segunda-feira, 30 de maio de 2011

O Porto É MESMO o maior, carago!

Há alguns dias que não escrevo nada sobre as últimas ocorrências futebolísticas, por isso, mesmo correndo o risco de abordar alguns temas já arrefecidos, gostaria de deixar aqui a minha opinião sobre os mesmos em jeito de breves comentários:

1) Depois da vitória do FC Porto na Taça de Portugal, a imprensa lisboeta trouxe a lume uma questão aparentemente inocente mas que, como rapidamente se percebeu, não passava de mais um estratagema de manipulação da opinião pública. Ao afirmar que o troféu conquistado no Jamor frente ao Vitória de Guimarães permitiu ao FC Porto igualar o número de títulos do Benfica, os jornais A BOLA e RECORD pretenderam escamotear a verdade aos olhos do público. Na realidade, os azuis-e-brancos contabilizam agora 69 títulos oficiais, contra os 68 do seu rival lisboeta. Tal como a própria FIFA tratou de esclarecer, a inclusão da Taça Latrina, perdão, Latina, na contabilidade do Benfica não passou de uma tentativa de fraude, uma forma encapotada de proteger o clube da Luz mantendo intacta a sua imagem de "mais grande do Mundo" que tanto gostam de apregoar. Lamentavelmente (mas não surpreendentemente), nem mesmo depois do esclarecimento prestado pela entidade que rege o futebol mundial a intelectualmente corrupta imprensa da capital deu o braço a torcer, preferindo refugiar-se no ridículo argumento de que (pasme-se!) se rege por critérios próprios. Fica assim mais uma vez demonstrado que, na perspectiva desta máfia, a isenção e idoneidade jornalística não têm qualquer valor quando os factos chocam frontalmente com os interesses mesquinhos do lobby lisboeta. O azar desta gentinha sem vergonha é que, por mais argumentos falaciosos que possam inventar na tentativa de distorcer a realidade, há cada vez mais pessoas em Portugal a perceber algo que, a cada ano que passa, se torna mais evidente e inquestionável: o Porto É MESMO o maior, carago!

2) Durante alguns dias, ouvimos falar das investigações da PJ sobre pretensas ilegalidades envolvendo a transferência de Júlio César e Roberto para a Luz. Tendo em conta as perigosas ligações de muitos clubes a agentes que, como sabemos, só vêem dinheiro à frente dos olhos, não me precipito a julgar ninguém por considerar que esta situação pode acontecer em qualquer lado. No entanto, não posso deixar passar em claro a reacção de Luís Filipe Vieira que, através de carta enviada à PJ, deu conta da sua indignação por aquilo que considera ser uma "fuga do segredo de justiça". Por outras palavras, o dirigente encarnado não está preocupado em esclarecer as dúvidas e afastar as suspeitas de fraude fiscal e outros crimes que envolvem o clube da Luz, mas sim com o facto do caso ter caído no domínio público, o que não deixa de ser caricato, principalmente se tivermos em consideração que a BenficaTV nunca perdeu uma oportunidade para fazer alarido sobre as escutas conexas ao Apito Dourado, mesmo quando estas foram ilicitamente publicadas no YouTUBE. Enfim, se a hipocrisia fosse uma flor, a Luz era um jardim...

3) O Barcelona derrotou o Manchester United na final da Liga dos Campeões realizada precisamente em terras de Sua Magestade, tornando-se assim no novo campeão europeu. Os catalães vão agora defrontar o Porto no dia 26 de Agosto no Mónaco, a contar para a Supertaça Europeia.
Sabemos de antemão que este vai ser um desafio extremamente difícil para a nossa equipa, ou não fosse o Barça considerado por muitos como a actual melhor equipa do Mundo, mas eu quero acreditar que, se o Porto conseguir manter as principais peças do plantel e reforçar alguns sectores da equipa que, na minha opinião, demonstraram maiores fragilidades, temos hipóteses de fazer uma gracinha. Enfim, este é um daqueles jogos em que ninguém levará a mal se perdermos, mas que saberá muito bem se ganharmos... ainda para mais, tendo em conta que saímos derrotados nas duas últimas vezes que jogamos este troféu...

