domingo, 28 de agosto de 2011

Aquí hay dedo

O FC Porto saiu do Stade Louis II derrotado mas, ao contrário do que alguns prognosticavam e muitos desejavam, não foi humilhado e muito menos goleado pelo todo-poderoso Barcelona. Pelo contrário, os dragões bateram-se com o gigante catalão de igual para igual, olhos nos olhos, como poucas equipas europeias o fazem (e, seguramente, como nenhuma outra equipa portuguesa conseguiria fazer) e deixaram no Mónaco uma imagem de qualidade que, apesar da derrota, motivou rasgados elogios dos seus adversários e da crítica internacional. Mais, os azuis-e-brancos saem do principado com claras e inequívocas razões de queixa do árbitro holandês Bjorn Kuiper, ficando a ideia de que, com um pouco mais de sorte e uma arbitragem competente e isenta, o desfecho do jogo podia muito bem ter sido outro.

Falar do penalty que ficou por assinalar a favor dos portistas é chover no molhado. O lance é tão flagrante que a facciosa imprensa espanhola não encontrou argumentos para escamotear a sua existência e (pasme-se!) até o jornal A Bola, órgão não oficial de propaganda do clube do regime, o considerou escandaloso, o que só por si diz tudo. Não pretendendo justificar a derrota com a actuação do árbitro (até porque uma derrota por 2-0 frente à melhor equipa do Mundo não necessita de qualquer justificação), convenhamos que deixar passar em claro um penalty tão evidente a dez minutos do fim, cometido nas barbas do árbitro, do auxiliar e do árbitro de baliza, levanta sérias dúvidas sobre a isenção da equipa de juizes escolhida pela UEFA para dirigir a partida, o que só vem reforçar a razão de Mourinho nas críticas que geralmente faz à postura dos árbitros em jogos dos blaugrana. Refira-se a propósito que a reacção não se fez esperar, não pela voz do próprio treinador do Real Madrid mas do seu porta-voz, Eladio Paramés, que através do Twitter deu conta da sua indignação, afirmando, sem papas na língua, que aqui terá havido "dedo" de alguém, sugerindo premeditação. Uma opinião polémica a que a imprensa espanhola deu eco e que, devido à enorme rivalidade entre Real e Barça, rapidamente se alastrou como fogo em palha seca.

Independentemente das opiniões mais ou menos indignadas que se vão ouvindo sobre o assunto - e mesmo correndo o risco de parecer ingénuo - a verdade é que me custa acreditar que exista verdadeiramente premeditação neste tipos de situações. Todos sabemos que o mundo do futebol se rege por influências políticas e financeiras, pelo que não é difícil admitir que a atitude do sr. Bjorn Kuiper e seus colegas de equipa se deve, não à má-fé de quem entra para um campo disposto a beneficiar uma das equipas a troco de qualquer pagamento, mas antes à pressão a que os árbitros estão sujeitos quando em causa estão os interesses de clubes com o poder colossal de um Barcelona. Nesta perspectiva, fazem todo o sentido as declarações de Vítor Pereira que, no final do jogo, considerou que a decisão do árbitro teria sido outra bem distinta caso o lance polémico tivesse ocorrido na área oposta. Numa altura em que a UEFA começa finalmente a dar alguns sinais de abertura à introdução de meios audio-visuais na análise dos lances, esta pode ser mais uma boa oportunidade para que Platini reflita sobre a eficácia do seu sistema de árbitros-de-baliza. Afinal, está mais do que comprovado que de nada vale ter seis, dez ou vinte árbitros em torno do campo quando, na hora da tomada das decisões, é a cobardia a ditar as leis. 

Independentemente do resultado, a dignidade da exibição deve ser motivo de orgulho para todos nós e factor de motivação para a continuidade da época. De facto, tal como atrás referi, poucas equipas europeias têm demonstrado capacidade para jogar frente a este Barcelona da forma como o Porto o fez (recorde-se, por exemplo, que o Manchester United foi derrotado pelos catalães na final da Liga dos Campeões por 3-1 e não consta que os ingleses tenham tido os mesmos motivos de queixa da arbitragem) e, seguramente, como nenhuma outra equipa portuguesa conseguiria fazer. No entanto, se por um lado é legítimo pensar que este Porto é suficiente para consumo interno dada a fraca oposição com que aqui se depara, penso que ficou bem patente que a equipa não se encontra ainda preparada para encarar a Liga dos Campeões com a segurança desejada, principalmente porque a saída de Falcao deixou uma lacuna no sector atacante que Kléber, diga-se lá o que se disser, não consegue colmatar. Parece-me mesmo que a substituição do avançado brasileiro numa altura em que os azuis-e-brancos se encontravam a perder e sem que outro avançado entrasse para o seu lugar (Varela entrou para o lugar do esforçado mas infrutífero Cristián Rodriguez), acabou por ser o reconhecimento deste problema do sector atacante, mas receio que os poucos dias que faltam para o fecho da época de transferências não permita encontrar uma solução credível. Esperemos para ver.


1 comentário:

  1. É também o que eu penso. Os árbitros sentem-se pressionados por todos e na hora de decidirem cedem perante quem mais lhes "mete medo".

    A exibição do FC Porto não só foi de grande qualidade como deixou, apesar do resultado final, a equipa ainda mais valorizada aos olhos de todos os que viram o jogo, em todo Mundo.

    Pena os erros, tanto do arbitro como o de Guarin. Sendo que o de Guarin, para mim, tem mais culpa Messi que o colombiano.
    Como é que um tipo se deixa ficar no meio da área parado quando a bola já dali se tinha ido? Parece que tem mesmo um pacto com os deuses que, não só lhe permitem dominar e controlar a bola de uma forma que desafia as leis da física como ainda por cima tem sorte de se "deixar estar na mama" que eles (os deuses) fazem com que a bola vá ter com ele, mesmo que esteja onde não é suposto nenhum jogador estar.

    Tipos assim são irritantes. Parece que até podem rematar contra a própria baliza que a bola baterá na barra e irá parar ao fundo da baliza no outro lado do campo.
    Não conseguem fazer nada mal feito mesmo que tentem.

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