sábado, 9 de abril de 2011

Ainda faltará muito para uma nova revolução em Portugal?

Já lá vão uns anos que, numa certa passagem de ano, a população do Porto foi convidada pela CMP, então presidida por Nuno Cardoso, para participar numa grande reveillon a realizar em plena Praça da Liberdade, onde a autarquia se preparava para oferecer aos munícipes (e não só a a estes) um fantástico fogo de artifício. Tive a infelicidade de me deixar vencer pela curiosidade e, movido pela expectativa de assistir a um grandioso espectáculo pirotécnico, fui um dos milhares de infelizes cidadãos que festejou as doze badaladas da meia-noite a olhar para o céu nocturno, à espera de um foguetório que acabou por não acontecer. Confrontado com o mal-estar causado entre a população portuense, o edil viu-se forçado a prestar um esclarecimento público, alegando então que a falha se deveu a uma avaria no botão de disparo dos foguetes. Escusado será dizer que a justificação não caiu bem na opinião pública, que se recusou a aceitar o pobre botão como bode expiatório da incompetência humana.

Quase uma semana depois do jogo que opôs Benfica e Porto e que consagrou os nortenhos como campeões nacionais, continua a não se vislumbrar na Luz quem assuma a responsabilidade pelo "apagão" e pelo "regão" que se verificou no final da partida quando a equipa portista festejava no relvado a conquista do título. A exemplo do botão a quem Nuno Cardoso procurou imputar as culpas do falhanço pirotécnico, também aqui os dirigentes encarnados pretenderam fazer de um simples fusível o bode expiatório da sua asneirada (estranho fusível esse que, ao fundir, desliga as luzes e acciona o sistema de rega...), demonstrando que, não só não possuem a maturidade para medir as consequências dos seus próprios actos, como não têm sequer a verticalidade e o carácter para assumir a sua autoria. Fazem assim lembrar aqueles putos da escola que cometem todo o tipo de asneiras às escondidas dos pais e depois atribuem as culpas ao gato, esperando que os progenitores sejam ingénuos a ponto de acreditar que terá sido o pobre animal que andou a brincar com os fósforos ou abriu o armário para roubar rebuçados.  

Há que reconhecer que o insólito episódio acabou por se afigurar como um tiro no próprio pé, causando mais mossa na imagem do clube da casa do que nos festejos do FC Porto. Aliás, todos sabemos que os melhores momentos são sempre celebrados à média-luz, desde o cantar do "Parabéns a Você" a um  romântico jantar, e os chafarizes de água acabaram por fornecer aos jogadores um motivo de diversão acrescida. Graças ao chico-espertismo dos seus dirigentes, o Benfica acabou assim por cair nas bocas do Mundo pelos piores motivos e forneceu um cenário original à festa do seu rival, conferindo ao momento toda uma envolvência dramática que ficará para sempre na memória de quem assistiu.

Tudo estaria muito bem, não se desse o caso deste "apagão" ter constituído um acto de irresponsabilidade que pôs em causa a segurança do público, dos jogadores e dos agentes da PSP que ainda se encontravam no interior do estádio, tal como reconheceu o subcomissário Costa Ramos no final do jogo (e como lhe deve ter custado proferir tais palavras...). Assim sendo, se já era suficientemente escandaloso o facto dos regulamentos desportivos classificarem este acto como um simples "incumprimento dos deveres do clube", punível com uma miserável coima de 1500 euros (algo que só se explica pelo facto de nunca, até hoje, se ter colocado a hipótese de alguém ser suficientemente estúpido para cometer tal insensatez), mais revoltante ainda se torna quando as autoridades permitem que o mesmo passe impune aos olhos da lei, sem que se verifique sequer a preocupação em apurar as responsabilidades.

Entretanto, o Ministro da Administração Interna, esse lambe-botas do clube do regime que há poucas semanas atrás se mostrava altamente indignado com a violência de que foi alvo o presidente encarnado e que prometeu mão dura na punição dos criminosos, remete-se agora ao silêncio. O mesmo silêncio cúmplice que assumiu, por exemplo, quando o autocarro do FC Porto e o carro de Pinto da Costa foram apedrejados na auto-estrada do Estoril, quando o autocarro da claque portista foi incendiado numa rua da capital, ou quando a PJ descobriu armas de guerra escondidas nas instalações do Estádio da Luz. Sinceramente, não vejo a hora de ver este energúmeno no olho da rua e só lamento saber que irá usufruir de uma choruda reforma, paga do bolso de todos nós. Todos, incluindo aqueles a quem esta escumalha trata como portugueses de segunda. Ainda faltará muito para uma nova revolução em Portugal?

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