segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Let's look at the trailer


Em noite de entrega dos Óscares da Academia de Hollywood, Portugal assistiu nauseado a mais um deplorável espectáculo televisivo ocorrido em pleno relvado do Estádio da Luz, um triste e lamentável "trailer" que não passa afinal de um "remake" de um filme já anteriormente visto esta época, protagonizado pelo mesmíssimo "artista".
Esta sequela apresenta menos violência do que o original já que nela não se vislumbram agressões, mas a linguagem insultuosa, a troca de empurrões e as provocações aos adversários (em suma, a peixeirada e a ordinarice...) são uma espécie de imagem de marca deste realizador que já nos habituou ao que de pior se produz no nosso país em matéria de fair-play.
Não sabemos se o facto de as imagens televisivas comprovarem a presença da equipa de arbitragem no meio dos desacatos ocorridos no final do jogo Benfica-Marítimo será suficiente para obrigar os seus elementos a escreverem no relatório aquilo que viram, ou se, na linha dos incidentes ocorridos anteriormente no mesmo estádio no final do jogo com o Nacional, irão uma vez mais fingir que nada viram. Mas, independentemente dos ataques de cegueira (ou cobardia) dos árbitros, este novo episódio televisionado veio comprovar que Jorge Jesus só não sofreu ainda (nem sofrerá) consequências pelos seus actos simplesmente porque as entidades que gerem o futebol no nosso país não querem!
Todos se recordam, com certeza, que esta época já outros treinadores foram expulsos do banco e, consequentemente, suspensos, simplesmente por manifestarem o seu desacordo com as decisões dos árbitros. Não haverá ninguém com um mínimo de bom-senso que, comparando a gravidade dessas palavras com os destemperos de Jorge Jesus, consiga compreender a benevolência até agora demonstrada pela Comissão Disciplinar para com o treinador benfiquista. As imagens televisivas são por demais evidentes e já nada explica o clima de total impunidade de que goza o técnico encarnado. Excepto, obviamente, os intrincados jogos de influência e compadrio que possam ainda existir no seio da Liga, que já na época passada interferiram directamente com o livre e normal desenrolar da competição e que se preparam agora, uma vez mais, para viciar a verdade desportiva em favor da equipa lisboeta.
Jorge Jesus pode refugiar-se nos seus 20 anos de experiência para tentar justificar a sua forma doentia de estar no futebol, mas a sua atitude é a de um homem perigoso e desequilibrado que transpira ódio e violência nos gestos e nas palavras. Acabou-se definitivamente a paciência para aturar semelhante personagem.


P.S. - Após o visionamento das imagens televisivas e da leitura das opiniões manifestadas pelos analistas de arbitragem sobre os lances polémicos ocorridos no decorrer do jogo Benfica- Marítimo, torna-se claro que o árbitro terá decidido bem ao não assinalar grande penalidade favorável aos encarnados e ao invalidar o golo do Benfica. Comprova-se assim que Jorge Jesus não tinha razão absolutamente nenhuma nos protestos que fez durante e após o jogo. Apesar disso, ninguém espera que o treinador encarnado tenha a hombridade de assumir a frio o seu erro, tal como antes fez o seu rival do FC Porto. Para tal é necessário uma força de carácter que Jesus não possui.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Frescura alfacinha

Agora compreendemos por que motivo os  lisboetas são chamados "alfacinhas". É que, apesar do adiantado da época, os jogadores do Benfica continuam frescos como alfaces...

