segunda-feira, 25 de julho de 2011

Apresentação dos campeões nacionais

O FC Porto fez hoje a sua apresentação aos sócios defrontando o Peñarol de Montevidéu, uma equipa uruguaia que nos traz gratas recordações pelo facto de ter sido o adversário dos dragões aquando da conquista da sua primeira Taça Intercontinental em 1987.
Recordo-me perfeitamente de ter assistido à transmissão televisiva desse jogo em plena madrugada, na companhia do meu falecido pai. O intenso nevão que se fez sentir durante toda a partida transformou o terreno de jogo num misto de gelo, neve e lama, tornando-o impróprio para a prática do futebol, mas os jogadores azuis e brancos, com enorme espírito de sacrifício e transcendência, conseguiram ultrapassar as adversidades e conquistaram o troféu, enchendo-nos de orgulho. Fernando Gomes marcou o primeiro golo, mas o Peñarol empatou, relançando a dúvida sobre o desfecho da partida. A emoção atingiu o auge quando Madjer introduziu a bola na baliza uruguaia pela segunda vez, selando assim o resultado final em 2-1 favorável aos portistas. A explosão de alegria foi de tal ordem que o meu pai saltou da cadeira com os braços no ar, atingindo o candeeiro do tecto da sala no qual ainda hoje são visíveis os efeitos dessa noite inesquecível. Enfim, belos momentos que só o Porto nos oferece e que nos ficam para sempre gravados na memória.

O jogo de hoje foi agradável de seguir e terminou com um resultado bem mais desnivelado em favor do FC Porto. Guillermo Rodriguez na própria baliza, Hulk e Walter marcaram os três golos sem resposta com que os portistas aviaram o Peñarol, uma equipa lutadora ao bom estilo sul-americano (por vezes com excessiva dureza), mas que se apresentou no Dragão sem capacidade nem vontade de contribuir para o espectáculo. Bastam os dedos de um mão (e provavelmente ainda sobrarão alguns) para contar o número de remates efectuados pelos uruguaios à baliza de Helton, enquanto que os portistas podiam muito bem ter alcançado um resultado bem mais volumoso, não se verificasse ainda algum desacerto na equipa, principalmente no sector avançado.

Kléber demonstrou uma vez mais que é um bom reforço, vindo colmatar uma lacuna que a equipa evidenciou na época passada: a falta de uma alternativa credível a Falcao. No entanto, ao contrário daquilo que já vi escrito aqui e ali, o brasileiro não é um substituto do colombiano, nem tão pouco apresenta características semelhantes, muito menos justifica a sua saída. Falcao é um ponta de lança viperino, passa despercebido e aparece onde e quando menos se espera para desferir remates mortais. Kléber é jogador de choque, não evita o confronto físico, pelo contrário, procura-o com os defesas contrários de forma a tirar partido da sua estatura. Ambos podem ser complementares, ambos podem ser solução conforme as características do adversário.

Seria injusto falar em avançados e esquecer Walter, que marcou esta noite mais um golo de belo efeito. O brasileiro tem efectivamente um problema de peso, mas a verdade é que, sempre que é chamado à equipa, marca. Se Walter conseguir substituir a massa gorda por músculo, pode muito bem vir a ser um grande avançado. Caso contrário, corre o risco de passar para terceiro plano e acabar por sair do clube sem honra nem glória, o que seria uma grande pena dada as capacidades que já demonstrou.

Uma palavra ainda para Kelvin. O terceiro golo portista nasceu de uma jogada fantástica construída pelo jovem reforço que cortou a defesa adversária como uma faca quente corta manteiga, entregando depois a bola a Walter para o remate vitorioso. Este lance pôs à vista todo o virtuosismo e talento deste jogador, um diamante em bruto que o FC Porto irá, com toda a certeza, saber lapidar.

Em resumo: apesar das muitas substituições efectuadas e da falta de entrosamento dos jogadores recém-chegados, o FC Porto demonstrou, como se esperava, que existe uma linha de continuidade em relação ao trabalho desenvolvido na época passada. O esquema táctico permanece inalterável, mas agora parecem existir, não só mais soluções para cada posição, como também jogadores com características distintas, capazes de proporcionar ao treinador verdadeiras alternativas. Se considerarmos ainda que faltou hoje o contributo de vários jogadores habitualmente titulares que se encontram ausentes devido aos compromissos das selecções, tais como James Rodrigues, Álvaro Pereira, Falcao e Guarin, temos razões para acreditar que o plantel está mais rico em qualidade e quantidade relativamente à época passada. E se na época passada conquistamos o que conquistamos, não podemos deixar de pensar que temos asas para voar bem alto na Liga dos Campeões. Tem agora a palavra Vítor Pereira.

1 comentário:

  1. Bom dia,

    Ontem tivemos um jogo típico de apresentação, com alguns momentos de bons pormenores técnicos e jogadas bem gizadas e outras de alguma trapalhada.

    O que fica é a festa que se fez no Dragão com excelente casa, e uma equipa que mantendo princípios de jogo da época passada, acrescentou outros que me agradam, como a agressividade e pressing alto, aliás foram inúmeras as vezes que com sucesso colocamos os jogadores do Peñarol em fora de jogo, fruto da defesa mais subida.
    Gostei de Ruben e Moutinho no meio campo. Souza esteve melhor que nos passados desafios, mas entre ele e Castro continuo a optar pela permanência de Castro. No centro da defesa mantemos segurança bem como nas laterais.
    Varela e Hulk são uns desequilibradores, e Kelvin está a demonstrar ser uma excelente alternativa a Falcao.
    Walter que ontem teve momento de trapalhão poderá ser dispensado, apesar de continuar a facturar.
    Vítor Pereira vai ter uma boa dor de cabeça para definir o plantel.
    Ontem Castro e Kelvin mais uma vez demonstraram que tem lugar no plantel. Mas uma coisa é ter lugar, outra é ir jogando muito pouco.
    Existem uns que defendem que se deve optar pelo empréstimo, e outros que defendem que a permanência ajuda este jogadores a evoluir ainda mais, pois treinam como os melhores. Pessoalmente, penso que a saírem por empréstimo tem de sair para jogar, e assim evoluir. Não pode acontecer o que se passou com Sérgio Oliveira na época passada.

    A nossa equipa técnica tomará as melhores decisões tendo em conta os interesses do clube, e o futuro dos atletas, que para muitos só será muito perto do fecho das inscrições, fruto da participação de nossas atletas importantes na Copa América.

    Abraço e boa semana

    Paulo

    pronunciadodragao.blogspot.com

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