sábado, 12 de março de 2011

Rui Santos dixit... e eu concordit

Na passada segunda-feira, critiquei aqui de forma veemente a primeira-página do jornal A BOLA pelo tratamento extremamente faccioso dado à derrota do Benfica em Braga. Na minha crítica afirmei (e reafirmo!) o seguinte:

«A primeira página publicada no dia seguinte à derrota do Benfica em Braga é mais do que um insulto à inteligência de quem a lê: é um atestado de corrupção intelectual passado a todos os profissionais do jornalismo em Portugal. A todos, sem excepção! Não apenas aos que se vendem em nome de interesses económicos e políticos, mas também àqueles que, recusando-se a condenar tais atentados às mais básicas regras do jornalismo, se tornam cúmplices da anarquia que se vive em Portugal em matéria de comunicação social.» 

Pois bem, cumpre-me o dever de excluir deste grupo Rui Santos que, num artigo de opinião intitulado "Ora Bola(s)!" publicado no site RELVADO, não só manifestou a sua total discordância com a referida edição do pasquim da Travessa da Queimada, como critica frontalmente a política editorial assumida pelo tablóide lisboeta. Apenas tenho a lamentar que a clarividência agora demonstrada por este jornalista não seja homogénea nas análises que faz sobre o futebol português no programa Tempo Extra, já que são muitas as vezes em que a sua interpretação dos casos de arbitragem (e não só) se aproxima muito do estilo viciado e faccioso evidenciado pelos seus colegas de A BOLA. De qualquer forma, aqui publico o seu artigo, destacando algumas das suas afirmações que me parecem particularmente importantes, tanto mais que são proferidas por alguém que conhece por dentro a realidade deste jornal:


«Trabalhei durante 26 anos no jornal ‘A Bola’ e não confundo a história do jornal com quem transformou essa grande instituição nacional num vergonhoso pasquim de propaganda clubística, onde se confunde informação com opinião e onde se omite ou dá visibilidade a quem (não) alimenta um interesse específico.
A primeira página de 'A Bola' da passada segunda-feira é um atentado ao bom-senso.
Já estou acostumado às manchetes sem notícia.
Já não me surpreendem as capas cheias de nada.
Já não me causa nenhum tipo de espanto a óbvia discriminação entre aqueles que têm entrada directa nas páginas e os que não têm.
Já não me espantam as 'notícias' plantadas. A propaganda e a promoção fácil. 
Durante décadas, 'A Bola' deu notícias na primeira página. E promoveu a meritocracia. Não apenas no futebol.
Quando na segunda-feira leio, em manchete, 'FC Porto não precisava deste árbitro para ser campeão por mérito' e 'Xistra decide o que estava decidido', pensei: de facto, a minha 'Bola' não é esta. A minha 'Bola' morreu com a morte ou o com o 'homicídio profissional' daquela extraordinária equipa de jornalistas. Quando se fazem capas com 'artigos de opinião' (sem rosto) está tudo dito.
Era muito mais honesto assumir-se: acreditamos que os adeptos do Benfica são, em maioria, os compradores do jornal. Acreditamos que é neles que temos de depositar toda a atenção, por causa das 'vendas líquidas'. Acreditamos que este é o melhor mercado. Mesmo colocando em causa os princípios mais nobres do jornalismo e dos nossos fundadores.»

1 comentário: