sábado, 7 de maio de 2011

Os verdadeiros gloriosos de Portugal

Tive a sorte de assistir, ao longo dos meus anos de existência, a todas as finais europeias disputadas pelo FC Porto. Senti, como muitos de vós, a tristeza e a revolta provocada pela derrota frente à Juventus, num jogo de muito má propaganda para o futebol e para a arbitragem. Senti a alegria e o orgulho  imenso de ser campeão europeu pela primeira vez após a histórica vitória sobre o Bayern de Munique. Vibrei quando, com Mourinho ao leme, conquistamos novamente a Europa com uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões ganhas em dois anos consecutivos, tudo isto já para não falar nas Taças Intercontinentais e na Supertaça da Europa. Mas nem com todas estas vitórias internacionais vi o FC Porto perder a humildade e a capacidade de reconhecer o valor e o mérito dos adversários. Nunca vi o FC Porto encarar um jogo com a sobranceria  de quem se julga superior, com a arrogância de quem pensa que o peso das camisolas ainda ganha jogos. No futebol não há vencedores antecipados e nós próprios fomos uma lição viva disso mesmo quando, contra todas as expectativas, defrontamos e derrotamos o colosso bávaro em Viena. Éramos, nessa altura, vistos como "out-siders" e todos sabemos como esse filme terminou.
No início desta época, estávamos todos muito longe de imaginar que o SC Braga iria chegar à final da Liga Europa. Muitos acreditavam mesmo que os arsenalistas nem sequer conseguiriam qualificar-se para a competição secundária da UEFA, após a eliminação da Liga dos Campeões. O que é certo é que a equipa de Domingos Paciência foi, passo a passo, contrariando todas as expectativas, brilhantemente eliminando adversário após adversário, e irá defrontar, com toda a justiça, o FC Porto em Dublin. Os guerreiros do Minho, com um orçamento muito inferior ao dos seus adversários mas com muita competência, garra e determinação, fizeram o milagre de atingir um patamar que poucos conseguem atingir. Quem faz milagres destes, meus amigos, tem de ser levado muito a sério. Quem demonstra tamanha capacidade de transcendência, merece ser respeitado.
No próximo dia 18 vou, obviamente, torcer pelo meu clube do coração. Mas, se quiser o destino que o FC Porto perca esta final, festejarei de igual forma, não como portista, mas como português, porque são exemplos de trabalho, de empenho e de sucesso como aqueles que agora nos são dados por estes dois clubes que o nosso país necessita para evoluir, para crescer, para sair da profunda crise em que se encontra.
No dicionário de língua portuguesa, "glorioso" é aquele que tem a glória, não aquele que tem a maior bazófia. O FC Porto e o SC Braga, estes sim, são os verdadeiros gloriosos de Portugal!

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