domingo, 28 de novembro de 2010

As "bocas" do sr. Costa Ramos

É extremamente grave quando determinadas pessoas, que ocupam lugares de elevada responsabilidade na manutenção da ordem pública, se mostram incapazes de separar as suas opiniões pessoais daquelas que são as suas competências, contribuindo assim, elas próprias, para o aumento da crispação que um jogo de alto risco, por si só, já envolve.
Quando o subcomissário da PSP de Lisboa afirmou, no habitual “briefing” realizado antes do clássico de Alvalade, que não haveria contemplações com maçãs nem bolas de golfe, mas que «a claque que vem do Norte é pródiga na utilização de bolas de golfe», não era, com certeza, o agente de autoridade a falar, mas sim o cidadão Costa Ramos que, por ser provavelmente adepto de um clube de Lisboa, parece ter-se esquecido da farda e da patente que ostenta.
Quis o destino, na sua infinita e refinada ironia, que os maiores desacatos da noite tenham sido protagonizados, não pela "claque que veio do Norte", mas sim pela claque de Lisboa (na qual, quem sabe, figuram familiares ou vizinhos do senhor Costa Ramos), que terá motivado o atraso no início do jogo graças ao lançamento de inúmeras maçãs para o interior do campo.
Esperemos que este infeliz episódio tenha servido de lição ao subcomissário da PSP de Lisboa e que, no próximo jogo de risco, se preocupe mais com o desempenho das suas funções e nos poupe das suas "bocas" desnecessárias.

Jogo sujo

A questão é simples: se a arbitragem a que se assistiu em Alvalade tivesse acontecido num campeonato a sério (por exemplo, no clássico espanhol que se irá disputar amanhã entre o Barcelona e o Real Madrid), este árbitro não voltaria a dirigir nenhum jogo nas próximas semanas. Infelizmente, a exemplo do que sempre acontece em Portugal quando estão em jogo os interesses dos principais clubes da Capital, a escandalosa actuação de Jorge Sousa será, uma vez mais, branqueada pela imprensa lisboeta e a Liga fechará os olhos a este despudorado e ostensivo atentado à verdade desportiva.
Jorge Sousa protagonizou um conjunto de erros graves, todos eles em favor da equipa da casa, com os quais, não só teve influência directa no resultado da partida, como ainda condicionou o simples desenrolar da mesma. As imagens são indesmentíveis: Valdés encontrava-se claramente adiantado quando Rui Patrício lhe enviou a bola, ficando ainda a dúvida se o jogador sportinguista não terá ajeitado o esférico com a mão antes de rematar à baliza de Helton. Um golo irregular que o árbitro não invalidou como devia e que acabou por pesar no resultado final. Depois disso, uma entrada violenta de Maniche sobre Moutinho passou impune aos olhos do árbitro que (pasme-se!) nem falta considerou, uma complacência que, incompreensivelmente, Jorge Sousa não demonstrou para com os jogadores azuis-e-brancos, principalmente quando, posteriormente, expulsou Maicon num lance patético. Na realidade, o defesa portista nem falta cometeu sobre Liedson, mas mesmo que a falta existisse, o avançado brasileiro não detinha a posse da bola nem se dirigia com perigo para a baliza de Helton, pelo que nunca seria caso para cartão vermelho directo.
Enfim, para a História ficará um empate entre as duas equipas que, dadas as circunstâncias, acaba por agradar a todos: aos da casa, pela conquista de um precioso ponto frente ao líder do campeonato; ao FC Porto, porque constitui um mal menor tendo em conta as adversidades contra as quais se viu forçado a lutar. Algo que, no entanto, não nos deverá fazer ignorar e muito menos esquecer o que se passou.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Os melhores clubes da década

Segundo a tabela da IFFHS (Federação Internacional de História e Estatística), o Barcelona é o melhor clube da última década. Apesar disso, é o futebol inglês que domina claramente a classificação, colocando três clubes (Manchester United, Liverpool e Arsenal) nos lugares imediatamente a seguir.
O F.C. Porto ocupa apenas a 14ª posição da tabela, o que não deixa de ser surpreendente se atendermos ao facto de os Dragões terem conquistado, há menos de dez anos atrás, uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões. Ainda assim, é destacadamente o melhor clube português da década, já que o segundo melhor clube nacional, o Sporting, surge apenas na 26ª posição.
Na lista dos 850 clubes contabilizados pela IFFHS podemos encontrar ainda algumas curiosidades. Por exemplo, o facto de o Boavista surgir na 5ª posição dos melhores clubes portugueses, apesar do clube do Bessa já não militar sequer nas principais ligas nacionais.

