segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O galo e o abutre

Numa quinta, havia um galo que era tido como um macho de grande capacidade procriadora, não havendo, no galinheiro, galinha que lhe escapasse. E como as galinhas não chegavam para satisfazer o seu apetite sexual voraz, o galo aviava também os outros animais da quinta, incluindo as coelhas, as porcas e até as vacas. Desde que fosse fêmea, tudo lhe servia. Um dia, o dono da quinta encontrou o galo deitado no chão, aparentemente inanimado, e sobre ele voavam já, em círculos, vários abutres. Então comentou: "Pobre galo, levava uma vida sexual tão activa que acabou por rebentar". Foi então que o galo abriu um olho, olhou para o homem e disse: "Ssssshhhh! Deixa-os pousar..."

No final do jogo Guimarães-Porto, André Villas-Boas cometeu o erro de reclamar da arbitragem de Carlos Xistra com base em vários erros cometidos pelo juiz da partida, entre os quais uma alegada grande-penalidade que as imagens acabariam por demonstrar que não existiu. Consequentemente, a intelectualmente corrupta imprensa lisboeta tratou de branquear os lances em que o treinador portista teria razão (designadamente as faltas sobre jogadores portistas merecedoras de acção disciplinar que o árbitro, simplesmente, ignorou, e os fora de jogo mal tirados aos avançados azuis-e-brancos) para se debruçar apenas sobre o penalty inexistente, deixando assim Villas-Boas numa posição fragilizada aos olhos do público. Ora, qual abutre voando em círculos sobre o moribundo esperando o seu último suspiro para lhe cravar as garras, logo o presidente do Benfica se aproveitou do mote lançado pelos seus apaniguados para criticar o jovem treinador, chamando-lhe ridículo. No entanto, demonstrando uma força de carácter e uma clarividência pouco vista no nosso futebol, Villas-Boas soube esperar o momento certo para reconhecer o seu erro conforme tinha prometido e respondeu ao presidente encarnado com elevação, aconselhando-o a olhar mais para os seus próprios botões, algo que o presidente encarnado, efectivamente, dá mostras de não saber ou querer fazer.

Meninos e meninas, bem vindos ao Circo!

Todos nós sabemos que o futebol é um terreno fértil em situações insólitas, mas o facto da Direcção do Benfica ter andado, nas últimas semanas, a apelar aos adeptos benfiquistas para não apoiarem a sua própria equipa nos jogos fora, para vir agora, ela própria, pedir 2500 bilhetes para o clássico do Dragão, ultrapassa os limites do razoável, caindo, com estrondo, no domínio do ridículo. A situação é de tal forma absurda que me leva mesmo a questionar se os dirigentes encarnados agirão de acordo com uma estratégia delineada em função dos interesses do clube, ou se navegam simplesmente ao sabor dos delírios microcéfalos do seu presidente. Seja lá qual for o caso, parecem empenhados em transformar o futebol num triste e lamentável espectáculo circense.
Lá diz o povo que à mulher de César não basta ser séria, tem de parece-lo. Neste sentido, por muito que a Direcção benfiquista tente disfarçar os seus actos com uma pretensa capa de moralismo, arvorando-se em paladina na luta pela verdade desportiva, a triste realidade é que as suas constantes contradições e incoerências, para além da hipocrisia e desonestidade dos seus argumentos, desmascaram os seus verdadeiros objectivos: a hegemonia do futebol português à custa da chantagem e da coação.
Nesta altura do campeonato, só alguém estupidamente ingénuo poderá continuar a acreditar na boa-fé desta gente e, pior ainda, dar ouvidos aos seus apelos. Resta-nos esperar que, para além do bom-senso e da inteligência, impere também a coragem entre os portugueses para combater tão vil atentado aos interesses do futebol nacional.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Apito Encarnado

