segunda-feira, 9 de agosto de 2010

João Ferreira: a face visível do Apito Encarnado

A justíssima e indiscutível vitória do FC Porto sobre o Benfica em Aveiro representa muito mais do que a simples conquista de um troféu. Foi, acima de tudo, uma vitória da humildade sobre a soberba, do profissionalismo sobre a máfia, do desporto sobre a violência gratuita.
Quando o presidente do SLB foi apanhado nas escutas telefónicas conexas ao processo Apito Dourado a encomendar o árbitro para um jogo das meias-finais da Taça de Portugal e, do extenso menu de árbitros que lhe foi disponibilizado pelo Major Valentim Loureiro, se decidiu convictamente pelo nome de João Ferreira, todos percebemos que alguma motivação existiria por detrás dessa escolha. No passado sábado, a arbitragem de João Ferreira na Supertaça deixou bem evidentes aos olhos do público os motivos de tão elevada estima e consideração por parte do dirigente benfiquista. Tivesse o Ministério Público a decência de mandar investigar as ligações entre o clube da Luz e o árbitro de Setúbal e, provavelmente, este seria agora bem mais comedido na forma como transparece o seu proteccionismo aos jogadores encarnados. O Ministério Público não o fez, por motivos que a razão desconhece, e as consequências estão à vista, reflectidas em mais uma escandalosa arbitragem que seria motivo de acção por parte das autoridades de qualquer país civilizado mas que, pela acção branqueadora da corrupta comunicação social lisboeta, vendida aos interesses da capital, não terá quaisquer repercussões em Portugal.
O país assistiu a uma partida que tinha todos os condimentos para ser um grande hino ao futebol, mas que rapidamente se transformou num triste e lamentável espectáculo de pancadaria graças à complacência de um árbitro que, não só pactuou com a violência, como contribuiu para ela. Ninguém acredita que, se as entradas violentas e as agressões a que se assistiu tivessem os protagonistas invertidos, João Ferreira adoptaria a postura conivente que evidenciou para com os jogadores encarnados. Da mesma forma, também ninguém acredita que, se fosse a um jogador encarnado que João Ferreira tivesse apertado a cara, a imprensa lisboeta assobiaria para o ar como agora faz. Mas, estando em causa os interesses do principal clube de Lisboa, basta passar os olhos pelas páginas dos principais jornais desportivos da capital para se ficar com a ideia de que nada de grave se passou. Nem o Omo lavaria mais branco...
Apenas uma das equipas pretendeu jogar futebol e ganhar o jogo: a do FC Porto. Contrariando as expectativas de todos aqueles que já prognosticavam a goleada, convencidos de que a tão propalada supremacia encarnada iria fazer mais uma vítima, o FC Porto apresentou-se superior ao longo de praticamente toda a partida. Com um futebol rápido jogado pelas alas, fazendo uso da velocidade de Hulk e da técnica excepcional de Varela, foram os azuis e brancos que impuseram o seu domínio no jogo, reflectido nas estatísticas pelo maior número de remates e de ataques com perigo para a baliza adversária. O resultado de 2-0 é escasso para exprimir tão óbvia superioridade azul e branca, e só não se registaram outros números bem mais expressivos porque o árbitro insistiu em manter o equilíbrio no jogo, fazendo vista grossa a vários lances em que os jogadores encarnados deveriam ter ido tomar banho mais cedo.
Do outro lado... bem, do outro lado esteve um conjunto de jogadores a que só por mero formalismo se deverá chamar equipa, sem fio de jogo, sem ritmo competitivo, sem ideias nem tácticas definidas, uma espécie de "tudo ao molho e fé em Deus", ou melhor dizendo, fé na capacidade desequilibradora de alguns jogadores realmente acima da média como Fábio Coentrão (quanto mais não seja pela sua capacidade de arrancar penalties ao mais ligeiro toque graças a formosos mergulhos para a piscina). A sobranceria de quem pensava que este jogo seriam "favas contadas" e a frustração de se verem manietados pela superioridade do adversário reflectiram-se rapidamente numa sucessão de entradas violentas e agressões que justificariam a amostragem de cartões vermelhos a 4 (QUATRO!) jogadores encarnados. A este respeito, deixo aqui a opinião do antigo árbitro Jorge Coroado, para que não se pense que a minha leitura dos lances é apenas fruto de paixões clubísticas:

«César Peixoto foi objectivo e deliberado na conduta violenta protagonizada sobre Varela não uma, mas sim duas vezes. Impunha-se livre directo e a exibição do cartão vermelho. As regras são claras.»
«Cardozo, com o cotovelo esquerdo, atingiu Sapunaru no rosto. A forma como o fez terá induzido o árbitro para uma situação casual, mas justificava livre directo e cartão vermelho
«David Luiz foi claramente determinado no modo como pisou a perna de Sapunaru. A exibição do cartão amarelo foi pouco e tratou-se de cortesia do árbitro
«A entrada de Carlos Martins foi semelhante à de César Peixoto sobre Varela, logo, devidamente enquadrada, deveria ser punida com cartão vermelho directo
Veremos se as "cortesias dos árbitros" a que se refere Jorge Coroado não se irão estender ao campeonato que se avizinha, mas a impunidade e o branqueamento de que beneficiou a arbitragem de João Ferreira causa muita apreensão e o receio de que a verdade desportiva seja uma vez mais defraudada numa reedição do Campeonato dos Túneis.

3 comentários:

  1. Meu caro,

    Não foi nada disso que se passou, o sr. deve ter uma dessas novas tv's 3D que distorcem a imagem. Se isso se passasse estaria exposto nos nossos competentissimos e imparcialissimos diarios desportivos.
    Ah não, desculpe,... as agressões foram todas contra jogadores do PORTO, o sr. árbitro provocou um jogador do PORTO, os adeptos presos não foram do PORTO, então não interessa nada. Não existiu nada. O ambiente que os slb's proporcionaram para a Supertaça foi óptimo e só por distracção não golearam.
    Vê-se como todos estão calados como ratos. Os pimpões que costumam passear até por aqui meu caro e os cagões que afirmam como vendedores da banha da cobra que "aasim ninguém lhes ganha", pois não.
    Rolando e Falcão isolados após a marcação de um canto, dentro da pequena área defendida pelo inultrapassável d. luis espelha o rigor dos aspectos psiquico táticos do rei da tática.
    Embrulhem

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  2. Correcção: Não foram só os jornais que não mencionaram a "excelente" arbitragem, não, os comentadores da TV também não mencionaram nada!!!
    Estavam todos de óculos escuros!!! Tão escuros que só viam os (poucos) remates de Gooolo... ah não... foi ao lado!!! que os jogadores (leia-se caceteiros) encarnados efectuavam.
    Já agora, que tal convidarem o Jesus,o do Bengrrgrrfigrrgrrr esse, que parece não ler jornais ou livros, a passar os olhos pelos textos de alguns dos intervenientes deste blogue para aprender a falar português?
    Se continua a falar na Tv como fala não tenho dúvida nenhuma de que definitivamente se "neutralizou" alfacinha, coisa que eu eperava que jamais ele "feraria".

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  3. @ anónimo

    o insulto gratuito é o recurso primário (porque básico) de quem não possui argumentos suficientes para rebater ideias contrárias às nossas.

    é pena que, no seu abjecto "comentário" não tenha dedicado uma linha, sequer!, a rebater os factos que nele foram relatados. enfim...

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