A lista da IFFHS

1. Barcelona, 2.459,0
2. Manchester United, 2.436,0
3. Liverpool, 2.362,0
4. Arsenal, 2.348,0
5. Inter Milão, 2.275,0
6. Milan, 2.237,0
7. Bayern Munique, 2.231,0
8. Real Madrid, 2.168,0
9. Chelsea, 2.165,0
10. Roma, 1.959,0
...
14. F.C. Porto, 1.802
...
26. Sporting, 1.467
43. Benfica, 1.321,5
89. Sp. Braga, 906,5
141. Boavista, 656
145. Marítimo, 645,5
198. U. Leiria, 525,5
211. V. Guimarães, 497
224. Belenenses, 482,5
243. Nacional, 463,5
254. V. Setúbal, 456,0
259. P. Ferreira, 447,5
332 Académica, 360,5
459. Gil Vicente, 261,5
468. Beira Mar, 254,5
481. Rio Ave, 246
488. Naval, 243,5
501. E. Amadora, 232
601. Leixões, 161
612. Moreirense, 158
775. Alverca, 97,5
791. Varzim, 92
826. Santa Clara, 81

terça-feira, 23 de novembro de 2010

RTPodridão

Nos últimos tempos, tem-se falado muito na aplicação das novas tecnologias ao futebol, no sentido de reduzir, ou mesmo anular, os erros de arbitragem. A verdade é que os factos demonstram que a tecnologia só será capaz de acabar definitivamente com as polémicas em torno das arbitragens no dia em que forem criados métodos que possibilitem a tomada de decisões completamente independentes da interpretação humana (tal como a "bola inteligente", por exemplo, munida de um chip que detectará se a bola ultrapassou completamente a linha de golo), o que não acontece com a simples utilização do vídeo. Na verdade, a análise dos lances estará sempre dependente dos critérios de quem a faz, independentemente da evidência das faltas cometidas ou da clareza das imagens televisivas que as comprova.

Vem isto a propósito do jogo realizado entre o FC Porto e o Moreirense, a contar para a Taça de Portugal, no qual aconteceram dois lances polémicos: no primeiro, uma grande-penalidade reclamada pelos portistas, numa carga sobre o Hulk que o árbitro não assinalou; no segundo, um golo anulado ao Moreirense por fora-de-jogo do avançado. Ora, beneficiando da possibilidade de utilizar as imagens televisivas para analisar os referidos lances, os jornalistas da RTP não se fizeram rogados em proferir a sua sentença e, em pleno Telejornal, fizeram saber o público de que, não só os azuis-e-brancos não tinham razões para reclamar a grande-penalidade, como tinham sido beneficiados pela anulação indevida do golo do Moreirense. Infelizmente para estes senhores, a tecnologia é um pau de dois bicos e, se por um lado lhes serve para propagandear a sua verdade distorcida, também serve para que o comum dos mortais possa confirmar os lances pelos seus próprios olhos.
Relativamente ao penalty não assinalado, parece-me óbvio que os jornalistas da RTP devem ter-se enganado nas gravações e analisado outro jogo qualquer que não o FC Porto-Moreirense. A carga do defesa sobre o Hulk é tão evidente, mas tão evidente, que não poderá oferecer dúvidas a qualquer pessoa que goste e perceba minimamente de futebol, pelo que a simples tentativa de branquear o erro do árbitro alegando que o defesa se limitou a executar uma carga de ombro ou, pior ainda, a ganhar a posição, só pode ser encarado como uma piada de muito mau gosto, ou uma demonstração cabal de completa desonestidade. E para que não fiquem dúvidas, aqui ficam as opiniões de dois ex-árbitros que constituem actualmente o Tribunal do Jogo, peremptórias na constatação do erro de Paulo Baptista:

Jorge Coroado

«Pintassilgo, qual passarão, empurrou Hulk. Mesmo que tivesse carregado, tinha-o feito ilegalmente, pois a carga não pode ser feita com violência ou com força bruta» 


Pedro Henriques

«Pintassilgo fez obstrução com contacto físico, desinteressando-se da bola e jogando apenas o jogador (Hulk). Infracção passível de grande penalidade
 
Se o lance do penalty não oferece qualquer dúvida, o mesmo já não se poderia dizer do golo anulado ao Moreirense, no qual só com o recurso às imagens se poderia aferir sobre a posição do avançado no momento em que é efectuado o primeiro remate à baliza do Porto. Ora, também aqui os jornalistas da RTP levavam vantagem pela facilidade que têm em recorrer ao vídeo, mas nem assim o bom-senso e a razão conseguiram imperar. De facto, se recorrermos às imagens disponíveis na Internet e tivermos o cuidado de parar o vídeo exactamente no momento em que é executado o primeiro remate, verifica-se que Antchouet se encontra com os pés alinhados com os de Maicon, mas o seu corpo já se encontra inclinado para a frente:
 
 Por muito milimétrico que este adiantamento possa parecer, a verdade é que ele existe, pelo que, no mínimo, deveria ser dado o benefício da dúvida ao fiscal-de-linha que, como as imagens também comprovam, se encontrava em excelente posição para apreciar o lance. Assim não fizeram os jornalistas da RTP que tentaram, uma vez mais, manipular a opinião pública com uma análise viciada dos factos, tal como vem sendo habitual desde há muito tempo. Ou não fossem estes os mesmos que nos tentaram impingir a falácia de que este corte de Saviola com os dois braços em plena área do Benfica não passou da legítima e legal intenção de proteger a face num remate à queima-roupa:
 
Pensará esta gente que os portugueses são todos parvos? 

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Cristiano e... Moutinho, os melhores segundo a MARCA

De uma forma geral, a imprensa espanhola rendeu-se à exibição de Portugal e reconhece a justiça da vitória portuguesa. O jornal MARCA destaca ainda Cristiano Ronaldo (Real Madrid) e João Moutinho (FC Porto) como os melhores jogadores em campo:

"Lo mejor: La velocidad portuguesa
La selección de Paulo Bento fue rápida y precisa. Cristiano fue una pesadilla para España. Moutinho dirigió las embestidas".

Ai, ai, ai, ai, canta y no llores...

É verdade que se tratou de um jogo amigável, mas nem por isso esta goleada imposta pela Selecção Nacional à sua congénere espanhola deixará de ser histórica. Já o seria pelo simples facto de que nunca, até agora, Portugal tinha ganho por números tão expressivos, mas mais histórica se torna se pensarmos que esta Espanha não é uma Espanha qualquer. Esta é a que ostenta, simultâneamente, os títulos de campeão do Mundo e da Europa, o que diz muito sobre o seu valor.
Este resultado e, principalmente, esta excelente exibição enchem-nos de orgulho e abrem muito boas perspectivas para os próximos compromissos da nossa Selecção, mas deixam também algumas perguntas no ar: será que esta equipa, com todo o potencial que ontem demonstrou, não poderia ter ido muito mais longe no Campeonato do Mundo? Se estes jogadores portugueses, com toda a experiência que possuem, tivessem demonstrado o mesmo querer e a mesma entrega que ontem demonstraram, teríamos sido eliminados nos oitavos-de-final? Se este Cristiano Ronaldo tivesse protagonizado na África do Sul exibições como a que ontem nos ofereceu, não teríamos tido condições para chegar, no mínimo, às meias-finais?
É legítimo que muitos considerem que esta goleada se deve em grande parte a Paulo Bento que, indiscutivelmente, conseguiu incutir na equipa níveis elevados de confiança e motivação que Carlos Queiroz foi incapaz de alcançar. Mas será legítimo afirmar que esta quase milagrosa mudança de atitude da equipa será unicamente fruto da influência de um só homem? Recorde-se que não estamos aqui a falar de uma equipa de miúdos, mas sim de jogadores com uma vastíssima experiência de futebol do mais alto nível, jogado nos melhores campeonatos europeus, para quem o simples facto de representar o seu país deveria constituir motivação suficiente para darem o seu melhor. E se considerarmos que um Campeonato do Mundo constitui a maior montra de futebol mundial ao nível de Selecções, tal facto deveria funcionar como um factor de motivação extra. Como podemos então admitir que atletas de tão elevado nível justifiquem as suas próprias más exibições com a falta de motivação incutida pelo seu Seleccionador? Como podemos aceitar que se desresponsabilize constantemente os jogadores, principalmente aqueles que assumem maior protagonismo, menosprezando assim a sua influência no jogo da equipa? É óbvio que o Seleccionador terá sempre responsabilidade nos bons e nos maus resultados, mas nunca poderá ser encarado como o único culpado quando as coisas correm mal. E enquanto esta filosofia não for alterada, enquanto os níveis de exigência não forem estendidos a todos os intervenientes, incluindo jogadores e dirigentes, Portugal arrisca-se a ver a sua Selecção alternar radicalmente os seus níveis exibicionais entre o óptimo e o péssimo.