Coward Webb

Já se sabia que a passagem aos oitavos de final estava longe de estar decidida e que o Sevilha vinha ao Dragão sem nada a perder e tudo a ganhar. Por esse motivo, chegou a surpreender-me a forma como o FC Porto conseguiu impor o seu jogo durante largos períodos, controlando praticamente a partida nos primeiros 45 minutos. Infelizmente, nem o regresso de Falcao permitiu disfarçar as já habituais fragilidades do ataque portista, o que se reflectiu no desperdício total das várias oportunidades criadas. E como quem não marca arrisca-se a sofrer, eis que a equipa azul-e-branca terminou o jogo com o credo na boca, depois de permitir um golo que acabou por ditar a derrota e que só não teve maiores consequências porque o resultado trazido de Sevilha assim não quis.
Apesar de tudo, as estatísticas do jogo demonstram que o FC Porto foi superior na percentagem de posse de bola e nos remates efectuados, o que constitui um aspecto bastante positivo, principalmente se atendermos ao facto do Sevilha ser um adversário de respeito. O regresso de Álvaro Pereira e de Falcao são também de realçar, mesmo admitindo que será necessário esperar algum tempo até que os dois jogadores readquiram as rotinas de jogo e os níveis de rendimento a que nos habituaram.
É impossível fazer uma análise a este jogo sem mencionar também o trabalho do árbitro, tal foi a influência que este teve, não no resultado final, felizmente, mas em todo o desenrolar dos acontecimentos. Howard Webb é daqueles árbitros que parece ter nascido com o cu virado para a lua e tem uma sorte fora do normal. Ou isso, ou tem um padrinho muito bem colocado nos meandros do futebol mundial. Já foi escolhido para arbitrar a final da Liga dos Campeões e a final do Campeonato do Mundo, o que lhe confere um currículo impressionante mas também surpreendente, principalmente se tivermos em conta as péssimas actuações que já protagonizou na sua carreira de arbitragem. Em Inglaterra, o senhor Webb já esteve envolvido em situações que geraram grande polémica e ontem, no Dragão, mostrou porquê. O inglês demonstrou falta de coragem na hora de expulsar jogadores espanhóis, primeiro ao permitir que Alexis continuasse em campo quando o defesa sevilhano (que já tinha visto um cartão amarelo) agarrou ostensivamente Hulk pela camisola impedindo-o de entrar na área com perigo e depois quando ignorou a agressão a Fucile. Pelo contrário,  mostrou um amarelo a Beluschi quando este tentou apenas jogar a bola ainda nas proximidades da área espanhola e não teve contemplações em expulsar Álvaro Pereira numa entrada viril. Pelo meio, muitas faltas óbvias passaram em claro, mal disfarçadas por uma pseudo-arbitragem "à inglesa", enquanto muitas outras foram assinaladas em lances banalíssimos. Enfim, o inglês foi uma nódoa num pano que tinha tudo para ser de seda.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Desculpem lá, mas...

...quem foi que teve essa ideia peregrina de pôr um jogo da Liga Europa às 17h de uma quarta-feira???

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Canto muuuuuito curtinho...

Este lance insólito aconteceu na passada quinta-feira no jogo que opôs o Zenit, da Rússia, e o Young Boys, da Suiça, a contar para a Liga Europa. Na marcação de um pontapé de canto favorável à equipa russa, o jogador limitou-se a dar um pequeno toque na bola colocando-a em jogo. Depois, com a maior das naturalidades, afastou-se do local em direcção à área adversária, enquanto outro companheiro de equipa se dirigiu para o canto e deu seguimento à jogada, apanhando a defesa contrária completamente desprevenida. Complicado? Bom, o melhor mesmo é ver as imagens:



Ao que parece, este lance já não é original. Há algum tempo atrás, o Manchester United terá tentado usar o mesmo truque, mas o árbitro anulou o lance por não se ter apercebido que a bola já tinha sido posta em jogo pelo primeiro jogador.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

"Rolamendi"

