sábado, 26 de março de 2011

El Kabong

Recordam-se de uns desenhos animados que havia, em que um cavalo chamado Pepe Legal e o seu amigo, o burro Babalú, viviam hilariantes aventuras no Velho Oeste? O cavalo, julgando-se muito inteligente, costumava dizer "Alto aí Babalú, para pensar estou cá eu!", mas no fim era sempre o burro que os safava dos sarilhos em que se metiam. E de vez em quando, aparecia também El Kabong, o alter ego de Pepe Legal, que resolvia tudo dando com uma viola na cabeça dos inimigos. Pois bem, começo a pensar que a falta de inteligência é comum aos Pepes. Isso e a mania de resolver as coisas dando porrada na cabeça dos adversários.

quinta-feira, 24 de março de 2011

TAS lixado, ó Madail!

O professor Carlos Queiroz ganhou o recurso interposto no Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) contra a suspensão de seis meses de toda a actividade desportiva que lhe foi aplicada pela Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP). O TAS admitiu que o ex-seleccionador de Portugal teve um comportamento inaceitável, mas considerou também que, da linguagem utilizada por Queiroz, não resultou qualquer perturbação que pusesse em causa o processo de recolha de amostras. O TAS vai mesmo mais longe ao considerar não ter havido provas de que o comportamento sr. Queiroz tivesse a intenção de perturbar o controlo antidoping. 
Veremos se esta decisão do TAS encontra paralelo na decisão do Tribunal do Trabalho. Se tal acontecer, Carlos Queiroz terá toda a legitimidade para exigir uma choruda indemnização à FPF. 
Eu sempre disse que o que estava aqui em causa não era a competência de Queiroz enquanto profissional, mas sim a falta de dignidade e de seriedade com que se procurou demitir um seleccionador com base numa história rocambolesca digna de um país terceiro-mundista, que se torna ainda mais ridícula quando pensamos que o seu antecessor se deu ao luxo de dar porrada num jogador adversário sem que nada de especial lhe tenha acontecido (onde é que já vimos isto, aliás?...).
Não me admira que muitos portugueses se tenham aliado a tal campanha pelos motivos mais fúteis como, por exemplo, o simples facto de Portugal ter sido eliminado prematuramente do campeonato do Mundo, ou o facto de Queiroz ser amigo de Pinto da Costa, razão suficiente para que alguns milhões de saloios lancem a própria mãe ao rio. O que me espanta é que gente aparentemente honesta e séria se tenha juntado à chusma de caçadores de bruxas e desatado a acender fogueiras sem tratar de perceber primeiro o que estava verdadeiramente por detrás deste imbróglio.
Agora que o governo socialista caiu e leva com ele o Secretário de Estado Laurentino Dias, um dos principais responsáveis por esta palhaçada, quem cá fica é o Madaíl para levar com os estilhaços e, claro, os portugueses para sustentarem as chorudas indemnizações a que as vítimas da incompetência desta gente têm direito. Não há problema, nós até somos ricos...

P.S. - Tenho-me divertido bastante com a mudança de atitude que esta decisão do TAS provocou em algumas pessoas, em particular neste senhor, que se fartou de fazer campanha contra Carlos Queiroz sem disfarçar rancores pessoais e agora fala deste assunto com uma delicadeza sub-reptícia, quase felina. Será que esta e outras personagens, que fomentaram e contribuíram para este imbróglio, se responsabilizam agora pelo pagamento das indemnizações a Queiroz do seu próprio bolso? Pois sim...

Volumetria: ciência ou cisma?

Há algum tempo atrás, tornou-se moda em Portugal fazer-se a análise dos lances polémicos em função de um factor que não constava nas regras do futebol mas que, ainda assim, era tido em grande consideração por diversos analistas de arbitragem: a intensidade! A "intensidade do contacto" era uma expressão suficientemente pomposa para que os burros a tomassem como válida e suficientemente subjectiva para que os espertos a usassem em função das suas conveniências. Desta forma, era comum ouvirmos dizer que um árbitro errou ao assinalar um penalty contra uma determinada equipa porque "a intensidade do toque no avançado não tinha sido suficiente para provocar a sua queda", ou ao expulsar um jogador porque "a intensidade da cotovelada não era suficiente para que fosse considerada uma agressão". Enfim, na falta de um aparelho de medição de intensidades, estilo "intensímetro", o argumento tornava-se de tal forma flexível que acabava por tornar ainda mais ridículas as discussões dos famosos "paineleiros" sobre os casos polémicos nos diversos programas televisivos. Tão ridículas, que o saudoso Pôncio Monteiro, na sua refinada mordacidade e ironia, se fartava de gozar com o assunto, e tanto o fez que houve mesmo idiotas que lhe atribuíram a autoria de tão falacioso argumento. Nada mais falso.
Volta agora a surgir no léxico futebolístico nacional uma nova expressão que tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos entre aqueles que debatem as arbitragens: a volumetria! Podemos dizer que a volumetria consiste na maior ou menor capacidade de um jogador impedir a passagem da bola usando apenas o seu próprio corpo, recorrendo a uma determinada abertura das pernas e dos braços.  

Nem a propósito, eis que no passado fim de semana, logo nos primeiros minutos do jogo disputado no Dragão entre o Porto e a Académica que os Dragões acabariam por vencer por 3-1, aconteceu na área portista um lance polémico: a bola foi centrada para a área e cabeceada por um avançado academista, embatendo no braço de Rolando. Lance casual ou penalty? 

De acordo com os regulamentos do futebol, o árbitro deve, na apreciação deste tipo de lances, ter em consideração os seguintes factores:

1) Se o jogador move a mão na direcção da bola ou se é a bola que se de desloca na direcção da mão (mão na bola ou bola na mão);
2) Se a distância entre o adversário e a bola é demasiado pequena para que o jogador não tivesse tempo de reacção (bola inesperada).
3) A posição da mão não pressupõe necessariamente uma infracção.

À luz destes pressupostos legais e após a visualização das imagens televisivas, é legítimo concluir que o árbitro decidiu correctamente ao nada assinalar, pois:

1) Rolando não move o braço no sentido da bola, é esta que é rematada directamente contra o braço do defesa. Trata-se, portanto, de um caso de bola na mão.
2) Os dois jogadores estão a poucos centímetros um do outro e o tempo que medeia o cabeceamento e o contacto com o braço é uma fracção de segundo. Trata-se, obviamente, de uma bola inesperada.
3) O facto de o defesa ter o braço levantado não constitui factor relevante.

Perante estes factos, surpreendeu-me que os analistas de arbitragem tenham sido unânimes em considerar que o árbitro errou ao não assinalar penalty, e mais surpreendido fiquei quando li a opinião de Paulo Paraty:

«É o tipo de lance que nenhum árbitro deseja. Muito difícil decisão. Até compreendo o julgamento do árbitro de Santarém, mas entendo que o braço de Rolando faz volumetria.
A grande penalidade justificava-se.» 

