quarta-feira, 20 de abril de 2011

O Xistrema

André Villas-Boas manifestou ontem estranheza pelo facto de, a menos de 48 horas do início do jogo com o Benfica a contar para a Taça de Portugal, ainda não ser conhecido o nome do árbitro escolhido para orientar a partida. Trata-se efectivamente de uma situação pouco habitual e tanto mais estranha se pensarmos que, na mesma altura, já era conhecido o árbitro da final da Taça da Liga que se irá realizar apenas no próximo sábado. Houve quem procurasse justificar esta inusitada situação com uma alegada tentativa de proteger o árbitro de possíveis pressões, algo que à primeira vista não faria muito sentido pois, pela mesma perspectiva, todos os árbitros deveriam merecer a mesma protecção em todos os jogos, o que não acontece. No entanto, a teoria parece ter ganho alguma lógica a partir do momento em que o Conselho de Arbitragem divulgou a escolha de Carlos Xistra.
Recorde-se que Xistra se viu recentemente envolvido numa gigantesca polémica, sendo acusado pelo Benfica de ser o principal responsável pela derrota da equipa da Luz em Braga. Apesar das imagens televisivas darem razão ao árbitro na expulsão de Javi Garcia, os lisboetas, como sempre apoiados pela corrupta imprensa da capital, desencadearam um verdadeiro linchamento público do juiz albicastrense, de quem fizeram bode-expiatório do seu definitivo afastamento do título nacional. Não admira, portanto, que poucos minutos após a divulgação do seu nome para dirigir o confronto de hoje entre o Benfica e o Porto, os principais jornais desportivos da capital já enchiam os seus sites com grandes parangonas a ressuscitar a polémica, obviamente com o objectivo de fazer lembrar que Xistra está em "dívida" para com o Benfica e que terá agora uma excelente oportunidade para limpar a sua imagem aos olhos dos encarnados. O Record, por exemplo, escreveu que «Xistra volta a estar no caminho do Benfica», como se, de repente, o FC Porto tivesse passado para segundo plano e o único obstáculo com que os lisboetas precisassem de se preocupar fosse o árbitro.
Tudo isto faz parte do habitual jogo sujo de Lisboa, que usa e abusa dos seus poderes para condicionar e influenciar os acontecimentos em favor dos seus interesses mesquinhos. Nada interessa nesta altura que, nos três confrontos directos já realizados esta época entre o Porto e o Benfica, tenham sido sempre os portistas com maiores  razões de queixa dos critérios de arbitragem, desde a deplorável prestação de João Ferreira em Aveiro, à criminosa actuação de Duarte Gomes na Luz que um corrupto disfarçado de observador procurou branquear. Nada interessa que o historial de prejuízo ao FC Porto protagonizado por Carlos Xistra seja tão extenso que o albicastrense seja conhecido entre os portistas como "o Xistrema". Nada interessa que o clube lisboeta seja hoje orientado pelo seu treinador graças ao compadrio de uma Comissão Disciplinar que adulterou o  processo de Jorge Jesus para permitir a sua presença no banco. Tudo isto é acessório para quem não olha a meios para atingir os seus fins. E é por este motivo que, hoje à noite, todos nós estaremos a apoiar o FC Porto, não apenas por estar em jogo a presença na final da Taça de Portugal, mas porque cada desafio contra a máfia lisboeta é uma luta do bem contra o mal.
Ninguém duvida de que a tarefa do FC Porto é extremamente árdua, pois os Dragões terão de virar um resultado desfavorável de 2-0 tendo pela frente uma boa equipa, um ambiente hostil e um árbitro altamente condicionado em favor da equipa da casa. Mas se há coisa que este clube sempre teve de bom é a sua capacidade de se transcender perante as adversidades e nunca, nunca virar a cara à luta. Afinal, por alguma razão o Porto é a Cidade Invicta.

1 comentário:

  1. caríssimo:

    tendo em conta o adiantado da hora a que escrevo estas palavras (a festa nos Aliados estava soberba!), peço encarecidamente: o último apaga a Luz, ok? obrigado! :)

    «este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!

    saudações desportivas mas sempre pentacampeãs! ;)

    Miguel | Tomo I

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