de bola parada nas quais o FC Porto é extremamente permeável. Neste aspecto salta à vista a falta que Bruno Alves faz à equipa pois, ainda que tendo em consideração a qualidade revelada por Maicon, é notória a fragilidade dos centrais portistas nos lances aéreos. Também Sapunaru continua a revelar imaturidade e falta de qualidade, nunca conseguindo mostrar-se como um substituto à altura de Fucile, constituindo assim a posição de defesa esquerdo mais uma das grandes lacunas do plantel. Estas fragilidades defensivas vêm tornar ainda mais revoltante a situação de indefinição em que se encontram alguns jogadores, designadamente Bruno Alves, Fucile e Raúl Meireles, sobre quem se diz existirem propostas do estrangeiro mas que continuam a sentar-se no banco de suplentes, mantendo-se assim numa espécie de "limbo" que ninguém compreende nem interessa ao clube. É de fundamental importância que a SAD solucione rapidamente esta situação, ou integrando os jogadores na equipa eliminando definitivamente falsas expectativas de saída, ou reforçando imediatamente as posições deixadas órfãs.