Paulo Paraty não sustenta a sua opinião com nenhum dos regulamentos que vimos atrás. Pelo contrário, faz uso do tal argumento da volumetria para sustentar a ideia de que Rolando cometeu uma infracção passível de grande penalidade. Por esse motivo, resolvi fazer um pequeno estudo sobre esta questão, que não tem quaisquer pretensões científicas mas que me parece elucidativo:

1) Importei da Internet a imagem de um modelo humano e desenhei-o em AutoCAD com as dimensões de um jogador médio (1,75m de altura).
2) Desenhei a bola de acordo com as dimensões oficiais (70cm no máximo).
3) Calculei as áreas ocupadas pelo corpo do jogador assumindo várias posições de braços e pernas, incluindo os espaços entre os membros em que a distância não é suficiente para permitir a passagem da bola (Área Total Intransponível - ATI).

Eis os resultados deste estudo que qualquer pessoa poderá facilmente confirmar em frente a um espelho: 

1ª Situação - O jogador tem as pernas fechadas e os braços encostados ao corpo. Neste caso, a ATI é a menor possível.










2ª Situação - O jogador tem as pernas e os cotovelos afastados. Neste caso, a ATI aumenta significativamente porque os espaços livres entre as pernas acima dos joelhos e entre os braços e o tronco não permitem a passagem da bola.









3ª Situação - O jogador tem as pernas e os braços afastados a menos de 70cm, mantendo os antebraços paralelos ao tronco. Neste caso, a ATI é máxima.
4ª Situação - O jogador tem as pernas e os braços muito afastados. A ATI é praticamente idêntica à registada na 1ª situação, visto que a bola tem espaço suficiente para passar por baixo das pernas e dos braços com facilidade.
Conclusão: A questão da volumetria não é completamente desprovida de lógica, mas não como Paulo Paraty a interpreta. Como se constata, o simples facto de um jogador ter os braços levantados não representa necessariamente a intenção de aumentar a área de intransponibilidade (pelo contrário, prejudica-a), devendo-se antes a questões naturais relacionadas com o equilíbrio ou o impulso no salto, como parece ter sido o caso de Rolando. Ou seja, estamos, mais uma vez, perante uma situação em que um argumento de difícil avaliação e impossível quantificação é usado para fundamentar opiniões de carácter duvidoso que contrariam as regras básicas do futebol. Como eu costumo dizer, as leis são simples, as pessoas é que gostam de as complicar.

P.S.- O meu agradecimento ao blogue Tomo I, cujo artigo intitulado "Afinal, em que é que ficamos", da autoria do dr. Jota, me serviu de mote.

Vai-te embora que se faz tarde!

O ainda Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, veio ontem condenar firmemente o apedrejamento do autocarro e do automóvel do Presidente do Sport Lisboa e Benfica e o apedrejamento da delegação do Futebol Clube do Porto em Coimbra.
Este lambe-botas do clube do regime lembrou-se finalmente que o Porto também existe, logo agora que se vai pôr ao fresco com a queda do governo socialista. Ele e o Laurentino que dêem corda aos sapatos e se ponham a andar depressinha, que não deixam cá saudades nenhumas! O que mais lamento no meio de tudo isto, é saber que esta corja de incompetentes ainda vai gozar de chorudas reformas à custa do Zé Povinho, mesmo depois do caos em que deixaram o país!

quarta-feira, 23 de março de 2011

Um sonho tornado realidade

Esta é a história, supostamente verídica, de um grupo de crianças que, em 1986, decidiram criar uma equipa de futebol em Koh Panyee, um pequeno povoado piscatório da Tailândia.
Numa altura em que os ânimos em Portugal andam tão exaltados, aqui fica este vídeo para descontrair um pouco e reflectir sobre a verdadeira essência do futebol:


Novo comunicado do FC Porto

Mais uma vez, transcrevo aqui o comunicado do FC Porto publicado hoje no seu site oficial, intitulado «Bem prega Frei Tomás», destacando as frases que me parecem mais relevantes e que vão novamente ao encontro do meu comentário anterior:

«A Casa do FC Porto em Coimbra foi ontem atacada à pedrada. Pela quarta vez. Até agora nenhuma autoridade oficial se pronunciou sobre o incidente – o de ontem ou os anteriores –, nem se ouviu a mínima condenação por parte do clube que tanto gosta de se fazer passar pelo arcanjo da paz. O FC Porto solidariza-se com os dirigentes e os adeptos da Casa de Coimbra e reitera a condenação de todas as formas de violência.

O incidente de Coimbra aconteceu menos de duas horas depois de Rui Gomes da Silva ler um comunicado da Benfica SAD, uma escolha nada inocente, como até o jornal “A Bola” reconhece na página 2 da sua edição de hoje. Que será feito do prolixo porta-voz que até estava presente no incidente da A41, desta vez remetido à subalternidade e substituído pelo administrador que mais tem contribuído para o actual clima de tensão através das suas intervenções e provocações televisivas? Estabelecer uma causa-efeito entre o discurso no Estádio da Luz e o incidente de Coimbra é mais fácil do que ler nas estrelas o que quer que seja.

São estes talibans vestidos com pele de cordeiro que o FC Porto combaterá sempre, reiterando a exigência de tratamento igual quer por parte das autoridades, quer por parte dos media. Os nossos adeptos são homens, mulheres e crianças exactamente iguais a todos os outros e com toda a certeza já perceberam quem procura criar um ambiente insustentável no futebol português quando se avizinham jogos decisivos. Até porque se há alguma coisa que distingue os adeptos do FC Porto dos nossos adversários, isso é, sem dúvida, o hábito de celebrar títulos. Muitos. Em paz e alegria

E o Terror em Coimbra, não?

«Desta feita a vítima foi a Casa do FC Porto em Coimbra. Com vidros partidos devido ao arremesso de pedras da calçada, as marcas são visíveis de uma violência extrema.» - In Record
Pois é... Eu até pensei que, em nome da luta contra a violência em que todos, sem excepção, deveriam estar empenhados, teríamos hoje uma capa sensacionalista do tipo "Terror em Coimbra", "Pânico na cidade dos estudantes" ou "Crime nas margens do Mondego", mas afinal... Vá lá que desta vez puseram uma foto, sempre é um avanço.

terça-feira, 22 de março de 2011

Comunicado do FC Porto

A respeito do apedrejamento do automóvel do presidente benfiquista, o FC Porto emitiu, através do seu site oficial, um comunicado que eu aqui transcrevo e do qual saliento algumas frases que vêm ao encontro do que eu escrevi no meu texto anterior:

«Públicas virtudes, pecados privados. Por causa de mais um caso em que o futebol português é, infelizmente, pródigo, o carro de um dirigente foi atingido por pedras lançadas não se sabe por quem. Lamentável. Condenável. Desta vez e de todas as outras em que aconteceu. Mas não mais desta vez do que noutras.