4) André Villas-Boas acabou de ganhar um prémio na XIV Gala dos Globos de Ouro. Nada de mais, atendendo ao facto do jovem treinador do FC Porto ter conquistado praticamente tudo o que havia para conquistar esta época e, como tal, merecer inteiramente todas as distinções que lhe são atribuídas. O que me parece estranho é que Villas-Boas tenha sido eleito Revelação do Ano, derrotando dois actores e uma cantora, e não Treinador do Ano, num grupo que incluía José Mourinho, Domingos Paciência, Jorge Jesus e Rui Rosa (treinador da Telma Monteiro).
Seria necessária coragem para atribuir o prémio ao miúdo em detrimento do "Special One" e do "Graúdo" com quem Villas-Boas manteve um interessante braço-de-ferro ao longo da época, mas não seria mais justo se assim acontecesse? Afinal, se o objecctivo destes prémios é distinguir o melhor do ano, o que vale a Taça do Rei, conquistada pelo Real Madrid, e a Taça da Liga, conquistada pelo Benfica, quando comparada com a Liga Europa, Liga Portuguesa, Taça de Portugal e Supertaça, conquistadas pelo FC Porto?

sábado, 21 de maio de 2011

Sensacional e inesquecível

Há cerca de sete anos atrás, foi junto ao Estádio do Dragão que festejei a conquista da Liga dos Campeões em Gelsenkirshen no meio de uma imensa multidão. Nessa altura, seriam já umas 4 horas da madrugada quando se confirmou que a equipa só regressaria da Alemanha na manhã seguinte, mas, apesar do adiantado da hora, recordo-me de ter ficado estupefacto com a imensa massa humana que ainda se encontrava na Alameda do Dragão, não se descortinando um único espaço livre por entre os milhares de pessoas que enchiam aquela artéria desde o estádio até à avenida Fernão de Magalhães.

Na passada quarta-feira, as minhas expectativas saíram frustradas quando constatei que escassas centenas de pessoas tinham escolhido esse mesmo palco para os festejos da conquista da Liga Europa, pelo que regressei a casa cedo, obviamente feliz com o desfecho do jogo, mas desiludido com a reacção dos adeptos. Questionei-me mesmo se os portistas estariam a ficar tão habituados às vitórias do FC Porto que se teriam tornado desleixados nas suas manifestações de regozijo, algo que me deixou preocupado. No entanto, ontem, quando entrei na cidade após um longo dia de trabalho, rapidamente percebi que as minhas dúvidas tinham sido precipitadas.
A VCI e algumas artérias da cidade - principalmente aquelas que desaguam na Avenida dos Aliados - começavam a encher-se de gente vestida de azul e branco, ansiosamente à espera da chegada do autocarro que transportava a equipa desde o aeroporto até ao centro da Invicta. Nem o atraso provocado pela avaria do veículo, nem as nuvens negras que se acumulavam no céu preconizando chuva, demoveram a população portuense de receber a equipa com uma justa e merecida onda de euforia e júbilo, apenas comparável aos festejos catalães pela conquista do título de campeão de Espanha pelo Barcelona. Sensacional e inesquecível, é o mínimo que se pode dizer desta arrepiante e sentida homenagem da cidade ao seu clube!

Assistindo a este verdadeiro São João antecipado que se instalou nos Aliados por ordem do povo e constatando a felicidade estampada nos rostos de todas aquele largos milhares de cidadãos, não pude deixar de olhar para o triste e apagado edifício da Câmara Municipal que, graças à casmurrice quixoteana de um pateta sem estofo nem carácter que insiste em isolar-se num mundinho que é só seu, lutando contra moinhos de vento que só ele vê e percebe, se mantém alheio à vontade e ao sentir dos seus munícipes.
Não sei se, como afirmam alguns, este Rio se move por ódios figadais a Pinto da Costa, ou se, como alegam outros, pretende cair no goto dos dirigentes social-democratas na perspectiva de atingir determinados objectivos políticos. O que eu sei – e disso não tenho qualquer dúvida – é que não existe em Portugal outro caso idêntico de tamanha falta de respeito da parte de um autarca por uma instituição centenária que representa e prestigia a própria cidade, levando o seu nome a todo o mundo.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

JÁ É NOSSA!