P.S. - Rui Santos escreveu hoje no Record o seguinte: "Quando os jogadores querem, até o treinador é bestial". Esperemos pois que os jogadores continuem a querer. 

domingo, 14 de novembro de 2010

Nova aventura dos cinco

No dia 5/5/2005, Filipe Vieira, Rui Costa, David Luiz, Luisão e Roberto meteram-se os cinco num Renault 5 de cinco portas e foram passear até ao Porto. Como o Renault 5 tinha uma avaria na 5ª velocidade e não andava a mais de 55km/h, demoraram cinco horas só para chegar a Cinco Fontes. Foi então que um dos cinco reparou que já eram 5h da tarde e, como ainda não tinham almoçado, estacionaram o Renault 5 na rua das Cinco Casas em frente à casa 5 e entraram no restaurante "As 5 quinas". Pediram cinco cervejas e cinco bifanas, mas o empregado disse-lhes que as bifanas se tinham esgotado havia 5 minutos e que já só havia frango assado. Decidiram então beber as cinco cervejas acompanhadas com cinco tremoços e, como já era tarde, meteram 5 euros de gasolina e regressaram a Lisboa com cinco frangos na bagagem.

sábado, 13 de novembro de 2010

Desejo um bom Natal para todos vós :)))

Há quem só vá ao YouTube para ouvir escutas telefónicas. Nós vamos para recordar momentos de festa como este:

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Ratos fedorentos

José Diogo Quintela e Ricardo Araújo Pereira são dois conhecidos humoristas do grupo Gato Fedorento a quem o jornal A BOLA, num laivo de estupidez, decidiu dar o privilégio de publicar as suas opiniões. E assim, ao longo de várias semanas, estes "gatos" lá se foram entretendo a desenrolar um chorrilho de insinuações, acusações e até insultos, disfarçados de graçolas, cujo alvo preferencial era o FC Porto e seu presidente (ou não fossem Diogo Quintela e Ricardo Pereira adeptos incondicionais do Sporting e do Benfica, respectivamente), para grande gáudio dos leitores do referido jornal que, como se sabe, são maioritariamente (senão exclusivamente) afectos ao clube da Luz.
Acontece que, no mesmo jornal, escreve também artigos de opinião Miguel Sousa Tavares, reputado escritor e autor de obras como Equador, cujas ligações ao clube azul-e-branco são sobejamente conhecidas. Ora, lá diz o povo que nunca se deve discutir com um idiota, porque este arrasta-nos para o seu nível e vence-nos por experiência, pelo que Sousa Tavares cometeu o erro de se envolver em discussão directa, não com um, mas com os dois idiotas, e aprendeu, da pior maneira, que não se deve menosprezar a sabedoria popular. De facto, aquilo que inicialmente não passou de uma "troca de galhardetes" sem grande significado, foi gradualmente atingindo proporções inaceitáveis e ultrapassando o âmbito futebolístico, chegando mesmo a discutir-se (pasme-se!) questões relacionadas com o programa "Gato Fedorento esmiúça os sufrágios" e a Constituição Americana. A confusão chegou a um nível tal que a própria edição do jornal decidiu intervir, apelando aos intervenientes que se abstraíssem da troca de mensagens directas entre si e se concentrassem unicamente no futebol. No entanto, estes apelos de nada valeram, pelo que a edição se viu mesmo obrigada a cortar uma parte do artigo de opinião escrito por Diogo Quintela que era expressamente dirigida a Sousa Tavares. Tal acto não caiu bem junto dos dois humoristas que abandonaram prontamente o jornal, um por se dizer vítima de censura, o outro por solidariedade para com o amigo. E como a estupidez é contagiante, rapidamente se gerou uma onda de indignação no seio das hostes benfiquistas que assumem este caso como uma traição d'A BOLA ao seu clube, originando-se assim mais uma polémica estéril e gratuita que muito jeito vem dar numa altura em que convém distrair as atenções do povo da paupérrima exibição do SLB e consequente goleada sofrida no Dragão. 
É óbvio que, para aqueles que vivem o futebol com espírito de guerrilha, para aqueles que fazem da provocação e do insulto uma forma de estar no desporto, este ambiente de constante agressão verbal funciona como um escape para a frustração causada pelo insucesso desportivo das suas equipas. Não é de admirar, portanto, que esta gente reaja agora com uma birrinha infantil, comportando-se como uma criança a quem o pai lhe tirou a pistola de água com que ela se divertia a molestar os meninos a quem o Pai Natal ofereceu brinquedos mais bonitos. Mas, para aqueles que gostam verdadeiramente de futebol, aqueles que só se sentem realizados com as vitórias da sua equipa dentro das quatro-linhas, este tipo de confrontos verbais não passam de manifestações irracionais de clubite aguda que não trazem absolutamente nada de bom ao futebol português e que só servem para incendiar os ânimos dos adeptos. 
Quanto aos "gatos", lamenta-se que tenham abandonado o barco como ratos, fingindo que não entendem o que esteve na base da decisão do jornal. Foram eles mesmos que sempre alegaram que todos os visados pelas suas sátiras humorísticas tinham de ter poder de encaixe para aceitar as críticas, mas, afinal, parece que, eles próprios, não possuem suficiente poder de encaixe para aceitar a crítica daqueles que já estavam saturados dos seus abusos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Imprensa nacional vs. Imprensa estrangeira

Tal como se esperava, o clássico do passado Domingo suscitou inúmeras reacções e análises, um pouco por todo o lado. No entanto, a diferença de atitudes manifestadas pela imprensa na abordagem do jogo é notória quando comparamos a perspectiva nacional com a estrangeira.
Na imprensa portuguesa, continuamos a verificar a existência de uma (quase) total subserviência aos interesses encarnados, postura essa bem patente na forma como o resultado desnivelado do jogo é encarado pelos media, não como fruto da superioridade azul-e-branca, mas quase exclusivamente por demérito dos encarnados. Nalguns jornais, já bem conhecidos de todos nós pela sua falta de isenção crónica, o caso assume mesmo contornos ridículos, sendo manifesta a intenção de isentar o FC Porto de toda e qualquer responsabilidade na derrota do SLB (Veja-se, a título de exemplo, a crónica de Vítor Serpa, director do jornal A Bola, na qual consegue fazer uma pretensa análise ao jogo sem nunca referir a superioridade demonstrada pelo FC Porto e o excelente futebol por este praticado, numa demonstração cabal do péssima qualidade do jornalismo praticado). Os jogadores encarnados, que, na sua maioria, protagonizaram uma exibição deplorável, são praticamente ilibados de qualquer culpa, sendo antes apontado o treinador benfiquista, Jorge Jesus, como o único responsável pelo desaire. A própria Direcção encarnada, que até ao momento foi incapaz de proferir a mais pequena declaração de admissão de culpas ou responsabilidades, adoptando uma postura de completo distanciamento face ao descalabro da equipa, passa também ao lado de qualquer condenação.
Já a imprensa estrangeira adopta uma postura bem distinta, demonstrando que Portugal é, de facto, um país cada vez mais ultrapassado e isolado na sua mentalidade tacanha. Os jornais espanhóis e italianos preferem realçar os aspectos positivos do jogo, não poupando os elogios a quem efectivamente os merece. Hulk, Falcão, Varela, Moutinho e André Villas-Boas são merecedores de amplos destaques em jornais como A Marca, o As ou o Corriere de la Sera, o que demonstra que o futebol portista continua a chamar as atenções dos adeptos além-fronteiras, mesmo encontrando-se fora da Liga dos Campeões. A propósito, a rádio espanhola Cadena Ser chegou mesmo a afirmar que é uma pena este Porto não estar na principal competição internacional da UEFA. E é uma pena, acrescentaria eu, que outros, menos categorizados, ocupem o seu lugar.