Muito se tem discutido sobre qual a melhor dupla de centrais a utilizar pelo FC Porto. O próprio André Villas-Boas pareceu ter dúvidas sobre esta decisão, uma vez que foram várias as combinações de jogadores utilizadas pelo treinador ao longo da época, optando por diferentes soluções nas várias competições em que a equipa se encontra envolvida. Parece-me, no entanto, que nesta altura existe unanimidade na escolha da dupla Rolando/Otamendi como aquela que confere maior eficácia, segurança e solidez ao sector defensivo.
Otamendi já foi esta semana aqui distinguido pela excelente exibição frente ao Braga, coroada com dois golos. Agora em Sevilha, o central argentino voltou a estar em bom plano, mas foi a vez do seu companheiro Rolando assumir o maior protagonismo, não somente pelo golo que marcou, mas principalmente pelas jogadas do ataque sevilhista que neutralizou. A exibição da dupla "Rolamendi" foi de tal forma convincente que mereceu elogios da própria imprensa espanhola (tal como fiz referência no texto anterior) e só não roçou a perfeição porque o árbitro da partida decidiu fazer vista grossa no lance do golo do Sevilha em que Kanouté usou o braço para tirar Otamendi do seu caminho, abrindo assim espaço para cabecear sem oposição à baliza portista.

A equipa da moda

Na sequência da vitória do FC Porto em Sevilha, fiquei curioso por saber a opinião da imprensa espanhola sobre o jogo e principalmente sobre a nossa equipa. Por conhecer bem a mentalidade dos "nuestros hermanos" e a sua típica arrogância de quem só sabe olhar para o seu próprio umbigo, já esperava encontrar comentários extremamente cáusticos, principalmente sobre o árbitro escocês a quem os sevilhanos não pararam de contestar durante os 90 minutos. No entanto, os comentários que li sobre o Porto surpreenderam-me pela positiva. A título de exemplo, destaco aqui alguns excertos de A MARCA, um dos maiores jornais desportivos de Espanha:

«A equipa de Manzano ofereceu um golo, o do 1-2, que se prevê decisivo para o desfecho da eliminatória, porque, concordarão comigo, marcar dois golos a este Porto no seu reduto será pouco menos do que tentar escalar o Evereste sem oxigénio. Pode-se fazê-lo, mas o mais provável é fracassar.»

«O Sevilha jogou cara a cara com um Porto que demonstrou por que motivo é uma das equipas da moda na Europa. Perfeitos na defesa e letais no ataque, os portugueses sacaram petróleo das sua escassas ocasiões de golo e construíram um muro diante de Helton que só Kanouté conseguiu derrubar.»

«Há que seguir o autor do primeiro golo, Rolando, e o argentino Otamendi, que frustraram numerosas jogadas vermelho-e-brancas. Dois centrais que estarão brevemente na agenda de muitos clubes grandes.»

Para além dos artigos jornalísticos, é interessante ler também alguns dos comentários dos adeptos. Muitos relembram o polémico anúncio publicitário que o Sevilha publicou antes do jogo com o Real Madrid em que, em perfeito português, diziam que iam deixar José Mourinho sem o título.

«Agora percebemos por que motivo escreveram em português», afirma um adepto em tom irónico.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Santos aliados... ou aliados santinhos?

Segundo as notícias de ontem, o presidente do Marítimo, Carlos Pereira, e o advogado do clube insular, Mário Figueiredo, estiveram reunidos com o advogado do Benfica Paulo Gonçalves, ao que tudo indica para preparar as batalhas jurídicas contra o FC Porto e o Atlético Mineiro em torno do futuro do brasileiro Kléber. Ora, acreditando que os lisboetas não têm efectivamente interesse no jogador em causa, tal como fizeram questão de afirmar há poucos dias atrás num comunicado oficial, podemos então concluir que o único objectivo deste envolvimento do Benfica numa guerra que não é sua será simplesmente afrontar o FC Porto.
Este alinhamento do Benfica com outros clubes que mantêm diferendos jurídicos com o FC Porto já não é novidade. Todos nos recordamos da santa aliança Benfica/Guimarães, criada com o objectivo de ir para a UEFA fazer queixinhas contra o FC Porto na tentativa de roubar o lugar na Liga dos Campeões desportivamente conquistado. Em resultado dessa deplorável campanha, o clube da Luz não conseguiu mais do que fazer uma paupérrima figura, enxovalhar o nome de Portugal no estrangeiro e, no final, ser condenado a pagar os custos do processo, a meias com o seu aliado de ocasião. Ora, como o Guimarães não tem os seus cofres recheados de tal forma que se possa dar ao luxo de se envolver em dispendiosos processos jurídicos só para agradar aos lisboetas, acredito que os dirigentes vimaranenses se tenham rapidamente arrependido dessa santa aliança que acabou por se revelar desastrosa. Veremos, quando terminar o processo que opõe o Marítimo ao FC Porto, se Carlos Pereira, tal como os seus congéneres vimaranenses, não se irá sentir como um guardanapo usado e deitado fora.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Tudo normal na capital do império ultramarino

