sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Pseudo-moralismo

Quando Pedro Proença foi vítima da brutal agressão de um adepto benfiquista que lhe causou sérios danos físicos e o consequente afastamento da primeira jornada da Liga, foram muitos os pseudo-moralistas, desde jornalistas, opinion-makers e dirigentes, que prontamente encheram as páginas de jornais com veementes condenações da violência e votos de solidariedade para com o árbitro. Pelo historial bem conhecido dessa gente, não era difícil prever que esta postura cívica e altruísta seria sol de pouca dura e de facto foi precisa apenas uma jornada com dois empates dos principais clubes da capital portuguesa para imediatamente vir à tona o que de pior existe no futebol português: a hipocrisia, a desonestidade, o mau perder, a suspeição gratuita, a incapacidade de assumir os seus próprios erros.
É um facto inegável que o Sporting saiu do jogo frente ao Olhanense com motivos de queixa da arbitragem. Mesmo considerando que Carlos Xistra poupou a amostragem do cartão vermelho a Jeffren quando este protagonizou uma entrada arrepiante sobre um adversário, não restam dúvidas de que, no deve e no haver, os leões foram a equipa mais prejudicada. Por esse motivo, ainda se poderá entender o mal-estar gerado em Alvalade pela actuação desastrosa do árbitro albicastrense. O mesmo já não se pode dizer das declarações patéticas do treinador benfiquista que, não obstante ter saído de Barcelos com um ponto ganho à custa de um golo ilegal, teve o descaramento de vir hoje contestar a arbitragem nacional por (pasme-se!) entender que a grande penalidade favorável aos dragões assinalada por Olegário Benquerença em Guimarães, assumida pela generalidade dos analistas de arbitragem como correcta, não existiu.
Entretanto, Vítor Pereira, que a exemplo de Villas-Boas parece não ter papas na língua para dizer o que pensa com total frontalidade, questionou a personalidade egocêntrica de Jorge Jesus que o leva a criticar o que se passa nos campos alheios mas o impede de assumir a ilegalidade do primeiro golo da sua própria equipa frente ao Gil Vicente. Nesse sentido, eu pergunto: se, amanhã, outro adepto benfiquista, movido por idêntico fanatismo e incendiado pelas palavras do treinador encarnado, decidir partir os dentes a Benquerença (ou qualquer outro árbitro que tenha sido alvo das críticas de Jesus), haverá algum pseudo-moralista, daqueles que tanto gostam de aparecer nessas ocasiões, capaz de apontar o dedo ao técnico encarnado? 

2 comentários:

  1. caríssimo(s),

    hoje, independentemente do resultado final, seremos Porto! sempre!


    «este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!

    saudações desportivas mas sempre pentacampeãs! ;)

    Miguel | Tomo II

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  2. Boas!

    Devo dizer que gosto imenso deste blogue!

    Podem adicionar os meus aos vossos links? Eu prometo que retribuo :p

    http://davidjosepereira.blogspot.com/

    Saudosos cumprimentos!

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