terça-feira, 19 de abril de 2011

Bomba no futebol português


 Há mais um escândalo que vem comprovar o clima de corrupção, compadrio e viciação da verdade desportiva existente no seio das instituições que gerem o futebol português. Lamentavelmente, já se prevê que, a exemplo do que sempre acontece no nosso país quando estão em causa os interesses do SL Benfica, este caso venha a ser branqueado aos olhos da opinião pública pela corrupta imprensa lisboeta e ignorado pelas autoridades da capital. Como tal, cabe a todos nós, comuns cidadãos, o dever cívico de denunciar esta obscenidade, impedindo que os responsáveis por esta cabala passem impunes.

Segundo uma notícia publicada hoje pelo jornal O JOGO, o castigo de onze dias de suspensão e 7500 euros de multa aplicado a Jorge Jesus pela Comissão Disciplinar da Liga na sequência dos acontecimentos no final do Benfica-Nacional contrariou as conclusões e a proposta de pena constantes do relatório da instrutora responsável pela condução do processo. De facto, enquanto a Drª Maria João Ribeiro deu como provada a agressão de Jorge Jesus ao jogador do Nacional, concluindo ser ajustado aplicar ao arguido Jorge Fernando Pinheiro de Jesus, treinador do Sport Lisboa e Benfica, Futebol SAD, as penas de suspensão de 2 meses e multa de 6000 euros a Comissão Disciplinar da Liga considerou que o treinador do Benfica apenas tentou agredir Luís Alberto, sem o ter conseguido.

O acórdão final não faz qualquer referência à divergência de opiniões entre a instrutora e os juízes da Comissão Disciplinar, o que indicia a existência da intenção de encobrir as conclusões da Drª Maria João Ribeiro. Entre as divergências verificadas, destaca-se a alteração do relatório elaborado pela instrutora que, no seu ponto 15, refere o seguinte:

«Em face do termo utilizado, e da insistência de Luís Alberto em falar com Jara, o arguido apanhou o jogador Luís Alberto de surpresa e, lançando o braço direito para a frente na direcção do jogador, atingiu-o com a mão direita».

Já o acórdão final refere, no mesmo ponto:

«Em face do termo utilizado e da insistência de Luís Alberto em falar com o Jara, o arguido apanhou o jogador Luís Alberto de surpresa e, lançando o braço para a frente na direcção do jogador, não logrando atingi-lo com a mão direita

Logo a seguir há mais uma divergência. O relatório original refere nos pontos 16 e 17:

«Como consequência desse gesto, o jogador Luís Alberto foi tocado na parte esquerda do rosto e pescoço», tendo a sua cabeça sido «projectada com força para trás e para a direita».

Já o acórdão da CD ignora a menção ao eventual toque no rosto e pescoço de Luís Alberto para referir apenas que:

«Na sequência do referido gesto do arguido, a cabeça do jogador Luís Alberto foi projectada para trás e para a direita».


Como facilmente se constata pela análise dos textos, o relatório da instrutora do processo foi adulterado pela CD com o intuito de esconder o facto de ter ficado provado, quer pelas imagens televisivas, quer pelos testemunhos, que existiu efectivamente uma agressão de Jorge Jesus a Luís Alberto, justificando-se assim a aplicação de uma pena substancialmente menor do que os 2 meses inicialmente propostos.
Entretanto, José Manuel Meirim, professor de Direito do Desporto, esclarece, na edição de hoje de O JOGO, que não é obrigatório que a CD explique os motivos que a levou a alterar as conclusões da instrutora do processo, mas parece evidente que seria da mais elementar obrigação, em nome da transparência e da credibilidade, que tais alterações fossem devidamente explicadas, tanto mais que afectam fortemente a moldura penal aplicada ao arguido. A recusa em fazê-lo sugere a intenção de encobrir as conclusões da Drª Maria João Ribeiro, o que levanta sérias suspeitas sobre a isenção com que o processo foi conduzido.

José Manuel Meirim considera ainda que existem outras incoerências graves que ferem a credibilidade do processo e dá dois exemplos concretos:

«No ponto 15, que é remendado naquele que consta do relatório da instrutora, diz-se que Jorge Jesus não logrou atingir Luís Alberto, mas logo a seguir afirma-se que a cabeça daquele foi projectada. Ora, se foi projectada, é porque sofreu a influência de algo exterior. Caso contrário, deveria afirmar-se que se projectou

«Refere-se que as imagens televisivas são nítidas, esclarecedoras e conclusivas, mas depois refere-se que não se distingue se o gesto de Jorge Jesus é feito com a mão aberta, fechada ou semicerrada

Todos os portugueses compreenderam que este processo envolveu um conjunto de estranhas coincidências altamente favoráveis aos interesses encarnados. De facto, não só a decisão se viu arrastada até à semana em que o campeonato ficou matematicamente decidido, como a duração da suspensão parece ter sido escolhida de forma a provocar o menor dano desportivo possível ao clube da Luz, tendo em conta que a mesma termina exactamente na véspera do jogo da Taça de Portugal, a realizar amanhã com o FC Porto.
As evidências agora trazidas a público vêm fundamentar as suspeitas de que todo o processo terá sido manipulado com o objectivo de proteger o Benfica e o seu treinador das consequências de uma agressão a que todos os portugueses assistiram. Estamos portanto perante um caso de viciação da verdade desportiva que deverá merecer a devida atenção da parte da imprensa nacional e a instauração de um processo de investigação por parte das autoridades competentes. Caso estas se recusem a actuar em conformidade, deverá o FC Porto avançar com a denúncia do caso para as instâncias internacionais, nomeadamente a UEFA e o TAS, no sentido de ver reposta a verdade desportiva e os responsáveis por esta obscenidade devidamente punidos.

3 comentários:

  1. Ora caro bloger, não é nada óbvio o que se passou e passa.
    Então o JorJasus é castigado logo depois do jogo com o FC Porto e fica livre desse mesmo castigo de voltar a defrontar o FC Porto, e depois?! Normal, estamos em Portugal.
    Eles no ano passado insistiam no apoio ao xôr rato bosta e numa medida punitiva exemplar e enquanto a coisa não se dava não se calavam a pedir que o FC Porto fizesse um comunicado a se desmarcar (da atitude) dos seus jogadores, pensando que são seres superiores a lidar com "meninos" e que é difícil de atingir os seus propósitos com tal campanha. Neste caso não só não se desmarcaram de JorJasus como ainda quiseram fazer de conta que nada se passou e se se passou foi o facto de Luiz Alberto ter alterado a sua história(o que é mentira pois ele só prestou depoimento uma única vez - o que se diz à imprensa a seguir aos acontecimentos não pode ser muito considerado como qualquer pessoa sensata deve saber) e ainda se pode juntar a eles, e como bem diz no seu post, a comunicação social portugue... lisboeta.
    Aposto que só o O Jogo e talvez o JN peguem neste "achado" jornalístico pois para o resto da comunicação social e adaptando uma frase de um mestre da táctica, a isenção e tratamento sério e imparcial das noticias é uma treta.

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  2. Caríssimo(s),

    a minha mais forte convicção para o encontro de logo é que os "Coentros e os rabanetes não se sentarão à mesa do rei" - que é como quem "escreve": não haverá espaço para abébias, pelo que aposto num novo apagão ;)

    ps: Parabéns! pelo novo look ;)

    «este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!

    saudações desportivas mas sempre pentacampeãs! ;)

    Miguel | Tomo I

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  3. É este o nosso destino.

    Denunciar os vermelhius.

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