segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Primeira análise da pré-época - sistemas tácticos

O futebol praticado pela equipa portista nesta pré-época tem-se caracterizado por uma mediania confrangedora e se nos primeiros jogos essa realidade era justificada (com toda a legitimidade) pela entrada de muitas caras novas na equipa e disfarçada pelos resultados (duas vitórias sobre o Ajax e Sampdória são sempre resultados positivos, mesmo que pela margem mínima), a desastrosa participação no torneio de Paris, que se saldou em duas derrotas noutros tantos jogos, veio pôr a nu fragilidades preocupantes.

Por aquilo que me foi dado a perceber nos jogos a que assisti, Villas-Boas está a implementar na equipa dois sistemas tácticos com características claramente distintas. O primeiro sistema assenta num 4-3-3 clássico, com o meio-campo a ser formado por três jogadores criativos (João Moutinho, Rúben Micael, Souza ou Belluschi), Falcao no centro do ataque e dois extremos de raiz (Varela, Cristian Rodriguez ou Ukra) bem abertos sobre as alas. Este sistema será, talvez, aquele que mais se irá utilizar no decorrer do campeonato, mas denuncia uma lacuna óbvia do plantel que o próprio treinador já referiu: com a saída de Farias, o FC Porto não tem, neste momento, nenhum avançado com características de ponta-de-lança que seja alternativa a Falcao. Ora, visto que o colombiano parece não ter regressado completamente de férias (pelo menos no que concerne à parte mental), esta deficiência da equipa tornou-se ainda mais evidente em Paris, traduzindo-se num paupérrimo aproveitamento das oportunidades de golo.
O segundo sistema assenta num 4-3-3 em losango, com um trinco (Fernando ou Castro) a fechar o sector defensivo, dois médios de carácter defensivo no meio-campo e três avançados com velocidade e poder explosivo (Hulk, James Rodriguez e Walter) para aproveitarem os passes em profundidade. Esta táctica exige um entrosamento entre os jogadores muito grande pois, no momento em que os passes são efectuados, os avançados já têm de estar em movimento. Ora, visto que a equipa ainda se encontra em fase de construção, muitas jogadas acabam perdidas com a bola a sair directamente pela linha de fundo ou nas mãos do guarda-redes adversário. Parece-me pois que será necessário aguardar algum tempo até que a equipa adquira o entrosamento e os automatismos necessários para tirar partido deste sistema. O problema é que a época começa oficialmente em menos de uma semana...

Além das dificuldades inerentes à implementação destes sistemas, os jogos de Paris fizeram transparecer óbvios problemas ao nível da defesa, fundamentalmente nas jogadas de bola parada nas quais o FC Porto é extremamente permeável. Neste aspecto salta à vista a falta que Bruno Alves faz à equipa pois, ainda que tendo em consideração a qualidade revelada por Maicon, é notória a fragilidade dos centrais portistas nos lances aéreos. Também Sapunaru continua a revelar imaturidade e falta de qualidade, nunca conseguindo mostrar-se como um substituto à altura de Fucile, constituindo assim a posição de defesa esquerdo mais uma das grandes lacunas do plantel. Estas fragilidades defensivas vêm tornar ainda mais revoltante a situação de indefinição em que se encontram alguns jogadores, designadamente Bruno Alves, Fucile e Raúl Meireles, sobre quem se diz existirem propostas do estrangeiro mas que continuam a sentar-se no banco de suplentes, mantendo-se assim numa espécie de "limbo" que ninguém compreende nem interessa ao clube. É de fundamental importância que a SAD solucione rapidamente esta situação, ou integrando os jogadores na equipa eliminando definitivamente falsas expectativas de saída, ou reforçando imediatamente as posições deixadas órfãs.

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