Apesar de tudo, o FC Porto saúda o ministro Rui Pereira, que menos de 12 horas depois do incidente já o estava a condenar publicamente e a anunciar ser “implacável neste tipo de situações”. Pena o silêncio ensurdecedor a que se remeteu quando o carro do presidente do FC Porto foi igualmente atacado e atingido por pedras ao passar por baixo de um viaduto quando circulava na auto-estrada A5, a 24/01/2010.
 

Rui Pereira é ministro de Portugal, não é ministro de nenhum clube ou de nenhum grupo de adeptos. Como responsável pela Administração Interna tem a obrigação de cuidar para que todos os cidadãos circulem à vontade no país, como tem a obrigação de ordenar investigações igualmente implacáveis para situações similares. Fazê-lo só às vezes, é lamentável e só ilustra como não reúne as condições para ser ministro de Portugal.

Todos nós condenamos a violência. Ninguém no seu perfeito juízo deixa de o fazer. No FC Porto condenamos todo o tipo de violência e não aceitamos que outros gostem de se colocar em bicos de pé, como de paladinos pela paz. Condenar a violência é um axioma de qualquer sociedade, como condenar a fome, porque isso faz parte do nosso ser.

Também jamais aceitaremos que sistematicamente se procure associar o nome do FC Porto e dos seus adeptos a qualquer tipo de incidentes. Para o sr. ministro Rui Pereira e para toda a gente que parece não o querer entender, os adeptos do FC Porto são cidadãos como outros quaisquer, nem melhor nem pior do que qualquer outro português. Que nunca mais seja preciso explicar uma evidência tão grande.

É contra este caldo de cultura que o FC Porto sempre lutou e continuará a lutar. Um caldo de cultura que leva a Comunicação Social a não cumprir as mais elementares regras de tratamento idêntico para situações equivalentes. Basta observar as capas dos três jornais desportivos do dia 25/01/2010, em que o apedrejamento do carro do presidente do FC Porto mais não é do que um título em fundo de página em corpo pequeno, enquanto as edições de hoje dos mesmos três jornais, duas fazem manchete e o terceiro dedica-lhe uma das chamadas mais nobres, com direito a foto. Haja decoro.»


Muito bem, FC Porto!

Gritante disparidade de critérios jornalísticos

 A 24 de Janeiro de 2010, o FC Porto deslocou-se ao Estoril para defrontar a equipa local em jogo a contar para a Taça da Liga. A poucos quilómetros do estádio António Coimbra da Mota, a comitiva portista foi alvo de uma emboscada, tendo o autocarro da equipa e o carro de Pinto da Costa sido atingidos por pedras arremessadas de um viaduto da A5. As imagens televisivas são bem elucidativas sobre os danos causados no veículo do presidente azul e branco:


Felizmente não se verificaram vítimas em virtude do atentado perpetrado por desconhecidos, mas é fácil perceber que este acto criminoso podia ter tido consequências bem mais graves. Ainda assim, a imprensa deu pouco destaque ao incidente, limitando-se, de uma forma geral, a fazer uma referência discreta nas primeiras páginas dos jornais.
Acontece que o presidente benfiquista, à semelhança do que aconteceu na época passada com o seu homólogo portista, foi ontem alvo de uma emboscada quando se dirigia para Lisboa após o jogo realizado em Paços de Ferreira. Ora, a diferença de tratamento jornalístico dado a estes dois incidentes é gritante e espelha bem o critério diferenciado com que são analisados os actos de violência envolvendo o Benfica e o Porto, só possível graças às ligações promiscuas existentes entre o clube da Luz e a intelectualmente corrupta comunicação social. A simples comparação entre as primeiras páginas dos diários desportivos nacionais dispensa qualquer comentário sobre o assunto. As capas da esquerda referem-se ao incidente de apedrejamento da comitiva portista, as da direita ao da comitiva benfiquista:
 Como se esperava, a maior disparidade no destaque dado aos dois casos verifica-se nas capas dos diários desportivos lisboetas, Record e A Bola. Repare-se que não está aqui apenas em causa a óbvia diferença de espaço dedicado aos casos em questão, mas também o estilo de linguagem e as imagens utilizadas. Enquanto que o caso do FC Porto foi abordado com frases simples e objectivas que quase passam despercebidas a quem observa as primeiras páginas (no caso de A Bola, são quase ilegíveis) e sem qualquer imagem a acompanhar, o caso do SLB é apresentado com um dramatismo e sensacionalismo pouco profissional ("Terror na autoestrada" não vos sugere o título de um thriller rasca?), além de ser ilustrado com imagens que abrangem a maior área da capa.

É evidente que tem acontecido em Portugal, nos últimos anos, um escalar de violência que, se não for contido, poderá atingir patamares incontroláveis. No entanto, é preciso ter a consciência de que a violência é transversal a todos os clubes e o combate à mesma só será possível se as entidades competentes forem capazes de se distanciarem de qualquer ligação clubística, política ou económica, agindo com idêntico critério e severidade independentemente dos clubes envolvidos. Ora, não é isso que se tem verificado! Quando a comitiva do FC Porto foi apedrejada no Estoril, não vimos o então Ministro da Administração Interna vir condenar o acto como agora fez Rui Pereira. Não vimos a comunicação social demonstrar a mesma preocupação sobre o caso, nem tão pouco a atribuir-lhe o mesmo destaque. Não vimos os dirigentes do Benfica tão indignados. E porquê? Porque não existe verdadeiro interesse desta gente em combater a violência, mas sim em utilizá-la como "arma de arremesso" quando lhes dá jeito, esta é que é a realidade!
Quem são afinal os culpados por  esta situação? São os jornalistas, sempre prontos a criticar tudo e todos mas que se demitem das suas próprias responsabilidades transformando, com a sua gritante diferença de critérios, aquela que devia ser uma luta nobre numa disputa clubística mesquinha com o único objectivo de vender jornais. São os políticos, que se escondem por detrás de uma falsa capa de isenção e idoneidade mas que assumem um papel de proteccionismo em relação aos clubes que mais projecção mediática lhes conferem, com o objectivo de daí retirar dividendos políticos. São os dirigentes, que com a sua irresponsabilidade e falta de sensibilidade arrastam as massas associativas para um clima de verdadeira guerrilha contra os outros clubes enquanto assobiam para o ar perante aquilo que se passa debaixo dos seus próprios tectos. E são os adeptos, cada vez mais cegos e fanáticos, que, como tantas vezes acontece neste mesmo blogue, se mostram incapazes de controlar os seus instintos básicos, transformando qualquer simples artigo de opinião adversa à sua afinidade clubística num motivo de ódio, insulto e agressão.

domingo, 20 de março de 2011

Allez Porto, allez!

Falta nesta altura pouco mais de uma hora para o início do jogo do Dragão onde o FC Porto irá defrontar a Académica de Coimbra e eu já estou a preparar-me para "entrar em campo".
Esta partida assume hoje uma importância especial visto que, em caso de vitória, os portistas ficam em excelentes condições para se sagrarem campeões nacionais já na próxima jornada, altura em se deslocam à Capital para defrontar o 2º classificado no seu reduto. Aliás, bastará que os lisboetas percam pontos no jogo de amanhã em Paços de Ferreira para que o FC Porto necessite apenas de um empate na Luz para atingir o principal objectivo da época. Nestas circunstâncias, só uma hecatombe impedirá que se realize este ano um São João antecipado na cidade do Porto, mas atenção! A prepotência pode causar dissabores! Que o digam os adeptos do Benfica que, na época passada, se foram divertindo a "reservar" vários locais da Invicta para os seus festejos, convencidos de que a vitória no Dragão não lhes escaparia, e bem tiveram de guardar a viola no saco. Há que manter o discernimento e a concentração até final da competição pois nada está ainda decidido, tanto mais que os nossos rivais farão todos os possíveis para, na impossibilidade de nos retirar o campeonato, impedir que o ganhemos sem qualquer derrota. Trata-se, obviamente, de um objectivo mesquinho mas que assumirá, na perspectiva encarnada, um significado de vida ou morte. Por isso, hoje à noite, gritemos a uma só voz: Allez Porto, allez! Nós somos a tua voz! Queremos esta vitória! Conquista-a por nós!

Passagem notável aos quartos de final

A passagem do FC Porto aos quartos de final da Liga Europa é notável em vários aspectos:

1) Com esta vitória sobre o CSKA no Dragão, os azuis-e-brancos tornaram-se na equipa portuguesa com maior número de vitórias internacionais na mesma época - nada mais, nada menos que dez! - um record já de si muito difícil de ultrapassar, mas que poderá ainda ser melhorado tendo em conta que o Porto irá realizar, no mínimo, mais dois jogos na Liga Europa.

2) Não é normal nesta fase adiantada da competição uma equipa eliminar o seu adversário com vitórias nas duas mãos, um facto que vem reforçar o favoritismo dos azuis-e-brancos nesta prova da UEFA

3) A presença nos quartos de final da prova traz para o clube ganhos em termos financeiros e de prestígio que são sempre importantes, reduzindo parcialmente os prejuízos causados pela ausência da Liga dos Campeões.

4) Esta presença nos quartos representa também uma projecção internacional e consequente valorização dos jogadores do plantel que poderão ser importantes em futuras transferências.

5) Portugal consegue assim a proeza nunca dantes vista de colocar três equipas nos quartos de final de uma competição europeia, o que abre excelentes perspectivas na vinda do troféu para o nosso país.

6) FC Porto contribuiu ainda para que Portugal se distancie da Rússia no ranking europeu, o que permitirá contar com três equipas nacionais na Champions League em 2012.

Por estes motivos (e, provavelmente, mais alguns), temos de estar satisfeitos com a prestação da equipa na corrente época. No entanto, tendo em conta que faltam apenas duas vitórias para assegurar a conquista do título de campeão nacional, algo que nos permitirá encarar a Liga Europeia ainda com maior empenho e ambição, será prematuro sonhar com a conquista de mais um troféu internacional?

quarta-feira, 16 de março de 2011

A impunidade de Jesus

«Não acredito que leve nove dias ou nove minutos de supensão, muito menos nove meses. Não acredito que seja penalizado, a não ser monetariamente. Não fiz nada para ser castigado e o testemunho de Luís Alberto é a melhor prova disso» - Jorge Jesus, treinador do Benfica em declarações à comunicação social.

Alex Ferguson foi suspenso por cinco jogos por causa dos comentários que fez sobre o árbitro após a derrota do Manchester United com o Chelsea (2-1). À semelhança de Inglaterra, também em Portugal os treinadores do Sporting e do FC Porto foram já multados e suspensos, no decorrer desta época, por palavras dirigidas aos árbitros.
Só o treinador do Benfica, como se sabe, pode dar-se ao luxo de protagonizar as cenas lamentáveis que lhe apetece, envolvendo-se em desacatos em pleno relvado da Luz, insultando, empurrando e agredindo jogadores adversários com total impunidade. E como se já não bastasse esta vergonha, Jorge Jesus ainda tem o descaramento de vir dizer publicamente que não espera qualquer punição para além de uma simples coima. Enfim, só lhe falta ditar as leis a seu bel-prazer. E depois não querem que se diga que o Benfica goza de privilégios especiais? Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele, sempre se ouviu dizer.

terça-feira, 15 de março de 2011

Tiraram um coelho da cartola

Quando foi divulgado no YouTube o segundo conjunto de escutas telefónicas de Pinto da Costa conexas ao processo Apito Dourado, o Procurador Geral da República fez questão de manifestar publicamente a sua preocupação com a publicação de matéria que constituía segredo de justiça, mas foi adiantando que o Ministério Público pouco ou nada poderia fazer para descobrir o culpado de tal crime uma vez que, nem poderia obter a identidade do autor a partir do YouTube em virtude da sua politica de privacidade, nem possuía a tecnologia necessária para proceder a uma investigação independente.
Pareceu-me desde logo evidente que o discurso de Pinto Monteiro não passava de pura demagogia. Na verdade, as escolas de Portugal estão repletas de jovens perfeitamente qualificados na publicação de qualquer tipo de ficheiros na Internet, pelo que não espantaria ninguém que a pessoa (ou pessoas) que se esconde por detrás dos pseudónimos "Tripulha" e "Juiz Marado" não passasse de um jovem imberbe e irresponsável, sem consciência da gravidade dos actos perpetrados, manipulado por alguém que age na sua sombra. Como tal, aquilo que deveria constituir a verdadeira preocupação de Pinto Monteiro seria descobrir quem é que, pertencendo à equipa de investigação do Apito Dourado e tendo acesso às gravações de Pinto da Costa, permitiu que essa matéria viesse parar a mãos indevidas. Para tal não seria necessário possuir tecnologia "XPTO", mas sim a vontade de proceder a uma investigação interna e de fazer as perguntas certas às pessoas certas, algo que Pinto Monteiro não teve interesse em fazer.

Ora, vontade de descobrir o culpado parece não ter faltado a um indivíduo anónimo que publicou recentemente uma investigação por si realizada e que afirma ter conseguido chegar onde Pinto Monteiro dizia ser impossível: ao nome de um suspeito. Esta investigação encontra-se disponível para download aqui (é necessário introduzir a palavra-chave 92Q4 para abrir o ficheiro) e tem sido de tal forma divulgada em vários blogues que chegou mesmo aos ouvidos do próprio suspeito que, entretanto, já reagiu. Vale a pena ler, não apenas o documento original como também o desenvolvimento do caso que começa a assumir contornos de um episódio do CSI.