Nota: Um dia depois de eu ter escrito este texto, André Villas-Boas deu uma entrevista à comunicação social na qual faz precisamente referência aos aspectos que eu aqui abordei.

Jesus crucificado

Não era preciso ser perito em futebol (nem tão pouco adivinho) para antever que o Benfica teria muitas dificuldades para manter, na corrente época, o êxito que teve na época passada. Com isto não me estou a referir apenas ao facto do clube da Luz não ter conseguido manter determinados elementos em altos cargos da Liga, dos quais se destaca o ex-presidente da Comissão Disciplinar, Ricardo Costa, cujos serviços foram preponderantes na caminhada dos encarnados rumo ao título. Refiro-me, isso sim, ao facto da contratação dos melhores jogadores do seu plantel só ter sido possível graças à forte comparticipação de investidores privados que, como se previa, forçaram a venda desses mesmos jogadores imediatamente após a conquista do campeonato, no sentido de retirar o máximo proveito da sua valorização. Ora, parece-me evidente que não terá sido por vontade de Jorge Jesus que Di Maria e Ramirez, duas pedras fundamentais no xadrez da equipa, foram vendidos. Nem terá sido por indicação de JJ que a SAD benfiquista decidiu desbaratar milhões de euros na contratação de jogadores de qualidade duvidosa, dos quais Roberto é apenas um exemplo. Nem tão pouco será por sua culpa que vários jogadores demonstram um claro desinteresse pelo jogo, provavelmente por terem visto defraudadas as suas expectativas de saírem para clubes de maior dimensão. Por todos estes motivos, é óbvio que o descalabro que se abateu sobre o Benfica no Dragão, reflectido numa exibição deplorável e numa goleada histórica, nunca poderia ser atribuído, única e exclusivamente, a uma má estratégia do treinador, mas antes a todo um conjunto de erros que já vinham de trás e que passam, entre outros factores, por um mau planeamento da época e uma má gestão de recursos humanos. Obviamente, a constatação de tal evidência implica o imputar de responsabilidades à Direcção e o assumir da incompetência por parte de todo o conjunto de pessoas que constituem o clube, algo que a intelectualmente corrupta imprensa lisboeta, vendida aos interesses encarnados, não pretende que aconteça. Assim, na falta de erros de arbitragem que permitam desviar as atenções do povo (aquela que foi a estratégia adoptada ao longo das primeiras jornadas) e perante a crónica incapacidade de reconhecer o devido valor ao FC Porto, restou-lhes a alternativa de eleger JJ como o bode expiatório da desgraça benfiquista, transformando assim, num ápice, um treinador que diziam ser bestial e que levou o SLB à conquista do desejado título, numa besta incompetente. E enquanto os jornais vão procurando motivos para crucificar Jesus (havendo mesmo aqueles que já falam em despedimento, vá-se lá saber com que fundamento legal), ninguém tem coragem para reservar mais duas cruzes para Filipe Vieira e Rui Costa que, até ao momento, não tiveram sequer a dignidade de proferir uma só palavra.
Não quer isto dizer que JJ esteja isento de culpas no mau momento que o Benfica atravessa. É óbvio que o treinador falhou na forma como preparou a equipa para o confronto com o FC Porto, um facto que se tornou cada vez mais evidente com o decorrer do jogo e com o avolumar do resultado. A colocação de David Luiz na posição de lateral esquerdo pode ser explicada pelo facto de ser reconhecida a aptidão do jogador encarnado para travar os adversários fazendo uso de todo o tipo de recursos (algo que Hulk pôde confirmar logo nos instantes iniciais da partida quando o seu conterrâneo o atingiu com a mão na cara), mas a velocidade e garra que o Incrível imprimiu ao jogo fez desmoronar a estratégia do adversário, deixando JJ numa posição delicada perante a crítica. No entanto, este erro de análise do treinador benfiquista, por muito crasso que possa ter sido, não explica tudo, ao contrário do que a imprensa pretende fazer crer. Se por um lado é verdade que o corredor direito da defesa encarnada foi uma auto-estrada para os avançados azuis-e-brancos (o que explica a goleada sofrida) não é menos verdade que os visitantes foram incapazes de construir uma jogada de ataque com cabeça, tronco e membros, tendo saído do Dragão sem um único golo marcado e com apenas duas ou três verdadeiras oportunidades de golo criadas. Ora, que eu saiba, os médios e avançados jogaram nas mesmas posições a que estão habituados, pelo que a sua inoperância não se explica com erros do treinador, mas sim com uma evidente falta de soluções do plantel encarnado para fazer frente a um adversário que é claramente superior, por muito que isso custe a admitir à imprensa avençada do regime.

