sábado, 7 de maio de 2011

Esta final não é de todos os portugueses!

Depois da brilhante qualificação do FC Porto e do SC Braga para a final da Liga Europa, a generalidade da imprensa nacional  regozijou-se com o facto de Portugal ter conseguido a proeza de colocar duas equipas na final de uma competição europeia, algo que, até à data, só esteve ao alcance de quatro grandes potências do futebol mundial, nomeadamente a Inglaterra, a Espanha, a Itália e a Alemanha. De repente, passamos a ser todos orgulhosamente portugueses, pobres, é certo, dependentes da ajuda externa, mas capazes de extraordinárias transcendências. Num ápice, o FC Porto e o SC Braga passaram à condição de heróis que trarão mais um troféu para o nosso país, elevando-nos mais uma posição na lista das nações com mais conquistas internacionais do Mundo. Tudo isto é verdade. Tudo isto são factos. Mas, ao contrário do que pretendem agora dizer os jornais, a final de Dublin não é de todos os portugueses. Esta final é apenas daqueles que apoiaram os clubes finalistas e que acreditaram no seu trabalho e no seu valor. Portanto, não nos deixemos inebriar pelo entusiasmo da presença das duas equipas nortenhas na final de Dublin, esquecendo ingenuamente a campanha vergonhosa levada a cabo pela imprensa lisboeta nos dias que antecederam os jogos das semi-finais.

Houve quem surgisse a acusar o Braga de coação sobre os árbitros porque, pasme-se, alguém não identificado se limitou a mostrar a Bruno Paixão duas fotos mostrando dois lances em que o árbitro prejudicou escandalosamente os arsenalistas. O facto do juiz ter perdoado a expulsão a um jogador leiriense quando, logo ao terceiro minuto de jogo, acertou com um pontapé na cara do adversário ao melhor estilo do Kung Fu, passou rapidamente para segundo plano perante o interesse mesquinho de destabilizar a equipa de Domingos Paciência, ou não estivesse o Braga a poucos dias de defrontar o Benfica num jogo que, para os lisboetas, se assumia como de vida ou morte. A palhaçada chegou ao ponto do tristemente célebre "doutorzinho" Ricardo Costa, responsável máximo pela mais despudorada manipulação da verdade desportiva das últimas décadas do futebol português e que, qual abutre, aparece quando lhe cheira a sangue, logo vir condenar sumariamente o clube minhoto à descida de divisão porque, segundo o iluminado perito em legislação desportiva, nem sequer é preciso provar que existiu a intenção de coagir o árbitro! Espectáculo! Imagino, pela mesma ordem de ideias, quantos clubes teriam já descido de divisão pelo simples facto de mostrarem as imagens em repetição dos lances polémicos nos ecrãs gigantes dos estádios e questiono-me se não será muito mais grave do que isso que os dirigentes de um determinado clube lisboeta tenham entrado, sob o pretexto de serem delegados ao jogo, na cabina dos árbitros durante o intervalo de vários jogos.

Mas o pior estava ainda reservado para a véspera das semi-finais quando, de forma verdadeiramente extraordinária, o RECORD conseguiu adivinhar que o jornal espanhol A MARCA iria, precisamente nesse dia e à mesma hora, publicar uma notícia da autoria de Juan Ignacio Gallardo segundo a qual dirigentes portistas teriam jantado com o árbitro que dirigiu o FC Porto-Villareal no Dragão. Uma notícia que, como se esperava, acabou por se revelar completamente falsa, não merecendo da UEFA a mais pequena atenção. Ao contrário do que desejavam os seus autores, esta falácia não beliscou minimamente a imagem do FC Porto no estrangeiro nem estragou o ambiente em torno do jogo no El Madrigal, vindo apenas pôr a nu, uma vez mais, a corrupção intelectual existente no jornalismo lisboeta. E agora querem que eu, como português e portista, reconheça a esta gentalha o direito de festejar e, pior, assumir como seu, o sucesso dos clubes finalistas da Liga Europa a quem não perdem a mais pequena oportunidade para prejudicar?

P.S. - O primeiro golo do Villareal nasceu de uma jogada claramente irregular por fora de jogo do avançado e o penalty que deu origem ao terceiro golo dos espanhóis deveria ter sido repetido visto que há um segundo jogador da equipa espanhola dentro da área no momento em que o remate é efectuado. Não estará agora o director do RECORD interessado em perguntar ao seu amigo Juan Ignácio Gallardo com quem terá jantado o árbitro Gianluca Rocchi?

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