Segundo o autor desta investigação, no dia 2 de Outubro de 2010, alguém com o pseudónimo "kornfield1" terá publicado no Twitter várias mensagens avisando que daí a poucos minutos seriam divulgadas no YouTube novas escutas telefónicas de Pinto da Costa. Uma dessas mensagens, publicada às 17:25, anunciava mesmo que 30 minutos mais tarde as escutas estariam já disponíveis, o que só por si não teria qualquer significado, não se desse o caso de, efectivamente, as escutas telefónicas terem sido publicadas nesse mesmo dia, tal como o "kornfield1" havia previsto.
Uma pesquisa no Twitter e no Facebook permitiu facilmente ao autor da investigação descobrir a identidade de "kornfield1". Trata-se de Marco Coelho, um jovem que se apresenta como comediante e ilusionista amador e que, ao que me pareceu, realiza espectáculos em bares. Quando confrontado com as suspeitas que sobre ele recaem, Marco Coelho emitiu um comunicado no Twitzer no qual escreve o seguinte:

«Ponto 1 - Quem me ameaçou de forma cobarde e sem nexo será encaminhado para o departamento de investigação da PSP.

Ponto 2 - Nao sou o Tripulha,enquanto Benfiquista(meu único defeito aos olhos destes senhores) adoraria ter sido eu a ser esse personagem mas lamento não sou.

Ponto 3 - O argumento genial desta criatura foi que num twitt terei dito que as escutas iriam estar disponíveis dentro de 30 minutos.
Essa criatura se tivesse BENFICA TV teria ouvido e relido em rodapé na mesma que as escutas estariam disponíveis ate ao fim duma transmissão que estaria em vigor(eu como sou muito perspicaz vi no menu da MEO que iria entao acabar dentro de 30 minutos).»


Parece-me pouco plausível que um indivíduo divulgue as escutas no YouTube tendo o cuidado de esconder a sua identidade e, simultaneamente, publique mensagens a anunciar o crime no Twitter onde a sua identidade era perfeitamente visível. No entanto, não restam dúvidas de que existe uma estranha coincidência entre os dois acontecimentos. Por muito que o presidente do Benfica nos tente convencer de que consegue ler os resultados dos jogos nas estrelas, até uma criança percebe que Marco Coelho só poderia prever a data e a hora da divulgação das escutas se fosse o autor da mesma ou se tivesse recebido essa informação de algum lado.
Repare-se que, no seu comunicado, Marco Coelho afirma que não é o "Tripulha", mas não diz que não é o "Juiz Marado", nem sequer que não os conhece. Pelo contrário, manifesta até uma certa admiração por essas personagens, dando mostras de não ter a completa consciência da gravidade do crime em causa. Recordam-se de eu ter falado anteriormente de «um jovem imberbe e irresponsável, sem consciência da gravidade dos actos perpetrados, manipulado por alguém que age na sua sombra?» Pois é... Basta ver a lista de "amigos" que constam no seu perfil do Facebook para perceber com que tipo de gente se relaciona este indivíduo, desde elementos dos No Name Boys a dirigentes do Benfica como Rui Gomes da Silva, passando por... Leonor Pinhão. Essa mesma, a jornalista envolvida em tudo o que é processo anti-Pinto da Costa.
Como se as suspeitas sobre Marco Coelho não fossem já suficientes, eis que o próprio vem lançar mais uma dúvida sobre o caso ao tentar explicar as suas mensagens "premonitórias" com a alegação de que terá lido em rodapé, no decorrer de um programa da BenficaTV, que as escutas estariam disponíveis até ao final desse programa. Como facilmente se constata na grelha de programação do canal, às 17:25 estava a ser transmitido um jogo de futsal. Ora, se a informação sobre as escutas passou em rodapé durante a transmissão do jogo e a notícia foi avançada no jornal "O Benfica" que se iniciou logo após a partida (por volta das 19h), então Marco Coelho poderá estar a dizer a verdade (chamo a atenção para o facto dos horários que constam na grelha de programação do MEO nunca coincidirem com a realidade, pelo que não admira que ele tenha sido iludido, pensando que o jogo terminaria meia-hora depois). Mas se a primeira referência às escutas tiver sido feita apenas no programa "45 minutos" que foi para o ar à noite (várias horas depois das mensagens), então Marco Coelho está a mentir.
Em todo o caso, é de condenar qualquer ameaça que sobre ele tenha sido concretizada, pois o simples facto de ser suspeito nesta investigação não-oficial nada prova contra ele, nem tão pouco as pessoas têm o direito de fazer justiça pelas suas próprias mãos. Toda a gente é inocente até prova em contrário. Há, isso sim, que denunciar os factos às autoridades competentes e exigir que o Ministério Público investigue, não deixando que o caso caia novamente em saco roto, tal como tem acontecido com tudo o que envolve o Benfica e passa pelas mãos de Pinto Monteiro. Aliás, não tenho dúvidas em apontar o PGR como principal culpado do estado de suspeição generalizado que se instalou em torno deste e de outros casos. Tivesse o Ministério Público demonstrado mais vontade em averiguar o caso como era sua obrigação e os cidadãos comuns não se veriam impelidos a desenvolver investigações privadas, correndo o risco de facilmente se enveredar por uma verdadeira caça às bruxas.

domingo, 13 de março de 2011

Hasta la vista, Jesus!

«O futebol e o desporto em geral precisam de banir este tipo de actos.» - declarações de Jorge Jesus, a respeito da alegada agressão perpetrada por dois encapuzados a Rui Gomes da Silva, vice-presidente do Benfica, numa rua do Porto.

Concordo plenamente com o treinador benfiquista. E tendo em conta que ele próprio foi, já por duas vezes, protagonista de lamentáveis cenas de empurrão e bofetada no final dos jogos, pode começar por banir-se a ele próprio. Hasta la vista, Jesus!

P.S. 1 - Já esta noite, após o jogo com o Portimonense que terminou empatado a uma bola, Jorge Jesus deu os parabéns ao observador da Liga "por ter escrito aquilo que aconteceu" no jogo de Braga... na perspectiva encarnada, obviamente. Foi pena o treinador do Benfica se ter esquecido de endereçar também os seus agradecimentos ao observador do Benfica-Nacional por não ter escrito aquilo que aconteceu.

P.S. 2 - Estou ansioso por ver a 1ª página d'A BOLA de amanhã. Ou muito me engano, ou vários dirigentes encarnados serão violentamente espancados esta noite à saída de restaurantes por delinquentes encapuzados aos gritos de "VIVA O FC PORTO"! Ou isso, ou o observador da Liga irá escrever no seu relatório que o penalty assinalado contra o Benfica deu-se 1 metro fora da área. Enfim, tudo servirá para que não se fale do golo do Benfica.