Quantas mais conversas deste teor e envolvendo os mesmos protagonistas não terão sido escutadas no âmbito do processo Apito Dourado? Por que motivo as autoridades abafaram o caso, não dando abertura a nenhum processo de investigação? Não estamos aqui na presença de um crime de tráfico de influências? Será que, se as autoridades tivessem investigado, teríamos assistido à arbitragem inqualificável de João Ferreira na Supertaça? E por que motivo é que esta escuta não aparece agora publicada no YouTube? Afinal, o objectivo da divulgação das escutas não é que haja justiça, verdade e transparência?

sábado, 9 de outubro de 2010

Um critério sem critério

A primeira vinda a público de Vítor Pereira para proceder à análise dos casos de arbitragem quando estavam decorridas apenas cinco jornadas, constituiu uma inesperada rotura com aquela que foi a política da CA nos últimos anos. Tal facto gerou mal-estar e suspeição, dada a coincidência desta súbita mudança ter acontecido apenas dois dias depois do SLB ter publicado um lamentável comunicado onde lançou duras críticas e graves acusações à arbitragem. O presidente da CA insistiu, no entanto, que tal não passou de mera casualidade, já que esta mudança de política estaria já prevista desde o início da presente época. Ficamos pois na expectativa de ver se Vítor Pereira iria fazer uma nova análise das arbitragens no final das jornadas 10, 15, 20, etc, mantendo assim um critério coerente.
Ora, não foi preciso esperar tanto tempo para percebermos que, afinal, a nova política não passava de uma treta inventada à pressa para disfarçar aquilo que todos suspeitavam. De facto, o próprio Vítor Pereira tratou de vir agora afirmar que esta nova "estratégia comunicacional" não implica que seja feita uma nova intervenção à 10º jornada, tanto podendo ser na 10ª como na 15ª". Ou no dia de São Nunca à tarde, acrescentaria eu...
Fica assim demonstrado que a patética análise da 5ª jornada não obedeceu a nenhum critério previamente concebido, sendo antes causada pela forte pressão exercida pelo Benfica. Curiosamente, Vítor Pereira tem ainda o descaramento de acrescentar que não anda a reboque de ninguém, algo que, depois desta inqualificável demonstração de cobardia e subserviência para com o clube encarnado, já ninguém poderá acreditar.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Zangam-se as comadres...

Filipe Vieira acusou Pinto de Sousa de jantar com árbitros e Pinto de Sousa respondeu acusando Vieira de jantar com... Pinto de Sousa. Resumindo: o Vieira cuspiu no prato que lhe deu de comer.

Cuidado com a instituição!

Desde o início desta época, o presidente do Benfica ainda não parou de queixar-se de alegados prejuízos de arbitragem que terão afastado o clube da Luz do topo da tabela classificativa. No entanto, este vídeo mostra-nos uma excelente compilação de lances que demonstram bem que a realidade é muito diferente do que o Vieira diz.
Eis aquilo que realmente se passa no futebol português:



Nota: chama-se a atenção para o facto de nenhuma das entradas violentas e agressões que vemos neste vídeo ter sido punida com cartão vermelho, apesar das imagens ilustrarem a violência dos lances.   

Ignorância, inconsciência e irresponsabilidade

Graças à ignorância, inconsciência e irresponsabilidade cívica dos seus dirigentes, há muito tempo que o Benfica deixou de ser parte da solução dos problemas do futebol português, passando a constituir, ele próprio, um problema acrescido. Esta realidade tornou-se mais uma vez evidente quando, a respeito da violência que se tem verificado nas deslocações do Benfica ao Norte do país, Luís Filipe Vieira proferiu, na entrevista dada à Antena 1, afirmações incendiárias e provocatórias cujas consequências poderão trazer, a breve prazo, um agravamento do grave clima de crispação já existente.
Com o habitual pedantismo e arrogância que o caracteriza, típicos de um novo-rico que julga que é dono e senhor de tudo o que o rodeia, e sabendo-se protegido pelo poder político que lhe garante total impunidade independentemente da gravidade dos actos que comete, o presidente do Benfica veio afirmar que pedia a Deus que não lhe apedrejassem o autocarro, pois quem o fizer poderá ter uma surpresa.
Não sabemos que surpresa será essa a que Vieira se refere uma vez que o presidente encarnado não quis esclarecer a sua misteriosa afirmação, mas, atendendo ao tom de ameaça, imagina-se que dali não sairá boa coisa. Se a esta atitude ameaçadora juntarmos os recentes apelos à guerra e ao levantamento armado contra os adeptos azuis-e-brancos proferidos na BenficaTV, estamos conversados quanto à visão doentia que esta gente tem, não só do futebol, como da sociedade em geral. E é este tipo de pessoas a quem o Ministro da Administração Interna recebe no seu gabinete, sob o pretexto da luta contra a violência...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Não fez mossa, mas arranhou a pintura