No jogo disputado entre o SC Braga e o FC Porto, Duarte Gomes, da Associação de Lisboa, mostrou, nada mais, nada menos que onze(!) cartões amarelos, divididos em seis para jogadores arsenalistas e cinco para jogadores azuis-e-brancos.
Também o jogo Olhanense-Sporting, arbitrado por Olegário Benquerença, foi pródigo em casos disciplinares, com o árbitro de Leiria a mostrar nove cartões amarelos e um vermelho, para além da expulsão do treinador leonino. Em virtude disto, o Sporting ficará privado, na próxima jornada, do seu jogador Evaldo (que viu o 5º amarelo) e do treinador Paulo Sérgio, suspenso por 10 dias pela Comissão Disciplinar.
Comparemos agora estes factos com o que se passou no Estádio da Luz, no jogo Benfica-Guimarães arbitrado por João Ferreira: o árbitro da Associação de Setúbal conseguiu a proeza de mostrar apenas um(!) cartão amarelo, ao jogador vimaranense João Alves! UM!
Pois bem, das duas uma: ou o que se passou na Luz foi um jogo amigável, ou algo de muito estranho se passa em Portugal com os critérios de arbitragem. Mas isto, para a imprensa da capital do império, é tudo normal. O que lhes interessa mesmo é falar de penalties...

P.S. - E enquanto a LPFP fez hoje saber que o treinador do Sporting ficará 10 dias suspenso por castigo, o treinador do Benfica continua cantando e rindo, sem se vislumbrar uma resolução da Comissão Disciplinar para o caso da agressão ao jogador do Nacional. Recorde-se que, na época passada, Hulk e Sapunaru estiveram quase 2 meses suspensos até Ricardo Costa decidir-se sobre o castigo a aplicar. Pelo mesmo critério, estando Jorge Jesus também sob um processo de investigação, não deveria estar suspenso até à tomada da decisão? Terão sido os regulamentos que mudaram ou apenas os intervenientes?

... e a caravana passa!

O FC Porto deu um importante passo rumo à conquista do título ao derrotar o SC Braga por 2-0 na "Pedreira". Os dragões vestiram o fato-macaco e trabalharam muito para conquistar os 3 pontos, num jogo mais disputado que bem jogado, mas ainda assim recheado de emoções fortes.
A deslocação a Braga constituía um dos mais complicados obstáculos que o FC Porto precisava de ultrapassar nesta recta final da Liga e muitos (principalmente para os lados da Luz) desejavam que os dragões escorregassem para ver reduzida a distância pontual entre o primeiro e o segundo classificados. A verdade é que, para grande frustração dos seus rivais, este Porto tem sido avassalador e, mesmo nos seus piores momentos, tem sabido reunir força anímica para se sobrepor a qualquer adversário, fruto do excelente trabalho até agora desenvolvido por André Villas-Boas e de um conjunto de atletas de valor inquestionável.
Dentro de poucos dias, o FC Porto irá defrontar o Sevilha num jogo que se espera muito difícil mas que marcará o regresso de Falcao e Álvaro Pereira ao activo. A equipa está próxima de readquirir a sua máxima força, pelo que eu acredito que só uma hecatombe poderá afastar agora os portistas de festejarem a conquista do título.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O cão ladra...