OBRIGADO, PORTO!

Elevation!

Não sei explicar o que sinto. É um misto de nervosismo e de excitação incontrolável. Mal dormi esta noite. Quero ir trabalhar mas não quero trabalhar. Quero desfrutar deste turbilhão de emoções antes que o sonho acabe. Estou nas nuvens. Alto, mais alto do que o sol. Esta é a banda sonora para o meu dia de hoje: Elevation. Gozem! Aproveitem! Porque dias destes não se vivem todos os dias!


Alto, mais alto do que o sol
Tu disparas-me de uma arma
Eu preciso de ti para me elevar aqui
No canto dos teus lábios
Como a órbita dos teus quadris
Eclipse
Tu elevas a minha alma

Eu não tenho auto-controlo
Vou vivendo como uma toupeira agora
Descendo, escavando
Eu minto no céu
Tu fazes-me sentir como se eu pudesse voar
Tão alto
Elevação!

Uma estrela
Iluminaram-se como um charuto
Amarrada por fora como uma guitarra
Talvez tu possas educar a minha mente

Explica todos esses controlos
Não é possível cantar, mas eu tenho alma
O objectivo é a elevação!

Uma toupeira
Indo num buraco
Desenterrando a minha alma agora
Descendo, escavando

Eu e eu no céu
Tu fazes-me sentir como se eu pudesse voar
Tão alto
Elevação!

Amor
Levanta-me dessa tristeza
Tu não me vais dizer algo verdadeiro
Eu acredito em ti!

domingo, 15 de maio de 2011

Adivinhem...

Qual é a coisa, qual é ela, que antes de o ser já o era?

Se responderam a pescada, acertaram. Se responderam Jacinto Paixão, também acertaram. Confuso? Só para quem não viu o novo vídeo que a imprensa lisboeta anda a difundir até à exaustão, no qual, supostamente, o antigo árbitro Jacinto Paixão confessa ter sido aliciado pelo FC Porto para favorecer o clube azul e branco em troca de meninas.