Caso o FC Porto não tivesse protagonizado esta época um dos melhores arranques de campeonato dos últimos anos, provavelmente o empate conseguido em Guimarães seria considerado um excelente resultado. A questão é que a equipa atingiu a velocidade de cruzeiro ao derrotar todos os adversários que defrontou desde que a época começou, pelo que empatar com o Vitória foi como chocar contra uma parede. Neste caso, não fez mossa, mas arranhou a pintura.
A verdade é que, independentemente deste resultado e da exibição menos colorida, o FC Porto prossegue destacado na liderança. Com toda a justiça, diga-se. Obviamente, ninguém gosta de perder pontos e este empate deixa na boca um certo sabor amargo por vir interromper uma série de onze vitórias consecutivas, mas não deslustra o excelente trabalho desenvolvido até ao momento. Por vezes, até é bom que estas coisas aconteçam para que se volte a pousar os pés no chão e se perceba que nem tudo serão facilidades até ao final do campeonato. A equipa necessita de rotação e alguns jogadores (como Álvaro Pereira, por exemplo) começam a dar sinais de necessitar de uma pausa. Outros ainda não conseguiram atingir os níveis físicos e psicológicos que lhes são reconhecidos (como é o caso de Fucile). Nesse sentido, a interrupção da prova devido aos compromissos das Selecções poderá ser positiva, por um lado, ou extremamente negativa, por outro. Tudo depende do esforço a que estarão sujeitos todos os jogadores convocados do nosso plantel e do trabalho da equipa técnica na recuperação dos índices máximos. Não percamos, portanto, os próximos episódios desta emocionante série que promete manter os espectadores colados ao ecrã até ao final.

O putativo sr. Delgado

O empate do FC Porto em Guimarães causou grande excitação por todo o país, a ponto de alguma imprensa lisboeta ter perdido o discernimento e desatado a proferir todo o género de dislates. Por exemplo, graças a este jogo, o jornal A Bola conseguiu descobrir que o FCP não é, afinal, invencível. De facto, na perspectiva de que no futebol não existem equipas invencíveis, não podemos deixar de concordar com tal afirmação. No entanto, também não podemos deixar de chamar a atenção ao putativo sr. Delgado que não é com um simples empate que se demonstra tal evidência.

Visão de águia

Como, com certeza, já repararam, o vídeo que ilustrava o texto intitulado "Que bem prega Frei Tomás" deixou de estar disponível no YouTube por, alegadamente, violar os termos de utilização. Ora, sabendo que o YouTube só retira os vídeos publicados se receber alguma denúncia, adivinha-se que alguém, muito preocupado com a salvaguarda dos ditos termos, se tenha apressado a informar a empresa de que o vídeo em questão fazia parte das imagens recolhidas por uma estação de televisão a quem pertencem os direitos de transmissão. Se calhar, é a mesma pessoa que publicou as escutas telefónicas conexas ao Apito Dourado e que estavam (ou deviam estar) em segredo de justiça. É bom saber que existem pessoas com esta visão de águia, sempre atentos e prontos a intervir na defesa dos direitos dos cidadãos...