Numa entrevista dada ontem à comunicação social, Jorge Jesus afirmou que «Villas-Boas é um treinador inteligente, está atento à qualidade daquilo que o Benfica esta a fazer e a prova dos 9 foi o jogo em que defrontámos o FC Porto. Se não o reconhecesse era branquear ou passar um atestado de estupidez»

Pois bem:

1) O treinador portista reconheceu mérito ao Benfica pelo bom momento que a equipa da Luz atravessa, algo que o seu rival nunca fez, nem mesmo quando foi goleado no Dragão por 5-0. Villas-Boas demonstra assim que, não só é um treinador inteligente, como é também um profissional com classe e com carácter.

2) Jorge Jesus deveria saber que um campeonato não se faz com meia-dúzia de jogos e, se por um lado é verdade que o Porto tem estado ultimamente abaixo das expectativas, não será menos verdade que, até ao momento, ainda não perdeu qualquer jogo. O mesmo não se poderá dizer do Benfica que também atravessou uma fase má no início da época que lhe valeu QUATRO derrotas, o que se reflecte na diferença pontual agora registada entre as duas equipas.

3) Se fizerem uma pergunta a Jorge Jesus sobre culinária ou pesca do atum, muito provavelmente este começará a sua resposta falando... no jogo que o Benfica ganhou no Dragão. Já é bem conhecido de todos nós o carácter cínico e provocador que o treinador encarnado demonstra sempre que se encontra "por cima" dos adversários, algo que ficou bem patente em certas atitudes que teve na época passada (quem não se lembra do célebre gesto dos quatro dedos dirigido a Manuel Machado quando o Benfica ganhava por 4-0), mas esta insistência exagerada na vitória na Taça de Portugal começa a denunciar algum desespero de quem já não sabe mais o que fazer para contrariar a superioridade do FC Porto na Liga.

4) Não é por qualquer motivo que Jorge Jesus tem sido amplamente caricaturado em vários programas humorísticos de televisão. De facto, as constantes facadas que dá na língua portuguesa são suficientes para motivar uma hora de boas gargalhadas. Mas se estas demonstrações de fraco nível académico e cultural poderão ser encaradas com alguma naturalidade tendo em conta os elevados níveis de analfabetismo e iliteracia existentes no nosso país, o mesmo não se poderá dizer da postura saloia demonstrada pelo treinador encarnado em todas as conferências de imprensa, espelhada na bela da chiclete, nos tiques do olhar ou naquele irritante sorver da saliva nos cantos da boca. Talvez fosse preferível que Jorge Jesus fosse aconselhado a trabalhar mais e falar menos, já que passa uma péssima imagem do clube para o exterior.

5) Veremos se a Comissão Disciplinar decidirá finalmente punir Jorge Jesus pela agressão ao jogador do Nacional a que todos nós assistimos. Se não o fizesse seria, isso sim, branquear ou passar um atestado de estupidez.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Costinhas largas

Não me interessam as guerras intestinais de nenhum clube, mas há uma coisa nesta crise do Sporting que me intriga: afinal de contas, o Costinha foi demitido por ter proferido alguma mentira, ou por ter denunciado publicamente aquilo que toda a gente já suspeitava mas que a direcção leonina não queria que os sócios soubessem? Está-me cá a parecer que foi a segunda...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Vieiras gratinadas

Já várias vezes me perguntaram o porquê de eu valorizar as opiniões de Jorge Coroado em detrimento de vários outros ex-árbitros que, semanalmente, analisam as arbitragens nos vários canais televisivos e jornais. Ora, se a opinião do Coroado me merece maior consideração, não é pelo facto de concordar sempre com os seus critérios e argumentos, mas sim porque me parece que as suas opiniões são coerentes e independentes da cor das camisolas das equipas em análise, algo que não se verifica, por exemplo, no Paulo Paraty ou no Pedro Henriques. Há, no entanto, outro motivo: Jorge Coroado ganhou o meu respeito pela frontalidade com que aborda os problemas do futebol e pela coragem que demonstra quando denuncia factos graves que outros procurariam esconder ou escamotear aos olhos do público, como por exemplo, aquele lamentável incidente em que dois adeptos benfiquistas lhe fizeram uma espera à porta do seu emprego e o ameaçaram de morte com uma pistola apontada à cabeça.
Com a mesma frontalidade de sempre, Jorge Coroado publicou hoje, no jornal O JOGO, mais um dos seus artigos de opinião em que comenta a agressão de Jorge Jesus ao jogador do Nacional, artigo esse que transcrevo aqui por me parecer deveras interessante, principalmente por vir de um homem que conhece bem os meandros do futebol português (O negrito é da minha responsabilidade):