O actor desta encenação é tão "canastrão" que dá facilmente a perceber que está a ler um texto, fazendo lembrar aqueles vídeos de reféns que, com uma arma apontada à cabeça, são obrigados a ler mensagens de apoio às causas dos seus raptores. Repare-se, por exemplo, na pausa que Paixão faz exactamente antes da palavra "mamavam", um gesto inconsciente que demonstra a sua surpresa com o teor do texto, algo que não aconteceria se as palavras fossem de sua autoria. Além disso, o próprio guião é de tão má qualidade que põe a nu a ficção em que se baseia. É que Jacinto Paixão apresenta-se neste vídeo como "um conhecido ex-árbitro", o que nada teria de anormal não se desse o caso dele ter terminado a sua carreira na arbitragem apenas em 2006, ou seja, dois anos depois da suposta gravação deste vídeo. Enfim, a falta de inteligência é tanta que nem pensam no que escrevem.
Tal como o FC Porto afirmou no seu site oficial, não é uma mera coincidência que este novo ataque seja lançado exactamente no dia em que a justiça civil proferiu mais uma sentença favorável aos azuis e brancos. Também não é novidade que surja quando estamos a poucos dias da final da Liga Europa, já que a situação é em todo semelhante à que aconteceu antes da semi-final disputada com o Villareal, quando a corrupta imprensa lisboeta, resguardada numa notícia do jornal espanhol Marca, acusou falsamente os dirigentes portistas de terem jantado com o árbitro da partida.
Já ninguém duvida de que estamos perante uma estratégia concertada levada a cabo por uma máfia, um lobby lisboeta que procura, a todo o custo, prejudicar o FC Porto e desviar as atenções do público da pobreza franciscana que acabou por ser a época do Benfica. De facto, enquanto os Dragões conseguiram a proeza histórica de se sagrarem campeões sem derrotas e se preparam para disputar, com toda a justiça, duas finais de grande importância, outros, os medíocres, os frustrados, os parasitas, aqueles que se auto-intitulam de maiores do Mundo e arredores mas que nada fazem para merecer tal epíteto, aqueles que se assumem campeões ainda antes das épocas começarem mas que, no final, pouco ou nada ganham, aqueles que, movendo-se airosamente nos bastidores da LPFP e da FPF, vão passando impunes aos olhos da lei mesmo quando as imagens televisivas denunciam a violência e a má-fé das tácticas de guerrilha que praticam nos túneis e campos de futebol, vão-se ocupando com as suas já habituais artimanhas, tentando conquistar, à custa de estratagemas de secretaria, aquilo que não está ao seu alcance pela via desportiva. Apoiar esta máfia, comprar os seus pasquins, ver a sua televisão, deixar-se influenciar pelas suas falácias, é muito mais do que uma demonstração de fraqueza de carácter e de subserviência aos interesses mesquinhos instalados na capital do país. Pactuar com a  podridão e a corrupção intelectual dessa escumalha é, acima de tudo, uma traição à nossa própria pátria. Portugal é um país doente e é preciso combater os cancros que, durante décadas, foram corroendo as suas entranhas e que nos arrastaram para a grave crise actual. Portugal precisa de verdadeiros exemplos de sucesso, gente vencedora, gente que trabalhe e dignifique o seu nome, não de ilusionistas, vigaristas e aldrabões.
Por muito poderosos que sejam os nossos inimigos, ninguém nos poderá derrotar quando a razão está do nosso lado. Por muito perigosa que seja essa gentalha, ninguém nos fará mal enquanto estivermos unidos.

VIVA O FC PORTO! 

sábado, 14 de maio de 2011

Escusam de ir pedir aos finlandeses...

À primeira vista, o acórdão do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, (TACL) tornado público esta semana, poderá não passar de mais uma decisão favorável ao FC Porto, a juntar a muitas outras anteriormente tomadas pelos diversos tribunais civis que julgaram os vários processos do âmbito do Apito Dourado. Mas, ao contrário dessas, o acórdão agora divulgado representa uma interferência directa na esfera da justiça desportiva ao pôr directamente em causa uma condenação proferida pela Comissão Disciplinar da Liga e posteriormente avalizada pelo Conselho de Justiça da Federação, o que lhe confere uma especial importância no processo de defesa do FC Porto junto das instâncias desportivas. Se se tratasse de uma guerra, eu diria que, finalmente, estamos a combater no terreno do inimigo.

Mesmo que a sua decisão seja ainda passível de recurso para o Supremo Tribunal Administrativo (STA), o TACL veio confirmar o que qualquer pessoa com um par de olhos na cara e dois dedos de testa conseguia perceber mas que nem a Liga, nem a Federação, queriam assumir: aquilo a que a imprensa nacional, numa clara tentativa de lhe conferir alguma legitimidade, insistia em chamar de "prolongamento da reunião do CJ", não passou afinal de uma fraude, uma reunião pirata realizada às 2h da madrugada por um grupo de dissidentes que, à rebelia do presidente do órgão, procuraram viciar um processo. Em termos jurídicos, uma decisão tomada nestas circunstâncias vale, obviamente, ZERO!

Imagine-se, por exemplo, que é convocada uma assembleia geral do condomínio de um prédio para se decidir sobre a realização de obras de restauro do edifício e que a moção é aprovada pelo voto favorável da maioria dos condóminos, ficando a decisão registada em acta. O que diriam essas pessoas se, na manhã do dia seguinte, fossem confrontadas com um comunicado afixado no elevador ou na entrada do prédio, dizendo que, numa reunião realizada durante a madrugada pelos condóminos derrotados na primeira votação, tinha ficado decidido por unanimidade que as obras, afinal, não se iriam realizar? É óbvio que, com total legitimidade, se sentiriam defraudadas e que a situação seria, inclusivamente, passível de uma acção judicial. É isto que está aqui em causa, ainda que com uma grande diferença: no caso da Federação, não estamos a lidar com gente leiga, mas sim com um grupo de juízes com elevado conhecimento e experiência jurídica, de quem se esperava (e exigia!) isenção e idoneidade.

