quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Imprensa nacional vs. Imprensa estrangeira

Tal como se esperava, o clássico do passado Domingo suscitou inúmeras reacções e análises, um pouco por todo o lado. No entanto, a diferença de atitudes manifestadas pela imprensa na abordagem do jogo é notória quando comparamos a perspectiva nacional com a estrangeira.
Na imprensa portuguesa, continuamos a verificar a existência de uma (quase) total subserviência aos interesses encarnados, postura essa bem patente na forma como o resultado desnivelado do jogo é encarado pelos media, não como fruto da superioridade azul-e-branca, mas quase exclusivamente por demérito dos encarnados. Nalguns jornais, já bem conhecidos de todos nós pela sua falta de isenção crónica, o caso assume mesmo contornos ridículos, sendo manifesta a intenção de isentar o FC Porto de toda e qualquer responsabilidade na derrota do SLB (Veja-se, a título de exemplo, a crónica de Vítor Serpa, director do jornal A Bola, na qual consegue fazer uma pretensa análise ao jogo sem nunca referir a superioridade demonstrada pelo FC Porto e o excelente futebol por este praticado, numa demonstração cabal do péssima qualidade do jornalismo praticado). Os jogadores encarnados, que, na sua maioria, protagonizaram uma exibição deplorável, são praticamente ilibados de qualquer culpa, sendo antes apontado o treinador benfiquista, Jorge Jesus, como o único responsável pelo desaire. A própria Direcção encarnada, que até ao momento foi incapaz de proferir a mais pequena declaração de admissão de culpas ou responsabilidades, adoptando uma postura de completo distanciamento face ao descalabro da equipa, passa também ao lado de qualquer condenação.
Já a imprensa estrangeira adopta uma postura bem distinta, demonstrando que Portugal é, de facto, um país cada vez mais ultrapassado e isolado na sua mentalidade tacanha. Os jornais espanhóis e italianos preferem realçar os aspectos positivos do jogo, não poupando os elogios a quem efectivamente os merece. Hulk, Falcão, Varela, Moutinho e André Villas-Boas são merecedores de amplos destaques em jornais como A Marca, o As ou o Corriere de la Sera, o que demonstra que o futebol portista continua a chamar as atenções dos adeptos além-fronteiras, mesmo encontrando-se fora da Liga dos Campeões. A propósito, a rádio espanhola Cadena Ser chegou mesmo a afirmar que é uma pena este Porto não estar na principal competição internacional da UEFA. E é uma pena, acrescentaria eu, que outros, menos categorizados, ocupem o seu lugar.

Nota: Um dia depois de eu ter escrito este texto, André Villas-Boas deu uma entrevista à comunicação social na qual faz precisamente referência aos aspectos que eu aqui abordei.

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