«Tenho consciência dos erros por mim cometidos enquanto árbitro, também dos que quiseram imputar-me. Os muitos anos de trabalho permitem-me algum saber sobre muitos que falam de cátedra, se julgam donos de tudo e de todos só porque nos idos de setenta eram amigos de um tal Al Capone e com a sua ajuda fizeram fortuna. Hoje, na condição de comentador de arbitragem e suas incidências, tal como ontem na prática da mesma, continuo a defender o respeito entre profissionais do mesmo ofício, a verberar a agressividade, a violência, o despudor de inúmeras afirmações ao arrepio do fair-play e disciplina. Por dar parecer sobre o que testemunho, não me subordinando a interesses ou motivação que não as do cumprimento das regras por parte de quem tem por missão impô-las e fazer cumprir, não me sinto hipócrita. Jorge Jesus excedeu-se no final do jogo que opôs a sua equipa ao Nacional, negativamente fez o que um líder não deve dar exemplo. Será punido? Provavelmente não! Se fosse o JJ do Amora, Felgueiras, Estrela da Amadora ou outros semelhantes, talvez fosse. Em suma, adoro vieiras gratinadas, regadas com bom vinho verde

Artigo publicado em O JOGO que pode ler aqui.

Não sabemos ao certo se o vinho verde a que Jorge Coroado se refere é de origem demarcada ou de produção caseira, mas ninguém terá dúvidas sobre a proveniência das vieiras gratinadas, já que este tipo de "cozinhados" à moda da Luz não constitui novidade.

Não pode valer tudo, excepto se...

Na sua recente deslocação ao Dragão, já no trajecto de regresso a Lisboa, o autocarro do Benfica foi atingido por uma pedra arremessada por elementos não identificados. Felizmente não se verificaram vítimas, mas os danos materiais foram bem visíveis. Ora, a propósito desse infeliz incidente, Rui Gomes da Silva, vice-presidente do SLB e comentador do programa Dia Seguinte, veio prontamente atacar a direcção do FC Porto, acusando os dirigentes portistas de nada fazerem para evitar estas situações:

«Acho que o trabalho que tem de ser feito é a nível dos responsáveis pelos clubes, neste caso o FC Porto, que tem de se capacitar que num jogo de futebol não pode valer tudo. As pessoas se forem alertadas para esse facto e, se houver apelos dos responsáveis para que essas situações não se repitam, é possível irmos ao futebol», afirmou o dirigente encarnado.

Entretanto, o Benfica deslocou-se a Setúbal para defrontar o Vitória em jogo a contar para o campeonato e, no final da partida, verificaram-se graves incidentes junto da bancada onde se encontrava a claque encarnada, envolvendo o arremesso de cadeiras, agressões a agentes da autoridade e outros desacatos, o que motivou uma carga policial e a detenção de um adepto benfiquista. Ora, o que fez a direcção do Benfica neste caso? Condenaram os incidentes? Alertaram os adeptos para o facto destas situações serem inaceitáveis? Não é isso que, segundo as sábias palavras do Exmo. Dr. Rui Gomes da Silva, compete aos dirigentes? Pois... só que, neste caso, não só a direcção benfiquista não condenou os actos da sua claque, como ainda veio colocá-la na posição de vítima, acusando a PSP de ter usado "força excessiva". Fica assim claro que Rui Gomes da Silva esqueceu-se de completar a sua frase. O que ele na verdade pretendia afirmar era que num jogo de futebol não pode valer tudo... excepto se for do Benfica.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O vídeo do século