Como explicar então que os elementos do CJ se tenham dado ao despudor de protagonizar tal fraude, agora frontalmente denunciada pelo tribunal? Pior: como explicar que Freitas do Amaral, considerado como um dos maiores peritos em direito administrativo do nosso país, tenha pactuado com tamanha anarquia ao manifestar a sua total concordância com o desenrolar dos acontecimentos num parecer pago a peso de ouro pela FPF? Custa-me a crer que o administrativista se tenha deixado influenciar por interesses mesquinhos, mas a fragilidade dos seus argumentos, facilmente desmontáveis até por um caloiro de uma qualquer Faculdade de Direito, não me permite excluir tal hipótese. Muito menos agora, perante tão elucidativo acórdão do tribunal.

Ao contrário do que já li em vários blogues, este tribunal não anula a suspensão de Pinto da Costa e a consequente subtracção de 6 pontos imposta ao FC Porto pela Comissão Disciplinar da LPFP. No entanto, ao considerar inexistente a reunião do CJ na qual foi decidido não dar provimento ao recurso interposto pelo presidente portista, todo o processo retrocede até às 17:55 do dia 4 de Julho de 2008, momento do término da reunião na qual, supostamente, deveria ter sido feita a análise do recurso mas que terminou antes do tempo por decisão (legítima, como também reconhece agora o TACL) do presidente do órgão. Isto abre a porta a vários cenários distintos que poderão, ou não, favorecer o FC Porto.

Em primeiro lugar, todos os processos de recurso têm de ser obrigatoriamente analisados pelas entidades competentes, mas existem prazos legais a obedecer. O facto de já terem passado três anos desde que o recurso foi apresentado por Pinto da Costa pode significar que o processo já não poderá ser reavaliado pelo CJ, um cenário que permitirá ao presidente portista avançar para um pedido de indemnização, algo que a FPF irá tentar evitar a todo o custo. Adivinha-se, portanto, que a Federação venha a recorrer para o STA, tendo este a palavra final. Caso o Supremo tome uma decisão contrária à do TACL, o FC Porto nada terá a ganhar, mas também nada terá a perder visto que os castigos já foram cumpridos. Mas, se o STA tomar uma decisão que vá ao encontro da do TACL, a FPF bem pode começar a pensar como vai arranjar dinheiro para pagar ao clube todos os prejuízos materiais e morais causados por este estúpido imbróglio. Um conselho: escusam de ir pedir aos finlandeses. Depois de tudo o que fizeram para não nos emprestar dinheiro, não me parece que estejam dispostos a dar nem mais um cêntimo para subsidiar mais incompetência portuguesa.

P.S. - Devido aos problemas verificados no Blogger nos últimos dias, só agora consegui publicar este texto. Lamento que tal tenha acontecido.

sábado, 7 de maio de 2011

Esta final não é de todos os portugueses!

Depois da brilhante qualificação do FC Porto e do SC Braga para a final da Liga Europa, a generalidade da imprensa nacional  regozijou-se com o facto de Portugal ter conseguido a proeza de colocar duas equipas na final de uma competição europeia, algo que, até à data, só esteve ao alcance de quatro grandes potências do futebol mundial, nomeadamente a Inglaterra, a Espanha, a Itália e a Alemanha. De repente, passamos a ser todos orgulhosamente portugueses, pobres, é certo, dependentes da ajuda externa, mas capazes de extraordinárias transcendências. Num ápice, o FC Porto e o SC Braga passaram à condição de heróis que trarão mais um troféu para o nosso país, elevando-nos mais uma posição na lista das nações com mais conquistas internacionais do Mundo. Tudo isto é verdade. Tudo isto são factos. Mas, ao contrário do que pretendem agora dizer os jornais, a final de Dublin não é de todos os portugueses. Esta final é apenas daqueles que apoiaram os clubes finalistas e que acreditaram no seu trabalho e no seu valor. Portanto, não nos deixemos inebriar pelo entusiasmo da presença das duas equipas nortenhas na final de Dublin, esquecendo ingenuamente a campanha vergonhosa levada a cabo pela imprensa lisboeta nos dias que antecederam os jogos das semi-finais.