Os observadores da Liga que tudo observam e nada vêem

No decorrer desta época, já tivemos observadores da Liga a fecharem os olhos aos incidentes ocorridos em pleno Estádio da Luz, no final dos jogos do Benfica com o Marítimo e o Nacional da Madeira, em que Jorge Jesus resolveu distribuir empurrões e bofetadas aos jogadores adversários. Graças à cegueira destes delegados, o treinador encarnado prossegue impune e (pasme-se!) ainda se dá ao luxo de vir a público dar lições de moral acerca de uma alegada agressão a um dirigente benfiquista ocorrida numa qualquer artéria da cidade do Porto. Agora tivemos em Braga um outro observador da Liga, um tal de Joaquim Dantas, que não conseguiu ver a agressão de Javi Garcia a Alan. Uma agressão que, como facilmente se constata, foi denunciada pelo árbitro-auxiliar que se encontrava a cerca de 2 metros de distância e comprovada pelas imagens televisivas. Estaremos atentos aos futuros relatórios do sr. Dantas para verificar até que ponto irá a sua miopia. Será um problema crónico ou sofrerá de ataques pontuais conforme a cor das camisolas?
Como se esperava, o relatório do sr. Dantas  foi prontamente usado pela corrupta imprensa da capital para reforçar a ideia por si difundida de que o pobre SLB foi gravemente prejudicado por Carlos Xistra. Na verdade, esta versão deturpada das ocorrências de Braga não passa de mais uma evidente tentativa de branqueamento de uma agressão perpetrada por um jogador benfiquista, o que vem apenas confirmar aquilo que o anterior branqueamento da  agressão de Jesus a Luís Alberto já sugeria: a LPFP encontra-se minada por gente com ligações ao Benfica (ou que agem sob influência deste), que manipulam descaradamente a verdade desportiva  em nome dos interesses mesquinhos do clube da capital.

sábado, 12 de março de 2011

Rui Santos dixit... e eu concordit

Na passada segunda-feira, critiquei aqui de forma veemente a primeira-página do jornal A BOLA pelo tratamento extremamente faccioso dado à derrota do Benfica em Braga. Na minha crítica afirmei (e reafirmo!) o seguinte:

«A primeira página publicada no dia seguinte à derrota do Benfica em Braga é mais do que um insulto à inteligência de quem a lê: é um atestado de corrupção intelectual passado a todos os profissionais do jornalismo em Portugal. A todos, sem excepção! Não apenas aos que se vendem em nome de interesses económicos e políticos, mas também àqueles que, recusando-se a condenar tais atentados às mais básicas regras do jornalismo, se tornam cúmplices da anarquia que se vive em Portugal em matéria de comunicação social.» 

Pois bem, cumpre-me o dever de excluir deste grupo Rui Santos que, num artigo de opinião intitulado "Ora Bola(s)!" publicado no site RELVADO, não só manifestou a sua total discordância com a referida edição do pasquim da Travessa da Queimada, como critica frontalmente a política editorial assumida pelo tablóide lisboeta. Apenas tenho a lamentar que a clarividência agora demonstrada por este jornalista não seja homogénea nas análises que faz sobre o futebol português no programa Tempo Extra, já que são muitas as vezes em que a sua interpretação dos casos de arbitragem (e não só) se aproxima muito do estilo viciado e faccioso evidenciado pelos seus colegas de A BOLA. De qualquer forma, aqui publico o seu artigo, destacando algumas das suas afirmações que me parecem particularmente importantes, tanto mais que são proferidas por alguém que conhece por dentro a realidade deste jornal:


«Trabalhei durante 26 anos no jornal ‘A Bola’ e não confundo a história do jornal com quem transformou essa grande instituição nacional num vergonhoso pasquim de propaganda clubística, onde se confunde informação com opinião e onde se omite ou dá visibilidade a quem (não) alimenta um interesse específico.
A primeira página de 'A Bola' da passada segunda-feira é um atentado ao bom-senso.
Já estou acostumado às manchetes sem notícia.
Já não me surpreendem as capas cheias de nada.
Já não me causa nenhum tipo de espanto a óbvia discriminação entre aqueles que têm entrada directa nas páginas e os que não têm.
Já não me espantam as 'notícias' plantadas. A propaganda e a promoção fácil. 
Durante décadas, 'A Bola' deu notícias na primeira página. E promoveu a meritocracia. Não apenas no futebol.
Quando na segunda-feira leio, em manchete, 'FC Porto não precisava deste árbitro para ser campeão por mérito' e 'Xistra decide o que estava decidido', pensei: de facto, a minha 'Bola' não é esta. A minha 'Bola' morreu com a morte ou o com o 'homicídio profissional' daquela extraordinária equipa de jornalistas. Quando se fazem capas com 'artigos de opinião' (sem rosto) está tudo dito.
Era muito mais honesto assumir-se: acreditamos que os adeptos do Benfica são, em maioria, os compradores do jornal. Acreditamos que é neles que temos de depositar toda a atenção, por causa das 'vendas líquidas'. Acreditamos que este é o melhor mercado. Mesmo colocando em causa os princípios mais nobres do jornalismo e dos nossos fundadores.»

sexta-feira, 11 de março de 2011

O General Inverno faltou à chamada

Ao longo da sua história, a Rússia foi muitas vezes invadida por vários exércitos como os mongóis, em 1223, os franceses, em  1812, e os alemães, em 1941. Em todos esses conflitos, os russos souberam sempre fazer uso estratégico de um grande aliado seu, a que chamavam "General Inverno", para desgastar os inimigos, pouco habituados e preparados para o rigor do inverno russo.
Mesmo considerando que o historial do FC Porto apresenta algumas vitórias conquistadas sob condições climatéricas bem adversas (das quais se destaca, por motivos óbvios, a Taça Intercontinental conquistada em Tóquio debaixo de um intensíssimo nevão) a verdade é que o frio e a neve já nos pregou partidas bem amargas no passado. Por esse motivo, as temperaturas negativas que se esperavam esta noite em Moscovo eram, obviamente, um factor a temer, mas felizmente o General Inverno desta vez não quis aparecer com a força que lhe é reconhecida. Apareceu apenas um Sargento com uns míseros 7 graus negativos (coisa pouca para os nossos rapazes), daí que os russos, sem o seu histórico aliado, claudicaram frente ao FC Porto, deixando as portas abertas para a passagem dos azuis-e-brancos à próxima eliminatória.
Mas atenção! O CSKA jogou muito bem e, tal como aconteceu em Sevilha, bem podemos agradecer a Helton o facto de não termos sofrido golos. Agora, sem nada a perder, a equipa de Moscovo vem ao Dragão bater-se como se não houvesse amanhã e lembrem-se que eles já demonstraram aquilo que podem fazer fora de casa (o Sporting que o diga). Temos a vantagem de jogar num relvado natural, a temperaturas bem mais agradáveis e perante o nosso público. Há que encher o Dragão pelas costuras e apoiar fortemente a equipa, fazendo regressar as velhas noites de glória europeias que tantas e tantas vezes o FC Porto nos ofereceu. Estou certo de que, se a equipa jogar como pode e sabe, os quartos de final estão já ali ao virar da esquina.

