terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Vieiras gratinadas

Já várias vezes me perguntaram o porquê de eu valorizar as opiniões de Jorge Coroado em detrimento de vários outros ex-árbitros que, semanalmente, analisam as arbitragens nos vários canais televisivos e jornais. Ora, se a opinião do Coroado me merece maior consideração, não é pelo facto de concordar sempre com os seus critérios e argumentos, mas sim porque me parece que as suas opiniões são coerentes e independentes da cor das camisolas das equipas em análise, algo que não se verifica, por exemplo, no Paulo Paraty ou no Pedro Henriques. Há, no entanto, outro motivo: Jorge Coroado ganhou o meu respeito pela frontalidade com que aborda os problemas do futebol e pela coragem que demonstra quando denuncia factos graves que outros procurariam esconder ou escamotear aos olhos do público, como por exemplo, aquele lamentável incidente em que dois adeptos benfiquistas lhe fizeram uma espera à porta do seu emprego e o ameaçaram de morte com uma pistola apontada à cabeça.
Com a mesma frontalidade de sempre, Jorge Coroado publicou hoje, no jornal O JOGO, mais um dos seus artigos de opinião em que comenta a agressão de Jorge Jesus ao jogador do Nacional, artigo esse que transcrevo aqui por me parecer deveras interessante, principalmente por vir de um homem que conhece bem os meandros do futebol português (O negrito é da minha responsabilidade):

«Tenho consciência dos erros por mim cometidos enquanto árbitro, também dos que quiseram imputar-me. Os muitos anos de trabalho permitem-me algum saber sobre muitos que falam de cátedra, se julgam donos de tudo e de todos só porque nos idos de setenta eram amigos de um tal Al Capone e com a sua ajuda fizeram fortuna. Hoje, na condição de comentador de arbitragem e suas incidências, tal como ontem na prática da mesma, continuo a defender o respeito entre profissionais do mesmo ofício, a verberar a agressividade, a violência, o despudor de inúmeras afirmações ao arrepio do fair-play e disciplina. Por dar parecer sobre o que testemunho, não me subordinando a interesses ou motivação que não as do cumprimento das regras por parte de quem tem por missão impô-las e fazer cumprir, não me sinto hipócrita. Jorge Jesus excedeu-se no final do jogo que opôs a sua equipa ao Nacional, negativamente fez o que um líder não deve dar exemplo. Será punido? Provavelmente não! Se fosse o JJ do Amora, Felgueiras, Estrela da Amadora ou outros semelhantes, talvez fosse. Em suma, adoro vieiras gratinadas, regadas com bom vinho verde

Artigo publicado em O JOGO que pode ler aqui.

Não sabemos ao certo se o vinho verde a que Jorge Coroado se refere é de origem demarcada ou de produção caseira, mas ninguém terá dúvidas sobre a proveniência das vieiras gratinadas, já que este tipo de "cozinhados" à moda da Luz não constitui novidade.

5 comentários:

  1. Que a agressão de Jorge Jesus é óbvia e não deveria ter passado impune, também eu concordo em absoluto. Com o que não concordo é com a imparcialidade de Jorge Coroado, que desde há bastante tempo a esta parte tem manifestado um militante anti-benfiquismo. A imagem que tenho dele enquanto árbitro é de uma figura excessivamente arrogante e autoritária, que gostava de se assumir como a figura do jogo e o conduzia com mão de ferro mas pouca habilidade. Não tenho no entanto a ideia de que favorecesse sistematicamente A, B ou C.

    Já desde que se tornou comentador a conversa é outra, e é gritante a sua disparidade de critérios quando analisa lances polémicos. Desde os tempos da TVI, e agora no jornal O Jogo é indisfarcavel a sua "azia" em relacão ao Benfica. Volto ao meu ponto fulcral: todos têm telhados de vidro, mas esquecem-se selectivamente dos seus ao mesmo tempo que atiram pedras aos dos outros. O seu post anterior é de resto elucidativo nesse sentido (não aprecio a figura de Rui Gomes da Silva, de resto). O que é pena é que não pratique aqui no estabelecimento a máxima que apregoa. E que tal como você aqui, também o Jorge Coroado seleccione bem o seu "material" e nuns casos brade aqui d'el rei, enquanto nos outros faca como o Paciência e se distraia a olhar para o chão.

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  2. Muitos sectores da sociedade começam a soçobrar ao mediatismo que tomou conta das relações humanas. A Internet e os meios digitais, a troca da ética pela sobrevivência a qualquer preço e os 15 minutos de fama dominam estratégias e atos, degenerando, não raro, em pesadelo. Quanto maior é a notoriedade, mais perto se anda do precipício.

    O Benfica é um caso paradigmático desta bipolaridade. Vive para o sucesso, aumenta a notoriedade em todas as ações, mas gera anticorpos na direta proporção e está sempre debaixo de fogo. Os adversários enfrentam-no com a adrenalina a tope, os adeptos contrários cultivam-lhe ódio de estimação e toda e qualquer conquista desportiva sempre dá origem a manifestações de descrédito e contestação – as quais nos últimos tempos vêm degenerando em violência com regularidade infame.
    "João Querido Manha"

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  3. "Estou convicto de que se mais carreira não tive foi por influência de gente do Benfica. De Gaspar Ramos a Luís Filipe Vieira, que vetou o meu nome, em 2002, para vice-presidente do Conselho de Arbitragem.". São palavras de Jorge Coroado numa entrevista. Percebe-se a azia e entende-se também a razão porque este senhor opina nas páginas do jornal oficial do fcp (Jogo) e que tanto jeito lhe dão, a si, como suporte de conversa fiada, alinhavada em texto, própria de gente desesperada que não tem coluna vertebral.

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  4. Caro O Porto é o maior, não ligues aos insultos que os vermelhos te dizem pois não passam de uma manifestação de frustração de quem sabe que tens razão. Já reparaste que sempre que publicas um artigo novo no teu blog aparecem mais rapidamente comentários de benfiquistas do que de portistas? Isto significa que estes tipos acompanham assiduamente o que escreves. Queres maior sinal de respeito e consideração do que esse?

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  5. Acompanho assiduamente e já aqui disse porquê: gosto do contraditório e do confronto de ideias e opiniões. Tenho muita pena de si se julga que esta vontade só pode advir de frustracão...

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