Houve quem surgisse a acusar o Braga de coação sobre os árbitros porque, pasme-se, alguém não identificado se limitou a mostrar a Bruno Paixão duas fotos mostrando dois lances em que o árbitro prejudicou escandalosamente os arsenalistas. O facto do juiz ter perdoado a expulsão a um jogador leiriense quando, logo ao terceiro minuto de jogo, acertou com um pontapé na cara do adversário ao melhor estilo do Kung Fu, passou rapidamente para segundo plano perante o interesse mesquinho de destabilizar a equipa de Domingos Paciência, ou não estivesse o Braga a poucos dias de defrontar o Benfica num jogo que, para os lisboetas, se assumia como de vida ou morte. A palhaçada chegou ao ponto do tristemente célebre "doutorzinho" Ricardo Costa, responsável máximo pela mais despudorada manipulação da verdade desportiva das últimas décadas do futebol português e que, qual abutre, aparece quando lhe cheira a sangue, logo vir condenar sumariamente o clube minhoto à descida de divisão porque, segundo o iluminado perito em legislação desportiva, nem sequer é preciso provar que existiu a intenção de coagir o árbitro! Espectáculo! Imagino, pela mesma ordem de ideias, quantos clubes teriam já descido de divisão pelo simples facto de mostrarem as imagens em repetição dos lances polémicos nos ecrãs gigantes dos estádios e questiono-me se não será muito mais grave do que isso que os dirigentes de um determinado clube lisboeta tenham entrado, sob o pretexto de serem delegados ao jogo, na cabina dos árbitros durante o intervalo de vários jogos.

Mas o pior estava ainda reservado para a véspera das semi-finais quando, de forma verdadeiramente extraordinária, o RECORD conseguiu adivinhar que o jornal espanhol A MARCA iria, precisamente nesse dia e à mesma hora, publicar uma notícia da autoria de Juan Ignacio Gallardo segundo a qual dirigentes portistas teriam jantado com o árbitro que dirigiu o FC Porto-Villareal no Dragão. Uma notícia que, como se esperava, acabou por se revelar completamente falsa, não merecendo da UEFA a mais pequena atenção. Ao contrário do que desejavam os seus autores, esta falácia não beliscou minimamente a imagem do FC Porto no estrangeiro nem estragou o ambiente em torno do jogo no El Madrigal, vindo apenas pôr a nu, uma vez mais, a corrupção intelectual existente no jornalismo lisboeta. E agora querem que eu, como português e portista, reconheça a esta gentalha o direito de festejar e, pior, assumir como seu, o sucesso dos clubes finalistas da Liga Europa a quem não perdem a mais pequena oportunidade para prejudicar?

P.S. - O primeiro golo do Villareal nasceu de uma jogada claramente irregular por fora de jogo do avançado e o penalty que deu origem ao terceiro golo dos espanhóis deveria ter sido repetido visto que há um segundo jogador da equipa espanhola dentro da área no momento em que o remate é efectuado. Não estará agora o director do RECORD interessado em perguntar ao seu amigo Juan Ignácio Gallardo com quem terá jantado o árbitro Gianluca Rocchi?

