quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Os incendiários

O Verão avança a passos largos para o seu final mas continua a haver pirómanos que insistem em atear fogos um pouco por todo o lado. Nalguns casos, os incendiários não têm como alvo as matas e florestas de Portugal, mas sim os ânimos dos adeptos do futebol, numa demonstração de inconsciência e de irresponsabilidade, principalmente quando nos encontramos nas vésperas de jogos importantes para a classificação das equipas na tabela classificativa e, nalguns casos, decisivos para a continuidade de alguns clubes na luta pelo título de campeão nacional.

Na sequência da arbitragem de Olegário Benquerença no jogo disputado no passado fim-de-semana entre o SLB e o Vitória de Guimarães, no qual os lisboetas foram objectivamente prejudicados graças à não marcação de uma grande penalidade a seu favor, a direcção do clube da Luz decidiu desatar a disparar em todas as direcções. Disparar e disparatar, entenda-se, já que o comunicado publicado pelo clube, não só constitui um dos mais flagrantes exemplos de hipocrisia, desonestidade e má-fé que tivemos a oportunidade de ler nos últimos tempos, como se baseia em argumentos facilmente desmontáveis.

Na época passada, o FC Porto viu-se indevidamente impedido de jogar com Hulk em 18 partidas oficiais graças à suspensão imposta ao jogador pela CD presidida por Ricardo Costa, um castigo posteriormente reduzido pelo CJ da FPF para apenas 3 jogos. Os azuis e brancos foram assim prejudicados em 15 (quinze!) jogos, mas tal facto não foi suficiente para motivar qualquer protesto por parte do Benfica em nome da verdade desportiva que tanto alegam defender, nem tão pouco ensombrou os efusivos festejos da conquista do título no final da época que ocorreram como se tudo se tivesse passado de forma limpa e transparente. Agora, bastou que estivessem decorridas apenas quatro jornadas e se tivessem verificado alguns casos polémicos para que a direcção encarnada viesse a terreiro armar mais uma peixeirada no futebol português. Tal disparidade de critérios e atitudes deixa a descoberto a hipocrisia, desonestidade e má-fé das intenções que movem os dirigentes encarnados, cujo mote parece ser apenas este: enquanto o Benfica for beneficiado, existe verdade desportiva; se o Benfica não for beneficiado, só existe corrupção. Enfim, nem uma criança conseguiria ser mais pateta.

Já seria por si só ridículo assistirmos aos queixumes de um clube que ostenta presentemente um título de campeão nacional conquistado numa época marcada por todo um conjunto de estratagemas de secretaria que influenciaram directamente o livre desenrolar da competição, viciando, ostensiva e descaradamente, a sua verdade desportiva. Mas o caso toma contornos ainda mais patéticos quando somos obrigados a recuar aos tempos da ditadura para encontrar um campeonato em que a equipa vencedora beneficiou igualmente de mais de um terço da competição jogando em vantagem numérica sobre os seus adversários, um facto que revela claramente o critério protector assumido pela arbitragem portuguesa em relação ao Benfica e as facilidades encontradas pelo clube da Luz na sua caminhada rumo ao título. Vistas as coisas por este prisma, o SLB seria a última equipa com legitimidade moral para se queixar de prejuízos e perseguições, mas é evidente que a hipocrisia e a imoralidade falaram mais alto do que a razão na hora de escrever o referido comunicado.

O Benfica soma actualmente três derrotas em quatro jogos do campeonato, o que lhe vai valendo o desprestigiante 13º posto na classificação. Se somarmos a derrota na Supertaça frente ao FC Porto (aquele que é considerado o primeiro jogo oficial da época) e a derrota frente aos ingleses do Tottenham na Eusébio Cup, então o saldo aumenta para cinco derrotas em seis jogos. Estes resultados traduzem-se no pior início de época da história do clube, o qual não será obviamente alheio ao mau planeamento do plantel, já que os jogadores recentemente contratados ainda não deram quaisquer sinais de constituírem verdadeiros reforços para a equipa, capazes de colmatar as saídas de jogadores fundamentais como foram DiMaria e Ramirez na época passada. Ora, atendendo a que o Benfica não teve qualquer motivo de reclamação das arbitragens da esmagadora maioria destes jogos (bem pelo contrário, se atendermos à miserável arbitragem de João Ferreira no jogo da Supertaça que permitiu ao SLB apresentar-se na 1ª jornada na sua máxima força, não obstante o lamentável espectáculo de pancadaria e violência que os seus jogadores protagonizaram em Aveiro), o comunicado agora publicado não passará de uma vergonhosa tentativa de esconder o Sol com a peneira, procurando desviar as atenções dos adeptos mais simplórios daqueles que são os verdadeiros motivos da crise encarnada.

Não foram com certeza os árbitros os responsáveis pelas contratações falhadas nem tão pouco pela insistência na convocação do guarda-redes Roberto, contratado pela módica quantia de 8,5 milhões de euros, que se apresenta como um factor de destabilização acrescido para a equipa graças aos golos fáceis que sofreu nas primeiras jornadas. Nessa perspectiva, concordo plenamente com Luís Filipe Vieira quando afirma que alguém anda a brincar com o Benfica. O que ele pretende escamotear aos olhos dos sócios, é que é ele próprio o principal brincalhão.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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  2. meu caro administrador,

    como permite que "aves raras" como o das 16:57 de 16/09 se insurja nos termos que utiliza?

    não quero - nem pretendo! - dar-lhe lições de como se gere um blogue, mas eu não gostei do que li.

    abraço

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