sábado, 21 de maio de 2011

Sensacional e inesquecível

Há cerca de sete anos atrás, foi junto ao Estádio do Dragão que festejei a conquista da Liga dos Campeões em Gelsenkirshen no meio de uma imensa multidão. Nessa altura, seriam já umas 4 horas da madrugada quando se confirmou que a equipa só regressaria da Alemanha na manhã seguinte, mas, apesar do adiantado da hora, recordo-me de ter ficado estupefacto com a imensa massa humana que ainda se encontrava na Alameda do Dragão, não se descortinando um único espaço livre por entre os milhares de pessoas que enchiam aquela artéria desde o estádio até à avenida Fernão de Magalhães.

Na passada quarta-feira, as minhas expectativas saíram frustradas quando constatei que escassas centenas de pessoas tinham escolhido esse mesmo palco para os festejos da conquista da Liga Europa, pelo que regressei a casa cedo, obviamente feliz com o desfecho do jogo, mas desiludido com a reacção dos adeptos. Questionei-me mesmo se os portistas estariam a ficar tão habituados às vitórias do FC Porto que se teriam tornado desleixados nas suas manifestações de regozijo, algo que me deixou preocupado. No entanto, ontem, quando entrei na cidade após um longo dia de trabalho, rapidamente percebi que as minhas dúvidas tinham sido precipitadas.
A VCI e algumas artérias da cidade - principalmente aquelas que desaguam na Avenida dos Aliados - começavam a encher-se de gente vestida de azul e branco, ansiosamente à espera da chegada do autocarro que transportava a equipa desde o aeroporto até ao centro da Invicta. Nem o atraso provocado pela avaria do veículo, nem as nuvens negras que se acumulavam no céu preconizando chuva, demoveram a população portuense de receber a equipa com uma justa e merecida onda de euforia e júbilo, apenas comparável aos festejos catalães pela conquista do título de campeão de Espanha pelo Barcelona. Sensacional e inesquecível, é o mínimo que se pode dizer desta arrepiante e sentida homenagem da cidade ao seu clube!

Assistindo a este verdadeiro São João antecipado que se instalou nos Aliados por ordem do povo e constatando a felicidade estampada nos rostos de todas aquele largos milhares de cidadãos, não pude deixar de olhar para o triste e apagado edifício da Câmara Municipal que, graças à casmurrice quixoteana de um pateta sem estofo nem carácter que insiste em isolar-se num mundinho que é só seu, lutando contra moinhos de vento que só ele vê e percebe, se mantém alheio à vontade e ao sentir dos seus munícipes.
Não sei se, como afirmam alguns, este Rio se move por ódios figadais a Pinto da Costa, ou se, como alegam outros, pretende cair no goto dos dirigentes social-democratas na perspectiva de atingir determinados objectivos políticos. O que eu sei – e disso não tenho qualquer dúvida – é que não existe em Portugal outro caso idêntico de tamanha falta de respeito da parte de um autarca por uma instituição centenária que representa e prestigia a própria cidade, levando o seu nome a todo o mundo.

1 comentário:

  1. off-topic:

    caríssimo,

    faz hoje 24 anos que se escreveu, a ouro, uma página brilhante da nossa história.

    «este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!

    saudações desportivas mas sempre pentacampeãs! ;)

    Miguel | Tomo I

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