quinta-feira, 10 de março de 2011

O outro vídeo que A BOLA não quer mostrar

Quatro dias depois do jogo Braga-Benfica, o pasquim da Travessa da Queimada prossegue a sua vergonhosa campanha de manipulação da opinião pública. Persistindo numa política de completo e despudorado alinhamento com os interesses encarnados, o tablóide lisboeta vai fazendo uso dos mais diversos recursos para propagandear a sua "verdade" pró-benfiquista. Desde as banais entrevistas a dirigentes e jogadores encarnados que, de lágrima ao canto do olho, vão manifestando a sua indignação pela injustiça de que foram vítimas, às múltiplas análises de isentos peritos de arbitragem que, ao fim de centenas de visionamentos das imagens televisivas, continuam a não conseguir ver a clara agressão de Javi Garcia a Alan, tudo serve para vender a diarreia, perdão, a ideia de que o Benfica foi vítima de uma congeminação obscura que afastou definitivamente o clube da Luz do merecido título. 
A estratégia atingiu o auge do ridículo com a publicação de um vídeo que já circulava abundantemente pela internet e que, segundo A BOLA, provava que o pobre Javi Garcia não tinha agredido absolutamente ninguém. E eu próprio, confesso, movido pela mesma curiosidade que terá levado milhares de pessoas a aceder ao site do referido pasquim, lá fui visualizar as benditas imagens que a SportTV, esse monstro malévolo, procurava esconder aos olhos do público. E para quê, afinal? Apenas para descobrir que o dito vídeo não consegue provar nada, simplesmente porque as imagens são cortadas exactamente antes da agressão. Que conveniente, não é?  
Pois bem, já que A BOLA se  preocupa tanto em fundamentar as suas isentas opiniões com os vídeos que circulam na internet, gostaria de dar também a minha contribuição para o apuramento da verdade, divulgando este trabalho que aqui foi sugerido por um participante anónimo e que nos mostra uma compilação de imagens que A BOLA não teve interesse em mostrar.
Para além das duas entradas violentas de Maxi Pereira e da pisadela no calcanhar  de Ukra, saliento o lance de possível grande penalidade não assinalada a favor do Braga que a comunicação social, em nome da "verdade", tratou de ignorar:

segunda-feira, 7 de março de 2011

Tácticas de terra queimada

A táctica da terra queimada é uma estratégia militar que consiste em incendiar e destruir as suas próprias casas e colheitas à medida que o exército bate em retirada, de forma a negar ao inimigo o alimento e o abrigo. Foi amplamente utilizada por diversos generais ao longo da História e ainda hoje há quem a use nas mais diversas situações, incluindo o futebol.
Os portugueses começam finalmente a perceber que o SL Benfica não luta pela transparência, pela justiça e pela verdade desportiva, mas antes representa, ele próprio, os jogos de influências instalados nos meandros do futebol português, os compadrios, a falsidade e o chico-espertismo de meia-dúzia de caciques da capital que se movem em nome dos seus próprios interesses mesquinhos. E quando estes interesses são ameaçados pela superioridade desportiva dos adversários, eis que o clube da Luz não se faz rogado em aplicar as suas tácticas de terra queimada, fazendo uso da máquina propagandista que orbita em seu redor, destruindo toda a credibilidade do futebol até que nenhum mérito sobre para os vencedores. Quem sofre com isto é obviamente o futebol português e o próprio país, asfixiado pela frustração e inveja dos medíocres.
Ontem, após o jogo frente ao SC Braga em que os lisboetas podem ter dito definitivamente adeus à revalidação de um título conquistado na época passada à custa de uma sucessão de manobras de secretaria e de interferências externas no normal desenrolar da competição, o presidente encarnado deu largas à desonestidade, hipocrisia e mau-perder que o caracterizam, desatando a disparar em todas as direcções, tentando assim encontrar um bode expiatório que, aos olhos dos seus fanáticos seguidores, possa assumir as culpas da desastrosa época desportiva. E ainda este energúmeno limpava a baba e o ranho do seu bigode sebento, ainda as suas palavras ecoavam nos ouvidos enojados dos portugueses, já as rotativas do jornal A BOLA se prestavam para dar cobertura à verborreia do presidente encarnado, em mais uma descarada e obscena campanha de intoxicação do Zé Povinho.

São sobejamente conhecidas as ligações directas existentes entre a direcção do Benfica e o pasquim da Travessa da Queimada, pelo que já ninguém estranha os constantes atentados ao pudor e à isenção jornalística por parte deste jornal, há muito transformado num órgão de comunicação não oficial do clube da Luz. No entanto, há limites para a falta de vergonha. A primeira página de hoje é mais do que um insulto à inteligência de quem a lê: é um atestado de corrupção intelectual passado a todos os profissionais do jornalismo em Portugal. A todos, sem excepção! Não apenas aos que se vendem em nome de interesses económicos e políticos, mas também àqueles que, recusando-se a condenar tais atentados às mais básicas regras do jornalismo, se tornam cúmplices da anarquia que se vive em Portugal em matéria de comunicação social.

Diz A BOLA que «Xistra decidiu o que já estava decidido», acompanhando tal falácia com uma fotografia do árbitro a expulsar Javi Garcia. Mas pensará esta corja que alguém com dois dedos de testa irá acreditar que o jogo já estaria efectivamente decidido aos 41 minutos, altura em que o Benfica ficou reduzido a dez jogadores? Não constitui esta análise uma falta de respeito pela equipa do Braga e uma clara desvalorização do seu valor? E sendo uma simples expulsão de um jogador um factor tão decisivo a ponto de merecer tamanho destaque de 1ª página, por que motivo nunca demonstrou A BOLA preocupação em denunciar o facto do Benfica se ter sagrado campeão depois de jogar mais de 50% da época em vantagem numérica sobre os seus adversários?
Afirma ainda A BOLA que «O FC Porto não precisava deste árbitro para ser campeão por mérito», deixando no ar a ideia de que a arbitragem terá sido encomendada com o objectivo de permitir o distanciamento dos azuis-e-brancos. Mas quem é que, tendo dois olhos na cara e tendo assistido às imagens televisivas, poderá acreditar que as decisões de Carlos Xistra foram erradas? E quem poderá ser tão ingénuo a ponto de acreditar que esta chusma de fanáticos iria alguma vez reconhecer mérito ao FC Porto, com ou sem Xistra? É mais do que evidente que o velho discurso do insulto, da suspeição e da acusação gratuita estava encomendado há muito tempo, faltando apenas um pretexto para o lançarem a público. Já faz parte das suas habituais tácticas de terra queimada.

De nada valem os queixumes sobre o golo alegadamente mal anulado quando as imagens televisivas comprovam que Cardozo estava efectivamente adiantado em relação ao último defesa no momento do passe. Se o árbitro errou nesse lance foi em ter poupado o amarelo ao avançado encarnado por ter introduzido a bola na baliza do Braga já com o jogo interrompido. De nada valem os queixumes sobre a expulsão de Javi Garcia quando as imagens televisivas comprovam que o jogador benfiquista atingiu ostensivamente Alan com o braço esquerdo já depois de ter pontapeado a bola, num gesto grosseiro obviamente merecedor de cartão vermelho. De nada valem as tentativas de branqueamento de mais um frango do sr. 8 milhões, ou dos falhanços de uma equipa que, desde há duas semanas, começou a dar mostras de uma quebra física evidente. Por muito que a intelectualmente corrupta imprensa lisboeta procurasse disfarçar a óbvia quebra de forma dos encarnados, há muito que havíamos percebido aquilo que as vitórias obtidas frente ao Marítimo e ao Sporting nos últimos segundos de jogo faziam augurar: era apenas uma questão de tempo até que a equipa encarnada desse o berro. Ontem, foi o que se viu.