O blog Best of Football publicou um excelente trabalho de pesquisa intitulado Vídeo do Século, no qual são mostradas as imagens e os comentários de inúmeros lances polémicos, ocorridos na época 2009 / 2010. O trabalho está dividido em quatro vídeos. Aconselho vivamente o seu visionamento, já que as imagens são elucidativas:

Vídeo 1 ; Vídeo 2 ; Vídeo 3Vídeo 4

Recorde-se que esta compilação de vídeos aborda apenas a questão das arbitragens, não fazendo referência à escandalosa ingerência da Comissão Disciplinar no livre desenrolar da competição, conseguida através da aplicação de suspensões absurdas a jogadores do SC Braga e FC Porto. Se juntarmos essa obscena manipulação da verdade desportiva ao conjunto dos erros de arbitragem aqui analisados, torna-se ainda mais evidente a fraude desportiva em que consistiu toda a época 2009 / 2010.

Erro de casting

Se a eliminação da Taça da Liga pode ser, em certa medida, considerada como algo de aceitável aos olhos dos adeptos azuis e brancos, já a derrota do FC Porto frente ao SLB constitui uma verdadeira e pesada desilusão para as hostes portistas. Primeiro, porque o FC Porto se apresentava como favorito para este jogo, não só por jogar no seu estádio e perante o seu público, mas principalmente porque já havia demonstrado, por duas vezes esta época, ser clara e indiscutivelmente superior ao rival lisboeta. Segundo, porque, ao contrário da Bwin Cup, a Taça de Portugal foi sempre encarada pelos Dragões como um objectivo principal, um troféu prestigiado e apetecível que os adeptos querem ver mais uma vez acrescentado ao palmarés do clube.
Este resultado negativo de 2-0 impõe-nos agora a obrigatoriedade de ir à Luz vencer por uma diferença de dois golos, sob pena de nos vermos definitivamente afastados da final do Jamor. Ora, se tal tarefa se afigura à primeira vista como complicada,  não será de todo impossível, tal como os resultados dos dois confrontos anteriores entre estas mesmas equipas comprovam. Isto, obviamente, se forem corrigidos os erros cometidos e colmatadas certas fragilidades que a equipa azul-e-branca tem vindo a demonstrar nos últimos jogos. E é aqui, meus caros, que eu coloco algumas dúvidas...
Ao contrário do SLB, que assenta o seu jogo nos rasgos individuais de dois ou três jogadores de qualidade efectivamente acima da média, o FC Porto tem na força do colectivo a sua maior valia. Isto implica que, para que a equipa funcione como uma máquina bem oleada, todas as peças devem encaixar-se perfeitamente, algo que nem sempre tem acontecido. De facto, os erros cometidos por Maicon e Fernando, que de uma forma perfeitamente amadora permitiram ao adversário obter dois golos de forma facilitada, vieram, não apenas comprometer todo o trabalho da equipa, mas deixar a descoberto uma lacuna óbvia do plantel que o jogo colectivo e o bom momento de forma de Hulk têm conseguido disfarçar: a falta de uma alternativa credível a Falcao.
Estranha-se que o FC Porto tenha deixado terminar a época de transferências sem assegurar a contratação de um ponta-de-lança de créditos firmados. Não sei se a responsabilidade desta decisão (ou indecisão) será de André Villas-Boas, por considerar que está bem servido de avançados, ou da SAD, por considerar que os tempos são de apertar o cinto. O que é certo é que este "erro de casting" já comprometeu a continuidade do FC Porto na Taça da Liga e na Taça de Portugal. Esperemos que não venha a comprometer também algum dos restantes objectivos delineados para esta época.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ohhh, que pena...

Tenho muita pena que David Luiz tenha sido transferido para Inglaterra, não estando disponível para o jogo de amanhã entre o FC Porto e o SL Benfica. Não sei que jogador irá Jorge Jesus escolher para fazer  o lugar de defesa esquerdo desta vez, mas estou certo de que nenhum conseguirá superar a triste figura que o brasileiro fez quando apanhou o Hulk pela frente.