Os verdadeiros gloriosos de Portugal

Tive a sorte de assistir, ao longo dos meus anos de existência, a todas as finais europeias disputadas pelo FC Porto. Senti, como muitos de vós, a tristeza e a revolta provocada pela derrota frente à Juventus, num jogo de muito má propaganda para o futebol e para a arbitragem. Senti a alegria e o orgulho  imenso de ser campeão europeu pela primeira vez após a histórica vitória sobre o Bayern de Munique. Vibrei quando, com Mourinho ao leme, conquistamos novamente a Europa com uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões ganhas em dois anos consecutivos, tudo isto já para não falar nas Taças Intercontinentais e na Supertaça da Europa. Mas nem com todas estas vitórias internacionais vi o FC Porto perder a humildade e a capacidade de reconhecer o valor e o mérito dos adversários. Nunca vi o FC Porto encarar um jogo com a sobranceria  de quem se julga superior, com a arrogância de quem pensa que o peso das camisolas ainda ganha jogos. No futebol não há vencedores antecipados e nós próprios fomos uma lição viva disso mesmo quando, contra todas as expectativas, defrontamos e derrotamos o colosso bávaro em Viena. Éramos, nessa altura, vistos como "out-siders" e todos sabemos como esse filme terminou.
No início desta época, estávamos todos muito longe de imaginar que o SC Braga iria chegar à final da Liga Europa. Muitos acreditavam mesmo que os arsenalistas nem sequer conseguiriam qualificar-se para a competição secundária da UEFA, após a eliminação da Liga dos Campeões. O que é certo é que a equipa de Domingos Paciência foi, passo a passo, contrariando todas as expectativas, brilhantemente eliminando adversário após adversário, e irá defrontar, com toda a justiça, o FC Porto em Dublin. Os guerreiros do Minho, com um orçamento muito inferior ao dos seus adversários mas com muita competência, garra e determinação, fizeram o milagre de atingir um patamar que poucos conseguem atingir. Quem faz milagres destes, meus amigos, tem de ser levado muito a sério. Quem demonstra tamanha capacidade de transcendência, merece ser respeitado.
No próximo dia 18 vou, obviamente, torcer pelo meu clube do coração. Mas, se quiser o destino que o FC Porto perca esta final, festejarei de igual forma, não como portista, mas como português, porque são exemplos de trabalho, de empenho e de sucesso como aqueles que agora nos são dados por estes dois clubes que o nosso país necessita para evoluir, para crescer, para sair da profunda crise em que se encontra.
No dicionário de língua portuguesa, "glorioso" é aquele que tem a glória, não aquele que tem a maior bazófia. O FC Porto e o SC Braga, estes sim, são os verdadeiros gloriosos de Portugal!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Estou de regresso... e na melhor altura!

Após duas semanas no "estaleiro" graças a um acidente que sofri e que me incapacitou quase totalmente para a escrita, (entre outras actividades) eis que regresso ao vosso convívio na melhor altura, precisamente a tempo de partilhar convosco as emoções do apuramento do nosso amado clube para a final da Liga Europa. E há muita coisa que trago guardada para dizer...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Comunicado do FC Porto

«A Administração da Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD desmente em absoluto que algum dos seus dirigentes ou funcionários tenha jantado com o árbitro Bjorn Kuipers, após o jogo com o Villarreal, a contar para a primeira mão das meias-finais da Liga Europa.

Como acontece nestas circunstâncias, a Federação Portuguesa de Futebol nomeou o sr. António Garrido para acompanhar a equipa de arbitragem, tendo o mesmo levado os árbitros a jantar após o jogo.

A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD não vai alimentar polémicas e reserva-se o direito de tomar as medidas que entender para defender o seu bom nome.»

Dai a outra face

Há 2000 anos atrás, Jesus disse aos seus apóstolos: quando vos esbofetearem, dai a outra face. O Luís Alberto não obedeceu às ordens do Messias e, de castigo, levou 30 dias de suspensão.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Gomes Amaro

Para as gerações mais jovens, o nome de Gomes Amaro poderá não significar absolutamente nada, mas para todos os portistas que, tal como eu, viveram as gloriosas décadas de 70 e 80 do FC Porto, é impossível recordar as fantásticos relatos deste grande senhor da rádio sem sentir um forte sentimento de saudade.
Gomes Amaro nasceu em Celorico da Beira, mas foi do Brasil, para onde havia emigrado com apenas 3 anos de idade, que trouxe, não apenas a pronúncia, mas a alegria, o entusiasmo e o ritmo de samba com que "pintava" os seus relatos radiofónicos.