Caricatas são ainda as afirmações do presidente encarnado acerca da recepção da sua equipa em Braga, acusando o clube minhoto de hostilizar os seus congéneres lisboetas. Pensaria porventura este energúmeno que as gentes de Braga se esqueceriam assim tão facilmente da afronta de que foram vítimas na época passada quando viram a sua equipa ser afastada do 1º lugar pelas criminosas decisões do seu cão amestrado, Ricardo Costa? Pensará este energúmeno que saber receber é protagonizar as tristes figuras de Jorge Jesus e Rui Costa quando, em pleno relvado da Luz, trataram os jogadores do Nacional e do Marítimo ao empurrão e à chapada, com a bênção da Comissão Disciplinar da Liga que insiste em assobiar para o ar fingindo que nada vê e nada ouve?
Numa coisa temos de concordar com o presidente encarnado: há de facto jagunços no futebol português e o sr. Vieira conhece-os bem. São aqueles que se movem nas sombras do túnel da Luz e que na época passada conseguiram condicionar a competição ao fazer suspender, com os seus insultos e provocações, dois jogadores do FC Porto. Já houve quem lhes chamasse "gestapo". Eles lá sabem do que falam.

CÓ CÓ RÓ CÓ quer dizer frango de verdade!

sábado, 5 de março de 2011

EPULhas!

Segundo as notícias publicadas hoje, o Tribunal de Contas detectou irregularidades nos negócios imobiliários da EPUL - Empresa Pública de Urbanização de Lisboa - com o Benfica e o Sporting, referentes à construção dos estádios do Euro 2004. A auditoria do Tribunal de Contas concluiu que os dois clubes de Lisboa receberam, cada um, dez milhões de euros para projetos imobiliários, projectos esses que ainda não estão feitos seis anos depois dos contratos terem sido celebrados. As ilegalidades no financiamento da EPUL ao Benfica e Sporting constam do relatório que será enviado ao Ministério Público.
Recorde-se que esta não é a primeira vez que a EPUL se vê envolvida em negociatas ilícitas com o Benfica, tal como aqui se denunciou na devida altura. Em Janeiro de 2010, num post intitulado "Acordo com a CML valeu ao Benfica 65 milhões de euros" e ainda noutro intitulado "Aqui está o poço de petróleo!" foram aqui abordadas as relações promiscuas existentes entre o Benfica e a CML que permitiram ao clube da Luz encaixar verbas exorbitantes obtidas pela venda à EPUL de terrenos que haviam sido cedidos pela própria autarquia para a construção de infra-estruturas desportivas que nunca foram concretizadas. Inacreditavelmente, apesar desse escândalo ter sido devidamente investigado pela PJ, o Ministério Público limitou-se a arquivar o processo. Perante estes factos, tudo leva a crer que, apesar desta obscenidade ser mais uma vez denunciada, agora pelo Tribunal de Constas, nenhum prejuízo daí sairá para as entidades envolvidas. Numa altura em que o país atravessa uma grave crise e os nossos dirigentes apelam à contenção e a sucessivos sacrifícios, assistir a estas negociatas criminosas que permitem aos clubes lisboetas encaixar milhões de euros à custa de todos nós, beneficiando de total impunidade por parte das autoridades da capital, constitui um clamoroso insulto para todos os portugueses. Um insulto que o povo não deixará de cobrar na devida altura.

terça-feira, 1 de março de 2011

Guardanapos verde-rubros

A propósito das notícias que deram conta de que o presidente e o advogado do Marítimo estiveram reunidos com o advogado do Benfica Paulo Gonçalves para preparar as batalhas jurídicas contra o FC Porto e o Atlético Mineiro em torno do futuro do brasileiro Kléber, escrevi no passado dia 17/02/2011 um texto intitulado "Santos aliados... ou aliados santinhos" que termina da seguinte forma:

«Veremos, quando terminar o processo que opõe o Marítimo ao FC Porto, se Carlos Pereira não se irá sentir como um guardanapo usado e deitado fora.»

Mesmo acreditando que seria apenas uma questão de tempo até que o dirigente maritimista se arrependesse da sua santa aliança com o clube encarnado, nem eu mesmo poderia imaginar que bastariam apenas cerca de duas semanas para o caldo entornar entre os dirigentes dos dois clubes.
Hoje, na sequência dos incidentes ocorridos no final do jogo em pleno relvado do Estádio da Luz, João Lomelino de Freitas, director de futebol do Marítimo, deu largas à sua indignação perante a comunicação social, proferindo críticas e acusações graves que deveriam merecer a devida atenção por parte da Comissão Disciplinar. Chamo a vossa especial atenção para a parte em que o dirigente insular relata o que se passou já no interior do túnel da Luz e que as câmaras de televisão não puderam captar:

«As pessoas viram na televisão o que se passou. Coisas graves, com a agravante de serem repetidas, pois já se tinham verificado no final do jogo com o Nacional. Vi dois senhores de cabeça perdida.»

«No fim do jogo, procurei tirar os jogadores do Marítimo daquela confusão, para não haver mais expulsões (além da do Robson), mas o senhor Jesus começou a empurrar toda a gente. Isto não é a praça da ribeira! Disse-lhe que não era correto o que estava a fazer. O treinador tem que dar o exemplo e tem que ter educação.»

«O Rui Costa apareceu de cabeça perdida no túnel, onde foi agarrado por seguranças. Penso que a direcção do Benfica não pactua com estas atitudes.»

«Falei com o Shéu depois e ele disse-me que eles andam muito nervosos. E ganharam, imagine-se o que não teria sido se não vencessem.»


Penso que as declarações de João Lomelino de Freitas são elucidativas quanto ao sentimento de revolta que os dirigentes, técnicos e jogadores do Marítimo sentem neste momento pela forma como foram tratados na Luz no passado fim-de-semana. Espero sinceramente que este triste episódio sirva para que os cidadãos (madeirenses e não só) reflictam sobre aquele que tem sido o verdadeiro papel do Benfica na limpeza e transparência do futebol português.
Já basta de acreditar na imagem de falso puritanismo que a intelectualmente corrupta imprensa da capital passa do clube lisboeta, escamoteando ou branqueando aos olhos do público a gravidade dos actos perpetrados pelos seus dirigentes sem escrúpulos. Já basta de subserviência para com esta gente que nuns dias se gaba de liderar uma pretensa cruzada pela verdade desportiva e noutros dias veste a pele do mais reles arruaceiro, beneficiando de total impunidade por parte das entidades que gerem o futebol português. Os factos estão à vista de todos. Basta de ingenuidade!