Ora dá cá um e a seguir dá outro...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Erro crasso

A Direcção benfiquista cometeu um clamoroso erro: apelou aos seus adeptos para que não assistissem aos jogos da sua equipa fora de casa, mas comprou bilhetes para o Dragão, apoiando assim directamente a deslocação das claques encarnadas à casa do FC Porto. Se tivessem procedido exactamente ao contrário, sempre teriam poupado os seus adeptos da vergonha de verem a sua equipa ser esmagada pelo FC Porto. Enfim, não acertam uma!

Um, dois, três, quatro, cinco!

Depois de 15 dias vividos a milhares de quilómetros de Portugal, num país onde a actualidade da pátria-mãe me chegava apenas através da internet já que as notícias do nosso país não mereciam a mais pequena atenção dos canais televisivos e jornais estrangeiros, eis-me finalmente de volta a casa. E recepção mais calorosa não poderia ter senão assistir ao verdadeiro massacre futebolístico protagonizado pelo meu clube sobre o seu arqui-inimigo lisboeta, materializado numa mão cheia de golos que foram, ainda assim, escassos para expressar a superioridade absoluta do Dragão sobre a Águia ao longo dos 90 minutos que durou a contenda.
A diferença de valor verificada entre o FC Porto e o Benfica é abismal e assume contornos de escândalo, principalmente se atendermos ao facto de estarem em confronto as duas equipas que ocupam, actualmente, os dois lugares cimeiros da Liga Portuguesa. Do lado azul-e-branco assistiu-se a uma exibição sólida, convincente, raçuda, confiante. Do lado encarnado, uma triste imagem de um campeão descrente, dormente, descoordenado, confuso, enfim, patético.
Com esta goleada à moda antiga, incontestável e indiscutível quanto à sua justiça, o FC Porto aumentou para 10 pontos a vantagem sobre o mais directo oponente e demonstrou o porquê de ser o mais sério (senão o único) candidato à vitória no campeonato português na sua versão 2009-2010. Acendem-se assim nos corações portistas as legítimas aspirações de verem a sua equipa reconquistar o título de campeão que só as artimanhas de secretaria e as jogadas extra-futebol verificadas na época passada conseguiram retirar ao Dragão. Mas, mais do que isso, estes cinco golos funcionaram como cinco dedos de uma mão que se abateu, impiedosamente, sobre a face daqueles que, nas últimas semanas, procuraram, uma vez mais, interferir no normal desenrolar da competição, recorrendo aos mais variados expedientes de pressão sobre as arbitragens e chantagem sobre os clubes adversários, com a clara intenção de manipular a verdade desportiva em favor dos seus interesses mesquinhos. Para esses, a devida resposta foi dada esta noite dentro das quatro-linhas. Esmagadora, como só o colossal FC Porto sabe e pode fazer.

P.S. - Fiquei muito satisfeito por saber que a equipa lisboeta chegou ao Porto praticamente sem incidentes. Não quero sequer imaginar a tragédia que se abateria sobre este país se os encarnados fossem alvo de apedrejamentos como os azuis-e-brancos sempre sofrem quando se deslocam a Lisboa, se o seu autocarro fosse incendiado tal como aconteceu com o autocarro da claque portista na capital, ou se o carro particular de Filipe Vieira fosse apedrejado como aconteceu com o de Pinto da Costa. Imagino que, na próxima vez, viriam em chaimites, patrocinadas pelo povo português com o aval do digníssimo Ministro da Administração Interna.