Gomes Amaro não se limitava a dar informações e a descrever os acontecimentos, como a maior parte dos relatadores hoje faz. Ele transmitia as emoções, o calor e a envolvência apaixonante daquilo que era realmente o espectáculo do futebol por ele presenciado. Ele era os nossos olhos e ouvidos no estádio, mas era também o nosso coração que palpitava a cada uma das suas palavras. Muitas vezes, na minha juventude, gravei em cassete os relatos em directo de Gomes Amaro, apenas para rever mais tarde, vezes sem conta, as suas divertidíssimas expressões trazidas do Brasil e os seus inigualáveis gritos de golo, sempre emoldurados por refrões de música brasileira. Quem não se recorda do "Vai lá, vai lá, vai lá" ou do "Que bonito é as bandeiras tremulando, a torcida delirando, vendo a rede balançar"?...

Dos muitos golos relatados por Gomes Amaro que escutei no Quadrante Norte, houve um que me ficou particularmente na memória. O FC Porto jogava em Alvalade e o resultado permanecia em 0-0 quando o árbitro assinalou uma falta a favor dos portistas a poucos metros da linha do meio-campo. O Geraldão ajeitou a bola e recuou vários passos, dando a sensação de que se preparava para rematar directamente à baliza. E se assim pareceu, melhor o fez. É verdade que o guarda-redes sportinguista foi mal batido, pois a distância a que o livre foi marcado deveria dar-lhe tempo para reagir, mas o que é certo é que a potência do remate foi de tal ordem que a bola voou 40 metros como um tiro para dentro da baliza. O altifalante do meu rádio quase explodiu com o grito de Gomes Amaro e o caso não era para menos. Que grande golo!

É claro que, por muito que vasculhemos a memória, nada se comparará às emoções vividas na grande final da Taça dos Campeões Europeus de 1987, ganha sobre o poderoso Bayern de Munique, e por isso aqui vos deixo o relato de Gomes Amaro do golo de Madjer que abriu as portas à reviravolta no resultado e do final do jogo que sagrou o Porto Campeão Europeu pela primeira vez na sua história. Confessem lá: conseguem ouvir isto sem sentir um arrepio na espinha e uma lágrima no canto do olho? 





P.S. - Gostava de desafiar os visitantes deste blogue a relembrar aqui outros grandes momentos do FC Porto relatados por Gomes Amaro. Há muita coisa no YouTube e em blogues, é só procurar.

domingo, 1 de maio de 2011

Que gozo me deu!

Por motivos profissionais, vi-me obrigado a assistir ao Porto-Villareal em Bragança, num restaurante que tive o cuidado de escolher, não pelas suas especialidades gastronómicas, mas pelo simples facto de ter SportTV. Ainda assim, sabendo que muitos brigantinos (tal como acontece com muita gente das vilas e cidades do interior) pendem para os clubes de Lisboa, temia que a preferência fosse dada à transmissão do jogo Benfica-Braga que se realizava à mesma hora. Felizmente para mim e para vários outros Dragões que ali se encontravam, o proprietário do restaurante era um assumido adepto dos azuis-e-brancos e foi num belo plasma que assistimos à goleada imposta pelo FC Porto aos espanhóis de Villareal. No entanto, para que ninguém se sentisse melindrado, o dono do restaurante teve o cuidado de ligar, no extremo oposto da sala, um segundo televisor no qual se podia acompanhar também a transmissão do jogo da Luz, pelo que se gerou uma curiosa situação em que, qual partida de ténis, os comensais iam virando a cabeça, ora para um lado, ora para o outro, conforme os lances importantes iam surgindo nas duas televisões. É claro que os clientes afectos ao clube lisboeta ganharam o primeiro "set" desta partida, mercê do golo do Villareal e do primeiro golo do Benfica, mas o golo bracarense e a mão cheia de golos do Dragão que os portistas foram festejando efusivamente ao longo dos segundos 45 minutos foram demasiado indigestos para os pobres coitados que, a partir de uma determinada altura, já só queriam pagar a conta para se porem rapidamente a andar dali para fora. Que gozo me deu!